Andava eu por uma rua um tanto deserta, cantando O canto da ema e lembrando do maranhense João do Vale e do paraibano Jackson do Pandeiro, intérprete de Forró em Limoeiro e outros clássicos da cultura do Nordeste.
Tenho mania de falar sozinho em qualquer lugar. Acho até reprovável e feio. Mas, neste caso, não falava, cantava.
Os defensores do “politicamente correto” dificultam nossa vida. Convém ficar cauteloso e, mais do que isto, esperto. Evita cair em qualquer esparrela.
Quando eu cantava a parte de O canto da ema que diz “vem morena, vem morena me beijar”, uma moça morena vinha em sentido contrário, equilibrando-se entre um perigo e outro da calçada e resolveu falar comigo.
Imaginei que tivesse caído nas malhas do “politicamente correto” e ela ia me acusar de atrevido, saliente e outras coisas mais, por causa do “vem morena, vem morena me beijar”.
Afinal, não fica bem a um velho septuagenário, feio e de cabelos brancos, sair andando por aí pedindo beijos de morena. Além de inconveniente, chega a ser ridículo e reprovável.
Mas não é o meu caso. Não me separo do meu semancol.
Hoje, no tempo do “politicamente correto”, até dizer bom dia para desconhecido chega a ser perigoso. Não se deve mais elogiar ninguém, mesmo conhecido. Daí pode surgir uma mal interpretação. Não é bom ser educado nos dias de hoje.
Todavia, a moça era muito educada e parou simplesmente para dizer: “Meu pai gostava muito desta música!”. E continuou o caminho dela e eu o meu.
Nada fiquei sabendo do pai dela, que presumo nordestino, nem me interessei saber.
Pórtico da Gruta de Patamuté, em Curaçá – Bahia/Crédito Frei Valdevan Correia
A Gruta de Patamuté começou a despontar como referência religiosa em 1903, quando, segundo João Mattos, “um erudito pregador e missionário católico, monsenhor Pedro Cavalcante Rocha, achou-a tão bela que nela terminou a Santa Missão que pregava em Patamuté”.
O cruzeiro do interior da Gruta foi colocado por esse dedicado missionário, como se ali estivesse fincando os primeiros andaimes para alicerçar a construção da fé em Patamuté.
Mais tarde, ainda segundo relato de João Mattos, “em 1905, o padre Manuel Félix de Moura, então vigário da freguesia, transferiu sua residência para a Gruta e nela implantou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus”.
Foi o padre Manuel Félix que entronizou a imagem no altar da Gruta oferecida pelos habitantes de Patamuté e, sabe-se, iniciou as romarias ao Sagrado Coração de Jesus, que perduram até nossos dias.
Mas não se pode falar sobre os festejos da Gruta de Patamuté sem associá-los ao núcleo do distrito por inteiro, base da história local e ponto de apoio para as romarias que se realizam há mais de um século, mormente em primeiro de novembro, precedidas de alvorada, cantos e de muita alegria em louvor ao Sagrado Coração de Jesus.
O coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), cujos restos mortais estão enterrados na Igreja de Patamuté, teve contribuição importante na construção da história religiosa do lugar.
Com os auspícios do coronel Galdino deram-se os primeiros passos para a construção da Igreja de Patamuté, isto por volta dos primeiros anos do Século XX, iniciando-se por lá a sincronia religiosa entre o distrito de Patamuté e a Gruta.
No distrito de Patamuté, o padroeiro Santo Antonio eleva-se altaneiro e excelso; na Gruta, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus faz-se viva a cada ano e atrai fiéis da região e de outros estados.
Peregrinos e devotos que têm a fé como sustentação do único alento da vida sertaneja acorrem anualmente à Gruta de Patamuté.
Anualmente, em 30 e 31 de outubro e 01 de novembro dá-se a romaria à Gruta de Patamuté.
A tradição católica comemora em 01 de novembro o Dia de Todos os Santos, data em que, na Gruta de Patamuté, os romeiros se reúnem, participam de missas e manifestações culturais, confessam-se diante dos sacerdotes e acendem velas para significar o pagamento de promessas ou pedido de graças.
Também já é tradição os ex-votos, objetos deixados pelos romeiros na Gruta que simbolizam agradecimento e fé.
Em outubro de 2016, por decreto do frei franciscano D. Carlos Alberto Breis Pereira, 4º Bispo da diocese de Juazeiro, a Gruta de Patamuté foi elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus.
D. Beto, como é conhecido, pertence à Ordem dos Frades Menores e atualmente é arcebispo de Maceió.
A estrutura de Santuário, embora precária, sinaliza que a tradição religiosa da Gruta se fortalece e sedimenta a construção da fé iniciada pelos pioneiros: monsenhor Pedro Cavalcante Rocha e padre Manuel Félix de Moura.
O Santuário Sagrado Coração de Jesus está sob orientação religiosa e coordenação do Frei Valdevan Correia de Barros, da Ordem dos Frades Menores Conventuais.
Em tempo:
A linha principal deste artigo está amparada no livro Descripção Histórica e Geographica do Município de Curaçá, de autoria de João Mattos e em anotações esparsas de arquivo deste escrevinhador.
Essa descrição foi apresentada ao 5º Congresso Brasileiro de Geografia em setembro de 1916 e, como se sabe, depois publicada. O livro é um dos sustentáculos e referência da história de Curaçá.
“Porque de feitos tais, por mais que diga, mais me há de ficar ainda por dizer.” (Luís de Camões, poeta português, 1524-1580)
O antigamente nunca se desvincula do agora.
Bem por isto – ou quase por isto – de quando em vez costumo bisbilhotar os meandros da história de Chorrochó e, neste mister, vivo consultando meus alfarrábios, embora não seja historiador, mas tão somente curioso, nada mais do que isto.
É uma forma de cutucar o tempo, trazer o antigamente para o agora, embora de maneira pretensa e atormentado pela saudade do lugar e do sertão.
Entretanto, lembrei que há coisa melhor e mais rica para consultar do que minhas pobres e raquíticas anotações: o livro História de Chorrochó, de autoria da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes.
Lá tem tudo sobre Regina Luíza de Menezes.
A admirada e memorável Regina Luíza de Menezes foi Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais da comarca de Chorrochó. Ingressou nesse ofício em 1951, bem antes da comarca.
Regina Luíza de Menezes/Arquivo Ivone Menezes Carvalho
Adveio a instalação da comarca de Chorrochó em 1967 e ela continuou no comando do Cartório ao tempo do Dr. Olinto Lopes Galvão Filho, primeiro juiz titular e juízes subsequentes.
Regina Luíza de Menezes nasceu em 19/09/1919, filha de Maria Luíza do Nascimento Menezes e Sebastião Pacheco de Menezes. Foi aluna da professora Josepha Alventina de Menezes (hoje nome de escola na sede do município) e estudou também em Pesqueira, Pernambuco.
Regina Luíza de Menezes se casou em 1938 com José Pires Filho (Ioiô), sujeito valente, reputação ilibada, caráter inflexível e decência absoluta.
Cauteloso com as palavras, arredio, respeitador, atento, observador, Ioiô não abdicava de seus princípios de sertanejo defensor de sua honra.
José Pires Filho (Ioiô), arquivo professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes
Conheci ambos – Regina e Ioiô – na primeira metade da década de 1970 e também os ilustres e bem educados filhos José Claudionor de Menezes (Nonô), Antonio Bosco de Menezes e Maria Auxiliadora de Menezes (Dorinha).
José Claudionor de Menezes (Nonô) foi serventuário da Justiça de Chorrochó e, nesta condição, desempenhava a função de avaliador judicial, assim como seus colegas José Claudio de Menezes (Dedé de Juca) e Osvaldo Alves de Carvalho, pioneiros na história da comarca.
Aliás, no livro Dorotheu: caminho, lutas e esperanças, de autoria deste trôpego e titubeante escrevinhador, tem algumas referências a Nonô, precioso amigo naquela quadra do tempo. Sou grato, in memoriam, por sua convivência e amizade.
Político irrequieto e prestativo, Nonô foi vereador atuante em Chorrochó por cinco mandatos.
Aprendi com o retro aludido livro História de Chorrochó, que Regina Luíza de Menezes foi secretária do Apostolado da Oração, instituição religiosa fundada em 15/08/1915, fundamental na vida da Igreja de Chorrochó até os dias de hoje.
Regina Luíza de Menezes faleceu em 27/01/1993.
Em tempo:
Procurei – e não achei – nas publicações da Câmara Municipal de Chorrochó, talvez em razão de minha incompetência, quadros e/ou fotos dos vereadores do município que exerceram a presidência da Edilidade.
Também procurei no site da Prefeitura de Chorrochó – e não achei – talvez em razão de minha incompetência, fotos/quadros dos ex-prefeitos do município.
Essa é uma providência comum nos municípios que prezam sua história.
Longe de ser uma medida para enaltecer figuras públicas, isto significa uma forma de sedimentar os valores do município, mormente perante as gerações subsequentes e socorrer pesquisadores interessados na história do lugar.
Peço vênia à Câmara Municipal e à Prefeitura, se minha observação não procede.
Críticas de acordo com a permissão do ambiente democrático não se devem misturar com momentos alheios à política.
Os antagonismos devem ser sadios, necessários, evidentes e manifestados, desde que feitos nos limites da civilidade política e da convivência responsável que a sociedade exige, independentemente de ideologias e coloração partidária.
O presidente Lula da Silva, de 78 anos, sofreu uma queda em casa e foi prontamente atendido pelos médicos. Seu estado de saúde não parece preocupante, conforme demonstrado no boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio Libanês.
Isto, no entanto, por óbvio, alterou a agenda do presidente por recomendação médica.
Resta-nos desejar pronta recuperação ao presidente da República para que o Brasil continue a andar sem percalços.
Quando eu era mais abestado do que hoje – continuo sendo – candidatei-me a vereador em São Bernardo do Campo.
O Partido da Reconstrução Nacional (PRN), através do qual disputei uma vaga na Câmara Municipal, vivia em estado de euforia coletiva, em razão da filiação do então “caçador de marajás” alagoano e candidato à presidência da República, Fernando Collor de Mello, que saiu vitorioso e a história é sobejamente conhecida.
As forças políticas que abrigavam minha candidatura respondiam pelo pomposo nome de União Democrática Cristã (UDC), embora de forças nada tivessem, até por uma questão lógica. Se forças fossem, eu teria sido eleito.
Minha plataforma de campanha cingia-se, basicamente, às seguintes áreas: educação, saúde, habitação e transporte.
Como se vê, faltava-me criatividade, porque esta é a plataforma de todos os candidatos em todos os tempos.
Utópico, eu pensava que seria possível consertar o mundo. Melhor, consertar os problemas do mundo de São Bernardo do Campo.
Ingenuidade não me faltava, mas sobrava idealismo. Entretanto, com os tropeços da vida, aprendi que político não tem idealismo. O idealismo de político hoje resume-se nos fundos: Fundo Partidário e Fundo Eleitoral.
Estamos em 2024. Em São Bernardo do Campo, tudo continua como dantes, com uma diferença abismal: piorou.
O município tem população estimada em 840.499 habitantes, com redundância e tudo, segundo últimos dados disponíveis. Imagine o tamanho dos problemas.
Interessante é que moro em São Bernardo do Campo há mais de quatro décadas e nunca fui entrevistado por um pesquisador do IBGE, mas o IBGE diz que eu faço parte desse número de habitantes.
Abandonei a política e os pilantras da política, logo depois da abertura das urnas, porque o dinheiro destinado à minha candidatura nunca chegou ao meu comitê e eu fiquei, com cara de galo, fazendo das tripas coração para sustentar minha campanha até chegar às urnas.
Aprendi com o escritor Carlos Heitor Cony (1926-2008) que a regra fundamental da arte de falar mal é esta: “Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes”. Então, estou amparado pela regra.
Amigos me ajudaram e destes nunca esqueço. Alguns conheci na campanha e ficaram ao meu lado e até insistiram para continuar na política.
Pressuponho que o dinheiro tenha ancorado no bolso dos espertos, como ainda hoje deve acontecer. E pressuposto é pressuposto, nada mais do que isto.
Embora estreante, tive boa votação, mas insuficiente para conquistar uma vaga na Câmara Municipal.
Quando lembro de minha derrota nas urnas, sempre recordo que, em 2016, o Partido dos Trabalhadores (PT) não conseguiu reeleger vereador o filho de Lula da Silva, que ocupava uma cadeira no Legislativo de São Bernardo do Campo.
O caso dele foi pior. O pai tinha sido presidente da República. Embora berço político de Lula da Silva, hoje o PT se derreteu em São Bernardo do Campo.
O escritor Ernest Hemingway (1899-1961), autor do clássico Por quem os sinos dobram,dizia que “a luta pela sobrevivência confronta com os limites humanos”.
A luta pela sobrevivência política tem outro nome, independentemente dos limites humanos: esperteza.
Os políticos no Brasil lutam pela sobrevivência de sua fama e de seus próprios bolsos e dane-se o povo, danem-se as necessidades do povo, dane-se a miséria do povo, danem-se as ideias e os ideais de quem se atreve a querer o bem do povo.
Como não sou disto e nem concordo com isto, peguei meu boné de baiano e me escafedi em direção à luta difícil e honesta da vida.
Esta, sim, tem bons resultados, mesmo que nunca alcancemos os horizontes que sonhamos.
Raimundo Reis/Foto da contracapa do livro Malhada do Sal, de sua autoria, Salvador, 1986
Em Santo Antônio da Glória, antiga Vila de Santo Antonio da Glória do Curral dos Bois e, mais tarde, simplesmente Glória, as águas da barragem engoliram a pacata cidade, suas tradições e sua história centenária.
Lá, seu filho ilustre, Raimundo Reis de Oliveira (1930-2002), neto do lendário Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro, resolveu sair do lugar para estudar em Sergipe.
Na hora da despedida, o pai lhe disse, com ar professoral de legítimo sertanejo defensor de sua honra:
– Vá. Cuidado com a vida. Seja homem!
Raimundo Reis foi e evoluiu. Estudou o primário em Aracaju e o secundário no Colégio Santanópolis, em Feira de Santana. Cursou Direito, foi advogado, jornalista, deputado estadual pelo antigo PSD da Bahia (1959-1963), radialista da Rádio Sociedade da Bahia, cronista, escritor e boêmio incorrigível.
O antigo PSD da Bahia foi a maior escola política, filosófica e partidária do período 1946-1964.
Inteligente e espirituoso, apaixonado pelo sertão e por Macururé, que ajudou a tornar município, escreveu muita coisa ao longo de sua existência de intelectual.
Raimundo Reis e João Carlos Tourinho Dantas, colegas na legislatura de 1959-1963, foram os responsáveis pela aprovação da lei que, em 1962, elevou Macururé à categoria de município, emancipando-o de Glória.
Um dia, já experimentado pelos tropeços do dia a dia e lembrando as palavras do pai, Raimundo Reis sentenciou, irônico:
– Cuidar da vida até que tem sido fácil. O difícil é ser homem.
A expressão “seja homem”, para o sertanejo do século passado, significava ter bom caráter, ser cumpridor de seus deveres e da palavra empenhada, tornar-se respeitado na sociedade.
Post scriptum:
Vista pela turma do politicamente correto, essa idiotice criada nos dias de hoje, a expressão “seja homem” pode soar como reprovável, inconveniente. Aqui o contexto é histórico, outra quadra do tempo, outra sociedade.
“Opinião é uma coisa que a gente dá e, às vezes, apanha.” (Max Nunes, escritor e roteirista, 1922-2014)
Guilherme Boulos (PSOL), candidato de Lula da Silva a prefeito de São Paulo, não surpreende, em nada, quanto ao jeito desonesto de fazer política, de resto comum em parte do lulopetismo.
Explica-se.
Milhares de imóveis em São Paulo estão sem energia elétrica há alguns dias, em razão de forte temporal que atingiu São Paulo na sexta-feira, 11/10/2024.
A concessionária ENEL (Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A), conhecida pelo péssimo serviço prestado, não consegue resolver o problema (resolveu parcialmente) e vem deixando a população ao deus dará.
Mas a ENEL é eficientíssima ao fazer as cobranças de contas de consumo e ao cortar o fornecimento de energia quando os consumidores atrasam o pagamento.
A concessão da distribuição de energia elétrica em São Paulo é regulada pelo governo federal e a fiscalização feita pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), autarquia federal que cuida do assunto.
Logo, a Prefeitura de São Paulo nada tem com isto e nada pode fazer, exceto podar árvores que dificultam os fios elétricos e cobrar, como qualquer outro consumidor, a pronta distribuição da energia.
Mas há um problema. Nem todas as árvores a Prefeitura deve podar sem a participação da ENEL que, em muitos casos, precisa desligar a energia para possibilitar o trabalho dos servidores municipais, sem risco de acidentes.
Noutros casos, cabe à ENEL fazer a poda ao identificar potenciais riscos, independentemente da Prefeitura.
É isto que a ENEL nem sempre faz e, em caso de fortes temporais, como este de agora, o caos instala-se e passa a ser geral.
Pois bem.
O deputado federal Guilherme Boulos é candidato de Lula da Silva e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), um penduricalho do PT, com histórico de invasão de propriedades, inclusive públicas.
Boulos está se servindo da tragédia por que passam os paulistanos, em razão da falta de energia, para dizer que a “culpa é do prefeito” e assim está tentando jogar a população contra o adversário Ricardo Nunes (MDB) na disputa eleitoral. São Paulo terá 2º turno da eleição municipal.
Desonesto e maldoso o deputado Guilherme Boulos se vale do jeito estúpido, sujo e abjeto de fazer política.
Boulos sabe que a culpa pela falta de energia em São Paulo não é do prefeito Ricardo Nunes, mas se aproveita da situação com o intuito de beneficiar-se eleitoralmente da situação.
Político pequeno, abominável, uma lástima.
Sequer o mentecapto deputado-candidato explica honestamente à população que a fiscalização da concessionária é de responsabilidade da autarquia federal ANEEL, assim como qualquer decisão que venha punir a ENEL ou lhe fizer exigências legais e previstas no contrato de concessão pública.
Por exemplo, a palavra final quanto eventual decretação da caducidade da concessão, é do Ministério de Minas e Energia.
Boulos sabe disto sobejamente, mas não diz por uma razão muito simples. O governo federal é comandado por seu guru e padrinho político Lula da Silva.
Um pernóstico desse naipe ainda se diz apto para governar a pujante, respeitável e maior cidade do País.
Em tempo:
Não voto na capital de São Paulo. Portanto, não torço por Boulos nem por Ricardo Nunes.
Professora Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes/Arquivo de Wagner Gomes
Neste dia do professor – 15 de outubro – rendo homenagem à memória da professora Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes, de Patamuté.
Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes foi professora do Departamento de Educação Primária da Secretaria Estadual de Educação da Bahia. Portanto, um esteio da educação em Patamuté.
Podia deixar pra depois, mas não deixo.
Já ultrapasso idade septuagenária, de modo que não sei se terei tempo de ainda ver alguma coisa útil construída em Patamuté por nossos trôpegos governantes e se me resta tempo para absorver as críticas que continuamente me fazem.
Murilo Bonfim, prefeito eleito de Curaçá em 2024, é do mesmo partido do governador do Estado, o Partido dos Trabalhadores (PT), que construiu um feudo na Bahia e uma legião de súditos.
É de conhecimento público que, em campanha – e eu não estava lá – Murilo Bonfim prometeu mundos e fundos a Patamuté, tanto que o povo acreditou e ele foi bem votado lá.
Então, embora ainda não empossado, deixo, por antecipação, um pedido ao prefeito Murilo Bonfim (PT) no que tange à Escola Estadual de Patamuté que foi demolida e transformada em escombros, vergonhosos escombros, vexaminosos escombros.
Não sei qual a razão do descaso indigno e tampouco o autor da ideia, o que pouco importa agora.
Do alto de minha insignificância, deixo um pedido. É simples, muito simples, mas quase um desafio.
O pedido é no sentido de que o prefeito Murilo Bonfim envide esforços junto ao governo do Estado com vistas à construção de um Colégio em Patamuté e corrija o vergonhoso vácuo deixado pelos governos anteriores, que pisotearam o distrito e sua gente.
Deixo a sugestão: que o nome do Colégio seja batizado de Professora Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes.
Já que os governos anteriores foram ociosos, que doravante a história de Patamuté não seja.
Senador Otto Alencar, PSD da Bahia/Crédito: Senado Federal
O presidente estadual do PSD da Bahia, senador Otto Alencar, despejou R$ 60 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas – Fundo Eleitoral, que é dinheiro público, nos cofres de uma candidata a vereadora de Eunápolis, sul do Estado.
A candidata de Otto Alencar teve somente 5 votos, mas segundo a imprensa noticiou, gastou R$ 7,5 mil de “criação de peças publicitárias” e R$ 40 mil para “serviço de militância na campanha eleitoral”, tudo pago a uma mesma empresa de marketing digital.
Ainda em Eunápolis, outra candidata a vereadora de Otto Alencar, gastou R$ 40 mil e teve 11 votos e outra gastou R$ 40 mil e teve 48 votos.
Eunápolis tem 120 mil habitantes.
No Nordeste, há um provérbio que retrata bem o comportamento de Otto Alencar: “Quem atira com pólvora alheia não toma chegada”.
O dinheiro é público, extirpado dos brasileiros que passam fome para financiar candidaturas de políticos parasitas, sanguessugas, aventureiros e também para custear o luxo de dirigentes e líderes partidários que se dizem defensores do povo.
Logo, Otto Alencar não tomou a cautela necessária ao distribuí-lo a torto e a direito para seus apaziguados.
Há outros casos gritantes de desperdício de dinheiro público do Fundo Eleitoral na Bahia. Chegam a 236, segundo a imprensa publicou. A bem da verdade, nem todos protagonizados pelo senador Otto Alencar.
Em 6 de outubro, o PSD de Otto Alencar elegeu 115 prefeitos na Bahia, de um total de 417 municípios.
Sua Excelência Otto Alencar é o mesmo senador arrogante que se achava o suprassumo da correção na CPI da Covid.
Correto ele deve ser, não se questiona aqui sua hombridade. Todavia, Sua Excelência deve cuidar melhor do dinheiro público.
Procurado pela imprensa para explicar o disparate de Eunápolis, o senador Otto Alencar foi irônico: “Quem calcula é a urna, não sou eu”.
O senador tem razão. A urna calcula os votos, mas o dinheiro público destinado ao PSD da Bahia quem distribuiu – e para quem distribuiu – foi ele.
Da esquerda para direita, D. Lalu, Edelzuíta, Lídio e Elizabete/Crédito álbum de Laura Fonseca
Lídio Manoel dos Santos, senhor de boa linhagem e reputação exemplar, era comerciante em Patamuté.
Lá por volta 1930 comprou uma bodega de Eduardo Gomes dos Reis (Dudu), pai do escritor Silobaldo Gomes dos Reis e a manteve durante décadas, espécie de referência do acanhado comércio de Patamuté.
Homem de hábitos simples, Lídio se ocupava com suas tarefas modestas de comerciante e, eventualmente, criava caprinos.
Tinha uma clientela fiel constituída de pequenos lavradores e pecuaristas das cercanias de Patamuté que se amontoavam ao redor do balcão de sua venda, aos sábados, bebendo, conversando, contando “causos” da vida difícil e pacata das fazendas, entre uma talagada e outra.
Lídio era austero, equilibrado, caráter irrepreensível, respeitador, cumpridor de seus deveres. Falava muito bem, acomodando as palavras nos lugares certos, articulando-as adequadamente.
O folclore de Patamuté dizia que ninguém sabia a idade de Lídio – nem ele dizia – mas a história registra que nasceu em 1.906, mesmo ano de início da construção da Igreja de Santo Antonio.
Lídio casou-se com D.Laura Prado (Lalu), senhora distinta e prestativa de estirpe tradicional. D. Lalu faleceu em fevereiro de 2011. Com ela constituiu família numerosa, que se espalhou por aí, de Patamuté a São Paulo, cavando a vida.
Minha esburacada memória ainda retém os nomes de Edelzuíta, Glorinha, Aderlinda, Carmelita, Nidinho, Edinho, Nilzanete, Elizabete e Jackson, todos filhos desse casal tradicional, que também construiu a história de Patamuté.
Eventuais omissões de nomes ou grafia errada ficam por conta de minha juventude distante. Foi lá, bem distante no tempo, que os conheci em Patamuté, jovens, espirituosos e alegres.
Comecei esta crônica citando o nome de Silobaldo Gomes dos Reis, que saiu de Patamuté em junho de 1944 com 14 anos de idade.
Quase cinco décadas depois, em 1991, Silobaldo me contou em São Paulo, que era muito grato a Lídio Manoel dos Santos, porque lhe deu o primeiro emprego em sua bodega em Patamuté e também uma carta de referência, quando saiu de lá. Uma carta de referência significava muito na época.
Estes fragmentos da memória de Patamuté nos lembram as características de alguns de seus filhos que já se foram. Cada um, a seu modo, ajudou a construir a história do lugar.
Lídio Manoel dos Santos também o fez, quer dando exemplo de caráter, quer ostentando sua ilibada reputação. Conheci-o assim, circunspecto e respeitador. Patamuté deve muito a ele.
Silobaldo Gomes dos Reis, já falecido, filho de Eduardo Gomes dos Reis e Tertuliana de Alcântara Reis nasceu em Patamuté em 1930.
Eduardo e Tertuliana, além de Silobaldo, tiveram os filhos Osmar Gomes dos Reis, Lourival Gomes dos Reis, Maria José Gomes dos Reis e Antonia Gomes dos Reis Palmejani.
Ilustre filho de Patamuté das famílias Gomes e Reis mudou-se para São Paulo, depois de trabalhar na bodega de Lídio Manoel dos Santos.
Em São Paulo, trabalhou e constituiu família. Escreveu dois livros: “Eu (baiano) venci em S.Paulo”, lançado em 1988 e “Peripécias e Alegrias de um Turista Baiano” lançado anos mais tarde.
Sobre o primeiro livro, Silobaldo me disse em 25/06/1991: “é uma mensagem de otimismo para nossos conterrâneos que às vezes recuam no primeiro tropeço de vida e desanimam”.
Silobaldo era casado com Maria Nazareth dos Reis com quem teve as filhas Carmen Gomes dos Reis e Marta dos Reis Marioni.
Em 1988 chegou a participar da Bienal do Livro de São Paulo.
Silobaldo, conhecido entre os amigos mais próximos como “Silô”, viveu as últimas décadas no Jardim São Paulo, elegante bairro da capital paulista, mas sua paixão era a Vila Nova Mazzei, local que se instalou quando chegou da Bahia, segundo ele “fugindo da seca” de Patamuté.
Lídio e Silobaldo fazem parte da história de nosso distrito.
Post scriptum:
Deixo de colocar a foto de Silobaldo Gomes dos Reis, por razões técnicas.