Estúpidos de algumas partes do Brasil debocharam da massacrante dor que Lula da Silva está passando com a morte do neto.
Lula está fragilizado pelas agruras do cárcere, além da morte da esposa, não muito distante, do irmão e, agora, do neto.
Qualquer pessoa mentalmente sã não desdenha da dor de outrem, seja adversário político ou mesmo inimigo pessoal e, muito menos, por quaisquer razões, ideológicas ou partidárias.
O mundo está em franca degenerescência. É assustador o número de pessoas que se tornaram cruéis, insensíveis, idiotizadas, patetas, estúpidas.
Caso semelhante aconteceu na campanha presidencial de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro levou uma facada na cidade mineira de Juiz de Fora. Um grande número de pessoas se manifestou, não para prestar solidariedade ao candidato esfaqueado, mas para demonstrar satisfação pela ocorrência do fato criminoso. Uma insanidade que resvalou para o estímulo à violência .
Agora, com Lula, dá-se outra insensatez. Pessoas se manifestaram nas redes sociais de forma repugnante, como se a morte do neto do ex-presidente fosse um fato que se devesse comemorar.
Um momento triste desses na vida de qualquer pessoa dilacera a alma, desmorona-lhe a estrutura emocional e, sobretudo, dá-lhe a sensação de desamparo absoluto.
Durante o velório do neto, em São Bernardo do Campo, Lula recebeu telefonema do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, prestando-lhe condolências.
A ligação foi recebida no telefone do ex-ministro e amigo pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, que a passou para o ex-presidente. Lula chorou, como aconteceu durante todo o tempo em que esteve no funeral do neto. Não era pra menos.
Imbecis de plantão certamente dirão barbaridades contra o ministro Gilmar Mendes por conta desse gesto de grandeza.
Lula saiu da prisão para o funeral do neto com algumas condições delineadas pelas autoridades, dentre elas a de ficar em local fechado e não falar em público, tampouco à imprensa. Ele concordou.
Mas, aconteceu um fato que somente pode ser atribuído à condição de Lula enquanto animal essencialmente político.
Ao deixar o cemitério, Lula cumprimentou as pessoas que o aguardavam na saída, militantes petistas, admiradores, curiosos.
Um agente federal da escolta o repreendeu:
– O senhor sabe que não devia ter feito isto.
Lula respondeu:
– O senhor sabe que eu devia.
De qualquer forma, é estarrecedor que parte de nossa sociedade esteja trilhando o caminho da intolerância.
Deleitar-se com a morte de uma criança, simplesmente por ser parente de Lula, mais do que ato repugnante, chega a ser doença ou, no mínimo, desvio de caráter.
A dor não é ideológica e nem partidária.
Lula tem direito de chorar.
araujo-costa@uol.com.br