De acordo com farto noticiário na imprensa, um cidadão com histórico de condenação penal foi nomeado para ocupar cargo de Diretor na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (SEAP) com salário de R$ 11 mil.
A Associação dos Agentes Socioeducadores e Monitores Penitenciários do Estado da Bahia classificou a nomeação como “um desrespeito inaceitável aos servidores da segurança pública” (Bahia Informa, 04/06/2025)
O caso parece superado porque, tendo em vista a repercussão negativa, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que anda muito preocupado com o chapéu de ACM Neto, anunciou que demitiu o servidor.
No Diário Oficial de 05/06/2025 consta que “a nomeação foi tornada sem efeito” (O Globo, Rio de Janeiro, 05/06/2025).
Aqui não se discute o mérito do nomeado, sua situação jurídica e tampouco se há impedimento técnico e legal para assumir o cargo de Diretor de uma secretaria de Estado.
A questão aqui é outra, bem simples:
O governador da Bahia e sua assessoria não analisam a indicação e o histórico dos servidores antes de nomeá-los?
A memória de Curaçá conta com bons nomes que a defendem, preservam e a projetam para o futuro.
Sivaldo Manoel da Silva é um deles. Agricultor, com sustentáculos na Fazenda Lagoa, lá cursou os primeiros anos da Educação Básica.
Estudou no simpático município pernambucano de Santa Maria da Boa Vista, frequentou o ensino médio no Colégio Estadual Manoel Novaes e foi aluno do tradicional Colégio Municipal Professor Ivo Braga, ambos na sede de Curaçá.
É técnico em agropecuária e cursa Licenciatura em Pedagogia na FAESP-Faculdade de Educação Superior de Pernambuco.
A vida profissional de Sivaldo Manoel da Silva começou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curaçá. Lá ocupou funções de liderança e exerceu, dentre outros, os cargos de secretário geral, secretário de finanças e presidente.
Na condição de assessor legislativo, coordenou programas direcionados à agricultura familiar na Secretaria Municipal de Agricultura Sustentável e Ações no Interior.
É, ainda, assessor legislativo no município de Curaçá.
Contudo, o que reluz, neste rica história de Sivaldo, é sua contribuição ao Acervo Curaçaense que, segundo ele, “nasce na militância social exercida ainda no Sindicato dos Trabalhadores Rurais”.
E aqui vão alguns de seus méritos em prol da memória curaçaense que fazem lembrar vínculos de amizade com Luciano Lugori, vínculos construídos na Associação de Estudantes.
Interessante é essa espécie de confraria que os membros do Acervo Curaçaense têm com Luciano Lugori, seu fundador.
Em contato com este escrevinhador, Sivaldo conta que participou de eventos ao lado de Lugori, a exemplo do “Tributos a Renato Russo” e, parece, o que mais lhe enaltece é ter sido aluno do mestre Lugori no Colégio Estadual José Amâncio Filho.
Sivaldo contribuiu com a “análise e desenvolvimento” na elaboração do Estatuto do Acervo Curaçaense.
“Mesmo sem formação técnica específica” – diz ele – “passei a valorizar e compreender o trabalho realizado pela instituição da qual atualmente sou o tesoureiro como uma semente que estamos plantando para as futuras gerações.”
É isto aí. Curaçá pode se orgulhar de seus filhos.
“A igualdade existe como direito e a desigualdade como realidade.” (Jornalista Luiz Alberto Bahia, 1923-2005)
Nem vou aqui falar da Constituição Federal, esta jovem senhora de 37 anos, nascida em 1988, que está sendo espancada quase diuturnamente, em nome da democracia.
Primeiro uma digressão necessária.
A ditadura militar (1964-1985) instituiu a censura ampla e geral, de modo que a expressão “a moral e os bons costumes” passou a ser o principal indicador para qualificar artistas e intelectuais como subversivos, perigosos e imorais, pretexto para censurar matérias jornalísticas, livros, peças teatrais, músicas e tudo mais que o regime entendia como subversivo. Ou seja, toda opinião contrária ao governo. Até reuniões, em certas circunstâncias, eram proibidas.
O mais doído era a censura de opinião, a imposição do silêncio, o tolhimento do direito de expressão.
O Decreto-lei 1077/1970 estabelecia que “não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes quaisquer que sejam os meios de comunicação”.
Dizia mais:” Caberá ao Ministério da Justiça, através do Departamento de Polícia Federal verificar, quando julgar necessário, antes da divulgação de livros e periódicos, a existência de matéria infringente da proibição”.
Era a censura prévia que volta a ameaçar nossas cabeças.
Segundo estimativa do jornalista Zuenir Ventura, em 10 anos, entre dezembro de 1968 e dezembro de 1978, foram censurados “cerca de 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, dezenas de programas de rádio, 100 revistas, mais de 500 letras de músicas e uma dúzia de capítulos e sinopses de telenovelas”.
A vigilância era tanta que equipe de censores instalava-se na redação dos jornais e das revistas, para decidir o que poderia ou não ser publicado.
Jornais e/ou quaisquer veículos de informação eram obrigados a enviar com antecedência o que pretendiam publicar, submetendo o material à Divisão de Censura do Departamento de Polícia Federal, em Brasília.
Este um resumo pífio da situação da época que era escabrosa.
Agora, tempo de redes sociais, o governo petista do morubixaba Lula da Silva quer importar o cruel modelo de censura da ditadura chinesa para o Brasil. O Supremo Tribunal Federal, que não tem nada com isto – ou não deveria ter – parece disposto a contribuir para a instituição da censura no Brasil.
O Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal – que tem o dever de legislar sobre o assunto, está de cócoras, inerte, à espera do pior.
Os parlamentares estão preocupados com seus bolsos, seus interesses, seus votos.
Em resumo, a intenção do cambaleante governo petista, encurralado pela baixa popularidade, é calar as críticas aos descalabros cometidos pelos agentes públicos, encobrir a corrupção, os malfeitos e coisas tais. Ou seja, proibir que a população exteriorize sua opinião sobre desvios cometidos por autoridades.
Tenho dó da juventude de hoje e das próximas gerações que serão amordaçados e proibidos do direito de falar, de dizer, de criticar, que é próprio dos jovens.
Tenho dó dos desavisados de hoje, principalmente os cegos pela ideologia, que estão coniventes com a possível censura e com o tolhimento da liberdade de pensamento e de expressão e, inevitavelmente, serão também atingidos, mais cedo ou mais tade.
No Brasil de hoje, é proibido até desconfiar das autoridades.
Querem implantar a desigualdade de direitos na sociedade.
Quem tem poder fala o que quiser. Quem não tem poder, escuta.
No tempo da ditadura militar tínhamos o Poder Judiciário para recorrer. Hoje, nem isto temos.
“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos.” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)
Professor Ronive Von Barros da Cunha Júnior/Arquivo pessoal
Um dos fracassos que arranha a memória dos pequenos municípios é o desinteresse no que tange à preservação do patrimônio cultural de suas populações.
Há exceções, por óbvio.
O município sanfranciscano de Curaçá, ao contrário, parece nunca ter-se distanciado de seus valores ínsitos na cultura local e isto vem acontecendo há décadas através do empenho de muitos de seus filhos.
Em Curaçá, exemplificativamente, há o museu D. Telú, o lendário Teatro Raul Coelho, símbolo de nossa arte, além de permanentes e efervescentes movimentos culturais que remontam a décadas.
Há robusta legislação municipal que versa sobre os cuidados com o patrimônio artístico, cultural e histórico e isto afigura-se de grande valia para se formarem alicerces que sustentem esse esforço permanente através das gerações futuras.
Por oportuno, deixo uma referência ao político Rogério Bahia, honra e glória de Curaçá, que vem se destacando na defesa do município e não somente de seu patrimônio histórico. De estirpe tradicional, o vereador Rogério Bahia tem contribuído consideravelmente para a preservação da história do município.
Entretanto, en passant, lembro uma turma abnegada e, sobretudo dedicada, que integra a instituição Acervo Curaçaense: Luciano Lugori, Elieusina Rodrigues de Almeida, Sivaldo Manoel da Silva, Elias Fonseca Martins, Deize Eustália Nunes de Carvalho, Ronie Von Barros da Cunha Júnior e Jacqueline Lopes de Araújo.
Há de considerar neste particular, minhas limitações ao falar dessa turma que coloco no altar de minha admiração de que é exemplo Luciano Lugori de quem tenho escrito algumas coisas esparsas, embora distantes do seu monumental preparo intelectual.
É uma forma, quiçá uma pretensão descabida, de reverenciar pessoas que nobremente defendem o município de Curaçá, quaisquer que sejam a formação e campo de atuação de cada uma delas.
Ocupo-me, hoje, do professor Ronie Von Barros da Cunha Júnior, para tecer sobre ele algumas tenras observações e o mesmo farei, oportunamente, com os demais do Acervo Curaçaense.
Com raízes fincadas na Fazenda Saco do Umbuzeiro, o professor Ronie Von concluiu o Ensino Fundamental na Escola Municipal Otaviano Matos no distrito de Patamuté.
Cursou os primeiros anos de Educação Básica na Escola Municipal Benigno Mendes da Silva na Fazenda Sítio do Alexandre nas cercanias de Patamuté.
É professor de História do Colégio Municipal Professor Ivo Braga. Lá exerceu a função de coordenador da Área de Ciências Humanas.
Fez Licenciatura em História, ingressou na área de Licenciatura em Pedagogia, especialização em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica, além de História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira.
Colabora com um grupo de desportistas de Patamuté visando a fortalecer práticas esportivas locais.
Na sede, vem contribuindo ativamente com a implementação de políticas públicas culturais e preservação do patrimônio cultural, material e imaterial do município. Atua na reconstrução do Conselho Municipal de Políticas Culturais com destaque no segmento Patrimônio e Memória e participa do Conselho Municipal de Patrimônio.
É conselheiro do Acervo Curaçaense. Contribuiu para aprovação de projetos culturais através da Política Nacional Aldir Blanc, dentre esses o curta-metragem Vozes Atikum, o documentário Memórias em VHS, Além do Óbvio, Quadrilheira e Sons de Feira.
Em contato com o professor Ronie Von ele disse que o Acervo Curaçaense proporciona-lhe “uma conexão mais profunda com a cultura local, permitindo identificar e enfrentar obstáculos para a preservação cultural”, de tal modo que isto tem fortalecido sua “determnação em preservar e divulgar a cultura curaçaense”.
Questionado sobre seus objetivos, o professor Ronie Von sinalizou que pretende aprofundar a formação acadêmica, “cursar um mestrado, especializar-se em outras áreas do conhecimento e estabilizar-se profissionalmente”.
Em quadro assim, convenhamos, o jovem professor curaçaense parece disposto a seguir adiante com seus sonhos, valiosos sonhos. Tarefa ingente, mas própria dos sonhadores.
Duas insanidades vociferadas por Lula da Silva arranham a decência política e o respeito à população.
Presidente Lula em Salgueiro-PE. Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Em Salgueiro, sertão de Pernambuco, Lula disse que não se pode votar em “qualquer tranqueira”. Discurso eleitoreiro e inoportuno, fora de tom e de época.
Com isto, Lula advertiu os próprios eleitores que votaram nele e reconheceu-se a si mesmo.
Em Cachoeira dos Índios, extremo oeste da Paraíba, Lula invocou em vão o nome de Deus, coisa que ele costuma fazer constantemente. Aliás, Lula não somente costuma invocar o nome de Deus como arrasta-o para justificar suas estripulias.
Lula disse: “Deus deixou o sertão sem água porque ele sabia que eu ia ser presidente da República e que eu ia trazer água para cá”.
Beira à blasfêmia. Mais do que isto: narcisismo asqueroso, coisa de quem não tem o que dizer, senão inventar asnices.
Pior não foi Lula dizer essas asneiras. É próprio dele, não há novidade nisto. Sempre foi assim. Pior foi seus súditos aplaudirem, muitos deles pendurados nos cabides de emprego arranjados pelos políticos locais.
Entretanto, é preciso tolerar Lula da Silva. É nosso presidente, foi escolhido pela vontade soberana da maioria. Ele está definhando politicamente, cansado, frágil, adoentado, intolerante.
Mas há esperança que doravante despontem estadistas no horizonte político do Brasil e não demagogos. E que seja apagado este rastro de políticos vazios e embusteiros.
“A verdadeira juventude é uma qualidade que só se adquire com a idade” (Jean Cocteau, 1889-1963).
Chega-me da Bahia notícia alvissareira dando conta de que o Dr. Francisco Afonso de Menezes está escrevendo um novo livro, que vai se somar a outros de sua abalizada autoria.
Ainda – parece – está em fase de pesquisas e, neste particular, o Dr. Afonso é muito zeloso com o que escreve, mormente no que tange à fidelidade aos fatos.
Estou na expectativa, mas tenho que me contentar com a espera da publicação e torço para não demorar muito. Em idade septuagenária, já não tenho tanto tempo para esperar.
Francisco Afonso de Menezes é chorrochoense da gema. Mantém-se ligado ao município por simultâneos vínculos de família e tradição.
Dr. Afonso e a irmã Maria Rita da Luz Menezes em foto de 2015/Igreja de Senhor do Bonfim, de Chorrochó/Arquivo Thereza Menezes
Defensor intransigente da cultura de Chorrochó, Afonso tem sido vigilante no sentido de preservar as tradições da Paróquia de Senhor do Bonfim, embora tenha sido cauteloso no trato com o entendimento às vezes exaltado de pessoas que pensam de modo diverso. Quase sempre é contemporizador em benefício das tradições locais
Afonso é uma espécie de personal consultant de muitos. Confesso que aprendi bastante com ele em momentos em que era preciso saber lidar com os impulsos que me empurravam para o desconhecido.
É cria da pioneira Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), que lhe concedeu a graduação e o tecnicismo profissional que soube exercer com afinco e responsabilidade.
É estudioso dos assuntos de sua formação e profissional respeitado em seu meio de atuação. Ostenta considerável folha de serviços prestados ao desenvolvimento da agricultura moderna da região como grande conhecedor das ciências agrárias.
Começou sua vida profissional na então conceituada EMATER-BA, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Bahia, instituição que prestou, em sua área, valiosa e eficiente contribuição para a população do semiárido baiano.
Mas limito-me ao jovem Afonso que conheci em Chorrochó: afável, estudioso, inteligente, cortês, encantador. Tantos anos!
Na juventude, em Chorrochó, ele fazia parte de um vistoso quarteto: José Osório de Menezes, Francisco Ribeiro da Silva, Juracy Santana e ele próprio. A eles se somavam outros tantos, a exemplo de Antonio Geraldo Rodrigues de Menezes e Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes.
Eu não fazia parte dessa saudável confraria. Cingia-me à humilde rudez da caatinga de onde vim, espécie de bicho arredio na cidade.
Quase todos já se foram. Continuamos alguns poucos, saudosos e circunstantes, cônscios da efemeridade da vida, meditando, remoendo, ruminando as vicissitudes do existir.
Admiro algumas qualidades de Afonso, dentre essas o apego às tradições da terra natal, o arraigado interesse pela história do município e, sobretudo, a lealdade aos seus princípios.
Outra qualidade de Afonso é a aptidão para preservar amizades, dentro as quais me incluo, honrosamente, não obstante tropeços ao longo do caminho, que ele sempre soube entender e contornar. Mantenho-o amigo. Mantemo-nos amigos. É um amigo generoso, sábio, compreensivo, prudente.
Confesso que quase sempre lhe peço socorro, quando me encontro atabalhoado e às voltas com dúvidas sobre a história de nossa região. Ele tem sido prestativo.
Tenho me valido de sua experiência e paciência quando preciso escrever algumas de minhas baboseiras que uns poucos lêem e outros não se interessam e fazem muito bem.
Quem lida com a História, embora não historiador, mas curioso, assim como eu, vive permanentemente cheio de dúvidas, porque os fatos devem ser retratados de acordo com a verdade e não adstrito à opinião de quem relata.
Afonso já se debruçou em tarefas ingentes com vistas ao enriquecimento da história de Chorrochó. Sobressaem-se dois livros: Memorial Cordeiro de Menezese História de Chorrochó, este em coautoria com a insigne professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes de quem sou renitente admirador.
Afonso é autor do Hino de Chorrochó e da Bandeira do município, relevantíssimos feitos que, por si sós, enriquecem e emolduram sua biografia de forma perene e contribuem valiosamente para a grandeza de Chorrochó.
Afonso é também administrador de empresas. Extraí estas suas palavras do discurso de formatura: “A capacidade sonhadora é bem maior que as realidades existenciais e a força de identificar sonhos com a vida faz com que acreditemos que o amanhã será melhor”.
Trata-se de pensamento otimista, eloquente, estribado na esperança e na crença de horizontes promissores. É um bálsamo para a juventude, mesmo aquela que se tornou jovem com o envelhecimento, com o passar dos anos.
Deixei para o final, adredemente, a inclusão do título Doutor que omiti no texto e que Afonso dignamente ostenta: Dr. Francisco Afonso de Menezes.
A caminho da fase octogenária, que ainda demora algum tempo, Dr. Afonso e eu diremos, à semelhança de Tristão de Atayde: “Chegando aqui, que surpresa! Olhando para trás, que deserto!
E como iniciei este texto citando a frase de Jean Cocteau sobre a juventude e, presumindo que Afonso algum dia venha a se deparar com esta crônica, faço-lhe a pergunta, usando o linguajar de nosso tempo: continua jovem, bicho?
Na CPI da Covid (quem lembra?), o cavernoso e arrogante senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, trucidou, grosseiramente, Nise Yamaguchi, renomada oncologista e infectologista do Hospital Albert Einstein, um dos mais respeitáveis do mundo.
Aliás, talvez a maior façanha de destaque que o senador Otto Alencar tenha feito foi deixar a condição de lambe-botas do carlismo e assumir a mesma condição no lulopetismo, sem nenhum pudor.
A CPI da Covid se transformou numa espécie de patacoada montada por políticos hipócritas. Estavam lá as sumidades da honestidade nacional, a exemplo de Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Simone Tebet (MDB-MS), Otto Alencar (PSD-BA), et cetera .
Ninguém saiu em defesa da médica Nise Yamaguchi, que Otto Alencar espezinhou arrogantemente. Ilustre desconhecido nascido no município baiano de Ruy Barbosa, o senador Otto passou a ser conhecido nacionalmente em razão de suas intervenções grosseiras na CPI da Covid e sua falta de compustura ao tratar com pessoas educadas.
Seus colegas senadores da CPI ajudaram a espezinhar a médica.
É estranho que, agora, Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, que ficaram silentes por ocasião dos ataques à medica Yamaguchi, tenham saído rapidamente de suas insignificâncias para defenderem a ministra Marina Silva, que passou recentemente por um perrengue danado na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.
Adivinha quem mais fortemente espinafrou a ministra Marina Silva?
O mesmo senador Omar Aziz que, ao lado de Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, trucidaram a médica Yamaguchi na CPI da Covid.
Participaram também do massacre político à ministra Marina Silva os senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), inegavelmente deselegantes.
Evidente que a ministra Marina Silva merece respeito e quanto a isto estamos todos de acordo. É uma questão de decência, civilidade, boas e recomendáveis regras de convivência social.
Mas, pergunta-se:
Por que a médica Nise Yamaguchi foi barbaramente humilhada na CPI da Covid e ninguém saiu em sua defesa e os mesmos senadores que a espezinharam, hoje saíram histericamente em defesa da ministra Marina Silva?
A profissional Nise Yamaguchi é menor que a ambientalista Marina Silva? a condição moral de uma é diferente da outra?
A resposta talvez seja esta: estamos diante de políticos pequenos e apequenados, desrespeitosos, medíocres e desprezíveis, quaisquer que sejam os lados que eles se abriguem.
Independentemente da posição política de cada um, todos merecemos respeito.
Fachada do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo/Crédito: Sindicato
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, símbolo do sindicalismo de Lula da Silva, tem sede em São Bernardo do Campo, berço político do presidente.
Foi lá que Lula despontou para a vida política por intermédio de seu irmão Frei Chico e, anos mais tarde, em 2018, fez aquela patacoada antes de se entregar à prisão de Curitiba, rodeado de súditos e fanáticos, que entraram em delírio.
No subsolo do sindicato, num modesto espaço de 40m2, está sediada uma Organização Não Governamental (ONG) com o pomposo nome de Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil – UNISOL Brasil.
A ONG é dirigida por um ex-diretor do Sindicato.
Em dezembro de 2024, o Ministério do Trabalho, comandado por Luiz Marinho, ex-tudo do aludido Sindicato, tesoureiro, secretário geral, vice-presidente e presidente e ex-prefeito de São Bernardo do Campo, amigo pessoal de Lula da Silva, firmou um convênio com essa ONG no valor de R$ 15,8 milhões, pago em parcela única, ou seja, de uma só vez.
O dinheiro público foi transferido à dita cuja ONG no próprio mês de dezembro, dia 31, três dias após a assinatura do contrato.
Agilidade impressionante.
Quem cuidou do contrato foi Gilberto Carvalho, aliado histórico de Lula da Silva, subordinado de Luiz Marinho e titular da Secretaria de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho.
Gilberto Carvalho, conhecido entre os mais próximos como seminarista, quase padre, é filósofo, conhecedor de teologia e foi secretário do prefeito Celso Daniel na Prefeitura de Santo André, no ABC paulista, além de ministro palaciano de Lula e pessoa de sua estrita confiança.
Finalidade do contrato: retirada de lixo, além de assessoria contábil e jurídica (mistura de alhos com bugalhos) nas terras dos índios yanomamis em Roraima, distante milhares de quilômetros de São Bernardo do Campo.
Mais: segundo notícias recentes, a ONG ainda está estudando como fazer o serviço que, apesar de ter recebido a bufunfa (R$ 15,8 milhões) em dezembro de 2024 só vai começar a trabalhar no segundo semestre de 2025.
Difícil entender por que a milionária quantia teve de ser paga adiantada e por que uma minúscula entidade sediada dentro do Sindicato do ABC entrou nesse rentável negócio envolvendo dinheiro público.
Pelo volume do serviço em território indigena, em Roraima, e o espaço da ONG (40m2) não há estrutura, sequer de pessoal, para abrigar tamanha empreitada, ainda mais tão distante de São Bernardo do Campo.
O que um sindicato de trabalhadores urbanos entende de limpeza de lixo em terra indígena distante milhares de quilômetros?
Mandacaru florido, um dos símbolos do Nordeste/Casa e Jardim/Globo
Sábado à noite, 11 de agosto de 1990. O advogado e bibliófilo Plínio Doyle reuniu alguns amigos em sua casa, no Rio de Janeiro, para homenagear a escritora cearense Rachel de Queiroz pelos 60 anos do romance O Quinze.
Ivan Bichara, escritor paraibano de Cajazeiras, leu um texto enaltecendo as coisas do Nordeste, berço da romancista.
Lá para as tantas ele disse:
“O sertão não é só da terra seca, do sol totalitário, das retiradas, da fome, do cangaço, do fanatismo.
O interior do Nordeste é, também, nos anos bons, nos anos de inverno, a terra mais bonita e mais amável do mundo; é a terra da colheita, de certa fartura, do milho verde e da batata doce assados nas fogueiras de São João e de São Pedro; do leite tomado, ainda morno, do peito da vaca, das noites aconchegantes e macias, o céu bordado de estrelas, e a voz dos cantadores, de viola ou sanfona na mão…”.
Neste mês de maio – mês de Maria, de alegria e de flores – me dá uma saudade danada do sertão, a proximidade das festas juninas, embora não mais aconteçam como antigamente, as festas de Santo Antonio, padroeiro de muitos lugares do Nordeste e, sobretudo, bate saudade da simplicidade de nossa gente nordestina.
Em Curaçá, sertão da garbosa e sempre querida Bahia, nesse mês de junho, o município se alegra, se engalana e se enfeita com muitas festas, dentre elas a do padroeiro Santo Antonio de Patamuté e a de São João, em Barro Vermelho.
O distrito de Barro Vermelho guarda nomes que enriqueceram sua história, a exemplo do maestro Filemon Martins, honra e glória do lugar, fundamental para a continuidade da centenária Filarmônica 15 de Março que, salvo engano, foi fundada em 1917.
A Filarmônica ainda está lá, elegantemente admirável, somando valores e robustecendo a cultura de Barro Vermelho e de seu povo.
Minha esburacada memória vai buscar, longe no tempo, nas festas de Santo Antonio de Patamuté, o maestro Filemon acompanhando casamentos no dia 13 de junho.
Essas festas – Patamuté e Barro Vermelho – são referências e tradições do município de Curaçá.
Confesso que sou fascinado pelo cheiro do Nordeste. Isto aguça minha saudade.
“Um dos carros de luxo apreendidos pela Polícia Federal com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, durante a megaoperação contra a farra dos descontos indevidos dos aposentados do INSS, no fim de abril, estava registrado no nome da esposa do ministro Jhonatas de Jesus, do Tribunal de Contasda União (TCU)”, conforme Metrópole, 21/05/2025.
Reforçando:
“A Polícia Federal apreendeu, durante as buscas na casa do lobista apontado como o “epicentro” do esquema dos descontos ilegais dos aposentados, um carro de luxo que estava registrado em nome da esposa do ministro Jhonatas de Jesus, do TCU (Tribunal de Contas da União)”, conforme Folha de S.Paulo, 21/05/2025.
O ministro Jhonatas de Jesus, ex-deputado federal de Roraima, foi indicado para o TCU pela Câmara dos Deputados, aprovado por 239 votos e nomeado pelo presidente Lula da Silva.
Pergunta: o que o carro da mulher de um ministro do TCU, que fiscaliza as contas públicas, inclusive do INSS, está fazendo na garagem de um dos fraudadores do instituto?
A Advocacia-Geral da União (AGU) excluiu o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Inativos (SINDNAPI), a arapuca de Frei Chico, irmão de Lula da Silva, do pedido de bloqueio de bens para ressarcir os aposentados. Só em 2023, a entidade arrecadou R$ 90 milhões dos aposentados, mas notícias mais recentes dizem que já ultrapassou esse valor.
Jorge Messias, advogado-geral da União é amigo de Lula da Silva e de D. Dilma Rousseff.
É conhecido o episódio da nomeação de Lula para ministro da Casa Civil de Dilma. O “Bessias” levou o ofício de D. Dilma comunicando a nomeação ao então atribulado Lula da Silva, que estava às voltas com a Justiça de Curitiba.
Agora, na condição de ministro-chefe da AGU, Jorge Messias excluiu o sindicato de Frei Chico da lista de entidades que tiveram os bens bloqueados.
Tudo feito às escâncaras, sem nenhum pudor e cautela.
O diretor da Polícia Federal, que cuida das investigações sobre o assalto aos aposentados, foi chefe da segurança pessoal de Lula da Silva e homem de estrita confiança do presidente. Apressou-se em dezer à imprensa que o irmão de Lula não está sendo investigado.
O advogado de mais de uma das instituição que assaltaram os aposentados é filho do ministro da Justiça Ricardo Lewandowiski, chefe da Polícia Federal, que investiga tais instituições.
A CONTAG, umbilicalmente ligada ao PT e a Lula da Silva “está no epicentro do escândalo de fraude nas aposentadorias do INSS. Entre janeiro de 2019 e março de 2024, a entidade descontou dos idosos mensalidades que, somadas, chegam a 2 bilhões” (Veja, 23/05/2025).
O PT é radicalmente contra a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), o governo é contra, a base do governo Lula no Congresso também é contra.
Alguém acredita que a CPMI do Congresso Nacional, se instalada, vai chegar em algum resultado sério?