Acervo Curaçaense

Em 1980 – já se vão, por aí, mais de quatro décadas – a administração de Curaçá tinha à frente o prefeito Aristóteles de Oliveira Loureiro (Tote) e seu vice-prefeito Hélio Coelho Oliveira, honra e glória de Barro Vermelho.

A Câmara Municipal era presidida pelo ético e decente vereador Ismael Cariri dos Santos, de Riacho Seco e a vice-presidência recaía sobre o ínclito Dr. Pompílio Possídio Coelho.  

O 1º secretário da Câmara era o vereador Manoel Pires de Menezes (Nozinho), filho de tradicional família de Chorrochó e representante de Patamuté.

Aristóteles de Oliveira Loureiro fez um movimento para reviver a história de Curaçá e até criou uma equipe que se distribuiu em diversas comissões com o intuito de cuidar daquele momento histórico.

O conteúdo dessa iniciativa está num folheto/resumo que foi coordenado pelo jornalista juazeirense Ermi Ferrari Magalhães e dele faziam parte, dentre outros, Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. José Carlos da Silva Possídio, Omar Dias Torres (Babá), Edvaldo Araújo (Vavá), Durvalzito Dias Torres (Zito), Maria Alice Conduru, Antonieta Galdieri, Salvador Lopes Gonsalves e Maria Valdejane Aquino Souza.   

O Acervo Curaçaense certamente tem esse folheto em arquivo que, como se sabe, integra nossos alfarrábios históricos.

A professora Valdejane Reis Torres participou ativamente das pesquisas sobre a história do lugar e se tornou fundamental naquela empreitada.

Nomes da sociedade curaçaense da época contribuíram para sedimentar aquele momento da história, dentre esses Adair Brandão Aquino, Maria Valdelice Aquino, professora Terezinha Conduru e o respeitado político Antonio Carlos Duarte (KK), dentre muitos.

O trabalho cita pioneiros como João Francisco dos Santos, a fundadora da cidade Feliciana Maria de Santa Tereza de Jesus, Manoel Gonçalves Torres, José Jácome Bezerra de Carvalho Brandão, José dos Santos Torres, Militão Gonçalves Torres, Raul Coelho e tantos outros como Possídio Nascimento, Scipião Torres, Pedro dos Santos Torres, João Matos e José Amâncio Filho (“Meu Mano do Abaré”).

Ocupo-me desses fragmentos porque cada vez mais venho admirando o trabalho do pessoal que faz o Acervo Curaçaense e como parte dessa admiração cito os nomes que integram essa turma abnegada e essencial para nossa história: Luciano Gonçalves Ribeiro (Lugori), Elieusina Rodrigues de Almeida, Sivaldo Manoel da Silva, Elias Fonseca Martins, Deize Eustália Nunes de Carvalho, Ronie Von Barros da Cunha Júnior e até uma paulista do querido município de Santo André, Jacqueline Lopes de Araújo.  

Elias Fonseca Martins, quando à frente do Boletim Curaçá, acolheu e publicou alguns de meus pobres e confusos textos. Sou muito grato por isto.

Quanto a Lugori, intelectual de respeito, devo-lhe a consideração que sempre teve por mim.

A utopia faz parte dos sonhos. A efervescência dos sonhos se dá na juventude. Embora em idade septuagenária, ainda os mantenho. Os horizontes estão à frente de nosso caminhar e sempre será possível alcançá-los.

Se eu tivesse estruturas seguras nesse trôpego caminhar, fundaria a Academia de Letras de Curaçá e colocaria lá, para enriquecê-la, Lugori e Maurízio Bim. Esses rapazes vão longe.

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Os honestos ministros de Lula da Silva, a Codevasf e outras reflexões

“Nem sempre são de heróis as estátuas que nos habituamos a reverenciar em praça pública” (Italino Peruffo, in O Ditador).

Ministros deslumbrados

Ministros de Lula da Silva estão usando jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), de forma adoidada, para passear em finais de semana, por conta dos sofridos e injustos impostos que pagamos.

O ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), que se transformou em palmatória do Brasil – e se diz honesto – “passou sete finais de semana em São Luís, indo e voltando em voos da FAB e na maior parte dos casos, não teve agenda oficial” (Folha de S.Paulo, 20/05/2023).

Eu pensava, ingenuamente, que o ministro Flávio Dino tem a obrigação de zelar pelo dinheiro público. Errei, como tantas outras vezes.

Aparecem ainda na lista de perdulários do dinheiro público: os petistas Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e atual ministro do Trabalho e Fernando Haddad, ministro da Fazenda.

Faz parte também da lista de deslumbrados a ministra da Saúde, Nísia Trindade, queridinha da GloboNews.

Todos passam finais de semana em suas cidades usando aviões da FAB. Noutras palavras: passeando.

Entretanto, faz-se necessária uma observação: os ministros têm direito a usar aviões da FAB, desde que cumpram alguns requisitos. Decreto presidencial de 2020 restringe as viagens a emergência médica, segurança e a serviço, o que, como se vê, não é o caso.

Tais ministros não podem alegar que se trata de notícia falsa, as chamadas fakes news, como a esquerda exaustivamente gosta de chamar e a incorporou ridiculamente em nosso vocabulário, assim como fez com a palavra “negacionismo”.

O esbanjamento do dinheiro público para sustentar vaidades desses ministros deslumbrados está na Folha de S.Paulo, insuspeito porta voz da esquerda e, portanto, fato inquestionável.

Conseguintemente, não se trata de notícia falsa e os ministros não podem negar. Nem o PT pode negar, tampouco os aliados e puxadinhos do PT.

Codevasf

A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) continua sendo cabide de emprego e apadrinhamento de aliados do governo Lula da Silva, assim como foi no governo Bolsonaro.

Quem manda na Codevasf é o deputado baiano Elmar Nascimento (União Brasil), de Campo Formoso, que indicou o atual presidente da estatal Marcelo Moreira, mantido por Lula da Silva a troco de apoio político no Congresso Nacional.

Agora o presidente Lula, que a jornalista Eliane Cantanhêde, do Grupo Globo, chama de “gênio”, já sinalizou que vai alargar a área de atuação da Codevasf, criar outras superintendências e alojar mais aliados do governo.

Não há novidade nisto. Lula não está inovando, nem cometendo crime algum. As estatais sempre foram usadas para empregar parentes de políticos, amigos de políticos, amigos dos amigos de políticos, apoiadores de políticos, puxa sacos de políticos e outros sortudos mais.

Moralmente é deplorável e degradante, mas politicamente não é. Nunca foi.

A Codevasf já tem representação em Juazeiro (BA), mas Lula da Silva quer ampliar mais a estatal em Petrolina (PE).

As cidades são vizinhas, separadas pelo Rio São Francisco e unidas pela ponte Presidente Dutra, o que pressupõe que o objetivo não é técnico, mas tão-somente para acomodar os privilégios da poderosa família Coelho, que já tem uma fatia da Codevasf sob o comando de Aurivalter da Silva, ex-assessor de Fernando Bezerra Coelho (MDB) que de repente passou de bolsonarista a lulista desde criancinha.   

Política inescrupulosa é isto, sempre igual. Mudam-se os governos, mas não muda a prática política deletéria.

Um parêntese: minha falta de conhecimento e ignorância geográfica não me permitiam captar que o Amapá e o Mato Grosso fazem parte dos vales do São Francisco e do Parnaíba.

Entretanto, consta que a Codevasf está investindo cerca de R$ 142 milhões no Amapá, estado político do senador Randolfe Rodrigues (Rede, em mudança para o PT), líder do governo no Congresso Nacional.    

Resta-me pedir vênia e confessar a monumental ignorância.

Os deslumbrados do poder usufruem do dinheiro público e a plebe à qual me incluo pensa que sabe votar e escolher bem nas urnas.

Perguntar não ofende

Há mesmo quem acredite que alguns membros do Poder Judiciário que abandonaram a Constituição da República e estão agindo politicamente na linha do “prendo e arrebento” defendem a democracia?

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O amor e o que resta dele, às vezes.

Há pelo menos cinco décadas leio e releio este texto do Padre Antonio Vieira (1608-1697), orador sacro e filósofo jesuíta. Tem-me servido muito de reflexão, ao longo do tempo, até para ensinar, quando fui professor.

Está nos “Sermões”. Ei-lo:

“Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.

Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera!

São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.

São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas.

Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.

De todos os instrumentos com que armou a natureza, o desarma o tempo.

Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê que não via; e faz-lhe crescer as asas com que voa e foge.

A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas.

Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?

O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar a menos.”

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Fragmentos dispersos de Chorrochó: Walmir Prudente de Menezes

“Não apresse o rio. Ele corre sozinho.” (Barry Stevens, terapeuta americana, 1902-1985)

Walmir Prudente de Menezes/álbum de família.

A história de qualquer lugar se sustenta em fragmentos que se somam ao ideário de seus construtores e à grandeza de seus filhos, independentemente do viés político que ostentam.

Assim, Chorrochó.

Walmir Prudente de Menezes (1934-2012) descendia de tradicional família de Chorrochó, talvez o tronco mais robusto que representa a linhagem daqueles que escreveram a história do município.

Walmir nasceu em 21/01/1934. Era filho de D. Maria Argentina de Menezes e do comerciante Antonio Pacheco de Menezes (Tonho), sobrinho de Dorotheu Pacheco de Menezes, baluarte da emancipação política do município e neto de Francisco Pacheco de Menezes, primeiro intendente do município lá pelos idos de 1919.

Um parêntese: A história de Chorrochó registra uma curiosidade. Em 22/08/1919 houve sua emancipação política, de modo que foi nomeado intendente Francisco Pacheco de Menezes, mas voltou à condição de vila de Curaçá. A autonomia começou de fato em 12/09/1954 (segunda emancipação), quando, em razão de lei, foram instalados os serviços municipais na gestão do governador Luís Régis Pacheco Pereira.

Além de Walmir Prudente de Menezes, o casal Maria Argentina de Menezes e Antonio Pacheco de Menezes teve uma prole numerosa: Maria de Lourdes Menezes Araújo, Maria Nicanor de Menezes Veras, Maria Joselita de Menezes, Francisco Lamartine de Menezes, Maria Ita de Menezes, Antonio Pacheco de Menezes Filho, Maria Agripina de Menezes, José Osório de Menezes e Maria Eugênia de Menezes.

Penitencio-me quanto a eventuais omissões e grafias erradas de nomes, até em razão de vínculos matrimoniais, mas esses erros devem ser atribuídos à minha memória esburacada pela passagem do tempo.

Em 1962, salvo engano, Walmir participou da disputa para prefeito de Chorrochó, mas perdeu a eleição para José Calazans Bezerra (Josiel). Prudente no nome e no comportamento, abandonou a política partidária e se recolheu à solidão de sua estância onde se ocupou da pecuária que certamente lhe rendeu mais satisfação do que o eventual manuseio dos cofres municipais.

Aqui não se trata de um testemunho, nem tenho qualidades para fazê-lo, mas algumas achegas para lembrar a história de uma época em Chorrochó, que não queremos que pereça.

Ademais, sabe-se que pouco ou nada há sobre registros de fatos históricos do lugar, a não ser pobres fragmentos como este que escrevo e algumas louváveis iniciativas da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes que vêm tentando reconstruir a história de Chorrochó com a ajuda de alguns integrantes da família Menezes.

Generoso e de temperamento calmo, Walmir “não apressava o rio”, gostava de ouvir, não era muito chegado a discussões políticas, mas não se arredava de suas fortes convicções sempre alinhadas à família e às questões partidárias que ela defendia.

Respeitador e de bom caráter, todos reconheciam sua decência, de modo que comumente era ouvido em ocasiões politicamente difíceis. Deixou legado de honradez que se estendeu à descendência exemplar.

Walmir constituiu família numerosa. Casou-se com D. Maria Cleonice de Menezes com quem teve os filhos Wellington Luiz Pacheco de Menezes,  Rose Mary de Menezes Belfort, Edna Maria de Menezes, Marta Maria de Menezes, Walmir Prudente de Menezes Filho, João Antonio Pacheco de Menezes, José Audionor de Menezes (vi nalgum lugar que o correto é Claudionor), Antonio Pacheco de Menezes Neto e Cleonice Maria de Menezes.

Walmir exerceu o cargo de presidente local da CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), que administrava o então Colégio Normal São José.

A CNEC foi fundada em 1943 em Recife para “atender crianças e jovens que não possuíam ofertas de estudos pelo poder público ou não tinham condições financeiras para ingressar em colégios privados”. Chorrochó foi contemplado com a presença da CNEC que cuidou da educação e formou seguidas gerações. Walmir fez parte dessa abnegada história.  

Walmir Prudente de Menezes faleceu em 30/09/2012.

Walmir Prudente de Menezes/álbum de família.

Post sriptum:

As fotos que ilustram esta matéria são de álbum de família e retratam dois momentos distintos de Walmir: a juventude e o amadurecimento e foram gentilmente cedidas pela professora Maria Ita de Menezes, que também informou as datas de nascimento e falecimento .   

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As lembranças nunca se acabam

Judivan Menezes/foto de seu perfil no facebook

Quando eu era jovem – vai longe no tempo – durante o mês de maio a pequena sociedade do sertanejo distrito de Patamuté celebrava o mês de Maria com alegria contagiante.

Era a devoção à mãe de Jesus e a preparação para a festa de Santo Antonio, excelso padroeiro do lugar, centenário acontecimento religioso que ainda acontece no período de 01 a 13 de junho.

O mês de maio representava, como ainda hoje, as mães e as flores. Assim entendíamos.

As mães e as flores nunca se acabam. Em alguns casos as mães se vão antes, mas ficam eternizadas na memória, na saudade, nas lembranças.

As flores também não se acabam. Vão-se umas, desabrocham outras, mas permanecem enfeitando a vida, o caminhar, os sonhos.

Nesse ambiente de juventude, construí algumas amizades por lá.

Na inexperiência da juventude é a melhor ocasião para a construção das amizades, que geralmente perduram.

Quando ficamos velhos, perdemos o encanto, as coisas deixam de ser interessantes e as amizades também se fragilizam. É a consequência dos tropeços, às vezes do sofrimento e quase sempre das decepções.

Alguns amigos daquela época se foram, outros permanecem e outros tantos desapareceram à procura de vida melhor que nosso Patamuté não oferecia.

Judivan Menezes é um deles que ainda estão por aí. Filho de D. Judite Menezes e do espirituoso Waldomiro Mendes (Vivi), exemplo de sujeito decente e de bom caráter. Ambos de famílias tradicionais de Patamuté.

Judivan – ou Vandinho como chamávamos na juventude – frequentava o Bar de Osmário Matos Torres, meu padrinho de batismo e onde eu trabalhava. Gostava de jogar sinuca, brincar, conversar, reunir os amigos.

Ouvíamos Roberto Carlos (LP O inimitável), Jerry Adriani, Paulo Sérgio, dentre outros. Coisas da juventude, lembranças da juventude.

Nunca mais vi Judivan, mas a amizade permanece, o que significa dizer que ele não soube escolher essa minha amizade esquisita, ausente, indecifrável.

Nada sei de sua vida. Se não mudou, Judivan é comerciante e cava a vida no Bar e Lanches Menezes, na Rua dos Ciclames, na Vila Prudente, em São Paulo.

Saudade dele.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Esta crônica foi publicada em 09/05/2023.

Não sei se Vandinho chegou a ler. É possível que não tenha lido.

Em 04/02/2024 a família comunicou o falecimento de Judivan de Souza Menezes da Silva.

O velório e o enterro aconteceram no Cemitério Curuçá, em Santo André-SP

Reproduzo a crônica, deixo pêsames a todos da família e elevo minhas preces para que Jesus Cristo lhe indique o caminho e Deus o ampare.

A carreira escolhida pelos indolentes

“O que mais me aflige não é o que aconteceu e já ficou para trás; é o que está acontecendo.” (Josué Montello, jornalista e escritor, 1917-2006, in Um Beiral para os Bentevis)

Parece inquestionável. Quando o indivíduo nada sabe fazer – ou é incompetente e preguiçoso – segue carreira política, com forte tendência para ser parlamentar, mormente deputado, senador, et cetera.

Temos sobejos exemplos que pululam gritantemente: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jair Bolsonaro (PL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Guilherme Boulos (PSOL-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu namorado Lindberg Farias (PT-RJ), para citar apenas alguns.

Demagogo e inconveniente, Ivan Valente fez alguma coisa em benefício da sociedade nessas três décadas de exercício de mandato de deputado federal?

Esses simulacros de políticos arranham a grandeza da boa política e corroem a arte de bem administrar a sociedade.

Arremedos de defensores da sociedade, eles adoram se empanturrar de dinheiro público, mordomias, benesses, fama, poder. Têm como ocupação principal apontar erros de adversários para esconder suas próprias falcatruas.

Há aqueloutros que tudo falam e nada dizem, a exemplo do atual ministro lulista Flávio Dino, que foi governador do Maranhão por oito anos e conseguiu deixar o estado pior do que no reinado oligárquico de José Sarney.

Já em 2019, dados do IBGE confirmavam o descalabro da administração Flávio Dino no Maranhão (Conforme Atual7- matéria abaixo).

Há fatos noticiados. Inegáveis, incontestáveis, estatísticos.

Flávio Dino se tornou o homem dos “providenciamentos” do presidente Lula da Silva e está colocando em prática um dos piores defeitos que o ser humano pode ostentar: a vingança, o revanchismo.   

Pode alguém ser competente e simultaneamente vingativo e perseguidor de adversários?

Seriedade política e perseguição a adversários são incompatíveis.

É elementar que a competência substitui o mau-caratismo, a indolência, o estrelismo.

Esses políticos moralmente menores se amparam no narcisismo exacerbado e com isso tentam ofuscar a degenerescência vergonhosa que carregam em suas condutas.  

https://atual7.com/economia/2019/11/sob-dino-maranhao-segue-liderando-ranking-de-pobreza-e-extrema-pobreza/

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Eleições no sertão: saber pensar, saber dizer

Os mineiros do sertão dos Confins costumavam dizer que “eleição é ganha com dinheiro e polícia”. Assim era em tempos passados, mas convenhamos, não mudou muito.

Dir-se-á que isso se dava nos tempos dos coronéis nordestinos, na República Velha, principalmente.

Não é bem assim ou não parece ser bem assim.

É conhecida a frase do líder Antonio Carlos Magalhães (ACM), quando perguntado como conseguiu eleger seu candidato, o inexpressivo João Durval Carneiro, governador da Bahia.

 “Com o dinheiro numa mão e o chicote na outra” – ACM deu a receita. E elegeu seu candidato.

Em alguns municípios do sertão da Bahia já se desenha a disputa pelo comando das prefeituras. Como se vê, precocemente.

Já está claro nesses municípios, que nas próximas campanhas eleitorais, o império será dos candidatos que têm dinheiro ou políticos influentes que lhes financiem.

Assunto para outras considerações que virão por aí. Citarei nomes.

Entretanto, nesse tempo de melindres, é preciso cautela, saber pensar e saber dizer, antes de tecer quaisquer comentários.

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Curaçá: a morte não pode interromper o amanhã

Iracema Medrado, que considero muito – e esta consideração vem de algumas décadas – me passou, a meu pedido, algumas informações sobre a morte de Regina Xavier.

Fiquei sabendo, por intermédio de Iracema, que Regina Lúcia Xavier vinha enfrentando uma enfermidade desde 2015. Sofreu, chorou, lutou, suportou. E se despediu com um vídeo, grandemente, o que eu não seria nem sou capaz de fazer. É doído, dilacerante.

Já escrevi alhures – e repetidas vezes – sobre uma quadra do tempo em Curaçá e dessa quadra do tempo Regina Lúcia Xavier fazia parte.

Morei na Rua Coronel Pombinho, centro de Curaçá. Lá convivi diariamente com a família de Regina. Maria Roselita e Adelson Xavier à frente. Regina era minha colega no Colégio Municipal Professor Ivo Braga.  

O tempo passou, mudei-me para São Paulo, mas mantive a amizade com a família honrada e de bom caráter.

Regina cresceu profissionalmente, construiu família, lutou, venceu.

Nunca mais tive contato com Regina.

Entretanto, por oportuno, devo fazer referência a um texto do jornalista e escritor curaçaense Maurízio Bim. Maurízio diz que “Curaçá foi honrado com esta que, ao que se sabe, foi a primeira profissional formada nessa área, ao concluir o curso na UFRPE. E ela me falou certa vez: fiz Medicina Veterinária mais por interesse de meu pai. Depois fiz Jornalismo porque era a profissão que eu queria”.

O resto é saudade.

A morte não pode interromper o amanhã. E o amanhã será saudade. Saudade de Maria Roselita, Adelson Xavier (meu companheiro de conhaques diários com Edvaldo Araújo), Júnior e Regina Xavier.

Deixo pêsames a todos da família de Regina.

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O triunfo da amizade sobre as tempestades

D.Jorge Marcos de Oliveira/Reprodução Wikipédia

“Faz anos que não me ajoelho diante de nenhum altar. Mas ali estava um amigo que me aconselhou: procure sempre as coisas que valem a pena.” (Carlo Heitor Cony, 1926-2018)

Visito com regularidade a majestosa catedral do Carmo, de Santo André (SP) onde está o túmulo de Dom Jorge Marcos de Oliveira (1915-1989), primeiro bispo da diocese.

D. Jorge ostentava o título de ter sido o bispo mais jovem do mundo. Em 1946 o Papa Pio XII o nomeou para o episcopado com 31 anos de idade. Contemporâneo de D. Helder Câmara na arquidiocese do Rio de Janeiro, ambos foram bispos auxiliares à época do cardeal D. Jayme de Barros Câmara.

O escritor Carlos Heitor Cony, amigo de D. Jorge Marcos, escreveu uma crônica (Folha de S.Paulo, 22/04/2004) e nela confessou que, em passagem pela catedral do Carmo se deparou com o túmulo de seu amigo e primeiro bispo de Santo André. Ajoelhou-se em respeito ao amigo de seminário num momento de recolhimento e prece.  

Lápide de D. Jorge Marcos de Oliveira, Catedral do Carmo/Reprodução Wikipédia

Neste mundo tão conturbado, deixo o registro da importância da amizade, mesmo quando a morte interfere em nosso caminhar. Sempre vale a pena lembrar o triunfo da amizade sobre as tempestades da vida.

Jornalista e escritor Carlos Heitor Cony/Crédito Gazeta do Povo

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A Igreja de Chorrochó e a contribuição de padre Mariano

Padre Mariano, primeiro à direita, 21.01.2016/Crédito Edilson Oliveira, Rádio Líder do Sertão FM, de Chorrochó.


Salvo melhor juízo – e se minha esburacada memória não estiver sucumbindo ao abismo da envelhescência  – padre Mariano Pietro Brentan chegou a Chorrochó em 04 de janeiro de 1986.

Portanto, já se vão, por aí, mais de trinta e sete anos completados em janeiro, mês em que se realiza a tradicional festa do excelso padroeiro Senhor do Bonfim.

A destinação de padre Mariano como pároco de Chorrochó deu-se em 06 de abril de 1986.

Padre Mariano incumbiu-se da grandiosa tarefa de suceder ao padre e primeiro vigário da paróquia, Ulisses Mônaco da Conceição, ícone admirável da Igreja de Chorrochó e isto por si só se basta: tarefa ingente, honrosa, difícil, grandiosa.

Grande empreendedor, competente zeloso das coisas da Igreja, padre Mariano conciliou, com eficiência, enquanto à frente da paróquia, seu mister de sacerdote, pescador de homens, com um trabalho simultâneo e incessante em benefício de Chorrochó.

Angariou condições para construções voltadas à Igreja e, mais ainda, empreendeu uma admirável obra social direcionada aos paroquianos. São exemplos, salvo engano: a capela Nossa Senhora da Conceição, a construção do Centro Paroquial de Chorrochó, a reforma e ampliação da Casa Paroquial e a instituição do Lar José e Maria.

Com a atuação do padre Mariano, a paróquia deixou de ser um núcleo essencialmente urbano para se transformar num edificante exemplo de amparo também às comunidades rurais de Chorrochó.

Conheci padre Mariano Pietro Brentan em circunstância casual. Eu já morava em São Paulo. Fui-lhe apresentado na residência de Maria do Socorro Menezes Ribeiro e Virgílio Ribeiro de Andrade, em Chorrochó.

Socorro e Virgílio são exemplos edificantes de hospitalidade, amizade e cordialidade. Data inesquecível, memorável, agradavelmente interessante e sobretudo valiosa.

Tivemos uma conversa longa sobre a Igreja, suas tradições e, sobretudo, as dificuldades por que passava um vigário do interior. Em nenhum momento reclamou do exercício de seu mister religioso.

Conversa marcadamente auspiciosa, padre Mariano falou de ritos e de história e até me fez ver a importância do Hino Queremos Deus, um dos mais tradicionais da Igreja Católica. Falou do papel da Igreja no sentido de aplainar a insensatez e ingratidão dos homens que se “erguem em vão contra o Senhor”, em todo o tempo.

Impressionei-me com a decência, cultura e espírito de solidariedade demonstrada por padre Mariano, ilustre representante da Igreja Católica em Chorrochó, à época.

Educado, sonhador, inquieto, responsável ao extremo pelo ofício religioso que lhe foi confiado, padre Mariano é defensor intransigente da fé católica, que a exalta admiravelmente.

O que sei – e sei pouco de sua vida – é que é italiano nascido em 06.06.1938, ordenado em 08 de dezembro de 1985 em Euclides da Cunha e, em razão dessas costumeiras decisões que a Igreja determina aos membros de seu clero, veio parar em Chorrochó.

É que as regras da Santa Sé se baseiam no Direito Canônico e denomina de residente não incardinado a liberação de um religioso pela Igreja, para algum lugar, por determinado tempo.

Ele ficou em nosso meio, para alegria e benefício dos paroquianos de Chorrochó, por alguns anos. Sua presença era admirável, porquanto terna e essencialmente voltada para os assuntos da Igreja.

Dedicado, obediente às normas da Santa Sé universalmente aceitas, padre Mariano veio robustecer a história da Igreja de Chorrochó. Um fato louvável, espiritualmente valioso.

Em 2018, fragilizado em razão de problemas de saúde, pela primeira vez padre Mariano não compareceu aos festejos da festa de Senhor do Bonfim de Chorrochó. Talvez estivesse refletindo sobre o caminho percorrido, sua luta e seu passado de feitos e glórias.  

Os esteios da contribuição de padre Mariano para Chorrochó são valiosos.

Não sei por onde anda padre Mariano. Lembro muito dele e lhe desejo saúde longa e disposição para continuar sua luta em favor das coisas de Deus.

Post scriptum:
Li nalgum lugar, não me recordo aonde, que padre Mariano chegou a Chorrochó em julho de 1986 e não em 04 de janeiro e, sendo assim, preciso confirmar a data correta para adequar-me ao fato e corrigir este texto, embora isto hoje e aqui não seja tão urgente. Pode ficar para depois, mas deixo o registro.


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