Margareth Menezes e o PT

Margareth Menezes/Foto de Cristiano Mariz

A indicada para ministra da Cultura do governo Lula da Silva é Margareth Menezes, cantora baiana de samba-reggae.

A preferida de Lula continua sendo a atriz Marieta Severo, ex-mulher do cantor e intelectual Chico Buarque e amiga pessoal do presidente eleito, mas sabe-se que ela declinou do convite, por enquanto.

Margareth Menezes sempre apoiou o grupo político de Antonio Carlos Magalhães no tempo do antigo PFL e tinha ACM como “um dos motivos de maior orgulho da Bahia”, o que não é nenhum exagero.

Entretanto, na década de 1990, Margareth Menezes passou a ser aliada do PT, mas o governador Rui Costa e futuro ministro da Casa Civil de Lula já se apressou em dizer que Margareth Menezes “não é de esquerda” e, talvez por isto, o PT não digeriu muito a indicação da cantora para comandar a cultura que, segundo consta, é um pedido da mulher de Lula e, como tal, precisa ser atendido.

Mas há um quiproquó. Margareth indicou Zulu Araújo, ex-diretor do Olodum e amigo de Gilberto Gil, para seu secretário executivo, mas o PT vetou e disse que o cargo será do historiador Márcio Tavares, secretário nacional de cultura do partido e o empurrou goela abaixo da cantora baiana e deu como caso encerrado. Entretanto, em política tudo pode mudar a qualquer momento.

Já de início, o PT fez de Margareth Menezes uma ministra faz-de-conta que sequer pode escolher seu principal auxiliar.

O diabo é que Margareth Menezes está enrolada com a Receita Federal, em razão de dívidas que superam R$ 1,1 milhão, embora isto não seja nenhum defeito, nem impedimento de ordem moral para assumir o cargo.

Segundo a revista Veja, citada em edição de O Globo, “a cifra se refere a impostos não recolhidos pelas empresas Estrela do Mar Produções Artísticas e MM Produções e Criações, responsáveis pela produção de espetáculos e gravação de discos de Margareth. Uma delas, de acordo com auditores, recolhia o INSS de seus empregados, mas não repassava à Previdência”.

Mas isto em si, não é problema. Dever não é e nunca foi defeito. Neste Brasil de pobres e miseráveis, dever impostos é a regra geral que atinge os mortais comuns.

Entretanto, o diabo é que “o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou, há dois anos, irregularidades num convênio assinado, em 2010, entre a Associação Fábrica Cultural — ONG fundada por Margareth — e o Ministério da Cultura, no último ano do governo Lula” (O Globo, 16/12/2022).

Trata-se de dinheiro público destinado a ONG da futura ministra, cujo destino está sendo questionado. Pode ser apenas uma falha na prestação de contas, mas pode ser incapacidade de gerir recursos públicos. Não se sabe, ainda.

Sendo assim, não ficará bem para uma ministra da Cultura pendurar-se em irregularidades com o ministério que estará sob seu comando. Soa esquisito, imoral, indecente.

Como ser de esquerda não é nenhuma qualificação para ser ministro da Cultura – e em política valem mais os símbolos e as entrelinhas do que os fatos –  a afirmação de Rui Costa no sentido de que “Margareth Menezes não é de esquerda” pode significar que ele faz parte da turma do PT que não a quer como titular do ministério. E Rui Costa será um dos ministros mais poderosos do governo Lula.

Encontrei Margareth Menezes somente uma vez na vida. Foi nos antigos estúdios do SBT, no Sumaré, em São Paulo, quando ainda não existia a atual e grandiosa estrutura da emissora em Osasco.

Desenvolta, sorriso largo, apaixonada pela cultura baiana, parece se confirmar hoje sua seriedade com o que faz desde muito jovem.

Se o PT deixar, será uma boa ministra da Cultura.

araujo-costa@uol.com.br

Jornalismo às avessas

A colunista Cristina Serra, da Folha de S. Paulo que, de crítica virulenta do PT e dos governos petistas, se transformou em bajuladora de plantão de Lula da Silva e do lulopetismo, talvez num ato falho, publicou em sua coluna de 17/12/2022 a lição magistral de Jânio de Freitas, ícone do jornalismo nacional:

Do alto de seus 90 anos, Jânio disse que há duas maneiras de exercer o jornalismo. “Uma é o carreirismo desbragado, a bajulação, a adesão política e a prestação de serviços contra a ética jornalística. A outra é trabalhar muito. Assim, essa carreira vale a pena”.

Como se vê, o jornalismo de Jânio de Freitas não é o jornalismo que Cristina Serra exerce, o jornalismo às avessas.

Cristina Serra foi além e escreveu: “Muitos de nós ficaram (e ficam) pelo caminho: porque as dificuldades da profissão são imensas, porque os salários são baixos e as pressões, às vezes, insuportáveis”.

Ela se esqueceu de dizer que o bom jornalismo não cede a pressões, tampouco tenha de negligenciar ou maquiar a verdade porque os salários são baixos ou porque o jornalista necessite abdicar de suas convicções profissionais para ajustar-se aos privilégios decorrentes da proximidade com o poder.

Jornalista moldado à seriedade da profissão não bajula Lula da Silva, não bajula Jair Bolsonaro, não bajula nenhum poderoso de plantão, não bajula quem quer que seja.

Hoje, o exemplo mais gritante de como não se deve fazer jornalismo é o acocorar-se da GloboNews diante do lado político que escolheu para defender.

À exceção de Fernando Gabeira, esquerdista decente e de respeito, os demais comentaristas e apresentadores da emissora desceram ao ridículo da falta de credibilidade jornalística. Sem nenhum pudor.

O bom jornalismo se faz com decência, sem bajulações, sem lambidela de botas dos poderosos, etc, principalmente sem o etc.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté está de luto.

Glorinha na Igreja de Patamuté/foto de seu perfil no Facebook.

A família de Glória do Prado Reis (Glorinha) noticiou seu falecimento.

Glorinha fez parte de uma geração que sabia construir amizades sólidas e duradouras.

Glorinha era filha de Laura Prado (D. Lalu) e Lídio Manoel dos Santos.

Esse distinto casal de Patamuté teve filhos decentes e encantadores. Atrevo-me a citá-los, embora correndo o risco de esquecer algum nome: Edelzuíta, Glorinha, Aderlinda, Carmelita, Nidinho, Edinho, Nilzanete, Elizabete, José Aílton e Jackson, alguns já falecidos.

Família tradicional, de bom caráter, sempre alegre, atenciosa, encantadora.

A história de Patamuté foi construída com a participação ativa e contínua de D. Lalu e Lídio e, por extensão, de todos os filhos.

Convivi com alguns deles em Patamuté. Tempo de juventude interessante e inesquecível. Guardo boas lembranças de todos eles.

Glorinha fez parte de uma geração decente e encantadora, que valorizou as amizades e espalhava a bondade e o sorriso.

Em fevereiro de 2011 D. Lalu se foi. Lídio, anos antes.

Deixo aqui pêsames a todos da família de Glorinha.

Coragem e força!

E que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe dê o amparo.

Vá com Deus, Glorinha.

Você foi muito importante para todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva

Responsável pela vitória de Lula da Silva na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula. E Lula é o coronel de Rui Costa.

Alzira dos Brilhantes era uma mulher que frequentava o Tabaris, maior muvuca de Salvador e, no auge da fama, arrumou um homem muito rico, coronel do cacau, que a cobriu de brilhantes e a sustentou com pompa e circunstância.

Depois, já decadente, Alzira foi viver no Politeama e o resto da história todos – ou quase todos – conhecem.

Contemporânea de Alzira dos Brilhantes foi a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, assim como Rui Costa, uma lenda urbana.

Rui Costa é soteropolitano. Nasceu na Liberdade, se formou em economia, ajudou a fundar o PT e está aí, cheio de brilhantes políticos concedidos por Lula da Silva. Será o seu chefe da Casa Civil.

Bata enorme e roxa, batom vermelho, a “Mulher de Roxo” fincou morada diuturna na Rua Chile e à noite recolhia-se na Baixa do Sapateiros.

A história é longa, mas todos da geração dos anos 1960/1970 conhecem. Sempre se portava em frente à loja Slopper, na Rua Chile, descalça, enorme crucifixo pendurado, aparência de freira, educada, solitária, misteriosa.

Na época, também na Rua Chile, em cima da loja Duas Américas funcionou por muitos anos, o mais famoso cabaré de Salvador. Cabaré e política sempre andam juntos. A diferença é que no cabaré as conversas são mais decentes.

Nunca se conheceu a história da “Mulher de Roxo”, sua vida, sua história, seus sofrimentos, seus mistérios.

Uns diziam chamar-se Florinda, outros ariscavam nomes diversos que nunca se confirmaram.

Diziam que tinha sido muito rica, morou na Ladeira da Montanha e havia perdido a fortuna e, em razão disto, teria enlouquecido. Outros conjecturavam que a loucura se deveu ao fato de ter sido abandonada pelo noivo no altar.  

Seria ela realmente louca?

Nada foi confirmado, nada foi descoberto durante décadas. O fato é que a “Mulher de Roxo” virou lenda urbana.

Assim como Alzira dos Brilhantes e a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, Rui Costa está aí, perambulando nos gabinetes do poder e será o dono de um dos mais importantes e robustos ministérios da República, a Casa Civil.

Difícil explicar como Rui Costa e Jaques Wagner conseguiram transformar a Bahia no maior feudo do PT no Nordeste.

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva e carrega o enigma misterioso da “Mulher de Roxo” da Rua Chile.

Lula da Silva é o coronel de Rui Costa.

araujo-costa@uol.com.br  

Observação: Foto “Mulher de Roxo”/reprodução Google.

Em Curaçá, Rogério Bahia sustenta a tradição  

“A tradição é o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro” (Tobias Barreto, jurista e filósofo sergipano, 1839-1889).

O vereador Rogério Bahia foi eleito presidente da Câmara Municipal de Curaçá para o biênio 2023/2024.

Advogado com 46 anos e aproximadas duas décadas de exercício da profissão, Dr. Rogério Bahia se sustenta nas tradições curaçaenses amparadas em núcleo familiar de conhecida contribuição para a história do município.

Neto de Gilberto da Silveira Bahia, prefeito do município no período de 1959-1963 e filho de Gilberto Bahia Filho (Gilbertinho), que também foi prefeito no período de 1993 a 1996, o advogado Rogério Bahia tem considerável e louvável folha de serviços prestados ao município.

O homem começou cedo. Exerce a advocacia desde jovem e já foi advogado da Câmara Municipal e vice-prefeito do município.

Patrocinou causas de associações rurais e urbanas. Sempre fez um trabalho de esclarecimento à população no que concerne aos direitos previdenciários e se preocupou sobremaneira com os problemas fundiários.

Levou suas ideias ao interior do município, expandindo-as além da sede, cresceu junto à comunidade como um todo e se consolidou como político atuante e bem avaliado.

Em recente esforço na área da cultura, o vereador Rogério Bahia propôs e aprovou projeto de lei, já sancionado pelo prefeito, com vistas à proteção do patrimônio histórico do município de Curaçá, incluída aí, por óbvio, a Gruta de Patamuté, elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus e importante ponto turístico e de devoção e fé. 

Noticiou-se que a eleição para a presidência da Câmara Municipal se deu em chapa única, o que autoriza a entender que o vereador Rogério Bahia está consolidando sua liderança no município, construindo unanimidade e robustecendo a tradição política local.

Observação: A foto de Rogério Bahia é de seu perfil no facebook.

araujo-costa@uol.com.br

Thábata, um pouco do meu dizer

Hoje, dia de seu aniversário, qualquer demonstração de amor que eu possa lhe fazer não traduz sua importância em minha vida. Você é muito para encaixar-se em palavras.

Mas, nestes tempos incertos que a vida nos dá, deixo algumas reflexões:

1. Angústias

“No mundo havereis de sentir angústias, mas tende confiança: eu venci o mundo” (Mateus, 16-33).

2. Cansaço

“Se lhe der vontade de parar, olhe para quem caminha à sua frente. Ele (a) também está cansado (a)” (D. Carmine Rocco).

3. Sonhos

“Sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros” (Oscar Wilde).

4. Capacidade de amar

“Amar para viver ou morrer de amor” (Erasmo Carlos).

Estas citações são para lhe dizer:

Tenha confiança, sempre. Nunca desanime com eventuais percalços, tropeços, rasteiras que a vida dá. Muitos que caminham à nossa frente se sentem cansados, mas estão além de nós, lutando, persistindo, buscando novos horizontes.

Não há certeza de chegarmos lá. A certeza está na firmeza de nossos passos em direção à esperança.

No dia a dia encontramos mais obstáculos que ofuscam nosso caminhar do que clareza para enxergar o caminho. O segredo é aprender a passar por cima deles e seguir em frente.

Jamais perder a capacidade de amar. É o amor, em todas as suas formas, que nos indica o caminho menos espinhoso, clareia as encruzilhadas e nos leva ao destino possível.

O que lhe dizer, afinal, neste seu dia tão exclusivo e singular?

Que você é especial todos os dias.

Todos os seus dias me são especiais por você existir e fazer parte de minhas alegrias.   

Parabéns, Thábata!

Em Chorrochó, premiação destaque do ano consolida-se como tradição.

No decorrer deste último semestre de 2022, Chorrochó ocupou seguidos espaços nas redes sociais, por conta da escolha da premiação do troféu Destaque do Ano de 2022.

É notório que o colunismo social do jornalismo impresso vai-se esvaindo e, em consequência, surgem atalhos na mídia digital que substituem, com vantagem, algumas formas da prática jornalística tradicional tão comum na vida social.

Neste particular, as redes sociais têm desempenhado papel importante na demonstração do comportamento social e impõem claros reflexos na vida profissional de considerável número de pessoas, independentemente da região em que vivem e atuam.

Em Chorrochó, município encravado no sertão da Bahia, há algum tempo surgiu o site Chorrochoonline, fruto da criatividade de Edimar Carvalho, que se tornou uma espécie de condutor do colunismo social da região, ajustando-o à nova realidade do viver da sociedade.

Não é só. Com o advento do Chorrochoonline surgiram formas mais eficientes de avaliação vigilante e diuturna de profissionais de todos os setores, que redundou no Troféu Destaque do Ano, que vem agraciando pessoas de variados segmentos, de modo que isto representa o reconhecimento da sociedade a essas pessoas que se dedicam com esmero ao mister que ocupam e se dispõem a fazê-lo bem feito.

Aqui não se discute a posição que cada um ocupa no meio social, mas o talento, dedicação e responsabilidade diante do desafio profissional, das intempéries que enfrentou e, sobretudo, da disposição de seguir adiante em direção a horizontes sonhados e desconhecidos.

Segundo o criador e organizador do evento Edimar Carvalho, em 2022 as redes sociais escolheram para receber o Troféu Destaque de 2022 as seguintes personalidades:

Silaine Alves do Nascimento Ramos, secretária municipal de Chorrochó; Tairone Belfort de Almeida, enfermeiro do PSF de Chorrochó; Doutora Lucynalva Freire de Carvalho Pires, Delegada de Polícia Civil; Édipo Alcimar Nascimento Silva, atuante nas redes sociais em grupos de política; Silma Eliane Nascimento, ex-prefeita de Macururé; Rogério Silva Lima (Irmão Rogerinho), influenciador digital; Samoel José de Santana, líder político do Projeto Pedra Branca, em Abaré; Ronison Gomes da Cruz, atuante na área de saúde; Doutora Josenilda Alves, advogada; Cícero Gomes da Cruz, líder político de Rodelas; José de Assis Teles (Zezinho de Salomão), secretário municipal de Abaré; Edmo Alves Novais, diretor escolar de Chorrochó; Maria do Socorro Silva Paiva, atuante na área de solidariedade em Macururé; Dorcia Soares da Cruz (Dorcia de Rony), Técnica de Enfermagem de Abaré; Hildeth Carvalho, Técnica de Enfermagem de Chorrochó; Altemar Silva Maciel, Técnico de Enfermagem de Macururé; Jenicleia Silva Santos Cruz, primeira-dama de Macururé; João Teles dos Santos, vereador de Curaçá; Aluísio Almeida, vice-prefeito de Rodelas; Felipe César Alves Lima, vereador de Rodelas; Risonilson Celso Ramos da Cruz, vereador de Macururé; José Marciano Nascimento, vereador de Belém do São Francisco; Adriano de Jesus Araújo, pastor evangélico de Macururé, que se fez representar por Celso Ramos; José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), líder político de Chorrochó.

Jilson Cardoso, prefeito de Canudos e Humberto Gomes Ramos, prefeito de Chorrochó, também se fizeram presentes na solenidade de premiação na condição de homenageados.

A solenidade de entrega do troféu Destaque de 2022 se realizou em 03/12/2022 no plenário da Câmara Municipal de Chorrochó.

A abertura do evento foi feita pelo empresário Fábio Jericó, de Abaré. A mesa de cerimônia compôs-se de Juciara Novaes, assistente social; Ilca Dias, servidora pública municipal; Dr. Batista, vice-prefeito de Belém do São Francisco; Ronny, Secretário de Infraestrutura de Rodelas; Dr. Edevaldo Paiva, advogado de Abaré e Caio Ciro, empresário.

Por último, oportuno acrescentar que o evento Destaque do Ano deixou de ser estritamente um acontecimento do município de Chorrochó para estender-se ao universo regional, o que, de fato, engrandece a iniciativa de Edimar Carvalho e coloca os homenageados numa posição de portadores de respeitáveis méritos diante da sociedade.

Embora já tradicional em Chorrochó, há sinalização de que a próxima solenidade deverá acontecer noutra cidade da região, tendo em vista necessidade de estrutura, suporte e apoio, além de sugestões e pedidos de participantes do evento, mesmo porque a premiação afigura-se em alcance regional.

Este blog parabeniza Edimar Carvalho e todos os agraciados por este importante reconhecimento da sociedade regional.

Eventuais omissões de nomes de homenageados e falhas neste texto, o blog se dispõe a corrigir, se instado a fazê-lo, por dever de lealdade ao leitor.

Post scriptum:

Foto: À esquerda, Edimar Carvalho, organizador do evento; à direita, José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), um dos Destaques de 2022.

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Colunismo social, “jabás”, “lixões” e esquerda diurética.

Os excertos a seguir são de Danuza Leão (1933-2022), monstro do colunismo social e estão no livro Na sala com Danuza, Editora Schwarcz, São Paulo, 2007).

Danuza Leão, irmã da cantora Nara Leão, foi modelo, jornalista e escritora e casada com Samuel Wainer, jornalista e fundador do jornal Última Hora. Conhecia tudo de sociedade e de coluna social.

As fontes

“É claro que quem te passa uma boa nota um dia vai cobrar, pedindo que você publique uma péssima do interesse dele (ou dela). Para isso foi inventada aquela tripa com notinhas curtas que, na intimidade das redações, é chamada de “lixão”: é lá que são pagas essas contas”.

Os presentes

“Meu bom senso me ensinou que presentes de pouco valor podem ser apenas gentilezas, não caracterizando “jabá”, que é um suborno disfarçado”.

Ensinamento

“Aprendi uma coisa preciosa com o então dono do Jornal do Brasil, Dr. Nascimento Brito: quando se recebe um presente com segundas ou terceiras intenções, desde que não seja tão agressivo quanto uma joia (respeito é bom e eu gosto), não se devolve, mas também não se agradece”.

As famosas festas

Os organizadores se matam para ter como convidados pessoas famosas, que podem gerar notícias nas colunas e, se possível, matérias em revistas.

Para alcançar essa façanha, são contratados os divulgadores, cuja eficiência é medida pelos famosos que conseguem levar e pelo número de notas que conseguem emplacar.

É preciso sair em jornais, revistas ou na televisão para ser alguém, pois, nesse universo, quem não aparece não é ninguém”.

Quando Danuza Leão escreveu isto não existia a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, recheada de tripas, “os lixões”, tão apreciados por nossa esquerda diurética.

A julgar pela quantidade de tripas diárias, a colunista tem muitas contas para pagar.   

Qualquer semelhança entre o texto de Danuza Leão e a coluna de Mônica Bergamo terá sido mera coincidência.

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Barra do Tarrachil e as raízes de Pascoal Almeida Lima

Pascoal Almeida Lima/Crédito Antonio Marcelo

“Porque de feitos tais, por mais que diga, mais me há de ficar ainda por dizer”. (Luís de Camões)

Em minha mocidade trabalhei no hoje desaparecido Bar Potiguar, em Chorrochó. Lá habituei-me a conviver com Pascoal Almeida Lima, que foi prefeito de Chorrochó no período de 31/01/1973 a 01/01/1977, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e amparado na estrutura político-eleitoral do líder Dorotheu Pacheco de Menezes.

Ele não frequentava o bar com regularidade. Passava por lá, de quando em vez, a caminho da Prefeitura, que ficava ao lado, geralmente para cumprimentar as pessoas, sempre ágil e apressado.

Pascoal carregou a administração de Chorrochó aos trancos e barrancos, conforme lhe permitiu a precariedade das rendas do município. Foi dele a iniciativa de construir a Biblioteca Pública Municipal na sede, que deixou de ser biblioteca e, menos ainda pública, nas gestões subsequentes, porque diluíram o descaso de tal forma que é difícil aquilatar qual delas foi mais negligente.

Pascoal abriu a janela e enxergou melhor o clarear da aurora. Outros vieram depois e ofuscaram o horizonte cultural de Chorrochó.

Tem-se notícia de que na administração de Sebastião Pereira da Silva (Baião) a pretensa biblioteca foi batizada com o nome de Adelino Alves. Estávamos no período de 1977-1983

Confesso um tanto ingênuo, utópico e sonhador. Quando em 2013, o ínclito Joaci Campos Lima, que sempre esteve em minha alta admiração, foi guinado à Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de Chorrochó, achei que a situação da biblioteca municipal tomaria rumo definitivo. Certamente o então secretário se deparou com entraves, talvez legais, talvez político, talvez de prioridade.

Não passou daí a ideia, de modo que a construção do equipamento público não aconteceu ou, pelo menos, não tenho conhecimento que tenha acontecido. Se a biblioteca foi construída, esteve ou está em funcionamento, penitencio-me em razão de minha ignorância.

Registro um episódio curioso naquela primeira metade da década de 1970. Aqui o cronista se perde e se acha e vai buscar algumas lembranças, décadas atrás, quando a memória esburacada ainda permite essa façanha.

Pascoal chegou a me nomear auxiliar de ensino na sede, função que não cheguei a exercer, porque Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho cortou o mal pela raiz. E fez muito bem. Dr. Pacheco era diligente e cauteloso adjunto de promotor na então novel comarca de Chorrochó.

Nessa quadra do tempo, a jovem comarca de Chorrochó ainda sentia os reflexos das luzes capitaneadas por seu primeiro juiz Dr. Olinto Lopes Galvão Filho que, nas horas vagas, gostava de umas talagadas de conhaque. O diligente Oficial de Justiça Carlos Bispo Damasceno (grande amigo) se encarregava de providenciá-lo. Tudo bem discreto, com muito respeito e sem inconveniências.

Dr. Pacheco pediu a revogação do ato de nomeação, vislumbrando – parece – possível irregularidade, porque editado em período eleitoral. Eu não entendia patavina de contratações de servidores públicos.   

Sou grato a ambos, in memoriam: a Pascoal, pela nomeação, que não se efetivou; e ao Dr. Pacheco, porque poupou os estudantes de Chorrochó deste reles quase-professor da rede municipal.

Político probo e experiente, Pascoal vinha de sucessivos mandatos de vereador que remontavam às primeiras legislaturas do município. Faleceu em 2011 com 85 anos de idade, salvo engano.

Pascoal era casado com D. Renilde Almeida Lima, grande figura humana, que exerceu discreto papel de primeira dama, enquanto ele, homem de temperamento irrequieto, defendia intransigentemente a causa e os valores de sua gente.

D. Renilde faleceu em junho de 2016.

As raízes de Pascoal ainda estão fincadas no município, o que é natural, tendo em vista sua longa e ininterrupta atividade política.

O neto Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), estrela que brilha com visível grandeza na constelação política de Chorrochó, em 2020, por exemplo, foi agraciado com 477 votos para vereador à Câmara Municipal.

Tercius já havia sido presidente da Edilidade, que exerceu com eficiência e dinamismo, ainda jovem, por volta de 34 anos. O pai também foi líder respeitável e vereador atuante, de sorte que Pascoal Tercius teve uma boa e eficiente escola política, o que lhe dá sustentáculo para sua carreira e lhe credencia para voos mais altos.

Mais do que a vereança, a presidência da Câmara foi um parâmetro para delinear o reconhecimento de sua liderança e percepção para prever horizontes promissores.

O fato é que Barra do Tarrachil tem se destacado como lastro de políticos que vêm construindo a história de Chorrochó e Pascoal faz parte desta história.

Post scriptum:

A foto de Pascoal Tercius, que considero herdeiro político do pai Fafá e do avô Pascoal, foi reproduzida de seu perfil no facebook.

Bandeira Nacional, maluquices e arrogância.

Adotada pelo decreto número 4, de 19 de novembro de 1889, assinado pelo marechal Deodoro da Fonseca, a Bandeira Nacional é um dos símbolos do Brasil e significa a identidade do povo, da nação, do estado brasileiro e, por consequência, da antropologia nacional.

Entretanto, alguns lunáticos que, de maneira ridícula se arvoram donos do Brasil, quiseram transformá-la em 2022 em propaganda eleitoral bolsonarista.

O esdrúxulo e ridículo entendimento desses ilógicos aluados não tem sentido. Chega a ser risível, desprezível, matéria prima para humoristas.

O disparate – creia o leitor – vem da Justiça Eleitoral, de onde nunca deveria ter partido. Por exemplo, uma juíza eleitoral de Santo Antonio das Missões, Rio Grande do Sul, certamente candidata a ser dona do Brasil e juntar-se a outros que já se consideram assim em Brasília, fez a seguinte e ridícula afirmação:

“Meu entendimento com relação à bandeira nacional, a partir do dia 16 de agosto, vai configurar, sim, propaganda eleitoral” (UOL, 15/07/2022).

Partindo de membro da magistratura, a afirmação chega a ser constrangedora e impressiona pelo desconhecimento da História do Brasil.

Magistrados desse naipe são lunáticos excêntricos, afastados da capacidade de discernimento, insensatos, confusos, arrogantes.

Magistrados, assim, são divorciados de qualquer razoabilidade do pensamento da sociedade que paga seus salários e mordomias.

A Bandeira do Brasil é um dos nossos símbolos nacionais permanentes e deve ser respeitada como tal.

De acordo com as leis da República – que alguns magistrados desconhecem – é difícil transformar a Bandeira Nacional em propaganda eleitoral.  

araujo-costa@uol.com.br