O PT virou PL

O Partido dos Trabalhadores (PT) virou Partido do Lula (PL).

Dizem as duvidosas estatísticas oficiais que há aproximadamente treze milhões de desempregados no Brasil. Lorota. Há mais, muito mais.

Aliás, quando apeada do poder, dona Dilma Rousseff transferiu esse macabro inventário de desempregados oriundo dos governos petistas ao fraquíssimo e enrolado Michel Temer que, simplesmente, engrossou a estatística de desafortunados, sem condições de freá-la.

Ironia. Os governos do Partido dos Trabalhadores criaram milhões de desempregados, o que significa entender que os trabalhadores estavam em plano secundário nos governos petistas.

Os dados oficiais abrangem somente os desempregados que tiveram carteira assinada, ou seja, as estatísticas do governo se baseiam no cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego chamado Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Através desse cadastro, as empresas são obrigadas a informar para o Ministério do Trabalho e Emprego, por determinação legal, toda vez que admitem ou demitem empregados. O governo se baseia nessas informações para lastrear os dados estatísticos com o número de desempregados existentes no Brasil.

Logo, por óbvio, as estatísticas não espelham a realidade, porque não consideram a informalidade, as pessoas que trabalham sem registro em carteira e aqueloutras que, vivendo de serviços eventuais, aqui e acolá, nada encontram para fazer por conta da crise econômica.

Assim, no Brasil com aproximados treze milhões de desempregados, considerados os números do governo, não havia mais espaço para o Partido dos Trabalhadores e, em consequência, surgiu o Partido do Lula, o PL, já que foi o esperto ex-sindicalista que sempre mandou no PT e, nessas alturas, o que menos importa para ele é um partido de trabalhadores.

Para Lula, importa eleitores, votos, maracutaias, conchavos, composições políticas, poder, satatus, dinheiro.  Importa mais: o aparelhamento do Estado brasileiro em benefício de seu projeto político.

O Partido dos Trabalhadores nada mais é do que um arcabouço jurídico bem estruturado para sustentar as pretensões políticas e de poder de Lula da Silva que, convenhamos, até aqui têm dado certo. Inteligente e carismático, Lula da Silva agiu como fogo em monturo, silenciosamente, mas perigosamente.

O PT não foi criado com outro objetivo senão atender a vaidade de Lula. Foi concebido assim, tanto que, muitos de seus fundadores ideologicamente sérios pularam fora do barco petista ao perceberem o desvio de rumo do partido.

Alegre como pinto no lixo, Lula da Silva ficou livre dos incômodos e inocentes ideólogos do PT e deitou e rolou à sua maneira. Deu certo.  Está dando certo. Continuará dando certo.

Em sua essência, o PT não mais tem razão de ser como partido dos trabalhadores. Transformou-se no Partido do Lula, desviou-se de rumo e seguirá em frente, consoante a vontade de seu morubixaba Lula da Silva.

O PT se personificou na pessoa de Lula. Hoje o PT é Lula.

Dizer que os trabalhadores chegaram ao poder com Lula e dona Dilma Rousseff é uma enganação. Eles nunca chegaram lá. “Lula lá”, sim. E também outros espertos que, ao lado de Lula e dona Dilma, ganharam muito dinheiro no poder à custa da miséria dos trabalhadores.

Os trabalhadores continuam como sempre, ocupando a periferia das decisões nacionais.

O PT virou PL.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó, um exemplo de oitenta e dois anos

Já se vão, por aí, algumas décadas. Em 1971, precisamente em janeiro, conheci Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho. A circunstância foi alvissareira para este modesto escrevinhador que, oriundo da caatinga curaçaense de Patamuté, matriculava-me no primeiro ano do curso ginasial em Chorrochó.

À época Dr. Pacheco era Diretor do Colégio Normal São José, função que desempenhava com dignidade e honradez.

O Colégio São José, então cenecista, porquanto obedecia normas e diretrizes da Campanha Nacional de Educandários da Comunidade (CNEC), instituição de providencial importância para os municípios do interior naquele tempo, ainda se estava estruturando.

O ensino propiciado pelo poder público nos municípios era demasiadamente ineficiente e deixava lacunas consideráveis. A CNEC, em alguns casos, preenchia esses espaços, fundando escolas e viabilizando professores locais. Assim, estribado nesses princípios, Chorrochó construiu significativos valores que perduram até hoje.

Na ocasião a que me refiro, Dr. Pacheco já havia ingressado no Ministério Público do Estado da Bahia e exercia a função de Adjunto de Promotor na então jovem comarca de Chorrochó, que tinha sido instalada em outubro de 1967. O Dr. Olinto Lopes Galvão Filho era o juiz de direito titular da comarca.

Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho fez brilhante carreira na Bahia e trabalhou em diversas comarcas do Estado, dentre elas Chorrochó, Morro do Chapéu, Euclides da Cunha, Paulo Afonso e Salvador. Em todas elas alçou posição de destaque no edificante exercício de sua função de promotor de Justiça. Salvo engano, aposentou-se em novembro de 1994.

Dr. Pacheco é casado com a refinada professora Maria Therezinha de Menezes, brilhante senhora da sociedade chorrochoense, ícone da cultura local, lídima, notável e conspícua intérprete das tradições de Chorrochó, com quem constituiu família. As filhas Fabíola Margherita e Cynthia Cibelle completam o núcleo familiar do casal. E estão, por aí, sempre ao redor, desfrutando a ascendência exemplar.

Não custa acrescentar que o Colégio São José, hoje estadual, ainda desempenha importante papel na educação de Chorrochó. Lá está, seguramente, a semente imorredoura plantada pelo ilustre aniversariante de hoje.

Chegou-me a informação, neste tempo moderno da internet, que o Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho completa 82 anos. É uma data significativa para quem, durante toda a vida, deu monumentais exemplos de bondade e competência profissional para seguidas gerações.

Parabenizá-lo é pouco, mas as normas de etiqueta me induzem a fazê-lo. É regra, é praxe. Que Jesus Cristo, redentor do mundo, seja seu companheiro hoje e sempre.

Dono de uma humildade impressionante, Dr. Pacheco construiu uma história de elevada honradez e seriedade. É um exemplo para chorrochoenses, admiradores e familiares.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva e Gleisi Hoffmann

“A lei é como uma cerca. Quando é forte, a gente passa por baixo. Quando é fraca, a gente passa por cima” (Coronel Chico Heráclio, 1885-1974, Limoeiro-PE).

Lula da Silva, que pode ser tudo, mas besta não é, jogou um balde de água fria na espevitada presidente nacional do PT.

Normalmente histérica, a senadora Gleisi Hoffmann vem diminuindo o tom de seus destemperos e de suas visíveis perturbações.

Na medida em que Fernando Haddad cresce nas pesquisas de intenção de voto, Gleisi Hoffmann vai se encolhendo nos limites de sua insignificância.

O fato é que Gleisi manteve a esperança, até a última hora, que seria a ungida de Lula da Silva para disputar a presidência da República, mesmo com as evidências de que o morubixaba petista já havia escolhido Haddad, por questões que não vêm ao caso agora.

Gleisi não queria o ex-prefeito paulistano. Achou que tinha força. Não tinha. Não tem. Nunca teve.

Lula a escolheu para ser presidente nacional do partido e mandou o pessoal votar em seu nome na convenção, uma espécie de gratidão pelo destacado desempenho de Gleisi no episódio do impeachment de dona Dilma Rousseff.

A presidência nacional do PT está com Gleisi apenas por uma questão formal. Quem decide pelo partido é Lula da Silva e os súditos e fanáticos obedecem. Ele é a instância máxima, Gleisi é presidente faz-de-conta.

A presidente nacional do PT até encontrou um subterfúgio para visitar diariamente Lula da Silva no cárcere e ficar próxima dele. Pensando que a lei é fraca, para passar por cima, Gleisi habilitou-se como advogada do ex-presidente, condição legal para ter acesso ao preso, sem restrição, mas não se tem conhecimento de nenhuma petição assinada por ela nos processos a que Lula responde.

A Vara de Execuções Penais vislumbrou a maracutaia de Gleisi e restringiu seu acesso a Lula da Silva, na condição de advogada. Ela queria participar dos assuntos decisórios ao lado de Lula, mas somente era comunicada das decisões já tomadas. E virou porta-voz dele.

Mas não é somente isto que está deixando Gleisi Hoffman cabisbaixa. O mandato de senadora que ela exerce acaba em fevereiro e com ele vão-se as mordomias de que ela tanto gosta. A rapadura é doce, dá saudade.

Mais: Lula obrigou o PT a fazer composições eleitorais em diversos estados, exatamente com aqueles políticos que votaram pelo impeachment de dona Dilma e Gleisi os chamava “golpistas”. E quem era “golpista”, agora é amigo de infância de Gleisi com direito a beijinhos hipócritas.

A hipocrisia se entrelaçou com a fome de poder e fica o dito pelo não dito.

Convicta de que não será reeleita senadora, Gleisi está disputando o cargo de deputada federal pelo Paraná, com chances de se eleger, evidentemente.

Gleisi Hoffman continua fingindo que faz política nacional em nome do PT. É sua atribuição formal como presidente do partido. Nada mais do que isto.

araujo-costa@uol.com.br

Que vergonha, senhor Rui Costa!

As imagens mostradas na imprensa são tristes, dilacerantes, fazem chorar, causam profunda indignação. Mais do que isto: desabonam as autoridades da Bahia, desacreditam o Brasil e depreciam o governador do Estado.

Em Itapetinga, Centro-Sul da Bahia, centenas de jumentos foram encontrados mortos por desnutrição: sede e falta de comida.

Os animais estavam confinados na área pertencente a um frigorífico que os abate para vender para a China. Enquanto não eram abatidos sofriam maus tratos, até mutilações, além de fome e sede. Um cenário de horror incompatível com a mínima decência humana.

Onde estão as autoridades da Bahia?

Cadê a Polícia da Bahia, cadê a Vigilância Sanitária, cadê a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADABA)?

Onde estão os deputados estaduais da Bahia, onde está o prefeito de Itapetinga e onde estão os vereadores do município?

Onde está o Ministério Público da Bahia?

A Bahia tem governador?

O dono do frigorífico Sudoeste, que tentou negar e justificar os maus tratos aos animais deve ser preso imediatamente. É um monstro e, como tal, insensível.

“A falta de abrigo contra o sol e chuvas e a precariedade na alimentação pioram a condição de saúde dos bichos, defendem as entidades de proteção animal. Os animais estão morrendo de fome e sede, e a maioria é de fêmeas em gestação. Estão abortando seus filhotes por estarem desnutridas e não conseguem levar a gestação adiante”, segundo informações da ONG SOS Animais.

Um absurdo, uma barbárie, um crime, aliás, diversos crimes simultâneos.

Segundo disse o dono do frigorífico, somente em agosto deste ano, foram abatidos 2.100 jumentos e o frigorífico pretende abater 5.000 animais por mês.

Como se vê, a ganância está acima, fala mais alto.

É sobejamente conhecido que o incentivo a essa barbárie adquiriu força no governo de dona Dilma Roussseff, que mandou sua ministra da Agricultura para a China com o intuito de viabilizar o abate de jumentos.

Sua Excelência a deslumbrada Kátia Abreu, hoje candidata a vice-presidente de Ciro Gomes, então ministra de dona Dilma, chegou ao Brasil contando vantagens, inclusive quanto ao interesse de chineses em abater jumentos no Brasil, o que está sendo feito dessa forma cruel.

Pergunto se o senhor Rui Costa está preocupado com isto ou com os palanques, demagogicamente angariando votos.

Se a Bahia tivesse um governo sério – e pelo jeito não tem – esse frigorífico já teria sido lacrado e suas atividades declaradas extintas.

Os maus tratos aos animais vão contra nossos costumes e, quanto aos jumentos, contra toda nossa cultura nordestina, depõem contra nossos brios de sertanejos.

Que vergonha, senhor Rui Costa!

araujo-costa@uol.com.br

Na Bahia, Jaques Wagner está tranquilo

“Se você achar um jabuti no galho de uma árvore, procure saber quem o colocou lá, porque jabuti não sobe em árvore” (Vitorino Freire, político maranhense)

Algumas vezes fiz críticas à administração de Jaques Wagner (2007-2015) frente ao governo da Bahia.

As críticas – sempre muito claras – eram estritamente relacionadas ao governo e tão-somente ao governo. Nunca relativamente à figura pública e pessoal do então governador, que entendo se tratar de um senhor correto, inteligente e, mais do que isto, politicamente esperto.

Referia-me às estradas abandonadas, ao descaso com a segurança pública e ao desleixo com os professores da rede estadual, além de outros problemas que a população enfrentou em sua gestão.

Entendo Jaques Wagner como sendo o único sujeito sensato do Partido dos Trabalhadores (PT), dentre aqueles que se destacaram no partido. Parece que ele não fazia parte do pensamento daquela corriola de dirigentes petistas que foram presos ou ainda estão aguardando provável condenação do Judiciário.

Até escrevi, neste mesmo espaço, que o nome ideal do PT para disputar a presidência da República em 2018 seria ele e não Lula da Silva, principalmente tendo em vista que o ex-presidente petista encontrava-se moralmente desgastado, decaído, cabisbaixo e, por último, condenado e preso.

Lula da Silva foi tragado pela lei da ficha limpa que lhe tirou a chance de disputar a eleição presidencial, não propriamente por estar preso, mas porque a sentença condenatória de primeiro grau foi confirmada em segunda instância.

Jaques Wagner preferiu a senatoria, porquanto certa e deixou o quiproquó vexatório da candidatura presidencial para o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, que passou a ser ventríloquo e marionete de Lula da Silva.

Entretanto, o tempo fez alguns ruídos na vida de Jaques Wagner.

Já em 2011, noticiou-se um fato nebuloso, não totalmente esclarecido: ele disse que vendeu um apartamento que tinha no bairro da Federação, que valia cento e cinquenta mil reais, por novecentos mil reais e comprou outro, no luxuoso Corredor da Vitória, uma das áreas mais nobres e caras de Salvador, com direito a vista para a Bahia de Todos os Santos.

Um apartamento por lá custa em média míseros quatro milhões de reais. Mas o homem era governador na época, cheio de poder até as ventas, explicou tudo, fez matematicamente as contas e deu como certo que seu salário mensal de doze mil reais que o Estado da Bahia lhe pagava foi suficiente para adquirir tão rica e glamourosa residência.

Até aí, tudo bem, o homem sabe poupar, o que certamente vem fazendo desde os tempos do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica, em Camaçari.

O diabo é que tinha um amigo do governador no meio do caminho. Esse amigo comprou dele o apartamento da Federação e, logo em seguida, foi indicado pelo Palácio de Ondina para diretor da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) e coisa e tal.

A lisura do negócio não está aqui sendo questionada, tampouco a honradez de Jaques Wagner, mas essa conversa de comadre, essa ação entre amigos, convenhamos não ficou bem politicamente para o ex-governador.

O apartamento da Federação valia cento e cinquenta mil reais, segundo o ex-governador, mas o amigo pagou novecentos mil reais e não se fala mais nisto. Amigo é amigo e ninguém tem nada com isto.

Sendo petista – e alguns petistas têm histórico de fazer estripulias – o caso inevitavelmente fez parte do noticiário, até porque o partido passava por uma saraivada de denúncias.

Novidade é supor que ele tenha praticado negócios escusos, até aqui um senhor impoluto, acima de qualquer suspeita.

Jaques Wagner tem cabedal político e pujança doutrinária. É inteligente o suficiente para não dizer o que, pateticamente, Haddad disse em recente entrevista: dirigentes petistas afanaram dinheiro público, mas a culpa não é deles, mas dos adversários do PSDB. Isto não convenceu nem os petistas, embora, todos saibam que no PSDB também tem larápios.

Fernando Haddad é advogado. Ele deve estar arrependido pelo hilário episódio. É como se ele quisesse dizer: o ladrão roubou, mas é a vítima que deve ser presa.

Mas onde tem assunto eleitoral tem dinheiro. Em 2010, por exemplo, Jaques Wagner doou para a então candidata e hoje senadora Lídice da Mata a quantia de R$ 1 milhão de reais, o que, convenhamos, não é pouco. O dinheiro – parece – proveio do comitê eleitoral de Jaques Wagner, mas consta como doação dele, talvez uma formalidade, um detalhe.

Recentemente a Polícia Federal empurrou Jaques Wagner para os escombros da Arena Fonte Nova. Parece que por lá, no tempo de dona Dilma, dinheiro andou caindo do céu diretamente nas mãos de alguns espertos.

Não se sabe onde a Polícia Federal vai chegar, mas isto não vai influir nas urnas de outubro próximo e nem atrapalhar a vitória de Jaques Wagner ao Senado da República.

Depois ele explica aos baianos quem colocou o jabuti na árvore.

araujo-costa@uol.com.br

Nordeste: Ciro Gomes, Haddad e votos de Lula da Silva

O ex-governador cearense Ciro Gomes vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto, o que já era esperado.

O destempero verbal de Ciro também vem crescendo, o que não é nenhuma novidade. Quem o conhece sabe que ele é assim mesmo, mas o diabo é que nem todos o conhecem e isto acaba afastando os eleitores de seu caminho na disputa presidencial.

Inobstante a derrocada de nossos costumes morais e políticos e o surgimento do politicamente correto, a sociedade brasileira ainda é marcadamente conservadora.

Em entrevista recente a um jornal do Rio de Janeiro, Ciro Gomes chamou milhões de eleitores, assim como militares apoiadores de Jair Bolsonaro de “cadelas no cio” e classificou de “jumento de carga” o general da reserva do Exército e candidato a vice-presidente de Bolsonaro.

A primeira frase é do dramaturgo alemão Bertholt Brecht (1898-1956): “A cadela do fascismo está sempre no cio”. Ciro Gomes não citou o autor da frase o que, pelo menos, seria uma forma de amenizar a infelicidade da arrogância diante dos atingidos.

Com a expressão “jumento de carga”, talvez Ciro quisesse dizer “pau pra toda obra”, mas não se expressou bem. Ficou mal para o candidato que quer atingir espaço eleitoral.

Ciro Gomes é um sujeito culto, mas não precisa valer-se de sua cultura para ofender as pessoas, mormente em campanha. Vai perder eleitores, embora ascendente nas pesquisas.

Com a definição de Fernando Haddad, ventríloquo de Lula da Silva, Ciro vai disputar votos lulistas nos estados do Nordeste, que têm maioria sabidamente favorável ao ex-presidente petista.

Já escrevi sobre Fernando Haddad. É um sujeito decente, educado, culto, inteligente, ético e, sobretudo, disciplinado. Ainda não lhe grudou a pecha de demagogo, como os demais candidatos que estão por aí, mas errou ao se submeter à condição de marionete de Lula da Silva e se transformar num candidato sem identidade própria. Parte do PT não o queria como cabeça de chapa.

Ganhando ou não a eleição, Haddad vai entrar para a história política como uma pessoa facilmente dominável. Isto já está manchando sua impecável biografia.

Ciro Gomes é nordestino típico, embora paulista de nascimento, tem afinidade com o linguajar do povo, conhece bem demagogia e, sobretudo, sabe dizer o que o eleitor quer ouvir. É experiente politicamente e entende de administração e economia. Pavio curto, tirante os palavrões que gosta de dizer, tem seguras chances de abocanhar grande parte do eleitorado lulista. Se tiver maioria na região Nordeste, a vitória ficará com ele.

O eleitor de Lula não significa necessariamente eleitor do PT. O eleitor de Lula é fiel, decidido, imutável. Quem vota em Lula não quer dizer que vota noutros candidatos do PT.

Lula é carismático, messiânico, tem luz própria, apesar da escuridão que vem atravessando. Haddad é pau-mandado. A diferença entre ambos é abismal.  O eleitor de Lula sabe disto.

De qualquer forma, a bagagem de Ciro Gomes o ajudará, sem dúvida: exerceu cargos no Executivo e no Legislativo, em todas as esferas de governo, além de dominar, com desenvoltura, os assuntos do Brasil. É articulado e tem poder de convencimento.

Mas é tempo de tirar as crianças da sala nos momentos em que Ciro Gomes fala na televisão. Ele pode servir de mau exemplo. Não é bom.

araujo-costa@uol.com.br

Igreja Católica: Sínodo e esperança na juventude

“Os corações dissipados não se tornam santos” (Santo Afonso de Ligório, fundador dos redentoristas).

No período de 3 a 28 de outubro próximo realizar-se-á em Roma o Sínodo dos Bispos direcionado aos jovens, com o tema “A fé, os jovens e o discernimento vocacional”.

O relator geral da Assembleia Ordinária do Sínodo será o cardeal brasileiro Sérgio da Rocha, mestre em Teologia Moral, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Brasília.

Sintomática a nomeação de D. Sérgio da Rocha para a relatoria do Sínodo. Ele conviveu com muitos problemas da juventude em duas arquidioceses do Nordeste sabidamente difíceis: Teresina e Fortaleza.

Em 2017, os jovens de todo o mundo tiveram a possibilidade de responder a um questionário disponibilizado pelo Vaticano sobre as impressões da juventude mundial.

A Igreja valeu-se dessa consulta para subsidiar o Sínodo, empiricamente. Uma espécie de preparo para sentir o pensamento da juventude de todo o mundo.

Sabe-se que os jovens reivindicaram uma igreja alegre, mais evangelizadora através dos meios de comunicação e também a necessidade de maior atenção ao ardor da juventude, direcionando-o às coisas da Igreja .

A Igreja Católica Apostólica Romana parece que está voltando a se interessar pelos jovens. Já no Concílio Vaticano II (1962-1965), com a linha de modernização de seu pensamento, a Igreja plantou a semente que resultou no aparecimento de organizações e movimentos, tais como a pastoral da juventude e as comunidades eclesiais. Um avanço.

A preocupação da Igreja hoje é fundamentalmente a indiferença dos jovens, a pouca participação deles nas atividades paroquiais e, sobretudo, a falta de interesse relativamente ao sacerdócio.

É uma preocupação que se funda no presente, mas tem o condão de amparar o futuro. Se a juventude não se interessar hoje pelas vocações, fatalmente teremos uma Igreja carente de sacerdotes, faltarão diáconos, presbíteros, acólitos, et cetera e, por consequência, bispos e cardeais.

Não é nenhuma novidade que a Igreja tem dificuldade de atapetar seu caminho em direção às gerações futuras, resultado de incompreensível negligência relativamente aos jovens ao longo do tempo.

As estruturas dos seminários continuam as mesmas de séculos, quer do ponto de vista da formação dos padres, quer no que tange ao enfrentamento da possível flexibilização de alguns preceitos vistos pela Igreja como imutáveis.

Os jovens se foram escasseando nas atividades religiosas das paróquias, diminuíram a frequência às missas e, sobretudo, voltaram-se para as coisas do mundo da violência. Isto é muito preocupante, de tal forma que o tema “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” fez-se necessário no mundo inteiro.

Ao longo dos séculos, a Igreja Católica Apostólica Romana se sustentou em dogmas tais que até hoje dificultam a compreensão de seu papel na formação do caráter religioso, flexibilização das arrogâncias e amparo às fraquezas humanas.

Doravante, a discussão do celibato, por exemplo, certamente tomará lugar em muitas avaliações da Igreja Católica. Quiçá tenha faltado à Igreja a explicação necessária quanto ao âmago das vocações sacerdotais.

Mater et magistra, a mãe e mestra dos católicos não pode conviver com escândalos, como acusações de pedofilia envolvendo seu clero o que, inevitavelmente, atinge os jovens que ela tanto quer evangelizar. Isto contamina sua credibilidade, sem dúvida.

A Igreja ainda não encontrou formas de extirpar situações incômodas, não obstante contar com seus tribunais próprios e instituições aptas para isto.

O papa João Paulo II vislumbrou a necessidade de dar mais atenção aos jovens e incentivou as Jornadas Mundiais da Juventude. Essas jornadas despertaram ânimo nos jovens, ainda que timidamente, mas com êxito.

Agora o Sínodo dos Bispos parece retomar o assunto da fé e da vocação, assunto este necessário para desanuviar o pensamento da juventude tão comprometido com a ruína moral do mundo.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

A submissão das Forças Armadas ao poder civil.

O comandante do Exército em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo de 09/09/2018 esclareceu o que todo brasileiro precisa saber: “As Forças Armadas são instituições de Estado, de caráter apolítico e apartidário”. E pronto.

Disse mais, que Jair Bolsonaro não é candidato das Forças Armadas, embora capitão da reserva do Exército. Bolsonaro é político, deputado federal, exerce função política. E pronto.

O candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro é general da reserva do Exército. E pronto.

Eventual governo de Jair Bolsonaro será civil, porquanto eleito pelas regras democráticas e não governo militar. E pronto.

No regime democrático, as Forças Armadas se submetem ao poder civil, independentemente de quem seja o presidente da República, que é o seu comandante supremo.

O que as Forças Armadas não admitem, por óbvio, é bater continência para eventual presidente eleito contra a lei, contra as regras democráticas, ao arrepio dos ditames legais. Não podemos esperar isto de nossos militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles não vão fazer isto, em respeito à hierarquia, à ética, ao Brasil, à Pátria, aos símbolos nacionais.

Dito isto, agora um lembrete: em 25/07/1966, a esquerda explodiu uma bomba no saguão do aeroporto dos Guararapes, em Recife, causando duas mortes e quatorze feridos. A bomba era destinada ao então ministro do Exército Arthur da Costa e Silva, anos depois presidente da República, mas atingiu fatalmente um jornalista funcionário do governo de Pernambuco e um vice-almirante.

Naquele dia, o ministro Costa e Silva participava de atos de campanha no prédio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), mas não foi envolvido no atentado, para decepção dos autores da ação tresloucada.

O resto da história e da escuridão pela qual o Brasil passou anos seguidos todos conhecem.

Em 2018, bastaram se acirrarem os ânimos da campanha presidencial, para integrantes da esquerda radical, certamente espelhando-se no exemplo reprovável de seus antepassados, atentarem contra a vida do candidato Jair Bolsonaro. Pior: o porralouca que esfaqueou o candidato declarou à polícia que o fez por razões políticas, o que obrigatoriamente lhe remeteu para a Lei de Segurança Nacional. Repete-se 1966, 1968, 1969…

A democracia está ferida, feridos estão nossos símbolos nacionais, feridas estão as urnas que colherão nossos votos.

Passadas algumas décadas, a esquerda imbecilizada e incompetente não aprendeu a lição. Diferentemente de 1966 – época do caso de Recife – quando vivíamos numa ditadura, hoje estamos no saudável regime democrático, que não comporta atos dessa natureza, em nenhuma hipótese. A esquerda não consegue entender. É uma questão de inteligência ou falta dela.

As contestações devem ser feitas civilizadamente, pelas vias do diálogo, através do debate, das urnas, do convencimento. Derramar sangue de compatriotas por discordar de ideias antagônicas afigura-se estupidez, idiotice, um atestado de incomprensão.

De qualquer forma, as Forças Armadas do Brasil de hoje se submetem ao poder civil, porque assim diz a Constituição da República, não importa se o presidente eleito é de direita ou de esquerda. Importa se investido no cargo mediante sufrágio popular e legítimo, de acordo com o nosso ordenamento jurídico.

Entretanto, os imbecis continuam por aí, violentos, soltos, idiotas, ávidos para tumultuarem o ambiente político. Não terão sucesso.

araujo-costa@uol.com.br

O petista Lula que os petistas não conhecem

Segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Alberico Souza Cruz, poderoso diretor de telejornais da Rede Globo, editou o debate havido entre os candidatos Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.

Noticiada pela imprensa, a edição do debate deu-se numa sexta-feira e no sábado seguinte, a pedido de Lula, oito mil militantes foram protestar na porta da TV Globo contra a emissora.

A eleição aconteceu no domingo, 17 de dezembro. Lula da Silva perdeu por pequena margem de votos, derrota atribuída à montagem do debate vista como grosseira e desonesta, a favor de Collor.

A TV Globo puxou a sardinha para o lado de Collor, que saiu vitorioso com 53,03% dos votos. Lula teve 46,97%.

Enquanto os manifestantes se apinhavam na porta da TV Globo, no Rio de Janeiro, Lula da Silva jantava, escondido, com a direção da emissora, a convite do próprio Alberico Souza Cruz, que manipulou o debate contra ele.

– “Derrubamos 3 litros de uísque”, contou Lula depois. E ponderou: “não vou brigar com a Globo, né?”.

Os manifestantes e defensores de Lula fizeram papel de bobos em frente à Globo. Protestaram, esgoelaram-se, levantaram bandeiras, gritaram palavras de ordem e Lula lá, em jantar com a direção da emissora, comendo, bebendo e extasiando-se.

– “Aquilo doeu e me pareceu falta de dignidade pessoal”, disse César Benjamin, ícone da esquerda do Brasil, fundador do PT e um dos responsáveis pelo protesto. Depois disto ele abandonou o PT.

Até o íntegro Leonel Brizola ficou indignado com a edição do debate e comprou a briga com a TV Globo. E Lula lá, fingindo que estava brigando com a emissora.

Até hoje tem militantes que embarcam nas lorotas de Lula e pensam que ele é contra a Rede Globo, ao ouvirem suas bravatas. Lula da Silva “joga pra galera”, de acordo com o momento. É um esperto estrategista político. Sabe dizer na hora certa o que a militância quer ouvir.

Curioso é que Lula da Silva considerava Fernando Collor inimigo figadal, mas quando assumiu o poder uniu-se a ele e passaram a viver aos abraços até hoje, um defendendo o outro. Coisas do amor.

A inimizade começou porque na campanha eleitoral, Collor divulgou assuntos da vida pessoal de Lula, o que não vem ao caso citá-los. Convenhamos, vida pessoal não deve ser misturada com campanha eleitoral. É baixaria, mau caráter.

Há outros episódios que Lula da Silva protagonizou às escondidas de seus admiradores, como a greve de fome que simulou quando estava preso no DOPS paulista no tempo da ditadura militar.

Mas esta é outra história que, de tão hilária, entrou para o folclore lulista.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: um registro sobre Maurizio Bim

“A gente pode ter orgulho de ser humilde” (D. Helder Câmara)

Nas amizades, a confiança é atraída pelo diálogo, embora nem sempre ela tenha o condão de nascer de frequentes conversas. A confiança quase sempre surge casualmente, como se, depois de uma peregrinação, encontrasse lugar seguro para pousar.

Neste “mundo coberto de penas”, como dizia o mestre Graciliano Ramos, as amizades se desgastam facilmente e se perdem nos labirintos das incompreensões, que são muitas, amiúde.

Contudo, algumas surgem subitamente, surpreendentemente. E ficam, ainda bem que surgem e ficam.

Em Curaçá, amparo de minha aldeia Patamuté, o tempo me presenteou com amizades que perduram até hoje, algumas construídas na juventude, outras no decorrer do tempo e outras poucas já em minha ostensiva fase de chatice, quando passei a me levar muito a sério, o que não é bom, nunca foi bom, nunca será bom.

A pureza da juventude esvaiu-se-me e me tornei um sujeito esquisito, tosco, arredio, às vezes incompreensível. Passei a confiar menos nas pessoas, quiçá em razão dos tropeços, da poeira engolida nas estradas, das decepções enfrentadas ao longo da caminhada e de minha incompatibilidade de conviver com hipocrisias.

Não tenho conseguido ajoelhar-me diante da arrogância, mas sei entender os antagonismos, discernir as aparências. E nas encruzilhadas das incertezas, tentei seguir o caminho menos espinhoso, a direção possível.

Viver exige lhaneza, simplicidade, afabilidade, o que me falta a todo tempo. Mas resisto em ceder às tentações para não me tornar grosseiro, indesejável, ferino, estúpido.

Às vezes é preciso que derrubemos os anteparos para que a luz que está do outro lado desponte e traga clareza ao nosso caminhar e à necessidade de sermos humildes. A esperança sempre nos permite alcançar o outro lado da luz.

Dentre os amigos mais jovens que conquistei em Curaçá está Maurizio Bim.

Nossos contatos se estreitaram depois que ele lançou o livro História da Imprensa de Curaçá, resultado de cuidadosa pesquisa sobre a história do município, mormente relativamente à tenra imprensa local.

É muito difícil cultivar a seriedade nesta quadra do tempo. Maurizio consegue, não obstante o monturo de influências externas que nos abalroam diariamente. Encaminhou-se para a pedagogia, o jornalismo e para o ofício de escritor, áreas que domina com competência e desenvoltura.

Maurizio é filho da professora Dionária Ana Bim e recebeu da mãe – e certamente também do pai – o gosto pelas coisas sérias, a arte de dirigir o espírito para a investigação da verdade e, sobretudo, o caráter irrepreensível.

Dionária foi minha professora no Colégio Municipal Professor Ivo Braga e a tenho em alta consideração. Foi professora é modo de dizer, continua sendo. Não se esquecem as boas lições, não se esquecem os mestres, não se esquecem os bons ensinamentos.

O livro História da Imprensa de Curaçá é uma promissora iniciativa que Curaçá passou a dispor para o enriquecimento e sedimentação de sua história. Leitura agradável, enriquecedora, formidável.

Anos depois, em novembro de 2015, Maurizio fez mais uma façanha, dentre outras: lançou o livro, Barro Vermelho – memória e espaço, obra também cuidadosamente lastreada em pesquisas sobre o elegante distrito curaçaense, sua gente, suas raízes e sua cultura. Um indestrutível e perene monumento ao lugar.

O lançamento do livro aconteceu no Memorial Filemon Gonçalves Martins, marco da cultura musical e da história de Barro Vermelho. Tive vontade, mas não pude estar presente.

Todavia, além do registro da amizade, o que conta aqui é o registro de sua generosidade. Quando ele me apresentou a História da Imprensa de Curaçá fez constar na dedicatória: “É preciso que lembremos, mas também é mister que os outros saibam para que a todos seja comum”.

Pensamento de grandeza, de desprendimento, de compartilhamento do saber.

Maurizio Bim faz parte dos intelectuais que não gostam de pedestais. Aí está sua grandeza, o orgulho da humildade.

araujo-costa@uol.com.br

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Deixo de citar o crédito da foto por desconhecer a autoria, o que não invalida o respeito pelo autor.