Na Bahia, Otto Alencar precisa explicar

Senador Otto Alencar, PSD da Bahia/Crédito: Senado Federal

O presidente estadual do PSD da Bahia, senador Otto Alencar, despejou R$ 60 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas – Fundo Eleitoral, que é dinheiro público, nos cofres de uma candidata a vereadora de Eunápolis, sul do Estado.

A candidata de Otto Alencar teve somente 5 votos, mas segundo a imprensa noticiou, gastou R$ 7,5 mil de “criação de peças publicitárias” e R$ 40 mil para “serviço de militância na campanha eleitoral”, tudo pago a uma mesma empresa de marketing digital.

Ainda em Eunápolis, outra candidata a vereadora de Otto Alencar, gastou R$ 40 mil e teve 11 votos e outra gastou R$ 40 mil e teve 48 votos.

Eunápolis tem 120 mil habitantes.

No Nordeste, há um provérbio que retrata bem o comportamento de Otto Alencar: “Quem atira com pólvora alheia não toma chegada”.

O dinheiro é público, extirpado dos brasileiros que passam fome para financiar candidaturas de políticos parasitas, sanguessugas, aventureiros e também para custear o luxo de dirigentes e líderes partidários que se dizem defensores do povo.

Logo, Otto Alencar não tomou a cautela necessária ao distribuí-lo a torto e a direito para seus apaziguados.

Há outros casos gritantes de desperdício de dinheiro público do Fundo Eleitoral na Bahia. Chegam a 236, segundo a imprensa publicou. A bem da verdade, nem todos protagonizados pelo senador Otto Alencar.

Em 6 de outubro, o PSD de Otto Alencar elegeu 115 prefeitos na Bahia, de um total de 417 municípios.

Sua Excelência Otto Alencar é o mesmo senador arrogante que se achava o suprassumo da correção na CPI da Covid.

Correto ele deve ser, não se questiona aqui sua hombridade. Todavia, Sua Excelência deve cuidar melhor do dinheiro público.

Procurado pela imprensa para explicar o disparate de Eunápolis, o senador Otto Alencar foi irônico: “Quem calcula é a urna, não sou eu”.

O senador tem razão. A urna calcula os votos, mas o dinheiro público destinado ao PSD da Bahia quem distribuiu – e para quem distribuiu – foi ele.

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo, 14/10/2024.

araujo-costa@uol.com.br

Memória de Patamuté: Lídio Manoel dos Santos e Silobaldo Gomes dos Reis

Da esquerda para direita, D. Lalu, Edelzuíta, Lídio e Elizabete/Crédito álbum de Laura Fonseca

Lídio Manoel dos Santos, senhor de boa linhagem e reputação exemplar, era comerciante em Patamuté.

Lá por volta 1930 comprou uma bodega de Eduardo Gomes dos Reis (Dudu), pai do escritor Silobaldo Gomes dos Reis e a manteve durante décadas, espécie de referência do acanhado comércio de Patamuté.       

Homem de hábitos simples, Lídio se ocupava com suas tarefas modestas de comerciante e, eventualmente, criava caprinos.

Tinha uma clientela fiel constituída de pequenos lavradores e pecuaristas das cercanias de Patamuté que se amontoavam ao redor do balcão de sua venda, aos sábados, bebendo, conversando, contando “causos” da vida difícil e pacata das fazendas, entre uma talagada e outra.  

Lídio era austero, equilibrado, caráter irrepreensível, respeitador, cumpridor de seus deveres. Falava muito bem, acomodando as palavras nos lugares certos, articulando-as adequadamente.

O folclore de Patamuté dizia que ninguém sabia a idade de Lídio – nem ele dizia – mas a história registra que nasceu em 1.906, mesmo ano de início da construção da Igreja de Santo Antonio.

Lídio casou-se com D.Laura Prado (Lalu), senhora distinta e prestativa de estirpe tradicional. D. Lalu faleceu em fevereiro de 2011. Com ela constituiu família numerosa, que se espalhou por aí, de Patamuté a São Paulo, cavando a vida.

Minha esburacada memória ainda retém os nomes de Edelzuíta, Glorinha, Aderlinda, Carmelita, Nidinho, Edinho, Nilzanete, Elizabete e Jackson, todos filhos desse casal tradicional, que também construiu a história de Patamuté.

Eventuais omissões de nomes ou grafia errada ficam por conta de minha juventude distante. Foi lá, bem distante no tempo, que os conheci em Patamuté, jovens, espirituosos e alegres.  

Comecei esta crônica citando o nome de Silobaldo Gomes dos Reis, que saiu de Patamuté em junho de 1944 com 14 anos de idade.

Quase cinco décadas depois, em 1991, Silobaldo me contou em São Paulo, que era muito grato a Lídio Manoel dos Santos, porque lhe deu o primeiro emprego em sua bodega em Patamuté e também uma carta de referência, quando saiu de lá. Uma carta de referência significava muito na época.

Estes fragmentos da memória de Patamuté nos lembram  as características de alguns de seus filhos que já se foram. Cada um, a seu modo, ajudou a construir a história do lugar.

Lídio Manoel dos Santos também o fez, quer dando exemplo de caráter, quer ostentando sua ilibada reputação. Conheci-o assim, circunspecto e respeitador. Patamuté deve muito a ele.

Silobaldo Gomes dos Reis, já falecido, filho de Eduardo Gomes dos Reis e Tertuliana de Alcântara Reis nasceu em Patamuté em 1930.

Eduardo e Tertuliana, além de Silobaldo, tiveram os filhos Osmar Gomes dos Reis, Lourival Gomes dos Reis, Maria José Gomes dos Reis e Antonia Gomes dos Reis Palmejani.

Ilustre filho de Patamuté das famílias Gomes e Reis mudou-se para São Paulo, depois de trabalhar na bodega de Lídio Manoel dos Santos.

Em São Paulo, trabalhou e constituiu família. Escreveu dois livros: “Eu (baiano) venci em S.Paulo”, lançado em 1988 e “Peripécias e Alegrias de um Turista Baiano” lançado anos mais tarde.

Sobre o primeiro livro, Silobaldo me disse em 25/06/1991: “é uma mensagem de otimismo para nossos conterrâneos que às vezes recuam no primeiro tropeço de vida e desanimam”.

Silobaldo era casado com Maria Nazareth dos Reis com quem teve as filhas Carmen Gomes dos Reis e Marta dos Reis Marioni.

Em 1988 chegou a participar da Bienal do Livro de São Paulo.

Silobaldo, conhecido entre os amigos mais próximos como “Silô”, viveu as últimas décadas no Jardim São Paulo, elegante bairro da capital paulista, mas sua paixão era a Vila Nova Mazzei, local que se instalou quando chegou da Bahia, segundo ele “fugindo da seca” de Patamuté.

Lídio e Silobaldo fazem parte da história de nosso distrito.

Post scriptum:

Deixo de colocar a foto de Silobaldo Gomes dos Reis, por razões técnicas.

araujo-costa@uol.com.br        

Curaçá e a eleição de Murilo Bonfim

Prefeito eleito Murilo Bonfim/Reprodução facebook

“Eu venho de campos, subúrbios e vilas, sonhando e cantando, chorando nas filas, seguindo a corrente sem participar.” (Dom e Ravel)

As urnas de Curaçá elegeram prefeito Murilo Bonfim (PT) para o próximo quadriênio, com expressivos 54,56% dos votos.

Adriano Araújo (Pode), candidato do prefeito, alcançou 45,44%. A diferença entre ambos chegou a 2.145 votos, menor que a abstenção de 2.781 eleitores que deixaram de votar e suficientes para ajudarem o candidato do prefeito a, pelo menos, diminuir a diferença.   

Os votos nulos e brancos somaram 775.  

Calejado por tropeços em campanhas eleitorais e acostumado com análises políticas, entendo que abstenção, assim como votos brancos e nulos, exceto por questões formais, retratam a descrença dos eleitores em seus líderes.

Considerando o tom da campanha salvacionista do petista Murilo Bonfim, é razoável entender que a maioria dos eleitores entregou ao prefeito eleito a esperança de horizontes mais alvissareiros para Curaçá nos próximos quatro anos e, quiçá, no período subsequente, se o prefeito souber corresponder às expectativas dos eleitores manifestadas nas urnas.

Como se vê, o prefeito Pedro Oliveira  não conseguiu colocar o município em sintonia com os anseios da população ou não teve condições de robustecer seus argumentos no sentido de demonstrar o que fez nesses aproximados oito anos.

O contexto autoriza a presumir que, sendo Adriano Araújo vice do atual prefeito e de quem foi secretário, a responsabilidade pelos erros e acertos das gestões das quais fez – e faz parte – é solidária e não somente do prefeito. 

Parafraseando a dupla Dom e Ravel nos tempos da ditadura, “você também é responsável”, de tal modo que os feitos, quaisquer que sejam, devem ser creditados ao conjunto da administração.

Talvez aí esteja a dificuldade do candidato Adriano Araújo em erigir-se capaz de mudar Curaçá, recado que a população absorveu suficientemente para tirar-lhe a oportunidade de vitória.  

O prefeito eleito Murilo Bonfim deve sustentar uma razoável mudança de rumos em Curaçá, de modo que suas espalhafatosas promessas de campanha não sejam arranhadas pelo descaso, de resto, comum na atual administração.

A impressão que se tem é que Curaçá amargou uma quadra do tempo  desconforme os anseios da população, fato que arrancou a expectativa de continuidade do atual grupo político.

Qualquer sociedade que perde a esperança em seus líderes faz emergir inequívoco desejo de mudança, com ou sem percalços pelo caminho, mesmo que a mudança enverede pela estrada da decepção.

Os recursos carreados para Curaçá são generosos, segundo os registros oficiais. Talvez tenha faltado ao alcaide capacidade de priorizar demandas e não, propriamente, escassez de recursos.

Quiçá o prefeito adotou um estilo de governar acomodado e capenga que acabou deixando a maioria da população insatisfeita.

Viam-se reiteradas reclamações relativamente às estradas vicinais abandonadas, transporte escolar deficiente, ambulâncias danificadas e, sobretudo, descuido com reivindicações prementes e elementares de munícipes que, em certas situações, precisam da intervenção e ajuda da Prefeitura.        

Como se vê, Curaçá está aquém no que tange às exigências da população e naquilo que se espera da atuação do Executivo com vistas aos anseios do povo. E isto não é de agora.

Ao prefeito Murilo Bonfim não cabe acumular equívocos em sua administração, que todos desejamos profícua e exitosa.

O histórico de apatia que Curaçá experimentou nos últimos anos não pode persistir.

O prefeito deve aproximar-se de todas os grupos sociais do município e saber conviver com os antagonismos.

Mais do que isto: governar com sabedoria e ficar atento às necessidades da população.

Um parêntese e uma lembrança:

Há algum tempo um caatingueiro de Patamuté comentou com este escrevinhador que a última vez que a Prefeitura mandou uma máquina limpar sua minúscula barragem foi no governo do prefeito Carlos Luiz Brandão Leite (Carlinhos Brandão), que lhe deu muita atenção por intermédio de José Valberto Matos Leite.  

Não procurei saber se à época José Valberto era ou não vereador, nem isto vem ao caso agora. Basta a atuação em favor do munícipe.

Portanto, faz muito tempo. Aquele sertanejo da caatinga, segundo ele,  não conseguia ter acesso ao prefeito ou ao secretário da área que cuidava do assunto, se é que à época havia secretário da área que cuidava do assunto ou outra pessoa que se lhe dignasse dar atenção.

Espirituoso, o sertanejo acrescentou:

– Toda vez que vou à Prefeitura de Curaçá procurar o prefeito ele nunca está e um funcionário informa que o “prefeito foi a um enterro”. Vou deixar de ir. Se eu continuar indo lá e o prefeito continuar indo “a um enterro”, ele vai enterrar muita gente e eu não quero isto.

Comentou aquele munícipe, ainda. Ao reivindicar água através de um caminhão pipa, o responsável pelo setor o aconselhou a consumir água da chuva colhida do telhado, o que de todo não estava errado, se a água não fosse para o consumo humano.

Entretanto, o sertanejo de Patamuté argumentou: não era ocasião de chuva e, se fosse, não estaria pedindo ajuda à Prefeitura; e a água do telhado continha impurezas tais que a tornariam imprópria para o consumo humano.

Mas o ilustre senhor, que entendia tudo de água, de Prefeitura e certamente de seu emprego, ponderou que também morou na zona rural e consumiu água semelhante.

Não sei se na última eleição de 06 de outubro esse caatingueiro votou, se votou, no candidato do prefeito ou em seu opositor.

Mas, convenhamos, com uma assessoria assim e esse nível assustador de atendimento ao munícipe, fica difícil qualquer prefeito eleger seu sucessor.

Contudo, a alternância de poder é democrática, saudável e necessária.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e a eleição de Dilãn Oliveira

“Não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição.” (Mário de Andrade, poeta e romancista paulista, 1893-1945)

Dilãn Oliveira/Reprodução facebook

As urnas de Chorrochó elegeram Dilãn Oliveira com votação expressiva: 80,23% dos votos válidos que, em 2024, foram 7.243 no universo eleitoral do município.

Em quadro assim, parece razoável entender que a maioria dos eleitores entregou ao prefeito eleito a esperança em novos horizontes para Chorrochó, a partir de 01/01/2025 e, sequencialmente, nos próximos quatro anos, embora o novo alcaide integre o mesmo grupo político que, no poder, não conseguiu colocar o município em trilhos razoáveis que os levassem a desembocar em melhores dias para a população.  

Neste cenário, também é razoável conjecturar que, sendo Dilãn Oliveira integrante do mesmo grupo político do prefeito Humberto Gomes Ramos, a responsabilidade pelos erros, deficiências, equívocos e acertos das gestões das quais fez e faz parte  é solidária e não se dilui estritamente na figura do prefeito atual.   

Este um senão a ser considerado e que pode orientar e sustentar uma correção de rumos na gestão do novo prefeito. Correção para melhor, por óbvio.

Chorrochó se deve perguntar por que, em aproximadas duas décadas, não saiu do mesmo lugar sob o ponto de vista do desenvolvimento.

Chorrochó não soube escolher? E se não soube, por que a persistência nas escolhas?

A impressão que se tem é que Chorrochó amargou uma quadra do tempo angustiada e desesperançosa, com percalços no caminho que ofuscaram os sonhos da população.

O marasmo não se deve à falta de recursos do município que são generosos, segundo os registros oficiais, mas em razão da ausência de capacidade de priorizar demandas.

Talvez um estilo de governar capenga, acomodado, opaco, ocioso.

O prefeito eleito Dilãn Oliveira é descendente de família bem estruturada: filho de Antonia Possidônio e Antonio Bosco de Oliveira.

Lá para trás, já se vão algumas décadas, conheci Bosco ainda um tanto jovem. Frequentávamos, por vezes, os mesmos ambientes.

Bosco era responsável, sempre ocupado com seus afazeres, aparecia de repente, conversava pouco, contava alguma coisa de sua luta e ia-se embora.

Bosco não era de “alisar banco”, como se diz no Nordeste, demorar-se muito, mas se revelava cordial e atento a tudo que acontecia em Chorrochó. Respeitoso e respeitado, era observador, atento, reflexivo.

Bosco constituiu família honrada e decente.

O prefeito Dilãn certamente tem alguns traços do caráter do pai. Talvez aí resida a esperança de Chorrochó: as boas referências da família ilustre.

Dilãn Oliveira é uma das boas revelações políticas que Chorrochó produziu.

Em Chorrochó, estamos atrasadíssimos no que tange às exigências da administração pública e naquilo que se espera da atuação do Executivo com vistas aos anseios da população.

Mas o município tem uma característica louvável: o convívio entre a situação e a oposição, embora sempre pífia, tornou a campanha eleitoral deste pleito civilizada. Não houve  destrambelho, disparate, exageros.          

A vitória do prefeito Dilãn Oliveira é alcançada sobre alicerces políticos bem conhecidos, mas isto não significa prova de não desmoronamentos.

A campanha eleitoral acabou. Chorrochó volta à normalidade e dissipa os atropelos, as críticas normais da campanha. Surgem as expectativas, o olhar para o futuro, a esperança de um prefeito dinâmico, trabalhador, voltado para à causa dos mais necessitados, principalmente.   

Ao prefeito Dilãn Oliveira não cabe acumular equívocos e erros em sua administração, que todos desejamos profícua e exitosa.

O histórico de apatia que Chorrochó tem experimentado nos últimos anos não pode persistir. Um disparate, se continuar.

Cabe-lhe respeitar os 80,23% dos votos, aproximar-se de todas os grupos sociais do município e saber conviver com os antagonismos. Mais do que isto: governar com sabedoria e ficar atento às necessidades da população.

Ou servir de lição para as novas administrações de Chorrochó.

Post scriptum:

Deixo reverência elogiosa a Eloy Pacheco de Menezes Netto que deu o primeiro passo em direção a novos rumos para Chorrochó.

A surpresa desta eleição de Chorrochó é a não reeleição do vereador petista Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), político reconhecidamente atuante em diversos mandatos na Câmara Municipal.   

araujo-costa@uol.com.br

Velhice e impressões do tempo

“Talvez a velhice seja um naufrágio.” (Milton Hatoum, escritor amazonense)

Quando a ditadura militar corria solta, estudantes, escritores, jornalistas, intelectuais de toda ordem e um sem número de antagonistas do statu quo mantinham seus redutos de boemia, muitos dos quais ficaram famosos.

Intelectuais reunidos tergiversam e incomodam.

Estávamos, por óbvio, nos anos de chumbo, propriamente: governos Costa e Silva, Garrastazu Médici e parte do governo Geisel.

A ditadura, embora una, indivisível, teve períodos mais escabrosos que outros.  

O temido Serviço Nacional de Informações (SNI) se infiltrava até em botequins e lá auscultava se havia ou não a presença de subversivos que pudessem incomodar o governo.

Lá, nesses redutos, se discutia e falava-se mal do governo, das pessoas do governo, dos amigos do governo e de todo mundo que não comungasse as mesmas ideias sustentadas naqueles ambientes.

De tanto beberem cerveja e rum, a direita os apelidou de “esquerda diurética”.

Essa esquerda – ou o que sobrou dela – quando alcançou o poder nos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, passou a ser chamada de “esquerda caviar”.

É a esquerda deslumbrada e elitista que adora lambuzar-se no dinheiro público e gosta de dizer que cuida dos pobres.

Quando fora do poder, a esquerda critica as mordomias, os exageros das mordomias. Quando chega lá, incorpora-as, acintosamente, ao seu cotidiano de glamour.  Os exemplos pululam.

Mas esta é outra história e só faz parte desta crônica porque muitos dos meus amigos daquela época, que também contestavam, já morreram. Sobraram poucos, alguns, que estão por aí cavando a persistência da vida, tropeçando no caminho do tempo, ainda com força de sacudir a poeira.

A velhice chega, mas os sonhos, embora trôpegos, não vão embora. Ela se vem anunciando como uma brisa agradável e depois se vai abancando como uma tempestade. Em muitos casos chega a ser um naufrágio.

Com frequência, chegam notícias de amigos que se foram, alguns inesperadamente, porque não estavam doentes.

Um amigo, dentre os poucos que me restam, gozador e espirituoso, me provocou:

– Não se impressione. Sua vez vai chegar. Não tenha pressa.

Disse-lhe que não tenho pressa de cair nos braços da finitude.

De qualquer modo, embeveço-me de lembranças e vou dando seguidos pontapés nas notícias ruins, que são muitas e chegam aos borbotões.

Prefiro dar espaço às lembranças dos redutos boêmios contestatórios, quando nossos sonhos eram utópicos, ingenuamente utópicos.  

É uma forma de achar que ainda irei longe, mesmo que seja uma forma duvidosa.

Como diz a liturgia católica no Prefácio dos mortos, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da futura imortalidade consola, de modo que a vida não é tirada, mas transformada.  

Devo terminar esta crônica incoerente e desconexa, lembrando que ainda há horizonte, alvorecer e esperança. E vontade de prosseguir na caminhada, apesar dos tropeços e da escuridão.

Como disse o filósofo idealista Hegel, “a coruja levanta voo com o crepúsculo”.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá e o dizer das urnas

“É fundamental que existam diversas opiniões, inclusive contrárias à minha.” (Leandro Karnal, historiador e escritor gaúcho).

Os candidatos a prefeito de Curaçá, altaneiro município baiano à margem do São Francisco, tentam engazopar o povo, a todo custo, neste apagar das luzes da campanha eleitoral.

Adriano Araújo, candidato da situação, esgoela-se para herdar o espólio do atual prefeito, com seus méritos, equívocos e descasos à frente dos destinos de Curaçá durante aproximados oito anos, período razoavelmente suficiente para qualquer administrador público, se tiver vontade, ajustar-se ao desejo de soerguimento social de sua gente.

Adriano Araújo/Reprodução facebook

Murilo Bonfim, candidato da oposição e do Partido dos Trabalhadores (PT), coadjuvado pelo apoio do governador, que visitou o município e prometeu mundos e fundos à população, tenta galgar a administração municipal dizendo-se apto e ciente de que vai consertar Curaçá.

Murilo Bonfim/Reprodução facebook

Deus lhe proteja nessa empreitada, se for eleito. Desejo o mesmo ao seu adversário nessa disputa eleitoral.

Aprendi com os mais velhos, nos barrancos curaçaenses do Riacho da Várzea, que “nem tudo que reluz é ouro”. Logo, o cumprimento de promessa de político feita em ano eleitoral não é confiável, no mínimo deve ser vista com reservas.

Todavia, o que impressiona este escrevinhador é o sofrível nível da campanha eleitoral de Curaçá e a deselegância destilada em redes sociais por apoiadores apaixonados dos dois lados, muitos deles sem nenhuma noção do que sejam disputas eleitorais sadias que engrandecem o debate democrático.

Talvez esses apoiadores desconheçam que discordar e antagonizar de forma civilizada são fortes pilares de sustentação da democracia.

O confronto de ideias não deve submergir à pequenez das incompreensões e aos empecilhos das interpretações.

Contudo, os candidatos a prefeito têm-se mantido de forma civilizada, o que é louvável.

Beira ingenuidade a expectativa que apoiadores dos dois candidatos dizem esperar do futuro prefeito a ser eleito neste mês de outubro.

Os feitos do atual gestor foram ofuscados pelas críticas dos adversários, nem sempre sustentáveis, de modo que o candidato do prefeito – que participou da administração e mesmo assim – se vê incapaz de desmontá-las.

Das duas, uma: ou falta robustez de argumentos para justificar os feitos do prefeito ou sobra incapacidade de argumentar.  

De outro turno, indubitável é que uma das qualidades do PT, dentre poucas, é entender de campanha eleitoral e inflar o ambiente político com supostas expectativas de vitória, incluídos aí delírios e lorotas.   

O PT tem militância aguerrida, habilidade e métodos capazes de convencer os incautos de que seus candidatos são os melhores. O problema é quando o PT chega ao poder, mas esta é outra história.

Os dois lados da disputa de Curaçá fizeram muito barulho nesta campanha.

Entretanto, barulho não ganha eleição, mesmo que amparado em generoso fundo eleitoral, dinheiro público jogado às traças e ao lixo das ruas, por força de nossa generosa legislação.

Contudo, o pára-choque fundamental para coibir desmandos e orientar eficazmente a atuação do gestor, qualquer que seja ele, é a escolha dos membros da Câmara Municipal.

Se forem eleitos vereadores sérios e responsáveis – e Curaçá, neste particular, tem bons candidatos – a população estará segura de que haverá vigilância e fiscalização aos atos do Executivo, independentemente do prefeito escolhido nas urnas.

De qualquer modo, na condição de curaçaense de Patamuté, resta-me esperar que a voz das urnas se decida por um prefeito que corresponda aos interesses prementes da população. Assim, relativamente à escolha dos vereadores.

De todo modo, vamos nos curvar ao dizer das urnas, que são soberanas.

Minha esperança é que o distrito de Patamuté, desta vez, passe a ser bem representado na Câmara Municipal.

As coisas por lá andam muito difíceis.

araujo-costa@uol.com.br  

Na Bahia, as águas estão correndo para o mar de Rui Costa

“O PT é um partido de trabalhador que não trabalha, estudantes que não estudam e intelectuais que não pensam”. (Roberto Campos, economista, escritor e diplomata, 1917-2001)

As expectativas quanto às eleições municipais de outubro próximo já estão indicando fragorosa derrota do Partido dos Trabalhadores (PT), assim como em 2016.

No primeiro mandado de Lula da Silva, o PT elegeu prefeitos em 9 capitais e elevou o patamar para 411 prefeituras.

Em 2020 o número despencou para 183 prefeitos e nenhuma capital de estado.

Em 2016 o vexame foi maior.

Neste 2024, as pesquisas sinalizam que o lulopetismo vai perder as eleições na região do ABC paulista (7 municípios), berço político de Lula da Silva, de modo que nem em São Bernardo do Campo há esperança do morubixaba de Caetés ganhar a Prefeitura.

O PT chafurdou na lama dos escândalos de corrupção, petrolão e mensalão, por exemplo, dentre outros e tapetou o caminho com arranhões morais tais que inviabilizaram a seriedade do partido.

Um partido que tem Gleisi Hoffmann (PT-PR) como presidente nacional não pode ser um partido sério.  

Aliás, falta de seriedade não é característica ou privilégio somente do PT. Nossos partidos políticos são excrescências, trampolins para dirigentes partidários ganharem dinheiro e fatias de poder nos governos de plantão.

A presidente nacional do partido distribuiu vídeo em data recentíssima, falando em nome do PT, dizendo que a culpa pelas queimadas e desmatamentos é do ex-presidente Bolsonaro.

Inacreditável. Lula da Silva e o PT estão no governo desde 01/01/2023, até aqui não conseguiram governar e cumprir as promessas da campanha eleitoral e, mais de um ano e meio da posse, ainda culpam o presidente anterior pelos desmandos que não conseguem controlar e/ou extirpar.   

O PT não conseguiu descer do palanque de 2022 e está fazendo o que sempre fez: procurar culpados e empurrar para seus adversários os erros que continuadamente comete. Trata-se do “nós e eles”, idiotice criada por Lula da Silva.

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ferrenha crítica do governo Bolsonaro, simplesmente desapareceu, escafedeu-se. Aparece somente em situações protocolares, exatamente porque não tem como justificar a derrocada da atuação do Ministério que comanda ou não tem condições de comandar.

A ministra Marina Silva agora quer dividir a responsabilidade do governo com a sociedade. Segundo ela,  “tudo o que precisava ser feito, a gente está fazendo. Agora, é preciso que a gente entre em uma lógica de a sociedade também se responsabilizar.” (entrevista ao UOL, 11/09/2024).

Sua Excelência está visivelmente constrangida e sem rumo.

Parêntese: estão calados os artistas brasileiros que tumultuaram o governo Bolsonaro alegando descaso com os índios yanomamis, desmatamento, queimadas e garimpos ilegais, dentre outras acusações.

A explicação é simples: esses artistas hipócritas estão pendurados na lei Rouanet, que o governo Lula escancarou em benefício deles e desfrutando as benesses do governo petista. São partes dos sanguessugas do lulopetismo.

Segundo a Agência Brasil, 63 artistas foram cantar na posse de Lula e paparicá-lo. Não há lei Rouanet que resista a tantos encantos e a tantos hipócritas.

Mas o assunto central deste artigo é Rui Costa, ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil de Lula da Silva.

Rui Costa e Jerônimo Rodrigues/Crédito PT Bahia

Ao apagar das luzes de seu governo, Rui Costa (PT) comprou uma cinematográfica fazenda na região de Itagibá e Ipiaú avaliada em R$ 1,5 milhão.

Ato contínuo, “o governo da Bahia gastou 3,9 milhões de reais para recuperar o aeródromo de Ipiaú, cidade localizada a 360 quilômetros de Salvador, onde Rui Costa adquiriu uma fazenda entre o final de 2022 e o início de 2023”, segundo publicou o UOL.

A Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA) cuidou da obra.

“A obra foi iniciada em 2022, último ano de Rui Costa como governador, e concluída em junho de 2023, já sob a gestão de seu sucessor, Jerônimo Rodrigues” (O Antagonista, 18/09/2024).

Com muita eficiência, o que não é comum nos governos petistas da Bahia, o sucessor Jerônimo Rodrigues (PT) deu continuidade à reforma do  aeroporto de Ipiaú, vizinho à fazenda do chefe e já o inaugurou, salvo engano em 11/09/2024.

Como diz o ditado, “as águas só correm para o mar”. Desta vez, para o mar de Rui Costa.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva e o Judiciário, a lógica da incongruência.

Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em jantar com Lula da Silva/Reprodução UOL

Lula da Silva convidou todos os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem exceção, para um rega-bofe na noite de 18/09/2024 na Granja do Torto, residência oficial de lazer do presidente da República.

Quem pagou a conta do caro convescote?

Evidente que os pagadores de impostos, ou seja, todos nós, mesmo e incluídos os famintos e os desamparados sobre os quais pesa a espada do poder opressor.

Dentre os atuais 31 ministros do STJ, 23 compareceram.

Comeram, beberam, sorriram, ouviram as lorotas de Lula da Silva contra o ex-presidente Bolsonaro, que é o esporte preferido do morubixaba de Caetés e foram-se para suas casas, satisfeitíssimos, buchos cheios de comidas e bebidas caras que só a elite pode desfrutar.

Enquanto isto, multiplicam-se nas ruas e nas praças pessoas famintas, mormente nos grandes centros urbanos. Em São Bernardo do Campo, terra de Lula da Silva, aumentam pedintes e desamparados de toda ordem.

Se num lampejo de lucidez uma dessas pessoas gritar por comida corre o risco de ser presa por atentar contra o Estado de Direito.

Vimos isto recentemente em Brasília, quando um morador de rua e um vendedor de água e bonés em semáforos foram presos de forma truculenta e amargaram a prisão porque circulavam em meio a pessoas que protestavam.     

Não se sabe com que objetivo o presidente da República convida todos os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para falar mal do ex-presidente.

O ex-presidente Bolsonaro está até o pescoço com investigações e problemas no Judiciário, mas esta é outra história.

Agride a lógica um jantar com fins estritamente sociais, quando o assunto principal foi falar mal do ex-presidente.

Ou estamos diante da lógica da incongruência.

As ditaduras começam assim, sutilmente.

A Venezuela, por exemplo.

A ditadura chavista cooptou o Judiciário de lá que é cegamente a favor do ditador Nicolás Maduro, que Lula da Silva admira.  

O filósofo francês Montesquieu (1689-1755), que criou a teoria de separação dos poderes, independentes e harmônicos entre si, certamente não tinha pensado neste lado: a vaidade confusa dos membros dos três poderes.

Entretanto, acredito num Poder Judiciário sério, moralmente inflexível e cumpridor de suas tarefas legais e constitucionais.

Assim devemos ensinar às gerações de hoje e levantarmos o archote da esperança.

araujo-costa@uol.com.br   

Chorrochó e o alicerce que ninguém pode destruir

Dorotheu Pacheco de Menezes no dia da emancipação/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

O município de Chorrochó alcança 70 anos de emancipação política neste 12 de setembro de 2024 aos trancos e barrancos. Mais aos trancos do que aos barrancos.

É constrangedor constatar que Chorrochó registra poucos avanços. Sucessivas gestões titubeantes ofuscaram as prioridades do município.

O aniversário de Chorrochó comporta outro registro, desta vez relativamente ao Legislativo.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do município. E a construção se faz com decisões legislativas firmes e respeito à história e às tradições.

Há senões gritantes que ofuscam o caminhar de Chorrochó.

Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

Por exemplo, a Câmara Municipal até hoje, salvo engano, não votou a oficialização do Hino e da Bandeira de Chorrochó, o que chega a ser um descaso.

De outro turno, do alto de minha ignorância não entendo porque o prefeito precisa editar um ato decretando o dia 12 de setembro como feriado municipal quando, em regra, o feriado municipal decorre de lei criada e votada pela Câmara Municipal.

É o que se vê no Decreto 028, de 09/09/2024 que preceitua em seu artigo 1º: “Decreta feriado municipal no dia  12 de setembro de 2024 (12/09/204), quinta-feira, alusivo ao ANIVERSÁRIO DA CIDADE”.

Das duas, uma: ou não há lei votada pela Câmara definindo o dia 12 de setembro como feriado municipal ou o decreto é desnecessário. Se houver lei, ela por si só se sustenta e prescinde de decreto regulando o mesmo assunto já estanque.         

Tirantes alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município. Faltou inquietude, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população.

Cerimônia da emancipação: Ao centro o governador Régis Pacheco e a professora Maria Nicanor de Menezes/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

Historicamente, a Câmara tem sido generosa em dizer amém ao Poder Executivo Municipal e não avançou em direção aos interesses mais prementes da sociedade.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre o município de Chorrochó, hoje quedo-me mais aos seus encantos, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurássicos e outros tantos que os entendem inconvenientes e abelhudos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) escreveu que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Insisto em ser otimista, neste particular: que nos próximos aniversários, os munícipes chorrochoenses tenham o que comemorar. Ainda não têm.

A data é propícia para citar nomes daqueles que, dentre muitos, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda permaneça em pé, embora cambaleando:

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos.

Que os vereadores enxerguem, além da alvorada que eles nunca vêem, novos horizontes, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária.

A data requer outra observação.

Apresentada ao público pela primeira vez no desfile cívico de 12/09/1984, a Bandeira de Chorrochó ainda não foi oficializada pelo município, por razões difíceis de entender.

A Bandeira foi idealizada por uma equipe constituída de Dr. Francisco Afonso de Menezes, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes, José Juvenal de Araújo, Maria Creuza Miranda dos Santos Araújo e Marina Maria de Araújo Menezes.

De qualquer forma, inobstante o descaso com que as administrações mais recentes têm tratado a história de Chorrochó, os alicerces fincados por Dorotheu Pacheco de Menezes são difíceis de ser destruídos, apesar das conhecidas e inegáveis tentativas.

O nome de Dorotheu Pacheco de Menezes tem sido omitido, esquecido, desprezado. Isto não é bom – e nunca será – para a biografia dos que hoje decidem o futuro de Chorrochó.

A história de um povo, qualquer que seja ele, deve ser contada com isenção, sem ressentimentos, sem a pequenez dos desvios e viés políticos e, sobretudo, deve assentar-se na grandeza de propósitos.

Chorrochó está precisando mostrar sua história e não escondê-la.  

Que Sua Excelência o prefeito Humberto Gomes Ramos, neste ocaso de sua cambaleante administração e os excelentíssimos e digníssimos vereadores tenham sucesso em suas atuações em prol de Chorrochó e de seu povo.

Parabéns Chorrochó.

Post scriptum:

Lembro, com tristeza, que este é o primeiro 12 de setembro que não podemos comemorar o aniversário de nascimento da professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, filha de Izabel Argentina de Menezes (D. Biluca) e de Dorotheu Pacheco de Menezes, esteio e baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: Vereador Rogério Bahia deve ser reconduzido à Câmara Municipal

“Não se pensa sobre o futuro sem julgar o presente.”  (Celso Furtado, 1920-2004)

Vereador Rogério Bahia/Arquivo pessoal do vereador

O município de hoje – qualquer que seja ele – está asfixiado por comodismo, incompreensões e vaidades.

A Câmara Municipal que representa o povo faz proposições, solicitações, consultas, pedido de informações, indicações, moções e, precipuamente, cuida da criação das leis, além de atribuições outras que lhe são adstritas.

É um cipoal de atribuições sob a responsabilidade do vereador que pode servir-se delas para trabalhar em benefício da população.

Por óbvio, os vereadores têm papel fundamental na vida da sociedade local, de modo que se agigantam à medida em que se preocupam com a população e suas demandas mais prementes.  

Entretanto, muitos se enveredam pelo caminho dos interesses pessoais, aliam-se ao chefe do Executivo e muitos deles simplesmente passam a legislatura referendando atos do Poder Executivo, de tal forma que se apequenam e arranham a nobre função de vereador.

Ouso conjecturar que também é dever da Câmara Municipal se manter em permanente vigília em favor da população e não somente através de discussões protocolares aventadas por ocasião de sessões convocadas por força regimental.

Trata-se de perspectiva de mudança das mentalidades, de vislumbrar luz para clarear e interpretar os anseios da população.

Contudo, a nobreza do vereador é sustentar-se na soberania do voto popular e direcionar-se em consonância com a vontade do povo. Não há credencial mais legítima, mais lídima, mais pujante.

O vereador Rogério Quintino Bahia tem seguras chances de ser reconduzido à Câmara Municipal.

Rogério Bahia é advogado com sólida experiência em seu mister, educado no Colégio Dr. Edson Ribeiro, de Juazeiro e graduado pela UNIFENAS de Minas Gerais, universidade bem situada e reconhecida no contexto da educação nacional.    

O pai Gilberto Bahia Filho (Gilbertinho) e o avô Gilberto da Silveira Bahia foram prefeitos de Curaçá, de modo que tradição, conhecimento político e experiência lhe credenciam para continuar na Câmara Municipal.

Rogério Bahia tem histórico de dedicação ao município: é de sua autoria o Código de Cultura de Curaçá e a lei que tornou de utilidade pública o Acervo Curaçaense, que cuida da preservação da história de Curaçá, dentre outras atribuições.

Ademais, Rogério Bahia tem atuado em favor do trabalhador rural e da agricultura familiar. Como parte dessa atuação, vem viabilizando poços artesianos, cisternas e forrageiras tão fundamentais para o dia a dia do homem do campo.     

Dinâmico, preparado intelectual e politicamente, a continuidade do insigne vereador Rogério Bahia na Câmara Municipal pode significar novos caminhos e a esperança de um novo amanhecer para Curaçá.

araujo-costa@uol.com.br