Babaquice jornalística

Jornalista Eliane Cantanhêde/Reprodução facebook

A jornalista Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews e espécie de porta-voz dos ministros do Supremo Tribunal Federal – é sempre ela a portadora dos recadinhos de ministros da Corte – disse, em comentário no Programa Em Pauta de 21/05/2025, que não gosta de seus colegas jornalistas da direita envolvidos com polêmicas com o STF.

A jornalista foi claríssima, idiotamente explícita: liberdade de pensamento e de expressão vale para algumas situações e não vale para outras.

Uma babaquice incomensurável, sinônimo de jornalismo indecente e tendencioso, ou seja, o avesso do bom jornalismo.

A retro aludida militante esquerdista relativiza o direito constitucional ínsito nos artigos 5º, inciso IV e artigo 220, da Constituição da República.

Convenhamos:

Se ela gosta ou não de colegas de direita, isto não tem nenhuma importância, não é fato relevante e sua insignificância ideológica não interessa aos brasileiros.

D. Eliane Cantanhêde deve, então, continuar admirando, de joelhos, as atrocidades e o espezinhamento da cidadania que se vê no dia a dia do Poder Judiciário.

Os demais jornalistas, que não são militantes políticos e têm o dever de dizer a verdade, seguem o caminho da decência e da ética jornalística.

Há esperança no Brasil, apesar de D. Eliane Cantanhêde.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá e a entrevista de Anselmo Vital

“Ver bem não é ver tudo. É ver o que os outros não vêem.” (José Américo de Almeida, romancista paraibano, 1887-1980)

Os gregos associavam o verdadeiro saber ao conhecimento da causa, de modo que é preciso conhecer a causa com profundidade para apreender a essência das coisas.

Assisti, com bastante atenção, a recente entrevista que Anselmo Vital, conspícuo filho de Patamuté e, portanto, curaçaense de boa cepa,  concedeu ao Curaçá Oficial, esta louvável iniciativa que está acontecendo no município de Curaçá.

Em foto de 2022, Anselmo Vital. Igreja de Patamuté, Curaçá-BA/Reprodução facebook

A entrevista foi enriquecida e bem conduzida pela experiente jornalista Alinne Torres, uma das gratas surpresas do bom jornalismo da região.

O entrevistado demonstrou conhecimento amplo, não só sobre a realidade do extenso município de Curaçá, mas relativamente a outros municípios e regiões, demonstrando particularidades com impressionantes detalhes e amparando-se em dados estatisticamente comprovados.

Confesso, que vivendo distante de Curaçá, desconhecia a profusão de meios que o município dispõe e deles pode se valer para impulsionar seu desenvolvimento.

Anselmo os demonstrou e, mais do que isto, apontou caminhos de como o município pode se tornar um verdadeiro polo de desenvolvimento sanfranciscano.  

Anselmo Vital foi didático e apontou algumas de suas muitas ideias que, a partir da gestão municipal, podem ancorar melhorias substanciais para a população curaçaense.

Anima-me, sobretudo, a preocupação que Anselmo demonstrou ter com os jovens. Eles, de fato, são o esteio e a esperança de todos nós nesta difícil encruzilhada do tempo.    

Bem articulado, Anselmo Vital construiu liderança respeitável e reconhecida ao longo de anos dedicada à causa daqueles setores sociais que sempre estiveram à margem das decisões de governo, dentro e além dos limites do município de Curaçá.

A política partidária lhe garantiu visibilidade e lastro robusto para desenvolver seu trabalho permanente voltado precipuamente ao município de Curaçá.

A luta de Anselmo Vital em defesa daqueles que não têm voz e nunca tiveram voz é valiosa e sempre será valiosa.

No mais, a entrevista é bastantemente recomendável àqueles que ainda dela não tiveram conhecimento.   

araujo-costa@uol.com.br 

Três Poderes: Bagunça e promiscuidade institucional.

Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo

É inegável que a promiscuidade institucional tomou conta do Brasil à semelhança de uma metástase.

O Poder Executivo titubeia e tem dificuldade de governar, imerso em escândalos. Se faz alguma coisa, a exemplo de previsão e remanejamento de verbas públicas para cumprir programas de governo, precisa esconder-se  atrás de decretos que impõem sigilo a suas ações e continua patinando sobre decisões equivocadas.

O Poder Legislativo está de joelhos dizendo amém às incursões inoportunas do Supremo Tribunal Federal, mormente decisões dos ministros lulistas que lá estão encastelados e se acham donos do Brasil.

Palácio do Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo

Surgem ali e acolá vozes virulentas de parlamentares, sem contudo, ostentarem qualquer resultado prático que beneficie a vida dos brasileiros.

A explicação é simples: os parlamentares não têm envergadura moral para enfrentar institucionalmente o Supremo Tribunal Federal, porque é o STF que processa e julga senadores e deputados federais.

Muitos parlamentares têm rabo de palha, porque estão envolvidos em falcatruas e, por consequência, são passíveis de cair nas garras do STF, mais cedo ou tarde.

Então, pra que mexer em casa de marimbondos?

Por outro lado, o Senado Federal, que tem a atribuição constitucional de apreciar e julgar pedidos de impeachment contra ministros do STF, não consegue dar prosseguimento a tais pedidos, porque são esses mesmos ministros que processam e julgam os senadores da República.

“Uma mão lavra a outra” e dane-se a seriedade. Danem-se os direitos dos brasileiros.   

A rigor, é o Poder Judiciário que está delineando o governo do Brasil, ancorado em escancarado ativismo político que lhe afastou o dever precípuo de guardião da Constituição.

Palácio do Supremo Tribunal Federal, sede do Poder Judiciário

Não é razoável dizer, nesta quadra do tempo, que os ministros do STF respeitam a Constituição da República. Eles a distorcem, reinterpretam, mudam entendimentos deles próprios, afagam membros da esquerda, que os enaltecem e espezinham integrantes da direita, que os reprimem e detestam, de tal forma que a segurança jurídica está comprometida e, mais do que isto, ameaçada.  

O STF compõe-se de ministros vaidosos, vingativos, ávidos por holofotes, ativistas políticos.  

O Executivo se apequenou e finge que governa, infestado de radicais que se ocupam de acusar adversários políticos e não de colocarem o Brasil nos trilhos da decência e do desenvolvimento.   

O atual presidente da República conta com uma bancada no Supremo Tribunal Federal para chamar de sua, de modo que Lula da Silva obedece sinalizações do Judiciário e segue tapeando a sociedade com seus discursos frequentes e demagogos, que seus súditos adoram e aplaudem.

Não podem ser levadas a sério autoridades que censuram, coíbem a liberdade de pensamento e de expressão, fulcros da democracia, e ainda persistem em normalizar a censura e o tolhimento das liberdades públicas.

É o que está acontecendo, desgraçadamente. Contudo, essas autoridades espalhafatosas alardeiam que são democratas e toda barbaridade que fazem – dizem – é em defesa da democracia.

É um acinte à inteligência dos brasileiros dizer que censurar, prender sem o devido processo legal, bloquear redes sociais e calar órgãos de imprensa é democrático.

No Brasil de hoje, é perigoso dizer a verdade, mesmo estribado na lei, na ordem e nos preceitos constitucionais.  

“A lei, ora a lei”, dizia o sábio.

A imprensa está abarrotada de noticiário dando conta de que ministros do STF estão fazendo política, o que é gritantemente proibido pela Constituição Federal.

É constrangedor ver ministro do STF fazendo discurso político em evento estudantil e outro sugerindo nomes para composição de chapa partidária em seu Estado de origem e a favor de seu grupo político.

Isto lhes reduz a credibilidade e diminui o respeito que a sociedade deve ter em suas instituições nacionais e, sobretudo, empurra o Brasil para a mediocridade institucional.

Estamos diante de uma bagunça e promiscuidade institucional em que mandam os interesses financeiros e políticos.  

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, memória da infância: professora Graziela.

À direita, professora Graziela. Ao lado, sua cunhada Silvina/Arquivo Dorinha Souza, sem data.

Todos nós temos lembranças da infância, da juventude ingênua, dos primeiros anos, do despertar para a vida.

Tenho muitas, embora esparsas, às vezes opacas, em razão do caminho percorrido. 

O tempo apagou algumas, a memória deixou escapar outras, os tropeços do caminhar deixou outras tantas pela estrada.

O sofrimento, as angústias e as incertezas do caminho se encarregaram de firmar muitas dessas lembranças, transformando-as em saudade.     

Como parte dessas lembranças, guardo, com carinho, o nome da primeira professora: Graziela Ferreira da Silva (09/06/1930-30/07/2011). Não somente o nome, mas a presença inapagável de sua vida correta, prestativa, admirável.

As datas de nascimento e morte de Graziela me foram passadas generosamente por sua sobrinha Dorinha Souza, a quem recorri há algum tempo, porque não tive o cuidado de guardá-las, em razão de desleixo, falta de atenção, ingratidão.

Difícil entender o tempo, a vida, a morte. Difícil entender o adeus das boas pessoas, para sempre.

Dorinha Souza é filha do também professor Theófilo Ferreira que, a exemplo de Graziela, dedicou parte de sua vida ao ensino e abrir caminhos para o andar da juventude.

Graziela Ferreira da Silva foi professora primária na Fazenda Bom Jardim, nos domínios do distrito curaçaense de Patamuté.

Ensinou-me a ler, escrever, formar as primeiras palavras escritas, engendrar frases, conhecer os primeiros livros de leitura.

Assim Graziela fez com muitos de minha geração.

Como esquecê-la, ensinando-me a escrever meu nome, caligrafia firme, segura, exemplar?

Como esquecer a paciência, o sorriso puro, o cuidado, o respeito com seus alunos?

Como esquecer a preocupação, o coração generoso, a merenda que ela me dava, muitas vezes de sua cozinha, em razão da precariedade do lugar e da dificuldade de acesso à alimentação diária e necessária, que minha mãe nem sempre tinha?    

A escola da Fazenda Bom Jardim era mantida sob a responsabilidade de um senhor sonhador, que vislumbrava o futuro promissor para as crianças pobres do sertão naquela quadra do tempo: Antonio Ferreira Dantas Paixão, comerciante e político.

A vida de Antonio Paixão merece um livro de reconhecimento por tudo que fez em benefício daquela gente de Patamuté e arredores.

Devo-lhe gratidão e tenho saudade. Ele e Graziela foram sustentáculos dos sonhos de toda uma geração.

Faziam do ensino o esteio para que todos nós vislumbrássemos um mundo diferente daquele em que vivíamos.

Alguns conseguiram, outros não.

Eu ainda vivo a peregrinar por caminhos ásperos e difíceis, mas necessários. Seguir adiante é preciso, inobstante os tropeços da idade septuagenária.  

Em São Paulo, colhi numa folha de papel que guardo comigo, a assinatura de Graziela, já na velhice, beirando os oitenta anos, mãos trêmulas e caneta titubeante entre os dedos.

Isto se deu em maio de 2009. Confesso que me emocionei ao lembrar seus ensinamentos, acomodando o lápis em minha mão, para dali nascerem as primeiras palavras escritas.

Tempo de infância na Fazenda Bom Jardim, tempo dos primeiros sonhos, tempo de idade tenra em busca de amparo.

Assim como a vida dá alegria e tristeza, também mostra razões para refletir, abandonar a arrogância, recolher-se à pequenez, ajoelhar-se diante da humildade e, algumas vezes, chorar. 

Graziela mudou-se para São Paulo e por aqui viveu algumas décadas, sempre rodeadas de parentes e amigos. Os mais próximos carinhosamente a chamavam Dadá.

Um dos maiores e inexplicáveis vazios que senti na vida, até aqui, aconteceu no dia do seu enterro em Vila Formosa, em São Paulo. Uma sensação de terrível desamparo.

Parecia que sua despedida em direção ao túmulo estava arrancando alguma coisa de mim, mas deixando o que de mais precioso ela me passou naqueles dias de infância: o conhecimento, a gratidão e o gosto pelo estudo.   

araujo-costa@uol.com.br

Cisternas do Nordeste e sinais de maracutaia

Ministro Wellington Dias/Fábio Rodrigues, Agência Brasil

Há um programa de combate à seca no Nordeste baseado na distribuição de cisternas para famílias do meio rural.

O programa é capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

O ministro titular da pasta – todos sabem – é Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí.

Wellington Dias é aquele esperto senhor lulopetista que, para acabar com a fome, começou por sua casa e arranjou um emprego vitalício de conselheira para a mulher Rejane Ribeiro Souza Dias, no Tribunal de Contas do Piauí, com salário aproximado de R$ 40 mil por mês, mais mordomias e penduricalhos que elevam o salário às nuvens.

O emprego de Sua Excelência, repita-se, é para sempre, até se aposentar.

Mas vamos ao assunto das cisternas.

O programa de combate à seca destinou R$ 755,8 milhões para viabilização de cisternas.   

Desse valor, 85% – cerca de R$ 640,1 milhões – foram destinados a uma Organização Não Governamental (ONG) de filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

A ONG chama-se Associação Um Milhão de Cisternas para o Semiárido que, por sua vez, subcontrata outras  entidades dirigidas por petistas, para instalar os reservatórios de água nas pequenas fazendas e sítios espalhados pelo Nordeste.

Mais do que isto: repasses do programa – 9 milhões – foram destinados a entidades dirigidas por ex-assessores petistas do ministro Wellington Dias.

A ONG COOTAPI, do Piauí, que recebeu R$ 9 milhões, é dirigida por assessor com cargo comissionado de Rafael Fonteles (PT), atual governador do Estado, sucessor e aliado de Wellington Dias.  

O jornal O Globo identificou 37 ONGs comandadas por petistas que foram subcontratadas por R$ 152 milhões para o combate a seca através das cisternas.

Por enquanto, sabe-se que a bagunça está espalhada pelo Ceará, Pernambuco e Bahia, por exemplo.

Na Bahia, feudo petista comandado pelo governador que entende de valas e retroescavadeiras e nada de segurança pública, R$ 3,4 milhões foram destinados a uma entidade de nome Instituto de Formação Cidadã, com sede em Guanambi e igual valor para a ONG Centro de Agroecologia do Semiárido, de Manoel Vitorino, todas dirigidas por petistas.

Como se diz no Nordeste, “além da queda, coice”.

Como se não bastasse o assalto aos aposentados do INSS – milhares no Nordeste – o nordestino pobre e carente ainda passa por situações esquisitas como essa das cisternas, de transparência duvidosa, no mínimo.

Entretanto, quero crer que se trata tão somente de mera coincidência que todo esse dinheiro público seja derramado somente em entidades dirigidas por petistas.

O ministro Wellington Dias, certamente sensato, além de esperto, deve explicação à população do Nordeste sobre essa fumaça esquisita que sai do seu Ministério e das ONGs petistas.  

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Deslumbramento e soberania do Brasil à deriva.

Janja/Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Tirantes o constrangimento criado na China pela primeira-dama do Brasil e sua deslumbrada insignificância, o episódio serve para reforçar que o papel da primeira-dama, qualquer que seja ela, em qualquer governo, nada tem a ver com funções de Governo e de Estado.  

Logo, a primeira-dama não deve se imiscuir em assuntos oficiais tratados entre o Brasil e os demais países. A função é restrita ao presidente da República que é chefe de Governo e de Estado.

O respeitável corpo diplomático brasileiro, por sua vez, faz a atribuição que lhe compete, consoante o estilo e regras do Itamaraty.

Quebrar protocolo em eventos oficiais é reprovável e constrangedor, mormente em visita a países amigos, na casa do anfitrião. Foi o que Janja fez estabanadamente e ofuscou a visita do presidente Lula à China.

De tão bizarro e fora de esquadro o episódio protagonizado na China pela primeira-dama Janja, que a equipe de Lula da Silva se sentiu constrangida e o presidente chinês e sua mulher deram um chega pra lá na deslumbrada mulher do presidente.   

D. Janja precisa ler, para aprender a se comportar, sobre a grandeza e a  conduta das primeiras damas Sarah Kubitscheck (esposa de Juscelino Kubitscheck), Eloá Quadros (esposa de Jânio Quadros), Ruth Cardoso (esposa de Fernando Henrique Cardoso), dentre outras.

Se as indevidas interferências da primeira dama continuarem em assuntos oficiais, das duas, uma: ou presidente Lula da Silva não manda mais em seu cambaleante governo, ou o seu redor virou uma esculhambação, o que não chega a ser nenhuma novidade.  

Entretanto, o que é mais constrangedor é o presidente Lula da Silva pedir ao presidente chinês para enviar uma pessoa de confiança ao Brasil com o objetivo de interferir no controle das redes sociais em território brasileiro.

Por onde anda a soberania do Brasil?

araujo-costa@uol.com.br  

Estas Palavras Rimadas de Laudney Mioli

A boa companhia de Palavras Rimadas, de Laudney Mioli

O conspícuo Laudney Mioli, paulista do simpático município de Adolfo, lançou recentemente, Palavras Rimadas, novo livro de sua abalizada autoria.

O livro tem a lavra da Editora LUX e prefácio, também abalizado, de   Darci Fonseca. O jornalista Edmilson Zanetti enriquece-o com palavras de saudade do passado da cidade de Adolfo.

Como se vê, Laudney está bem acompanhado. Aliás, esta é uma de suas façanhas: sempre se acercou de boas companhias.

No mais, como tudo que Laudney se propõe a fazer, o livro é admirável.

Desejo a Laudney constante êxito no ofício de escritor.

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Retrato e sombra do tempo: José Januário, político de Chorrochó

“A morte é uma sombra que não cobre o sol da vida.” (José Sarney, ex-presidente da República e membro da Academia Brasileira de Letras.

José Januário da Silva/arquivo pessoal do autor

José Januário da Silva exerceu a atividade política durante muitos anos no município de Chorrochó.

Sua trincheira de trabalho e luta política era a Fazenda Estreito, nos limites do município de Curaçá, à margem do Riacho da Várzea, lá para as bandas de Patamuté.

Homem de poucos amigos, mas de amizades sólidas, mantinha estilo sério, respeitador e alinhava-se às estruturas de educação e modo de vida do sertão.

Em Chorrochó, seu amigo de sempre foi o líder Dorotheu Pacheco de Menezes, de quem era aliado politicamente. Outro amigo era Agatão Pires Belfort, parente distante e por quem tinha admirável consideração.

Em Curaçá, tinha predileção por Durval Santos Torres (Durval Gato), amizade que vinha dos tempos em que Chorrochó pertencia àquele município.

Em Patamuté, centenário distrito de Curaçá, seu amigo mais presente era o cunhado, comerciante e também político Antonio Ferreira Dantas Paixão com quem discutia política e amenidades.

A caatinga foi o cenário, o horizonte e, sobretudo, a base de apoio de José Januário. Nascido no limiar do século XX, nunca se afastou do lugar e lá construiu seu caráter e sua história de vida.

Culto, autodidata, ético, inteligente, escrevia bem, texto escorreito e portador de conhecimento amplo sobre a vida e as coisas da vida.

Desdobrando o emaranhado do tempo, lembro José Januário como referência de honestidade e honradez, incapaz de produzir qualquer mau exemplo que se estendesse à juventude de então.

Já morando em São Paulo, dele recebi algumas cartas, filosóficas e orientadoras cartas, quando ainda se escreviam cartas e o correio era uma expectativa para quem estava distante de sua terra.

José Januário exerceu a vereança em Chorrochó, mas os registros de sua passagem pela Câmara Municipal são tenros, escassos, opacos, praticamente inexistentes, como, de resto, são os registros de todos que passaram pela Edilidade .

Os governantes de Chorrochó sempre foram negligentes com a História do lugar, de modo que resta a esperança de que as novas gerações que se vinculam à cultura local se interessem por restabelecer o passado que o município construiu dignamente.

Foram contemporâneos de José Januário na atividade política, dentre outros, além de Dorotheu Pacheco de Menezes e José Calazans Bezerra (Josiel): Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal Almeida Lima, Oscar Araújo Costa,  Lucas Alventino, José Claudionor de Menezes (Nonô), Vivaldo Cardoso de Menezes, Ariçon Gomes de Souza, Aurélio Alves de Barros, Sebastião Pereira da Silva (Baião) e Boaventura Manoel dos Santos.

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Governo Lula é “bastantemente avacalhante”    

Odorico Paraguaçu, caricato prefeito da agitada Sucupira, se vivo fosse, certamente seria aliado a Lula da Silva e aos seus súditos mais próximos.

Assim como em Sucupira, adeptos, fanáticos e ingênuos, acreditam piamente nalguma coisa, mesmo que seja em político corrupto e suas lorotas.

Vão aqui alguns exemplos da confusão instalada no gangrenado governo petista.

Relativamente ao furto dos aposentados e pensionista do INSS, o governo se apressou em dizer que a estrutura dos descontos ilegais deu-se em 2019 no governo Bolsonaro.

Não está-se dizendo o contrário, tampouco duvidando disto.

Contudo, ocorre que a maracutaia se avantajou neste terceiro governo Lula da Silva, quando o ministro da Previdência Social (Carlos Lupi-PDT), o ministro do Trabalho (Luiz Marinho-PT), amigo pessoal de Lula e a direção do INSS, antros do esquema corrupto, foram indicados e nomeados no governo de Lula, dentre pessoas de sua confiança ou de confiança dos ministros das respectivas pastas.

Há até uma instituição envolvida no escândalo em que dela é dirigente Frei Chico, irmão de Lula, o que não significa, por enquanto, que ele seja culpado.

Se a instituição de Frei Chico participou do assalto aos aposentados, pouco importa se a estrutura vem ou não do governo Bolsonaro.

Se houver provas, a instituição tem de ser punida, independentemente de o assalto aos aposentados ter sido estruturado no governo de Bolsonaro ou de Lula.

O enviesado dessa história do caos lulopetista vai além.

O governo petista diz que o problema começou no governo Bolsonaro. Então, por que o governo Lula é contrário à formação e instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional, para investigar o caso?

A espevitada ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais e o deputado Lindberg Farias, líder do PT na Câmara, dentre outras lideranças arraigadamente lulistas, estão em franca campanha para impedir a CPMI. 

Dentre essas outras lideranças contrárias à CPMI, inclui-se o senador sem noção Randolfe Rodrigues (PT), do Amapá, líder do governo no Congresso Nacional, aquele senador que fala muito e nada diz.

Por outro lado, o governo lulopetista está sinalizando o reembolso dos descontos em favor dos aposentados e pensionistas, mas com dinheiro público.

Acho que minha inteligência não alcança a honesta intenção de Lula da Silva. Como se sabe, Lula é honesto, honestíssimo.

Senão, vejamos:

Sindicatos e associações pilantras credenciadas pelo Ministério do Trabalho, em conluio com dirigentes do INSS, usurparam o bolso dos pobres e Lula pretende devolver tal dinheiro surrupiado com recursos públicos, por óbvio, provenientes de impostos que esses mesmos pobres pagaram e/ou ainda pagam.

Pergunta-se, então: qual o destino do dinheiro que as associações e sindicatos afanaram dos aposentados e pensionistas?

Então, o governo não está devolvendo o dinheiro furtado, mas simplesmente penalizando ainda mais o bolso dos pobres surrupiados, ou seja, devolvendo com o próprio dinheiro dos brasileiros.

A ministra Simone Tebet – a mesma que dizia que o maior escândalo de corrupção da história deu-se no governo Lula e hoje pede a bênção ao mesmo Lula – assegurou que o dinheiro público é uma saída para cobrir o rombo do assalto aos aposentados e pensionistas.

De outro turno, Rui Costa (PT), ministro-chefe da Casa Civil, entrou em rota de colisão com o ministro da Controladoria Geral da União (CGU) e sinalizou que  investigar o assalto aos aposentados não é tão importante assim.

Rui Costa disse que o papel da Controladoria Geral da União “é impedir o crime” e não “apurar o crime” (O Globo, 08/05/2025).

Então, que se dê à CGU atribuições legais para investigar. O que não pode é criticá-la porque se dispõe a investigar.

Como se vê, o governo Lula é “bastantemente avacalhante”.

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Waldir Pires e a decência em fazer política

Waldir Pires/Foto: André Dusek

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), adepto da antidemocracia da retroescavadeira, não perderia tempo algum se procurasse ler sobre Waldir Pires, um de seus predecessores no governo da Bahia.

A leitura sobre grandes homens públicos sempre nos conduz aos bons exemplos.

Sensato, culto, educado, nobre, digno, inteligente e, sobretudo democrata, não se conhece na história da vida política de Waldir Pires uma só palavra ofensiva aos baianos e, por extensão, aos brasileiros.     

Duas qualidades inquestionáveis de Waldir, dentre muitas: a combatividade e a retidão de caráter. Homem de convicções admiráveis defendia arraigadamente o ideário que sempre sonhou para o Brasil.

Era viciado em democracia e extremamente ético.

Waldir Pires disputou a eleição de 1986 para o governo da Bahia, tendo como adversário principal o jurista e professor de direito constitucional Josaphat Marinho, este apoiado pelo poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM), líder político inconteste na época.

Waldir ganhou a eleição, beneficiado pelo alvoroço democrático. O que veio depois é outra longa história.

Na década de 1950, aos 24 anos de idade, Waldir Pires foi secretário do governo Régis Pacheco e, mais tarde, deputado estadual, deputado federal e Consultor Geral da República na presidência de João Goulart.

Essa primeira fase de sua atuação política anterior ao movimento de 1964 foi auspiciosa, rica, valiosa.

Antes, Waldir havia disputado e perdido as eleições de 1962 ao governo da Bahia para o dentista e ex-prefeito de Jequié, Antonio Lomanto Júnior (1924-2015).

Com a queda do presidente João Goulart, Waldir e seu amigo Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil do governo Jango, fugiram num avião monomotor para o Uruguai. Lá ele viveu alguns anos e depois se exilou na França.

Com a anistia, terminou a amargura e voltou ao Brasil. Na França, foi professor na Universidade de Dijon e depois na Universidade de Paris.

No pós-exílio, além de governador da Bahia e parlamentar, Waldir foi ministro da Previdência, ministro do Controle e da Transparência e ministro da Defesa.

Nascido em Acajutiba, passou a infância em Amargosa e mudou-se para Salvador. Daí, Waldir saiu para o mundo da grandeza democrática.

O despontar para o amanhecer político – dizia ele – se deu em Nazaré das Farinhas. 

Sua história de luta e coragem é um exemplo para aqueles que desejam um Brasil melhor para todos.

Considerado de centro-direita, mas sempre aliado à esquerda democrática, Waldir era estratégico e ostentava brilhante capacidade de costurar alianças. Era avesso a rompimentos.  

Calar adversários certamente nunca esteve no horizonte de Waldir, tampouco arranhar os princípios da democracia. Respeitava dignamente os adversários políticos.

Mas a memória de Waldir já dava sinais de cansaço, embora lúcido, ativo, atento às coisas do Brasil. Sua combatividade, entretanto, vinha perdendo o vigor desde 2016, término do mandato de vereador de Salvador.

A esposa D. Yolanda Avena Pires, com quem viveu 55 anos e foi sua companheira de vitórias e infortúnios, faleceu em 2005. Mas Waldir continuou lutando em defesa de suas convicções democráticas.

Em 1986, seu amigo de exílio e da vida, Darcy Ribeiro escreveu: “Waldir tem panca e ideologia de estadista. Seu propósito é, nada menos, do que passar o Brasil a limpo”.

Waldir Pires recolheu-se à sua última trincheira, o mundo da velhice. A derradeira e altiva batalha que travou.

Waldir faleceu na madrugada de 22/06/2018. Deixou um legado de esperança e combatividade em favor do Brasil. Exemplo para todas as gerações.

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