Em Chorrochó, há boas e más notícias

Em 02/01/2019, escrevi neste blog um artigo intitulado A oposição de Chorrochó está cambaleando.

Dias depois fiquei sabendo por pessoas fidedignas – alguns amigos, inclusive – que a oposição de lá não gostou, porque não se acha cambaleando assim como eu penso. Ao contrário, está firme.

Passaram-me a informação de que um vereador da fragilíssima oposição chorrochoense disse que eu estava “falando besteiras” e que, quem manda mesmo na Câmara de Chorrochó, hoje, é a oposição.

Mesmo falando besteiras, até fiquei contente em saber da novidade – que a oposição está mandando em Chorrochó hoje – porque a oposição de lá não apita há décadas e sequer conseguiu trocar o apito nesses anos de incompetência frente ao Poder Executivo.

Há um grupo político no município que manda e desmanda em Chorrochó alegremente e a oposição quando havia, se havia, nunca soube por onde começar sua atuação e acabou nunca começando.  Então, hoje é novidade.

Quero esclarecer aos excelentíssimos senhores vereadores de Chorrochó, mormente os que se dizem de oposição, que não tenho nada contra nenhum deles, aliás os admiro muito,  assim como não tenho nada contra os vereadores da situação. O balaio é deles. Eles que se acomodem lá dentro.

Quero lembrá-los, também, por dever de ofício, alguns pilares mais fortes da democracia: liberdade de expressão do pensamento, capacidade de conviver com os contrários e liberdade de imprensa.

Lembrá-los, por complemento: quem se dispõe a entrar na vida pública também se dispõe a assimilar os ruídos da sociedade, concordando ou não com ela, mesmo que de vez em quando apareça um abelhudo assim como eu.

Ou então deve pegar seu boné e recolher-se ao seu mundo, porque o mundo da política é mais amplo, mais arejado, mais atrevido, mais exigente.

“Quem não pode com o pote não pega na rodilha”, não é assim que dizem nossos caatingueiros?

Em 09/02/2019 escrevi neste mesmo blog um artigo intitulado Em Chorrochó, uma boa notícia versando sobre o possível fechamento do Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho, de São José, que acabou não sendo fechado, por enquanto.

De tanto falar bem de São José, de sua gente e de algumas autoridades de Chorrochó, acabei levando pedradas. Mas esta é outra história. Depois eu conto.

Pelo que se vê, em Chorrochó, há boas e más notícias.

araujo-costa@uol.com.br

Outra mina de dinheiro dos petistas.

Mais uma maracutaia do PT.

A revista ISTOÉ publicou extensa reportagem sobre a mina de dinheiro que o PT descobriu logo que começou o primeiro governo de Lula da Silva em 2003.

Aliás, pelo jeito, os petistas já haviam descoberto a mina, bem antes, mas só puderam explorá-la com as ferramentas que passaram a dispor no exercício do poder, já no advento do primeiro governo Lula da Silva.

Os petistas não perdem tempo. O dinheiro os amolece.

Esses espertos parasitas se valeram apressadamente da Lei de Anistia de 1979. Pediram indenizações milionárias à União, por terem atuado nas guerrilhas contra a ditadura militar e se beneficiaram com a “aposentadoria especial de anistiados”. São as chamadas “indenizações políticas”.

Muitos deles explodiram bombas, pegaram em armas, sequestraram, assaltaram bancos, causaram dor, tiraram vidas de inocentes e hoje estão sendo pagos pelos brasileiros por essas barbaridades que cometeram.

É uma espécie de compensação por terem sido delinquentes.

Alguns exemplos, apenas alguns exemplos:

Dilma Rousseff, famosa ex-guerrilheira, ganhou indenização de R$ 72 mil e pediu aposentadoria vitalícia de R$ 10.735,55; José Genoíno, ex-guerrilheiro no Araguaia e ex-presidente do PT, recebeu indenização de R$ 100 mil;  Paulo Vanucci, ex-ministro de Lula, recebeu indenização de R$ 54 mil; Rui Falcão, ex-presidente do PT, recebe pensão vitalícia de R$ 11 mil por mês; José Dirceu, ex-presidente do PT e ex-ministro de Lula, recebeu indenização de R$ 66 mil e requereu aposentadoria de R$ 10 mil.

Entretanto, o caso mais escandaloso, ainda não esclarecido, é o de Lula da Silva. Ele não participou de nenhuma guerrilha, nunca foi torturado, nunca caiu nas garras dos militares da linha dura, nunca viu uma masmorra, mas pediu alta indenização.

Lula teve os direitos sindicais cassados como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), por ocasião da greve de 1980 e esteve preso durante 31 dias no DOPS de São Paulo, porque liderava a greve dos metalúrgicos.

Mesmo assim, Lula requereu indenização da União e recebeu ou recebe R$ 56,7 mil. Ainda não está claro o caráter da indenização, se única ou mensal. Em razão disto, é prematuro aceitar a informação como definitiva.

Como se vê, muitos petistas estão se locupletando de dinheiro público, alguns com pensão vitalícia, sem nunca terem trabalhado. Todos comendo quieto.

E o PT diz que defende os pobres.

E há quem acredite que o PT defende os pobres.

Com uma mamata dessas, a cúpula do PT vai ser sempre contra qualquer reforma da previdência social. Para eles não interessa nenhuma mudança.

Todavia, mais escandaloso ainda é o evidente aparelhamento e a blindagem que o PT fez em muitas repartições públicas, inclusive no INSS.

Segundo a notícia, instado a apresentar as informações sobre essas aposentadorias e indenizações, o INSS disse que não consegue ter acesso aos dados, que ele próprio administra.

Dá para acreditar?

araujo-costa@uol.com.br

 

Igreja Católica: lugar de bispo é na igreja.

Em outubro acontecerá em Roma o Sínodo sobre a Amazônia, que reunirá pelo menos 250 bispos do mundo inteiro.

O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é o cardeal D. Claudio Hummes, ex-bispo da diocese de Santo André no ABC paulista e ex-arcebispo de São Paulo.

D. Claudio Hummes, que é prefeito emérito da Congregação para o Clero, em Roma e participou de outras congregações vaticanas, tem tradição de apoio aos trabalhadores e pessoas mais necessitadas.

Conhece a fundo nossos problemas, inclusive da Amazônia.

Quando bispo de Santo André, D. Claudio apoiou a histórica greve dos metalúrgicos do ABC liderada por Lula da Silva. Num ato de coragem, enfrentou a ditadura militar e franqueou a igreja matriz de São Bernardo do Campo para os metalúrgicos se reunirem e servir de base de apoio ao movimento. O sindicato estava sob intervenção.

O Sínodo discutirá assuntos tais como mudanças climáticas, índios, povos ribeirinhos e conflitos da terra, dentre outros.

Ocorre que órgãos de inteligência do governo já detectaram forte influência de parte do clero da esquerda católica no Sínodo que, dentre outras coisas, é a favor da presença de estrangeiros na Amazônia e defende a política agrária nem sempre compatível com a soberania nacional.

O intuito – diz o governo – é atrapalhar a política governamental para a Amazônia.

A esquerda católica carrega o ranço do enfrentamento à ditadura (1964-1985) e insiste em olhar para o retrovisor da história.

D. Claudio Hummes, moderado e experiente, ciente da efervescência do clero esquerdista na discussão dos temas do Sínodo, sabiamente ponderou: “Deve-se ter a preocupação de não olhar para o passado, mas para o futuro”.

A história registra que, nem sempre a participação de membros do clero católico em assuntos de interesse nacional tem dado certo.

Em 2005, repercutiu como um vexame desnecessário, a greve de fome de D. Luiz Cappio, bispo de Barra-BA, contra a transposição do Rio São Francisco, uma das bandeiras do governo de Lula da Silva. Lula se surpreendeu e nunca entendeu a posição do bispo.

Pode-se dizer tudo da transposição do São Francisco, inclusive que houve superfaturamento e tem qualidade duvidosa da obra em alguns trechos. Mas é inegável que a obra idealizada há século, beneficiou grande parte da população de alguns estados do Nordeste.

Contudo, o bispo de Barra foi contra, o que fica claro que nem sempre a opinião de membros da Igreja sobre assuntos de governo é acertada.

Agora, no limiar do governo Bolsonaro, outro bispo, D. André de Witte, da diocese de Ruy Barbosa, também na Bahia, apareceu com uma conversa arrevesada no sentido de que o governo federal apresenta “perigo real”.

Não consta que os brasileiros tenham pedido a opinião do bispo de Ruy Barbosa, que é belga e, portanto, não deve se intrometer em assuntos nacionais e de governo.

É razoável presumir que o Vaticano mandou Sua Excelência Reverendíssima para o Brasil para cuidar das coisas da igreja e não de assuntos de governo.

O lugar de bispo continua sendo na igreja.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó, uma boa notícia.

Notícia alvissareira foi anunciada pelo vereador do PT de Chorrochó, Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), quanto ao Colégio Maria Dias Sobrinho, de São José.

Ameaçado de fechar as portas, as autoridades encontraram um meio termo para evitar o iminente desaparecimento daquela escola de São José que – parece – perdeu o nome e passou a ser, estritamente, anexo do tradicional Colégio Estadual São José, da sede do município.

Autoridades locais, alunos e sociedade em geral certamente vão lutar pelo restabelecimento do nome do colégio, mesmo na condição de anexo. A supressão afeta a cultura, as tradições locais e o respeito à comunidade.

Entretanto, pelo menos, as lideranças locais evitaram, por enquanto, grande transtorno aos alunos e familiares, inclusive da zona rural.

Fechado o colégio, os estudantes teriam que se deslocar de São José até a sede do município, em condições adversas, inclusive expostos à violência nas estradas, tão comum na região, a fim de assistirem aulas. Uma insensatez, um desrespeito.

A atuação do vereador Beto de Arnóbio foi providencial no sentido de assegurar o direito da população de São José e manter a estrutura do ensino lá.

Nesta empreitada, o vereador Beto de Arnóbio contou, segundo ele, com a colaboração de outras lideranças de Chorrochó, colegas vereadores e também o secretário municipal de Educação.

O vereador e os que ajudaram foram bem sucedidos.  

São José cresceu – ou tentou crescer – com a colaboração possível de pequenos agricultores que viviam, como ainda hoje, da cultura de subsistência.

O pequeno comércio de São José persistiu e, de certa forma, se desenvolveu com a colaboração do homem do campo. 

A população de São José mantém a altivez e a decência, apesar das adversidades. Seus habitantes enfrentam o sol escaldante, porque o clima lá é cruel, quente, árido, extremamente difícil.

Comum entre os becos empoeirados de São José, mais do que pessoas, eram o caminhar das cabras e o tilintar de seus chocalhos, assim como porcos e galinhas.

São José tinha um líder político que sempre lutou por sua gente: Boaventura Manoel dos Santos.

Vereador por diversos mandatos, com altivez e extrema dedicação, contou sempre com o apoio incondicional de seu povo, que o mantinha na Câmara Municipal de Chorrochó para ser sua voz, seu refúgio, sua retaguarda.

No que pode, Boaventura cuidou de São José, diuturnamente. Para isto, contou com a ajuda e solidariedade de outro líder político de Chorrochó: Dorotheu Pacheco de Menezes.

Ambos viabilizaram a professora “formada”, como se dizia à época, Maria Dias Sobrinho, dando-lhe oportunidade para morar no povoado, ensinar, abrir o caminho para as crianças seguirem em direção ao futuro. São José precisava disto.

A professora Maria Dias Sobrinho era uma criatura humilde, reflexiva, responsável. Deixou a semente para a juventude de hoje. E o exemplo de luta que não pode se apagar.

O Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho permitiu esperança aos jovens de São José, estímulo para o prosseguimento da caminhada e, sobretudo, o fundamento para a construção do caráter, espinha que deve nortear a vida de todos nós.

Nenhum horizonte será possível se faltarem a persistência e a vontade de seguir avante. E só a escola é o caminho certo.

Conheci Maria Dias Sobrinho, assim como eu, nascida na caatinga, ainda no início do exercício de sua profissão de mestra, enfrentando dificuldades de toda ordem, até mesmo para receber o salário. Ainda assim, lutou, sofreu, ensinou, enfrentou a solidão do lugar. Tudo era muito difícil.

Salvo engano, o Colégio foi fundado em 1981 e, após trancos e barrancos, autorizado a funcionar somente em 2005. Hoje está ameaçado e às voltas com o descuido das autoridades.

Pelo que se vê, faltaram condições básicas para o exercício de suas atividades, faltou apoio permanente ao seu corpo docente e aos alunos, sobrou omissão do Poder Público.

São José é um lugar de pessoas humildes, dignas, resistentes ao tempo e às intempéries, mas merece respeito.

O núcleo de São José é um conjunto de casas simples e rodeado de vegetação da caatinga. Mas tem a semente para germinar o idealismo dos jovens, que sonham, continuam sonhando.

Neste particular, a professora Necy Gomes de Sá desempenhou papel importante para manter, pelo menos, a esperança da juventude de São José. Um baluarte.

É tempo de abrir e não de fechar escolas.

Mas a Bahia parece trafegar na contramão.

araujo-costa@uol.com.br

O rabo de palha do PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) não está conseguindo fazer oposição séria ao governo Bolsonaro.

O PT sequer consegue prosseguir na lenga-lenga do caso do ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro quanto à apontada movimentação bancária atípica de 1,2 milhão.

Tudo isto, por uma razão muito simples. O PT tem rabo de palha.

A assessoria do deputado André Ceciliano, que é petista e presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, fez exatamente igual ao ex-assessor do hoje senador Flavio Bolsonaro, com uma agravante: movimentou R$ 48 milhões a mais do que o auxiliar do filho do presidente Bolsonaro.

Uma assessora do deputado do PT movimentou, somente numa conta do Banco Itaú, R$ 26,5 milhões entre 2011 e 2017. Ela ganha R$ 5.124,62.

Mais: quatro funcionários do deputado petista movimentaram R$ 49,31 milhões.

Tudo, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão do Ministério da Fazenda.

Só para ilustrar, o COAF diz que, dentre outras operações bancárias, a assessora do deputado petista fez 138 saques de R$ 980 mil, em dinheiro vivo.

Até onde se sabe, o assessor de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 1,2 milhão. Passou a ser uma espécie de “trombadinha” diante da grande movimentação que fez a assessoria do deputado do PT.

Quem acompanha o noticiário sabe que o deputado federal Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados, exigiu imediata investigação do caso Flávio Bolsonaro, mas esqueceu de pedir investigação também para o correligionário petista André Ceciliano. Hipocrisia ou cara de pau?

Nem é preciso comentar o que andou dizendo a ex-senadora e deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT. O que ela diz não tem nenhuma importância. Nunca teve.

Quem está fazendo oposição séria ao governo Bolsonaro não é o PT, mas a própria família do presidente, que vem povoando o noticiário negativamente. Se continuar assim, o governo não precisará de oposição do PT.

Todavia, o rabo de palha do PT é grande, muito grande, enorme.

Assim, fica difícil o partido fazer oposição ao governo Bolsonaro.

Corre o risco de incendiar-se, a começar pelo rabo de palha.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Fonte dessas informações: Jornal O Dia, Coluna Informe do Dia, 19/12/2018.

O folclórico deputado baiano

Este é o retrato do fracasso de nossa representação parlamentar.

O deputado federal Manoel Isidório de Santana Júnior (AVANTE-BA) disse que “estava gay”, mas foi “curado” e, portanto, não é mais homossexual.

Não sei o que isto interessa para os baianos, mas o deputado acha relevante declinar sua condição de “ex-gay” que foi “curado”.

Pelo que se sabe, a homossexualidade foi considerada patologia no fim do século XIX, mas deixou de ser vista assim, por falta de embasamento científico. Era considerada “distúrbio degenerativo”, mas a ciência evoluiu e mudou o entendimento.

Em consequência, em maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças e, se doença não é, não se pode falar em cura.

O folclórico deputado federal da Bahia foi ou é “feirante, cobrador de ônibus, professor de dança folclórica, sargento da Polícia Militar e pastor evangélico” (O Globo, 27/09/2016). Como se vê, percorreu uma trajetória respeitável.

Do alto de sua experiência de “ex-gay”, Sua Excelência disse que queimou muito por aí, mas em respeito aos meus presumíveis leitores menores não preciso dizer o que ele diz que queimava.

O deputado só não explicou porque, com tanto ânsia de queimar, não chegou a pegar fogo.

O pastor-deputado disse mais: “Eu vivi no alcoolismo, sou policial militar há 38 anos. Assim que entrei com 18 anos na PM, foi aquilo né: revólver na cintura, beber, ficar bonito, namorar, só que veio o alcoolismo, depois as drogas, aí perdi a dignidade. Fui planejar assalto, virei homossexual. Aí conheci Jesus” (O Estado de S.Paulo, 04/02/2019).

Não sei também o que isto interessa para os baianos.

O sujeito deita e rola, faz tudo de acordo com sua vontade e depois põe o nome de Jesus no meio. O que Jesus tem a ver com isto?

Mas aqui o assunto vai além, que ninguém tem nada a ver com a escolha sexual do pastor-deputado e tampouco com o que ele queima ou queimava. Nem Jesus, acho.

O pastor-sargento Isidoro foi eleito deputado federal pela Bahia, onde já havia exercido três mandatos de deputado estadual.

Segundo a imprensa, seu primeiro projeto de lei protocolado na Câmara dos Deputados neste início dos trabalhos legislativos pretende “declarar a Bíblia Sagrada como patrimônio Nacional, Cultural e Imaterial do Brasil”.

Até aí, tudo bem. Mas a Bíblia Sagrada já ostenta esta condição. É patrimônio imaterial dos povos há séculos, independentemente da vontade do pastor-deputado baiano.

Qual a praticidade desse projeto?

Parece que está faltando ideias ao nobre pastor-sargento-deputado.

Quiçá ele esteja precisando estudar mais sobre a homossexualidade para aprender que, cientificamente, não se trata de doença.

O deputado talvez esteja precisando apresentar projetos mais consentâneos com os anseios dos baianos e atentar mais para a representação parlamentar.

araujo-costa@uol.com.br

Memória: em Curaçá, KK liderou com reconhecida bravura

“O Curaçá de hoje não chega a ser uma pálida sombra de tudo o que almejam os seus, mas pelo pouco que aqui se faz, muito por certo há de surgir” (Dr. José Carlos da Silva Possídio)

Numa quadra do tempo razoavelmente longa, Antonio Carlos Duarte (KK) liderou um grupo político de Curaçá com desenvoltura considerável, de tal forma que se posicionou no topo desse grupo durante importante período.

Descendente de família tradicional, Hermes Duarte Lima se destacou como um dos construtores da história de Curaçá e deixou a título de exemplo, além de acervo pessoal honrado, a inflexibilidade de caráter e, sobretudo, a inscrição indelével de seu nome na história do município.

Antonio Carlos Duarte (KK) exerceu a vereança em Curaçá com reconhecida bravura e se tornou combatente e irrequieto representante do povo, assim como outro esteio da família, Themístocles Duarte Sobrinho (Mica).

Barulhentos na forma de fazer política, ambos lideraram, com inquietude, um grupo coeso, leal, politicamente forte e essencialmente voltado para as aspirações da população.

Empresário de sucesso, experiente no exercício da atividade política e atraído pelos ventos da redemocratização, em maio de 1980, KK se aliou ao deputado José Lourenço Moraes da Silva com o intuito de formar o Partido Democrático Social (PDS) em Curaçá.

KK tinha experiência, vinha de outras andanças na aridez política.

O grupo de que fazia parte era constituído pelos ínclitos e admiráveis José Ferreira Só (Zé de Roque), Euvaldo Torres de Aquino, João Costa do Nascimento, de Riacho Seco, Agostinho Gonçalves de Souza, de Barro Vermelho, engenheiro agrônomo José Hugo Félix Borges, de Poço de Fora e José Gonçalves de Andrade. Homens sérios, corretos,  bem intencionados.

Entretanto, o partido se fragmentaria mais tarde em sublegendas, espécies de geringonças jurídicas permitidas à época pela legislação do regime militar (1964-1985). Todavia, era o caminho possível, a trincheira democrática necessária.

KK acabou enfraquecido, em razão da atuação de outra liderança municipal, Theodomiro Mendes da Silva que, não obstante, sempre o respeitou. KK era um sujeito – digamos assim – que todos o respeitavam.

KK era altivo, combativo, persistente nas ideias, maliciosamente atento, admiravelmente atencioso.

Líder atuante, KK tentou unir os contrários, mas esbarrou noutro obstáculo intransponível, que conhecia muito bem: a política não depende apenas das qualidades de seus líderes, mas sobretudo da forma como os conflitos da vida pública são administrados.

E em Curaçá, por tradição, os conflitos nem sempre foram razoavelmente administrados. KK sabia disto, entendia disto, não se olvidava disto.

KK fazia parte de uma estrutura familiar de respeito, a exemplo de Themístocles Duarte Sobrinho, Maria Helena Duarte Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, o conspícuo Herminho, que mantinha uma plêiade de amigos e que se destacaram na sociedade curaçaense.

Minha esburacada memória me permite omitir outros nomes de destaque da família de KK, mas penitencio-me pela gafe e monumentais tropeços. Limito-me ao lado paterno.

Quando nos desviamos do caminho é porque, quase sempre, não encontramos a indicação certa. Involuntariamente, quase sempre também.

No meu caso, isto acontece porque não tenho qualificação para atrever-me a falar sobre pessoas monumentais, famílias monumentais, amigos monumentais.

Mas KK merece a lembrança, o dizer da saudade.

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A indolência dos deputados baianos

Os deputados estaduais da Bahia embolsam, por mês, em média, a robusta quantia de R$ 157 mil, entre salários, verbas indenizatórias e verbas de gabinete. 

A verba de gabinete, que gira em torno de R$ 100 mil, é aquele dinheiro que os deputados gastam à vontade, adoidadamente, com festas, bebidas, passagens, inclusive aéreas e contratação de assessores para, segundo eles, auxiliarem no exercício da atividade parlamentar, inclusive nas chamadas bases eleitorais.

Contudo, mesmo recebendo este maná proveniente dos impostos que os baianos pagam, algumas de Suas Excelências não se acham dispostos a trabalhar em benefício da população.

É o que espelha recente levantamento publicado pelo Bahia Notícias, que escancara a indolência de alguns deputados que foram denominados de “legisladores menos eficientes”.  É uma expressão generosa, convenhamos.

Destacam-se no topo do ranking da indolência os deputados Marcelo Nilo (PSB) e Fátima Nunes (PT), seguidos dos petistas Zé Raimundo e Paulo Rangel.

Diz a matéria que Nilo e Fátima “apresentaram, juntos, 21 Projetos de Lei em quatro anos, nenhum deles de impacto social considerado”. 

Mais: “Nos últimos quatro anos, as únicas ideias propostas por Fátima Nunes foram a declaração de utilidade pública para 16 instituições sociais. Além de protocolar, o projeto não exige muito esforço”. 

Como se vê, a excelentíssima deputada petista não é muito chegada ao trabalho, a exemplo de outros colegas da Assembleia Legislativa, tais como Luciano Simões Filho (DEM), Angelo Almeida (PSB) e Luiz Augusto (PP). Todos esses integram a lista de campeões da ineficiência.

A deputada Fátima Nunes, da região de Paripiranga, é a mesma senhora que, do alto de sua experiência, disse que o “PT tirou a lata d’água da cabeça das mulheres”.

Por aí se vê, que Sua Excelência não conhece sequer os problemas da região que mora e, talvez por isto, não tenha projetos a apresentar.  

Se questionados, os deputados certamente dirão que a atividade parlamentar não se resume apenas na apresentação de projetos de lei, mas também em visitas às bases, audiências públicas, participação em comissões do Legislativo, peregrinação às repartições do Poder Executivo para cobrar o cumprimento de emendas,  dar tapinhas nas costas dos eleitores nas festas do interior, et cetera.

Tudo isto é verdade. Mas também é verdade que a função precípua do parlamentar é auscultar o interesse da população e legislar em favor dela, o que parece óbvio.

Neste particular, esses deputados citados estão longe de desempenhar a contento o honroso papel legislativo.

araujo-costa@uol.com.br

A Justiça arranhou o direito de Lula da Silva.

Com o título “Entrevista: Lula da Silva também pode”, fiz em meu blog, ano passado, algumas observações sobre o pedido de Lula da Silva à Justiça, no sentido de conceder uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que foi negada. Aqui o artigo:

https://wordpress.com/read/feeds/82847223/posts/2017246141

Agora, parece, a Justiça Federal negou também – ou ainda está analisando – o pedido de Lula para deslocar-se de Curitiba até São Bernardo do Campo, onde acontecem os funerais do irmão Vavá.

A Lei de Execuções Penais assegura este direito a Lula da Silva. Por que negá-lo?

Parece que a Polícia Federal alegou, dentre outros argumentos, que não dispõe de logística, inclusive helicóptero, para transportar o ex-presidente até São Bernardo do Campo.

Entretanto, não há informações que a Justiça tenha permitido a Lula e aos seus advogados a faculdade de arcarem com os custos do deslocamento que, certamente, Lula e seus defensores podem.

Mesmo que tenha sido por razões de segurança, em benefício de Lula e dos agentes federais – e se confirmada a negativa – não parece razoável que o Poder Judiciário tenha deixado de cumprir a Lei de Execuções Penais, que assegura esse direito ao ex-presidente. É um arranhão ao seu direito.

A lei é para todos, Ou, pelo menos, deveria

araujo-costa@uol.com.br

A patacoada do deputado do PSOL

Baiano de Alagoinhas, o deputado federal Jean Wyllys foi eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro, um puxadinho do PT.

Em oito anos de mandato parlamentar, o único feito em que se destacou na Câmara dos Deputados foi ter cuspido no então colega e deputado Jair Bolsonaro.

Agora, Jean Wyllys inventou uma patacoada para chamar a atenção.

O deputado anunciou que renunciará ao mandato de deputado e passará a viver na Europa, possivelmente na Espanha, não se sabe ao certo.

O deputado defende com unhas e dentes ditadores de países como a Venezuela e Cuba,  por exemplo, mas ao pretender exilar-se voluntariamente, escolheu para morar em país com ares democráticos e não nas ditaduras que enaltece.

Talvez sua escolha se deva ao fato de que na Europa não correrá o risco de passar fome como aconteceria se tivesse escolhido a socialista Venezuela, que tanto defende.

O pessoal da esquerda é assim. Apregoa aos quatro cantos que defende os pobres, mas adora desfrutar de riquezas: palácios, jatinhos, caviar, vinhos caros, uísques envelhecidos, hotéis cinco estrelas, passeios glamorosos, lugares elegantes e muito dinheiro no bolso, desde que dinheiro público.

Exemplo clássico aconteceu no estreante governo Lula da Silva.

Um dos filhos de Lula e amigos se deslocaram de São Bernardo do Campo para Brasília, em avião da Força Aérea Brasileira, para tomarem banho de piscina no Palácio da Alvorada e Granja do Torto, residências oficiais da presidência da República, que ainda não conheciam.

Tudo custeado pelos pagadores de impostos. Ficaram deslumbrados.

Os esquerdistas defendem a socialização dos bens públicos, desde que a maior parte fique com eles. É como dizia o poeta maranhense Ferreira Gullar: “De tanto defenderem os pobres os petistas acabaram ficando ricos”.

Políticos sérios da esquerda do Brasil, se vivos fossem, estariam rindo da atitude de Jean Wyllys. Esses políticos foram exilados, em situações extremamente difíceis, tendo em vista a robustez de suas ideias e não com o intuito de fazer barulho politiqueiro.

Homens da envergadura de Waldir Pires, Darcy Ribeiro, Miguel Arraes, Juscelino Kubitscheck, Leonel Brizola, João Goulart, et cetera, amargaram exílio, mas o fizeram com absoluta seriedade para não abdicarem das ideias que defendiam.

Os exemplos de exilados sérios são muitos. Um deles, o jornalista Fernando Gabeira está aí para contar.

O exílio era uma necessidade, em razão da situação política adversa e não uma escolha hilária, como pensa o deputado Jean Wyllys.

Entretanto, parece que o deputado Jean Wyllys quer ficar famoso no mundo inteiro, já que a única fama que adquiriu no Brasil foi ter participado do desprezível programa Big Brother, da TV Globo, que lhe deu o passaporte para a política.

Há fumaça. Basta atentar para a história política do suplente dele, também do PSOL, que é casado com um jornalista que se envolveu em espionagem e acabou se tornando mundialmente conhecido.

Por mais que seja adversa a situação política no Brasil, não parece ser caso de autoexílio. O Brasil está democraticamente nos trilhos.

Quanto ao deslumbramento do filho de Lula da Silva, a matéria está aqui:

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0601200513.htm

araujo-costa@uol.com.br