Patamuté, Pastoura e a insistência da saudade

Pastoura e os filhos/Perfil de Herica Alcântara no facebook

Sucedem-se as notícias tristes. O tempo corrói o viver e desmorona nossa expectativa de continuar convivendo com as pessoas que nos são caras.

Em 22/02/2023 faleceu Pastoura Alcântara Leal, o que deixou triste Patamuté e todos nós, filhos e amigos de lá. Notícia dilacerante para todos nós que ficamos por aqui, por enquanto. E somente por enquanto.

Pastoura fazia parte de uma interessante geração, que construía amizades duradouras. Era daquelas pessoas que passavam horas conversando sobre tudo, menos sobre a maldade e defeitos humanos. Conversa aprumada, amena, hospitaleira, convidativa.

Quando Patamuté não tinha energia elétrica nos moldes de hoje – e isto vai longe no tempo – o distrito servia-se de um motor movido a diesel que desligava por volta das 22 h ou um pouco antes.

À noite ficávamos na calçada conversando e nos recolhíamos ao apagar da luz. Pastoura era uma boa e constante companhia nessas conversas despretensiosas, alegres, encantadoras.

Em Patamuté, Pastoura e Israel Henrique de Souza construíram família exemplar, decente, bem educada e alicerçada em caráter irrepreensível.

Família numerosa que se espalhou pelo caminhar da vida, multiplicou e lhe deu genros, noras, netos, descendência alegre e espirituosa.

Ante o indizível da morte e o indecifrável da vida, resta-nos aceitar os desígnios de Deus.

Deixo pêsames aos familiares de Pastoura.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e que Deus a ampare.

araujo-costa@uol.com.br

José Dirceu e a imprensa

José Dirceu em 2005/Reprodução Wikipédia

O texto abaixo é de José Dirceu de Oliveira e Silva (PT), ex-ministro chefe da Casa Civil de Lula da Silva e foi escrito quando ele estava sob os escombros da condenação e da prisão, em momentos de agruras:

 “Bastava o insuportável Jornal Nacional, da Rede Globo que, por dever de ofício somos obrigados a assistir. Telejornais que, hoje em dia, não informam, mas opinam sobre tudo, sem que o telespectador tenha perguntado ao repórter, ao âncora, ao entrevistador. Repetem e passam a opinião de seus patrões, dos donos do poder de informar e formar no Brasil. Assistir ao Jornal Nacional era um agravo à pena de prisão que cumpríamos” (Zé Dirceu, Memórias, Volume I, Geração Editorial, São Paulo, 2018).  

Só para lembrar:

O Grupo Globo que Lula da Silva e o PT tanto espezinhavam em tempo de Lava Jato, hoje está a favor de Lula e Zé Dirceu deve estar gostando. A Globo sempre esteve a favor de todo e qualquer governo que lhe enchesse as burras de dinheiro público em publicidade.

A TV Globo cresceu à sombra da ditadura militar, que hoje critica. Sem o beneplácito da ditadura não existiria Grupo Globo. As gerações pós-1964 merecem saber disto, conhecer a história, desanuviar o conhecimento político e afastar o entulho da hipocrisia que insiste em continuar sobre nossas cabeças.

De fato, os comentários e opiniões de alguns jornalistas da GloboNews, por exemplo, são repetidos e constrangedores escárnios à inteligência dos brasileiros.

O experiente Fernando Gabeira é a exceção nesse amontoado de pequenez jornalística. Sabe comentar, sabe opinar, sabe discernir, sabe o que é a grandeza da história.

Ainda no Gabinete de Transição desse seu terceiro governo, Lula da Silva disse que não precisa de puxa saco, mas de pessoas que cobrem ações do governo.

Então, Lula precisa afastar de seu entorno, imediatamente, esses jornalistas lambe botas que enxovalham o jornalismo sério. São bajuladores de plantão, que mudam de opinião à medida em que os ventos sopram favoravelmente em direção aos bolsos de seus patrões.

araujo-costa@uol.com.br

Igreja Católica silencia diante de atrocidades

“Quem luta para não ser oprimido pode se tornar opressor” (Léo Gilson Ribeiro, crítico literário, 1930-2007)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriga a nata da esquerda católica, pulverizada, de início, através das chamadas “inclusivistas” Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) vinculadas à Teologia da Libertação, que pugna pela “preocupação social com os pobres e a libertação política dos povos oprimidos”.

O silêncio da Igreja Católica do Brasil relativamente a algumas atrocidades que estão acontecendo no Brasil e no mundo coincide e condiz com a terceira subida de Lula da Silva ao poder, pupilo mais caro da CNBB e do clero brasileiro.

Gigante na luta contra a opressão da ditadura militar (1964-1985), tendo à frente o combativo D.Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo e D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, a Igreja Católica se acomodou e hoje não vê a opressão passar ao lado. Querendo ou não, faz vistas grossas relativamente aos opressores de plantão.

Onde está a defesa pela “libertação política dos povos oprimidos”?

Quaisquer que sejam as formas, as ditaduras não merecem acolhida de seus nacionais e tampouco de instituições sérias a exemplo da CNBB que está de cócoras diante de poderosos de ocasião.

Na Nicarágua, país governado por um ditador, o presidente de lá mandou condenar o bispo de Matagalpa, Dom Rolando José Álvarez Lagos, a 26 anos de prisão. Crime do prelado: fazer oposição à ditadura de Ortega.  

O Judiciário de lá é subserviente à ditadura. Condenou o bispo como “traidor da pátria” e mandou trancafiá-lo até o ano de 2049.

O bispo é acusado pela ditadura de “conspirar para minar a integridade nacional e propagação de falsas notícias através das tecnologias da informação e da comunicação em detrimento do Estado e da sociedade nicaraguense”, conforme a TV Canção Nova, 13/02/2023.

Qualquer semelhança com acusações que nosso Poder Judiciário vem atribuindo a alguns brasileiros será mera coincidência. A ditadura aqui é outra, mas já estamos beirando à fase da escuridão.

O ditador Daniel Ortega já determinou “o fechamento de estações de rádio católicas, a obstrução do acesso às igrejas pela polícia e outros atos graves que perturbam a liberdade religiosa e social”, diz a Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia, que protestou veementemente.

Mais: em data recente o presidente da Nicarágua expulsou 222 opositores do país, dentre esses padres e seminaristas e retirou-lhes a cidadania nicaraguense “por toda a vida”.

A Igreja Católica do Brasil, por pusilanimidade ou leniência, não se manifesta inequivocamente sobre essa perseguição religiosa do ditador da Nicarágua, tampouco sobre os inegáveis excessos que estão acontecendo no Brasil, que caminha a passos largos para momentos de truculência e restrição de direitos, mormente no que concerne à censura e ao controle dos meios de comunicação e consequente sufocamento da liberdade de expressão.

Como se vê, falta à CNBB, pelo menos, expressa manifestação de solidariedade à Conferência Episcopal Nicaraguense.

A Igreja Católica Romana é una, santa e apostólica. É a mesma na Nicarágua. É a mesma no Brasil. É a mesma no mundo.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva e o PT, saudosismo e mesmice

O escritor mineiro Fernando Sabino contava a história:

O médico proibiu de fumar o poeta e romancista paulista Mário de Andrade.

“Se você largar o cigarro, ainda poderá ter mais uns vinte anos de vida”.

Desencantado, Mário de Andrade perguntou:

“De que me adianta viver mais vinte anos sem fumar?”

A esquerda diurética – vive encharcada de etílico – comenta, à exaustão, os “extraordinários feitos” do terceiro governo Lula e está capitalizando, com inegável eficiência, o despreparo político do esquisito ex-presidente Jair Bolsonaro.

A esquerda voltou a endeusar o PT e o lulopetismo como símbolos da honestidade e do combate à corrupção.

Dá para acreditar?

Segundo o jornal O Globo de 12/02/2023, Lula da Silva vem desagradando aliados, em razão de algumas de suas falas estrambólicas, dissociadas da realidade nacional, dentre elas:

Questionamento da autonomia do Banco Central que o Congresso Nacional aprovou;

Afirmação de que o impeachment de D. Dilma Rousseff foi golpe, não obstante tenha tramitado conforme as normas previstas na Constituição da República.

O afastamento de D. Dilma foi presidido por Ricardo Lewandowiski, amigo pessoal de Lula e então ministro do Supremo Tribunal Federal que, inclusive, deu uma colher de chá a D. Dilma: não suspendeu seus direitos políticos por oito anos, embora previsto na Constituição, em caso de impeachment.

D. Dilma Rousseff ficou livre e disputou uma cadeira no Senado Federal em 2018 por Minas Gerais, mas os mineiros empurraram-na para o quarto lugar, apesar de Lewandowsky.

Lula da Silva hoje está aliado exatamente aos “golpistas” que afastaram Dona Dilma. Basta observar sua base de sustentação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Simone Tebet, ministra de Lula, que votou a favor do impeachment e espinafrava os governos petistas, não é mais “golpista”?

Retomada de empréstimos do BNDES a empreendimentos sediados em ditaduras amigas de Lula da Silva, a exemplo de Cuba, Venezuela e Angola;

Criação de um moeda comum no Mercosul;

Tudo isto faz de Lula e do PT contumazes saudosistas de suas práticas condenadas no passado.

Parece que o PT está parafraseando o escritor Mário de Andrade.

De que adiante ficar mais alguns anos no poder sem cometer os mesmos erros?

Vamos em frente.

araujo-costa@uol.com.br

A esquina do tempo e outras esquinas

“Quando o mundo fecha uma porta, Deus abre uma janela. Quando o mundo fecha as portas e as janelas, Deus derruba as paredes” (Lídia Vasconcelos).

Em meio às madrugadas perdidas – foram tantas! são tantas! – tenho refletido sobre a fragilidade a que chegamos até esta quadra de nossa sociedade cruel, difícil e indiferente.

Espaçam-se as certezas entre as amizades que tivemos ao longo do tempo e as que ficaram ou o que resta delas.

Amizades também fracassam. Isto é o que atestam o burburinho e o fervor da juventude e a frieza cruel do amadurecimento.

Ficaram as boas amizades que perduram, se ainda não se foram em direção à finitude da vida.

Ouvi muitas vezes reflexões parecidas sobre portas e janelas fechadas, repetidas por um amigo, em meio às incertezas e aos sonhos de nossa mocidade.

Em Chorrochó, o amigo Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes (Totó, para os amigos e Corró, para o irmão Ernani do Amaral Menezes), que tinha nome de nobre português e não está mais por aqui, deixou-me algumas reflexões.

Antonio Euvaldo foi-se antes do combinado, como se diz no interior de São Paulo, mas as frases que ele tanto dizia e repetia sobre o andar da vida continuam cutucando a saudade e dilacerando meus momentos quando me recolho à solidão.

Nunca esqueci essas reflexões nos momentos de tropeços, que foram muitos, são muitos, continuam sendo muitos.

Lembro alguns amigos. Muitos deles conhecidos nas esquinas da vida e no ziguezaguear do tempo.

Todos nós temos uma esquina em nossa vida. Se não é esta mais próxima, será aqueloutra, mais distante e nem por isto menos importante.

Eu tive muitas e ainda as tenho. Em Patamuté, ao lado da casa de José Henrique de Souza, que também abrigava o Cartório do Registro Civil e não mais existe; em Chorrochó, a do desaparecido Bar Potiguar; em Curaçá, a do Teatro Raul Coelho; em Salvador, Rua Chile e Praça Castro Alves; em Petrolina, Rua Maurício Vanderley; em Juazeiro, Rua Coronel João Evangelista; em Santo André, Rua Brás Cubas; em Mauá, Rua D. José Gaspar; em São Bernardo do Campo, a esquina da Alameda D. Thereza Cristina, em frente ao meu antigo escritório.

Nas esquinas encontramos os amigos – ou aqueles que se dizem amigos – colocamos a conversa em dia, sabemos da vida dos outros e, lá também, sabem da nossa. Espairecemos a sisudez da vida e construímos, às vezes, parte de nosso estado de espírito cultural.

Esquinas deveriam ser patrimônio cultural.

Esquinas costumam ser pontos para jogar conversa fora ou trazê-las de volta. Nelas se juntam jornalistas, escritores, políticos, estudantes, boêmios, curiosos, desocupados em geral e outros circunstantes.    

Há notícias boas e más nas esquinas.

As esquinas também testemunham dores. Sei-o agora, em razão da experiência.
Foi numa esquina, no interior de São Paulo, que um telefonema me alcançou e recebi a notícia da morte de minha mãe, momento muito difícil e dilacerante, talvez a primeira vez que me senti fragilizado ao extremo. Um desespero inominável e inexplicável.

O tempo também constrói suas esquinas. São as esquinas da reflexão e da sabedoria, para entendermos as quedas do caminho, os tropeços, o misturar da poeira, o esvoaçar das cinzas.

Surge da queda a grandeza para enfrentarmos as adversidades e há também a esquina para mostrar o horizonte e divisar as luzes da alvorada.

As esquinas da vida também se prestam para muitas outras coisas, inclusive para servir de assunto para uma crônica de saudade e entender que as amizades também fracassam ou desaparecem.

 araujo-costa@uol.com.br

Corrupção: ministro de Lula segue estrada perigosa.

“O orçamento secreto é uma imoralidade, uma indecência, que leva ao desvio de recursos públicos. Muitos estão se apropriando indevidamente desses recursos” (Flávio Dino, Agência Senado, 02/10/2022). 

Se não por questões morais – nunca se deve exigir isto de Lula da Silva – mas por razões políticas, o presidente da República deve demitir o seu enrolado ministro das Comunicações.

Só para lembrar: o ministro é do Maranhão e do grupo político que apoiou Flávio Dino no Estado.

Indicado pelo Centrão, que Lula da Silva e o PT tanto criticaram e hoje afagam, o ministro Juscelino Filho (União Brasil) já começou no governo arrostando pelo menos duas estrepitosas denúncias de corrupção.

A primeira denúncia é estarrecedora:

O ministro apresentou à Justiça Eleitoral informações falsas para justificar o uso do Fundo Eleitoral no pagamento de 23 viagens de helicóptero durante sua campanha de deputado federal em 2022.

Indicou os nomes de três supostos cabos eleitorais que, segundo ele, usaram a aeronave em 14 cidades do Maranhão, inclusive no município de Vitorino Freire, onde tem fazenda.

Todavia, o ministro esqueceu que mentira tem pernas curtas e “esperteza demais vira bicho e come o dono”.

Os nomes de tais “cabos eleitorais” foram usados falsamente, indevidamente, manhosamente.

Trata-se de um casal de São Paulo e uma filha de 10 anos, que nunca foram cabos eleitorais do hoje ministro e sequer o conhecem.

Cabo eleitoral de 10 anos de idade, usando helicóptero em campanha eleitoral?

Só na campanha do ministro de Lula.

Mais: o empresário indevidamente citado, que é do ramo de decoração, disse que fez algumas viagens de helicóptero entre a capital de São Paulo e a cidade paulista de Campos do Jordão que, como se vê, fica em São Paulo e não no Maranhão.

Só para lembrar: o ministro é do Maranhão e do grupo político que apoiou Flávio Dino no Estado.

“Provavelmente usaram meu nome e puseram na comprovação de despesas. Eles pegaram a lista de passageiros do voo que eu voei e replicaram”, disse o empresário, que nunca foi cabo eleitoral do ministro de Lula.

Com essa lista falsa, o ministro justificou o uso do Fundo Eleitoral para receber R$ 385 mil em sua campanha. O dinheiro foi repassado ao ministro e consta da prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral.

A segunda denúncia também é estarrecedora:

O mesmo ministro lulista gastou “R$ 5 milhões do orçamento secreto na construção de uma estrada que corta fazendas da família. Em uma delas Juscelino tem uma pista de pouso e um heliponto particulares” (O Estado de S.Paulo,31/01/2023).,

O que é Fundo Eleitoral?

São recursos públicos da União criados como compensação do financiamento feito por empresas a campanhas eleitorais que passou a ser proibido por força de decisão do Supremo Tribunal Federal.

O Congresso aprovou R$ 4,9 bilhões de Fundo Eleitoral para 2022 para, dentre outras coisas, políticos corruptos usarem em propriedades particulares, como é o caso do ministro lulista.

Só para lembrar, o ministro é do Maranhão e do grupo político que apoiou Flávio Dino no Estado.

Pergunta:

Alguém viu Lula da Silva ou Flavio Dino falar sobre isto em entrevista à imprensa?

araujo-costa@uol.com.br

Câmara de Curaçá sinaliza novo amanhecer

“Sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros (Oscar Wilde, escritor e dramaturgo irlandês, 1854-1900)

Já se disse alhures, que ninguém vive na União ou no Estado, mas no Município.

A afirmação é uma forma singela, quiçá filosófica, de significar que além de ser uma instituição político-jurídica, o município é uma instituição social, naturalmente inserida no contexto nacional e formada de cidadãos com os mesmos interesses, aspirações e ideais.

No dizer de Rui Barbosa, “não há corpo sem células e não há Estado sem Municipalidades”.

Em Roma, 80 anos a.C, a cidade era considerada uma pequena república, embora subordinada à autoridade imperial, mas apta a convocar reuniões ou assembleias dos cidadãos para votarem seus estatutos.

A história registra que naquela quadra do tempo, o município escolhia magistrados, conselheiros que exerciam as funções de Senado, cônsules que exerciam a censura, questores que administravam os fundos públicos e colegiados que exerciam as funções religiosas.

Como se vê, já naquele tempo a cidade comandava as questões primeiras da sociedade.   

Chegamos ao município de hoje, hodierno e asfixiado pelas incompreensões e vaidades.

A Câmara Municipal tem formato tal que representa o povo, legisla, faz proposições, solicitações, consultas, pedido de informações, indicações, moções e, precipuamente, cuida da redação das leis e consequentes emendas supressivas, aditivas, modificativas, et cetera, além de atribuições outras que lhe são adstritas.

Prolegômenos à parte, isto é para dizer a seguinte obviedade: que os vereadores têm papel fundamental na vida da sociedade local, de modo que eles se agigantam à medida em que se preocupam com a população e suas demandas mais prementes.  

Entretanto, sabe-se, muitos se enveredam pelo caminho dos interesses pessoais, aliam-se ao chefe do Executivo e muitos deles simplesmente passam a legislatura referendando atos do Poder Executivo, de tal forma que se apequenam e arranham a nobre função de vereador.

Considerando o estado de dificuldade por que passa a população de Curaçá – e as notícias são muitas nesse sentido – ouso conjecturar que também é dever da Câmara Municipal se manter em permanente vigília em favor da população e não somente através de discussões protocolares aventadas por ocasião de sessões ordinárias e obrigatórias convocadas por força regimental.

Seria a perspectiva de um novo amanhecer, de uma luz para clarear novas mentalidades ao interpretar os anseios da população.

Contudo, a nobreza do vereador é sustentar-se na soberania do voto popular e direcionar-se em consonância com a vontade do povo. Não há credencial mais legítima, mais lídima, mais pujante.

Em 06/02/2023, a Câmara Municipal de Curaçá estará empossando seu presidente Rogério Quintino Bahia e, por consequência, seus colegas que compõem a Mesa Diretora da Edilidade para o biênio 2023/2024.

Vereador Rogério Bahia/crédito da foto: perfil no facebook

O plenário da Câmara Municipal de Curaçá foi batizado com o nome de Aristóteles de Oliveira Loureiro, que foi prefeito e um dos vereadores mais atuantes da história do município em diversas legislaturas. Neste particular, o simbolismo diz muito.

Dinâmico, preparado intelectual e politicamente, o insigne vereador Rogério Bahia pode significar a esperança de um novo amanhecer para Curaçá.

Registro o fato com o intuito de desejar êxito ao ilustre vereador Dr. Rogério Quintino Bahia em sua nova missão à frente da Câmara Municipal de Curaçá, aos demais membros da Mesa Diretora e, por extensão, a todos os vereadores do município.

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Bahia: O TCM e a mulher de Rui Costa  

Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia

Fundado em março de 1971 ao apagar das luzes do governo de Luiz Viana Filho, o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) é uma generosa instituição que abriga em seus quadros, nababescamente, algumas figuras da elite política baiana, a exemplo dos ex-deputados Nelson Pellegrino (PT) e Mário Negromonte (PP).

Passaram pelo TCM figuras lendárias como Paulo Maracajá e Clemenceau Teixeira, que enriqueceram a história do tribunal.

O TCM tem como atribuição precípua analisar as contas dos prefeitos dos municípios baianos e, conseguintemente, aprová-las, se consentâneas com a legislação ou rejeitá-las, se irregulares.

Em quadro assim, pressupõe-se que seus conselheiros devam entender de contas públicas e não de assuntos de enfermagem, inobstante a essencialidade da nobre profissão.

O ex-governador Rui Costa (PT), atual todo poderoso ministro chefe da Casa Civil da presidência da República quer emplacar sua mulher, a enfermeira Aline Peixoto, para conselheira do TCM com estratosférico salário de R$ 41,8 mil por mês, mais mordomias e penduricalhos que se somam até a aposentadoria.

“Isso é uma vergonha”, diria o jornalista Boris Casoy.

A indicação, se confirmada, dependerá de aprovação da Assembleia Legislativa e lá, sabe-se, Rui Costa tem amigos de sobra que podem garantir a aprovação do nome da ilustre enfermeira para o TCM.

Na esteira do “engana-me que eu gosto” petistas graúdos do Estado à frente o presidente do partido se dizem “surpresos” com a indicação da enfermeira para conselheira do TCM.  

Há outros nomes que também querem abocanhar a vaga de conselheiro do TCM, dentre eles o deputado Marcelo Nilo, que não se reelegeu e um deputado do PCdoB.

O deputado Alex Lima (PSB), que estava cotado para a vaga, após reunião com Rui Costa em Brasília, desistiu em favor da mulher do ex-governador. Segundo declarou à imprensa, notou um “movimento silencioso” dos deputados estaduais em favor da enfermeira e ex-primeira dama da Bahia.

De qualquer modo, não fica bem moralmente para o PT apadrinhar a mulher do ex-governador Rui Costa para conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios.

“Caso seja indicada para uma cadeira no Tribunal de Contas, Aline Peixoto terá um salário mensal de R$ 41,8 mil e poderá permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos” (Folha de S.Paulo, 31/01/2023)

O salário de R$ 41,8 mil por mês, que ganhará a possível conselheira, é suficiente para pagar 32 aposentados com 01 salário mínimo.

É o PT na luta contra a pobreza.

E um atestado de que o TCM se queda à elite política.

araujo-costa@uol.com.br

Demolição de hipocrisias

Demolindo hipocrisias – I

Durante a campanha eleitoral, Lula da Silva criticou duramente o “orçamento secreto”, classificando-o de escândalo.

Entretanto, ao discutir a chamada PEC da Transição no Congresso Nacional, para suspensão do teto de gasto, abertura dos cofres públicos para seu governo e cuja aprovação dependia dos deputados e senadores beneficiários do tal “orçamento secreto”, Lula silenciou, deixou pra lá, fez vistas grossas.  E abocanhou os votos de tais parlamentares.

Veja quem usou o orçamento secreto em benefício próprio e não em benefício do povo: o ministro das Comunicações de Lula da Silva.  

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/30/ministro-de-lula-beneficiou-fazenda-propria-com-orcamento-secreto.htm

Demolindo hipocrisia s – II

Durante a campanha eleitoral, Lula da Silva criticou duramente o deputado Arthur Lira, então aliado de Bolsonaro e presidente da Câmara dos Deputados, dizendo que o deputado tem poderes demais à semelhança de um imperador e desancando-o em razão do “orçamento secreto”.

Veja quem Lula da Silva e o PT apoiam para reeleição à presidência da Câmara: Arthur Lira.

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63803460

Demolindo hipocrisias – III

Durante a campanha eleitoral, Lula da Silva criticou duramente os “decretos sigilosos” do governo Bolsonaro.

Veja um dos primeiros atos de Lula, após tomar posse: colocar sob sigilo a lista de convidados para a festa de sua posse e, por tabela, o total do gasto com o retumbante regabofe no Palácio Itamaraty para aproximados 3.500 convidados.  

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/27/governo-sigilo-dados-festa-posse-lula.htm

Deslumbrada com o poder e os holofotes, a mulher de Lula da Silva organizou a festa da posse. E daí?

Na visão do lulopetismo e apoiadores de Lula da Silva, colocar sob sigilo determinados assuntos do governo federal é uma forma de esconder malfeitos.

Isto foi dito na campanha presidencial, exaustivamente, embora os decretos sigilosos sempre tenham existido.

Ora, Lula da Silva é honesto, os ministros de Lula são honestos, o governo de Lula é honesto, o lulopetismo é um poço de honestidade.

Partindo do pressuposto de que “decreto sigiloso” é uma forma de esconder falcatruas, como dizia o PT na campanha e que todos no governo Lula são honestos, então fica difícil entender esse sigilo que Lula impôs sobre sua festa de posse.

Demolindo hipocrisias – IV

Durante a campanha eleitoral Lula da Silva atacou duramente o adversário Jair Bolsonaro, acusando-o de envolvimento com milicianos.

Veja quem está envolvida com milicianos, segundo a imprensa: a ministra do Turismo de Lula da Silva:

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Patamuté e o sonho do jovem professor Robério

“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente (Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987)

Professor Robério Fonseca Brandão/Foto de seu perfil no facebook

Robério Fonseca Brandão é exemplo de jovem que não pretende abandonar seus sonhos, não obstante as dificuldades do lugar, idade ainda no alvorecer e vicissitudes naturais da caminhada.

Patamuté ainda padece de gritante descaso generalizado por parte das autoridades em todos os níveis, mormente no que concerne à educação, equipamentos públicos e assistência à juventude.

Conheço bem e sou atento à história de Patamuté. Vivi lá, engendrei meus sonhos lá, fui professor lá, sou apaixonado por lá. Mas esta é outra história que aqui, não vem ao caso.

O certo é que construímos nossos sonhos em qualquer lugar, tenros uns, robustos outros. Em qualquer lugar vive-se aos trancos e barrancos. Mas o norte será sempre a expectativa de novos horizontes e a persistência dos sonhos.

Contudo, ocupo-me agora do professor Robério Fonseca Brandão, jovem de 23 anos.

O professor Robério descende de ilustres famílias de Patamuté. É filho de Regiana Souza Fonseca e Paulo Rogério de Souza Brandão. Avós maternos Edite Ferreira de Souza e Guilhermilton Fonseca de Souza e avós paternos Júlia de Souza Brandão e Raimundo Brandão Filho.

Sustentáculo familiar respeitado, sério, tradicional, indestrutível.  

Embora jovem, o professor Robério carrega respeitável estrutura profissional. É graduado em Pedagogia pela UNIFAEL de Petrolina (PE) e pós-graduado em psicopedagogia institucional, alfabetização e letramento, o que lhe dá esteio necessário para o exercício da profissão de educador.

É professor da Escola Municipal Otaviano Matos, em Patamuté. Atua no desenvolvimento de atividades com alunos de 6 a 10 anos, faixa etária que exige preparo e técnica profissional compatíveis com os primeiros anos de formação do caráter das crianças.

A função do professor, dentre outras, é moldar o caráter de seus alunos, tornando-o moralmente inflexível diante das encruzilhadas da vida. A boa índole lastreada nos ensinamentos do professor é, talvez, o maior patrimônio do aluno por toda a vida.  

Robério Fonseca Brandão foi questionado por este Blog quanto aos seus sonhos enquanto professor e membro da sociedade de Patamuté e também sobre o que falta, em sua opinião, relativamente à educação e necessidades da juventude local.

Ponderou que urge valorizar a cultura e devolver “um grande ponto turístico que é a gruta de Patamuté com apoio aos romeiros, local para acomodá-los, comercialização decorrente do ponto turístico e que a renda permaneça na localidade.”

Sugeriu a amplitude de um “projeto para toda comunidade” e quer ver “todas as crianças alfabetizadas e autoras de suas próprias histórias, desenvolvendo habilidades significativas para a vida cotidiana”.

Reivindicou “transporte adequado para os alunos que moram nas fazendas, aulas diferenciadas como: musicalização, teatro e danças para atrair os jovens e capacitá-los; cultura, esporte e lazer com profissionais habilitados” nas áreas respectivas.  

Pontuou o valor da religião para a juventude e a necessidade de “criar grupos de jovens e incentivá-los para participarem ativamente nas manifestações culturais do distrito”.    

Apontou a necessidade de cursos profissionalizantes direcionados aos jovens e curso de “jovens empreendedores que possam capacitá-los para desenvolverem atividades no próprio distrito”.

Como se vê, o jovem professor Robério Fonseca Brandão possui qualidades razoáveis para contribuir para o desenvolvimento do distrito de Patamuté.

Este Blog agradece a receptividade e atenção do professor Robério e lhe deseja êxito em sua caminhada como profissional e cidadão.

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