Morte de Iracy faz lembrar bons exemplos

A família noticiou o falecimento de Iracy Gomes ocorrido em 15/06/2025.

O sepultamento estava previsto para às 9h de 16/06/2025 em Juazeiro.

Iracy Gomes, 1932-2025/Reprodução Arquivo Eliza Maria

Vão-se diminuindo partes das raízes da Fazenda Barra do Brejo.

Conheci Iracy na década de 1970, em Patamuté, quando ela ainda mantinha vínculos com a Fazenda Bom Jardim.

Ela morou algum tempo em Patamuté cuidando dos filhos com exemplar dedicação. Um deles, já falecido, foi meu aluno.

Textos às vezes se entrelaçam com lembranças e nos fragilizam muito, mas vale dizer que, para nós, que ainda ficamos por aqui, o que nos aflige é a despedida.

Iracy enfrentou algumas perdas, mas resistiu bravamente e continuou firme seu rumo e seu caminho.

Guardo a lembrança de Iracy sempre determinada, cuidadosa, atenciosa em relação à família, muito à frente de seu tempo.

Iracy deixa bons exemplos de vida e estrutura familiar.

Que Jesus lhe indique o caminho e Deus a ampare.

Deixo pêsames à ilustre família de Iracy.

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Desembargadora da Bahia é “punida” com aposentadoria

A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) agasalha uma das anomalias de nosso ordenamento jurídico que urge mudança, porquanto nela se contém um dos mais vergonhosos privilégios concedidos a magistrados, qual seja, a aposentadoria compulsória por desvio de conduta.

Para quem não está habituado com os meandros do nosso Poder Judiciário, essa distorção funciona assim:

Em regra, o juiz que não tem caráter irrepreensível e comete desvio de conduta – e se provado que cometeu – invés de ser punido com a perda do cargo e trancafiado no cárcere como os mortais comuns, Sua Excelência ganha um polpuda aposentadoria paga pelos brasileiros que recolhem impostos e vai para casa gozar das benesses, sem trabalhar, até o final da vida.

E quem se atrever a não o chamar de Excelência ainda corre o risco de levar uma carraspana.

Há exceções, indubitavelmente. Os casos gravíssimos e incontornáveis que não podem ser cobertos com o manto do corporativismo judicial.

Significa dizer que, do alto de sua intocabilidade, para o magistrado relapso, compensa o desrespeito à nobreza da toga.  

A desembargadora baiana foi submetida a processo administrativo disciplinar e foram apurados “indícios de que a magistrada integrava uma organização voltada à negociação e ao recebimento de vantagens financeiras indevidas, com o objetivo de proferir decisões e outros atos judiciais em benefício de partes”.

Noutras palavras: venda de sentença.

Antes, Sua Excelência já havia sido condenada pela prática de “rachadinha”, prática sobejamente conhecida nos meios políticos. A magistrada “exigia parte da remuneração de servidores nomeados em seu gabinete”.

Mais do que isto, a desembargadora permitiu cercar-se de um “gabinete paralelo”, onde eram “produzidas decisões judiciais com a orientação e a influência de terceiros sem vínculo formal com a estrutura do tribunal”.

Aliás, o Tribunal de Justiça da Bahia tem passado por constrangimentos tais envolvendo alguns de seus magistrados que envergonham  os bons juízes e arranham a decência da judicatura.

Consoante o Conselho Nacional de Justiça, “a magistrada violou os deveres de independência, imparcialidade e decoro, comprometendo a credibilidade do Judiciário”. 

O juiz relapso, que não respeita a nobreza da toga, espezinha a lei e se aposenta anos antes de atingir a idade limite para a aposentadoria legalmente prevista.

Em quadro assim, trabalhar pra quê?

Post scriptum:  

As expressões entre aspas são do Consultor Jurídico, 10/06/2025.

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Curaçá saneou suas finanças?

Dentre outros órgãos de imprensa, o jornal A Tarde, de Salvador, publicou em 20/01/2025: “Prefeito de Curaçá decreta estado de calamidade financeira.”

Estado de calamidade financeira pressupõe imediato corte de gastos, rigor na fiscalização do uso do dinheiro público, urgente enxugamento de despesas não essenciais, parcimônia administrativa e, sobretudo, saber priorizar as necessidades prementes da população.

É suposto que o afrouxamento dessas regras deságua na presunção de que as finanças foram saneadas de tal modo que não mais se justifica o estado de calamidade decretado em janeiro.

É o que a Prefeitura demonstra agora.

A administração que tomou posse em janeiro de 2025 disse à época que “além das dívidas consolidadas de aproximadamente R$ 153 milhões, existe ainda um dívida referente a folha de pagamento de grande parte dos servidores municipais do mês de dezembro de 2024, a diferença de gratificação e terço de férias dos profissionais da educação, no total de aproximadamente R$ 4 milhões” (A Tarde, 20/01/2025).

Em razão disto, ainda segundo o jornal, “a gestão resolveu não custear os festejos tradicionais dos distritos e comunidades de Curaçá, bem como as contratações de estruturas de palco, sonorização, iluminação e atrações artísticas para as festas locais.”      

Pressupondo, ainda, a existência do estado de penúria alardeado pela gestão empossada em janeiro de 2025, a decisão de não custear tais eventos foi acertada e louvável. Outra coisa não se poderia esperar da gestão, em benefício da população.

Passados pouco mais de 5 meses da decretação do estado de calamidade financeira e administrativa, pelo que se vê, Curaçá saneou suas finanças, o que não deixa de ser um atestado de robusta eficiência da gestão atual.

Salvo engano, a Prefeitura anunciou a contratação de, pelo menos, 10 atrações artísticas para a tradicional Festa dos Vaqueiros que se realizará entre os dias 04 e 06 de julho vindouro. Algumas dessas atrações são sabidamente caras.

Independentemente da importância cultural da Festa dos Vaqueiros, de sua condição de patrimônio imaterial da Bahia e seu reflexo positivo na economia local, parece precipitado admitir que Curaçá já esteja tão saneado financeiramente a ponto de suportar tais contratações, sem prejuízo de outras demandas urgentes da população.

Não se trata aqui de deslustrar a Festa dos Vaqueiros, símbolo curaçaense respeitável e inerente à História do município.

Ressalvada a hipótese de que a iniciativa privada venha patrocinar parte dessas atrações musicais e, em consequência, diluir os custos, o município deixou razoavelmente claro que suportará os gastos do evento ou, pelo menos, não circunstanciou de modo diverso.

Agride a lógica a desconformidade entre o estado de calamidade financeira alegado no início da gestão e a contratação, agora, dessas caras atrações artísticas.

Isto autoriza a entender que, ou a precariedade das finanças no final da gestão passada não era tão gritante que justificasse o exagero do decreto ou o prefeito se rendeu à falta de austeridade tão propalada por ele e aliados na campanha eleitoral e depois da posse.

Por aí se vê que, se a Prefeitura tiver condições de custear todas essas atrações anunciadas, não há outra conclusão senão a de que as finanças de Curaçá não têm mais problemas.

Significa que o prefeito está sinalizando que não haverá solução de continuidade no que concerne ao atendimento das necessidades da população, mormente nas áreas da saúde, educação, estradas e assistência às comunidades rurais. Ou seja, não faltarão recursos para seu mister à frente da Municipalidade. 

Se Curaçá, que depende basicamente de recursos oriundos de outras instâncias, conseguiu em tão pouco tempo resolver o problema de suas finanças, o prefeito precisa passar essa milagrosa receita para o correligionário Lula da Silva que está às voltas com a quebradeira do Brasil e tirando o sono de seu comportado ministro da Fazenda.

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Alguma coisa – ou muita coisa – está errada na Bahia

De acordo com farto noticiário na imprensa, um cidadão com histórico de condenação penal foi nomeado para ocupar cargo de Diretor na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (SEAP) com salário de R$ 11 mil.

A  Associação dos Agentes Socioeducadores e Monitores Penitenciários do Estado da Bahia classificou a nomeação como “um desrespeito inaceitável aos servidores da segurança pública” (Bahia Informa, 04/06/2025)

O caso parece superado porque, tendo em vista a repercussão negativa, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que anda muito preocupado com o chapéu de ACM Neto, anunciou que demitiu o servidor.

No Diário Oficial de 05/06/2025 consta que “a nomeação foi tornada sem efeito” (O Globo, Rio de Janeiro, 05/06/2025).

Aqui não se discute o mérito do nomeado, sua situação jurídica e tampouco se há impedimento técnico e legal para assumir o cargo de Diretor de uma secretaria de Estado.

A questão aqui é outra, bem simples:

O governador da Bahia e sua assessoria não analisam a indicação e o histórico dos servidores antes de nomeá-los?

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Sivaldo é nome de destaque no Acervo Curaçaense

Sivaldo Manoel da Silva/Arquivo Pessoal

A memória de Curaçá conta com bons nomes que a defendem, preservam e a projetam para o futuro.

Sivaldo Manoel da Silva é um deles. Agricultor, com sustentáculos na Fazenda Lagoa, lá cursou os primeiros anos da Educação Básica.

Estudou no simpático município pernambucano de Santa Maria da Boa Vista, frequentou o ensino médio no Colégio Estadual Manoel Novaes e foi aluno do tradicional Colégio Municipal Professor Ivo Braga, ambos na sede de Curaçá.

É técnico em agropecuária e cursa Licenciatura em Pedagogia na FAESP-Faculdade de Educação Superior de Pernambuco.

A vida profissional de Sivaldo Manoel da Silva começou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curaçá. Lá ocupou funções de liderança e exerceu, dentre outros, os cargos de secretário geral, secretário de finanças e presidente.

Na condição de assessor legislativo, coordenou programas direcionados à agricultura familiar na Secretaria Municipal de Agricultura Sustentável e Ações no Interior.

É, ainda, assessor legislativo no município de Curaçá.

Contudo, o que reluz, neste rica história de Sivaldo, é sua contribuição  ao Acervo Curaçaense que, segundo ele, “nasce na militância social exercida ainda no Sindicato dos Trabalhadores Rurais”.

E aqui vão alguns de seus méritos em prol da memória curaçaense que fazem lembrar vínculos de amizade com Luciano Lugori, vínculos construídos na Associação de Estudantes.

Interessante é essa espécie de confraria que os membros do Acervo Curaçaense têm com Luciano Lugori, seu fundador.

Em contato com este escrevinhador, Sivaldo conta que participou de eventos ao lado de Lugori, a exemplo do “Tributos a Renato Russo” e, parece, o que mais lhe enaltece é ter sido aluno do mestre Lugori no Colégio Estadual José Amâncio Filho.  

Sivaldo contribuiu com a “análise e desenvolvimento” na elaboração do Estatuto do Acervo Curaçaense.

“Mesmo sem formação técnica específica” – diz ele – “passei a valorizar e compreender o trabalho realizado pela instituição da qual atualmente sou o tesoureiro como uma semente que estamos plantando para as futuras gerações.”

É isto aí. Curaçá pode se orgulhar de seus filhos.

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Em tempo de censura, é proibido até desconfiar.

“A igualdade existe como direito e a desigualdade como realidade.” (Jornalista Luiz Alberto Bahia, 1923-2005)

Nem vou aqui falar da Constituição Federal, esta jovem senhora de 37 anos, nascida em 1988, que está sendo espancada quase diuturnamente, em nome da democracia.

Primeiro uma digressão necessária.

A ditadura militar (1964-1985) instituiu a censura ampla e geral, de modo que a expressão “a moral e os bons costumes” passou a ser o principal indicador para qualificar artistas e intelectuais como subversivos, perigosos e imorais, pretexto para censurar matérias jornalísticas, livros, peças teatrais, músicas e tudo mais que o regime entendia como subversivo. Ou seja, toda opinião contrária ao governo. Até reuniões, em certas circunstâncias, eram proibidas.

O mais doído era a censura de opinião, a imposição do silêncio, o tolhimento do direito de expressão.

O Decreto-lei 1077/1970 estabelecia que “não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes quaisquer que sejam os meios de comunicação”.

Dizia mais:” Caberá ao Ministério da Justiça, através do Departamento de Polícia Federal verificar, quando julgar necessário, antes da divulgação de livros e periódicos, a existência de matéria infringente da proibição”.

Era a censura prévia que volta a ameaçar nossas cabeças.

Segundo estimativa do jornalista Zuenir Ventura,  em 10 anos, entre dezembro de 1968 e dezembro de 1978, foram censurados “cerca de 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, dezenas de programas de rádio, 100 revistas, mais de 500 letras de músicas e uma dúzia de capítulos e sinopses de telenovelas”.

A vigilância era tanta que equipe de censores instalava-se na redação dos jornais e das revistas, para decidir o que poderia ou não ser publicado.

Jornais e/ou quaisquer veículos de informação eram obrigados a enviar com antecedência o que pretendiam publicar, submetendo o material à Divisão de Censura do Departamento de Polícia Federal, em Brasília.

Este um resumo pífio da situação da época que era escabrosa.

Agora, tempo de redes sociais, o governo petista do morubixaba Lula da Silva quer importar o cruel modelo de censura da ditadura chinesa para o Brasil. O Supremo Tribunal Federal, que não tem nada com isto – ou não deveria ter – parece disposto a contribuir para a instituição da censura no Brasil.  

O Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal – que tem o dever de legislar sobre o assunto, está de cócoras, inerte, à espera do pior.

Os parlamentares estão preocupados com seus bolsos, seus interesses, seus votos.

Em resumo, a intenção do cambaleante governo petista, encurralado pela baixa popularidade, é calar as críticas aos descalabros cometidos pelos agentes públicos, encobrir a corrupção, os malfeitos e coisas tais. Ou seja, proibir que a população exteriorize sua opinião sobre desvios cometidos por autoridades.

Tenho dó da juventude de hoje e das próximas gerações que serão amordaçados e proibidos do  direito de falar, de dizer, de criticar, que é próprio dos jovens.

Tenho dó dos desavisados de hoje, principalmente os cegos pela ideologia, que estão coniventes com a possível censura e com o tolhimento da liberdade de pensamento e de expressão e, inevitavelmente, serão também atingidos, mais cedo ou mais tade.

No Brasil de hoje, é proibido até desconfiar das autoridades.

Querem implantar a desigualdade de direitos na sociedade.

Quem tem poder fala o que quiser. Quem não tem poder, escuta.

No tempo da ditadura militar tínhamos o Poder Judiciário para recorrer. Hoje, nem isto temos.   

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Preservação da memória de Curaçá conta com o professor Ronie Von

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos.” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Professor Ronive Von Barros da Cunha Júnior/Arquivo pessoal

Um dos fracassos que arranha a memória dos pequenos municípios é o desinteresse no que tange à preservação do patrimônio cultural de suas populações.

Há exceções, por óbvio.

O município sanfranciscano de Curaçá, ao contrário, parece nunca ter-se distanciado de seus valores ínsitos na cultura local e isto vem acontecendo há décadas através do empenho de muitos de seus filhos. 

Em Curaçá, exemplificativamente, há o museu D. Telú, o lendário Teatro Raul Coelho, símbolo de nossa arte, além de permanentes e efervescentes movimentos culturais que remontam a décadas.

Há robusta legislação municipal que versa sobre os cuidados com o patrimônio artístico, cultural e histórico e isto afigura-se de grande valia para se formarem alicerces que sustentem esse esforço permanente através das gerações futuras.

Por oportuno, deixo uma referência ao político Rogério Bahia, honra e glória de Curaçá, que vem se destacando na defesa do município e não somente de seu patrimônio histórico. De estirpe tradicional, o vereador Rogério Bahia tem contribuído consideravelmente para a preservação da história do município.

Entretanto, en passant, lembro uma turma abnegada e, sobretudo dedicada, que integra a instituição Acervo Curaçaense: Luciano Lugori, Elieusina Rodrigues de Almeida, Sivaldo Manoel da Silva, Elias Fonseca Martins, Deize Eustália Nunes de Carvalho, Ronie Von Barros da Cunha Júnior e Jacqueline Lopes de Araújo.

Há de considerar neste particular, minhas limitações ao falar dessa turma que coloco no altar de minha admiração de que é exemplo Luciano Lugori de quem tenho escrito algumas coisas esparsas, embora distantes do seu monumental preparo intelectual.

É uma forma, quiçá uma pretensão descabida, de reverenciar pessoas que nobremente defendem o município de Curaçá, quaisquer que sejam a formação e campo de atuação de cada uma delas.

Ocupo-me, hoje, do professor Ronie Von Barros da Cunha Júnior, para tecer sobre ele algumas tenras observações e o mesmo farei, oportunamente, com os demais do Acervo Curaçaense.  

Com raízes fincadas na Fazenda Saco do Umbuzeiro, o professor Ronie Von concluiu o Ensino Fundamental na Escola Municipal Otaviano Matos no distrito de Patamuté.

Cursou os primeiros anos de Educação Básica na Escola Municipal Benigno Mendes da Silva na Fazenda Sítio do Alexandre nas cercanias de Patamuté.

É professor de História do Colégio Municipal Professor Ivo Braga. Lá exerceu a função de coordenador da Área de Ciências Humanas.

Fez Licenciatura em História, ingressou na área de Licenciatura em Pedagogia, especialização em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica, além de História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira.

Colabora com um grupo de desportistas de Patamuté visando a fortalecer práticas esportivas locais.

Na sede, vem contribuindo ativamente com a implementação de políticas públicas culturais e preservação do patrimônio cultural, material e imaterial do município. Atua na reconstrução do Conselho Municipal de Políticas Culturais com destaque no segmento Patrimônio e Memória e participa do Conselho Municipal de Patrimônio.

É conselheiro do Acervo Curaçaense. Contribuiu para aprovação de projetos culturais através da Política Nacional Aldir Blanc, dentre esses o curta-metragem Vozes Atikum, o documentário Memórias em VHS, Além do Óbvio, Quadrilheira e Sons de Feira.  

Em contato com o professor Ronie Von ele disse que o Acervo Curaçaense proporciona-lhe “uma conexão mais profunda com a cultura local, permitindo identificar e enfrentar obstáculos para a preservação cultural”, de tal modo que isto tem fortalecido sua “determnação em preservar e divulgar a cultura curaçaense”.

Questionado sobre seus objetivos, o professor Ronie Von sinalizou que pretende aprofundar a formação acadêmica, “cursar um mestrado, especializar-se em outras áreas do conhecimento e estabilizar-se profissionalmente”.

Em quadro assim, convenhamos, o jovem professor curaçaense parece disposto a seguir adiante com seus sonhos, valiosos sonhos. Tarefa ingente, mas própria dos sonhadores.

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Há esperança, apesar de Lula da Silva

Duas insanidades vociferadas por Lula da Silva arranham a decência política e o respeito à população.

Presidente Lula em Salgueiro-PE. Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Em Salgueiro, sertão de Pernambuco, Lula disse que não se pode votar em “qualquer tranqueira”. Discurso eleitoreiro e inoportuno, fora de tom e de época.

Com isto, Lula advertiu os próprios eleitores que votaram nele e reconheceu-se a si mesmo.

Em Cachoeira dos Índios, extremo oeste da Paraíba, Lula invocou em vão o nome de Deus, coisa que ele costuma fazer constantemente. Aliás, Lula não somente costuma invocar o nome de Deus como arrasta-o para justificar suas estripulias.  

Lula disse: “Deus deixou o sertão sem água porque ele sabia que eu ia ser presidente da República e que eu ia trazer água para cá”.

Beira à blasfêmia. Mais do que isto: narcisismo asqueroso, coisa de quem não tem o que dizer, senão inventar asnices.

Pior não foi Lula dizer essas asneiras. É próprio dele, não há novidade nisto. Sempre foi assim. Pior foi seus súditos aplaudirem, muitos deles pendurados nos cabides de emprego arranjados pelos políticos locais.

Entretanto, é preciso tolerar Lula da Silva. É nosso presidente, foi escolhido pela vontade soberana da maioria. Ele está definhando politicamente, cansado, frágil, adoentado, intolerante.

Mas há esperança que doravante despontem estadistas no horizonte político do Brasil e não demagogos. E que seja apagado este rastro de políticos vazios e embusteiros.

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Chorrochó: Expectativa de um novo livro de História

“A verdadeira juventude é uma qualidade que só se adquire com a idade” (Jean Cocteau, 1889-1963).

Chega-me da Bahia notícia alvissareira dando conta de que o Dr. Francisco Afonso de Menezes está escrevendo um novo livro, que vai se somar a outros de sua abalizada autoria.

Ainda – parece – está em fase de pesquisas e, neste particular, o Dr. Afonso é muito zeloso com o que escreve, mormente no que tange à fidelidade aos fatos.

Estou na expectativa, mas tenho que me contentar com a espera da publicação e torço para não demorar muito. Em idade septuagenária, já não tenho tanto tempo para esperar.

Francisco Afonso de Menezes é chorrochoense da gema. Mantém-se ligado ao município por simultâneos vínculos de família e tradição.

Dr. Afonso e a irmã Maria Rita da Luz Menezes em foto de 2015/Igreja de Senhor do Bonfim, de Chorrochó/Arquivo Thereza Menezes

Defensor intransigente da cultura de Chorrochó, Afonso tem sido vigilante no sentido de preservar as tradições da Paróquia de Senhor do Bonfim, embora tenha sido cauteloso no trato com o entendimento às vezes exaltado de pessoas que pensam de modo diverso. Quase sempre é contemporizador em benefício das tradições locais

Afonso é uma espécie de personal consultant de muitos. Confesso que aprendi bastante com ele em momentos em que era preciso saber lidar com os impulsos que me empurravam para o desconhecido.

É cria da pioneira Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), que lhe concedeu a graduação e o tecnicismo profissional que soube exercer com afinco e responsabilidade.

É estudioso dos assuntos de sua formação e profissional respeitado em seu meio de atuação. Ostenta considerável folha de serviços prestados ao desenvolvimento da agricultura moderna da região como grande conhecedor das ciências agrárias.

Começou sua vida profissional na então conceituada EMATER-BA, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Bahia, instituição que prestou, em sua área, valiosa e eficiente contribuição para a população do semiárido baiano.

Mas limito-me ao jovem Afonso que conheci em Chorrochó: afável, estudioso, inteligente, cortês, encantador. Tantos anos!

Na juventude, em Chorrochó, ele fazia parte de um vistoso quarteto: José Osório de Menezes, Francisco Ribeiro da Silva, Juracy Santana e ele próprio. A eles se somavam outros tantos, a exemplo de Antonio Geraldo Rodrigues de Menezes e Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes.

Eu não fazia parte dessa saudável confraria. Cingia-me à humilde rudez da caatinga de onde vim, espécie de bicho arredio na cidade.

Quase todos já se foram. Continuamos alguns poucos, saudosos e circunstantes, cônscios da efemeridade da vida, meditando, remoendo, ruminando as vicissitudes do existir.

Admiro algumas qualidades de Afonso, dentre essas o apego às tradições da terra natal, o arraigado interesse pela história do município e, sobretudo, a lealdade aos seus princípios.

Outra qualidade de Afonso é a aptidão para preservar amizades, dentro as quais me incluo, honrosamente, não obstante tropeços ao longo do caminho, que ele sempre soube entender e contornar. Mantenho-o amigo. Mantemo-nos amigos. É um amigo generoso, sábio, compreensivo, prudente.

Confesso que quase sempre lhe peço socorro, quando me encontro atabalhoado e às voltas com dúvidas sobre a história de nossa região. Ele tem sido prestativo.

Tenho me valido de sua experiência e paciência quando preciso escrever algumas de minhas baboseiras que uns poucos lêem e outros não se interessam e fazem muito bem.   

Quem lida com a História, embora não historiador, mas curioso, assim como eu, vive permanentemente cheio de dúvidas, porque os fatos devem ser retratados de acordo com a verdade e não adstrito à opinião de quem relata.

Afonso já se debruçou em tarefas ingentes com vistas ao enriquecimento da história de Chorrochó. Sobressaem-se dois livros: Memorial Cordeiro de MenezesHistória de Chorrochó, este em coautoria com a insigne professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes de quem sou renitente admirador.

Afonso é autor do Hino de Chorrochó e da Bandeira do município, relevantíssimos feitos que, por si sós, enriquecem e emolduram sua biografia de forma perene e contribuem valiosamente para a grandeza de Chorrochó.  

Afonso é também administrador de empresas. Extraí estas suas palavras do discurso de formatura: “A capacidade sonhadora é bem maior que as realidades existenciais e a força de identificar sonhos com a vida faz com que acreditemos que o amanhã será melhor”.

Trata-se de pensamento otimista, eloquente, estribado na esperança e na crença de horizontes promissores. É um bálsamo para a juventude, mesmo aquela que se tornou jovem com o envelhecimento, com o passar dos anos.

Deixei para o final, adredemente, a inclusão do título Doutor que omiti no texto e que Afonso dignamente ostenta: Dr. Francisco Afonso de Menezes.

A caminho da fase octogenária, que ainda demora algum tempo, Dr. Afonso e eu diremos, à semelhança de Tristão de Atayde: “Chegando aqui, que surpresa! Olhando para trás, que deserto!

E como iniciei este texto citando a frase de Jean Cocteau sobre a juventude e, presumindo que Afonso algum dia venha a se deparar com esta crônica, faço-lhe a pergunta, usando o linguajar de nosso tempo: continua jovem, bicho?

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A ministra Marina Silva merece respeito, todos merecemos respeito

Na CPI da Covid (quem lembra?), o cavernoso e arrogante senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, trucidou, grosseiramente, Nise Yamaguchi, renomada oncologista e infectologista do Hospital Albert Einstein, um dos mais respeitáveis do mundo.

Aliás, talvez a maior façanha de destaque que o senador Otto Alencar  tenha feito foi deixar a condição de lambe-botas do carlismo e assumir a mesma condição no lulopetismo, sem nenhum pudor.

A CPI da Covid se transformou numa espécie de patacoada montada por políticos hipócritas. Estavam lá as sumidades da honestidade nacional, a exemplo de Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Simone Tebet (MDB-MS), Otto Alencar (PSD-BA), et cetera .

Ninguém saiu em defesa da médica Nise Yamaguchi, que Otto Alencar espezinhou arrogantemente. Ilustre desconhecido nascido no município baiano de Ruy Barbosa, o senador Otto passou a ser conhecido nacionalmente em razão de suas intervenções grosseiras na CPI da Covid e sua falta de compustura ao tratar com pessoas educadas.  

Seus colegas senadores da CPI ajudaram a espezinhar a médica.

É estranho que, agora, Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, que ficaram silentes por ocasião dos ataques à medica Yamaguchi, tenham saído rapidamente de suas insignificâncias para defenderem a ministra Marina Silva, que passou recentemente por um perrengue danado na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.

Adivinha quem mais fortemente espinafrou a ministra Marina Silva?

O mesmo senador Omar Aziz que, ao lado de Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, trucidaram a médica Yamaguchi na CPI da Covid.

Participaram também do massacre político à ministra Marina Silva os senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), inegavelmente deselegantes.

Evidente que a ministra Marina Silva merece respeito e quanto a isto estamos todos de acordo. É uma questão de decência, civilidade, boas e recomendáveis regras de convivência social.

Mas, pergunta-se:

Por que a médica Nise Yamaguchi foi barbaramente humilhada na CPI da Covid e ninguém saiu em sua defesa e os mesmos senadores que a espezinharam, hoje saíram histericamente em defesa da ministra Marina Silva?

A profissional Nise Yamaguchi é menor que a ambientalista Marina Silva? a condição moral de uma é diferente da outra?

A resposta talvez seja esta: estamos diante de políticos pequenos e apequenados, desrespeitosos, medíocres e desprezíveis, quaisquer que sejam os lados que eles se abriguem.

Independentemente da posição política de cada um, todos merecemos respeito.

araujo-costa@uol.com.br