Órfão da boemia.

Tantas vezes a história me foi contada e tantas outras me recusei a acreditar. Mas me rendi à insistência do amigo em repeti-la e quase lhe dei a certeza de que não seria mais um a negar-lhe credibilidade aos seus devaneios de outrora.

Dizia ele que saiu da metrópole – e cansado da cidade grande – foi trabalhar no interior. Escolheu cidade pacata, silenciosa, moradores hospitaleiros, amigos sinceros ou parecidos como tais, difíceis de encontrar nos dias de hoje.

Um dia, lá para as tantas, voltando para casa, resolveu entrar no último boteco do caminho. Alguns gatos pingados já embriagados conversavam em volta do balcão. Conversa comprida, sem começo, sem rumo certo, sem hora pra acabar.

Tropeços, abraços, sorrisos, o aliviar da rotina e do cansaço do dia.

Cumprimentos de praxe, porque assim mandam as boas regras, pediu uma birita para lhe dar coragem de abandonar a noite e recolher-se aos seus aposentos, aliviar o cansaço do dia.

Conversa vai, que conversa de boêmio – ou de bêbado – é comprida pra danar, os circunstantes avisaram que tivesse cuidado ao andar durante a noite, porque a rua ali era mal assombrada, veem vultos, fantasmas, almas do outro mundo, sombras. Não se sabe bem o que é, muitos já viram e coisa e tal.

O cemitério da cidade ficava ali nas imediações, talvez seja por isso, há testemunhos, histórias, um rosário de lengalenga. Conversa do interior, sem maldade, boa demais de se ouvir, nem sempre de acreditar.

Despediu-se de todos, saiu cauteloso, desconfiado, rumou na direção pretendida. Não demorou muito, um senhor elegantemente vestido, que seguia no mesmo sentido, fez-lhe companhia por alguns minutos, declinou-lhe o nome, falou da cidade, de fatos acontecidos, de tempos idos.

Conversaram bastante naquele momento de caminhada. Conversa amena, interiorana, decente, aprumada.

Ao se separarem, cada um pro seu lado, porque assim mandava o destino de cada um, o aperto de mão natural, aproximativo, o ensaio de um abraço.

Apresentaram-se, saíram amigos, supostamente amigos.

Continuou a luta na cidade, a vida, a boemia. Passou a gostar do horário, do caminho que fazia todas as noites, dos amigos que conheceu. Fez muitas vezes o mesmo percurso, a mesma rotina, passou no mesmo botequim, o mesmo senhor elegante a acompanhar-lhe, por algum tempo, em animado bate papo. O mesmo adeus, o mesmo salamaleque, os mesmos respeitos.

Permaneceu algum tempo na cidade e, antes de deixá-la, foi se despedir daquela turma alegre e hospitaleira que conheceu no boteco, amigos de copo e até, em certos casos, de infortúnio. Lamentou que ali também não estivesse o senhor elegante, conversa interessante, desembaraçada,  que lhe fazia costumeira companhia noturna ao voltar para casa.

Entristecido, citou o nome do companheiro ausente, para surpresa de todos, que ficaram assustados. Unânimes disseram que aquele senhor havia falecido há muito tempo e tinha sido um influente e generoso comerciante da cidade que costumava sair à noite para ajudar os necessitados que perambulavam pelas calçadas em estado de mendicância.

Ele jurava que era verdade e eu jurava que não acreditava. Mas procurava entender. Não era mais boêmio. Há algum tempo a velhice lhe havia batido à porta trazendo alguns problemas de saúde ou de doença e também alguns fantasmas das noites de boemia.

Talvez estivesse amargando o reflexo de seus dias de inquietude. Era órfão da boemia.

araujo-costa@uol.com.br

Memórias dispersas da ditadura

A ditadura militar corria solta no Brasil.

O jornalista José Carlos Oliveira, famoso, boêmio e conhecidíssimo no meio da imprensa e fora dela, assíduo frequentador dos famosos bares cariocas Degrau e Antonio’s, além de outros de Copacabana, Ipanema, Leblon e et cetera, foi abordado abruptamente por policiais, na Zona Sul do Rio, alta madrugada.

Arrogante o policial ordenou:

– Mãos ao alto, documentos!

Muito calmo e seguro de seu conhecido estado etílico, Carlinhos sentenciou:

– Ignoro. Não tenho documentos.

O policial, mais arrogante, sentiu-se grande:

– Então você não existe!

Gozador e ciente da fama, Carlinhos foi didático:

– Existo, sim. Sou público e notório.

Em Santo André, A do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), governo do general Ernesto Geisel, tempo de ditadura mais amena, de “distensão lenta, gradual e segura”, final de tarde, fui abordado na Rua General Glicério, miolo da efervescência política naqueles tempos difíceis.

Em meio ao burburinho de estudantes, a caminho da escola, depois de estafante dia de trabalho numa fábrica de Mauá, eu e outros colegas fomos cercados por policiais truculentos, grossos, idiotas, pequenos, imbecis.

Fomos encaminhados para o 1º Distrito Policial, para averiguações, deixar de ser besta e aprender a falar com a polícia da ditadura.

O primeiro Distrito Policial de Santo André, ainda está lá, no mesmo prédio, soturno, esquisito, histórico. Já na condição de advogado, no regime democrático, fui lá outras vezes, defender interesses de clientes.

Eu sobraçava um exemplar da Folha de S.Paulo, além da marmita vazia, guarda-chuva e outros penduricalhos de estudante pobre.

O policial me olhou grosseiramente:

– O que tem aí, algum livro comunista?

Besta e inocente, respondi:

– Um jornal, não sabe o que é um jornal?

Já eu lhe mostro o que é um jornal – disse o policial ofendido – e me encaminhou para o camburão da polícia política do governador Paulo Egydio Martins, da Aliança Renovadora Nacional (ARENA).

Tempo do temido DOPS (Departamento de Ordem Polícia e Social), DOI-CODI e outras armadilhas de tortura da ditadura. Todo mundo tinha medo de cair lá, inclusive inofensivos estudantes como eu.

Naquele tempo andar com livros chegava a ser perigoso. Se alguém fosse flagrado com um exemplar de O Capital, de Karl Marx, certamente seria levado para a delegacia.

No distrito policial de Santo André, fomos averiguados, perguntados, apalpados, espiados, humilhados e liberados.

Hoje, quando vejo pessoas desinformadas, adultas ou jovens, pedindo a volta da ditadura, acresce-me a certeza de que essas pessoas não conhecem o mínimo sobre o Brasil e, ainda assim, se dizem patriotas e nacionalistas.

Ditadura é o pior dos governos. Alíás, nem governo é. É barbárie.

Na ditadura, ser público e notório não basta. Chega a ser perigoso.

araujo-costa@uol.com.br

A Bahia petista de Rui Costa

O PT quer transformar a Bahia numa província petista. Parece que a maioria dos baianos está de acordo: 75% dos eleitores da Bahia votaram no PT nas eleições de 2018. Convenhamos, beirou à unanimidade.

Lula da Silva curvou-se à realidade e foi beijar a mão do governador Rui Costa, hoje a única liderança respeitável do PT.

Não obstante ostentar a condição de líder maior do partido, Lula da Silva está em franco declínio moral, mas não pode deixar a peteca cair para não desanimar a militância.

A massa petista se sustenta nas lorotas de Lula. É inegável que Lula sabe conduzir seus seguidores com maestria. Lula é messiânico, carismático, demagogo e conduz essas características com sabedoria.

Mas há alguns percalços no caminho lulopetista, que o ex-presidente precisa contorná-los.

Por exemplo: Ciro Gomes, que foi ministro e lambe-botas de Lula, anda por aí, magoado até as unhas, metralhadora em punho, girando raivosamente contra os petistas.

Ciro Gomes já disse que “Lula é um defunto eleitoral” e segunda-feira passada, em São Paulo, disse que “Lula é um encantador de serpentes”.

Melhor assim. Pior se ele tivesse usado seu vocabulário impublicável para dizer outras coisas do ex-presidente. Diz que sabe coisas do arco da velha que comprometem o PT. Só não se sabe porque não revelou antes, quando participava convenientemente do governo de Lula.

Ciro Gomes não acredita que Lula volte à superfície do prestígio popular que desfrutou, porque Lula submergiu nas águas sujas e turbulentas do propinoduto petista.

Mas ninguém estranhe se, mais à frente, Ciro Gomes vier a andar de braços dados com Lula. Uma coisa é defender ideias, outra é defender interesses pessoais. Assim como Lula, Ciro gosta de poder.

Hoje a situação jurídica de Lula é mais confortável do que sua situação política, que está arranhada eleitoralmente. O Supremo Tribunal Federal, dirigido pelo ministro petista Dias Toffoli, ex-advogado do PT, está fazendo o diabo para beneficiar o ex-presidente.

Lula tem no STF competentes e qualificados advogados, dentre eles os ministros Ricardo Lewandowiski,  Marco Aurélio Melo, Gilmar Mendes e o próprio Dias Toffoli.

Só os tolos acreditam que ministros do STF que obtiveram cargos vitalícios, até morrer, com salários estratosféricos, fama e mordomias milionárias, vão votar contra o presidente da República que os indicou e nomeou. Como diz o caipira paulista: me engana que eu gosto!

O problema de Lula da Silva, se isto se pode dizer que é problema, é querer disputar com Deus a titularidade da onisciência. Deus encontrou um páreo duro. Lula diz que sabe tudo, é maioral em tudo, até na honestidade.

Lula não admite os erros do PT, nem do governo do PT. Recusa-se a fazer autocrítica, embora petistas graúdos entendam ser esta uma forma eficiente de conquistar os milhões de eleitores perdidos ao longo do caminho. O presidente Bolsonaro que o diga.

Lula disse em Salvador, que “tem companheiro do PT que fala que tem que fazer autocrítica. Faça você a crítica. Eu não vou fazer papel de oposição”. Parece que a frase foi dirigida ao governador Rui Costa que já sinalizou que o PT não é dono da verdade.

Vaidoso e arrogante, Lula não quer admitir que novas lideranças assumam o protagonismo do partido, sem seu aval. Insiste em carregar Fernando Haddad a tiracolo.

Assim como Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, o ex-prefeito paulistano é bonifrate, servil, manipulável. Lula gosta disto, de mandar, de ser obedecido.

Mas Lula já demonstra alguns sinais de senilidade, que acentuam suas costumeiras lorotas, uma das principais especialidades do ex-presidente.

Ao mesmo tempo em que desce o malho na TV Globo, para a militância petista pensar que é verdade, Lula pede a Luciano Huck, às escondidas, que o leve para entrevistá-lo no imbecilizado “Caldeirão do Huck”, programa do apresentador global.

Em Salvador, Lula falou mal de Deus e o mundo, inclusive de Luciano Huck, essa piada de mal gosto que quer disputar a presidência da República. O Brasil merece mais essa imbecilidade?

Mas na Bahia, manda o PT, mandam Rui Costa e Jaques Wagner. Lula sabe disto e foi lá afagá-los sob o pretexto de participar da reunião da Executiva Nacional do Partido.

Mais uma de suas lorotas.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: Colégio Ivo Braga, Babá Torres e outras anotações

Quem luta com palavras sempre vive consultando alfarrábios e cutucando o dizer da vida.

O cronista às vezes se vê saudosista, outras tantas se basta na condição de curioso com as curvas e as artimanhas do tempo.

Andei remexendo nalguns cartapácios e me deparei com anotações já amareladas pelo tempo sobre o aniversário do Colégio Municipal Professor Ivo Braga, de Curaçá.

Já se vão, por aí, cinquenta e sete anos de existência do Colégio.

O Ginásio Municipal de Curaçá foi fundado em 06 de agosto de 1962. Mais tarde recebeu o nome de Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Em 2012 realizaram-se as comemorações do cinquentenário da escola. O ponto mais alto, sem dúvida, foi a merecida homenagem prestada ao seu fundador, Dr. José Gonçalves, ícone da história de Curaçá.

À época li o pronunciamento de Omar “Babá” Torres, aluno da primeira turma da instituição.

Discurso inteligente, essencialmente histórico e, sobretudo, fiel aos fatos.

Babá fez um apanhado desde o nascedouro do Ivo Braga, citou o teólogo francês Jacques Bossuet (“no universo, poucas coisas são maiores que os grandes homens modestos”), o poeta português Fernando Pessoa (“eu sou do tamanho do que vejo”), o dramaturgo alemão Bertolt Brecht sobre os homens que lutam por toda a vida (“estes são imprescindíveis”) e por aí discorreu, competentemente, erguendo sabedoria, conduta, aliás, absolutamente compatível com o proceder de um filho de Durval Torres.

Todos que admiram Babá – aos quais me incluo – sabem que ele tem o dom de expressar-se humildemente. Nunca é demais lembrar que a humildade é uma característica dos sábios.

A peça oratória de Babá nas comemorações do cinquentenário do Ivo Braga é mais que um discurso. É um templo da história de Curaçá. Deve figurar nas bibliotecas e arquivos do Ivo Braga, para servir de parâmetro tanto para seus alunos e jovens de hoje quanto para as gerações futuras.

É um exemplo de como a persistência dos sonhos pode transformar uma sociedade e como “a abnegação, firmeza de ideal e capacidade de doação”, qualidades tão escassas no mundo de hoje, podem dignificar a história de um povo.

Imaginemos as condições adversas, políticas e práticas, enfrentadas pelo fundador do Ivo Braga como, em minúcias, Babá as enumerou em seu pronunciamento. Isto, numa época, quando tudo era difícil, inegavelmente mais difícil.

Somente um caráter de espinha inflexível como o de Dr. José Gonçalves sustentaria o esteio para segurar a firmeza do ideal que abraçou.

Curaçá seria outro, certamente com cultura mais tênue, se não houvesse o Colégio Ivo Braga. Nesses cinquenta e sete anos ele plantou sementes que germinaram abundantemente.

Muitos curaçaenses começaram ali sua história de vida.

Embora ainda tropeçando nas pedras do meu caminho e empoeirado em razão das constantes quedas, também comecei no Ivo Braga a vislumbrar outros horizontes que me foram indicados por insignes mestres, a exemplo de Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. Jaime Alves de Carvalho, Terezinha Conduru de Almeida, Lenir da Silva Possídio, Excelda Nascimento Santos, Noêmia de Almeida Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, Dionária Ana Bim, Herval Francisco Félix e tantos outros.

Naquele tempo os alunos viam os professores como bons exemplos de vida a seguir e o colégio era o orgulho de todos que o frequentavam. Éramos assim, jovens e sonhadores.

Hoje, muitos de nós continuamos sonhadores. Os sonhos balizam o prosseguimento da caminhada.

Quanto à juventude, ela nos serviu de sustentáculo para que fosse edificada a construção de nossa vida de hoje.

O Colégio Ivo Braga se permitiu, tenazmente, continuar perseguindo os sonhos do Dr. José Gonçalves.

No mais, guardo com atenção o histórico pronunciamento de Babá Torres por ocasião do cinquentenário da instituição, em defesa da gratidão e da memória curaçaenses.

O Colégio Ivo Braga continua sendo um esteio valioso que sustenta a cultura de Curaçá.

araujo-costa@uol.com.br

E a democracia, senador Olímpio?

A imprensa noticiou que o senador Major Olímpio (PLS-SP) pediu a prisão preventiva do ex-presidente Lula da Silva, com fundamento na Lei de Segurança Nacional.

Sábado último, em São Bernardo do Campo, Lula da Silva se exaltou e, diante da militância petista e de integrantes de movimentos sociais convocados pelo PT, exagerou um pouco, creio que para levantar a moral da tropa.

Não acredito que tenha sido incitação à violência e à subversão da ordem pública. Lula é esperto o suficiente para não cair em esparrela dessa natureza.

Quem foi presidente da República, por mais chinfrim que seja, é suficientemente bem informado para saber até onde vão seus limites verbais.

Lula estava com o microfone na mão, que ele adora, desesperado para falar. Extrapolou. Só isto.

O pedido do senador paulista foi endereçado equivocadamente à Procuradoria Geral da República. Salvo melhor juízo, o razoável seria protocolizar em São Bernardo do Campo, onde Lula mora e fez o destemperado discurso, vez que ele não tem mais foro por prerrogativa de função. Assim, o pedido tem tudo para ser indeferido.

No mais, é preciso ter paciência com Lula da Silva. Ele ainda está empolgado com a liberdade. É natural. E falar asneira é sua especialidade.

Inegável, entretanto, a radicalização do espectro político nos dois extremos: Lula e a esquerda em geral radicalizam de um lado e a direita bolsonarista radicaliza de outro. Falta noção de equilíbrio nos dois lados.

De quando em vez é bom os políticos se lembrarem que a democracia pressupõe liberdade de pensamento. Sem exagero, claro.

Mas este pedido de prisão não vai dar em nada, além da notícia.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva, primeiros rascunhos da liberdade

09.11.2019, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, São Bernardo do Campo.

Deputados da Bahia

O deputado federal Jorge Solla, da ala radical do PT da Bahia, protagonizou momentos de humorismo explícito. Enquanto Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT, ia anunciando no palanque os nomes dos parlamentares do partido e políticos presentes, Jorge Solla se desesperava, porque sequer estava sendo notado.

Espremido do lado oposto do palanque, o desespero de Jorge Solla chegou a ser hilário e provocou gargalhadas dos presentes. Acenava para a presidente do PT, gritava e esperneava-se sem êxito.

Foi socorrido por um petista graúdo, que lembrou à presidente do PT que o deputado baiano estava presente.

Gleisi, então, citou o nome do insignificante deputado da Bahia, que não constava na lista de presença, embora desde cedo estivesse circulando no interior do Sindicato. Alguns petistas chegaram a confundi-lo com o ex-governador e senador Jaques Wagner, que não compareceu.

Ufa! Jorge Solla aliviou-se. Queria mostrar para os baianos que estava lá, no palanque, em São Bernardo do Campo, ao lado de Lula da Silva, uma forma de angariar votos dos incautos eleitores.

O deputado Valmir Assunção, de Itamaraju, também, da Bahia, sentia-se mais à vontade. Alegre que só pinto no lixo, líder do Movimentos dos Trabalhadores Rurais sem Terra, Valmir Assunção sentia-se em casa.

Centenas de participantes que recepcionavam Lula da Silva no sindicato e arredores eram dos movimentos sociais convocados pelo PT, de modo que o deputado baiano circulou, com desenvoltura, dentro e fora do sindicato.

Indiferença quanto à soltura de Lula

Tirante os helicópteros da imprensa e os admiradores de Lula da Silva reunidos em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, São Bernardo do Campo continuou como sempre se portou depois da derrocada moral do ex-presidente: indiferente. Mas os petistas dizem que ele voltou nos braços do povo.

Falha desnecessária de Lula da Silva

O conteúdo do discurso de Lula da Silva era esperado. Não houve nenhuma novidade. Quem conhece Lula de perto sabe que ele não faria discurso diferente.

Lula é demagogo e fala a linguagem que seus admiradores querem ouvir. Mas Lula cometeu uma gafe monumental. Mais do que uma gafe, uma ingratidão com árabes e muçulmanos que sempre o elogiaram.

Lula disse que o presidente Bolsonaro se reuniu com o príncipe Mohammad Bin Salman, vice-primeiro ministro e herdeiro do trono da Arábia Saudita, que mandou matar recentemente um jornalista em Istambul, na Turquia, e sumir com o corpo. Não precisava fazer essa referência desnecessária.

Qualquer presidente da República, de qualquer país, em viagem oficial, reunir-se-ia protocolarmente com o chefe de Estado ou de governo do país anfitrião e aí não se discute a conduta interna do governante.

A contradição é gritante. Lula da Silva visitou Cuba e se reuniu com Fidel Castro de quem era amigo, diversas vezes.

Fidel Castro mandou fuzilar dezenas de cubanos. Fidel Castro almoçou na residência de Lula da Silva, na Rua São João, em São Bernardo do Campo, quando em visita ao Brasil, mesmo Fidel Castro sendo um ditador sanguinário.

Como explicar a contradição de Lula da Silva?

Não há o que explicar. Lula é Lula, fala o que seus admiradores querem ouvir.

Qual a diferença entre visitar, em viagem oficial, o príncipe da Arábia Saudita, o presidente cubano ou outro governante?

Na ânsia de atacar o presidente Bolsonaro, Lula da Silva meteu os pés pelas mãos e, no mínimo, ficou arranhado com a Arábia Saudita. Quiçá com a comunidade árabe.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó: tempo de lembrar

Lá das bandas de meu esturricado sertão, em data recente, o ilustre Thomaz Américo Júnior fez-me lembrar de distinto chorrochoense: Dr. José Evaldo de Menezes.

Salvo engano, Thomaz Américo Júnior é do belíssimo município baiano de Maraú, aquinhoado com belas riquezas naturais, na chamada Costa do Dendê. Aboletou-se em Chorrochó e cultiva uma saudável qualidade pouco admirada nos dias de hoje: gosta de fazer amizades.

É preciso que, às vezes, falemos algumas coisas, enquanto é tempo. É preciso porque, em certas ocasiões, surgem as oportunidades para isto. Se as oportunidades se vão, vão-se também os ímpetos que nos movem dizê-las.

Em outubro, acontece em Chorrochó o aniversário de um senhor espirituoso e muito hábil para enfrentar as derrapagens da vida: Dr. José Evaldo de Menezes.

Este senhor atingiu, em sua trajetória de vida, muitos degraus na estima de seus amigos, porque trouxe do berço várias qualidades, que todos admiramos: caráter irrepreensível, generosidade, persistência na defesa dos mais humildes e, sobretudo, uma tenacidade ímpar quando pretende justificar seus pontos de vista. O que é mais admirável é que seus argumentos convencem, amparam, completam, ensinam.

Esta é uma crônica de saudade.

Já se vão por aí algumas décadas, convivi com este preclaro Dr. Evaldo apenas alguns anos, porque o destino assim o quis. E teria convivido mais, prazerosamente, se as exigências do tempo não me tivessem impedido. Éramos um tanto jovens.

Ele por volta de trinta anos, já líder, inquieto com as condições sociais de sua gente, sempre atencioso, rodeado de amigos e admiradores.

Eu à época já insignificante, sem importância, como ainda hoje, ignorante diante do mundo, tão somente um espectador das circunstâncias. Querendo ser gente grande, que nunca consegui.

Nesta altura da vida e do tempo, não abandonei o remo, mas conduzo o barco cautelosamente, vagarosamente. As luzes do crepúsculo já não me convencem a persistir nos sonhos da juventude.

Naquele tempo, Chorrochó era uma sociedade em construção, impregnada de sonhos e perspectivas. Município novo, dominavam em todos nós o otimismo, a esperança, a vontade de antever novos horizontes.

Vi Dr. Evaldo, muitas vezes, discutindo situações de cunho social e apontando soluções para os desamparados, para os pobres, para os tristes. Melhor, vi-o resolvendo-as.

Hoje Chorrochó mudou, mudaram-se os valores. Difícil não se curvar diante das imposições do tempo. O Dr. Evaldo tem feito isto muito bem.

Dr. Evaldo é uma daquelas pessoas que a gente deve orgulhar-se de ter conhecido. E deve lamentar por não privar, diuturnamente, de sua amizade. Ele acrescenta, faz pensar, dá lições de humildade.

Líder autêntico, presente, esplendidamente justo. Amigo, sabe balizar, como poucos, a convivência em sociedade. E tem se portado muito bem, assim, sabiamente.

Houve um tempo em que nada acontecia politicamente em Chorrochó sem que Dr. Evaldo fosse consultado. Nasceu político, vivia a política, ainda vive a política ao seu estilo único, admirável, contemporizador.

Dr. Evaldo soube construir seu mundo de aconchego suficiente para abrigá-lo, incluída aí a família nobre: a mulher Elza Menezes e os filhos Larissa e Evaldo Segundo.

Contudo, o que preciso dizer hoje, além disto, é que o Dr. José Evaldo de Menezes é um sujeito digno, honrado, correto. É insigne, notável, desprendido. Parabenizá-lo pelo aniversário, embora tardiamente, é pouco, insuficiente.

Urge parabenizá-lo por sua existência.

A existência dos mestres deve ser sempre lembrada. Dr. Evaldo é um mestre das coisas da vida.

No mais, agradeço a Thomaz Américo Júnior pelos sinais de amizade.

araujo-costa@uol.com.br

O pensamento contraditório da esquerda do Brasil

“Os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos” (artigo 53, da Constituição Federal)

Em 1966, Márcio Moreira Alves (1936-2009), jornalista do Correio da Manhã, foi eleito deputado federal pelo MDB da Guanabara.

Em 02 de setembro de 1968, Márcio Moreira Alves fez um pequeno discurso na chamada sessão pinga-fogo da Câmara dos Deputados e, dentre outras inofensivas bobagens, sugeriu às moças da época uma espécie de boicote: que elas não namorassem nem dançassem com  cadetes e jovens oficiais, porque eles faziam parte da ditadura.

O governo militar se sentiu ofendido e pediu para o Supremo Tribunal Federal processar o jovem e afoito deputado da Guanabara.

Naquele tempo, o Supremo Tribunal Federal era supremo mesmo. Seus ministros não andavam por aí tagarelando diante das câmeras de televisão, nem saiam correndo atrás de jornalistas para conceder entrevistas.

Hoje é mais fácil encontrar um ministro do Supremo num estúdio de televisão ou numa redação de jornal do que em seu gabinete no STF.

O STF pediu licença à Câmara dos Deputados para processar Márcio Moreira Alves, mas a Câmara negou.

Começou aí o estopim que deu o ponta pé no endurecimento do regime militar.

Em 13 de dezembro de 1968, o marechal-presidente Arthur da Costa e Silva reuniu os ministros no Palácio das Laranjeiras e editou o Ato Institucional número 5 (AI-5).

O resto da história e a escuridão política todo mundo conhece.

Mas o que lembro aqui é a contradição do pensamento da esquerda do Brasil. Muitos dos seus integrantes em 1968 continuam vivos, graças a Deus.

Na discussão em plenário, para decidir se a Câmara dos Deputados deveria ou não conceder a licença para o STF processar Márcio Moreira Alves, a esquerda argumentou com unhas e dentes, que o parlamentar é inviolável em suas opiniões, palavras e votos.

O preceito estava na Constituição de 1967, então vigente. Está na Constituição de 1988, em vigor.

Portanto, a esquerda estava certa. Processar um parlamentar em razão da expressão do seu pensamento é uma violência inaceitável em qualquer regime político, seja ele democrático ou não.

Pois bem. Agora dá-se o inverso. A esquerda diz que deputado deve ser processado por suas opiniões. Dá para acreditar?

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), na mesma condição parlamentar de Márcio Moreira Alves, andou falando umas besteiras por aí e, dentre essas besteiras, disse que se a “esquerda radicalizar” terá que ser editado um novo AI-5.

Lorota. Força de expressão, talvez. O Brasil é outro. Não há espaço para isto. Não há como fazer isto.

Mas toda a esquerda se alvoroçou e alguns partidos políticos até já pediram a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro.

A ditadura cassou o deputado Márcio Moreira Alves por ter expressado sua opinião. A mesma esquerda, que resistiu bravamente ao ato da ditadura militar, hoje quer cassar o mandato do deputado Eduardo Bolsonaro, pelo mesmo motivo: ter expressado sua opinião.

Pelo que se vê, a esquerda do Brasil gosta mesmo é de dinheiro. Apeada do poder pelas urnas de 2018, esqueceu-se de 1968, quando defendia a inviolabilidade dos deputados.

Hoje a esquerda diz que não há inviolabilidade de deputado coisa nenhuma, desde que o deputado seja da direita.

Os demagogos da esquerda disputam entre eles o troféu cara de pau.

araujo-costa@uol.com.br

Hábitos estranhos do prefeito de Chorrochó

“A grandeza dos fortes se alimenta com a fragilidade dos fracos” (Padre Antonio Batista Vieira, Várzea Alegre, Ceará, 1919-2003)).

Em Chorrochó, município do sertão baiano, o prefeito Humberto Gomes Ramos, do Partido Progressista, dignou-se a apresentar hábitos esquisitos, estranhos, estrambólicos: coleciona encrencas jurídicas contra si mesmo.

É inegável, todavia, que o homem tem uma qualidade inquestionável: é bom de voto e entende de urnas, de votos, de eleitores e dos caminhos que levam até eles.

Esta façanha basta para o político bonachão do sertão. Também para o eleitor basta. Mas para o município de Chorrochó não basta e para a história, menos ainda.

A coleção de embaraços judiciais que o prefeito Humberto Gomes Ramos atraiu para si nos últimos anos pode ser atribuída a dois fatores visíveis, muito comuns nos municípios.

O primeiro fator é a ausência ou fragilidade da oposição, quase sempre apática e circunstante, que nunca fiscalizou os atos  do Executivo ou o fez deficientemente.

No sertão nordestino, ainda há membros do Legislativo que pensam, equivocadamente, que fazer oposição é ser inimigo, simplesmente. Não é, nunca foi. Ser oposição é apresentar ideias opostas. Só isto. É um exercício democrático.

No Brasil, a história registra que respeitáveis homens públicos que fizeram oposição a chefes do Poder Executivo eram seus amigos pessoais. Mas não misturavam as coisas. Chorrochó está precisando disto: não misturar as coisas.

O segundo fator tem a ver com as armadilhas da lei a que estão adstritos os administradores públicos, mormente com os instrumentos jurídicos dos dias de hoje, por exemplo, a lei de responsabilidade fiscal.

Os prefeitos do interior se veem obrigados a contratar caros advogados para se livrarem de enrascadas, verdadeiros emaranhados jurídicos a que são submetidos em razão do rigor da lei, nem sempre justo.

Quero crer que muitos gestores públicos erram por inexperiência. Ninguém gosta de viver com o coração aos pinotes na expectativa de ser trancafiado num xilindró e tampouco jogar seu prestígio político e sua honra no despenhadeiro.

Todo mundo quer ter poder. Os mais antigos diziam que “o poder é afrodisíaco”.

Então, se o dolo existe, o prefeito é meliante e não administrador público. A história será outra, os fatos serão outros, as consequências serão outras.

A oposição de Chorrochó sempre esteve “à toa na vida, pra ver a banda passar”. Quando a banda passava ia levando urnas abarrotadas de votos para despejá-los no colo do prefeito Humberto.

A sabedoria política do sertão diz que “não se dá liberdade ao inimigo, enquanto ele estiver solto”.

Os poucos adversários políticos do prefeito Humberto sempre lhe deram liberdade de sobra para pintar e bordar. Em consequência, ele nunca teve oposição vigilante e por isto, construiu uma base política sólida, bem estruturada e adquiriu lastro para fazer as estripulias de que está sendo acusado.

Humberto Gomes Ramos ostenta em sua biografia três mandatos de prefeito, eleito em 2004, 2008 e 2016, além de outros feitos, a exemplo da eleição de Rita de Cássia Campos Souza, que ele a entronou no primeiro turno das eleições de 2012 com 57% dos votos.

Enquanto a oposição de Chorrochó patina, o prefeito Humberto vai afagando um, passando a mão na cabeça de outro, prometendo mundos e fundos a outros tantos, frequentando torneios de futebol nas fazendas, rodas de São Gonçalo e outros adjuntos mais, com o intuito de consolidar seu prestígio político, o que tem dado certo.

Para o prefeito de Chorrochó e seus aliados – que são muitos – sua situação político-eleitoral é confortável, porque a oposição não consegue ocupar os espaços vazios que a própria atuação política de Humberto não conseguiu preencher em anos seguidos.

Sendo assim, quanto aos processos advindos em razão do exercício da função de prefeito, não parece razoável atribuí-los somente ao desvio de conduta de Sua Excelência, mesmo porque os casos continuam sub judice.

Enquanto houver possibilidade de recurso, o homem é inocente, mesmo que seja culpado, mesmo que todos achem que seja culpado. Assim diz a Constituição da República.

Mas há um pouco de esperteza nisso tudo, que faz o prefeito achar que pode tudo, inclusive fazer estripulias com o dinheiro público. Quando é assim, geralmente o gestor não antevê que lá, mais à frente, a punição poderá lhe encontrar numa encruzilhada qualquer da vida com a chave do presídio na mão.

Esse comportamento arrevesado rendeu ao prefeito Humberto Gomes Ramos algumas ações penais, sem prejuízo da discussão na área civil, tais como: suspeita de fraude em licitação na compra de combustíveis em 2008 e acusação de favorecimento de aliados em contratos de locação de veículos em 2007, com suposto prejuízo de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos, para ficar apenas nesses dois casos.

Em data recente, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o município de Chorrochó e, por extensão, com reflexos diretos no prefeito Humberto, alegando a contratação de escritório de advocacia com dispensa de licitação e consequente prejuízo aos cofres públicos da ordem de R$ 2,3 milhões, segundo a peça jurídica.

Dentre outros argumentos, o Ministério Público aduz que o escritório não tem notória especialização e, por isto, a dispensa de licitação é ilegal. Os recursos envolvidos são oriundos do FUNDEF.

Há notícia de que o prefeito também está às voltas com alegação de obras inacabadas no município, inclusive lá para as bandas de Várzea da Ema e Barra do Tarrachil, de modo que também se escafederam – ou dizem que se escafederam – recursos do FNDE, segundo avaliam munícipes que sabem da existência dos recursos destinados às obras, mas não conseguem enxergar as obras.

Exemplo: munícipes apontam que as obras de três escolas públicas, de uma quadra de esporte e de uma creche estão paradas, há alguns anos, sem justificativa plausível do Executivo Municipal.

O blog pede escusas à Prefeitura se as imagens abaixo estão superadas em razão do possível término das obras. Se foram acabadas, vale o registro dos feitos da administração.

araujo-costa@uol.com.br

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Chorrochó: obra inacabada
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Chorrochó: obra inacabada
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Chorrochó: obra inacabada
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Chorrochó: obra inacabada

Até tu, Lula da Silva?

Santo André, cerne do ABC paulista, estava agitado hoje.

Estive por lá durante toda a tarde desta sexta-feira, 25 de outubro deste ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2019.

Logo cedo, a revista VEJA publicou que Marcos Valério, conhecido operador do mensalão petista, disse ao Ministério Público de São Paulo, que o ex-presidente Lula é um dos mandantes do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André.

É um enredo um tanto difícil de entender.

Diz a revista VEJA, que o dono do jornal Diário do Grande ABC, de Santo André, pediu dinheiro aos dirigentes e mandachuvas do PT, para não revelar que Lula da Silva, à época presidente da República, tinha sido um dos mandantes do assassinato do prefeito Celso Daniel, do PT de Santo André.

Eis um trecho da matéria da VEJA:

“…Para quitar a extorsão, o Banco Schahin “emprestou” o dinheiro para o empresário José Carlos Bumlai, amigo de Lula, que pagou ao chantagista.

O banco já admitiu à Justiça a triangulação com o PT. Ronan Maria Pinto já foi condenado pelo juiz Sergio Moro por crime de corrupção e está preso.

Valério revelou mais um dado intrigante. Segundo ele, dos 12 milhões de reais “emprestados” pelo banco, 6 milhões foram para Ronan e a outra parte foi entregue ao petista Jacó Bittar, amigo de Lula e ex-conselheiro da Petrobras.

Jacó também é pai de Fernando Bittar, que consta como um dos donos do famoso sítio de Atibaia, que Lula frequentava quando deixou a Presidência.

As empreiteiras envolvidas no petrolão realizaram obras no sítio a pedido do ex-presidente, o que lhe rendeu uma condenação de doze anos e onze meses de prisão” (VEJA, 25/10/2019).

Pode ser verdade. Pode não ser verdade.

Quem conhece Lula da Silva de perto não acredita que ele seja capaz de mandar matar um amigo ou outra pessoa qualquer. E Celso Daniel era amigo de Lula, tanto que foi convidado para coordenar sua campanha eleitoral de 2002. Com sua morte, substituiu-o outro amigo de Lula, Antonio Palocci.

Quanto ao sítio de Atibaia, que Lula diz que não é dele, com o depoimento de Marcos Valério, parece que está claro que é. O que justificaria o pagamento de R$ 6 milhões ao amigo pessoal de Lula há décadas e pai do rapaz que diz ser dono do sítio?

Qual a justificativa para a entrega desse dinheiro ao amigo de Lula, pai do suposto dono do sítio?

Mas esta é outra história. Não cabe a este escrevinhador decifrá-la.

Santo André também estava agitado hoje, por outro motivo: o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, proferiu uma palestra no Teatro Municipal da cidade, a convite de duas faculdades.

Do lado de fora, alguns gatos pingados do PT protestando.

Irrisório o número de participantes do protesto.

Quase ninguém notou a insignificância deles.

Quase ninguém notou a presença de Deltan Dallagnol.

araujo-costa@uol.com.br