Antes de tomar posse como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Justiça Flávio Dino assumiu o cargo de senador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) para o qual havia sido eleito em 2022. Ou seja, passou por lá.
Como diriam os franceses, esteve no Senado en passant, de passagem.
Flávio Dino ficou no Senado Federal poucos dias, cerca de vinte dias, o suficiente para receber aproximados R$ 44 mil de salário, mais verba de gabinete que serve para apadrinhar os cupinchas, também conhecidos como ocupantes de “cargos em comissão”, de livre nomeação do senador. São os camaradas, amigos etc. Mais as mordomias do cargo.
Ressalte-se que é direito de Sua Excelência, está na lei. Ele não fez nada errado.
São os privilégios da elite política.
“O número total de ocupantes de cargo em comissão lotados em um único Gabinete Parlamentar não poderá exceder a cinquenta.” (Band, 31/01/2023). Está no Regulamento Administrativo do Senado. Ou seja, cada senador pode empregar, se quiser, até 50 amigos.
Na Câmara dos Deputados, “o valor mensal da verba de gabinete é R$ 111.675,59. Ele serve para pagar os salários dos secretários e funcionários, que não precisam ser servidores públicos e podem ser escolhidos pelos parlamentares, ou seja, ocupam cargos comissionados.” (Band, 31/01/2023).
Em 22/02/2024 Flávio Dino tomará posse no Supremo Tribunal Federal.
Diz ele que vai tirar a roupa de político e vestir a toga.
Quaisquer que sejam eles, os vices parecem estar em qualquer lugar, mas não estão em lugar nenhum. São uma espécie de limbo ofuscado pela atuação do titular.
Os vices vivem em permanente e estranha expectativa.
O jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara, tem uma lapidar definição para os vices: “São como os ciprestes, crescem à beira dos túmulos”.
Inobstante razoável a observação, acho que Sebastião Nery foi cruel demais. É exceção o vice crescer em razão da morte do titular. Quase sempre desabrocham sustentados em circunstâncias outras e até por liderança própria que chegam a cavar com sucesso, mesmo à sombra do titular.
Quando não há rusgas ou desconfianças, titulares os escolhem para exercerem funções no Executivo. Assim acontece nos âmbitos municipal, estadual e federal.
Não deixa de ser uma forma de apadrinhá-los com salários e mordomias do cargo. Como dizia o político paraibano José Cavalcanti, de São José de Piranhas,”dinheiro por onde passa amolece”.
Em nossa combalida República, o esperto presidente Lula da Silva – que entende tudo de malandragem política – escolheu o vice-presidente Geraldo Alckmin para ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Assim, Lula o segura como subordinado – enquanto ministro – e o mantém nas rédeas ao seu redor, evitando que lhe cresçam as asas de vice e passe a voar por aí, traindo a torto e a direito na penumbra da esperteza.
O lulopetismo até hoje não engoliu a conduta de Michel Temer, vice de Dona Dilma Rousseff a quem acusa de traidor. Coisas da política.
Há os vices que traem e engendram estratégias para dificultarem o cargo do titular, o que nem sempre dá certo, mas há vices leais, absolutamente leais.
Em Curaçá, município baiano do Submédio São Francisco, o prefeito Pedro Oliveira nomeou o jovem bonfinense e seu vice-prefeito Adriano Araújo para secretário da Saúde.
Salvo engano, continua secretário.
Dizem entendidos em assuntos do município, que o prefeito está preparando o vice Adriano Araújo, de 32 anos, para sucedê-lo, embora outros nomes próximos ao alcaide e de sua predileção também estejam no páreo. Há pretendentes por todos os lados. A rapadura é doce.
Tentei contato com o vice-prefeito Adriano Araújo para fazer uma matéria neste blog sobre sua atuação na Secretaria e pretensões políticas, mas ele não deu retorno.
Silêncio ou recusa dá na mesma.
Pressuponho que a fama de Sua Excelência não lhe permite conversa com este insignificante curaçaense de Patamuté. Ou anda muito ocupado com a saúde do município, o que é louvável e não deve ter tempo para desperdiçar em conversas.
Entretanto, minha diminuta inteligência me permitiu pressupor que o silêncio resultou da subida posição que Sua Excelência ocupa no contexto político de Curaçá.
A sabedoria mineira diz que ninguém sabe o que calado quer. Assim, parece haver uma incompatibilidade entre prepotência e política, de modo que o político sábio é o que expõe suas ideias, lançando-as ao crivo da população e submetendo-as às críticas.
Mesmo que suas ideias se dissipem como cinzas ao vento, o político precisa ostentá-las, torná-las conhecidas. Ou terá voo curto.
Sondei alguns amigos de Curaçá para colher impressões e inteirar-me sobre Sua Excelência o vice-prefeito e um desses amigos ponderou: “Não perca tempo com isto. Você não tem o que fazer aí”?
Tenho.
De qualquer modo, acho que o vice-prefeito de Curaçá tem mais o que fazer do que perder tempo em conversa com jornalista.
Jorge Jazon em foto de 2014. À esquerda o irmão James/Álbum de família
Em idade septuagenária, já descambando para o despenhadeiro da senectude, ainda me resta intacto o dever de agradecer nalgumas quadras da vida.
Agradecer muito e a muitos amigos, parentes, aderentes e até admiradores que assim se declaram.
Modéstia à parte, tenho alguns poucos admiradores. Coitados!
Nesta altura da vida, não preciso me envaidecer de nada, não preciso dizer-me pessoa boa, já que exemplo nunca fui.
Sempre tentei afastar o pedantismo, a arrogância, a tentativa do narcisismo que sempre bate à porta.
Ainda assim, há amigos que dizem que tenho estilo pedregoso de convivência, às vezes indiferente, outras tantas frio e arredio.
Concordo. Eles têm razão. É que a vida me empurrou para algumas encalacrações e encruzilhadas difíceis e, em razão disto, tenho dificuldades de aceitar arranhões à lógica da amizade.
A vida ensina às vezes com muito rigor.
Inquieto-me quando constato a degenerescência das amizades, a tecnologia distanciando os amigos, as conversas sadias cada dia ficando mais escassas, os contatos cada vez mais monossilábicos, os encontros sendo substituídos por desencontros.
Hoje fala-se o necessário, o urgente, o que é de interesse no momento. Esticar conversa em alguns momentos chega a ser gafe neste mundo de egocêntricos e sobremaneira tensionado pelas atrocidades.
A vida me ensinou – ou me empurrou – a gostar do silêncio, da solidão, da reflexão, dos questionamentos filosóficos.
Ensinou a auscultar ao redor, tentar entender as armadilhas do tempo, aceitar minhas limitações, conviver com as repreensões barulhentas do meu interior.
Mas o assunto aqui é outro. Ei-lo.
Em 27/01/2024, no decorrer do novenário de Senhor do Bonfim de Chorrochó, tive a subida honra de contar com a atenção e o acolhimento de Jorge Jazon Menezes que se deu ao trabalho de ler, durante a solenidade religiosa, uma carta aberta que fiz dirigida aos devotos do excelso padroeiro de Chorrochó.
A carta não foi arroubo de pretensão ou diletantismo, mas estribada na saudade do lugar e na urgência de amparar-me na fé tão necessária à continuidade da luta, enquanto há saúde e tempo para seguir adiante na tentativa de realizar os últimos sonhos da mocidade ainda não desfeitos.
A circunstância do gesto de Jorge Jazon Menezes me trouxe o dever de agradecer. Sua experiência e oratória brilhante enriqueceram o conteúdo de meu pensamento expresso na carta.
Jorge Jazon Menezes dispensa apresentações. É sobejamente conhecido, amado e reverenciado por amigos, familiares e conterrâneos.
Seu caráter é referência, modelo, luz para os jovens de hoje que pretendem ocupar lugar de decência e grandeza em qualquer tipo de sociedade, robustecer a conduta, aparar as arestas da mediocridade.
Jorge Jazon descende de família tradicional. Suas raízes ficam-se na estrutura familiar Menezes/Pacheco/Cordeiro, honra e glória de Chorrochó.
A mãe Maria Ita de Menezes, dentre outras qualificações, é professora, mestra na arte de ensinar, esteio da educação do lugar, exemplo de algumas gerações.
O pai José Jazon de Menezes, também de família tradicional, foi serventuário da Justiça estadual da Bahia e um dos pilares da honradez da sociedade chorrochoense.
Registro e deixo aqui meus agradecimentos ao ilustre filho de Chorrochó.
Pressionada pela enxurrada de críticas nalguns órgãos sérios de imprensa e memes que circulam nas redes sociais, conhecida jornalista, que não esconde ter optado pelo ridículo, teve que admitir na GloboNews e também no Portal G1, informações falsas que havia publicado espalhafatosamente, como é seu estilo.
Escancaradamente a Globo divulgou notícia falsa, que tanto critica. E neste particular, ao criticar, está correta.
Na última segunda-feira (29), a referida jornalista da GloboNews, afirmou ao vivo, em rede nacional, que “a Polícia Federal apreendeu com o vereador Carlos Bolsonaro (RJ) um computador da Agência Brasileira de Inteligência”, a Abin.
A jornalista disse outras asneiras, escudada, segundo ela, em “fontes exclusivas”.
Entretanto, a Polícia Federal negou o fato, desmentiu a notícia falsa da Globo. E só aí a emissora veio a público – e nos mesmos espaços – para dizer que a notícia publicada pela destemperada jornalista estava errada.
De todos os órgãos noticiosos que publicaram a matéria, somente a Globo destoou, mudou o caminho da decência jornalística: distorceu os fatos para adequar-se ao viés ideológico que atualmente apoia.
A espalhafatosa jornalista da Globo cometeu outros exageros que não espelham fielmente a verdade.
Ou porque não tem fontes confiáveis ou porque não soube apurar, checar, certificar-se, como é dever de todo e qualquer jornalista.
Todavia, circunscrevo-me a esta notícia.
Como se vê, nestes e noutros casos, o Grupo Globo está em franco declínio ético no que tange ao seu jornalismo, antes visto como sério.
Jornalistas da Globo estão se deslocando do dever de bem informar para o campo da militância político-partidária.
Jornalista que se preza não mistura profissão com militância política.
No exercício da profissão, o jornalista deve despir-se de sua ideologia.
Chega a ser patético, apresentadores e comentaristas da GloboNews, por exemplo, fazerem contorcionismo de palavras com o intuito de defender atos e figuras do governo de plantão.
Diante de tamanho puxa-saquismo, o professor Raimundo diria: “Menos, menos…”
O Partido dos Trabalhadores adentra o segundo ano deste terceiro mandato do presidente Lula da Silva chafurdando entre o radicalismo e a ânsia de tentar negar e esconder os erros do passado.
O presidente Lula da Silva, maior estrela do partido, está um pouco fragilizado em razão da idade, alguns problemas de saúde já contornados, mas não perdeu a pose de boquirroto e anda por aí dizendo asneiras como, aliás, é do seu feitio.
Assim foi nalgumas viagens internacionais, assim está sendo internamente. Os vexames têm sido constantes.
O PT fala em democracia como se a praticasse plenamente. O partido é hipócrita, dissimulado, incongruente, contraditório.
Lula apóia ditaduras cruéis e se diz democrata.
Lula defende Cuba, que fuzilou centenas de nacionais e mantém outros milhares na miséria; defende a Venezuela, que prende jornalistas e adversários do presidente-ditador; defende a Nicarágua, que encarcera e expulsa padres e outros religiosos.
Em Cuba, “fuzilamentos desde a instauração do regime castrista podem ter chegado à casa de 17 mil” (Folha de S.Paulo/Mundo, 21/03/2010).
O regime jurídico implantado pelo ditador Fidel Castro criminaliza a oposição, julga e fuzila adversários.
Lula da Silva apóia este regime. Derrete-se pela ditadura cubana, mas se diz democrata.
A imprensa bajuladora delira com os discursos do presidente.
De janeiro a outubro de 2023, Lula da Silva despejou no Grupo Globo R$ 66,1 milhões em publicidade. A Globo foi agraciada com o primeiro lugar em verbas publicitárias do governo federal.
“Em 2023, a emissora recebeu mais recursos da propaganda oficial que todos os outros grupos de TV somados” (Veja, 22/01/2024).
Deu resultado. A Globo, suas afiliadas e penduricalhos vivem bajulando o presidente Lula e dando destaques para seus feitos, mesmo que não mereçam nenhum destaque.
Comentaristas e apresentadores do Grupo Globo se engasgam com suas palavras tentando colocar Lula da Silva em pedestal inalcançável para mortais comuns.
Chega a ser patético o esmero dos jornalistas globais em defesa de Lula da Silva.
A Globo o espinafrava antes e durante seu período de declínio e prisão.
O dinheiro, de fato, por onde passa amolece.
Agora José Genoino, ex-presidente nacional do PT e histórico guerrilheiro do Araguaia, saiu-se com uma fala impressionantemente abominável: sugeriu que os brasileiros boicotem as empresas de judeus e deixem de comprar dessas empresas.
Instituições judaicas reagiram. Brasileiros reagiram. O PT silenciou.
O conteúdo do que foi dito por José Genoino é tão inaceitável que dispensa qualquer comentário mais aprofundado.
As prisões e os tropeços pelos quais José Genoino passou não lhe serviram para amenizar o radicalismo, tampouco afrouxar suas posições extremas.
O PT não consegue se equilibrar entre os descalabros que inventou e pôs em prática – mensalão, petrolão, corrupção, defesa de ditaduras – e a necessidade de se firmar como partido político sério.
O passado não o ajuda.
A presidência nacional do PT está entregue à deputada Gleisi Hoffmann (PR), expoente do radicalismo lulopetista.
Em data recente, parlamentar fluminense e dirigente nacional do PT agrediu fisicamente um colega de Câmara, desferindo-lhe tapa no rosto e vociferando impropérios.
Ficou por isto. Sequer uma repreensão do PT.
O dilema do PT é oscilar entre o radicalismo e a necessidade de parecer partido sério. É o avesso da lógica.
O partido não consegue se desvencilhar de suas catástrofes morais.
Marieta Argentina de Menezes/Arquivo Professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes
A história de Chorrochó registra que em 03.12.1939 a professora Marieta Argentina de Menezes formou-se pela Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, de Petrolina, tradicional estabelecimento de ensino daquela cidade pernambucana.
Sabe-se que foi a primeira professora formada em magistério no município.
Quando Chorrochó ainda engatinhava em busca de seu próprio destino, a professora Marieta desempenhava, com altivez, o glorioso ofício de ensinar.
Ensinou respeito, ensinou dignidade, ensinou o caminho para que seguidas gerações vislumbrassem os horizontes que sonhavam.
Chorrochó ainda não prestou o reconhecimento a essa que foi um dos pilares da educação local e construtora de sua história.
Embora todos os meus pleitos feitos à Prefeitura de Chorrochó tenham sido peremptoriamente negados pela última safra de prefeitos, insisto em minha insignificância e deixo aqui uma sugestão: quando Chorrochó tiver, se um dia tiver, uma biblioteca municipal à altura do município, seja colocado o nome de Biblioteca Professora Marieta Argentina de Menezes.
A professora Marieta foi, indubitavelmente, um esteio que sustentou a educação e a cultura de Chorrochó durante décadas, não apenas em sua condição de educadora, mas através da participação ativa e permanente na vida da cidade e do município.
Participou significativamente de todos os movimentos sociais, culturais e religiosos de Chorrochó do seu tempo. Destacou-se como exemplo de dedicação à Pia União das Filhas de Maria e ao Apostolado da Oração, instituições históricas vinculadas à Igreja de Senhor do Bonfim.
Quando não se falava em ecologia, verde, sustentabilidade e outros penduricalhos mais que temos hoje, a professora Marieta já plantava árvores nas ruas de Chorrochó para perenizar o respeito à natureza e preparar a mente das novas gerações.
A professora Marieta era católica tradicional, fervorosa admiradora da causa dos Santos da Igreja e firme defensora dos valores da família.
Suas palavras sempre foram de alento e esperança, nunca de desânimo, mormente quando em contato com os jovens.
Teve uma visão de futuro que as gerações de hoje desconhecem. E desconhecem porque a história de Chorrochó vem definhando, em razão da falta de empenho dos órgãos que têm o dever de sustentá-la.
Tenho dificuldade de entender porque pessoas que construíram a história de Chorrochó sempre foram deixadas à margem das preocupações das instituições municipais que se dizem empenhadas em cuidar da cultura do lugar.
Mesmo em sua senectude a professora Marieta não permitiu que se ofuscasse o brilho de grande mestra e exemplo inegável de vida.
Ostentava, com dignidade absoluta, o símbolo da mulher de Chorrochó, parâmetro de como se deve viver em sociedade: elegante, educada, respeitadora, humilde, extremamente ética.
Marieta Argentina de Menezes/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes
Marieta Argentina de Menezes faleceu em 24.03.2018 aos 100 anos.
“Quando a lama virou pedra e mandacaru secou, quando ribaçã de sede bateu asa e voou.” (Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga)
Os mais experientes e abalizados pesquisadores do semiárido nordestino são os sertanejos de rosto vincado pelo tempo, sol escaldante, sofrimento diário e ininterrupto. Esses entendem de tudo, quando o assunto é seca, Nordeste, intempéries e experiência de luta.
Não frequentaram universidades, nem fazem parte de doutos institutos de pesquisas.
A imprensa vem noticiando, com estardalhaço, que “pela primeira vez, especialistas identificaram uma região de clima árido no Brasil, um dado surpreendente e alarmante que tem uma explicação clara: as mudanças climáticas causadas pelo homem” (G1, 21/01/2024).
“O trecho de quase 6 mil km2 fica no centro-norte da Bahia e abrange toda a área das cidades de Abaré, Chorrochó e Macururé, além de trechos de Curaçá, Juazeiro e Rodelas, municípios baianos que fazem fronteira com o sertão pernambucano”, ainda segundo o G1.
A imprensa contextualiza: “A aridez é a falta crônica de umidade no clima, iniciando um desequilíbrio constante entre oferta e a demanda de água. Ela é permanente e, por isso, difere da seca, período temporário de condições normalmente secas” (G1, 21/01/2024).
Os especialistas que “pela primeira vez identificaram uma região de clima árido no Brasil” estão atrasados pelo menos alguns séculos, com toda e respeitosa data venia, elevado e absoluto respeito à Ciência, aos pesquisadores e às instituições que cuidaram do estudo.
As calamidades oriundas das secas veem de séculos. Tem-se registro de seca intensa já em 1792.
A história registra grandes secas no Nordeste de 1877 a 1879. Ainda no Império, o Brasil perdeu entre 400 e 500 mil pessoas, em razão da seca desse período.
Não havia água, não havia umidade do clima.
Já àquela época houve emigração em massa. O êxodo de nordestinos em direção a outras regiões se acentuou em razão das grandes estiagens, atestando que já havia “desequilíbrio constante entre a oferta e a demanda de água”. Agora os pesquisadores definem a escassez de chuvas como aridez. Ou não?
São conhecidas, por exemplo, as estiagens prolongadas cearenses, a desertificação e o descalabro causados pela seca de 1915.
“Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo dos sacos vazios, na descarnada nudez das latas raspadas.” (Rachel de Queiroz, O Quinze).
O sofrimento nordestino é retratado, dentre muitas passagens da história, em A Triste Partida, do poeta cearense Patativa do Assaré, eternizada na voz de Luiz Gonzaga; em Vidas Secas, de Graciliano Ramos e em tantos outros registros inquestionáveis.
Não tenho nenhum conhecimento científico para questionar preparados e dedicados pesquisadores, mas de novo, data venia, ouso afirmar que se trata apenas de uma constatação e não de uma novidade.
Faço minha pergunta de leigo, quiçá de ingênuo escrevinhador: os pesquisadores, para robustez de seu estudo, ouviram sexagenários, septuagenários, octogenários, outros tantos e, sobretudo, jovens universitários da região, para embasar esse estudo que reputo questionável?
O sertão da Bahia não pode ser uma estatística, mas uma realidade. A realidade do Nordeste é o próprio nordestino.
Salvo engano, o interesse por estudos dessa natureza veem se prolongando há pelo menos 60 anos.
Em consequência, o retro aludido estudo é respeitável e meritório, mas daí a acrescentar grande novidade à situação climática da caatinga da Bahia, não parece surpresa razoável, tampouco alarmante. Preocupante, sim. Sempre foi preocupante. Sempre será preocupante.
Qual a novidade em constatar que no centro-norte da Bahia há “escassez forte de chuvas”, como diz o estudo?
Post scriptum:
O estudo foi feito pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), duas respeitáveis instituições.
Ministro Benedito Gonçalves. Foto: Gustavo Lima/STJ/Divulgação/Estadão
Benedito Gonçalves, antes discreto ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), está surfando na fama e na mordomia.
A grande imprensa o transformou em estrela porque, na condição de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Corregedor-Geral Eleitoral, foi o relator do processo que tornou inelegível o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
O voto do ministro foi decisivo para extirpar Bolsonaro das próximas disputas eleitorais.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) está reformando o imóvel onde Sua Excelência passará a residir no Lago Sul, região nobre de Brasília.
Custo da reforma: R$ 950.868,81. Quase R$ 1 milhão.
Quem paga a reforma milionária da casa do ministro?
Resposta simples, lógica, previsível: Os impostos dos sofridos brasileiros.
“Segundo a ONU, o Brasil tem 21 milhões de pessoas que não têm o que comer todos os dias” (UOL, 19/01/2024).
O ministro não deve saber disto e quiçá nem lhe interessa saber.
O importante para Sua Excelência deve ser o conforto. Afinal, o homem é famoso, trabalha muito, faz parte da elite intocável.
O imóvel é funcional, ou seja, é destinado pela República a residência de autoridades. De graça.
Esta anomalia vem do tempo da construção de Brasília. O presidente Juscelino Kubitscheck criou as residências funcionais para viabilizar a mudança de servidores públicos da então capital federal Rio de Janeiro para Brasília. Compreensível à época.
A incongruência persiste até hoje. A elite não muda esta realidade, não quer mudar, não interessa mudar.
Mesmo o ministro do STJ ganhando salário base de aproximadamente R$ 39,5 mil, mais penduricalhos e mordomias do cargo que os tornam estratosféricos ditos vencimentos, nós pagamos para ele morar em bairro elitista de Brasília.
Creiam. O Brasil tem jeito.
Basta investir na educação, abrir a mente das atuais e futuras gerações.
Em tempo:
“De acordo com o portal Uol, fonte da informação, depois da repaginada, o imóvel deve ser ocupado por Benedito Gonçalves. O nome do ministro não foi confirmado ou negado pela assessoria do STJ” (Diário do Poder, 17/01/2024).
“Nunca interrompa seu adversário quando ele estiver no caminho errado.” (Napoleão Bonaparte, estadista e militar francês, 1769-1821).
Eloy Netto/Reprodução redes sociais
Em política é elementar que o erro do adversário viabiliza a vitória do concorrente.
A julgar pela enxurrada de críticas à administração do prefeito Humberto Gomes Ramos - e não é crítica somente de adversários – é razoável entender que Chorrochó não vai muito bem das pernas.
Então, em quatro assim, resta à oposição de lá deixar o prefeito continuar errando e não atrapalhar o caminho do alcaide para ver se, nas urnas de 2024, ela possa colher algum resultado favorável.
Difícil, todavia. Vislumbrar qualquer vitória dos opositores do prefeito nas eleições de 2024 não está no horizonte eleitoral. É razoável prever que o prefeito Humberto fará seu sucessor tranquilamente. Aliás, ele sempre soube driblar adversários com maestria.
O problema de Chorrochó – e não sei se isto chega a ser um problema – é que não existe oposição vigilante ao prefeito do município, que segue livre, sem nenhum obstáculo no caminho.
Há alguns nomes que se dizem de oposição e outros que, embora se intitulem como tais, são de araque, na linha parece, mas não é.
São de oposição Eloy Netto, José Nilson Rodrigues (Nilsinho), Eliete da Conceição e Marcelo Almeida, se não mudarem a toada e o discurso.
Marcelo Almeida/Reprodução redes sociais
Há outros, dentre esses: Silvandy Costa Alves (Bady) e o ex-prefeito Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião) que se dizem de oposição, mas com atuação morna e sofrível, fato que só beneficia o prefeito Humberto Gomes Ramos.
O vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), que não tem nenhum pendor para o Executivo, parece que escolheu a mesmice, escorado no comodismo, sempre esperando a reeleição para a Câmara Municipal.
A médica Socorro Carvalho que, noutras ocasiões, despontou com grande favoritismo e circulou no campo da oposição, parece desapontada com a seara política e, pelo que se sabe, não está se colocando como opção em 2024, por enquanto.
O fato é que a raquítica oposição de Chorrochó vem se desidratando ao longo dos anos ou, no mínimo, se transformando num tosco e mal acabado monumento à ficção política.
“Em política, sempre é preciso deixar um osso para a oposição roer.” (Joseph Joubert, ensaísta francês, 1754-1824). Este não deve ser o caso de Chorrochó, mas o esfriamento da atuação dos adversários do prefeito é visível.
A oposição de Chorrochó gastou muito tempo laborando na ingenuidade estratégica e não conseguiu sequer assegurar razoável presença na Câmara Municipal nas últimas eleições.
“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se.” (Hegel, filósofo germânico, 1770-1831).
Mas se não há ideias contrárias para aperfeiçoarem a condução da gestão municipal, o prefeito Humberto ostenta as ideias dele. Neste ponto, não está errado, ocupa o vácuo que os opositores não preenchem.
O prefeito Humberto Gomes Ramos (PP) foi reeleito para o atual mandato com 67,99% dos votos válidos, o que retrata a pífia atuação dos adversários.
Nas eleições de 2024 será tudo como dantes.
Convenhamos, um resultado beirando 70% dos votos válidos, mais do que indicação de que a população estava satisfeita à época, significava sólida liderança do prefeito que, pelo que se vê, nada mudou.
Politicamente Chorrochó é o simulacro do Estado.
A Bahia tem índices escandalosos: 51,6% de pobreza, 7 mil mortes violentas em 2022, média de 18 por dia, e situa-se entre os piores índices de qualidade na educação.
Ou seja, a população da Bahia vai mal, mas apoia seguidamente os governantes do Partido dos Trabalhadores (PT), que pouco ou nada fizeram para minorar este estado de coisas.
A solução de todas essas incongruências está em nossos professores, em nossas escolas. São os professores que ensinam a pensar e a discernir a verdade da demagogia.
São os professores que transformam nossos jovens, que ensinam que promessas de campanhas não significam critério de boa escolha nas urnas.
O futuro está nos professores e nas novas gerações. Confiemos.
Observação:
A turma do politicamente correto diria: professoras e professores. Não importa. Há tempo de aprender.
O marechal Arthur da Costa e Silva, segundo presidente do movimento de 1964, editou o Ato Institucional número 5, o AI-5, que suprimiu, barbaramente, a liberdade no Brasil.
O jurista, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e ministro da Justiça Luís Antonio da Gama e Silva redigiu o macabro texto do Ato 5.
Naquele 13 de dezembro de 1968, no Palácio Laranjeiras, Rio de Janeiro, o regime militar passava a ter o poder de fechar o Congresso, cassar mandatos eletivos, suspender o habeas corpus para crimes políticos e confiscar bens. Começava aí o período mais duro da ditadura.
Uma escuridão baixou sobre as instituições nacionais e a ditadura tornou-se mais forte e cruel.
O governo dito revolucionário começou a determinar uma série de prisões de opositores, dentre intelectuais, jornalistas, estudantes, militantes de partidos políticos et cetera.
Um dia, a polícia do Exército prendeu Joel Silveira, sergipano de Lagarto, uma das maiores expressões do jornalismo da época, que escrevia nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.
Joel Silveira/Companhia das Letras
Joel era amigo de Carlos Heitor Cony, também jornalista e opositor do regime militar, mais tarde biógrafo de Juscelino Kubitscheck, membro da Academia Brasileira de Letras e articulista da Folha de S.Paulo.
Joel foi colocado numa cela do Batalhão de Guardas, no Rio.
– Sozinho eu não fico nesta joça. Vão buscar o Cony.
Os soldados saíram à procura de Carlos Heitor Cony e o encontraram a caminho da praia de Ipanema.
– O senhor está preso.
Levaram Cony para o Batalhão de Guardas e o colocaram na cela com Joel.
– Poxa, Joel. Você me dedurou. Estava indo com uma morena para a praia.
– Não estrila, Cony. A vida aí fora está muito difícil. Vamos descansar aqui uns dias.
Ficaram presos e fizeram amizade com a polícia.
Carlos Heitor Cony/Ermira
Joel falou com Magalhães Pinto, dono do Banco Nacional e líder civil do movimento de 1964, para conceder empréstimos aos soldados que viviam numa pindaíba danada.
Dizia Carlos Heitor Cony que foram “as prisões mais avacalhadas” da ditadura, a dele e a de Joel.