Quando José Evaldo de Menezes faleceu em 2020, citei nalgum lugar, em sua homenagem, uma frase do escritor português Camilo Castelo Branco (1825-1890) que agora reproduzo: “O coração, cofre de um tesouro, era material: desfez-se. Ficou o tesouro incorruptível e sagrado: a honra”
No ano seguinte, faleceu seu irmão João Bosco de Menezes (Joãozito), aumentando o vazio da família, o que nos fez muito refletir sobre nossas fraquezas, a efemeridade da vida, a certeza da morte e a importância da fé.
José Evaldo de Menezes e João Bosco de Menezes/Arquivo da família
Em junho deste corrente ano de 2024, faleceu Maria do Socorro Menezes Ribeiro, o esteio que restava da construção de Izabel Argentina de Menezes (D.Biluca) e Dorotheu Pacheco de Menezes.
Maria do Socorro Menezes Ribeiro/Arquivo da família
A frase do escritor português ajusta-se aos três. Honrados, honestos e respeitados, Socorro, Evaldo e Joãozito souberam construir ao seu redor, o que de mais precioso se pode deixar para familiares e amigos: a honra e a retidão de caráter.
Deixaram mais: uma universidade gigante e indestrutível, a universidade que ensina a construir amizades.
Sou grato aos três – Socorro, Evaldo e Joãozito – por me terem acolhido na juventude, em situação muito difícil.
Sou grato a Maria do Socorro Menezes Ribeiro, minha distinta comadre, por tudo que fez em meu benefício. E grato também a Virgílio Ribeiro de Andrade, seu esposo e meu admirável compadre, distinto compadre.
Confesso admirador de todos, enquanto viveram e, hoje, in momoriam, relembro essa admiração que não se acaba, não pode acabar, nunca vai se acabar.
Jamais a gratidão pode se esvair no tempo, mesmo em razão da morte, mesmo em razão de nossas fraquezas humanas.
Post scriptum:
Em 23/11/2024 – salvo engano e se a agenda não mudar – o governador da Bahia junta-se aos políticos de Chorrochó e, segundo consta, reinaugura dois valorosos símbolos que Dorotheu Pacheco de Menezes idealizou, fez realidade e deixou:
O Colégio Estadual de Tempo Integral São José. A nova instituição construída manteve o nome Colégio São José que teve como embrião o Ginásio Municipal Oliveira Brito.
O Mercado Municipal da sede, antigo Centro Comercial Municipal de Chorrochó, que o governo estadual achou um bonito nome para deixar as marcas da gestão atual do município e do Estado: requalificação.
Por uma questão de respeito à História de Chorrochó, o cerimonial das inaugurações deve citar, no mínimo, o nome de Dorotheu Pacheco de Menezes, vez que tem sido omitido noutras ocasiões. A conferir.
O general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, safra de 1964, quando se referia a indivíduos de pouca inteligência, não os chamava de burros, mas de asnáticos.
Talvez não quisesse ofender os burros, embora se tratassem de substantivos correlatos.
A Polícia Federal investiga e a imprensa vem publicando atabalhoadamente, que alguns militares, inclusive um general da reserva do Exército – quatro foram presos – arquitetaram a morte de Lula da Silva e de seu vice Alckmin, eleitos em 2022 e também a eliminação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, à época presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
É possível duvidar da inteligência desses militares. A investigação diz que o plano foi delineado e impresso e até circulou nalguns palácios de Brasília.
A Polícia Federal diz que está estribada em provas sustentáveis e robustas, embora as investigações continuem.
Então, se a Polícia Federal estiver certa, resta perguntar:
Como um plano desses, condenável em todos os aspectos, podia dar certo, se os próprios idealizadores espalharam o roteiro, nomes dos alvos, locais, armas que seriam utilizadas e até hipótese de envenenamento?
Há uma parte mais hilária, se trágica não fosse. Alguns desses militares saíram para executar parte do plano, mas desistiram em meio do caminho, “abortaram a operação”, em linguagem técnica.
Nunca, na história do Brasil, passando pelo Império e República, houve episódio tão grave, condenável e repugnante.
O Brasil enfrentou ditaduras fortes, a exemplo da ditadura Vargas (1937-1945) e a ditadura militar (1964-1985) e nunca assassinou presidentes, vices, ministros do Supremo, etc.
Das duas uma, ou esses militares sofrem de alguma enfermidade mental ou viviam absortos em algum tipo de droga que lhes suprimiu a sanidade e os levou ao delírio.
É estarrecedor que o Exército mantenha, em seus quadros, mentecaptos como esses, integrando suas forças de elite.
Não devemos compará-los aos burros. É uma ofensa aos muares.
Fica a impressão que o Exército do Brasil não está sendo vigilante com suas próprias entranhas.
De qualquer forma, resta concluir que nosso Exército vai mal, muito mal. Isto respinga nas Forças Armadas como um todo.
Há algum tempo, leitor de origem nordestina me cobrou um artigo que leu nalgum lugar em que falo de becos e cabras.
Confesso não me recordar.
Minha memória esburacada tropeça aqui e acolá, de modo que nem sempre encontro o que procuro em meio à bagunça de meus alfarrábios, papéis desatualizados e arquivos desorganizados.
Todavia, presumo que o leitor se referia ao artigo versando sobre o povoado de São José, município de Chorrochó, sertão da Bahia.
Já se vão mais de onze anos da publicação que se deu em 23/04/2013. Por aí se vê, que o tempo desalinhou o andar da memória, de modo que até a realidade do lugar pode ser outra e não aquela lembrada em 2013.
O texto fala da realidade da época, que hoje deve ser diferente e, portanto, desconforme aquela quadra do tempo.
Ou seja, o desenvolvimento pode ter chegado por lá, desfigurando o que eu havia contado em 2013, porque, afinal, presumo que o prefeito de Chorrochó deve primar pelo quesito trabalho e respeito às tradições de sua gente.
O povoado de São José cresceu – ou tentou crescer – com a ajuda possível de seus próprios recursos, advindos, unicamente, do trabalho suado do homem do campo.
Evento (sem data) do Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho/Crédito professora Necy Gomes de Sá
Pequenos agricultores que viviam, como ainda hoje, da cultura de subsistência, plantando feijão, milho, abóbora, melancia e batata doce, para criar seus filhos, desesperançados, mas firmes, em razão da pobreza do lugar.
A labuta era complementada com a criação de pequenos rebanhos de caprinos e ovinos, quase sempre dizimados pelas constantes secas.
Hoje São José tem poucas centenas de habitantes, causticados pelo sol escaldante, porque o clima lá é cruel, quente, semiárido, extremamente difícil de enfrentar.
Evento (sem data) do Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho/Crédito professora Necy Gomes de Sá
Comum entre seus becos empoeirados, mais do que pessoas, eram o caminhar das cabras e o tilintar de seus chocalhos, assim como porcos e galinhas.
O povoado tinha um líder político que sempre lutou por sua gente: Boaventura Manoel dos Santos.
Boaventura foi vereador por diversos mandatos, com altivez e extrema dedicação, contou sempre com o apoio incondicional de seu povo, que o mantinha na Câmara Municipal de Chorrochó para ser sua voz, seu refúgio, sua retaguarda. E ele, no que pôde, cuidou de São José, diuturnamente.
Para isto, Boaventura teve a ajuda e solidariedade de outro líder político de Chorrochó, Dorotheu Pacheco de Menezes. Ambos viabilizaram para lá a professora “formada”, como se dizia à época, Maria Dias Sobrinho, dando-lhe oportunidade para morar no povoado, ensinar, abrir o caminho para as crianças seguirem em direção ao futuro em busca de novos horizontes.
Maria Dias era uma criatura humilde, reflexiva, responsável. Deixou a semente para a juventude de hoje e o exemplo de luta.
Em 2016 o Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho perdeu sua caracterização como instituição. Hoje é um anexo do Colégio de Tempo Integral São José, da sede, mas a semente germinou e ficou a esperança dos jovens de São José, estímulo para o prosseguimento da caminhada e, sobretudo, o fundamento para a construção do caráter, espinha que deve nortear a vida de todos nós.
Nenhum horizonte será possível se faltarem a persistência e a vontade de seguir avante.
Só a escola é o caminho certo. Só a educação formal e familiar é a luz para clarear o caminho em direção ao futuro.
Conheci Maria Dias Sobrinho, nascida na caatinga, como eu, ainda na juventude, início da labuta com vistas ao exercício de sua profissão de mestra, enfrentando dificuldades de toda ordem, até mesmo para receber o salário.
Ainda assim, lutou, sofreu, ensinou, enfrentou a solidão do lugar e adquiriu o respeito da população de São José.
Salvo engano, o Colégio foi fundado em 1981 e, após trancos e barrancos, autorizado a funcionar somente em 2005.
Contribuíram tenazmente para a realidade do Colégio Maria Dias Sobrinho, dentre outros: Júlia Marques (diretora), professores Manoel Belfort, Edleide Conceição, Cilene Cristianne, Clécia Cristiane de Carvalho, Maria do Socorro Ribeiro, Luciana Dias e, ainda, cada uma em sua respectiva função, Adelina Marques Batista, Brasilina, Maria de Lourdes Arnaldo, Odete Marques, Júlia Dantas, Joelma Dantas, Meire, Maria de Lourdes dos Santos e Rose Cleide.
A professora Necy Gomes de Sá exerceu seu mister no Colégio por dez anos, inclusive na condição de diretora.
São José é um povoado de pessoas humildes, dignas, resistentes ao tempo e às intempéries.
Lá tive algumas amigas que não moram mais lá e o tempo afastou, Almira Marques Ribeiro, Eremita Marques Ribeiro e Antonia Marques Ribeiro.
Demais, são fragmentos da juventude que, mesmo sendo fragmentos, continuam enfeitando a saudade do tempo e do lugar.
São José ainda é um conjunto de casas simples e rodeado pela vegetação da caatinga.
Contudo, São José tem a semente para germinar o idealismo dos jovens que se deslocam todos os dias até a sede do município para estudar, enfrentando riscos da estrada difícil e, sobretudo, o descaso das autoridades.
Post scriptum:
A professora Necy Gomes de Sá contribuiu com esta matéria no que tange ao crédito das fotos, à citação dos nomes de colaboradores e atualização de algumas informações do então Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho que me faltavam.
Eventuais erros e omissões, inclusive quanto aos nomes, são exclusivamente deste escrevinhador.
Em evento transmitido para todo o mundo durante o chamado G20 Social, neste sábado, 16/11/2024, a deslumbrada primeira-dama do Brasil externou, sem nenhum motivo, palavras impróprias e vergonhosas, incompatíveis com a posição que ocupa.
Janja da Silva/Crédito Fernando Frazão, Agência Brasil
Mais do que isto, Janja da Silva foi deselegante com o senhor Elon Musk, escolhido por Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, para ocupar função de relevo no próximo governo americano.
A diplomacia brasileira não gostou do destempero de Janja da Silva e avalia que o palavreado que ela usou dificulta o entendimento com o novo governo americano.
A declaração de Janja “irritou diplomatas de alto escalão da chancelaria brasileira e coloca em risco a tentativa deliberada do Palácio do Planalto e do Itamaraty de não abrir uma frente de tensão com o novo governo americano”, segundo Jamil Chade, correspondente do UOL na Europa há duas décadas, mantém escritório na sede da ONU em Genebra (UOL, 17/11/2024).
“Sem quê e sem pra quê”, durante um discurso vazio que pronunciava, a primeira-dama disse, referindo-se a Elon Musk: “fuck you”. Em tradução livre, a expressão é impublicável.
Inconveniente, a primeira-dama Janja confunde linguagem de botequim com a liturgia da presidência da República, de Estado e de Governo.
Convenhamos, no mínimo trata-se de despreparo e falta de respeito. Este é o discurso do ódio que o PT e o lulopetismo tanto criticam, com razão, mas atribuem somente à direita. Está aí Janja da Silva provando que o discurso do ódio também está impregnado nas estranhas do PT.
Aliás, a primeira-dama já aprontou outros destrambelhos noutras ocasiões.
A primeira-dama procurou “alcançar alguma relevância política durante o governo do marido, tentou cavar um cargo sem sucesso e representou o governo Lula em evento da ONU sobre mulheres, quando chamou mais atenção pelos sapatos que usava do que pelo que disse.” (O Antagonista, 16/11/2024).
O quiproquó criado pela primeira-dama respingou no Itamaraty que vai precisar desfazê-lo de imediato.
O presidente Lula da Silva, em discurso posterior ao da primeira-dama, tentou corrigir o deslumbramento da mulher, mas o estrago diplomático já estava feito. “A gente não tem que ofender ninguém. Nós não temos que xingar ninguém”, disse Lula.
Janja da Silva passa longe da humildade de D. Marisa Letícia da Silva, primeira-dama nos primeiros governos do petista Lula, de D. Ruth Cardoso, elegante primeira-dama de Fernando Henrique Cardoso e de D. Eloá Quadros, digníssima esposa do presidente Jânio Quadros.
Talvez seja o caso de tirar o microfone de D. Janja da Silva. Ela adora holofotes.
Deixei meu carro velho, que chamo carinhosamente de mustang, no local de trabalho.
Peguei um ônibus em direção ao centro da cidade, que fica “logo ali”, como dizem os mineiros.
Um amigo me disse que sou mais conhecido na região por ter um carro velho e não por ser advogado. Confesso que não sabia disto.
Fui resolver algumas coisas que, a rigor, o carro não seria necessário.
No ônibus, já de volta, sentei-me ao lado de um senhor velho como eu, cabelos brancos como eu, feio como eu.
Conversador, puxou assunto e quis saber onde eu trabalhava.
– Num escritório ali à frente, alguns pontos adiante, devo descer logo.
Vendo-me de paletó e gravata, deduziu à sua maneira, mais afirmando que perguntando.
– Você é guarda da empresa, né?
Para não desapontá-lo, confirmei. Disse-lhe que sim, trabalhava há muitos anos, desde que o patrão se instalou no local.
O patrão é muito sovina, mão de vaca e ruim, não permitia nem que eu fosse de carro ao centro da cidade resolver minhas coisas.
Ficamos alguns minutos falando cobras e lagartos do meu patrão, que sou eu.
Na verdade, mereço.
Quem mandou deixar minha bela caatinga do sertão da Bahia e vir para São Paulo lutar, sofrer e chegar à velhice ainda com disposição de falar essas coisas do patrão?
Quando desci do ônibus, deu-me uma crise de riso. As pessoas que passavam por mim certamente me achavam com cara de besta. Ou de idiota, o que dá no mesmo.
Acho que sou.
Advogado septuagenário, com mais de quarenta anos no exercício da profissão, que não ficou rico e nem famoso, tem mesmo é que ficar por aí, dando explicações a curiosos dentro de ônibus.
Como sempre me preocupo com o significado das coisas, fiquei matutando. Acho que a lógica daquele senhor é esta: o sujeito velho, de terno e andando de ônibus é guarda ou porteiro de prédio.
“Se tens lágrimas, chora. Se só tens riso, ri-te. É a mesma coisa.” (Machado de Assis, in Quincas Borba)
Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), que fiscalizam as contas públicas – ou deveriam fiscalizar – têm 60 dias de férias e ganharam mais 10 dias por mês.
Tribunal de Contas da União/Reprodução Google
Na prática, os ministros do TCU podem ficar 180 dias de férias remuneradas no ano: 120 dias por ano (10 x 12 meses) + 60 dias que já têm direito.
Salário?
Pouco: Média de R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais) por mês, mais as mordomias.
Esses senhores fiscalizam o uso de dinheiro público.
Todavia, há o teto constitucional, ou seja, nenhum servidor público pode ganhar mais de R$ 44 mil por mês, em valores de agora. Noutras palavras, não pode ganhar mais do que um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Conversa para boi dormir.
O pior veremos adiante.
A imprensa noticiou, exaustivamente, que este mesmo Tribunal de Contas da União (TCU) permitiu a abertura de um salão de beleza dentro do Tribunal, isto mesmo, em suas dependências, para atender a fina flor da elite que fiscaliza as contas públicas.
Dentre os serviços prestados pelo salão estavam massagem e depilação íntima para servidores e suas Excelências os fiscais do dinheiro público.
O escândalo, com detalhes, veio à tona por intermédio do jornalista Claudio Humberto, que entende tudo dos meandros de Brasília.
Segundo o jornalista, depois que a imprensa publicou o escândalo, o ministro Bruno Dantas, presidente do Tribunal, “revogou a contratação de serviços de salão de beleza em sua sede, previsto até 2034, incluindo “depilação íntima de contorno” e massagens relaxantes, tudo em pleno horário de trabalho.
A notícia preocupante foi Dantas admitir que não sabe o que acontece no tribunal que preside, afirmando em seu despacho haver tomando conhecimento da bizarrice “pela imprensa” (Diário do Poder, 09/11/2024).
Então, tá.
Interessante é que Suas Excelências se preocupam com “depilação de contorno”, o que é por demais esquisito, quando deveriam estar preocupados com outro contorno, a fiscalização do emprego do dinheiro público que se propõem a fazer.
A hipocrisia abunda no serviço público, o que não chega a ser nenhuma novidade.
Mas depilação íntima e massagem dentro do TCU é demais.
Marlindo Pires Leite/Crédito: Blog de Joselia Maria
Guardo o envelope de 31/10/1995, amarelado pelo tempo, com o selo do correio, a antiga ACT.
Já se vão, por aí, 29 anos. A passagem dos anos não olvidou a lembrança.
O rico conteúdo vinha da Avenida Coronel Jerônimo Pires na bela cidade de Belém do São Francisco, em Pernambuco.
O remetente ilustre, Marlindo Pires Leite. O envelope continha um exemplar do livro Fazenda Panela D’Água, de sua autoria, lançado em 1994 e resultado de alentada pesquisa sobre a genealogia dos séculos XVII-XX.
Marlindo Pires Leite anda por volta dos 70 anos, completados em 03 de outubro. Além de Fazenda Panela D’Água, publicou, dentre outros, Belém, Uma Cidade no Vale do São Francisco, A Arte Belemita – 160 anose Igrejas, Capelas, Santos e Santas.
Gigante da cultura e das artes, mormente da arte pernambucana, Marlindo Pires Leite se especializou em fotografia, desenho, escultura, pintura e, sobretudo, destaca-se como abalizado historiador, referência quando se trata de conhecimento da história dos ancestrais.
É historiador e pesquisador com Licenciatura em História, dentre outros títulos.
Viajado, na contracapa de Fazenda Panela D’Agua há uma foto do autor, de 1986, no Principado de Mônaco.
Em razão de sua contribuição à cultura belemita, Marlindo Pires Leite recebeu do Legislativo Municipal a Medalha do Mérito do Centenário. É autor, salvo engano, do Brasão do Município de Belém do São Francisco.
Fazenda Panela D’Água foi dedicado ao professor Alípio Lustosa de Carvalho, ícone da cultura e da educação de Pernambuco, que escreveu a orelha do livro.
Em 1971, o professor Alípio Lustosa idealizou a fundação da Faculdade de Formação de Professores de Belém do São Francisco. A Faculdade foi instituída em 1975 no prédio da histórica Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio.
A Faculdade de Formação de Professores foi o embrião do CESVASF (Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco), respeitável estabelecimento de ensino sanfranciscano.
Marlindo é filho de Hermelinda Pires Leite e Mário Horácio Leite e, acrescenta ao meu pífio conhecimento uma informação valiosa: descende, longinquamente, pelo lado materno, dos fundadores de Curaçá, Bahia, meu torrão e minha referência.
Nome por todos reverenciados, Marlindo Pires Leite enriquece a cultura da região.
Posto scriptum:
Li, por aí, e confrontei com registros de Marlindo Pires Leite que “Panela D’Agua era uma antiga fazenda de gado situada ao leste da Serra do Arapuá no Sertão do Pajeú, arrendada em 1756 ao morgado da Casa da Torre na Bahia, e pertencente a Francisco Garcia D’Avila Pereira e Aragão proprietário destas terras na Província de Pernambuco, pelo português Manoel Lopes Diniz e posteriormente comprada pelo seu filho Manuel Lopes Diniz”.
Aí – ou lá – nasceram as pesquisas de Marlindo Pires Leite que resultaram no livro Fazenda Panela D’Agua, indubitável referência da cultura regional.
De começo, lembro a data, 30 de outubro, aniversário de Jorge Jazon.
Jorge Jazon e Deniz Menezes/Álbum da família
Esta minha referência ao aniversário de Jorge Jazon, que já passou, daria para encher (e talvez dê) meu mundo de admiração por ele.
O desleixo pelo atraso faz parte de meus atributos de relapso, que beiram à gafe e os amigos mais próximos suportam, de modo que não sou chegado a formalidades, mas a considerações.
É por todos sabido que Jorge Jazon Cordeiro de Menezes dispensa apresentações. É muito conhecido, amado e reverenciado por amigos, familiares e conterrâneos aos quais me incluo.
Seu caráter é referência, modelo e luz para os jovens de hoje que pretendem ocupar lugar de decência e grandeza em qualquer tipo de sociedade e primar pela robustez da conduta.
Jorge Jazon vem de família tradicional de Chorrochó.
Professora Maria Ita de Menezes, a mãe/Álbum da família
As raízes seguras de Jorge Jazon ficam-se na estrutura familiar Menezes, Pacheco e Cordeiro, honra e glória do lugar e espécie de modelo cultural da sociedade local.
A mãe Maria Ita de Menezes, dentre outras qualificações, é professora, mestra na arte de ensinar, esteio da educação de Chorrochó, exemplo de algumas gerações.
O pai José Jazon de Menezes, também de família tradicional, foi serventuário da Justiça estadual da Bahia e um dos pilares da honradez da sociedade chorrochoense.
José Jazon de Menezes, o pai/Álbum da família
O ilustre aniversariante Jorge Jazon é casado com Deniz Reis dos Santos Menezes. Constituiu família bem estruturada e exemplar, educada nos moldes do bom proceder advindo dos berços materno e paterno.
Declino de mencionar os títulos que Jorge Jazon ostenta, que são muitos e respeitáveis, mas incluo nestes parabéns minhas homenagens à professora Maria Ita de Menezes e a José Jazon de Menezes, in memoriam, referências exemplares que o aniversariante carrega.
Os escândalos de venda de sentença no Judiciário deixaram de ser pontuais e passaram a ser recorrentes.
É desanimador o momento por que passa o Poder Judiciário.
Desanimador, mais ainda, é a sociedade submeter-se a essa degenerescência de setores do Judiciário que têm o dever de assegurar o Direito e a Justiça a todos.
A sociedade paga caro para o Poder Judiciário funcionar conforme mandam a lei e a moral e não para sustentar desvios morais de alguns de seus membros.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou cinco desembargadores do Mato Grosso do Sul, inclusive o presidente do Tribunal de Justiça, acusados de lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas.
A Polícia Federal apreendeu R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo na casa de um desembargador que havia se aposentado no último mês de junho do corrente ano. A imagem que a imprensa publicou é deprimente.
Como se não bastasse esse escândalo de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal investiga a venda de sentença no próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Conhecido nos meios jurídicos como o “tribunal da cidadania”, o Superior Tribunal de Justiça foi criado pela Constituição de 1988.
A cidadania precisa ficar mais atenta como andam as tarefas do Tribunal.
No STJ gabinetes de pelo menos cinco ministros estão sendo investigados pelo envolvimento no comércio de sentenças. As investigações ainda estão em andamento.
Há um caso escabroso. A minuta de uma sentença foi entregue ao interessado na compra, meses antes de ser proferida a decisão judicial exatamente igual à minuta.
“Até a vírgula é igual”, disse o acusado de intermediar a compra da sentença, segundo as investigações (Veja, 04/10/2024, Edição 2913).
É inadmissível pensar, mesmo por hipótese, que ministros do STJ estejam envolvidos na venda de sentenças.
Entretanto, isto comporta uma conjectura plausível. Das duas, uma: ou as sentenças são redigidas pelos auxiliares e os magistrados somente assinam ou tais sentenças são proferidas atabalhoadamente, sem nenhum controle com a verdade dos autos.
Não pode haver outra explicação que justifique que gabinetes de ministros vendam decisões judiciais ao sabor da vontade do comprador, ajustando-as aos seus interesses.
A Bahia é um dos estados onde o Tribunal de Justiça passou por casos humilhantes há alguns anos. Desembargadores acusados de venda de decisões judiciais foram afastados de suas funções judicantes.
Tribunal de Justiça da Bahia/Divulgação CNJ
Em data recente, duas desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia se tornaram rés e juízes de comarcas do sul do Estado foram afastados por suspeitas de envolvimento em irregularidades fundiárias.
Em julho último, a Corregedoria do Conselho Nacional e Justiça (CNJ) determinou nova investigação no Tribunal de Justiça da Bahia, porque, segundo o corregedor, há “gravíssimos achados”.
Como se vê, o Poder Judiciário precisa ficar mais atento ao que acontece em suas entranhas.
“Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos” (Stanislaw Ponte Preta, jornalista e escritor carioca, 1923-1968)
O Supremo Tribunal Federal anulou todas as condenações de José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-ministro da Casa Civil de Lula da Silva e um dos esteios mais firmes do Partido dos Trabalhadores (PT).
Não há novidade nisto. Já era esperado.
Ex-Ministro petista José Dirceu/Crédito Rádio Tupi
O STF já havia anulado os processos de Lula da Silva e de outros mandachuvas da elite, políticos, grandes empresários, inclusive das antigas Odebrecht e OAS, que lastrearam as condenações de Lula, depois anuladas pelo Poder Judiciário.
Difícil a sociedade ou parte dela entender essas decisões judiciais, considerando que não se vê a Justiça anular processos instaurados contra pobres, desamparados, famintos e pessoas sem voz e sem dinheiro para pagar advogados.
Numa dessas condenações anuladas, José Dirceu havia sido condenado a 23 anos e três meses de prisão por ter recebido R$ 15 milhões em propinas pagas pela Construtora Engevix, tendo como origem cinco contratos firmados com a Petrobras.
O político petista foi acusado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
José Dirceu estava inelegível. Agora, livre das condenações, adquiriu a condição de ficha limpa e certamente sairá candidato do PT nas eleições de 2026 e será um dos representantes dos paulistas na Câmara dos Deputados.