Ao centro o ministro Márcio Macedo/Reprodução Diário do Poder
Nada de novo no reinado do PT.
O ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, foi pular o Pré-Caju em Sergipe, levou três assessores pagos com dinheiro público – inclusive o fotógrafo oficial – e quando questionado, disse que não sabia que o dinheiro saiu dos cofres públicos.
O gabinete do ministro, que ele comanda, autorizou o pagamento de R$ 18.559,27 para custear diárias e passagens dos sortudos assessores, segundo fartamente noticiado pela imprensa. Mas o ministro não sabia.
“A compra de passagens pelo Ministro Márcio Macêdo para ‘curtir’, com seus apaniguados, as folias de carnaval fora de época no seu reduto eleitoral, atenta contra a moralidade administrativa e constitui evidente desvio de finalidade no uso de recursos públicos. No caso noticiado, não houve interesse público a ser satisfeito, mas apenas o interesse privado do ministro e de seus apadrinhados, que veio a ser custeado com o suado dinheiro do contribuinte”, disse o subprocurador-geral junto ao TCU (Estadão/UOL,12/01/2024).
O ministro tentou explicar: “Houve um erro onde três assessores foram para Aracaju e utilizaram as passagens com recursos públicos”.
“Erro formal”, disse ele. Simples assim.
Então, tá.
Muito distraído este ministro.
Só faltou dizer que não se lembrava que esteve pulando o tradicional carnaval fora de época Pré-Caju e que seus assessores o acompanhavam.
Baiano de Esplanada, o ministro é radicado em Sergipe, que o elegeu deputado federal por mais de um mandato. Lá tem seu reduto eleitoral.
Professor e biólogo, não se sabe onde Sua Excelência foi encontrar fundamentos tão criativos para justificar tamanha obviedade: o uso indevido de dinheiro público para custear farra de assessores.
A imprensa mostrou exaustivamente a imagem de Sua Excelência pulando o carnaval fora de época, ao lado de Lurian Lula da Silva, filha do presidente Lula. Salvo engano, Lurian apoia o pré-candidato a prefeito de Barra dos Coqueiros (SE) pelo Partido dos Trabalhadores.
“Censura não protege ninguém” (Patrícia Blanco, Instituto Palavra Aberta, Educamídia, 24/03/2022)
A liberdade de pensamento e de expressão está na Constituição e nas leis.
Defender a censura é oprimir, maltratar, espezinhar o que nos resta de democracia.
Não basta sair por aí, alardeando, que o Brasil é um país democrático.
Democracia pressupõe igualdade de direitos e de deveres. No Brasil não é assim.
Que país democrático é o Brasil, onde uma juíza do Rio de Janeiro recebeu somente no mês de novembro de 2023 R$ 1 milhão e 119 mil de salário e penduricalhos, enquanto milhões de brasileiros passam fome, não têm o que comer?
“Com o pagamento de R$ 1.077.872,30 em direitos eventuais, o holerite bruto da juíza bateu em R$ 1.119.493,22. Com descontos de R$ 17.835,47 – não relacionados ao corte pelo teto constitucional -, o rendimento líquido da magistrada foi de R$ 1.101.657,75” (O Estado de S.Paulo, 05/01/2024).
A censura que muitos desejam implantar no Brasil talvez tenha o objetivo de não se publicarem notícias como esta. Preservar as elites inescrupulosas.
Democracia é igualdade de direitos e nesses se incluem ter o que comer, onde morar, educar os filhos, viver com dignidade.
Se assim não for – e não é – democracia no Brasil é para os ricos.
Qualquer sinalização ou tentativa de mudança desse quadro de privilégios, os poderosos se levantam contra. Os exemplos estão aí, pululam, agridem nossa inteligência.
É preciso defender o direito de ser democrático, de exercer a liberdade individual sem arranhar a liberdade nem ferir o direito do outro.
A democracia há de ser ampla e não apenas para alguns.
Lembrete aos aprendizes de censores:
“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão” (artigo 19, da Declaração Universal dos Direitos Humanos).
“É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou ideias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer” (Lei 5.250, de 09/02/1967).
“É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” (Constituição Federal, artigo 5º, inciso IV).
“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal).
Lula mandou o prolixo Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal, onde vai se juntar aos donos do Brasil e à arrogância que abunda por lá.
O STF é o lugar adequado para Flávio Dino. Ele adora holofotes. Mas entende de Direito, qualidade indispensável para quem vai exercer a suprema magistratura.
Como dizem os doutos e a lógica, entender Direito é condição sine qua non para exercer a função de juiz. Na prática não é bem assim.
Se, no exercício da magistratura, Flávio Dino se afastar da pequenez que legitimou sua atuação política, certamente será um bom juiz.
Se, ainda, Flávio Dino contribuir para recolocar o STF no nobilíssimo lugar de Suprema Corte e retirar do tribunal o caráter de intrusão do ativismo político, sairá de lá não como mais um opaco ex-ministro, mas na condição de um respeitável ex-ministro, merecedor da admiração dos brasileiros.
Enrique Ricardo Lewandowski será o novo ministro da Justiça, se nada mudar. É experiente, íntegro, decente, tem envergadura moral e conhecida postura que se exige de quem deve exercer função pública.
Intelectual de alta referência, Lewandowski é formado em Ciências Políticas e Sociais e em Ciências Jurídicas e Sociais.
É Mestre, Doutor e Livre-docente em Direito do Estado.
Dentre outras funções, foi secretário de Governo e de Assuntos Jurídicos de São Bernardo do Campo, Juiz do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo, Desembargador em São Paulo, ministro do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal.
Lewandowski é da cozinha de Lula da Silva?
É. Sempre foi. Mas não parece que isto deslustre sua atuação de ministro.
Embora aliado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e históricas decisões que tomou em favor de petistas nalgumas ocasiões, isto não lhe retira a condição de probo e correto.
Não se devem misturar alhos com bugalhos.
Desta vez, Lula da Silva acertou.
E o ministério da Justiça se robustece com a presença de Lewandowski.
“Chora, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te. É a mesma coisa.” (Machado de Assis, Quincas Borba)
Ao apagar das luzes de 2023, a Câmara Municipal de Chorrochó prorrogou e ratificou, sustentada em lei, pelo menos 12 contratos firmados com empresas versando sobre prestação de serviços e fornecimentos à Edilidade.
Total dos termos de aditivos: R$ 650 mil.
Medidas formalmente adequadas e com amparo na legislação. Os termos de aditivos delineiam, por óbvio, os fundamentos legais em que se sustentam os respectivos atos da Câmara.
Conseguintemente, os atos são legais, formalmente inquestionáveis, salvo melhor juízo.
Em quadro assim, é razoável entender que os aditivos também devem estar moralmente amparados, o que é fundamental no exercício da função pública, até porque é conhecida a idoneidade, dignidade e honradez da atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Chorrochó.
Entretanto, parece que Chorrochó ressente-se da ausência de valoração das prioridades de sua população.
O município caminha para 70 anos de emancipação. Inobstante, a Câmara Municipal ainda precisa buscar prestadores de serviços em longínquos municípios porque, pressupõe-se, há escassez de profissionais em Chorrochó que preencham os requisitos para contratar com o poder público.
O fato é que a totalidade dos aditivos contratuais aludidos chega a R$ 650 mil para vigorarem no exercício de 2024, todos, à exceção de um, firmados com empresas de outros municípios.
Os contratos versam sobre assessoria e consultoria em recursos humanos, digitalização, gerenciamento eletrônico, implantação de dados, controle interno, assessoria jurídica, alimentação do sistema de contabilidade e avaliação de bens públicos, dentre outros.
As empresas que contrataram com a Câmara de Chorrochó sediam-se em Antonio Gonçalves, Santa Brígida, Itiúba, Salvador, Paulo Afonso e Abaré, de modo que somente o fornecimento de material de expediente, higiene e limpeza coube a uma empresa do município.
A Câmara contratou a locação de 02 veículos em que figura como locadora uma empresa de Paulo Afonso: 01 veículo para a presidência e o outro para uso geral dos vereadores.
O contrato de locação totaliza R$ 120 mil, 10 mil por mês, o que sugere o seguinte questionamento: não seria mais razoável a Câmara Municipal comprar os veículos de uso necessário e indispensável e os incorporar ao patrimônio da Edilidade?
A locação dá a impressão – e só a impressão – de que se trata de escoamento indefinido do dinheiro público em detrimento das necessidades mais prementes da população.
Por outro lado, o controle interno da Câmara Municipal, que é uma atividade fácil, corriqueira e elementar – e prescinde de especialização – se vale de assessoria e consultoria externa amparada em contrato com empresa de outro município.
Até a “avaliação in loco, levantamento, controle e reavaliação dos bens públicos” da Câmara foi confiada a uma empresa do município de Itiúba, distante aproximados 290 km de Chorrochó.
A assessoria e consultoria em recursos humanos, os serviços de apoio à comissão de licitação da Câmara e a alimentação do sistema de contabilidade foram confiadas a empresas de Antonio Gonçalves, município distante aproximadamente 360 km de Chorrochó.
Portanto, três empresas do município de Antonio Gonçalves são contratadas da Câmara Municipal de Chorrochó.
Todavia, nesse cipoal de aditivos, uma notícia alvissareira: a Câmara prorrogou o contrato com uma instituição de Salvador “objetivando a implementação da publicidade e transparência institucional municipal”, o que, nesse cenário incompreensível, chega a ser um avanço.
Como se vê, em Chorrochó só a função legislativa em si não é terceirizada, por óbvia imposição constitucional.
Todos esses atos da Câmara Municipal de Chorrochó e outros eventualmente editados serão apreciados e certamente aprovados pelos órgãos de controle de contas, a exemplo do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Todavia, essa circunstância não exclui o dever de Suas Excelências, vereadoras e vereadores de Chorrochó, refletirem mais sobre a nobreza da representação popular que a voz das urnas lhes atribuiu em defesa dos interesses da população.
São aditivos demais para um município tão carente de prioridades.
Da esquerda para direita, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes e Maria Rita da Luz Menezes/Crédito: álbuns da família
Estas três Marias nasceram em tempo de primavera, estação que lembra flores e indica amenidade e alegria.
As três esteiam-se no mesmo tronco familiar e se sustentam nas mesmas tradições, através de vínculos muito próximos.
As três são católicas praticantes e devotas de Senhor do Bonfim e têm prestado relevante contribuição à Igreja de Chorrochó.
As três fazem parte da sociedade chorrochoense e são exemplos de boa índole, seriedade, afabilidade e candura.
As três são professoras e a esse mister de ensinar se dedicaram durante muito tempo.
Os nomes são conhecidos, sobejamente conhecidos: Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes e Maria Rita da Luz Menezes.
Mas não fica bem, segundo as regras de etiqueta social, que discordo, declinar a idade destas distintas senhoras, razão por que deixo de fazê-lo.
Todavia, não me esquivo de dizer que já viveram algumas décadas, graças a Deus. E se isto pode denunciar a idade, não lhes tira o brilhantismo. Ao contrário, releva-os.
As três são interessadas pela história de Chorrochó, pelo andar de Chorrochó e pela gente de Chorrochó.
As três Marias estudaram na Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio, em Belém do São Francisco, Pernambuco. Formaram-se em 1957.
No ano seguinte – 1958 – prestaram concurso no Estado da Bahia para professora primária e todas foram aprovadas para lecionar no município de Chorrochó.
As três foram alunas da professora Josepha Alventina de Menezes (D. Nilinha), ícone da educação e da história de Chorrochó.
Maria do Socorro Menezes Ribeiro é filha de Izabel Argentina de Menezes (Biluca) e Dorotheu Pacheco de Menezes; Maria Therezinha de Menezes é filha de Antonia Rodrigues Lima e José Cordeiro de Menezes (Juca); Maria Rita da Luz Menezes é filha de Maria Alventina de Menezes (Iaiá) e Joviniano Cordeiro de Menezes.
Casaram-se em Chorrochó. Maria do Socorro Menezes Ribeiro com Virgílio Ribeiro de Andrade; Maria Therezinha de Menezes com Antonio Pacheco de Menezes Filho; Maria Rita da Luz Menezes com Francisco Lamartine de Menezes.
Esta crônica despretensiosa traz este registro incompleto e casual. Não tem o condão de enriquecer o conhecimento de ninguém, mas de reviver os esteios que Chorrochó foi construindo ao longo do tempo.
“De repente, rápida como viera, a tempestade foi para outros mares, naufragar outros navios” (Jorge Amado, 1912-2001, Mar Morto)
Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes/Crédito: arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes
Situo-me no início de janeiro de 1971.
Expulso pela cruel realidade da caatinga e intempéries da zona rural do meu município de Curaçá, cheguei a Chorrochó, ainda muito jovem, carregando sonhos e um tanto de timidez e inexperiência na pobre e tosca bagagem.
O objetivo primeiro era matricular-me no Colégio Normal São José e, a partir daí, começar a alargar os horizontes em direção ao desconhecido.
Como foi difícil essa caminhada! Continua difícil seguir as curvas do caminho.
Naquele início de 1971 conheci Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes. Ficamos amigos.
A elasticidade do calendário denuncia que já se passaram mais de cinco décadas.
A vida é uma sequência de passos inarredavelmente ligados ao passado e, neste cenário, a amizade não acaba ou, pelo menos, nunca deveria acabar, mesmo in memoriam.
Já se disse, por aí, que o passado deve ser guardado na alma e não se deve exibi-lo. Há sentido nisto. Deve haver sentido nisto.
Todavia, sempre resta alguma coisa que alinhava o caminhar, impulsiona o viver e cutuca a saudade.
Espaçam-se as amizades que tivemos ao longo do tempo e as que ficaram ou o que resta delas. Muitas páginas dispersas no agendar da vida.
Algumas amizades fracassam, outras perduram. Isto é o que atestam o burburinho e o fervor da juventude. Isto é o que evidencia a frieza cruel do amadurecimento. Isto é o que atesta o caminho do tempo em direção à velhice.
De tudo, uma lição: à semelhança da tempestade, o envelhecer provoca o naufrágio da juventude, empurra-nos em direção às dificuldades do caminho e, sobretudo, carrega entes que nos foram muito caros.
Ficam as boas amizades que perduram, se ainda não se foram em direção à finitude da vida, porque – todos sabemos – o indizível da morte é inevitável.
Ouvi muitas vezes reflexões sobre portas e janelas que se fecham e se abrem, em meio às incertezas e aos sonhos da mocidade.
As amizades também fecham portas e janelas. Por isto, a arte de construir amizades exige equilíbrio, humildade, complacência, ajuste de sentimentos, adequação às diferenças.
Assim como eu, Antonio Euvaldo tentou cavar a vida em São Paulo.
Convivemos por algum tempo em Santo André, o A do ABC paulista, âmago da efervescência política àquela época.
Lá tentamos compatibilizar a saudade da Bahia com o agitado viver de Santo André.
Em mim sempre estiveram presentes as lembranças da secura da caatinga, do burburinho das águas do Riacho da Várzea, do cantar da seriema, da poeira e dos garranchos das estradas e, sobretudo, de minhas raízes fincadas naqueles confins do sertão.
Antonio Euvaldo carregava a inquietude, a ironia, a polêmica, a rebeldia, a boemia, a atenção em relação aos demais.
Éramos, em Santo André, uma espécie de confraria dos saudosos sustentada nas coisas do Nordeste.
Ainda em Chorrochó, Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes (Totó ou Corró, para os amigos), que tinha nome de nobre português e não está mais por aqui, deixou-me algumas reflexões.
Ele se foi antes do combinado, como se diz no interior de São Paulo, mas as frases que ele tanto dizia e repetia sobre o andar da vida continuam cutucando a saudade e dilacerando os momentos quando me recolho à solidão.
Entretanto, como dizia Afonso Arinos (1905-1990), “a pior solidão é a ausência de si mesmo”.
Nalguns momentos da vida, até a saudade é boa companheira.
Post scriptum:
Há algum tempo um leitor atento – e muito sincero – ponderou: “Ninguém está interessado em saber de sua vida, mas de seus textos”.
Ele tem razão. Eventualmente carrego um pouco nas tintas sobre passagens casuais de minha vida.
Entretanto, passou despercebido ao caríssimo leitor que isto faz parte da crônica, do ofício de escrever.
Não sou ficcionista. Escrevo sobre o dia a dia. Fácil compreender.
O cronista escreve sobre o cotidiano, amigos, episódios vividos, política e políticos, fatos, pessoas conhecidas, parentes, aderentes, ruas, esquinas e até sobre borboletas.
Longe de mim o narcisismo. Sou avesso à exposição de minha vida. Prezo a discrição minha e dos outros.
Padre Ulisses Conceição/Crédito: Boletim Paroquial número 8 – Chorrochó, janeiro de 1987
Aproximam-se as comemorações da festa de Senhor do Bonfim, em janeiro.
Em Chorrochó, algumas datas são importantes no calendário religioso do município.
Em 27.01.1985, o jesuíta paulista D. Aloysio José Leal Penna (1933-2012), à época bispo da diocese de Paulo Afonso, criou a Paróquia do Senhor do Bonfim de Chorrochó.
Mais tarde, D. Aloysio foi arcebispo de Botucatu (SP).
Em consequência, D. Aloysio nomeou o 1º vigário da Paróquia. A escolha recaiu sobre padre Ulisses Mônaco da Conceição (1914-1986), baiano de Conceição de Almeida e ex-professor do Colégio Padre Vieira, em Salvador.
Padre Conceição já participava informalmente da Igreja de Chorrochó. Tem-se notícia de que esteve em Chorrochó pela primeira vez em 26/06/1956.
A criação da Paróquia se deu durante as comemorações do centenário da Igreja de Chorrochó, construída em 1885 por Antonio Conselheiro.
A data está no frontispício do majestoso tempo do sertão da Bahia, construção histórica sustentada na fé e deixada pelo beato Conselheiro.
Em 26.01.1986, numa manhã da festa do Senhor do Bonfim, padre Conceição faleceu em Chorrochó.
Já escrevi alhures – e muito – sobre padre Conceição. Dentro de minhas limitações, há um capítulo sobre ele no livro Dorotheu: caminhos, lutas e esperanças. Se nada de valioso acrescentei, penitencio-me diante de minha insignificância como escrevinhador.
Aqui faço apenas esse registro, tendo em vista este Natal de reflexão e a proximidade da festa de Senhor do Bonfim.
Já estamos em oração à espera da festa. Ou, pelo menos, deveríamos estar em oração.
Julieta de Souza Menezes Alcântara (1931-1990). Crédito: Álbum da família
Na estrada de todos nós há tropeços, encruzilhadas, equívocos na escolha do caminho e, sobretudo, amizades que encontramos ao longo do caminhar.
Como consequência de tudo isto vêm as lembranças e o olhar saudoso no retrovisor do tempo.
Em Patamuté, convivi com algumas pessoas que me foram caras, essencialmente amigas. Boas pessoas, inesquecíveis pessoas.
Julieta foi uma delas. Alegre, conversa saudável, companhia admirável.
Julieta de Souza Menezes Alcântara nasceu em 19/01/1931 e faleceu em 29/01/1990.
Julieta vinha de tronco familiar de boa índole, construiu família exemplar com raízes fincadas em Patamuté. Espalhou amizade, sorriso, decência.
Ela e José de Souza Alcântara (Zé Lulu) deixaram exemplos, lembranças, boas lembranças.
Sempre acolhedora, atenciosa, otimista, conversa agradável, ausência de maldade, Julieta alegrava o viver em Patamuté.
Naquele tempo a construção das amizades dava-se em razão da proximidade. Patamuté se limitava a um quadrilátero, mais a Rua dos Ferreiras. Éramos todos muito próximos, de modo que as conversas eram frequentes, necessárias, saudáveis.
No próximo mês de janeiro que se avizinha, completam-se 34 anos da morte de Julieta.
O vazio que ela deixou persiste, as lembranças cutucam, o inexplicável da morte continua.
“Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura… se é verdade Tanto horror perante os céus?!”
(Castro Alves, poeta baiano, 1847-1871)
O presidente Lula e o ministro Barroso em foto de Marcelo Camargo, Agência Brasil
Muitas garrafas de uísque e vinho caros se esvaziaram nesta terça-feira, 19/12/2023, em jantar da alta elite nacional promovido por um dos donos do Brasil, o ministro Luís Roberto Barroso.
O jantar aconteceu em Brasília, a pedido de Lula, na casa do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Por óbvio, Lula da Silva estava lá. Ressobram razões para que ele estivesse lá.
Participaram do jantar, dentre outros integrantes da elite intocável, oito ministros do STF e também o próximo a ser empossado Flávio Dino que, salvo engano, ficará ministro da Justiça e Segurança Pública até 08/01/2024.
Antes de sair do ministério da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino ainda dirá umas fanfarronadas, o que Lula da Silva já sinalizou.
A imprensa também vê a possibilidade de, após 08/01/2024, Flávio Dino assumir sua cadeira de senador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) do Maranhão e nela ficar até 22/02/2024, quando deverá tomar posse no STF.
Nesta hipótese, Flávio Dino ainda embolsará salário e mordomias do Senado Federal, que não é de ferro.
Não tem nenhuma importância. Os brasileiros pagam.
Os donos do Brasil comeram, beberam, sorriram, confidenciaram e saíram de lá felizes para sempre.
Todavia – e apesar disto – a pobreza abunda nos rincões e periferias do Brasil, inobstante o “pai dos pobres” Lula da Silva, que gosta mesmo é de riqueza. Lula ainda diz, por aí, que está dizimando a pobreza. Há quem acredite.
Homofobia petista
Em 20/12/2023, o plenário da Câmara dos Deputados presenciou a falta de compostura moral do deputado Washington Quaquá, vice presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).
O deputado lulopetista deu um tapa na cara do colega deputado Messias Donato (Republicanos-ES).
Minutos antes, o destrambelhado petista havia chamado de “viadinho” outro colega de Câmara, Nikolas Ferreira (PL-MG).
O PT, que condena a homofobia – e está certo ao condenar – demonstra praticá-la através de um de seus mais abalizados dirigentes.
O partido está em silêncio, por enquanto.
A esquisita decisão do ministro Dias Toffoli
Neste apagar das luzes de 2023, início do recesso do Poder Judiciário, o ministro Dias Toffoli suspendeu a multa bilionária que tinha sido imposta ao grupo J&F.
Detalhe: a advogada do grupo J&F é a mulher de Dias Toffoli.
“O ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli suspendeu a multa de 10,3 bilhões de reais do acordo de leniência do grupo J&F – para o qual sua esposa, Roberta Rangel, advoga. A decisão foi concedida na manhã desta quarta-feira, dia 20, o primeiro dia do recesso dos ministros do STF, que vai até 31 de janeiro, e não passará pela revisão no plantão da presidência, que ficará a cargo de Edson Fachin e só começa em 1º de janeiro” (Revista Piauí, 20/12/2023).
Se estivéssemos noutra quadra do tempo e num Brasil sério, o ministro Dias Toffoli teria se declarado impedido neste caso.
“A fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus, 11-1)
Portal da Gruta de Patamuté
O Apostolado da Oração de Chorrochó, centenária instituição religiosa da Igreja Católica, reuniu parte de seus membros em recente visita ao Santuário Sagrado Coração de Jesus – Gruta de Patamuté.
Louvável gesto que, à semelhança de outros, sustenta nossas frágeis estruturas e, sobretudo, têm o condão de mostrar à infância e à juventude de hoje que a fé ainda é o melhor caminho a seguir para aparar as arestas de nossas atribulações.
Vegetação da região da Gruta de Patamuté
Guardo lembranças das dificuldades para se chegar à Gruta de Patamuté em tempo de seca: estradas difíceis, poeira, sol escaldante, pedras disformes e arbustos retorcidos ao longo do caminho.
De todo modo, é salutar que o Apostolado da Oração de Chorrochó, tendo à frente Izabel Ramos dos Santos, mantenha-se firme ao segurar o cultivo da fé católica.
Fundamental para o caminhar da Igreja de Chorrochó e parte perene de sua história, o Apostolado da Oração compõe-se de pessoas dedicadas que sustentam a fé e as tradições locais.
Membros do Apostolado da Oração de Chorrochó
O padre João Batista, pároco da Paróquia de Chorrochó, participou do evento.
O responsável pelo Santuário Sagrado Coração de Jesus é o frei Valdevan Correia, que também responde pela Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito, de Curaçá, e recebeu os visitantes do Apostolado da Oração.
As imagens estão sendo creditadas ao Apostolado da Oração de Chorrochó.