Chorrochó, 71 anos: tempo de otimismo e esperança  

“Errar muito nos ensina a acertar um pouco. Ser homem público é ser curioso com a vida, cutucar a história e conspirar para mudar o tempo” (Armando Falcão, ministro da Justiça de Juscelino Kubitscheck,1919-2010)

Chorrochó alcança 71 anos de emancipação política neste 12 de setembro ostentando uma novidade alvissareira: o dinamismo do prefeito Dilan Oliveira (PC do B), empossado em janeiro, que trouxe visíveis sinais de esperança e otimismo ao município.

Por óbvio, em todo caminhar há tropeços. Bem por isto, a história de Chorrochó registra avanços tímidos nessas sete décadas. Sucessivas gestões titubeantes ofuscaram prioridades, até por ausência de visão de futuro e em razão, talvez, da precariedade das rendas do município.

Dorotheu Pacheco de Menezes no dia da emancipação, um dos baluartes da emancipação de Chorrochó/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

O aniversário do município comporta outro registro, desta vez relativamente ao Legislativo.

A Câmara Municipal de Chorrochó mudou, vem mudando para melhor. Não é “achismo”, é uma constatação. Há alguns anos, amargava histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do futuro do município.

Considerados alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se posicionou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município.

Faltou inquietude, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população. Quiçá, sobrou comodismo dos vereadores.

Agora – e já há algum tempo, felizmente – a Edilidade parece ter avançado em direção aos interesses mais prementes da sociedade. E aqui cito a dinâmica presidência de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), sem, contudo, ofuscar o mérito das demais, todas merecedoras de respeito e reconhecimento.  

É razoável presumir que a direção da Câmara Municipal, hoje, está em boas mãos.

O caminho foi estrategicamente atapetado pela experiente vereadora Sheila Jaqueline (PP), reeleita à recondução na Câmara, que chamou para si a certeza de confiança da população e sinais visíveis de credibilidade sustentados no dizer das urnas.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre o município de Chorrochó – e até tenho sido repetitivo – hoje me quedo mais aos seus encantos, até para contribuir com aqueles leitores que não costumam apreciar meus textos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) escreveu que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Insisto em ser otimista e, neste particular, um imbecil feliz: Acredito que Chorrochó vai melhorar, precisa melhorar.

O aniversário do município é propício para citar nomes que, dentre muitos, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó permaneça célere na construção de seu futuro.

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza, Humberto Gomes Ramos.

Cerimônia de emancipação de Chorrochó. Governador Regis Pacheco ao centro e a seu lado a professora Maria Nicanor de Menezes Veras/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

Ressalvadas eventuais omissões, neste aniversário de 71 anos, a Câmara Municipal de Chorrochó compõe-se de vereadores distribuídos por três partidos políticos, PP, PC do B e PT: Walber Alves dos Santos, Marcos Vinícius Pereira Jericó, Joelson Alves Moreira, Jane Edla Fonseca de Souza, Sheila Jacqueline Miranda Araujo, Eliete Conceição, Ednaldo de Zé de Nita, Antonio José Chefinho e Lívio Fonseca.

Destes, se me não engano, apenas dois em primeiro mandato. Lívio Fonseca, o mais votado no município nas eleições de 2024 e Ednaldo de Zé de Nita, atual presidente da Câmara, uma grata surpresa da simpática Caraíbas de Oscar, respeitável  núcleo político-eleitoral da família de Oscar Araújo Costa.

Há – parece – uma costura política no sentido de que a vereadora Sheila Jacqueline volte a presidir a Câmara no biênio 2027/2028.

O aniversário do município requer, ainda, outra observação. A Bandeira de Chorrochó foi apresentada ao público pela primeira vez no desfile cívico de 12/09/1984.

A Bandeira de Chorrochó foi idealizada por uma equipe respeitável constituída de Dr. Francisco Afonso de Menezes, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes, José Juvenal de Araújo, Maria Creuza Miranda dos Santos Araújo e Marina Maria de Araújo Menezes.

Neste 12 de setembro, resta-nos desejar êxito às autoridades de Chorrochó, mormente ao prefeito Dilan Oliveira e ao presidente da Câmara Municipal. Muita disposição para o trabalho e soerguimento moral para sustentar a defesa e respeitar os pilares da sociedade chorrochoense, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária.

araujo-costa@uol.com.br

A esquerda anistiada não quer anistia para a direita

Anistia é “ato do poder público que declara impuníveis delitos praticados até determinada data por motivos políticos ou penais, ao mesmo tempo que anula condenações e suspende diligências persecutórias” (Lexicógrafa Débora Ribeiro).

Em 1979, os exilados estavam voltando ao Brasil, em razão da anistia decretada pelo general João Batista de Oliveira Figueiredo, último presidente da ditadura militar de 1964-1985.

O conhecido anistiado Alfredo Sirkis, ícone da esquerda que infernizava os militares, desembarcou no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, numa manhã ensolarada, procedente do exílio.  

Depois de examinar o passaporte de Sirkis, o policial federal ironizou:

Agora que tu vai ficar complexado, né rapaz? Não damos mais bola pra ti”.

Se o Brasil quiser deixar complexados alguns membros da esquerda lulopetista é só afastar deles os holofotes e não dar bola às idiotices que propalam e enojam.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, que não pode passar perto do fogo, tamanho o rabo de palha que ostenta (Prefeitura fluminense de Nova Iguaçu e Odebrecht, por exemplo, segundo a imprensa), mas insiste em rodear a fogueira, é um desses radicais intragáveis. Sua cara de pau é assombrosa e ridícula.

Membros da esquerda virulenta, muitos deles hoje abrigados no Partido dos Trabalhadores (PT) e seus penduricalhos partidários, mataram, explodiram bombas, assaltaram, sequestraram embaixador (mais de um), roubaram bancos para financiar o terrorismo que praticavam na época, além de outras atrocidades.

Hoje os que ainda vivem, se dizem supra-sumos defensores da democracia.

Abaixo, alguns pouquíssimos exemplos para a geração de hoje refletir:

1. Em 25 de julho de 1966, houve um atentado a bomba no Aeroporto dos Guararapes, em Recife. O alvo era o ministro da Guerra, hoje Exército, general Arthur da Costa e Silva, mais tarde presidente da República. O atentado matou duas pessoas e feriu outras quatorze. 

Os autores da ação criminosa eram militantes da Ação Popular (AP), grupo extremista da esquerda, segundo historiadores.

2. Em 1969, a Ação de Libertação Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, grupos armados da esquerda, sequestraram no Rio de Janeiro o embaixador americano Charles Burke Elbrick. O resto da história e suas consequências são sobejamente conhecidos.

Faziam parte dessa ação extremista de esquerda Franklin Martins, que idealizou o sequestro e depois foi ministro de Lula da Silva e o jornalista mineiro Fernando Gabeira, hoje sensato e circunspecto senhor comentarista da GloboNews.  

3. Rio de Janeiro, 18 de julho de 1969. Numa “operação que durou exatamente 28 minutos e enriqueceu em US$ 2,4 milhões a VAR-Palmares, organização comunista que tinha Dilma Rousseff entre seus mais ativos militantes, assaltou uma mansão e o chamado cofre de Ademar, em Santa Tereza,  no Rio de Janeiro. Dilma ajudou a planejar o assalto, maior no tempo da ditadura militar.” (Veja, 17/01/2011).

“O destino dos US$ 2,4 milhões permanece envolto em mistério. Uma das versões mais difundidas garante que vários militantes receberam US$ 800 cada um “para emergências” e cerca de US$ 1 milhão foi consumido na aquisição de armas e carros, no pagamento do aluguel dos aparelhos (casas de subúrbio) e na compra de áreas para adestramento de guerrilheiros”, segundo a Veja, edição citada.

Décadas mais tarde e anistiada, Dilma Rousseff foi presidente da República.

Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente de Lula da Silva, participou do assalto.

4. Os ex-presidentes do Partido dos Trabalhadores José Dirceu de Oliveira e Silva e José Genoíno – Genoíno participou da guerrilha do Araguaia – e tantos outros figurões do PT participaram desses extremismos da esquerda e hoje, muitos deles, ocupam cargos de destaque no governo de Lula da Silva e ocuparam nos governos petistas passados.

Todos foram anistiados. Anistiados, conforme a lei. E muitos deles, inclusive Lula da Silva e Dilma Rousseff, recebem a chamada bolsa ditadura, espécie de aposentadoria e/ou indenização paga pela União. Noutras palavras, valores pagos pelos brasileiros que recolhem, com extrema dificuldade, suados impostos.

Hoje essa mesma esquerda hipócrita e virulenta é gritantemente contra anistia e faz campanha para que não sejam anistiados os baderneiros que participaram, em Brasília,  da chamada “tentativa de golpe de Estado” e do 8 de janeiro de 2023.

A esquerda matou e assaltou durante a ditadura militar de 1964, dentre outras atrocidades, ao passo que os participantes do 8 de janeiro não mataram, não assaltaram, não explodiram bombas.

Excetuados os hipócritas, havia homens sérios e decentes na esquerda do Brasil, a exemplo de Miguel Arraes de Alencar, Leonel de Moura Brizola, Almino Afonso, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Waldir Pires, Darci Ribeiro e tantos outros.

Mas o Brasil de hoje não tem os esquerdistas sérios que merece. Ao contrário, tem Lula da Silva e admiradores, hipócritas admiradores.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó acolhe Padre Mariano para o último adeus

Padre Mariano, 1938-2025

Grande empreendedor, competente e zeloso com as coisas da Igreja, padre Mariano conciliou, com eficiência, enquanto à frente da Paróquia Senhor do Bonfim, seu mister de sacerdote, compatibilizando-o com um trabalho simultâneo, profícuo e incessante em benefício de Chorrochó.

Angariou condições para construções voltadas à Igreja e, mais ainda, empreendeu uma admirável obra social direcionada aos paroquianos. São exemplos, salvo engano: a capela Nossa Senhora da Conceição, a construção do Centro Paroquial de Chorrochó, a reforma e ampliação da Casa Paroquial e a instituição do Lar José e Maria.

Com a atuação do padre Mariano, a Paróquia deixou de ser um núcleo essencialmente urbano para se transformar num edificante exemplo de amparo às comunidades rurais de Chorrochó.

Conheci padre Mariano Pietro Brentan em circunstância casual. Já morando em São Paulo, em viagem a Chorrochó, fui-lhe apresentado na residência de Maria do Socorro Menezes Ribeiro e Virgílio Ribeiro de Andrade, exemplos de hospitalidade, amizade e cordialidade.

Conversamos muito. Uma conversa longa sobre a Igreja, suas tradições e, sobretudo, as dificuldades por que passava um vigário do interior. Em nenhum momento reclamou do exercício diuturno de seu mister religioso.

Conversa marcadamente auspiciosa, padre Mariano falou de ritos e de história e até me fez ver a importância do Hino Queremos Deus, um dos mais tradicionais da Igreja Católica. Falou do papel da Igreja no sentido de aplainar a insensatez e ingratidão dos homens que se “erguem em vão contra o Senhor”, em todo o tempo.

Impressionei-me com a decência, cultura e espírito de solidariedade demonstrada pelo padre Mariano, ilustre representante da Igreja Católica em Chorrochó, à época.

Educado, sonhador, inquieto, responsável ao extremo pelo ofício religioso que lhe foi confiadopadre Mariano se fez defensor intransigente da fé católica, que a exaltava admiravelmente.

O que sei – e sei pouco de sua vida – é que era italiano nascido em 06.06.1938, ordenado em 08 de dezembro de 1985 em Euclides da Cunha (BA) e, em razão dessas costumeiras decisões que a Igreja determina aos membros de seu clero, veio parar em Chorrochó abrigado pelos auspícios da diocese de Paulo Afonso alicerçada por seu primeiro bispo, D. Jackson Berenguer Prado.

Ele ficou em nosso meio, para alegria e benefício dos paroquianos de Chorrochó, por alguns anos. Sua presença era admirável, porquanto terna e essencialmente voltada para os assuntos da Igreja.

Dedicado, obediente às normas da Santa Sé universalmente aceitas, padre Mariano veio robustecer a história de Igreja de Chorrochó. Um fato louvável, espiritualmente valioso.

Os esteios da contribuição de padre Mariano para Chorrochó são valiosos e, por isto mesmo indestrutíveis.

O sentimento da partida não pode ofuscar sua glória e grandeza que experimentou entre nós.

Chorrochó se ajoelha para agradecer sua contribuição à fé de seu povo.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e Deus ampare esse seu filho que morreu na esperança da ressurreição.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá, 1987: Uma carta e uma saudade.

Guardo a carta e o envelope, ambos amarelados pelo tempo. Remetente: Maria de Almeida Araújo.

Já se vão, por aí, 38 anos.

Naquele tempo ainda se escreviam cartas.

Quando, em 1987, lancei em São Paulo, Fragmentos do Cotidiano, mandei um exemplar do livro para Maria de Almeida Araújo e Edvaldo Araújo, amigos curaçaenses de louvável sabedoria, caráter irrepreensível e vasta cultura.

Quanto a Vavá – já escrevi alhures algumas crônicas sobre ele – era meu colega de trabalho na Prefeitura de Curaçá, primeira administração de Theodomiro Mendes da Silva. Sua esposa, D. Nenzinha, dividia comigo, quase que diuturnamente, agradáveis momentos de conversas porque, modéstia à parte, frequentava sua casa, arrastado por Vavá e, por óbvio, sempre fui muito bem recibo por ambos.  

As conversas se estendiam sem tempo para terminar. Falávamos de amenidades e de tudo, mormente de educação e cultura.

Sábia e experiente, D. Nenzinha era exemplo de humildade, polidez, honradez e generosidade.

Guardo, com carinho e gratidão, a carta de 19/02/1987. D. Nenzinha e Vavá diziam, quase que em estímulo à caminhada deste modesto peregrino das letras e dos sonhos: “Continue. Siga em frente, caminhando na fé, iluminado pela estrela da esperança”.

Confesso ainda hoje – e nesta altura de minha idade septuagenária – honrado e lisonjeado.

A passagem dos anos trouxe D. Nenzinha para o tempo presente e evidenciou o reconhecimento de sua memória às novas gerações e, sobretudo, demonstrando-a como símbolo de esteio cultural de Curaçá.

Hoje Maria de Almeida Araújo é nome de equipamento público de significativa importância para Curaçá e os curaçaenses, merecido reconhecimento:  Centro Territorial de Educação Profissional Maria de Almeida Araújo.

Bateu-me uma doida e doída saudade de D. Nenzinha e de Vavá. Vavá foi um amigo de agradáveis tertúlias em dias curaçaenses.

Difícil esquecer nossas conversas diárias no bar de Adelson Xavier, ao lado do Teatro Raul Coelho.

Saudade também é o clarear do caminho de boas recordações.

araujo-costa@uol.com.br

O ministro, o discurso inoportuno e a imprensa

“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Lord Acton, historiador britânico, 1834-1902)

Em 02/09, na abertura dos trabalhos de julgamento do suposto golpe de Estado, o ministro-relator  abriu a sessão com um inoportuno discurso, contrariando ritos, estilos e regras processuais comumente seguidos pelo Poder Judiciário.

Não é comum – e nunca foi – magistrado fazer discurso político em abertura de sessão de julgamento. No máximo e dependendo do contexto, o juiz esclarece às partes sobre procedimentos estritos ao processo e, eventualmente, faz saber sobre algumas diretrizes da audiência de julgamento, o que não foi o caso.

O Supremo Tribunal Federal é um tribunal constitucional de acordo com a Carta Magna da República e não um comitê político. É pressuposto que as partes no processo não estão interessadas em discurso político, mas no deslinde da causa.

Mas o que vale a Constituição no Brasil de hoje que, sabidamente, não a observa e não a respeita?

“A lei, ora, a lei”, já dizia o presidente Vargas em 1947. Ou, como dizia a humorista do gênio Chico Anysio, a lei “é apenas um detalhe”.   

A imprensa aliada ao lulopetismo deu o maior destaque à anomalia encenada pelo ministro, elogiando-o despudoradamente.

Repórteres e comentaristas só faltaram desconsiderar os mesopotâmicos e atribuírem ao ministro-relator a invenção da roda.

O ministro pretende ser presidente da República, segundo um de seus  ex-assessores no Tribunal Superior Eleitoral (Gazeta do Povo, 09/08/2025).

Fácil, muito fácil: Basta Sua Excelência renunciar ao cargo de ministro do STF, filiar-se a uma dessas excrescências partidárias da esquerda e disputar a eleição através do voto popular.

Democracia é isto. E Sua Excelência se arvora defensor inquestionável da democracia no Brasil. Então, presume-se que deva observar as regras democráticas.

Como é improvável que a maioria da sociedade vote em cidadão com abominável perfil de ditador, certamente o Brasil não passará por esse vexame. 

O Brasil está precisando de mais seriedade e menos hipocrisia.

E os brasileiros precisam que sejam respeitados, principalmente pelo nobre, reverenciado e lídimo Poder Judiciário.

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Chorrochó: Casarões, história, fragmentos do tempo  

“O futuro era melhor antigamente.” (Luís Fernando Veríssimo, jornalista e escritor, 1936-2025)

Na construção dos meandros da escrita às vezes é preciso um desvio estratégico do caminho para se chegar ao tempo do agora.

Imóvel da família Pacheco de Menezes, de Chorrochó/Crédito: Arquivo Edilson Oliveira

Esse desvio leva ao que se pretende dizer. E o dizer nem sempre é fácil dizer. É um ancoradouro difícil, obstaculoso, espinhoso, obscuro.

Assim, a saudade. Difícil dizê-la. Mais ainda difícil é trazer o enfrentar das lembranças para confrontar os tempos idos com os dias de hoje, pulverizados de desinteresses, incompreensões e descasos com a História.

Por conseguinte, o cronista acaba se transformando em memorialista, outras vezes em historiador arrevesado, noutras tantas em narrador ocasional e, por isto, incompleto.

Imóvel da família Pacheco de Menezes, em Chorrochó/Crédito: Arquivo Edilson Oliveira

É o caso deste escrevinhador, incapaz e titubeante, mas persistente e até, em certos casos, petulante com as coisas da escrita e com o querer de sedimentar recordações.

Antigamente, embora não muito antigamente, convivi com alguns dos viventes desses dois casarões de Chorrochó que resistem à passagem do tempo: residências de Antonio Pacheco de Menezes e do irmão e vizinho Dorotheu Pacheco de Menezes.

As fotos são da lavra e presteza do respeitável profissional Edilson Oliveira, pioneiro na área de comunicação em Chorrochó. Vali-me de seus préstimos para me ajudar, através das imagens, a compor este pobre texto retratando o passado, com o intuito de reviver um pouco a história do lugar.

Quando Chorrochó lutava com a insipiência e precariedade dos meios de comunicação, Edilson Oliveira estava lá, atento e sonhador, empurrando a janela do desconhecido e tentando levar a informação limpa e sadia à sociedade, o que fez com êxito e dedicação.

Não me atrevo a retratar o jornalismo, tampouco a História de Chorrochó. Embora apoucado, limito-me a reviver algum tempo e lembrar pessoas e fatos. Se não olharmos no retrovisor do passado corremos o risco de perder o futuro.

E nesse diapasão, já que falo de casarões, cito alguns de seus ocupantes de antanho.

Antonio Pacheco de Menezes e sua mulher Maria Argentina de Menezes constituíram família numerosa e viveram nessa casa com os filhos Maria de Lourdes Menezes Araújo, Maria Nicanor de Menezes Veras, Maria Joselita de Menezes, Francisco Lamartine de Menezes, Walmir Prudente de Menezes, Antonio Pacheco de Menezes Filho, Maria Ita de Menezes, Maria Agripina de Menezes, José Osório de Menezes e Maria Eugênia de Menezes.

Dorotheu Pacheco de Menezes e sua mulher Izabel Argentina de Menezes (Biluca) constituíram família e viveram no imóvel contíguo, com os  filhos Maria do Socorro Menezes Ribeiro, José Evaldo de Menezes e João Bosco de Menezes. 

Genros, noras e netos também formavam o turbilhonar do viver de todos eles nesse Chorrochó que engatinhava em busca de seu destino.

Ambos – Antonio Pacheco e Dorotheu – deixaram a descendência admirável, as raízes que ainda seguram as lembranças e, por conseguinte, enfeitam e amparam às tradições da família um tanto fragilizadas pelo correr dos anos e adstritas à maneira com que as gerações de hoje veem, entendem e absorvem o caminhar dos antepassados.     

As exigências do tempo mudaram o traçado original desses casarões de Chorrochó. Mas a história continua intacta, assim como o reviver da época e da saudade.

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Breves traços de um filho de Patamuté  

Silobaldo Gomes dos Reis. Esta foto faz parte de seu primeiro livro

Silobaldo Gomes dos Reis, filho de Eduardo Gomes dos Reis e Tertuliana de Alcântara Reis, nasceu em Patamuté em 1930, embora descendente do lendário Petronilo de Alcântara Reis (Coronel Petro), político e fazendeiro nascido em Santo Antonio da Glória, que fez história na região de Várzea da Ema, hoje pertencente ao município de Chorrochó.

Na época do coronel Petro, Várzea da Ema fazia parte do território do município de Curaçá.

Silobaldo fazia parte das famílias Gomes e Reis. Mudou-se para São Paulo em 1944 com 14 anos de idade, depois de trabalhar na bodega de Lídio Manoel dos Santos que lhe entregou uma “Carta de Referência” para eventual necessidade na desconhecida terra paulista.

Lídio havia comprado a bodega do pai de Silobaldo e o manteve trabalhando lá.

“Eu estudava na parte da manhã e à tarde trabalhava com o comerciante Lídio Manoel dos Santos”, escreveu Silobaldo. E até citava o nome da professora Tarcília Félix Martins, de Poço de Fora, que ensinava em Patamuté.

Em São Paulo, trabalhou como datilógrafo na Seção de Estatística da Companhia Gessy Industrial, depois Gessy-Lever, conheceu as vicissitudes de um “ambiente difícil de ser assimilado”, mas depois cresceu profissionalmente e seguiu adiante.

Conhecido entre os amigos mais próximos como “Silô”, Silobaldo viveu as últimas décadas no Jardim São Paulo, elegante bairro da capital paulista, mas sua paixão era a Vila Nova Mazzei, local que se instalou quando chegou da Bahia, segundo ele “fugindo da seca de Patamuté”.

Eduardo e Tertuliana, além de Silobaldo, tiveram os filhos Osmar Gomes dos Reis, Lourival Gomes dos Reis, Maria José Gomes dos Reis e Antonia Gomes dos Reis Palmejani.

Em São Paulo, Silobaldo trabalhou e constituiu família bem estruturada. Escreveu dois livros: “Eu (baiano) venci em S.Paulo”, lançado em 1988 e “Peripécias e Alegrias de um Turista Baiano” lançado anos mais tarde.

Sobre o primeiro livro, Silobaldo me disse em 26/06/1991: “É uma mensagem de otimismo para nossos conterrâneos que às vezes recuam no primeiro tropeço de vida e desanimam”.

Silobaldo era casado com Maria Nazareth dos Reis com quem teve as filhas Carmen Gomes dos Reis e Marta dos Reis Marioni. Tinha netos, a exemplo de Raphael dos Reis Marioni e Thaenan dos Reis Marioni.

Em 1988 chegou a participar da Bienal do Livro de São Paulo.

Espirituoso, ria-se de sua história de luta e se servia dela para apontar lições de otimismo diante do enfrentamento das dificuldades.

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Câmara de Curaçá: Dinamismo de Rogério Bahia dá visibilidade ao Legislativo

Vereador Rogério Bahia/Arquivo pessoal do vereador

O vereador Rogério Quintino Bahia, presidente da Câmara Municipal de Curaçá, vem dinamizando as atividades do Legislativo e dando-lhe inequívoca visibilidade.  

As sessões itinerantes da Câmara de Vereadores nos distritos parecem significar a forma mais visível de aproximação do Poder Legislativo com os munícipes, permitindo-lhes oportunidade de reivindicarem, apontarem necessidades e, sobretudo, não perderem o contato direto com seus representantes.   

A nobreza da representação política assenta-se na vontade popular, de maneira que a sociedade vale-se de seus representantes para indicar o caminho até suas necessidades mais prementes.

A Câmara contém um cipoal de atribuições sob a responsabilidade do vereador que pode servir-se delas para trabalhar em benefício da população e esta é a razão de ser do edil.

Por óbvio, os vereadores têm papel fundamental na vida da sociedade local, de modo que se agigantam à medida em que se preocupam com a população e suas demandas mais prementes.  

Entretanto, muitos se enveredam pelo caminho dos interesses pessoais e passam a legislatura referendando atos do Poder Executivo, de tal forma que se apequenam e arranham a nobre função de vereador. E aqui não estou me referindo a Curaçá, especificamente, mas da forma como acontece de um modo geral.

Ouso conjecturar que também é dever da Câmara Municipal se manter em permanente vigília em favor da população e não somente através de discussões protocolares aventadas por ocasião de sessões convocadas por força regimental.

Trata-se de perspectiva de mudança das mentalidades, de vislumbrar luz para clarear e interpretar os anseios da população.

Contudo, a nobreza do vereador é sustentar-se na soberania do voto popular e direcionar-se em consonância com a vontade do povo. Não há credencial mais legítima, mais lídima, mais pujante.

Bem preparado, Rogério Bahia é advogado com sólida experiência em Direito Previdenciário, educado no Colégio Dr. Edson Ribeiro, de Juazeiro e graduado pela UNIFENAS de Minas Gerais, universidade bem situada e reconhecida no contexto da educação nacional.    

Relativamente jovem – 49 anos completados em março – vem de família tradicional. O pai Gilberto Bahia Filho (Gilbertinho) e o avô Gilberto da Silveira Bahia foram prefeitos de Curaçá, de modo que tradição, conhecimento político e experiência lhe credenciam para esta ingente tarefa à frente da Câmara Municipal.

Rogério Bahia tem histórico de dedicação ao município. É de sua autoria o Código de Cultura de Curaçá e a lei que tornou de utilidade pública o Acervo Curaçaense, que cuida da preservação da história de Curaçá, dentre outras atribuições.

Ademais, Rogério Bahia tem atuado em favor do trabalhador rural e da agricultura familiar. Como parte dessa atuação, viabilizou poços artesianos, cisternas e forrageiras tão fundamentais para o dia a dia do homem do campo.  

Dinâmico, preparado intelectual e politicamente, o insigne vereador Rogério Bahia sustenta a perspectiva de um novo amanhecer para Curaçá.

Conta-se que, quando Juscelino Kubitscheck era prefeito de Belo Horizonte, um vereador discutia num bar e, a certo momento da conversa, esbravejou: “Esse Juscelino é um perigo. Se a gente bobeia, ele acaba presidente da República”.

Bobeando ou não, Juscelino foi presidente da República.

Esse vereador Rogério Bahia vai acabar sendo prefeito de Curaçá e compor a história formando a tríade dos respeitáveis homens públicos, com Gilberto Bahia e Gilberto Bahia Filho.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, Carlinhos Brandão e o difícil resgate do tempo

Carlinhos Brandão/Crédito Blog Carlos Britto

“A política é como a imaginação, nem sempre dá o que promete.” (José Cavalcanti, 1918-1994, São José de Piranhas-PB)  

A caminho dos 68 anos, Carlos Luiz Brandão Leite parece um tanto desencantado com a impossibilidade de reversão do tempo político.

Eleito prefeito de Curaçá em 2012 com 42,37% dos votos válidos, Carlinhos Brandão parece ter deixado inequívoco que seu pendor não se sustenta na atividade política, mas no mister de agricultor eficiente e bem sucedido.

Entretanto, sua administração à frente da Prefeitura de Curaçá não esqueceu o homem do campo, conhecida promessa de campanha, de modo que se destacou na limpeza de barreiros e barragens comunitárias, instalação de poços tubulares e, por vezes, na recuperação de estradas.

Como “santo de casa não faz milagre”, o filho de Patamuté, Carlinhos Brandão, descuidou-se de lançar um olhar mais atento sobre o lugar de suas raízes, de modo que o distrito vem experimentando – e não somente na gestão de Carlinhos – constantes e subsequentes descasos que beiram o desrespeito à população.  

Carlos Luiz Brandão Leite vem de ascendência respeitável: a mãe e professora Maria Vilani Brandão Leite e o pai e fazendeiro Manuel Brandão Leite, de tradicional família de Patamuté, esteio que lhe deu estrutura de vida, caráter irrepreensível e conduta admirável.

Ex-aluno do tradicional Colégio Dom Bosco, de Petrolina, Carlinhos Brandão constituiu família decente e exemplar que lhe atesta ser portador de princípios morais inatacáveis.   

Contudo, a política não depende das qualidades pessoais de seus líderes, mas assenta-se, sobretudo, na forma como os homens públicos veem e administram as demandas e premências postas pela sociedade.

Por aí se vê, que as urdiduras políticas às vezes tropeçam em interesses conflitantes, até e, principalmente, entre aliados, que dificultam o caminhar de qualquer gestão e isto é inerente à vida pública, cheia de tropeços, por natureza.

Todavia, Carlinhos Brandão não abandonou a seara política, mas tendo em vista seu desempenho sofrível à frente do município de Curaçá é razoável entender que houve uma distância entre a expectativa das urnas de 2012 (8.150 votos, salvo engano) e sua atuação como gestor público que pode, aos poucos, empurrá-lo para o ostracismo político.

Política não admite cochilos, não acolhe distraídos. Em consequência – e bem por isto – o resgate do tempo político perdido afigura-se inalcançável, uma espécie de punição em razão dos descuidos no que tange às exigências da população.

Mas independentemente de sua atuação na condição de gestor público, é seguramente certo que Carlinhos Brandão ainda mantém liderança e lastro político suficientes que o habilitam a ser ouvido em toda e qualquer composição política do município de Curaçá.   

Quanto a Patamuté, tudo continua como antes. Não há perspectivas de melhora.

Sucedem-se prefeitos apáticos, míopes diante da realidade do lugar e Patamuté continua ofuscado pela falta de visão e vontade política dos homens públicos.  

Minha geração fracassou relativamente aos sonhos de Patamuté.

Contudo, a esperança está nos jovens de hoje e sobretudo na educação. É animador que tenham surgido no horizonte razoáveis perspectivas a partir da Câmara Municipal.

O vereador Anselmo Filho, que tem robustas raízes fincadas em Patamuté, pode contribuir para afastar esse marasmo que se abate sobre o distrito.   

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, tempo e memória de Nicolau Cordeiro

Nicolau Cordeiro/Arquivo de Antonio de Nicolau Cordeiro

Quero registrar, logo assim, de saída, que sou de uma geração que costuma revisitar lembranças, com o intuito de reviver, sedimentar gratidão e registrar saudade.

Se não olharmos no retrovisor do passado, temos dificuldades de compreender o presente  e construir os alicerces para sustentar o futuro.

Conheci Nicolau Cordeiro da Silva na década de 1960, em Patamuté. Já se vão, por aí, mais de seis décadas. Convivemos por algum tempo, dividíamos dissabores, preocupações e alegrias.

Prestativo, educado, generoso, conversa agradável, preocupado com as deficiências do lugar, sobretudo preocupava-se com a educação da infância e da juventude. Homem de visão, inobstante as limitações de Patamuté.

Nicolau Cordeiro foi um bom amigo que tive na vida. Como esquecê-lo! Ele fez a façanha de viabilizar minha condição de professor particular em Patamuté, mas esta é outra história um tanto longa que demanda muitas considerações.

Nicolau conversou com os pais dos alunos, indicou a necessidade de complementar o estudo dos jovens, angariou condições, justificou minha escolha e, mais do que isto, não deixou se escapulirem as oportunidades de manter aquele sonho em benefício da juventude da época.

Andam, por aí, ainda, cavando a vida, alguns de meus ex-alunos. Outros já se foram. Era difícil separar a amizade do ofício de professor, de modo que éramos todos amigos. Não existia nenhuma diferença ou distância aluno-professor.

Em Patamuté, naquela quadra do tempo, havia somente o Prédio Escolar (Escola Estadual), na saída para o Paredão, onde ensinavam as professoras da educação primária, formalmente habilitadas para o ensino regular.

Pela Escola Estadual de Patamuté passaram respeitáveis professoras que ajudaram a construir a história do lugar, a exemplo de Maria Vilani Brandão Leite, Ana Mendes Vital Matos, Adalzira de Souza Alcântara, Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes, Cremilda Gomes de Sá, Maria Mendes Callo (Nazinha), et cetera.

Nicolau viabilizou um espaço para acolhimento de meus alunos. O local situava-se vizinho às casas do Major Otaviano Matos (depois reformada), Lídio Manoel dos Santos e José de Souza Alcântara (Zé Lulu), mesma rua do antigo Posto Policial, que ficava na esquina.

Rua de Patamuté/Foto sem data/Reprodução facebook

Na ocasião, no mesmo local, tinha um serviço de alto falante que funcionava somente à noite. Tocavam-se músicas da Jovem Guarda, movimento que estava no auge.

A luz de Patamuté dependia de um motor (gerador) e apagava-se às 22 h, quando muitos se recolhiam e outros ficavam sentados em cadeiras nas calçadas, conversando. Nesse ambiente nasceram muitas amizades em Patamuté.

Eu frequentava a calçada de Eliziaria Moreira e de seu esposo José Henrique de Souza (Zeca Babau), respeitado Oficial do Cartório de Registro Civil. As conversas iam até muito tarde, despretensiosas e agradáveis.

Nicolau Cordeiro morava na Rua dos Ferreiras numa casa aconchegante. Lembro que cultivava parreiras. As uvas eram viçosas, bem cuidadas, bonitas.

Hoje a Rua dos Ferreiras cresceu, está mais movimentada, com mais casas, mais moradores e adaptada à passagem do tempo.

Uma rua nascida da tradição do povo, ao redor da casa dos “Chias”, sem alcunha oficial atribuída pelo poder público. “Os Chias”, segundo relatos históricos, foram habitantes de Patamuté nos primórdios do lugar.

Rua pequena, limitando-se com as pedras disformes do bonito mármore de Patamuté sobre as quais pastavam animais.

Nicolau compatibilizava sua luta diária e o cuidado com a família que soube estruturá-la muito bem, educadamente.

Nicolau e eu somávamos sonhos com o intuito de vislumbrar horizontes mais promissores para aquela geração de Patamuté.

Fracassamos, em parte. Patamuté, hoje, é o resultado de sucessivos descasos que depõem contra nossos governantes e representantes na Câmara Municipal.   

Amigo que perdurou, in memoriam.

Quando é assim – e assim o é – difícil a amizade se esvair no tempo. Ficam as marcas, os esteios indestrutíveis da gratidão.

Observação:

Matéria originalmente publicada em 19/08/2025 e editada em 20/08/2025 para acrescentar foto de Nicolau Cordeiro, generosamente enviada pelo filho Antonio. O blog agradece a atenção.

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