Lula da Silva quer mais dinheiro dos brasileiros

Lula da Silva/Reprodução Google

Conforme reportagem de Italo Nogueira e Victoria Azevedo (Folha de S.Paulo, 26/09/2022), Lula da Silva quer que a União Federal lhe pague uma indenização, que ele chamou de compensação, em razão de ter sido preso em Curitiba por um período de 580 dias.

Se a moda pega, os presídios do Brasil serão substancialmente esvaziados. Há centenas de presos cumprindo pena injustamente, outros que já cumpriram e continuam presos e outros tantos sem previsão de julgamento, et cetera. Em quadro assim e em tese, todos têm direito à indenização do Estado.

A diferença é que presidiários nessas condições são pobres, sem recursos para pagarem advogados, como Lula da Silva tem sobejamente.

Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o lulopetismo, como um todo, construíram a narrativa fajuta no sentido de que o ex-presidente foi absolvido em todos os processos.

Mesmo sabendo que não é verdade, Lula tem dito e reiterado o seguinte: “Fui absolvido em 26 processos, duas vezes na ONU e pela Suprema Corte”.

Lorota. Monumental lorota.

Os processos foram anulados, em razão de interpretação processual do Supremo Tribunal Federal (STF). Por esse entendimento, os processos seriam deslocados às jurisdições ditas competentes, donde se depreende que novamente seriam instruídos e assegurado o amplo direito de defesa ao ex-presidente, com os consectários de praxe.

Há alguns processos extintos, de fato, em razão de prescrição, o que é diferente de absolvição.

Por fim e, por óbvio, aconteceriam os julgamentos.

Significa dizer que as provas teriam de ser novamente colhidas e analisadas pelo Judiciário de primeira instância e daí, em diante, os processos seguiriam os trâmites previstos na legislação, inclusive nas fases recursais.

É verdade que isto é impraticável. Não vai acontecer, até por uma razão temporal.

Quando todos aqueles processos que não chegaram a ser extintos forem novamente instaurados, passando pela fase investigativa, oferecimento de denúncia, defesa, julgamento e recursos, Lula da Silva já terá atingido idade tal que não poderá ser punido, se condenado.

De outro turno, a ONU (Organização das Nações Unidas) não tem atribuição para absolver ninguém, como Lula apregoa. Não tem o poder de absolver Lula da Silva, nem qualquer ex-chefe de governo e de Estado, por crimes comuns.

A ONU é uma organização política intergovernamental criada para fins de cooperação entre as nações e, como tal, não pode ingerir-se em assuntos estritos e de competência do Poder Judiciário dos países membros.

É uma questão de soberania e autodeterminação dos povos.

Sabe-se, e isto basta, que uma comissão da ONU, dentre tantas que existem lá, se manifestou contrariamente à prisão e situação jurídica de Lula da Silva. Isto não é julgamento, não é absolvição. Nem pode ser.

Conseguintemente, Lula da Silva e o PT criaram essa versão para ajustá-la à propaganda eleitoral e engambelar os incautos, que são muitos e acreditam piamente no morubixaba de Caetés.

Em resumo: uma coisa é sentença absolutória definitiva; outra é, completamente diferente, a anulação pura e simples de qualquer processo em razão de alguma nulidade.

Anulação não é sinônimo de absolvição, quando não há sentença de mérito colocando fim ao processo.

Mas o fato é que Lula da Silva já sinalizou que vai processar a União Federal para que os brasileiros o indenizem com dinheiro suado dos impostos que pagam.

Vai processar e vai ganhar. Explica-se:

Como os processos de Lula tramitam com uma rapidez nunca vista no Judiciário, basta qualquer ministro petista do STF conceder-lhe uma liminar favorável, mandar o processo para julgamento no plenário virtual e a maioria do STF confirmar a liminar e mandar encher as burras de Lula da Silva de dinheiro público.

Argumentar-se-á que não é bem assim. O STF ainda precisa ouvir a manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR) e coisa e tal. É verdade, precisa sim, mas o STF não acatará necessariamente a manifestação da PGR. Tem sido assim ultimamente.

Não é demais presumir que Lula está sinalizando que vai pedir indenização, porque já sondou o caminho do procedimento e o possível desfecho junto ao STF. Ele tem amigos lá.

Há um ditado nos sertões do Nordeste segundo o qual “mais vale amigo na praça do que dinheiro no caixa”.

Lula da Silva tem muitos amigos, inclusive nos tribunais, que lhe abrem as portas largas e gulosas das benesses.

Se o Poder Judiciário decidir que a prisão de Lula da Silva foi injusta, a indenização será devida e os brasileiros pagarão a conta, se o Judiciário mandar, sem tugir nem mugir, absolutamente calados.

Isto vale para Lula da Silva e vale para todos. Se todos fossem iguais perante a lei, como diz a Constituição da República.

Simples assim.

araujo-costa@uol.com.br

Bahia: a falta de sinceridade da esquerda

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, Oração aos Moços)

Adulador contumaz do carlismo e hoje participante das fileiras da esquerda, o senador Otto Alencar (PSD) pode ser reconduzido ao Senado Federal nas eleições de outubro próximo, o que prova que a Bahia ainda não amadureceu politicamente.

Otto Alencar já foi do Partido Democrático Social (PDS), sustentáculo da feroz ditadura militar e de seus consequentes PFL e DEM, além de ter passado por PL e PP.

Para dizer o mínimo, considerar Otto Alencar de esquerda ou próximo dela é um acinte à memória de combativos esquerdistas históricos tais como Waldir Pires (Amargosa), Francisco Pinto (Feira de Santana), Haroldo Lima (Caetité), Giocondo Dias (Salvador) e tantos outros que fizeram da política uma perigosa trincheira para a luta contra as injustiças e não para alinhavar conchavos.  

Um político que pula do exacerbado conservadorismo de direita ao radicalismo de esquerda, com tanta desenvoltura e facilidade, não pode ser levado a sério, não deve ser levado a sério. Falta-lhe convicção ideológica e lhe sobra hipocrisia que beira a desfaçatez.

Maior colégio eleitoral do Nordeste, com aproximados 11,3 milhões de eleitores, a Bahia parece que tende a se ajoelhar diante da insignificância de Otto Alencar e reconduzi-lo ao Senado, segundo apontam as pesquisas.

O complô que pode assegurar a vitória de Otto Alencar nas urnas de 2022 envolve a conhecida popularidade do lulopetismo no Estado e uma costura que levará o experiente senador e ex-governador petista Jaques Wagner para o Ministério das Relações Exteriores, na condição de chanceler, num eventual governo Lula da Silva, mas mantém a Bahia politicamente de joelhos.

Otto Alencar é conhecido por seu livre trânsito nos municípios, amizades com ex-prefeitos e outras lideranças políticas do interior do Estado e, mais do que isto, sua capacidade de aliar-se a poderosos de ocasião.

Entrementes, o passado do senador baiano não é lá muito puro, nem inquestionável.

Uma filha de Otto Alencar trabalha ou trabalhou no Tribunal de Contas do Estado da Bahia, apadrinhada por Gildásio Penedo Cavalcanti de Albuquerque Filho, ex-deputado estadual pelo PFL e DEM, partidos de direita, alçado à presidência do Tribunal e que foi filiado ao PSD, partido de Otto Alencar.

Salvo engano, Gildásio Penedo é casado com Roberta Alencar de Santana Penedo, sobrinha de Otto Alencar.

Se não for nepotismo – e não deve ser, porque o Tribunal de Contas é uma instituição séria – é no mínimo imoral este apadrinhamento esdrúxulo.

No exíguo período de nove meses que foi governador da Bahia, Otto Alencar enfrentou dois episódios que lhe deixaram algumas marcas em sua vida política que ele parece ter esquecido, finge esquecer ou, adrede, zomba da memória dos baianos.

Otto Alencar foi acusado de patrocinar e/ou acobertar escutas ilegais de adversários políticos, o chamado “escândalo dos grampos”, supostamente a mando do então poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM), a maior liderança política que a Bahia já teve.

A Assembleia Legislativa criou uma CPI para investigar o caso, mas Otto Alencar safou-se dela, em razão de maioria que contava a seu favor no Legislativo baiano, lastreada no poder por influência de Antonio Carlos Magalhães a quem Otto Alencar estava pendurado à semelhança de um carrapato.

Ato contínuo, sobreveio o rumoroso caso da EBAL-Empresa Baiana de Alimentos, responsável por uma rede de supermercados públicos. Novamente criou-se uma CPI para investigar suposto rombo apontado no orçamento da empresa estatal.

Mais uma vez, a rede de apoio político de Otto Alencar impediu que ele comparecesse à CPI para depor.

Em 2018, salvo engano, a EBAL foi privatizada, vendida para um grupo espanhol com base em São Paulo e com ela foram-se as Cestas do Povo tão fundamentais para os baianos.

Em 2014, Otto Alencar foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, com base em propaganda antecipada feita em Ruy Barbosa, sua cidade natal, por ter distribuído adesivos e pintado muro noticiando sua candidatura, sem amparo na legislação eleitoral.

Trata-se, portanto, de um legislador que tem dificuldade de cumprir a lei.

Pelo que se vê, tirante o serviço voluntário que Otto Alencar prestou às Obras Sociais Irmã Dulce – mérito que, neste ponto, ele merece ser elogiado – seu passado não parece tão irrepreensível assim, a ponto de habilitá-lo como político voltado à defesa das causas do povo baiano como ele apregoa.

Todavia, diz a lenda que Otto Alencar tem uma rede de amigos prefeitos, ex-prefeitos e membros de Câmaras Municipais nos 417 municípios baianos, em razão de ter sido conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios durante seis anos. Mas esta é outra história que não vem ao caso.

Arrogante e inconveniente, Otto Alencar se acha a última bolacha do pacote, mas os eleitores baianos não o veem assim. Ao contrário, entronaram-no num pedestal como líder do Estado.

Entretanto, o retrovisor do senador Otto Alencar deve estar quebrado. Ele não consegue ver seu passado nebuloso.

Se reeleito para o Senado da República em 2022, Otto Alencar vai continuar participando da confraria do colecionador de inquéritos Renan Calheiros (MDB-AL), de Omar Aziz (PSD-AM), que declarou ser amigo pessoal de Otto e é acusado, embora ainda investigado, de desviar aproximados R$ 200 milhões de dinheiro da saúde do Amazonas, quando governador de lá e outras figuras desprezíveis que gravitam no Senado Federal. Pelo que se vê, boas companhias.

Outro membro da confraria, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pernambucano de Garanhuns, terra de Lula da Silva e especialista em discursos histéricos, tem mais quatro anos de mandato e deve desembarcar também num eventual governo Lula da Silva, em qualquer função de somenos, talvez encarregado de protocolar ações nos balcões do Supremo Tribunal Federal, único mister que ele parece ter aprendido e demonstra que faz muito bem.

Parece indubitável, hoje Otto Alencar iguala-se à esquerda baiana, o que atesta: a esquerda da Bahia não é sincera, mas eleitoralmente oportunista.

Entretanto, a suprema decisão está com o povo.

Então, viva a soberania do voto popular!

A democracia ainda é o melhor caminho.

Em tempo:

Em Curaçá, sertão do São Francisco, aprendi a admirar um esquerdista de boa cepa, convicto da ideologia que defende, sereno, conspícuo e de caráter irrepreensível: Salvador Lopes Gonsalves.

Salvador é o mandacaru ideológico de Curaçá. Pode não dar sombra, mas dá firmeza.

Salvador foi prefeito do município e certamente nunca abdicou de suas convicções e, por isto, o admiro, com Otto Alencar ou sem Otto.

Aliás, quando se fala de convicção ideológica, nenhum radar alcança Otto Alencar.  

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e a professora Maria Therezinha de Menezes

Maria Therezinha de Menezes/Álbum de família

“É não saindo de casa que a gente acaba sabendo das coisas” (Joel Silveira, 1918-2007).

Em 23 de setembro, início da primavera, completa-se mais um ano na vida de minha ilustre professora Maria Therezinha de Menezes.

A professora Maria Therezinha de Menezes, ícone da educação de Chorrochó, não saiu de casa, nunca abandonou sua aldeia, mas acabou sabendo muito das coisas. Entende de conhecimento, de vida, de experiência.

É conhecida a frase de Leon Tolstoi (1828-1910): “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

A professora Therezinha sempre pintou com tintas próprias a aldeia em que vive. E pinta muito bem até hoje, com dedicação e maestria.

Eficiente e refinada professora, lídima e notável integrante da família Menezes, é mestra conspícua de estilo próprio e sábia intérprete da sociedade chorrochoense.

Católica tradicional e respeitável educadora, a professora Therezinha ocupa ilustre destaque em Chorrochó, inclusive enriquecendo as atividades da Paróquia Senhor do Bonfim. É fervorosa defensora do centenário Apostolado da Oração e de tantas outras tradições que lá se fazem presentes.

Lembro uma frase de D. Guido Zendron, bispo de Paulo Afonso, ao se referir ao Apostolado da Oração de Chorrochó: “Na história da salvação, o que importa não são os anos, os meses ou os dias, mas as pessoas. Dentro dessa história, nós vamos encontrar pessoas que de um jeito ou de outro corresponderam ao amor de Deus com toda fragilidade humana” (Rádio Vale do Vaza Barris, 17/08/2015).

A professora Therezinha deve pensar assim, creio que pensa assim. Sempre demonstrou preocupação com a fragilidade humana. Parece entender o âmago, o sentimento das pessoas. Tanto que se esmera com absoluta dedicação e seriedade no sentido de evitar o esmorecimento da história da Igreja de Chorrochó. E a história da Igreja não pode se dissociar da fraqueza humana. Assim atestam os séculos.

Conheci a professora Maria Therezinha de Menezes em 1971. Como se vê, algumas décadas já se passaram. À época, eu era ginasiano do Colégio Normal São José, cujo prédio histórico o progresso transformou em escombros, em poeira, em nada. Ela era professora da instituição.

Fui seu aluno de Português. Confesso, apoucado e envergonhado, que não me fiz capaz de guardar seus sábios ensinamentos. Guardei poucos, negligenciei com outros tantos e fui deixando muitos pelo caminho.

Saí de Chorrochó tropeçando em minha ignorância relativamente ao norte do saber e até hoje sonho em aprender alguma coisa deixada nalgum lugar do passado. Difícil, para quem vive às voltas com os buracos da memória, porque a juventude se distanciou nos esconderijos do tempo. Ah! Como se distanciou!

Em seu mister, a professora Maria Therezinha de Menezes era didática ao extremo, criteriosa e essencialmente prática. Formal, atenciosa, admirável.

Já se disse, por aí, que não fica bem a pessoa escrever sobre suas próprias memórias e continuar vivendo. Deve ser. Mas não sofro desse mal, não corro esse risco. Conto a história dos outros, porque não construí, em meu caminhar, nenhuma história pra contar.

Assim, o faço relativamente à professora Maria Therezinha de Menezes, honra e glória de Chorrochó. Espero poder contar com sua compreensão no que concerne à pobreza do texto. De fato, não fui um bom aluno de Português.

Parabéns pelo aniversário, insigne mestra.

 araujo-costa@uol.com.br

O Poder Judiciário e a destruição da cidadania

A média dos brasileiros estava acostumada com dois princípios inquestionáveis que se sustentaram ao longo da existência humana: a onisciência de Deus e a infalibilidade do papa, que se arrasta desde o ano 90 da era cristã e se robusteceu na Idade Média.

Entretanto, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão tentando revogar esses dogmas, substituindo-os pela pequenez de suas arrogâncias.

Pelo que se vê, oniscientes são esses ministros – e não mais Deus – e falíveis são as deliberações do papa e infalíveis são as decisões que eles tomam. Não aceitam contrariedade jurídica, não acolhem opiniões contrárias conforme manda a natureza da Justiça.

Segundo esses nossos subidos e supremos ministros, as urnas eletrônicas são “infraudáveis”, de modo que não se pode discutir absolutamente nada que arranhem a suposta credibilidade que eles atribuem às urnas. Elevaram-nas ao patamar estapafúrdio de distorção da lógica.

Sequer se pode questioná-las sobre eventuais falhas técnicas sob pena de ser acusado de atentar contra as instituições democráticas, segundo o entendimento de, pelo menos, três ministros do STF/TSE, que se acham intocáveis.

E são intocáveis mesmo, por uma razão facilmente explicável: O Senado Federal que os sabatina e aprova para o STF está infestado de corruptos com processos em trâmite no STF que serão julgados por esses mesmos ministros que eles aprovaram em sabatina. Está aí a raiz da covardia dos senadores, do comodismo, da indiferença com relação à vontade da sociedade ou parte dela no sentido de, pelo menos, interpelar esses ministros “intocáveis”.

Sede do Supremo Tribunal Federal/Aqui ainda repousa a esperança dos brasileiros.

Há um episódio recente e vergonhoso para o Senado da República. Mais do que vergonhoso, humilhante. Alguns ministros do STF, convidados por senadores para discutirem assuntos de interesse nacional naquela Casa Legislativa, sequer deram resposta. Ou seja, deram de ombros ao convite dos mesmos senadores que os aprovaram em sabatina para o STF. Mais do que sinal de que se acham intocáveis, depreende-se uma declaração implícita de arrogância e desrespeito aos senadores e ao Senado da República e, por extensão, à sociedade.

O TSE elevou às urnas eletrônicas à condição de único sistema eletrônico do mundo que não é passível de fraude. Até os poderosos e sofisticados sistemas bancários mundiais são passíveis de fraudes, sujeitos à invasão de hackeres, mas as urnas não, segundo ministros do TSE.

Não se vislumbra absurdo maior do que este em nenhuma legislação do mundo moderno. Mas eles se dizem democratas.

Logo, o TSE extinguiu, por tabela, a função do advogado eleitoral, aquele profissional que cuida da defesa de candidatos que se sentem supostamente prejudicados com o resultado das eleições.

Se o resultado das urnas não pode ser questionado democraticamente, através das leis substantivas e processuais, então pra quê advogado? Qual a serventia e eficácia da atuação desse profissional junto à Justiça Eleitoral?

Sede do Tribunal Superior Eleitoral/ Monumento à arrogância

Nenhuma. Se a premissa é que está tudo certo, questionar o quê?

Entretanto, inconformar-se com resultados eleitorais adversos é exercício de cidadania, aliás amparado pelo nosso ordenamento jurídico nacional.

Pelo que se vê, doravante candidatos a governador e prefeito, por exemplo, não podem mais questionar resultados eleitorais sustentados em quaisquer fundamentos legais, mesmo que se sintam gritantemente prejudicados.


Segundo o TSE as urnas são infalíveis, invioláveis, inquestionáveis. Em quadro assim, a tecnologia substituiu o raciocínio, a inteligência, o bom senso, a lógica, a seriedade, a vergonha. Fere mortalmente a cidadania que está sendo corroída e liquidada.


Mais claro que isto, impossível.

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O absurdo chegou a tanto, que nenhum candidato pode mais questionar o resultado das eleições sob pena de ser acusado de crime contra as instituições nacionais. Mais do que isto, endeusaram um penduricalho eletrônico.


Ainda bem que esses setores do Poder Judiciário não aboliram a soberania do voto popular, embora estejam golpeando a cidadania: censuram redes sociais, prendem jornalistas e políticos, abrem inquéritos ao arrepio da lei, desrespeitam o Ministério Público, suprimem aparelho celular no local de votação, apequenam o direito dos cidadãos.


Pior: puniram até um advogado que ousou cumprir a lei em defesa de seu cliente e, por consequência, em desfavor de apadrinhados de alguns ministros do Judiciário.


Não é exagero vislumbrar que o próximo passo desse descalabro ditatorial do Judiciário poderá ser a censura à imprensa, aos livros, aos meios de comunicação, et cetera.


Aí já seria demais, mas não é razoável duvidar. O horizonte estratégico e reprovável deles é muito amplo, amplíssimo.


O intuito deles – grande parte da sociedade sabe – em nada beneficia os brasileiros, mas setores que eles defendem para se perpetuarem no topo dos privilégios e das mordomias pagas com dinheiro suado dos impostos que os brasileiros suportam.

Há muito tempo ainda para que presenciemos outros absurdos forjados na cabeça de algumas de nossas arrogantes autoridades do Poder Judiciário.

O TSE conseguiu transformar as eleições de 2022, maior festa democrática dos brasileiros, num evento tosco, eivado de medo, desconfianças, ameaças de prisão, absolutamente incompatível com a robustez da democracia.

O Brasil está pelo avesso e precisa tomar vergonha e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para ajustar essas anomalias, mas sem esses congressistas lambe-botas que estão aí se agachando diante de decisões de ministros do Judiciário que se acham donos do Brasil.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de evitar que autoridades mudem regras a seu bel prazer e passem a se colocar no lugar de servidores da sociedade e da República e não de beneficiários de si próprios.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de destruir o pedestal da arrogância e da pequenez dessas autoridades do Poder Judiciário.

Dentro da lei, conforme a lei. Sempre dentro da lei. Nunca fora da lei.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, aniversário de Maria Rita da Luz Menezes

Maria Rita da Luz Menezes/Perfil Thereza Menezes no facebook

Em 15/09/2022, familiares e amigos comemoram o aniversário de Maria Rita da Luz Menezes.

Também parabenizo-a pela data.

Da Luz é filha de Maria Alventina de Menezes (D. Iaiá) e de Joviniano Cordeiro de Menezes. Casou-se com o professor Francisco Lamartine de Menezes (1931-1997) e com ele constituiu família decente e exemplar: Paulo José de Menezes, Geraldo Robério de Menezes, Humberto Antonio Pacheco de Menezes, Thereza Helena Cordeiro de Menezes e Ivana Lúcia Menezes de Menezes.

Pioneira da educação em Chorrochó, foi professora do Ginásio Municipal Oliveira Brito, embrião do hoje Colégio Estadual São José. Humilde e atenciosa, Da Luz faz parte de uma geração de seriedade, respeito e decência.

Mas hoje esse resumo histórico cinge-se ao seu aniversário.

Que Senhor do Bonfim ilumine o caminho de Maria Rita da Luz Menezes. Parabéns.

araujo-costa@uol.com.br

Na Bahia, ACM Neto segue os passos do avô

O todo poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM) era ministro das Comunicações do presidente José Sarney.

O presidente da Radiobrás e subordinado a ACM era Antonio Martins.

O senador e ex-governador baiano Luís Viana Filho beneficiava-se com seguidas concessões de rádios na Bahia, viabilizadas pelo presidente José Sarney, seu amigo desde os tempos da União Democrática Nacional (UDN) e colega de imortalidade na Academia Brasileira de Letras (ABL).  

O presidente da Radiobrás foi até ACM alertá-lo sobre concessões de rádio e o diálogo deu-se no melhor estilo de ACM.

– O senhor tem de tomar cuidado com Luís Viana, porque ele está pegando rádios direto, daqui a pouco vai lhe faltar.

– Deixa ele tirar.

– Mas não há o risco de acabarem as concessões?

– Não, duplicam as minhas.

– Como assim? – quis saber o presidente da Radiobrás.

ACM foi didático:

– Toda vez que Sarney consegue uma rádio para Luís Viana, no pedido eu concedo duas para alguém meu, para mim, mas por meio de outras pessoas. Então, eu quero que Luís Viana peça muito. Eu não preciso pedir, eu só mando dois por um, sempre. Você pode fazer suas contas aí, quando ele estiver com 10 rádios eu estarei com 20.

Na Bahia petista, há 16 anos os baianos vêm assegurando votação expressiva ao Partido dos Trabalhadores, mesmo se tratando de um estado tradicional, nos moldes do coronelismo, que ainda se exterioriza em grande parte dos municípios.

Jaques Wagner foi eleito em 2006 com 52,89% dos votos e reeleito em 2010 com 63,83%. Rui Costa foi eleito em 2014 com 54,53% dos votos e reeleito em 2018 com 75,5%. Um estrondo que abalou líderes políticos adversários.

Agora ACM Neto, candidato ao governo do Estado, parece que está abocanhando uma média de 2 por 1 dos votos, contra o candidato do PT Jerônimo Rodrigues, ex-secretário de Educação do governador Rui Costa.

Assim como fazia seu avô com as concessões de rádio, ACM Neto está indo na linha do 2 por 1.

Das duas, uma: ou o lero-lero dos petistas já não convence mais ou o homem é bom de voto mesmo.

Sondagem do Paraná Pesquisas divulgada em 06/09/2022 aponta 52,9% para ACM Neto (União Brasil) e 20,5% para Jerônimo Rodrigues (PT).

Ainda é cedo para vislumbrar o resultado das urnas em outubro, com ou sem segundo turno, mas o PT e o lulopetismo parecem preocupados.

Post scriptum:

A conversa entre ACM e o presidente da Radiobrás está no livro Sarney, A Biografia, da jornalista Regina Echeverria, Leya/Texto Editores, São Paulo, 2011).

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, 68 anos. Há o que comemorar?

Socorro Menezes ao lado do marido Virgílio Ribeiro de Andrade/Álbum de família

Nesta data, 12 de setembro, alegra-me registrar, nestes dispersos e inocentes alfarrábios, dois aniversários: do município de Chorrochó que, aos trancos e barrancos, alcança 68 anos de emancipação política e também da professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, filha de Izabel Argentina de Menezes (D. Biluca) e de Dorotheu Pacheco de Menezes, esteio e baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

D. Socorro Menezes, que é esposa do notável Virgílio Ribeiro de Andrade, vive permanentemente no altar de minha admiração – e viverá sempre. Aprendi a admirá-la nesses muitos anos de tropeços, quedas e trôpego caminhar. A admiração é extensiva a ambos.

Também faço outro registro neste aniversário do município.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do futuro do município, não obstante a atuação de alguns presidentes que dirigiram a Edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), sujeito dinâmico, abalizado e inteligente, embora a Câmara de Vereadores, por óbvio, não se resuma ao presidente, mas à Edilidade como um todo.

Tirantes alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município. Faltou inquietude, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população.

Historicamente, a Câmara tem sido generosa em dizer amém ao Poder Executivo Municipal e não avançou em direção aos interesses mais prementes da sociedade.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje quedo-me mais aos seus encantos, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos e outros tantos que os entendem inconvenientes e abelhudos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”. Insisto em ser otimista, neste particular: que nos próximos aniversários, os munícipes chorrochoenses tenham o que comemorar.

A data é propícia para citar os nomes daqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda permaneça em pé, embora cambaleando:

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos.

Que Deus ilumine o atual prefeito e lhe dê muita disposição para o trabalho. Dizem as más línguas – e as boas também – que está lhe faltando essa disposição. E que os vereadores enxerguem, além da alvorada que eles nunca veem, novos horizontes, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária. E de campanhas políticas.

Que o prefeito tenha êxito em sua administração e os vereadores tenham sucesso em suas atuações em prol do município e de seu povo.

Parabéns Chorrochó.

Parabéns D. Socorro Menezes.

Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó


araujo-costa@uol.com.br

Regina, doce e admirável nome de Patamuté

Regina/Perfil de Simone Reis/facebook

Perguntam-me, de quando em vez, porque gosto de falar de pessoas.
A resposta vem atarantada, nem sempre convincente. Mas cronista é assim mesmo, uma espécie de memorialista, imaginoso às vezes, apoucado, confuso e inconveniente, outras tantas.
O cronista escreve sobre fatos, pessoas, circunstâncias, andanças, amigos, impressões, tropeços, encontros, desencontros e outras coisas mais ou tudo mais e até de distância se, como eu, vive longe de seu habitat.
Regina, uma das criaturas mais meigas que conheci e convivi em Patamuté, fez aniversário no último dia 08/09/2022.
Deixo de declinar a data de nascimento de Regina, por duas razões: este é assunto para cartório do registro civil; e, ademais, não fica bem, segundo as modernas regras de etiqueta, andar por aí, citando a idade de uma senhora adiantada em anos.
Embora integrante da velha guarda, quando não existia esse tal rigorosíssimo observar das etiquetas sociais, costumo respeitar, sempre que possível, as regras sociais. Como é difícil nos dias de hoje!
Mas o fato é que Regina alcançou mais um degrau de sua bela existência, que todos admiramos e aqui fica minha torcida para que alcance outros degraus, muitos degraus na íngreme subida da vida.

Regina construiu seus primeiros passos familiares em Patamuté, mas se mudou de lá há alguns anos. Entretanto, em Patamuté ficaram as saudades, as lembranças, o impulso para seu caminhar.
Minha memória ainda guarda algumas imagens de Patamuté, que se tornaram difíceis de esquecer: Regina com sua primeira filha Kelly Cristine nos braços, acalentando-a e Walter Gomes Reis ao lado, admirando ambas.
Walter Gomes Reis era um senhor educado, atencioso, um gentleman. Em Patamuté, todos da época respeitávamos, assim como a seus pais, José Gomes dos Reis e Donana, que fizeram parte do núcleo familiar de Regina .

José Gomes dos Reis e Donana/Perfil de Alessandra Reis no facebook

O certo é que gosto de falar de pessoas, sim. E quando essas pessoas são boas, a tarefa é gratificante.

A história de vida de todos nós passa, necessariamente, pela convivência com pessoas que foram ou são importantes em nossa vida, em nosso caminhar.

Regina é descendente da ilustre família Souza, da Fazenda Tamburil.

Parabéns para a querida e amiga aniversariante.

araujo-costa@uol.com.br

João Gomes, o deslumbrado

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida” (Maurice Switzer)

O cantor de “piseiro” João Gomes, nascido em Serrita e criado em Petrolina, sertão pernambucano, ainda praticamente em início de carreira, perdeu valiosa oportunidade de, diante do mundo, aliar-se à decência de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Messias Holanda, Trio Nordestino, Flávio José e outros tantos respeitados integrantes da cultura nordestina.

Deslumbrado com o sucesso do Rock in Rio, João Gomes puxou um coro de ofensas e palavrões contra o presidente da República, seguindo a linha de outros tantos, que misturam arte com imbecilidades.

Quem lê este blog sabe que sou contra desrespeitar autoridades democraticamente constituídas. E aqui não importa se vereador, prefeito, governador, deputado estadual, deputado federal, senador, presidente da República, secretários de governo, et cetera.

Outrossim, não importa se o presidente da República é de esquerda, de direita, de centro ou de qualquer lado ou espectro, se Bolsonaro, Lula da Silva ou qualquer outro.

Estando lá, democraticamente eleito pela vontade soberana do voto popular, no exercício de suas funções e habilitado a tomar decisões, merece respeito de todos os brasileiros.

Se não concordamos com eles, que esperemos a oportunidade de derrubá-los nas urnas, através do voto.

Melhor calar, se não souber o que dizer. Ou não tiver o que dizer.

Jamais ofendê-los.

Além de falta de educação é imbecilidade.

João Gomes se deslumbrou com a conta bancária e com a fama e se achou no direito de igualar-se a outros artistas que, como ele, não sabem o que é conviver com os contrários e com os antagonismos, essência de toda e qualquer democracia.

Jovem, deslumbrado e inexperiente, João Gomes ainda terá tempo de seguir o caminho de honrados nomes da cultura do Nordeste, apear-se da pequenez e crescer.

A imprensa noticiou que o novel cantor nordestino depois pediu desculpa através das redes sociais.

E daí?

Pedir desculpas não é suficiente para robustecer seu caráter, talvez ainda em formação.

araujo-costa@uol.com.br

Em Patamuté, um vaqueiro quase centenário.

Josiel Calazans e Mundinho

Aproxima-se a Festa dos Vaqueiros de Patamuté, que já virou tradição do distrito curaçaense. Em 2022, acontecerá nos próximos dias 16, 17 e 18 do corrente mês de setembro.

Quando a festa foi criada eu não morava mais lá, mas acompanho as notícias, sempre que possível, para desanuviar a saudade do lugar.

Entretanto, conheço lá alguns vaqueiros de meu tempo, ainda vivos, graças a Deus. Talvez não usem mais gibão, guarda-peito, perneira e chapéu de couro, mas amam a vida no campo e não se separam das tradições rurais que sustentaram o criar de suas famílias.

Hoje lembro de Raimundo Brandão, o Mundinho mais querido de Patamuté, rodeado sempre de familiares, também queridos, amigos e admiradores. Símbolo do lugar, orgulho de sua gente.

Se não me falha a memória – e a memória sempre falha – Mundinho mora na Fazenda Almeida, nas redondezas de Patamuté. Se errei o nome da Fazenda, não tem importância. Isto não diminui, nem ofusca a presença de Mundinho por lá.

Deixo a foto dele aqui, que tirei do perfil de Josiel Calazans, ilustre filho de Chorrochó, no facebook.

É bom sempre lembrar as pessoas boas, que nos dão exemplo de vida nesse difícil caminhar.

araujo-costa@uol.com.br