Chorrochó: Expectativa de um novo livro de História

“A verdadeira juventude é uma qualidade que só se adquire com a idade” (Jean Cocteau, 1889-1963).

Chega-me da Bahia notícia alvissareira dando conta de que o Dr. Francisco Afonso de Menezes está escrevendo um novo livro, que vai se somar a outros de sua abalizada autoria.

Ainda – parece – está em fase de pesquisas e, neste particular, o Dr. Afonso é muito zeloso com o que escreve, mormente no que tange à fidelidade aos fatos.

Estou na expectativa, mas tenho que me contentar com a espera da publicação e torço para não demorar muito. Em idade septuagenária, já não tenho tanto tempo para esperar.

Francisco Afonso de Menezes é chorrochoense da gema. Mantém-se ligado ao município por simultâneos vínculos de família e tradição.

Dr. Afonso e a irmã Maria Rita da Luz Menezes em foto de 2015/Igreja de Senhor do Bonfim, de Chorrochó/Arquivo Thereza Menezes

Defensor intransigente da cultura de Chorrochó, Afonso tem sido vigilante no sentido de preservar as tradições da Paróquia de Senhor do Bonfim, embora tenha sido cauteloso no trato com o entendimento às vezes exaltado de pessoas que pensam de modo diverso. Quase sempre é contemporizador em benefício das tradições locais

Afonso é uma espécie de personal consultant de muitos. Confesso que aprendi bastante com ele em momentos em que era preciso saber lidar com os impulsos que me empurravam para o desconhecido.

É cria da pioneira Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), que lhe concedeu a graduação e o tecnicismo profissional que soube exercer com afinco e responsabilidade.

É estudioso dos assuntos de sua formação e profissional respeitado em seu meio de atuação. Ostenta considerável folha de serviços prestados ao desenvolvimento da agricultura moderna da região como grande conhecedor das ciências agrárias.

Começou sua vida profissional na então conceituada EMATER-BA, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Bahia, instituição que prestou, em sua área, valiosa e eficiente contribuição para a população do semiárido baiano.

Mas limito-me ao jovem Afonso que conheci em Chorrochó: afável, estudioso, inteligente, cortês, encantador. Tantos anos!

Na juventude, em Chorrochó, ele fazia parte de um vistoso quarteto: José Osório de Menezes, Francisco Ribeiro da Silva, Juracy Santana e ele próprio. A eles se somavam outros tantos, a exemplo de Antonio Geraldo Rodrigues de Menezes e Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes.

Eu não fazia parte dessa saudável confraria. Cingia-me à humilde rudez da caatinga de onde vim, espécie de bicho arredio na cidade.

Quase todos já se foram. Continuamos alguns poucos, saudosos e circunstantes, cônscios da efemeridade da vida, meditando, remoendo, ruminando as vicissitudes do existir.

Admiro algumas qualidades de Afonso, dentre essas o apego às tradições da terra natal, o arraigado interesse pela história do município e, sobretudo, a lealdade aos seus princípios.

Outra qualidade de Afonso é a aptidão para preservar amizades, dentro as quais me incluo, honrosamente, não obstante tropeços ao longo do caminho, que ele sempre soube entender e contornar. Mantenho-o amigo. Mantemo-nos amigos. É um amigo generoso, sábio, compreensivo, prudente.

Confesso que quase sempre lhe peço socorro, quando me encontro atabalhoado e às voltas com dúvidas sobre a história de nossa região. Ele tem sido prestativo.

Tenho me valido de sua experiência e paciência quando preciso escrever algumas de minhas baboseiras que uns poucos lêem e outros não se interessam e fazem muito bem.   

Quem lida com a História, embora não historiador, mas curioso, assim como eu, vive permanentemente cheio de dúvidas, porque os fatos devem ser retratados de acordo com a verdade e não adstrito à opinião de quem relata.

Afonso já se debruçou em tarefas ingentes com vistas ao enriquecimento da história de Chorrochó. Sobressaem-se dois livros: Memorial Cordeiro de MenezesHistória de Chorrochó, este em coautoria com a insigne professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes de quem sou renitente admirador.

Afonso é autor do Hino de Chorrochó e da Bandeira do município, relevantíssimos feitos que, por si sós, enriquecem e emolduram sua biografia de forma perene e contribuem valiosamente para a grandeza de Chorrochó.  

Afonso é também administrador de empresas. Extraí estas suas palavras do discurso de formatura: “A capacidade sonhadora é bem maior que as realidades existenciais e a força de identificar sonhos com a vida faz com que acreditemos que o amanhã será melhor”.

Trata-se de pensamento otimista, eloquente, estribado na esperança e na crença de horizontes promissores. É um bálsamo para a juventude, mesmo aquela que se tornou jovem com o envelhecimento, com o passar dos anos.

Deixei para o final, adredemente, a inclusão do título Doutor que omiti no texto e que Afonso dignamente ostenta: Dr. Francisco Afonso de Menezes.

A caminho da fase octogenária, que ainda demora algum tempo, Dr. Afonso e eu diremos, à semelhança de Tristão de Atayde: “Chegando aqui, que surpresa! Olhando para trás, que deserto!

E como iniciei este texto citando a frase de Jean Cocteau sobre a juventude e, presumindo que Afonso algum dia venha a se deparar com esta crônica, faço-lhe a pergunta, usando o linguajar de nosso tempo: continua jovem, bicho?

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A ministra Marina Silva merece respeito, todos merecemos respeito

Na CPI da Covid (quem lembra?), o cavernoso e arrogante senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, trucidou, grosseiramente, Nise Yamaguchi, renomada oncologista e infectologista do Hospital Albert Einstein, um dos mais respeitáveis do mundo.

Aliás, talvez a maior façanha de destaque que o senador Otto Alencar  tenha feito foi deixar a condição de lambe-botas do carlismo e assumir a mesma condição no lulopetismo, sem nenhum pudor.

A CPI da Covid se transformou numa espécie de patacoada montada por políticos hipócritas. Estavam lá as sumidades da honestidade nacional, a exemplo de Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Simone Tebet (MDB-MS), Otto Alencar (PSD-BA), et cetera .

Ninguém saiu em defesa da médica Nise Yamaguchi, que Otto Alencar espezinhou arrogantemente. Ilustre desconhecido nascido no município baiano de Ruy Barbosa, o senador Otto passou a ser conhecido nacionalmente em razão de suas intervenções grosseiras na CPI da Covid e sua falta de compustura ao tratar com pessoas educadas.  

Seus colegas senadores da CPI ajudaram a espezinhar a médica.

É estranho que, agora, Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, que ficaram silentes por ocasião dos ataques à medica Yamaguchi, tenham saído rapidamente de suas insignificâncias para defenderem a ministra Marina Silva, que passou recentemente por um perrengue danado na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.

Adivinha quem mais fortemente espinafrou a ministra Marina Silva?

O mesmo senador Omar Aziz que, ao lado de Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, trucidaram a médica Yamaguchi na CPI da Covid.

Participaram também do massacre político à ministra Marina Silva os senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), inegavelmente deselegantes.

Evidente que a ministra Marina Silva merece respeito e quanto a isto estamos todos de acordo. É uma questão de decência, civilidade, boas e recomendáveis regras de convivência social.

Mas, pergunta-se:

Por que a médica Nise Yamaguchi foi barbaramente humilhada na CPI da Covid e ninguém saiu em sua defesa e os mesmos senadores que a espezinharam, hoje saíram histericamente em defesa da ministra Marina Silva?

A profissional Nise Yamaguchi é menor que a ambientalista Marina Silva? a condição moral de uma é diferente da outra?

A resposta talvez seja esta: estamos diante de políticos pequenos e apequenados, desrespeitosos, medíocres e desprezíveis, quaisquer que sejam os lados que eles se abriguem.

Independentemente da posição política de cada um, todos merecemos respeito.

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A ONG petista e seu negócio rentável

Fachada do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo/Crédito: Sindicato

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, símbolo do sindicalismo de Lula da Silva, tem sede em São Bernardo do Campo, berço político do presidente.

Foi lá que Lula despontou para a vida política por intermédio de seu irmão Frei Chico e, anos mais tarde, em 2018, fez aquela patacoada antes de se entregar à prisão de Curitiba, rodeado de súditos e fanáticos, que entraram em delírio.

No subsolo do sindicato, num modesto espaço de 40m2, está sediada uma Organização Não Governamental (ONG) com o pomposo nome de Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil – UNISOL Brasil.

A ONG é dirigida por um ex-diretor do Sindicato.

Em dezembro de 2024, o Ministério do Trabalho, comandado por Luiz Marinho, ex-tudo do aludido Sindicato, tesoureiro, secretário geral, vice-presidente e presidente e ex-prefeito de São Bernardo do Campo, amigo pessoal de Lula da Silva, firmou um convênio com essa ONG no valor de R$ 15,8 milhões, pago em parcela única, ou seja, de uma só vez.

O dinheiro público foi transferido à dita cuja ONG no próprio mês de dezembro, dia 31, três dias após a assinatura do contrato.

Agilidade impressionante.

Quem cuidou do contrato foi Gilberto Carvalho, aliado histórico de Lula da Silva, subordinado de Luiz Marinho e titular da Secretaria de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho.

Gilberto Carvalho, conhecido entre os mais próximos como seminarista, quase padre, é filósofo, conhecedor de teologia e foi secretário do prefeito Celso Daniel na Prefeitura de Santo André, no ABC paulista, além de ministro palaciano de Lula e pessoa de sua estrita confiança.

Finalidade do contrato:  retirada de lixo, além de assessoria contábil e jurídica (mistura de alhos com bugalhos) nas terras dos índios yanomamis em Roraima, distante milhares de quilômetros de São Bernardo do Campo.   

Mais: segundo notícias recentes, a ONG ainda está estudando como fazer o serviço que, apesar de ter recebido a bufunfa (R$ 15,8 milhões) em dezembro de 2024 só vai começar a trabalhar no segundo semestre de 2025.

Difícil entender por que a milionária quantia teve de ser paga adiantada e por que uma minúscula entidade sediada dentro do Sindicato do ABC entrou nesse rentável negócio envolvendo dinheiro público.

Pelo volume do serviço em território indigena, em Roraima, e o espaço da ONG (40m2) não há estrutura, sequer de pessoal, para abrigar tamanha empreitada, ainda mais tão distante de São Bernardo do Campo.   

O que um sindicato de trabalhadores urbanos entende de limpeza de lixo em terra indígena distante milhares de quilômetros?  

Coisas do PT. Não há novidade.

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Cheiro de Nordeste, coisas e saudade de nordestino

Mandacaru florido, um dos símbolos do Nordeste/Casa e Jardim/Globo

Sábado à noite, 11 de agosto de 1990. O advogado e bibliófilo Plínio Doyle reuniu alguns amigos em sua casa, no Rio de Janeiro, para homenagear a escritora cearense Rachel de Queiroz pelos 60 anos do romance O Quinze.

Ivan Bichara, escritor paraibano de Cajazeiras, leu um texto enaltecendo as coisas do Nordeste, berço da romancista.

Lá para as tantas ele disse:

“O sertão não é só da terra seca, do sol totalitário, das retiradas, da fome, do cangaço, do fanatismo.

O interior do Nordeste é, também, nos anos bons, nos anos de inverno, a terra mais bonita e mais amável do mundo; é a terra da colheita, de certa fartura, do milho verde e da batata doce assados nas fogueiras de São João e de São Pedro; do leite tomado, ainda morno, do peito da vaca, das noites aconchegantes e macias, o céu bordado de estrelas, e a voz dos cantadores, de viola ou sanfona na mão…”.     

Neste mês de maio – mês de Maria, de alegria e de flores – me dá uma saudade danada do sertão, a proximidade das festas juninas, embora não mais aconteçam como antigamente, as festas de Santo Antonio, padroeiro de muitos lugares do Nordeste e, sobretudo, bate saudade da simplicidade de nossa gente nordestina.  

Em Curaçá, sertão da garbosa e sempre querida Bahia, nesse mês de junho, o município se alegra, se engalana e se enfeita com muitas festas, dentre elas a do padroeiro Santo Antonio de Patamuté e a de São João, em Barro Vermelho.

O distrito de Barro Vermelho guarda nomes que enriqueceram sua história, a exemplo do maestro Filemon Martins, honra e glória do lugar, fundamental para a continuidade da centenária Filarmônica 15 de Março que, salvo engano, foi fundada em 1917.

A Filarmônica ainda está lá, elegantemente admirável, somando valores e robustecendo a cultura de Barro Vermelho e de seu povo.

Minha esburacada memória vai buscar, longe no tempo, nas festas de Santo Antonio de Patamuté, o maestro Filemon acompanhando casamentos no dia 13 de junho.  

Essas festas – Patamuté e Barro Vermelho – são referências e tradições do município de Curaçá.

Confesso que sou fascinado pelo cheiro do Nordeste. Isto aguça minha saudade.

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Assalto aos aposentados do INSS: “está tudo dominado”

“Um dos carros de luxo apreendidos pela Polícia Federal com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, durante a megaoperação contra a farra dos descontos indevidos dos aposentados do INSS, no fim de abril, estava registrado no nome da esposa do ministro Jhonatas de Jesus, do Tribunal de Contasda União (TCU)”, conforme Metrópole, 21/05/2025.

Reforçando:

“A Polícia Federal apreendeu, durante as buscas na casa do lobista apontado como o “epicentro” do esquema dos descontos ilegais dos aposentados, um carro de luxo que estava registrado em nome da esposa do ministro Jhonatas de Jesus, do TCU (Tribunal de Contas da União)”, conforme Folha de S.Paulo, 21/05/2025.

O ministro Jhonatas de Jesus, ex-deputado federal de Roraima, foi indicado para o TCU pela Câmara dos Deputados, aprovado por 239 votos e nomeado pelo presidente Lula da Silva.

Pergunta: o que o carro da mulher de um ministro do TCU, que fiscaliza as contas públicas, inclusive do INSS, está fazendo na garagem de um dos fraudadores do instituto?

A Advocacia-Geral da União (AGU) excluiu o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Inativos (SINDNAPI), a arapuca de Frei Chico, irmão de Lula da Silva, do pedido de bloqueio de bens para ressarcir os aposentados. Só em 2023, a entidade arrecadou R$ 90 milhões dos aposentados, mas notícias mais recentes dizem que já ultrapassou esse valor.

Jorge Messias, advogado-geral da União é amigo de Lula da Silva e de D. Dilma Rousseff.

É conhecido o episódio da nomeação de Lula para ministro da Casa Civil de Dilma. O “Bessias” levou o ofício de D. Dilma comunicando a nomeação ao então atribulado Lula da Silva, que estava às voltas com a Justiça de Curitiba.

Agora, na condição de ministro-chefe da AGU, Jorge Messias excluiu o sindicato de Frei Chico da lista de entidades que tiveram os bens bloqueados.

Tudo feito às escâncaras, sem nenhum pudor e cautela.

O diretor da Polícia Federal, que cuida das investigações sobre o assalto aos aposentados, foi chefe da segurança pessoal de Lula da Silva e homem de estrita confiança do presidente. Apressou-se em dezer à imprensa que o irmão de Lula não está sendo investigado.

O advogado de mais de uma das instituição que assaltaram os aposentados é filho do ministro da Justiça Ricardo Lewandowiski, chefe da Polícia Federal, que investiga tais instituições.

A CONTAG, umbilicalmente ligada ao PT e a Lula da Silva  “está no epicentro do escândalo de fraude nas aposentadorias do INSS. Entre janeiro de 2019 e março de 2024, a entidade descontou dos idosos mensalidades que, somadas, chegam a 2 bilhões” (Veja, 23/05/2025).   

O PT é radicalmente contra  a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), o governo é contra, a base do governo Lula no Congresso também é contra.

Alguém acredita que a CPMI do Congresso Nacional, se instalada, vai chegar em algum resultado sério?

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Babaquice jornalística

Jornalista Eliane Cantanhêde/Reprodução facebook

A jornalista Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews e espécie de porta-voz dos ministros do Supremo Tribunal Federal – é sempre ela a portadora dos recadinhos de ministros da Corte – disse, em comentário no Programa Em Pauta de 21/05/2025, que não gosta de seus colegas jornalistas da direita envolvidos com polêmicas com o STF.

A jornalista foi claríssima, idiotamente explícita: liberdade de pensamento e de expressão vale para algumas situações e não vale para outras.

Uma babaquice incomensurável, sinônimo de jornalismo indecente e tendencioso, ou seja, o avesso do bom jornalismo.

A retro aludida militante esquerdista relativiza o direito constitucional ínsito nos artigos 5º, inciso IV e artigo 220, da Constituição da República.

Convenhamos:

Se ela gosta ou não de colegas de direita, isto não tem nenhuma importância, não é fato relevante e sua insignificância ideológica não interessa aos brasileiros.

D. Eliane Cantanhêde deve, então, continuar admirando, de joelhos, as atrocidades e o espezinhamento da cidadania que se vê no dia a dia do Poder Judiciário.

Os demais jornalistas, que não são militantes políticos e têm o dever de dizer a verdade, seguem o caminho da decência e da ética jornalística.

Há esperança no Brasil, apesar de D. Eliane Cantanhêde.

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Curaçá e a entrevista de Anselmo Vital

“Ver bem não é ver tudo. É ver o que os outros não vêem.” (José Américo de Almeida, romancista paraibano, 1887-1980)

Os gregos associavam o verdadeiro saber ao conhecimento da causa, de modo que é preciso conhecer a causa com profundidade para apreender a essência das coisas.

Assisti, com bastante atenção, a recente entrevista que Anselmo Vital, conspícuo filho de Patamuté e, portanto, curaçaense de boa cepa,  concedeu ao Curaçá Oficial, esta louvável iniciativa que está acontecendo no município de Curaçá.

Em foto de 2022, Anselmo Vital. Igreja de Patamuté, Curaçá-BA/Reprodução facebook

A entrevista foi enriquecida e bem conduzida pela experiente jornalista Alinne Torres, uma das gratas surpresas do bom jornalismo da região.

O entrevistado demonstrou conhecimento amplo, não só sobre a realidade do extenso município de Curaçá, mas relativamente a outros municípios e regiões, demonstrando particularidades com impressionantes detalhes e amparando-se em dados estatisticamente comprovados.

Confesso, que vivendo distante de Curaçá, desconhecia a profusão de meios que o município dispõe e deles pode se valer para impulsionar seu desenvolvimento.

Anselmo os demonstrou e, mais do que isto, apontou caminhos de como o município pode se tornar um verdadeiro polo de desenvolvimento sanfranciscano.  

Anselmo Vital foi didático e apontou algumas de suas muitas ideias que, a partir da gestão municipal, podem ancorar melhorias substanciais para a população curaçaense.

Anima-me, sobretudo, a preocupação que Anselmo demonstrou ter com os jovens. Eles, de fato, são o esteio e a esperança de todos nós nesta difícil encruzilhada do tempo.    

Bem articulado, Anselmo Vital construiu liderança respeitável e reconhecida ao longo de anos dedicada à causa daqueles setores sociais que sempre estiveram à margem das decisões de governo, dentro e além dos limites do município de Curaçá.

A política partidária lhe garantiu visibilidade e lastro robusto para desenvolver seu trabalho permanente voltado precipuamente ao município de Curaçá.

A luta de Anselmo Vital em defesa daqueles que não têm voz e nunca tiveram voz é valiosa e sempre será valiosa.

No mais, a entrevista é bastantemente recomendável àqueles que ainda dela não tiveram conhecimento.   

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Três Poderes: Bagunça e promiscuidade institucional.

Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo

É inegável que a promiscuidade institucional tomou conta do Brasil à semelhança de uma metástase.

O Poder Executivo titubeia e tem dificuldade de governar, imerso em escândalos. Se faz alguma coisa, a exemplo de previsão e remanejamento de verbas públicas para cumprir programas de governo, precisa esconder-se  atrás de decretos que impõem sigilo a suas ações e continua patinando sobre decisões equivocadas.

O Poder Legislativo está de joelhos dizendo amém às incursões inoportunas do Supremo Tribunal Federal, mormente decisões dos ministros lulistas que lá estão encastelados e se acham donos do Brasil.

Palácio do Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo

Surgem ali e acolá vozes virulentas de parlamentares, sem contudo, ostentarem qualquer resultado prático que beneficie a vida dos brasileiros.

A explicação é simples: os parlamentares não têm envergadura moral para enfrentar institucionalmente o Supremo Tribunal Federal, porque é o STF que processa e julga senadores e deputados federais.

Muitos parlamentares têm rabo de palha, porque estão envolvidos em falcatruas e, por consequência, são passíveis de cair nas garras do STF, mais cedo ou tarde.

Então, pra que mexer em casa de marimbondos?

Por outro lado, o Senado Federal, que tem a atribuição constitucional de apreciar e julgar pedidos de impeachment contra ministros do STF, não consegue dar prosseguimento a tais pedidos, porque são esses mesmos ministros que processam e julgam os senadores da República.

“Uma mão lavra a outra” e dane-se a seriedade. Danem-se os direitos dos brasileiros.   

A rigor, é o Poder Judiciário que está delineando o governo do Brasil, ancorado em escancarado ativismo político que lhe afastou o dever precípuo de guardião da Constituição.

Palácio do Supremo Tribunal Federal, sede do Poder Judiciário

Não é razoável dizer, nesta quadra do tempo, que os ministros do STF respeitam a Constituição da República. Eles a distorcem, reinterpretam, mudam entendimentos deles próprios, afagam membros da esquerda, que os enaltecem e espezinham integrantes da direita, que os reprimem e detestam, de tal forma que a segurança jurídica está comprometida e, mais do que isto, ameaçada.  

O STF compõe-se de ministros vaidosos, vingativos, ávidos por holofotes, ativistas políticos.  

O Executivo se apequenou e finge que governa, infestado de radicais que se ocupam de acusar adversários políticos e não de colocarem o Brasil nos trilhos da decência e do desenvolvimento.   

O atual presidente da República conta com uma bancada no Supremo Tribunal Federal para chamar de sua, de modo que Lula da Silva obedece sinalizações do Judiciário e segue tapeando a sociedade com seus discursos frequentes e demagogos, que seus súditos adoram e aplaudem.

Não podem ser levadas a sério autoridades que censuram, coíbem a liberdade de pensamento e de expressão, fulcros da democracia, e ainda persistem em normalizar a censura e o tolhimento das liberdades públicas.

É o que está acontecendo, desgraçadamente. Contudo, essas autoridades espalhafatosas alardeiam que são democratas e toda barbaridade que fazem – dizem – é em defesa da democracia.

É um acinte à inteligência dos brasileiros dizer que censurar, prender sem o devido processo legal, bloquear redes sociais e calar órgãos de imprensa é democrático.

No Brasil de hoje, é perigoso dizer a verdade, mesmo estribado na lei, na ordem e nos preceitos constitucionais.  

“A lei, ora a lei”, dizia o sábio.

A imprensa está abarrotada de noticiário dando conta de que ministros do STF estão fazendo política, o que é gritantemente proibido pela Constituição Federal.

É constrangedor ver ministro do STF fazendo discurso político em evento estudantil e outro sugerindo nomes para composição de chapa partidária em seu Estado de origem e a favor de seu grupo político.

Isto lhes reduz a credibilidade e diminui o respeito que a sociedade deve ter em suas instituições nacionais e, sobretudo, empurra o Brasil para a mediocridade institucional.

Estamos diante de uma bagunça e promiscuidade institucional em que mandam os interesses financeiros e políticos.  

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, memória da infância: professora Graziela.

À direita, professora Graziela. Ao lado, sua cunhada Silvina/Arquivo Dorinha Souza, sem data.

Todos nós temos lembranças da infância, da juventude ingênua, dos primeiros anos, do despertar para a vida.

Tenho muitas, embora esparsas, às vezes opacas, em razão do caminho percorrido. 

O tempo apagou algumas, a memória deixou escapar outras, os tropeços do caminhar deixou outras tantas pela estrada.

O sofrimento, as angústias e as incertezas do caminho se encarregaram de firmar muitas dessas lembranças, transformando-as em saudade.     

Como parte dessas lembranças, guardo, com carinho, o nome da primeira professora: Graziela Ferreira da Silva (09/06/1930-30/07/2011). Não somente o nome, mas a presença inapagável de sua vida correta, prestativa, admirável.

As datas de nascimento e morte de Graziela me foram passadas generosamente por sua sobrinha Dorinha Souza, a quem recorri há algum tempo, porque não tive o cuidado de guardá-las, em razão de desleixo, falta de atenção, ingratidão.

Difícil entender o tempo, a vida, a morte. Difícil entender o adeus das boas pessoas, para sempre.

Dorinha Souza é filha do também professor Theófilo Ferreira que, a exemplo de Graziela, dedicou parte de sua vida ao ensino e abrir caminhos para o andar da juventude.

Graziela Ferreira da Silva foi professora primária na Fazenda Bom Jardim, nos domínios do distrito curaçaense de Patamuté.

Ensinou-me a ler, escrever, formar as primeiras palavras escritas, engendrar frases, conhecer os primeiros livros de leitura.

Assim Graziela fez com muitos de minha geração.

Como esquecê-la, ensinando-me a escrever meu nome, caligrafia firme, segura, exemplar?

Como esquecer a paciência, o sorriso puro, o cuidado, o respeito com seus alunos?

Como esquecer a preocupação, o coração generoso, a merenda que ela me dava, muitas vezes de sua cozinha, em razão da precariedade do lugar e da dificuldade de acesso à alimentação diária e necessária, que minha mãe nem sempre tinha?    

A escola da Fazenda Bom Jardim era mantida sob a responsabilidade de um senhor sonhador, que vislumbrava o futuro promissor para as crianças pobres do sertão naquela quadra do tempo: Antonio Ferreira Dantas Paixão, comerciante e político.

A vida de Antonio Paixão merece um livro de reconhecimento por tudo que fez em benefício daquela gente de Patamuté e arredores.

Devo-lhe gratidão e tenho saudade. Ele e Graziela foram sustentáculos dos sonhos de toda uma geração.

Faziam do ensino o esteio para que todos nós vislumbrássemos um mundo diferente daquele em que vivíamos.

Alguns conseguiram, outros não.

Eu ainda vivo a peregrinar por caminhos ásperos e difíceis, mas necessários. Seguir adiante é preciso, inobstante os tropeços da idade septuagenária.  

Em São Paulo, colhi numa folha de papel que guardo comigo, a assinatura de Graziela, já na velhice, beirando os oitenta anos, mãos trêmulas e caneta titubeante entre os dedos.

Isto se deu em maio de 2009. Confesso que me emocionei ao lembrar seus ensinamentos, acomodando o lápis em minha mão, para dali nascerem as primeiras palavras escritas.

Tempo de infância na Fazenda Bom Jardim, tempo dos primeiros sonhos, tempo de idade tenra em busca de amparo.

Assim como a vida dá alegria e tristeza, também mostra razões para refletir, abandonar a arrogância, recolher-se à pequenez, ajoelhar-se diante da humildade e, algumas vezes, chorar. 

Graziela mudou-se para São Paulo e por aqui viveu algumas décadas, sempre rodeadas de parentes e amigos. Os mais próximos carinhosamente a chamavam Dadá.

Um dos maiores e inexplicáveis vazios que senti na vida, até aqui, aconteceu no dia do seu enterro em Vila Formosa, em São Paulo. Uma sensação de terrível desamparo.

Parecia que sua despedida em direção ao túmulo estava arrancando alguma coisa de mim, mas deixando o que de mais precioso ela me passou naqueles dias de infância: o conhecimento, a gratidão e o gosto pelo estudo.   

araujo-costa@uol.com.br

Cisternas do Nordeste e sinais de maracutaia

Ministro Wellington Dias/Fábio Rodrigues, Agência Brasil

Há um programa de combate à seca no Nordeste baseado na distribuição de cisternas para famílias do meio rural.

O programa é capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

O ministro titular da pasta – todos sabem – é Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí.

Wellington Dias é aquele esperto senhor lulopetista que, para acabar com a fome, começou por sua casa e arranjou um emprego vitalício de conselheira para a mulher Rejane Ribeiro Souza Dias, no Tribunal de Contas do Piauí, com salário aproximado de R$ 40 mil por mês, mais mordomias e penduricalhos que elevam o salário às nuvens.

O emprego de Sua Excelência, repita-se, é para sempre, até se aposentar.

Mas vamos ao assunto das cisternas.

O programa de combate à seca destinou R$ 755,8 milhões para viabilização de cisternas.   

Desse valor, 85% – cerca de R$ 640,1 milhões – foram destinados a uma Organização Não Governamental (ONG) de filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

A ONG chama-se Associação Um Milhão de Cisternas para o Semiárido que, por sua vez, subcontrata outras  entidades dirigidas por petistas, para instalar os reservatórios de água nas pequenas fazendas e sítios espalhados pelo Nordeste.

Mais do que isto: repasses do programa – 9 milhões – foram destinados a entidades dirigidas por ex-assessores petistas do ministro Wellington Dias.

A ONG COOTAPI, do Piauí, que recebeu R$ 9 milhões, é dirigida por assessor com cargo comissionado de Rafael Fonteles (PT), atual governador do Estado, sucessor e aliado de Wellington Dias.  

O jornal O Globo identificou 37 ONGs comandadas por petistas que foram subcontratadas por R$ 152 milhões para o combate a seca através das cisternas.

Por enquanto, sabe-se que a bagunça está espalhada pelo Ceará, Pernambuco e Bahia, por exemplo.

Na Bahia, feudo petista comandado pelo governador que entende de valas e retroescavadeiras e nada de segurança pública, R$ 3,4 milhões foram destinados a uma entidade de nome Instituto de Formação Cidadã, com sede em Guanambi e igual valor para a ONG Centro de Agroecologia do Semiárido, de Manoel Vitorino, todas dirigidas por petistas.

Como se diz no Nordeste, “além da queda, coice”.

Como se não bastasse o assalto aos aposentados do INSS – milhares no Nordeste – o nordestino pobre e carente ainda passa por situações esquisitas como essa das cisternas, de transparência duvidosa, no mínimo.

Entretanto, quero crer que se trata tão somente de mera coincidência que todo esse dinheiro público seja derramado somente em entidades dirigidas por petistas.

O ministro Wellington Dias, certamente sensato, além de esperto, deve explicação à população do Nordeste sobre essa fumaça esquisita que sai do seu Ministério e das ONGs petistas.  

araujo-costa@uol.com.br