O IBGE é uma instituição séria

Maria Léa Santos Souza/Reprodução do facebook

Maria Léa Santos Souza, honra e glória do município baiano de Curaçá, nasceu nos domínios das fazendas Tamburi e Bom Jardim, no distrito de Patamuté.

Maria Léa deu certo na vida. Lutou e se firmou na condição de competente e exemplar profissional. Morou na Bahia e São Paulo e hoje vive na Região Sul do Brasil.

Em data recente, Maria Léa discordou de minha crônica intitulada A demagogia de Lula da Silva e de seu ministro loroteiro, quando este escrevinhador disse, referindo-me a Lula da Silva e seus arraigados admiradores: “Eles se sustentam em estatísticas frias, irreais, distorcidas e em demagogias eleitoreiras, essencialmente eleitoreiras”.

Diz Maria Léa Santos Souza: “Olha sinto te dizer que o IBGE é um Instituto sério e não faz estatísticas frias. E eles falam o que os números do IBGE divulgam”.

Léa tem razão.

Contudo, em nenhum momento este insignificante cronista pôs em dúvida a seriedade do IBGE, instituição merecedora do respeito de todos os brasileiros e, se me não engano, fundada em 1936.

Nenhuma instituição se sustenta durante todo este tempo se não se assentar em princípios de seriedade e competência.

O que este cronista quis dizer é que a expressão “estatísticas frias” está no campo das incertezas, o que não quer significar, em nenhum momento, o deslustre da respeitável instituição IBGE.

Nenhuma instituição, se séria não fosse, resistiria tanto tempo em atividade, de modo que as interpretações devem ficar no âmbito da razoabilidade, excluídas as paixões políticas, as fraquezas ideológicas e a defesa dos governantes que admiramos, nem sempre consentâneos com aquilo que sonhamos.

Em quadro assim, falando de razoabilidade, faço um desvio de rota interpretativa, sem deslustrar o profícuo trabalho do IBGE, sempre admirável.

Há mais de quatro décadas moro em São Bernardo do Campo, simpático município paulista da região do ABC.

Nesses mais de quarenta anos – e aqui não vai nenhum menosprezo aos critérios científicos que lastreiam as pesquisas do IBGE – nunca fui abordado por qualquer agente do censo demográfico capitaneado pelo IBGE.

Todavia, o IBGE diz que faço parte dos 810.729 habitantes do município de São Bernardo do Campo, consoante o Censo de 2022.  

As estatísticas frias a que me refiro lastreiam-se no entendimento de que os números de excluídos da pobreza alegados pelo governo de Lula da Silva ou outro governante qualquer, independentemente de nosso pendor ideológico, são passíveis de distorções ou, no mínimo, de ajustes.

Assim se dá relativamente aos índices de desemprego baseados no CAGED ou critério que o substitua. A realidade situa-se muito distante dos frios números normalmente divulgados.

Parâmetro estatístico não retrata, necessariamente, o espelho de quaisquer realidades.

Daí a dizer que o IBGE não é uma instituição séria vai uma grande distância. E esta não é – e nunca foi – a intenção deste insignificante escrevinhador.  

No mais, Maria Léa Santos Souza – que a admiro desde a juventude – e eu, temos uma circunstância em comum, orgulho que carregamos e ostentamos com vaidade: fomos alunos da professora Graziela Ferreira  da Silva.

Maria Léa vai além, muito distante deste cronista: é filha do insigne professor Theófilo Ferreira da Silva.  

araujo-costa@uol.com.br   

A demagogia de Lula da Silva e de seu ministro loroteiro  

Presidente Lula da Silva e ministro Wellington Dias/Ricardo Stuckert

Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí e hoje ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, à semelhança de seu chefe Lula, é demagogo e contador de lorotas.

Wellington Dias é aquele mesmo ministro sorridente e feliz que apadrinhou a esposa num cargo vitalício no Tribunal de Contas do Estado do Piauí, com salário aproximado de R$ 40 mil por mês, em valores de hoje, mais as incontáveis e gordas mordomias, enquanto as pessoas que ele diz cuidar – os necessitados que passam fome – continuam passando fome, muita fome.

Entretanto, o PT, Lula da Silva e seu ministro de Combate à Fome dizem que excluíram a pobreza, de modo que, segundo eles, ninguém mais passa fome no Brasil.

Lorota. Embora assim, há quem acredite no que eles dizem.

Eles se sustentam em estatísticas frias, irreais, distorcidas e em demagogias eleitoreiras, essencialmente eleitoreiras.

Loroteiro, o ex-governador e rico ministro Wellington Dias disse recentemente, em entrevista, que “o Brasil vive um dos melhores momentos de sua história no combate à fome.” (Canal Gov – EBC).

Em São Bernardo do Campo, berço político de Lula da Silva, tem gente passando fome.

Ninguém me contou, ninguém me conta. Eu vejo. Diuturnamente.

Dou exemplo claro, indubitável e incontrastável de que a verdade é outra, bem diversa do delírio proposital do PT, de Lula da Silva e de seu ministro loroteiro.

Wellington Dias, o ministro demagogo de Lula da Silva, suspendeu há meses o benefício de um adolescente com transtorno do espectro autista, único meio de subsistência do menor. Há muitos na mesma situação.

A mãe solteira, sem emprego e sem renda, vive de “bico” e cuida do filho.

Em 02/10/2025, previamente agendado, o adolescente foi encaminhado para submeter-se a perícia medida na agência do INSS de São Bernardo do Campo. A médica que atendeu sequer olhou o laudo que atestava a situação e o grau de autismo do menor.

Não se sabe se, de fato, a criatura é médica ou faz parte dessas maracutaias que os corruptos do INSS engendraram, dentre muitas, a exemplo das que culminaram no roubo aos aposentados e pensionistas.

Despreparada, a “médica” (merece aspas), de forma acintosa e inconveniente, perguntou à mãe do autista, que se sentiu humilhada, evidentemente:

– Por que ele não trabalha? Põe pra trabalhar.

Em seguida, alegou que o “sistema” caiu e, indiferente com a situação, dispensou a mãe do menor autista sem atendimento e sem nenhuma solução ou orientação para o caso grave.

Ora, todos sabemos da dificuldade para agendar perícias no INSS, inclusive quanto ao tempo de espera. Imaginemos a sensação de desamparo para quem está passando fome, precisa do benefício para comer.

Em resumo: o benefício do autista continua suspenso por ordem do governo Lula (que cuida dos pobres) e a situação de miserabilidade do adolescente e de sua mãe persiste, sem nenhuma esperança de solução.

E o rico ministro petista Wellington Dias (que cuida dos pobres) certamente não está preocupado com pobres, mas com sua vida nababesca.

Revoltante. Muito revoltante.

Tratando-se do governo petista de Lula da Silva que alardeia cuidar dos pobres e miseráveis é, no mínimo abominável, sua atuação nesse particular, que envolve pessoas doentes e necessitadas.

Enquanto isto, o INSS continua esse antro de corrupção.

E há uma profusão de incautos e fanáticos que acreditam nesses impostores, enquanto milhares passam fome.

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Curaçá e o balançar da saudade

Eloísio Gomes de Miranda e Elzi Monteiro Barbosa Gomes/Arquivo Eloísio Filho

Quando a memória cutuca os recônditos e revira o passado, costumo lembrar amigos, tempo, saudade, circunstâncias. 

São pedaços adormecidos do caminhar que provocam às vezes risadas e, outras vezes, angústia, ao constatar o correr apressado do tempo. É um olhar no retrovisor e o alcançar da distância.

Nomes surgem e desponta o balançar inevitável da saudade. Assim, me veem as lembranças do curso ginasial em Curaçá e com elas se somam nomes de colegas, alguns dos quais se transformaram em amigos, em razão da convivência diuturna no Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Ei-los, dentre outros igualmente inesquecíveis: Arivan Evangelista Alves, Elias Pereira Jordão, Eliene Monteiro, Elzi Monteiro Barbosa, Elzeneide Monteiro Barbosa, Suely Maciel de Souza, Tereza Cristina Gomes Miranda, Wilson José Soares Ferreira, David José Ferreira Só, Ivonete Alves Costa, Izabel Cristina, Eliomar Monteiro Costa, Maria de Fátima Araújo, Maridalva Nunes Guimarães, Eloísio Gomes de Miranda, João Pereira Rego, Alice Pereira Rego, Adelaide Monteiro e Regina Lúcia Xavier.

Éramos estudantes do Colégio Municipal Professor Ivo Braga e formávamos uma espécie de confraria da amizade.

Houve um tempo em que Curaçá era sinônimo de alegria e constante bem-estar. Hoje mudou um pouco. A violência cruel já chegou por lá e frequenta o noticiário, mas essa é outra história triste que não deve se intrometer nesta crônica já um tanto confusa e pontilhada de recordações.

Dentre os professores do Colégio Municipal Professor Ivo Braga, destacavam-se: Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. Jaime Alves de Carvalho, Terezinha Conduru de Almeida, Excelda Nascimento Santos, Noêmia de Almeida Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, Dionária Bim, Lenir da Silva Possídio, Herval Francisco Félix.

Prolegômenos à parte, hoje ocupo-me de dois amigos, sem olvidar os demais, que nessa quadra do tempo, ainda me são muito caros. Quando ainda jovem, fui trabalhar e estudar em Curaçá. Eles me acolheram, deram-me aconchego, amizade, atenção: Elzi Monteiro Barbosa Gomes e Eloísio Gomes de Miranda (Meu Lú).

Esse simpático casal – Elzi e Meu Lú – se esteia nos patriarcas Otoni Barbosa e Abílio Gomes que lhes deram educação, formação de caráter irrepreensível e sabedoria para enfrentar o turbilhonar da vida.

A família Monteiro, de Curaçá, confunde-se com a história do lugar, desde muito tempo. Como se diz, no dia a dia, tudo gente boa, de valor, de consideração.

Em brilhante crônica publicada no portal Curaçá Oficial de 20/12/2022, o ínclito Omar “Babá” Torres escreveu que Abílio Gomes  tinha “permanente bom humor, a contagiante serenidade e a interminável paciência e simpatia.” 

A casa da família Monteiro, incluídas as irmãs Elita, Edelita, Elzeneide e Elzi era um lugar aconchegante que frequentei em Curaçá. Família decente e espirituosa, nos recebia a todos com muito carinho e generosidade.

Nossa juventude se foi apressadamente, mas a amizade persistiu, ficou, sedimentou. Os trancos e barrancos da distância não abalaram a construção daquela convivência sadia e alegre.

Por falar em alegria, naquela quadra do tempo, estudantes barulhentos, mas comportados, cantávamos Felicidade (Lupicínio Rodrigues), Medo da Chuva (Raul Seixas), Não chore mais (Gilberto Gil), We said Goodbye, (Dave Maclean), She made me cry (Grupo Folhas), Além de tudo (Benito di Paula), Porque brigamos (Diana), Sangue latino (Secos e Molhados) e tantas outras que povoavam o ambiente da juventude da época.

Quanto ao Ivo Braga continua lá, impecável, mais moderno e a cada dia mais brilhante. Já ultrapassou seis décadas – foi fundado em 06/08/1962 – educando gerações e indicando novos caminhos à juventude.

Ex-aluno, carrego a lembrança dos colegas, amigos, professores e, sobretudo, do viver daquele tempo.   

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Podridão e criaturas hipócritas

Na música The way it is (Do jeito que é), de 1986, Bruce Hornsby diz que “você não pode ir aonde os outros vão, porque você não se parece com eles”.

Ministros do STF e o governo Lula querem asfixiar as redes sociais.

São as redes sociais que apontam falcatruas, erros e podres nas esferas dos Três Poderes, porque a grande imprensa não publica. Está agasalhada pelo manto da publicidade oficial que sustenta os interesses desses grupos de comunicação.

Aqui e acolá surgem escândalos vergonhosos.

Uma empresa investigada pelas falcatruas do assalto aos aposentados do INSS, que atuou através da petista CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), foi contratada pelo Supremo Tribunal Federal.

O STF pagou a essa empresa R$ 4,4 milhões somente em 1 ano, entre 2022-2023.

“O contrato entre a empresa e o STF foi assinado em setembro de 2022 e previa a emissão de passagens aéreas, montagem de roteiros e emissão de seguro-viagem para a Corte” (Metrópoles, 15/09/2025).

Quiçá dois ou três funcionários acomodados numa minúscula sala do STF fizessem esse trabalho com mais eficiência sem que o tribunal precisasse gastar tanto dinheiro público.

A Caixa Econômica Federal assinou um contrato, sem licitação, com  o ultra-esquerdista lulopetista Eduardo Bueno (Peninha), no valor de R$ 3.270.600,00 para aquele senhor revisar dois livros de sua autoria que contam a história da Caixa (Terra, 16/09/2025).

O contrato foi assinado em 20/01/2025 e o extrato da inexigibilidade de licitação foi publicado.

Eita revisão cara da gota serena!

Esse mesmo senhor Eduardo Bueno (Peninha) era membro do Conselho Editorial do Senado Federal, um ralo para desperdício de dinheiro público, que cuida de publicações daquela Casa Legislativa e pago, evidentemente, com dinheiro público. Descoberta a falcatrua, foi demitido em data recentíssima.

O presidente do Conselho Editorial é o espevitado senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá,  líder do governo Lula no Congresso Nacional, o mesmo que se arvora supra-sumo da decência, da ética e da coerência política.

Como há poderosos envolvidos nas duas situações (Caixa Econômica e STF), é fácil prever onde isto vai dar: em nada, absolutamente nada.

Essa podridão desenfreada é protagonizada por hipócritas criaturas que estão no poder.

Felizmente a maioria da sociedade brasileira não vai aonde essas hipócritas criaturas vão, porque não se parece com elas.

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Legislativo de Curaçá tem boa estrutura jurídica 

Bem estruturado, o Poder Legislativo de Curaçá conta com a eficiente assessoria jurídica do conspícuo Dr. Wellington Cordeiro Lima que, a rigor, dispensa salamaleques, porquanto conhecido de todos os curaçaenses em razão de seu robusto preparo profissional.

Dr. Wellington Cordeiro Lima/Reprodução facebook

Ex-procurador geral do Município, o Dr. Wellington foi instado a contribuir profissionalmente com a Câmara Municipal, através do vereador Theodomiro Mendes Filho que, se não me engano, exerceu cinco mandatos consecutivos na vereança e participou, eficazmente, da estrutura política e partidária de Curaçá.

Extraordinária figura humana, Theodomiro Mendes Filho herdou do pai e ex-prefeito de Curaçá, Theodomiro Mendes da Silva, a perspicácia e a generosidade, qualidades fundamentais, quiçá suficientes, para o exercício da atividade política.

Advogado de renome, Dr. Wellington tem sólida experiência em seu ramo de atuação. É graduado pela Faculdade de Direito de Caruaru, estudou pós graduação em Gestão Pública e Municipal na mesma instituição e na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), além de Doutorado em Direito Administrativo na argentina Universidad Nacional de Mar del Plata e até passou por uma escola agrotécnica em Belo Jardim, no agreste de Pernambuco.

Dr. Wellington participou e participa ativamente da vida social e política de Curaçá, a exemplo da comunitária Rádio Curaçá FM e, salvo engano, há mais de uma década vem contribuindo com um trabalho decisivamente valioso com vistas à estrutura interna do Poder Legislativo Municipal.

Surgem desse trabalho contínuo muitas de suas iniciativas em benefício da população, a partir da Câmara Municipal, mormente sob o ponto de vista técnico e jurídico.   

“O verdadeiro saber é o saber pela causa”, segundo o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626).

Neste particular,  se sustenta o amplo conhecimento do Dr. Wellington no que concerne à história e estrutura das câmaras municipais, desde o nascedouro delas no Brasil, no século XVI, até nossos dias.    

Conhecendo a causa e, em consequência, a razão de ser da representação popular, indubitável que isto o ajuda a estruturar a Câmara Municipal de Curaçá, conduzindo-a em direção às demandas da população, sempre lastreadas no saber jurídico.

Fundamentais, neste mister, o preparo e eficiência do pessoal de apoio da Câmara Municipal e os esteios legais capazes de engrandecerem a história do município.

E, pelo que se sabe, Dr. Wellington vem fazendo isto exemplarmente, agora com o apoio do dinâmico presidente do Legislativo, Dr. Rogério Quintino Bahia, honra e glória de Curaçá.

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               Luto e Gratidão

Mohamad Ali El Saifi

Tendo em vista o falecimento de MOHAMAD ALI EL SAIFI, ocorrido na República do Líbano, grande amigo e admirável incentivador do SISTEMA ARAÚJO COSTA, comunicamos aos nossos clientes que este escritório, em sinal de luto e respeito à sua memória, ficará fechado durante os dias 24, 25 e 26 deste mês de setembro de 2025.

Registramos sincera gratidão pela convivência sadia e responsável que mantivemos durante décadas, externamos nossos sentimentos aos familiares e à grandiosa e distinta família SAIFI e pedimos a Deus que derrame sua clemência e misericórdia sobre MOHAMAD ALI EL SAIFI.

               São Bernardo do Campo (SP), 24 de setembro de 2025.

                            WALTER ARAÚJO COSTA       

Patamuté: Conversa de caatingueiro

Riacho da Várzea/Fazenda Estreito, distrito de Patamuté, Curaçá-Bahia

Um amigo de longa data, caatingueiro com eu, que costuma perder seu tempo de labuta diária para ler algumas de minhas baboseiras, em especial artigos e crônicas, questionou-me um tanto inquisitivo, quase irritado:

“Por que você escreve Riacho da Várzea e não Riacho da Vargem?”

Tem razão o atento e dileto amigo, crítico contumaz das circunstâncias. Ele sempre reclama da verdade ou inverdade de meus escritos.

Entretanto, como não sou historiador, nem geógrafo, confesso que uso a grafia Riacho da Várzea à maneira de como oralmente se dizia naquelas bandas de lá, onde nasci e cresci, o que talvez seja um resquício de meu conservadorismo que dele não abdico.

Domínios de José Araújo Costa (Zé de Sátira), Fazenda Estreito, distrito de Patamuté, Curaçá-BA

Nunca quis, até por incapacidade intelectual, mutilar a história e a cultura dos barrancos do Riacho da Várzea, de modo que, também por ignorância, tenho insistido nesse deslize. E, pelo jeito, vou continuar insistindo, porque isto está impregnado em minhas saudades, no meu sentir, em minhas lembranças.

Consultei nalguns mapas e registros, supostamente oficiais. Consta Riacho da Vargem e não Riacho da Várzea.

Em quadro assim, devo estar errado, creio que estou errado. Entretanto, tal distorção não tem o condão de  ofuscar a beleza e a importância do supra dito riacho que conduz, temporariamente, água, esperança e alegria.  

Todavia, o fato é que o Riacho da Várzea serpenteia entre a beleza das caraibeiras, cactos e a vegetação rústica do sertão e vai se jogar galantemente em sua foz, sem antes deixar de enriquecer a vida e a história do sertanejo do lugar, nossa bela e sofrida história.

Quanto ao nome, de uma ou de outra forma, faz parte do dizer do sertanejo da região.

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Curaçá, Colégio Ivo Braga e a professora Grace Kelly Evangelista

Professora Grace Kelly Evangelista em foto de 2014/ Perfil facebook

O escritor e jornalista Ivan Ângelo, mineiro de Barbacena, dizia que os “mineiros mais se interrogam que afirmam”.

É também de Ivan Ângelo: “As montanhas deixam sempre na espreita, cismando, quem virá por trás daquelas serras”.

Sou humilde curaçaense nascido nos barrancos do Riacho da Várzea, nas caatingas de Patamuté e, por óbvio, por não ser importante e tampouco famoso, é compreensível que ninguém esteja interessado em saber onde nasci, o que faz muito bem.

É assunto de somenos. Há coisas mais importantes para as pessoas de Curaçá se interessarem.

No Riacho da Várzea não temos montanhas. Convivemos com cactos, pedras disformes, garranchos, beleza da noite, poeira nas estradas, canto solitário da seriema, o coaxar dos sapos nas cacimbas.

Todavia, quem nasceu lá nunca deixa de amar aqueles barrancos, aquela caatinga, aquele luar, o sol escaldante, aquele sofrimento. Ah! o sofrimento.

O sofrimento nos faz mais fortes, nos conscientiza da humildade e das dificuldades do lugar de onde viemos, afasta a arrogância, ofusca nossas fraquezas e defeitos, suaviza o caminhar.

Entretanto, assim como os mineiros, sou curioso com a vida, costumo interrogar, cutucar, espreitar, ficar afoito ao observar do cotidiano.

Quem virá por trás, não das serras, que não temos lá no Riacho da Várzea, mas das esturricadas estradas e do cantar dos pássaros que enriquecem aquele universo que orgulha todos nós daqueles rincões?

Registro um fato que – confesso – me emocionei. A caminho dos 74 anos, as emoções afloram, as lembranças cutucam, o dizer do tempo sinaliza o caminho da finitude.

Há alguns dias recebi da professora Grace Kelly Evangelista, de Curaçá, anotações do registro da época em que eu era aluno do Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Tratam-se de meus dados pessoais, de minha condição de estudante ginasial. O documento datado de 12 de fevereiro de 1974, dia de minha matrícula, é assinado pela professora Lenir da Silva Possídio, à época Secretária do Colégio e esposa do Dr. Pompílio Possídio Coelho, médico, político – foi prefeito de Curaçá – e professor.

Ambos foram meus mestres, grandes mestres, inesquecíveis mestres, sábios mestres.

Já se vão, por aí, mais de 51 anos.

Conseguintemente, como disse no começo, devo interrogar-me:

O que moveu a conspícua, insigne e dileta professora Grace Kelly Evangelista, que nunca me viu na vida, lembrar-se deste insignificante cronista das caatingas de Patamuté?

Concluo, dentro de minhas pobres e limitadas conjecturas, que se trata tão-somente de consideração, que só as grandes figuras humanas são capazes de cultivar, muito rara nos dias de agora.

A professora Grace Kelly tem raízes fincadas na Coordenação Pedagógica do Colégio Municipal Professor Ivo Braga, estudou na UPE e na UNEB, o que, convenhamos, é uma baita qualificação profissional que lhe dá esteios para sustentar seu mister na educação de Curaçá.

A deferência e lembrança da professora Kelly são inestimáveis, difíceis de esquecer.

Filha de Luís Vieira dos Santos, meu contemporâneo no Ivo Braga que, aliás, lhe deu a base e a educação para que ela afastasse os tropeços do caminho e prosseguisse em busca da alvorada que certamente sonhou e alcançou.

Inobstante os devaneios distorcidos de nossa sociedade e os chutes que levamos nesses tempos de incompreensão generalizada, o mundo ainda vale a pena.

araujo-costa@uol.com.br

Violência policial entristece Curaçá

Assassinato de estudante de Curaçá exige resposta imediata do Governo do Estado e consequente punição exemplar dos autores do crime.

Em 05/09/2025, durante abordagem policial na sede do município, Caíque dos Santos Ferreira, estudante do ensino médio, foi barbaramente atingido por disparos de arma de fogo acionados por policiais militares. O rapaz faleceu.

Consta que o estudante voltava do trabalho e, no momento da abordagem policial, empurrava uma motocicleta, em razão de falta de gasolina. Não portava arma e, em ação desproporcional à situação, os militares o atingiram mortalmente.

Em quadro assim, razoável presumir que os agentes da Polícia Militar agiram com truculência e demonstraram falta de preparo para defender a sociedade.

Tudo leva a crer que os agentes policiais foram imprudentes. A situação agasalha este tipo de conclusão, de maneira que a ação policial beira à negligência no exercício da função.

Consta, ainda, que o estudante ostentava bons antecedentes e não tinha passagem pela polícia, o que reforça a presunção de que os policiais se portaram com absoluto despreparo.   

São crescentes os casos de vítimas de violência policial em todo o País e a Bahia lidera um rankink sombrio neste particular.

“A cada dia a Polícia Militar da Bahia mata, em média, cinco pessoas. Hoje, o estado tem a maior taxa de letalidade policial do Brasil em números absolutos. Só em 2024, foram 1.557 pessoas assassinadas pela polícia baiana” (Intercept Brasil, 01/07/2025).

A sociedade curaçaense reagiu e protestou, com razão, de modo que a cobrança às autoridades deve continuar, diuturnamente, através dos meios ainda possíveis, hoje, por enquanto: a voz e a indignação.

Em 08/09/2025, a Câmara de Vereadores endereçou ofício ao Secretário de Segurança Pública do Estado exigindo apuração do caso e, parece, quer acompanhar o desfecho das apurações, o que é salutar.

Em 20/08/2009, outra estudante de Curaçá – Adinair Oliveira da Silva – foi atingida por tiro disparado por um policial militar durante abordagem desastrada ao veículo em que a estudante estava, uma van escolar, na estrada que liga Curaçá a Juazeiro.

Difícil entender como um policial militar, presumivelmente treinado,  consegue explicar ter disparado arma de fogo contra um veículo que transportava estudantes.

Salvo engano, o policial alegou “tiro acidental”, o que demonstra total imperícia e ausência de preparo para lidar em defesa da sociedade.

Os dois episódios de Curaçá sinalizam que a Polícia Militar da Bahia precisa treinar melhor seus agentes.

A sociedade não pode servir de anteparo para ações desastrosas de agentes públicos despreparados.

araujo-costa@uol.com.br  

O STF não pode ser uma confraria de carrascos

Fachada do Supremo Tribunal Federal/Gil Ferreira/SCO/STF, 25/06/2009

São risíveis comentários que se vê nas redes sociais sobre o voto extremamente técnico (e não político) proferido pelo ministro Luiz Fux, em 10/09/2025, no julgamento da chamada “trama golpista” ou “tentativa de golpe”.

Muitos desses comentários provêm de pessoas que desconhecem a razão de ser do Poder Judiciário, o que não as impedem de, democraticamente, expressar suas opiniões e seus pensamentos, dizer o que pensam.

Muitos comentam por paixões políticas, impulsionadas por opção ideológica e visível desconhecimento do que sejam fundamentos e embasamentos legais num julgamento.

Isto é ruim, porque afasta a capacidade de ponderar, rejeita o bom senso e dificulta o entendimento da situação do País, que está espremido por questões político-partidárias e interesses quiçá inconfessáveis.

Urge desanuviar as mentes atrofiadas pela ignorância e destravar a capacidade de enxergar a realidade como ela é e não como a vemos distorcidamente e ao saber de nossos desejos, nem sempre consentâneos com a convivência política civilizada.

O ministro Fux é juiz de carreira que compõe o Supremo Tribunal Federal.

O que significa isto?

Significa que Luix Fux é magistrado experiente, de fato e de direito, tem características e qualificações fundadas na Ciência Jurídica.

Significa que estudou tecnicismos jurídicos, fez concurso e foi aprovado com base em provas e títulos como manda a Constituição da República.

Noutras palavras, o ministro Fux conhece o Direito.

Independentemente de ser admirador de Lula ou de Bolsonaro, nada acrescenta a ninguém, sair por aí, vomitando aleivosias contra este ou aquele magistrado, simplesmente porque votou a favor de quem o internauta é contra, não torce ou não admira.

O Supremo Tribunal Federal não pode ser uma confraria de carrascos que somente prioriza punições e queda-se, alheio, ao que diz o ordenamento jurídico nacional, que prevê garantias fundamentais, tais como a presunção de inocência e o direito de ampla defesa.

Por óbvio, o tribunal  é formado de pessoas que têm as mesmas fraquezas humanas e, por consequência, cometem erros, contradições, equívocos e injustiças e até, às vezes, vingança e perseguição.   

Por isto, o tribunal é um colegiado, uma reunião de propósitos para fazer Justiça. Nem todos os integrantes pensam igual, nem todos são obrigados a concordar com seus pares.

Isto é elementar, incontrastável, inegável, extremamente óbvio.

Por isto, existem os recursos que devem ser interpostos por quem perde ou se entende prejudicado.

Por isto, existe o direito de discordar, de recorrer, de espernear. É o que se chama no meio jurídico de jus sperniandi.

Por isto, que a Constituição – que deve ser cumprida e não espezinhada como está sendo nos dias de agora – assegura o amplo direito de defesa a todos, indistintamente.

No mais, há a convicção de cada magistrado, há o preparo intelectual de cada um, a decência de cada um, a índole de cada um, a irrepreensibilidade de caráter de cada um, a seriedade de cada um.

Julgar não significa simplesmente condenar.

Julgar significa fazer Justiça, lídima e justa, mesmo se precisar condenar.

Isto vale para os fanáticos de Lula da Silva, vale para os fanáticos de Jair Bolsonaro, vale para todos nós, vale para os hipócritas de toda ordem.

araujo-costa@uol.com.br