Quase um ano, vai por aí.
Recebi um e-mail de conspícuo leitor que, embora paulista e, por óbvia consequência, morador em São Paulo, conhece, como a palma da mão, considerável parte do território de minha admirada e querida Bahia, mormente a região da Chapada Diamantina.
Conta Antonio Molinari – este o nome do ilustre leitor a que me refiro – que fazia “uma excursão no noroeste baiano” e conheceu a região, pessoas, costumes, prosa, encantos e os mistérios de lá.
“Passara dez dias visitando a região; conhecendo grutas profundas, escuras como breu, com estalactites; tomado banhos de cachoeira; suportado um sol de arrasar; mergulhado em lagoas de águas cristalinas; comido muito requeijão, carne de sol, comidinhas saborosas e tomado cachaça feita pelos próprios consumidores”.
Isto se deu, devo presumir, em idade relativamente jovem.
Em quadro assim, razoável entender que, à época, era peregrino das estradas e desbravador de sonhos.
O atestado que a juventude carrega é o tempo, as coisas do tempo, o passar do tempo. Esse atestado, impregnado de experiência, permanece intacto durante toda a caminhada em direção à velhice.
Conta, ainda, Antonio Molinari, que aos 25 anos se casou com uma baiana de Rio de Contas, o que não deixa de ser uma façanha para quem conheceu a região nesse passar do acaso.
Dito leitor mandou-me texto alentado e bonito, escorreito, bem escrito, relatando os costumes e a gente simples da Chapada Diamantina.
Inobstante baiano, não conheço a região onde reinou absoluto Horácio de Matos, lendário coronel da Guarda Nacional.
Diz Antonio Molinari que procura “divulgar fatos e observações do cotidiano das pessoas que vivem ao nosso derredor”. Convenhamos, uma qualidade de observador atento aos detalhes e às coisas da vida.
Confesso que gostei do texto do leitor. Interessante, agradável, culto, essencialmente despretensioso, como deve acontecer com as pessoas humildes, internamente grandes, intrinsicamente nobres.
O leitor diz que encontrou este blog, casualmente, “navegando nesse mar imenso que é a internet”. E cita alguns trechos publicados neste espaço ao longo do tempo.
Penhoradamente agradeço.
araujo-costa@uol.com.br









