As curvas de Oscar Niemeyer, o TSE e a inutilidade da arrogância

Oscar Niemeyer/Reprodução Google

“Sinto que sou duas pessoas distintas. Uma voltada para o lado bom da vida, dessa vida divertida que sempre me atraiu. Outra, pessimista, diante dela e dos homens, revoltada contra este mundo injusto em que vivemos”. (Oscar Niemeyer, 1907-2012, As curvas do tempo – Memórias, Editora Revan, Rio de Janeiro, 1999).  

Os amigos comunistas do admirável Oscar Niemeyer, dentre eles o humorista Francisco Milani, gostavam de contar, em tom de pilhéria, que Niemeyer era o único comunista que acreditava no comunismo, mesmo após a derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), da queda do muro de Berlim e do retumbante fracasso econômico e social de Cuba.

Gênio estimado e arquiteto construtor de Brasília, Oscar Niemeyer era defensor intransigente do diálogo, da boa convivência entre os contrários e, sobretudo, da humildade.

A arraigada convicção ideológica de Oscar Niemeyer, comunista desde 1945, não o impediu de ser um dos melhores e confidentes amigos do presidente Juscelino Kubitscheck, democrata de ímpar vastidão moral da história de nossa República, donde se vê que a grandeza dos homens é incompatível com a pequenez e inutilidade da arrogância.

Avesso a ditaduras e a regimes autoritários, o comunismo que Oscar Niemeyer sonhou não era o mesmo posto em prática por algumas nações no mundo.

Sede do Partido Comunista Francês em Paris/Obra de Oscar Niemeyer/reprodução Google

Imagino a beleza das curvas arquitetônicas de Brasília, por ele idealizadas, em contradição com a arrogância de algumas autoridades que se abrigam nos palácios que construiu, a exemplo do edifício do Tribunal Superior Eleitoral.

Edifício sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

O que devia ser um monumento à democracia, o edifício do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi transformado por alguns de seus ministros atuais em monumento à arrogância.

Alguns pequeníssimos ministros que trabalham no TSE, de baixa estatura democrática, mas que se arvoram donos do Brasil, são incompatíveis com a grandeza de Oscar Niemeyer.

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A fronteira entre o respeito e o direito de divergir

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Há um ditado antigo segundo o qual “quem foi rei sempre será majestade”.

Não estou aqui a pretender que a sociedade de hoje, por óbvio incluída a juventude, pense da mesma forma que este humílimo escrevinhador, o que seria despropositado.

Penitencio-me diante de minha insignificância, mas não abdico do dever de cidadão com vistas a contribuir para que o Brasil seja melhor no que concerne à convivência sadia entre todos.

Fui professor e, como tal, ainda carrego resquícios e manias das salas de aula. Ensinavam-se, além das disciplinas, formas de comportamento, de respeito e de convivência em sociedade.

Todavia, estarreço-me ao ver o nível de desrespeito com que pessoas, fanáticos inclusive, tratam o presidente da República e o ex-presidente Lula da Silva.

São apelidos escabrosos, acusações quase sempre vazias e outras disparidades mais, de modo que não há o mínimo de respeito tanto com o ex-presidente Lula da Silva quanto com o presidente Bolsonaro.

O desrespeito parece generalizado. As redes sociais são terrenos férteis para agressões, disseminação de imbecilidades e espancamento às boas regras de civilidade.

Um ex-presidente da República, qualquer que seja ele, independentemente de sua conduta reprovável e eventuais erros que tenha cometido, deve merecer o respeito de todos, em razão de ter exercido a chefia de Estado e de governo, colocado no poder de maneira democrática.

O presidente da República, no exercício de sua função, seja ele de esquerda, de direita ou de qualquer espectro político, é a autoridade superior da República e deve ser tratado com a urbanidade necessária.

Imagino o que nossa sociedade de hoje deixará como legado para seus descendentes, já que, como se vê, certamente não será educação e respeito.

Durante anos convivi em São Paulo com o ex-presidente Jânio Quadros (1917-1992).

Ninguém me contou. Vi a forma respeitosa como todos o tratavam. Quando a ele nos dirigíamos, mesmo informalmente, sempre tínhamos o cuidado de chamá-lo Presidente. É a majestade e liturgia do cargo que exigem a deferência, o respeito, a urbanidade.

Deve haver uma fronteira entre o respeito e o direito de divergir.

Divergir, sim. Faltar com o respeito, nunca.

Nossas palavras também são limitadas por fronteiras que as colocam na adequação certa às elementares formas de educação.

Uma grande tarefa para nossos nobres professores, desde os mais tenros bancos escolares em todos os rincões até as universidades.

Estamos diante de uma sociedade desrespeitosa, alienada nalguns segmentos e totalmente despreparada para conviver com os antagonismos.

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O juiz eleitoral e o outro nome da censura

Bahia, 1962. Eleições de outubro.

O fato é contado pelo jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara e uma espécie de “testemunha ocular da história” (A Nuvem – O que ficou do que passou, Geração Editorial, São Paulo, 2009).

O general Juracy Magalhães era governador e exercia poderosa influência sobre líderes municipais. Famoso tenente na década de 1930, integrante do movimento tenentista que derrubou o presidente Washington Luiz, habituado a mandar nos quartéis, Juracy também passou a mandar na Bahia. Era anticomunista roxo.

Na marcha das apurações em Santo Antonio de Jesus, recôncavo baiano, as urnas asseguravam expressiva votação ao jornalista Sebastião Nery, candidato a deputado estadual pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR), socialista convicto e inquieto ativista de esquerda.

O juiz eleitoral, subserviente ao governador, na hora de preencher o mapa da apuração, espantou-se com o resultado do candidato e perguntou ao membro da junta apuradora:

– Quantos votos para Sebastião Nery?

– 160, Doutor.

– Corta o zero. Bota no mapa só 16. O que o governador vai pensar de mim se este comunista ganhar em minha comarca?

E sumiu com 144 votos de Sebastião Nery.

Como se vê, havia juízes e juízes. Ainda hoje.

Em data recentíssima, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou excluir do Twitter um vídeo da produtora Brasil Paralelo com críticas ao ex-presidente Lula da Silva (PT), “por atribuírem ao candidato casos de corrupção que ocorreram durante seu mandato, como o do mensalão” (Folha de S.Paulo, 14/10/2022).

Os ministros do TSE fizeram uma interpretação contorcionista da realidade fática, coisa nunca vista e, mais do que isto, incompatível com a hermenêutica.

O exercício do Direito autoriza a concluir que a interpretação da lei exclui quaisquer elucubrações fora da lei. É outro o campo das conjecturas.

Entretanto, os ministros do TSE criaram uma figura de interpretação e deram o nome de “desordem informacional” que, segundo eles, significa o seguinte:

“Você junta várias informações verdadeiras, que ocorreram e aí traz uma conclusão falsa”, disse, com todas as letras Sua Excelência o presidente do TSE.

Pergunto: Se a informação é verdadeira como a conclusão baseada nela é falsa?

Ou seja: O TSE diz que a informação é verdadeira, mas não pode ser publicada para não prejudicar Lula da Silva.

Isto tem outro nome: censura. Só existiu nos piores anos de chumbo da ditadura militar e vale para Lula da Silva, Bolsonaro ou qualquer outro.

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Maurízio Bim e esta desalinhada conversa.

Maurízio Bim e Dionária Bim/Perfil facebook de Maurízio

Felicitar amigos, parentes e aderentes em datas natalícias é uma demonstração de consideração e, mais do que isto, sinal de que os aniversariantes significam valiosa importância para quem os felicita.

Angustia-me, quase sempre, porque essas datas me passam despercebidas e isto não quer dizer falta de consideração, mas displicência e desorganização, embora as redes sociais hoje acabem socorrendo pessoas desatentas como eu.

Não costumo agendar datas de aniversários como fazem alguns amigos que tenho – o que é muito louvável – e que me pespegam a pecha de desleixado, com o que concordo e os aplaudo por me conhecerem bem.

Não chego a me adequar às conveniências das etiquetas sociais, embora faça um grande esforço para não arranhá-las, mormente nestes tempos hodiernos, quando qualquer palavra descontextualizada pode me deixar em maus lençóis.

Delongas à parte, quero deixar registrado minhas felicitações para Maurízio Bim que completou mais um ano de vida, graças a Deus e alegrou familiares e amigos.

Parabéns tardios, mas sérios, oportunos e eivados de muita consideração.

Já escrevi alhures – e até com certa frequência – algumas coisas sobre Maurízio Bim, curaçaense de boa cepa, jornalista, escritor, profissional de respeito em sua área, além de outras qualidades mais que ele as imprime em qualquer espaço que ocupa.

Numa dessas coisas que escrevi, cometi uma gafe monumental, que as regras de etiqueta não perdoam: errei o nome de Maurízio. Dislate que atribuo à falta de atenção ou de conhecimento mesmo, nada mais do que isto.

Cometo a imprudência de dizer-me seu amigo, embora ele seja um tanto jovem e eu septuagenário e vítima de minha memória esburacada e dos defeitos que o tropeçar da vida me permite carregar, mas considero de somenos.

Entretanto, no dia em que as amizades se restringirem ao redor da faixa etária de cada um, certamente o mundo estará perdido e elas serão mais raras. Já se escasseiam amizades duradouras, permanentes, sólidas.

De qualquer modo, deixo perolados parabéns ao aniversariante Maurízio Bim e lhe desejo saúde plena e muita disposição para seguir adiante em direção à robustez de seu sucesso, que já é grande.

E aproveito o balançar dessa conversa desalinhada para mandar, através do aniversariante, afetuoso abraço para minha dileta professora Dionária Ana Bim, mãe de Maurízio.

Sou admirador de ambos.

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Amigo de bom caráter e respeito

Dircis de Souza Bom (Adilson) e o autor, 11/10/2022

Já se vão, por aí, mais de uma década. Este o interregno aproximado de nosso último encontro, não obstante ambos moradores de São Bernardo do Campo e vivermos aqui e acolá quase tropeçando no outro.

Manhã desta primavera atípica de 2022, recebo em meu escritório, com prazer que não consigo definir, a visita do amigo Dircis de Souza Bom, Adilson para os amigos e conhecidos, petista respeitado, natural de Medina, seco município do médio Jequitinhonha, nordeste das Minas Gerais, mas radicado em São Bernardo do Campo.

Adilson é um daqueles amigos de verdade, um dos poucos que tenho e consegui manter em São Paulo.

É irmão de Djalma de Souza Bom, também mineiro de Medina, idealista e petista de respeito, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).

Djalma Bom foi tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), ninho e aconchego do petista-mor Lula da Silva, ativo e irrequieto participante das greves de 1978 e 1980 no ABC Paulista, em plena ditadura militar oriunda de 1964.

Djalma Bom foi deputado estadual por dois mandatos (1995-1999/1999-2003), deputado federal (1983-1987) e vice-prefeito da pujante São Bernardo do Campo (1989-1992).

Djalma de Souza Bom/Reprodução Wikipédia

Mas o assunto que me traz hoje aqui é Dircis de Souza Bom, sujeito de boas qualidades, correto, honesto e amigo de verdade. Ele já fez a façanha de, sem me conhecer – ainda não éramos amigos – socorrer-me em muitas dificuldades quando eu titubeava na cidade grande, quando os amigos ainda eram escassos.

Sou grato até hoje. Continuarei grato. Serei sempre grato.

Hoje, já na casa dos 77 anos, Adilson parece um jovem adolescente, inquieto, otimista, conversa fácil, estado de espírito acolhedor, sorriso sempre presente, olhar de esperança.

Visita surpreendente e inesquecível. Cutuca a certeza de que amigos são preciosidades.

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Patamuté – Fazenda Brejo Seco

José de Porcino e família/Foto do perfil de Aidete Paixão no facebook

A família de José de Porcino noticiou seu falecimento em 06/10/2022.

Exemplo de homem respeitoso e de caráter irrepreensível, amigo atencioso e, sobretudo, decente e honrado.

Há algum tempo, Zé de Porcino perdeu a mulher Haidê Paixão, uma criatura dócil e dedicada à família.

O enterro de Zé será no cemitério da Fazenda Brejo Seco, onde morava, segundo informou a família.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe mostre o caminho e Deus o ampare.  

Pêsames à família de José de Porcino.

Vai com Deus Zé.

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Raízes, tempo, saudade

Casa na Fazenda Estreito, Patamuté/Curaçá-Bahia

Nasci nesta casa, na Fazenda Estreito, caatinga e barrancos do Riacho da Várzea, distrito de Patamuté, município de Curaçá (BA).

Aqui sofri, sorri, chorei, sonhei.

Aqui o tempo conserva minhas raízes.

Aqui aprendi a ter esperança e acreditar no nascer da aurora e na perspectiva de novos horizontes.

Aqui foi minha melhor escola de humildade, aqui conheci minha pequenez e minhas limitações, aqui aprendi a inutilidade da arrogância.

Aqui dei os primeiros passos em direção ao desconhecido.

Continuo andando, sorrindo, chorando, sofrendo, caindo, sonhando.

A cada momento deparo-me com o desconhecido. Às vezes tropeço, outras vezes caio, outras tantas levanto-me, mas ainda não cheguei ao destino.

Como é fácil seguir a caminhada!

Como é difícil seguir a caminhada!

Nas encruzilhadas do tempo e da vida, sempre lembro o poeta espanhol Antonio Machado (1875-1939):

“Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”.

O resto é saudade.

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A Bahia é um feudo petista confuso

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar” (Nelson Rodrigues, jornalista, cronista e escritor pernambucano, 1912-1980)

O abalizado jornal Estado de Minas de 03/10/2022 e outros órgãos de imprensa publicaram que o município baiano de Wanderley, lá para as bandas de Tabocas do Brejo Velho, Barreiras e Formosa do Rio Preto, extremo oeste do Estado, votou em Lula da Silva (PT) quase por unanimidade: 96,61% dos eleitores votaram no ex-presidente.

Como se vê, se não fosse o “quase”, teria havido unanimidade.

O concorrente presidente Bolsonaro (PL) obteve míseros 2,82% dos votos no município. Se foram acertados, não se sabe.

Dizem as notícias, que são “dados do TSE”. Logo, presumem-se verdadeiras, até porque a Folha de S.Paulo, porta voz da esquerda, também publicou a informação e ela não publicaria fake news.

Sou baiano. Caatingueiro e bicho do mato, confesso que tive dificuldade de entender essa quase unanimidade do município de Wanderley.

Ainda bem que outros pouquíssimos votos do município não permitiram que o cronista Nelson Rodrigues tivesse razão por lá.  

A Bahia continua feudo do PT. Os baianos estão satisfeitíssimos com os governos petistas, de modo que não há nada a reclamar, nada a melhorar, nada a reivindicar. E o município de Wanderley é uma amostra dessa felicidade baiana.

Jaques Wagner e Rui Costa estão rindo à toa.

A Bahia deve ser um oásis de desenvolvimento encravado na Região Nordeste: a educação está boa, a saúde está ótima, a segurança pública idem, existem muitas estradas e não precisam de consertos, os serviços públicos são impecáveis, os servidores públicos estão satisfeitos, não há suspeita de corrupção, não há fome, não há desempregados e por aí vai.  

Convenhamos, uma sociedade que, invés de exigir e discutir propostas e programas de governo de seus candidatos, passa parte da campanha eleitoral do primeiro turno discutindo a cor da pele de um dos candidatos ao governo do Estado, certamente tem dificuldade de ajustar sua vontade às urnas eleitorais.

Que diferença faz para a Bahia ou quaisquer estados da federação se o governador do Estado é branco de olhos verdes ou é preto retinto, pardo, amarelo ou de qualquer cor?

A cor da pele não lhe suprime a inteligência, tampouco o tirocínio administrativo, a seriedade, o zelo com a coisa pública, nem a vergonha na condição de gestor.

A Bahia é um feudo petista confuso. Valha-me Gregório de Matos! Valha-me Ruy Barbosa!

Só resta, neste particular, tirar o chapéu para Lula da Silva, morubixaba de Caetés. Trata-se de um fenômeno eleitoral.

Post escriptum:

Recomendo a leitura das crônicas do conspícuo curaçaense Omar Dias Torres (Babá) que estão sendo publicadas no site http://www.curacaoficial.com.br

Tenho-me deleitado com elas e com a memória, inteligência e sabedoria do autor.

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Eleições: Festa da democracia, apesar do falso cenário de violência

“Discrepo. E di-lo-ei por quê” (Antonio Houaiss, filólogo e dicionarista, 1915-1999)

Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews, acabou de colocar o Brasil de cócoras.

Em 01/10/2022, à tarde, a veterana jornalista de esquerda e comentarista de política, disse que diversos chefes de governo do mundo estavam de “plantão para ratificar” o resultado das eleições no Brasil.

“Ratificar” foi a palavra usada por Eliane Cantanhêde de forma inadequada, mas certamente de propósito, com o intuito de enaltecer o discurso dos candidatos apoiados por alguns órgãos da grande imprensa, mormente o Grupo Globo.

Segundo os dicionários, ratificar significa validar, o que pressupõe, segundo a jornalista, que o resultado das eleições no Brasil depende do beneplácito de chefes de governo estrangeiro.

Os editores da emissora precisam explicar para a espevitada comentarista do Grupo Globo que nenhum chefe de Estado ou de governo estrangeiro tem o poder de “ratificar” resultado de eleições no Brasil.

Quem ratifica é o Tribunal Superior Eleitoral, são as autoridades brasileiras e nossas instituições nacionais.

Dizer que presidentes estrangeiros estão de “plantão para ratificar” o resultado de nossas eleições é arranhar nossa soberania, colocar o Brasil de cócoras.

Eliane Cantanhêde deve estar tomando muitas aulas com os radicais da esquerda do Brasil. Só eles – não todos, evidentemente – são capazes de submeter nossa soberania à vontade de governantes de outras nações. 

Aliás, há espiões estrangeiros dentro do TSE, recebidos pelo excelentíssimo presidente do tribunal e pomposamente chamados de observadores, que passam informações para seus países e que, certamente, servirão de base para seus chefes de governo “validarem” o resultado de nossas eleições, como diz a comentarista do Grupo Globo.

De outro turno, alguns ministros do TSE que abdicaram da nobre missão de magistrados e assumiram ostensiva posição de militantes políticos, tanto reprovável quanto vergonhoso, fizeram de tudo para transformar as eleições de 2022 num cenário de horror.

Esses ministros censuraram matérias jornalísticas publicadas, restringiram o direito dos cidadãos quanto ao uso de meios de comunicação, decretaram restrições de direitos, ameaçaram eleitores de prisão e barbarizaram interpretações de normas legais.

Tudo contrário aos mandamentos da Constituição da República.

Dizem esses ministros e subidas Excelências que fazem isto em nome da democracia. Então, tá.

Mais: ministros do TSE criaram a expectativa do surgimento de grande onda de violência política nas ruas, gastaram fortuna de dinheiro público com segurança desnecessária, além de restringirem a circulação de pessoas nas redondezas dos palácios de Brasília. Em última análise, espancaram o direito de ir e vir dos cidadãos.

Entretanto, esses ministros militantes políticos não tiveram êxito. Eles ainda não conseguem enxergar que os brasileiros estão amadurecidos, querem votar, querem alegrar-se com seus candidatos, querem festejar democraticamente o direito de votar.

O primeiro turno das eleições transcorreu em paz, sem a violência apregoada por esses ministros militantes e o povo provou que tem dignidade para não se deixar levar por infundadas afirmações catastróficas.

Em suma: quem apostou na violência nas ruas ficou desapontado.

Este escrevinhador discrepa desse cenário de horror. Ele não há.

Viva a democracia! Viva a sabedoria do povo!

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Em Curaçá, o dinamismo de Frei Valdevan

Frei Valdevan/Foto de seu perfil no facebook

Frei Valdevan Correia de Barros pertence à Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFMConv), da Província São Francisco de Assis, com sede em Santo André, ABC paulista.

À semelhança de todo missionário, Frei Valdevan cuida fervorosamente dos alicerces da fé, desta vez na Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito, em Curaçá.

Pernambucano de Saloá, município do Planalto da Borborema na região de Águas Belas e Iati e nascido em 19.08.1978, Frei Valdevan entrou para a vida religiosa em 2004 no Seminário Santo Antonio, em Cascavel (PR) e em 2009 fez sua profissão na Ordem dos Frades Menores Conventuais em Caçapava (SP).

Em 28.06.2014 foi ordenado sacerdote no Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André (SP), belíssimo templo do ABC.

Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também é Bacharel em Teologia.

No período de 2014 a 2017, foi Vigário Paroquial em Ubatuba (SP) e passou por Guaraniaçu (PR), onde foi Pároco também por quatro anos.

Em janeiro de 2022 Frei Valdevan foi escolhido Pároco da Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito em Curaçá (BA), em decorrência da abertura da Missão dos Franciscanos Conventuais naquele município do submédio São Francisco.

Em Curaçá, sua missão envolve os cuidados com a Gruta de Patamuté que em 2016 foi elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus por decreto de D. Carlos Alberto Breis Pereira, frei da Ordem dos Frades Menores e bispo da diocese de Juazeiro.

Já se vão, por aí, um século e mais alguns anos que a Gruta de Patamuté vem alicerçando a fé de seu povo.

A Gruta de Patamuté começou a despontar como referência religiosa em 1903, quando, segundo o escritor curaçaense João Mattos, “um erudito pregador e missionário católico, monsenhor Pedro Cavalcante Rocha, achou-a tão bela que nela terminou a Santa Missão que pregava em Patamuté”.

O cruzeiro do interior da Gruta foi colocado por esse dedicado missionário, como se ali estivesse fincando os primeiros andaimes para alicerçar a construção da fé em Patamuté.

Mais tarde, ainda segundo relato de João Mattos, “em 1905, o padre Manuel Félix de Moura, então vigário da freguesia, transferiu sua residência para a Gruta e nela implantou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus”.

Foi o padre Manuel Félix que entronizou a imagem no altar da Gruta oferecida pelos habitantes de Patamuté e, sabe-se, iniciou as romarias ao Sagrado Coração de Jesus, que perduram até nossos dias.

Mas não se pode falar sobre os festejos da Gruta de Patamuté sem associá-los ao núcleo do distrito por inteiro, base da história local e ponto de apoio para as romarias que se realizam há mais de um século, mormente em primeiro de novembro, precedidas de alvorada, cantos e de muita alegria em louvor ao Sagrado Coração de Jesus.

O coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), cujos restos mortais estão enterrados na Igreja de Patamuté, teve contribuição importante na construção da história religiosa do lugar.

Com os auspícios do coronel Galdino deram-se os primeiros passos para a construção da Igreja de Patamuté, isto por volta dos primeiros anos do Século XX, iniciando-se por lá a sincronia religiosa entre o distrito de Patamuté e a Gruta.

No distrito de Patamuté, o padroeiro Santo Antonio eleva-se altaneiro e excelso; na Gruta, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus faz-se viva a cada ano e atrai fiéis da região e de outros estados.

Peregrinos e devotos que têm a fé como sustentação do único alento da vida sertaneja acorrem anualmente à Gruta de Patamuté.

Anualmente, em 31 de outubro e 01 de novembro dá-se a romaria à Gruta de Patamuté.

A tradição católica comemora em 01 de novembro o Dia de Todos os Santos, data em que, na Gruta de Patamuté, os romeiros se reúnem, participam de missas e manifestações culturais, confessam-se diante dos sacerdotes e acendem velas para significar o pagamento de promessas ou pedido de graças.

Também já é tradição os ex-votos, objetos deixados pelos romeiros na Gruta que simbolizam agradecimento e fé.

A estrutura de Santuário, embora precária, sinaliza que a tradição religiosa da Gruta se fortalece e sedimenta a construção da fé iniciada pelos pioneiros: monsenhor Pedro Cavalcante Rocha e padre Manuel Félix de Moura.

Dinâmico, Frei Valdevan lançou um projeto de construções no Santuário que compreende um portal, igreja, estátua do Sagrado Coração de Jesus, escada com rampa e corrimão, banheiros, centro de apoio aos romeiros e iluminação interna do Santuário, dentre outras benfeitorias e construções.

Este Blog apoia o projeto e o entende valioso.

Esclarecimento:

Independentemente da atuação do Frei Valdevan e de sua valiosa contribuição à Paróquia de Curaçá e, por extensão, ao Distrito de Patamuté, este Blog esclarece aos leitores que entrou em contato com a Paróquia de Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito e com o Frei Valdevan, com o intuito de ouvi-los e enriquecer a matéria.

Frei Valdevan entrou em contato com o Blog, mas a matéria já estava publicada. A Paróquia não se manifestou.

De qualquer modo, este Blog continua admirando Curaçá, sua Paróquia e Patamuté e deseja êxito ao Frei Valdevan em sua missão de evangelizar.

Post scriptum:

Esta matéria contou com valiosas informações colhidas de Daniel Bandeira, da Assessoria de Comunicação e Imprensa, dos Franciscanos Conventuais, da Província São Francisco de Assis.

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