Despreparado, governador da Bahia pode tropeçar na impopularidade.

Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta.” (Ruy Barbosa, 1849-1923).

Governador Jerônimo Rodrigues (PT). Crédito: Mateus Pereira/Jornal Grande Bahia

Jerônimo Rodrigues (PT) sugeriu acabar com os brasileiros contrários ao PT e ainda indicou a forma de como fazer: jogá-los  em valas com o uso de retroescavadeira.

Sua Excelência deve ter se espelhado nas sangrentas ditaduras que o PT admira.

Exemplo: em Cuba, o comunista Fidel Castro, que era amigo de Lula da Silva – chegou almoçar na casa do petista, na Rua São João, em São Bernardo do Campo – fazia o fuzilamento de adversários encostados em paredes conhecido como “paredón”.

A história registra que, pelo menos 9 mil cubanos, foram executados nessa circunstância.

Na Bahia de hoje, o governador dos baianos recomenda valas.

Não importa o procedimento, se fuzilamento ou valas. Nenhum deles pode acontecer.

Difícil aquilatar se é a ideia que é abominável ou o governador da Bahia.  

Considerando o descalabro, a crueldade da afirmação ou a ingenuidade política do governador, não resta dúvida de que ele alcançará a impopularidade.

O radicalismo ofusca a razão, deturpa o raciocínio e apequena o radical que, por si só, é pequeno.  

A Bahia – ou parte dela – está envergonhada.

A Bahia, que teve como governadores, respeitáveis homens públicos da envergadura de J.J.Seabra, Landulfo Alves, Otávio Mangabeira, Antonio Balbino, Régis Pacheco, Juracy Magalhães, Antonio Carlos Magalhães e Waldir Pires, dentre outros, nunca passou por tamanha agressão aos seus valores democráticos.    

A Bahia é nobre demais para ser assim espancada e espezinhada.

araujo-costa@uol.com.br

A Bahia e o radicalismo do governador

Em primeiro plano, governador Jerônimo Rodrigues (PT). Crédito Joa Souza/GOVBA

Em discurso estúpido, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) sugeriu que o ex-presidente Bolsonaro e todos seus eleitores sejam jogados na vala, utilizando, para isto, retroescavadeiras.

Inobstante governador do Estado, Sua Excelência não sabe que a Bahia e o Brasil são de todos nós, independentemente da escolha política de cada um.

Esta ignorância política apequena-o como homem público.

A democracia pressupõe conviver com os contrários e absorver os antagonismos, civilizadamente, o que não parece ser o pensamento do governador baiano.

As palavras do governador são raivosas e destrambelhadas e beiram o descalabro ideológico. São incompatíveis com a decência do cargo de governador, que tem o dever precípuo de respeitar todos os estaduanos.

Ei-las, conforme reproduzidas por diversos órgãos de imprensa:

“Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele, e quem votou nele podia pagar também a conta. Fazia no pacote. Bota numa enxedeira…Sabe o que é um enxedeira? Uma retroescavadeira. Bota e leva todo mundo pra vala.”, (Correio, 04/05/2025).

Os eleitores de Bolsonaro não podem pagar pelos erros do ex-presidente, assim como os eleitores de Jerônimo Rodrigues não devem ser responsabilizados pelos erros do governador.

O discurso tem a inequívoca evidência de desviar a atenção da população sobre o escândalo dos respiradores protagonizado pelo então governador petista Rui Costa, chefe do boquirroto Jerônimo Rodrigues, que pagou cerca de R$ 48 milhões para uma empresa fajuta, não recebeu os respiradores e nem o dinheiro de volta, caso que ainda está sob investigação.

A falta de respiradores e o consequente dinheiro surrupiado também não contribuiram para mortes de nordestinos durante a pandemia?

Dinheiro público, que o petista Rui Costa não teve a cautela de zelar por ele, na condição de presidente do Consórcio Nordeste, espécie de palanque político dos governadores da Região.

O governador Jerônimo Rodrigues estava indo bem, mas tende a cair no despenhadeiro do desgaste político. Certamente aprendeu com seu guru Lula da Silva, que inventou a polarização “nós e eles” e deu no que deu: semeou a discórdia entre os brasileiros e dessa insanidade política nasceu a chamada polarização, que atravanca o debate político.

Não parece pugnar pela seriedade, o governante que se ancora em avantajado rabo de palha que seu grupo político ostenta, para acusar adversários considerados inimigos e sair por aí, irresponsavelmente, ofendendo cidadãos que exerceram o direito democrático de fazer, através das urnas, a escolha que melhor lhes convém.    

Jerônimo Rodrigues quer manter a Bahia na condição de feudo petista a todo custo, inclusive ofendendo quem não votou no PT.

Governar significa, sobretudo, ter preparo para enfrentar o emaranhado de ideias que a democracia produz.

A Bahia é de todos, governador. E não somente dos petistas. Se o governador não tiver condições de compreender isto e tampouco entender que governa para todos os baianos – bolsonaristas e lulopetisas – a situação é grave.

O radicalismo leva somente à incompreensão e à imbecilidade política. Mais do que isto: prejudica a população.

araujo-costa@uol.com.br      

Conversa do envelhecer: Elias, Helda e a saudade

Foto do casamento de Helda e Elias, Santo André-SP, 02/06/1979

Já se vão, por aí, algumas décadas.

Na década de 1970 havia uma pensão na Rua Brás Cubas, centro de Santo André, coração do ABC paulista.

A pensão não existe mais. O progresso imobiliário extirpou-a do local, mas não conseguiu extirpar as lembranças e a saudade dos amigos de antanho.

A pensão abrigava rapazes, geralmente estudantes e alguns senhores circunspectos, que ainda cavavam o esperançar da vida.

Morei lá, vivi lá, aprendi muitas coisas lá. Dessas coisas, pratiquei umas, abandonei outras e tenho dúvidas se acertei ou errei ao não ter seguido outras tantas.

O ambiente era central e acolhedor, vizinho à bela e histórica catedral diocesana de Nossa Senhora do Carmo, perto de tudo e inserido nos acontecimentos da fervilhante região do ABC.

Na catedral está enterrado D. Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da diocese de Santo André.

Como é praxe nesses ambientes de juventude, ali nasceram amizades, sedimentaram-se experiências, dissolveram-se arrogâncias e, mais do que isso, aprendiam-se modos de viver.

Aliás, toda pensão e seus quartos têm modus vivendi, regras sociais sadias criadas por seus ocupantes.

Toda pensão é um simulacro de nossa sociedade, às vezes conturbada, outros vezes tranquila, quase sempre incompreensível, mas aceitável.

Lembro um amigo pernambucano, Elias Pedro dos Santos.

Convivemos lá na pensão, inquietos, barulhentos, combativos. Ele já professor de uma respeitável instituição paulista; eu ainda estudante, sem nenhuma âncora profissional, impaciente com as incertezas da vida.

Elias é um sujeito que cultiva as amizades, preocupa-se com elas e, sobretudo, não as abandona. É intransigente na defesa de seus amigos.

Quase quatro décadas depois, Elias me localizou em São Bernardo do Campo e honrou-me com a sua visita.

Senti-me vaidoso, rejuvenescido. Como nos tempos de pensão. Elias continua inquieto, buliçoso, bem-humorado.

Mas a passagem do tempo lhe trouxe uma marca: os cabelos homogeneamente brancos, tingidos pelo tempo. Marca que, além da experiência, significa fidelidade aos seus princípios de berço pernambucano e nordestino. 

O escritor Mario Prata adotou uma teoria um tanto lógica e curiosa: o período da “envelhescência”. Diz ele que essa fase da vida se situa entre a maturidade e a velhice, vai dos 45 aos 65 anos.

Sendo assim, nela já me incluí, faz tempo. É a preparação para a velhice, aduz o escritor, assim como depois da infância segue-se a adolescência, que é a porta de entrada da maturidade.

Então, creio, a “envelhescência” traz reflexão e inquietude. Inevitável olhar para trás e perceber o diluir de muitas esperanças, até mesmo as idealizadas em quartos de pensão.

Inevitável antever o futuro e observar o pouco tempo que resta para a realização dos sonhos que ainda pretendemos alcançar. A construção desses sonhos claudica diante da exiguidade do tempo. O horizonte se distancia, mas a coragem persiste. Os sonhos também.

Mas o certo é que na “envelhescência” adquirimos envergadura para não aceitar mais algumas coisas. Por exemplo, que pessoas empoleiradas no poder nos empurrem goela abaixo coisas que elas se acham no direito de fazer. Os governantes gostam muito disto. Adoram empurrar imbecilidades em nossos orifícios.

Naquele tempo da pensão de Santo André lutávamos por um Brasil melhor. Hoje os momentos de reflexão insistem em dizer que fracassamos politicamente.

A única certeza é que valeu a pena a sequência dos tropeços e a poeira que sacudimos ao caminhar em direção aos nossos sonhos.

Em Santo André, naquela quadra do tempo, Elias conheceu Helda e com ela se casou.

A foto que ilustra e encima esta crônica é do casamento de Elias com Helda em 02/06/1979.

Helda faleceu em 20/03/2025. Estamos todos tristes.   

araujo costa@uol.com.br

Governo Lula: promiscuidade e coincidências

O Diretor da Polícia Federal foi chefe da segurança pessoal de Lula da Silva, seu amigo e homem de estreita confiança do presidente, o que se afigura louvável e não há nenhuma crítica sobre isto.

Neste mundo conturbado é bom ter amigos. Eles nos ajudam a clarear o caminho, desanuviar as dúvidas, serenar os passos, tranquilizar os momentos de angústia.

A Polícia Federal não pode repassar nenhum tipo de informação referente a investigações em andamento, nem mesmo ao presidente da República e ao ministro da Justiça, que é chefe da PF, porque isto é vedado pela lei processual penal e Lei 12.850/2013 que cuida do combate às organizações criminosas.

Entretanto, logo após a imprensa noticiar que Frei Chico, irmão de Lula, é dirigente de uma das associações que furtaram cruelmente aposentados e pensionistas, o Diretor da PF se apressou a dizer, em entrevista, que o irmão do presidente não está sendo investigado.

A imprensa não disse que Frei Chico está sendo investigado, mas que é dirigente de uma das instituições investigadas. São coisas diferentes. Portanto, o esclarecimento do Diretor da PF foi inoportuno, apressado e desnecessário. Como se vê, parece descambar para o viés político.  

O douto, conspícuo, ínclito e respeitado Ricardo Lewandowiski, ministro da Justiça de Lula da Silva, é pai do advogado Enrique de Abreu Lewandowiski que, já no decorrer das investigações da fraude no INSS, foi contratado pelo Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap), uma das associações investigadas, ao custo de R$ 50 mil por mês, a título de honorários advocatícios.

O contrato prevê atuação do advogado “junto ao próprio INSS e a outros órgãos do governo.” (O Globo, 29/04/2025)

Ricardo Lewandowiski é ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal que está investigando a instituição que contratou o advogado. Logo, afigura-se imoral e coincidência demais o filho do ministro prestar serviços jurídicos para a investigada. Entretanto, a rigor, não há impedimento legal.

Carlos Lupi, ministro da Previdência Social, que cuida do INSS e, portanto, demonstrou ser negligente e incompetente, continua impoluto no cargo de ministro porque, segundo o comentarista Gerson Camarotti, da LulaNews, melhor, GloboNews, Lula resiste em demiti-lo porque Lupi é dirigente do PDT, partido que faz parte da base do governo petista.

Em quadro assim, não precisa ser inteligente para captar que, se a razão for esta, Lula não está preocupado com os aposentados e pensionistas furtados, mas com a sustentação do seu gangrenado governo.

Contudo, a expectativa é a de que mais cedo ou tarde, Carlos Lupi deixará o governo. Difícil pensar de modo diverso.

Um agente da Polícia Federal, instituição que cabe investigar as associações e sindicatos envolvidos no escândalo do INSS, foi pego pela própria PF com 200 mil dólares, o que equivale a R$ 1,1 milhão.

Coincidência: câmeras flagraram tal agente em conversa e andanças com o presidente do INSS envolvido na falcatrua e exonerado do cargo a mando de Lula da Silva.

“O agente da PF facilitou trânsito de suspeitos do INSS. Ele aparece em imagens com pessoas suspeitas de envolvimento no esquema.” (UOL, 02/05/2025).

Muita promiscuidade e coincidências no reino de Lula da Silva.

Crueldade: assalto aos aposentados

Sede da Previdência Social em Brasília. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

O assalto aos aposentados do INSS supera R$ 6,3 bilhões, pelo que se tem notícia até agora.

Asociações e sindicatos picaretas saquearam milhões de aposentados, em conluio com agentes públicos corruptos que se locupletaram com o mísero dinheiro dos aposentados e pensionistas.

É o Ministério do Trabalho e Emprego  que concede o credenciamento a essas instituições fajutas.

O atual titular da pasta é o petista Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e amigo pessoal de Lula da Silva.

O ministro da Previdência Social, epicentro do escândalo, é Carlos Lupi (PDT), que ocupou a pasta do Trabalho no governo de Dona Dilma Rousseff e de lá saiu arrostando uma saraivada de acusações de corrupção.

Como se vê, ambos fazem parte do engendramento lulopetista, mas quero crer que não foram eles que inventaram o assalto aos aposentados, que vem de longe, mas nada fizeram para estancar a maracutaia.

Os picaretas serão punidos?

É possível que não. Inevitavelmente os processos cairão, algum dia, no Supremo Tribunal Federal (STF).

No STF, a “bancada” de Lula da Silva no tribunal certamente encontrará justificativas legais para anular os processos ou, no mérito, absolver os formalmente acusados – se de fato forem acusados – assim  como vem fazendo com políticos e magnatas amigos do poder, processados e condenados pela Lava Jato.  

Por certo, a farra continuará indefinidamente. E os brasileiros em completo desamparo, enquanto nossas instituições não se tornarem sérias e respeitáveis.

Entretanto, não se vislumbra no horizonte deste altaneiro Brasil, nenhuma esperança de que as instituições nacionais venham alcançar o pedestal da moralidade.

araujo-costa@uol.com.br   

Os fantasmas do ministro Rui Costa

Ministro Rui Costa, da Casa Civil da Presidência da República/Crédito: UOL

O Tribunal de Contas da União é integrado por nove ministros, seis indicados pelo Congresso Nacional (Câmara e Senado) e três indicados pelo Presidente da República.

A indicação, por óbvio, recai sobre uma elite de políticos, geralmente ex-parlamentares solidamente apadrinhados por poderosos. Não há novidade nisto, nunca houve.

O TCU é órgão auxiliar do Congresso Nacional e de controle externo da União. Fiscaliza a gestão de recursos públicos e tem atribuição constitucional para julgar contas.

Contudo, estão aí as emendas parlamentares tão propaladas. Só depois do escândalo sobre tais emendas, o TCU se dispôs a fazer auditoria para fiscalizar a execução.   

Rui Costa,  ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil de Lula da Silva, ainda está às voltas com os fantasmas dos respiradores que, na condição de presidente do Consórcio Nordeste, comprou, pagou e não recebeu os equipamentos.

Prejuízo aos cofres públicos: R$ 48,7 milhões na ocasião.

Todavia, o TCU já disse que Rui Costa não tem nenhum responsabilidade sobre a maracutaia e, portanto, não se fala mais nisto.  

“O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, por maioria, arquivar o processo que investigava a responsabilidade do ministro Rui Costa, da Casa Civil, na compra de 300 ventiladores pulmonares durante o auge da pandemia de Covid-19, em 2020. O caso envolveu o pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões à empresa Hempcare, que não entregou os equipamentos” (Gazeta do Povo, 24/04/2025).

Entretanto, a Polícia Federal continua investigando.

“Segundo a PF, o dinheiro público bancou gastos particulares, como a compra de carros e o pagamento de faturas de cartão de crédito.

A investigação revela indícios robustos de um esquema de desvio de recursos. Em um intervalo de apenas um mês (8 de abril a 20 de maio de 2020), a empresa Hempcare esvaziou suas contas, transferindo integralmente os R$ 48,7 milhões recebidos do Consórcio Nordeste para diversas pessoas e empresas sem qualquer ligação com a compra de ventiladores.” (UOL, 28/04/2025).

Como se vê, o dinheiro público foi para o ralo, o TCU inocentou os responsáveis pelo negócio nebuloso e tudo continua como dantes: a população sendo continuamente assaltada.

“Na semana passada, o plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu inocentar o então secretário-executivo do consórcio, Carlos Gabas, que emitiu os empenhos para o pagamento antecipado. A decisão contrariou parecer da área técnica, que apontou uma série de irregularidades na contratação e recomendou a aplicação de multa” (UOL, 28/04/2025).

O curioso é que os técnicos do TCU apontaram as irregularidades mas, ainda assim, o plenário, cujos membros são indicados pelo presidente da República (1/3) e pelo Congresso Nacional (2/3), inocentou os responsáveis pela compra.

Dos nove ministros do TCU, cinco passaram pelo Congresso Nacional na condição de parlamentares: Vital do Rego (PB), Augusto Nardes (RS), Aroldo Cedraz (BA), Antonio Anastasia (MG) e Jonathan de Jesus (RR).

Tudo muito mal explicado, desde a contratação dos equipamentos. A empresa Hempcare cuidava, à época, de produtos derivados de maconha, segundo fartamente noticiado pela imprensa. Logo, nada a ver com respiradores.

Qualquer estagiário de quaisquer departamentos de compras não faria o negócio, mas o experiente Rui Costa fez e pagou. E não recebeu.

Embora inocentado, o ministro Rui Costa continuará convivendo politicamente com os fantasmas dos respiradores.

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Arapuca de irmão de Lula da Silva arrecadou 77,1 milhões em 2024

Frei Chico/Crédito: Brasil 247

José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, é vice-presidente da associação denominada SINDNAPI.

Frei Chico, comunista histórico do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e referência do sindicalismo paulista, é irmão de Lula da Silva. Muito conhecido em São Paulo e no ABC paulista no meio político e fora dele.

Em 1968, frei Chico – que não é frei e nem Francisco, mas José – introduziu o irmão Lula da Silva no sindicalismo, em São Bernardo do Campo. À época Lula da Silva trabalhava na empresa Villares.

Confesso que sempre considerei o Frei Chico um sujeito de boa índole, inobstante os escândalos nos quais o irmão famoso foi envolvido. Não havia sinais de “sacanagem” em sua vida. Até agora e até prova em contrário.  

Segundo a imprensa noticiou, em 2024 esse sindicato arrecadou R$ 77,1 milhões dos aposentados, pensionistas e idosos em presumível conluio com o petista presidente do INSS.

Tão evidente e inegável a falcatrua que o presidente Lula da Silva mandou demitir o presidente do INSS e com ele escafederam-se outros da cúpula do órgão.

Consta que a entidade do irmão de Lula da Silva fez “Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, o que permitia o desconto em folha dos beneficiários do órgão. Em muitos casos, a liberação era fraudada.” (IstoÉ, 23/04/2025).

“O sindicato do qual o irmão de Lula é dirigente está entre os suspensos pela CGU de forma administrativa e pode responder criminalmente pelas fraudes. Em 2024, o sindicato dele recebeu, aproximadamente, R$ 77,1 milhões em contribuições” (Portal R7, 23/04/2025).

A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) estão investigando a arapuca do irmão de Lula da Silva por fraude no INSS. Não somente ela, mas outras dez, pelo que se sabe até agora.

Localizado na Rua do Carmo, centro histórico da capital de São Paulo, a associação de Frei Chico tem o pomposo nome de Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI).

A instituição declara ser “formada majoritariamente por ex-dirigentes de sindicatos de trabalhadores com mais de 25 anos de atuação no movimento sindical brasileiro”(IstoÉ, 23/04/2025).

Então, tá.

Observe-se que os aposentados e idosos lesados com esses descontos ilegais contribuíram, enquanto trabalhavam, para entidades sindicais até alcançarem a inatividade.

Em quadro assim, é difícil entender como esses picaretas, que sugaram os trabalhadores durante toda a vida de sindicalistas, conseguem convencer aposentados, pensionistas e idosos, muitos já em idade avançada e no fim da vida, que eles ainda precisam de sindicato.

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Censura e desrespeito à advocacia

Fachada da sede nacional da OAB/Raul Spinassé/CFOAB

Nesta quadra estranha pela qual o Brasil passa, oportuno o conhecido texto do pastor luterano alemão Martin Niemöller (1892–1984):

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Em 22/04/2025, o Supremo Tribunal Federal proibiu que advogados presentes e profissionais da imprensa usassem os telefones na dependência da Corte durante sessão de julgamento.

Mais do que isto e pior do que isto: o STF determinou que os aparelhos fossem lacrados, impedindo-os de serem utilizados.

Em nota, a presidência do Conselho Federal da  OAB disse que “recebeu com surpresa e irresignação” a medida do STF e  lembrou  que “o uso de aparelhos para gravação de áudio e vídeo em sessões públicas é amparado por lei e constitui prerrogativa da advocacia, não podendo ser restringido sem fundamento legal claro e específico”.

Claríssima a censura prévia. Gritante o desrespeito ao exercício da advocacia. Evidente o espezinhamento de prerrogativas e, por extensão, do amplo direito de defesa previsto na Constituição da República.

A nobreza da advocacia não pode ficar de joelhos diante dessas ilegalidades.

O silêncio de alguns, hoje, quanto aos ataques a direitos básicos, pode significar, amanhã, o aniquilamento do direito de todos.    

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Ministro Barroso, um dos donos do Brasil, passeia nas asas da FAB

Ministro Luís Roberto Barroso, do STF/Nelson Júnior/SCO/STF

Com o pretexto de participar de um congresso na paradisíaca Trancoso, sul da Bahia, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) requisitou um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) e, com a namorada, foi curtir as belezas e encantos de nossa querida Bahia.

Viva a Bahia! Sempre a Bahia!

É razoável explicar que o presidente do STF tem direito de requisitar aviões da FAB, desde que para utilizá-lo em viagens oficiais, o que evidentemente não é o caso.

Primeiro ponto a ponderar:

Tratava-se de um congresso financiado por empresas que, segundo a imprensa disse exaustivamente, têm processos tramitando no mesmo STF que o ministro Barroso preside, dentre as quais o Banco Itaú, Ambev, Tim, etc, além de grandes escritórios de advocacia.

Logo, não era evento oficial.

Segundo ponto a ponderar:

O congresso realizou-se entre os dias 7 e 9 de abril no Club Med Trancoso, mas Sua Excelência, que não é de ferro,  antecipou a viagem para dia 4, uma sexta-feira, em avião da FAB à custa de todos nós, contribuintes de caros impostos.

Do aeroporto de Porto Seguro, na sexta-feira, Sua Excelência o ministro Barroso foi direto para um  hotel cinco estrelas em frente à praia de Trancoso, com diárias a partir de R$ 3 mil.

Consta, ainda, que dia 7 o avião da FAB “decolou de um aeroporto particular localizado em um condomínio de luxo de Trancoso”, levando Barroso e sua namorada ao Rio de Janeiro, segundo o Portal Metrópole.  

Que beleza! Quanta beleza!

A propósito, vale lembrar um voo em 07/01/2024, durante o recesso do Poder Judiciário, sem registro na agenda oficial, que o ministro Barroso fez Miami/Boa Vista/Brasília, utilizando avião da FAB a um custo de R$ 114 mil (Revista Oeste, 07/02/2025).

Como se vê, o uso adoidado do dinheiro público está indo às nuvens.

A ética recomenda que magistrados não devem participar de eventos pagos por quem tem ações tramitando nos órgãos judiciários dos quais tais magistrados pertencem.

Mas o que é a ética quando se trata de um dos donos do Brasil?

Fonte:

Coluna de Igor Gadelha, Portal Metrópole, 16/04/2025.

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Lembranças da Semana Santa em Chorrochó

É na Quinta-Feira Santa ou de Endoenças que, segundo a tradição católica, comemora-se a última ceia de Jesus e lembra-se a traição por Judas Iscariotes e a mais famosa prisão da história do cristianismo. É também o dia do lava-pés.

É o início do chamado Tríduo Pascal.

Naquele tempo já existia corrupto. Apóstolo de Cristo, Judas o traiu por trinta moedas de prata e o entregou aos inimigos.

Nas localidades do interior do Brasil esta data ainda é muito significativa para os católicos, embora nos dias de hoje a fé ande um pouco claudicante e espancada pelas agruras do mundo moderno.

Em Chorrochó, no interior da Bahia, era costume pessoas passarem até altas horas da noite no belo templo construído em 1885 pelo beato Antonio Conselheiro, “o homem que calçava sandálias de pastor e a túnica de azulão que lhe caía sobre o corpo e lembrava o hábito desses missionários que, de quando em quando visitavam os povoados do sertão batizando multidões de crianças e casando amancebados”, conforme disse Mário Vargas Llosa, in A guerra do fim do mundo.

Frequentei nalgum tempo essa tradição em Chorrochó, levado à Igreja, por D. Nilinha (Professora Josepha Alventina de Menezes) que oferecia café, biscoitos e, às vezes, os refrigerantes Fratelli Vita e Grapette, que hoje não mais existem.  

Lembro um episódio interessante. A crônica se sustenta no cotidiano e, em muitos casos, nas alegrias e bons momentos da vida.

Quinta-Feira Santa. O padre Ulisses Conceição, vigário da Paróquia, presidia uma solenidade na Igreja de Senhor do Bonfim.

Estava presente o professor Francisco Lamartine de Menezes, muito querido e admirado por todos em Chorrochó. Jeito impecável, passos firmes, parecia membro de uma aristocracia qualquer.

Igreja cheia, ato religioso demorado (as solenidades presididas pelo padre Ulisses Conceição eram assim, demoradas).

O padre Conceição contrito, voz potente, palavras escandidas, fazia uma oração e pedia:

“Ajoelhemo-nos! Levantemo-nos!”

Os fiéis seguiam o gesto, ajoelhando e levantando, inúmeras vezes.

Em meio à multidão em silêncio, ouve-se a voz de Lamartine:

“E sentemo-nos, que já estamos muito cansados”.

José Eudes de Menezes (Iê), Fabrício Félix dos Santos (Bilicinho) e eu, que estávamos próximos a Lamartine, rimos muito.

Padre Conceição continuou impassível a cerimônia.

Lamartine era assim, espontâneo e espirituoso.

Grande Lamartine! Muita saudade dele.

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