Por que agora, Zé?

José Araújo Costa – Zé de Sátira – faleceu no início de julho de 2025 e a missa de 30º dia acontecerá no vindouro mês de agosto, dia 03, em Curaçá.

Por que agora, Zé?  

José Araújo Costa e a filha Gilmara/ Arquivo da família

Você que me ensinou a viver, a caminhar, a lutar e a crescer, não exatamente como sonhávamos. Queríamos mais.

Nossas conversas confidenciais de décadas atrás – e certamente continuarão décadas à frente – só você e eu sabíamos.

Pois é, Zé. Você se foi, eu fiquei por aqui, por enquanto, sofrendo, chorando, esperando meu dia.

Você também deixou Oneide, Gilmara e seu genro Cordeiro, seus netos, Douglas, nossos sobrinhos, nossos amigos, nossos parentes.

Zé, é difícil falar de você sem que as lágrimas se façam presentes, confusamente presentes, cruelmente presentes.

Cadê aquelas ligações que você fazia logo cedo, às 6h? Tenho saudade delas.

Cadê suas reclamações que você fazia e só você sabia fazer do seu jeito?

Pois é, Zé. Ainda vamos conversar muito.

Sua vida dá um livro, Zé. Justifica um livro. Sua alegria, seu sofrimento, sua honestidade, seu caminho de luta, seu apego à família.

Eita, Zé!

E São Paulo, Zé? Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo?

Saudade, muita saudade daqueles tempos, de você, do mundo daquela época que vivíamos juntos.

Siga em frente com Deus, Zé!

araujo-costa@uol.com.br

Missa em memória de José Araújo Costa (Zé de Sátira).  

A família de Zé de Sátira, que também é minha família, anunciou a missa de 30º dia em sua memória, que se realizará em Curaçá, no próximo dia 03 de agosto.

Nós, que ainda ficamos por aqui, pedimos a Deus misericórdia e acolhimento a Zé, que nos deixou muito tristes, devastados pela saudade e por sua ausência, angustiante ausência.

O Riacho da Várzea, seu habitat de caatingueiro autêntico, certamente será outro sem Zé de Sátira.

Que Deus o ampare, Zé.

araujo-costa@uol.com.br  

Curaçá: Conversa descontraída com o leitor ou leitora

O curaçaense Roberval Dias Torres, ilustre filho de D. Elzita e Durval Santos Torres, escreveu no livro Insustentavelmente Trans que a professora, também curaçaense, Excelda do Nascimento Santos o fez sabido, sabedoria que é pública e sobejamente notória.

Aliás, filhos de D. Elzita e Durval Torres já nasceram sabidos. Só precisaram de um pouco de esmerilhamento da vida para seguirem adiante rumo ao êxito que todos alcançaram.

Cronista atabalhoado, aqui não cuido de Roberval, tampouco da ínclita professora Excelda, que enriqueceu a história da cultura de Curaçá e que os incluo nesta crônica en passant, quiçá para ofuscar a ignorância deste cronista.

Trato de outra curiosidade.

Leitora que, casualmente, leu artigo deste blog intitulado Brasil, tempo de atrocidades, pespega-me, por tabela, a pecha de ignorante, ao dizer que “quem escreveu estas poucas palavras não conhece realmente a história”.

Pelo sobrenome – Varjão – presumo que a leitora seja de ilustre, distinta e honrada família do município de Curaçá que admiro deste meus tempos de Patamuté.

Mais adiante veio o escracho: “Com essa narrativa, todo mundo se acha no direito de ofender” e teceu mais alguns comentários um tanto desairosos que os absorvi “de boa”, porque é seu direito dizê-los.

Não vislumbrei onde a casual leitora encontrou essa abominável tendência minha a ofender quem quer que seja, o que não é de meu feitio. Nunca foi e sempre fui muito cauteloso com isto.

Confesso que debruço-me, há décadas, sobre o assunto que pensei saber alguma coisa e a leitora diz que não conheço. Sem descambar para o pedantismo, acho que li muita coisa sobre o assunto: a ditadura militar de 1964-1985.

Mais do que isto. Vi de perto, ninguém me contou. Enfrentei a polícia política da ditadura, algumas vezes, em São Paulo. E aí vai um pouco de experiência, modéstia à parte.

A leitora, certamente jovem, embora muito culta, deve estar cingindo-se aos discursos dos ativistas de agora, quando há uma profusão de “sábios” e poucos estudiosos.

Presumo que a ilustríssima leitora deve ser expert no assunto e abalizada a ponto de medir meu conhecimento tão-somente lendo essas “poucas palavras” que escrevi no artigo e às quais ela se refere com tanto asco.

A leitora usa uma palavra da moda, “narrativa”, certamente colhida nos discursos políticos de pessoas que ela admira.

Por fim, a leitora demonstra ter esperança na “limpeza nos poderes políticos brasileiros”, mas acha difícil, tendo em vista “a mentalidade e ignorância de tantos”.

Certamente ela me inclui nesses “tantos” ignorantes.

Desde muito jovem – hoje caminho para os 74 anos – entendo que democracia é também saber conviver com os contrários e respeitar os antagonismos.

Não sou sabido e, neste particular, a leitora tem razão.

Mas não custaria nada ser mais elegante com este desimportante cronista.  

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté e as raízes de D. Didi

A família noticiou o falecimento de Delanidia Matos.

Delanidia Matos (D.Didi) nasceu em Patamuté e se mudou para São Paulo ainda muito jovem. Constituiu família nobre na terra bandeirante e por lá passou a viver.

Delanidia Matos/Arquivo Nelson Cano

D. Didi chegou aos 97 anos, completados em fevereiro.

Em Patamuté, a família de D. Didi fazia parte do que os antigos costumavam chamar “boa família”, ou seja, gente decente, ordeira, de caráter irrepreensível: a família Matos.

Os Matos de D. Didi são da mesma estirpe do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro chefe político de Patamuté.  

Por aí se vê, que D. Didi veio de família tradicional e, como tal, era um esteio que ajudou a sustentar a história de Patamuté.

Patamuté, 1980: À esquerda D. Didi, Elzinha, esposa de Nelson Cano e Ambrosina Matos/Arquivo Nelson Cano

Filho de D. Didi, Nelson Matos Cano, paulistano nascido no bairro do Ipiranga, em São Paulo, se interessa muito pela história de Patamuté. E história, aqui, quer significar também cultura, tradição, costume do lugar e outras coisas mais.

Ao noticiar a partida de D. Didi, Nelson não esqueceu suas raízes e escreveu: “O sino da Igreja Santo Antônio em Patamuté, lugar mágico encrustado no sertão da Bahia, onde ela nasceu, vai bater em sua homenagem.”

De fato. É uma tradição centenária na Igreja de Santo Antonio. Desta vez, também, certamente o sino anunciou a partida dolorosa de D.Didi, que deixou robustas raízes fincadas em Patamuté.

A tradição vem de muito longe, dos antepassados. Em Patamuté, quando uma pessoa falecia, seguia-se um ritual lúgubre, triste, desalentador, marcante: a conversa do sino da igreja, uma espécie de diálogo que ele mantinha com os vivos.

O sino tristemente badalava, indicando o falecimento de alguém do distrito, sítios, fazendas, circunvizinhança ou que, sendo filho de Patamuté, morava distante, noutras paragens, caso de D. Didi.

O sino da igreja de Santo Antonio continua anunciando a morte a todos. Uma tradição que vem se arrastando e atesta que, também na morte e na tristeza, Patamuté não esquece de seus filhos.

Que Jesus Cristo indique o caminho a D. Didi e Deus a ampare.

Pêsames a todos da família.

araujo-costa@uol.com.br

Brasil, tempo de atrocidades.

“A Justiça é como uma serpente, só morde os pés descalços.” (Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, 1940-2015)

As ditaduras tendem a durar anos, persistem por décadas, prendem e arrebentam inocentes, matam adversários políticos, censuram, extirpam o direito de expressão e a liberdade de pensamento de seus nacionais, et cetera.

Na Espanha, a ditadura do general Francisco Franco durou 36 anos.

Na Líbia, a ditadura de Muammar Gaddafi durou 42 anos.

Em Cuba, a ditadura de Fidel Castro durou  59 anos, mas continua resistindo por força dos amigos e seguidores do castrismo que comandam o País até os dias de hoje.

Na Venezuela, a ditadura chavista já dura 26 anos, agora sustentada por Nicolás Maduro.   

Na Síria, a ditadura da família de Bashar al-Assad durou 50 anos.

No Brasil, a ditadura anterior – a dos militares – durou 21 anos.

No Brasil de agora, temos uma ditadura híbrida e estrambólica comandada por uns poucos magistrados guindados ao poder por amigos e que se acham donos do Brasil e se dizem defensores da democracia, certamente um novo conceito enviesado de democracia inventado por eles, não a democracia verdadeira e sustentada nos pilares da dignidade humana.

Democracia – sabemos todos – é incompatível com truculência e arrogância, com prisões arbitrárias, desprezo ao processo legal e ao direito de ampla defesa, censura, tolhimento de liberdade de expressão e, sobretudo, desrespeito à Constituição da República.

Não se vislumbra quando vai cessar essa barbaridade abjeta e vergonhosa que mistura política, leis e decisões autoritárias divorciadas do direito posto, do ordenamento jurídico nacional. É o espezinhamento das liberdades.

Na ditadura dos militares, tínhamos a quem recorrer, quando injustiçados e perseguidos: o Poder Judiciário. Hoje nem isto temos. Ou seja, a situação está bem pior, a sociedade está desprotegida, seus direitos estão arranhados.

Suprimiram o direito de questionar, próprio das democracias sérias e respeitáveis, mas insistem em dizer que não temos censura no Brasil.

Surrupiaram o direito de discordar, tolheram a liberdade de pensamento e de expressão e amedrontam os cidadãos de bem, enquanto corruptos e delinquentes de toda ordem são beneficiados seguidamente com constrangedoras decisões judiciais, que nos envergonham a todos.

Vivemos tempo de atrocidades.

Os cárceres estão abarrotados de “pés descalços”, as ruas e os palácios estão atulhados de delinquentes. Livres, absolutamente livres. E intocáveis.

Os exemplos pululam.

araujo-costa@uol.com.br

O cantor Ronnie Von chega aos 81 anos.

Neste 17 de julho de 2025, Ronnie Von alcançou 81 anos.

Sábio e inteligente, disse em entrevista a Caras: “Mais histórias para contar e menos tempo para conseguir mais histórias”.

Impressionantemente elegante desde os tempos da juventude, Ronnie Von abomina o pedantismo, desde sempre.

Esta é uma das suas sensatas opiniões: “Não entendo porque o artista passa a vida inteira procurando a fama e quando a encontra coloca óculos escuros para não ser reconhecido nas ruas por fãs e admiradores”.  

No tempo de “Meu Bem”, de 1966, música que minha geração viveu e cantou

Quantas histórias!

Em 1992 Mãe de Gravata contou parte delas.

Humilde, educado, interessante, admirável, merece uma estátua da humildade.

Fluminense de Niterói, Ronnie Von não subiu ao pedestal insensato da fama. Sempre se manteve na planície da humildade e isto ele conserva desde o tempo de seu maior sucesso, “A Praça”, de 1967.  

Post scriptum:

As fotos de Ronnie Von são reproduções do UOL e do Google.

araujo-costa@uol.com.br

Juventude e lembranças

Em 1966, quando Michel Polnareff gravou Love me, please love me, eu tinha 14 anos, em franca adolescência.

Já sabia amar ou pensava que sabia amar.

Curtir era a qualidade de todos nós, jovens da época.

Tempo de sonhos, de sair em busca da alvorada.

E se a curtição não fosse boa – ou não desse certo – o máximo que colhíamos era a ressaca do dia seguinte ou a “fossa”, que hoje chamamos de depressão. Ficávamos moribundos, “pra baixo”.

Olho pra trás, ainda vejo muito amor espalhado, amor nem sempre amado, esvoaçado nas cinzas do tempo.

Hoje, só escombros. Muitos escombros. Terríveis escombros.

araujo-costa@uol.com.br

Lula em Juazeiro, a Polícia Federal e o assalto aos aposentados

A Polícia Federal de Lula da Silva parece ter esquecido dos assaltos feitos aos aposentados do INSS.

Uma das entidades envolvidas tem como dirigente Frei Chico, irmão de Lula.  

Em 17/07/2025, a Polícia Federal está nos calcanhares da turma do Centrão da Bahia que ora apóia Lula, ora desapoia e tem ministros no governo, uma promiscuidade só aliada ao PT.

Hoje Lula faz visita a Juazeiro da Bahia à tarde, nos domínios do deputado Elmar Nascimento, do União Brasil e membro da mesa diretora da Câmara dos Deputados, 2º vice-presidente. Ele é de Campo Formoso, mas muito influente em Juazeiro e região. Sua família é um dos alvos da operação.

Lula fará discurso na Orla II de Juazeiro. Quem não suporta ouvir asneiras e insultos será severamente castigado.

Elmar Nascimento é aquele mesmo poderoso deputado que fez parte da comitiva de Lula à China e a turma do PT desconfia que foi ele quem vazou para a imprensa o destrambelho inoportuno da primeira-dama na fala com o presidente chinês.

Hoje a Polícia Federal, “toda ela” a serviço de Lula, segundo o conspícuo Flávio Dino, está atrás da família do Elmo que, aliás, não deve ser flor que se cheire.  

A imprensa lulopetista não vai falar de outra coisa para ofuscar outros escândalos que estão acontecendo no governo.

E o assalto aos aposentados?

Talvez possa esperar a investigação para os próximos anos.

Flávio Dino, quando ministro da Justiça e, por conseguinte, chefe da Polícia Federal, em inflamado discurso, disse que a Polícia Federal, “toda ela”, está “a serviço da causa de Lula”.

Mais claro que isto, só isto.

O discurso foi feito em setembro de 2023 na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, durante formatura de novos policiais federais.  

A imprensa publicou exaustivamente.

O atual Diretor Geral da Polícia Federal foi responsável pela segurança pessoal de Lula da Silva e certamente não foi escolhido aleatoriamente para exercer a função.

Flávio Dino entende das coisas.

araujo-costa@uol.com.br

Teoria do juiz corrupto

Quando um magistrado é arrogante e grosseiro, comece a desconfiar. Ele é potencialmente corrupto.

O magistrado corrupto usa a arrogância e a tática do distanciamento para tentar desviar-se do foco, qual seja, sua conduta repreensível e criminosa.

Magistrado decente, que se preza e respeita a nobre função de juiz, não menospreza advogados, réus e investigados, tampouco pessoas comuns do povo, por uma razão muito simples: o magistrado é a nobreza em si, a voz e o poder do Estado e, como tal, deve respeitar qualquer um, independentemente de ser ou não acusado.

Aí está a tão exigida imparcialidade do juiz. Aí reside sua humildade.

É a lei que dá o parâmetro, nada mais do que a lei.

Há inúmeros casos de magistrados que saem por aí atropelando a Constituição da República e as leis e decretando prisões atabalhoadamente, como se fosse o supra-sumo da honestidade e o pedestal da intocabilidade.

Conheci um juiz em São Bernardo do Campo, em São Paulo, que certa vez me deixou esperando praticamente uma tarde inteira. Eu precisa colher seu despacho num processo cautelar e, portanto, urgente.

Naquele tempo não havia processo eletrônico. O advogado, em caso de urgência urgentíssima, ia até o juiz apresentar as razões da urgência, o pedido de uma liminar, por exemplo.

O juiz estava em seu gabinete, acompanhado de um auxiliar. Soube depois, que Sua Excelência se ocupava naquela tarde de fazer jogo da loteria esportiva durante o expediente.

Portanto, segundo a acanhada inteligência daquele juiz, o advogado e quem, naquele momento, dependia da Justiça, não tinham a menor importância. O importante era seu ego.

A urgência era apenas um detalhe.

Anos depois, esse juiz foi condenado e preso, por extorsão. Ele extorquiu 177 vezes, no exercício da função de juiz. Cometeu 177 vezes o crime de extorsão. Pedia dinheiro para decidir a favor de quem lhe atulhava os bolsos.

Esse mesmo juiz, depois de preso, por muito tempo, ainda continuou a ganhar R$ 52 mil, a título de aposentadoria, paga pelo contribuinte, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo, diante da aberração e pressão da sociedade, acabou destituindo-o do cargo de juiz.

De outra feita, um juiz de São Caetano do Sul, também em São Paulo, não me atendeu porque, apesar de estar de paletó, eu não usava gravata. O caso era de extrema urgência – uma liminar de sustação de protesto – e não havia tempo de preocupar-me com gravata. Meu escritório ficava noutro município. 

Depois de uma longa espera, sem ser atendido, o juiz me disse:

– “Doutor, procure um colega do senhor e peça a gravata dele emprestada”.

Protestei e disse que o direito do meu cliente não estava na gravata que eu deveria usar, mas na lei que eu estava invocando.

Inútil o argumento. Tive que procurar uma gravata ou não seria atendido.

Não faz muito tempo, no Rio de Janeiro, um juiz que adorava holofotes, foi condenado à prisão, por apropriar-se do Porsche de um empresário famoso.

O juiz havia apreendido o veículo de luxo no bojo do processo que deveria julgar, mas passou a usá-lo como se fosse dele.

Ficaria aqui, horas, citando casos de magistrados arrogantes e corruptos. Daria para compor um triste e constrangedor livro.

Não vou cansar o leitor.

É comum magistrados que estão por aí, diariamente diante dos holofotes, pisando na lei.

A sociedade precisa deixar de se apequenar e passar a vigiar nossas autoridades, inclusive magistrados, que se acham intocáveis.

A lei vale para todos, inclusive para os magistrados.

araujo-costa@uol.com.br

O leitor, o sol e a peneira

Edifícios da Prefeitura e Câmara Municipal de São Bernardo do Campo/Reprodução Google

Leitor de São Bernardo do Campo que se deu ao trabalho de ler um de meus textos, talvez casualmente – graças a Deus – espinafrou-me porque comentei uma notícia verdadeira sobre nossa distinta primeira-dama do Brasil, notícia que a grande imprensa checou e publicou exaustivamente e a própria assessoria da ilustríssima senhora confirmou tratar-se de fato verdadeiro e, portanto, inquestionável.

Não sei o que fiz para merecer tão ilustre e virulenta antipatia daquele senhor, que se jacta de ter assumido, em ocasiões diversas, funções de assessoria de governo no município e, pelo que se vê, certamente arraigado defensor do lulopetismo, o que é seu direito democrático e ninguém tem nada com isto.

O ilustríssimo se dignou a discordar, por tabela, das declarações da própria assessoria da primeira-dama, que confirmou os fatos. Isto é, no mínimo, uma demonstração de incongruência. Acusou-me, equivocadamente, de “ficar compartilhando mensagens tendenciosas que  se aproximam de fake news”, o que não é meu estilo, nem costumo fazer.

E passou a misturar alhos com bugalhos, quiçá para justificar a admiração que nutre pela primeira-dama e seu excelentíssimo esposo, dos quais, aliás, nada tenho contra.

Em quadro assim,  razoável acreditar que se trata de um adepto do “nós contra eles”. Aquele senhor resolveu incluir-me no mesmo e confuso balaio de gatos de que faz parte.

Não faço parte dessa espécie de padrão político. Meu jornalismo não se confunde com ideologia, qualquer que seja ela.

A notícia quando sustentada em fatos responsavelmente checados e confirmada pelas próprias pessoas envolvidas não pode ser equiparada a “mensagens tendenciosas”, como quer aquele zeloso senhor da correção jornalística.

Negar a verdade é querer tapar o sol com a peneira, o que parece ser a vontade do ilustríssimo senhor.

No conturbado Brasil de hoje é preciso ter preparo e condições de discernimento para separar o que é jornalismo sério de notícias tendenciosas.

Neste caso, o leitor parece não ter.  

Cruz-credo. Que Deus se apiede de todos nós e deste Brasil.

araujo-costa@uol.com.br