A Bahia e o radicalismo do governador

Em primeiro plano, governador Jerônimo Rodrigues (PT). Crédito Joa Souza/GOVBA

Em discurso estúpido, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) sugeriu que o ex-presidente Bolsonaro e todos seus eleitores sejam jogados na vala, utilizando, para isto, retroescavadeiras.

Inobstante governador do Estado, Sua Excelência não sabe que a Bahia e o Brasil são de todos nós, independentemente da escolha política de cada um.

Esta ignorância política apequena-o como homem público.

A democracia pressupõe conviver com os contrários e absorver os antagonismos, civilizadamente, o que não parece ser o pensamento do governador baiano.

As palavras do governador são raivosas e destrambelhadas e beiram o descalabro ideológico. São incompatíveis com a decência do cargo de governador, que tem o dever precípuo de respeitar todos os estaduanos.

Ei-las, conforme reproduzidas por diversos órgãos de imprensa:

“Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele, e quem votou nele podia pagar também a conta. Fazia no pacote. Bota numa enxedeira…Sabe o que é um enxedeira? Uma retroescavadeira. Bota e leva todo mundo pra vala.”, (Correio, 04/05/2025).

Os eleitores de Bolsonaro não podem pagar pelos erros do ex-presidente, assim como os eleitores de Jerônimo Rodrigues não devem ser responsabilizados pelos erros do governador.

O discurso tem a inequívoca evidência de desviar a atenção da população sobre o escândalo dos respiradores protagonizado pelo então governador petista Rui Costa, chefe do boquirroto Jerônimo Rodrigues, que pagou cerca de R$ 48 milhões para uma empresa fajuta, não recebeu os respiradores e nem o dinheiro de volta, caso que ainda está sob investigação.

A falta de respiradores e o consequente dinheiro surrupiado também não contribuiram para mortes de nordestinos durante a pandemia?

Dinheiro público, que o petista Rui Costa não teve a cautela de zelar por ele, na condição de presidente do Consórcio Nordeste, espécie de palanque político dos governadores da Região.

O governador Jerônimo Rodrigues estava indo bem, mas tende a cair no despenhadeiro do desgaste político. Certamente aprendeu com seu guru Lula da Silva, que inventou a polarização “nós e eles” e deu no que deu: semeou a discórdia entre os brasileiros e dessa insanidade política nasceu a chamada polarização, que atravanca o debate político.

Não parece pugnar pela seriedade, o governante que se ancora em avantajado rabo de palha que seu grupo político ostenta, para acusar adversários considerados inimigos e sair por aí, irresponsavelmente, ofendendo cidadãos que exerceram o direito democrático de fazer, através das urnas, a escolha que melhor lhes convém.    

Jerônimo Rodrigues quer manter a Bahia na condição de feudo petista a todo custo, inclusive ofendendo quem não votou no PT.

Governar significa, sobretudo, ter preparo para enfrentar o emaranhado de ideias que a democracia produz.

A Bahia é de todos, governador. E não somente dos petistas. Se o governador não tiver condições de compreender isto e tampouco entender que governa para todos os baianos – bolsonaristas e lulopetisas – a situação é grave.

O radicalismo leva somente à incompreensão e à imbecilidade política. Mais do que isto: prejudica a população.

araujo-costa@uol.com.br      

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