Chorrochó deve reconduzir Sheila Araújo à Câmara Municipal 

“As tradições são o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro” (Tobias Barreto, filósofo e jurista sergipano, 1839-1889)

A vereadora e atual presidente da Câmara Municipal de Chorrochó, Sheila Jaqueline Miranda Araújo (Sheila de Zé Juvenal), deve ser reconduzida à Câmara Municipal.

Vereadora Sheila Araújo/Arquivo da vereadora

A vereadora Sheila ostenta respeitável patrimônio político-eleitoral advindo de seu pai José Juvenal de Araújo, que foi prefeito do município e um dos políticos mais conhecidos da região.

José Juvenal faleceu em 2015 e deixou sólido lastro de sua participação na história política de Chorrochó.

Ademais, ainda se soma ao acervo político da vereadora Sheila Araújo outro patrimônio eleitoral que não chegou a se dissipar no decorrer do tempo: a credibilidade e o caráter irrepreensível do avô Oscar Araújo Costa.

Vale um registro: a essência do engendramento político do município de Chorrochó passava, necessariamente, pela liderança de Oscar Araújo Costa e ramificações dele decorrentes.

Oscar foi o esteio, a estrutura, o início do caminhar e o olhar que enxergava a política como meio de vislumbrar melhores dias para a população do município.

Líder no povoado de Caraíbas e circunvizinhança, Oscar Araújo Costa era casado com a elegante e altiva Umbelina Miranda de Araújo (D. Bela) e com ela construiu base familiar e política sólida e respeitável.

Os domínios de Oscar, além de Caraíbas, compreendiam as fazendas Poço Comprido, Riacho dos Bois, Sítio do Belchior, Retiro, Perdidos, Angico, Poço Verde, Alto Bonito e Limpo Grande, dentre outras.

O lugar onde viveu e construiu sua liderança política acabou ficando conhecida como Caraíbas de Oscar.

Houve uma quadra do tempo em que toda e qualquer decisão política de Chorrochó passava pelo crivo de Oscar Araújo Costa, Dorotheu Pacheco de Menezes e Antonio Pires de Menezes (Dodô), que costuravam apoios e conjecturavam estratégias. Mais do que isto: definiam caminhos.

A liderança política de Oscar foi-se transferindo paulatinamente ao filho José Juvenal de Araújo, cuja história de vida e dedicação à causa do município de Chorrochó são sobejamente conhecidas e não comportam quaisquer outros acréscimos.

À vista desta história de dedicação à causa de Chorrochó, natural  que a vereadora Sheila Jaqueline tenha herdado, com sabedoria política exemplar, a inegável credibilidade construída pelo avô Oscar Araújo e o pai José Juvenal.

São as tradições que se fazem presentes na vida política da vereadora Sheila.

Isto vem se traduzindo em votos. Nas vindouras eleições de outubro as urnas deverão assegurar mais um mandato à vereadora Sheila de Zé Juvenal.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó, Lívio Fonseca pode chegar à Câmara Municipal

“Não se constrói sem aglutinar e não se muda sem dividir. Para saber quando aglutinar e quando dividir, não basta ter senso de oportunidade. É preciso ter visão” (Roberto Mangabeira Unger)

Lívio Fonseca/Perfil facebook

Em 1988, Dorotheu Pacheco de Menezes, que ostentava vistosa liderança em Chorrochó, indicou Luiz Pires Monte Santo, com base eleitoral em Várzea da Ema, para disputar a eleição de prefeito do município.

O candidato a vice-prefeito na chapa de Luiz Pires era um senhor virtuoso e decente de Barra do Tarrachil: Ariçon Gomes de Souza, da estirpe de Bento Freire de Souza.

A linhagem familiar de Ariçon Gomes de Souza faz parte da estrutura genealógica de Barra do Tarrachil e persiste com as gerações que se seguiram até os dias de agora.

Barra do Tarrachil vive política, respira política, ensina política.

Terra de próceres experimentados, de lá saíram, além de conspícuos vereadores, os prefeitos Pascoal de Almeida Lima, João Bosco Francisco do Nascimento, Rita de Cássia Campos Souza e o atual Humberto Gomes Ramos, visto, por alguns, como defensor de sua gente e nem tanto na opinião de outros.

Barra do Tarrachil conduz-se abraçada ao Rio São Francisco que lhe dá vida, banho e encantamento sob as bênçãos de outro Francisco, o excelso padroeiro do lugar, que por lá se entronou  nos idos de 1959.

Em 1988 Barra do Tarrachil se deslocou alguns quilômetros do traçado original, mas manteve as tradições, a hospitalidade, o cenário político e a grandeza de seus moradores.

As expectativas das eleições de 2024 em Chorrochó sinalizam cenário um tanto previsível no que tange à composição da Câmara Municipal.

Todavia, parece razoável presumir que alguns outros nomes podem surgir da vontade das urnas para fazer parte da Edilidade, considerando um pouco mais de duas dezenas de candidatos.    

Messias Lívio Fonseca de Souza, aparece no cenário político do município com seguras chances de êxito nas urnas, ressalvados eventuais tropeços na reta final da campanha eleitoral.

Lívio Fonseca há algum tempo vem atuando em defesa de pessoas desamparadas, com destaque na área de saúde. Pode parecer pouco, mas é assim que os caminhos do futuro político começam a ser estruturados, mormente em municípios carentes, que dependem continuamente do empenho diuturno de seus líderes.

O fato é que Barra do Tarrachil mantém vantajosa liderança política no município de Chorrochó. Além de prefeitos, o distrito sempre sustentou razoável representação na Câmara Municipal.

Em 2024, desenha-se um cenário em que Lívio Fonseca deve participar mais acentuadamente da vida político-partidária de Chorrochó com provável chance de ocupar uma vaga na Câmara Municipal a partir de 2025.

Por óbvio, tratam-se de conjecturas, de possibilidades, de um olhar no horizonte político de Chorrochó.

Lívio Fonseca carrega, assim entendo, a honradez de Ariçon Gomes de Souza, que soube portar-se dignamente na vida política de Chorrochó, de modo que deixou inscrita sua participação ativa na história de Barra do Tarrachil.

Post scriptum:

Em 2022, não me recordo o mês, Lívio Fonseca esteve em Patamuté, distrito de Curaçá, em companhia de amigos. Salvo engano, num daqueles passeios de motocicletas que amigos, em grupo, costumam fazer até a gruta de Patamuté.

Sabedor de que sou filho de Patamuté, Lívio telefonou de lá. Conversamos um pouco, aliás pouquíssimo, mas a surpresa me envaideceu.

Achei bonito o gesto, gostei da lembrança que ele teve deste insignificante escrevinhador.  Sou-lhe grato pela atenção.

araujo-costa@uol.com.br

Eleições de Chorrochó: Eloy Netto assume trincheira dos Menezes

Eloy Pacheco de Menezes Netto/Arquivo pessoal

As ideias dos líderes políticos tradicionais de Chorrochó soterraram-se no tempo.

O marasmo tomou conta do ambiente político. O mesmo grupo se sustenta há décadas agarrado ao poder municipal, menos em razão de eficiência da gestão pública e mais tendo em vista ausência de oposição vigorosa capaz de apontar os melhores caminhos para Chorrochó.    

Entretanto, oportuno registrar: esse grupo está legitimamente sustentado na vontade popular, na voz das urnas. Logo, soube melhor engendrar os meandros da política local.

O papel da oposição, por óbvio, não é somente criticar atabalhoadamente, mas apontar ideias e caminhos viáveis que os levem à solução das reivindicações mais prementes da população.

“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se”, dizia o filósofo alemão Hegel (1770-1831). Daí o papel da oposição e a consequente submissão dos gestores públicos aos antagonismos sadios e responsáveis.

Eloy Pacheco de Menezes Netto (União Brasil) entrou na disputa para prefeito nas próximas eleições de outubro, amparado por um pequeno grupo que gravita em torno de sua família. Este reduzido grupo carrega grande robustez moral e inegável vínculo de participação na vida política do município.

Cleide Rone, companheira de chapa e candidata a vice, é do povoado de São José.

Deste grupo fazem parte, dentre outros: Adriana de Araújo Menezes (Adriana Vaqueira) e Marina Maria de Araújo Menezes (Marinalva de Oscar), duas lideranças que veem contribuindo eficazmente com a história política de Chorrochó.  

Integra esse grupo de apoio a Eloy Netto o Dr. João Eloy de Menezes, nome de grande envergadura moral que enriquece sobremaneira Chorrochó, sua gente e suas tradições.

O Dr. João Eloy de Menezes se destaca na constelação dos grandes homens de caráter irrepreensível, com raízes fincadas em Chorrochó e exemplo de dignidade pessoal e profissional.

Vai daí que Eloy Netto está bem lastreado em seu desiderato político, embora deva enfrentar, nas urnas, considerável estrutura político-eleitoral capitaneada pelo prefeito Humberto Gomes Ramos que apoia seu vice Dilan Oliveira.       

O candidato do União Brasil promete trazer de volta para o município esperança e “atenção devida à comunidade”.

Eloy Netto vem de tronco familiar com fortes esteios na história de Chorrochó: Os avós Oscar Araújo Costa e Eloy Pacheco de Menezes, ambos construtores de sólidos andaimes políticos que sustentam, até hoje, os pilares do município.

O tio de Eloy Netto, José Juvenal de Araújo, construiu base política e respeitável em Chorrochó, de modo que soube adequar sua vida política ao interesse público nas ocasiões em que assumiu o Executivo Municipal. José Juvenal foi um gigante da política do município.

De qualquer forma, Eloy Netto assume a trincheira, antes abandonada, para tentar resgatar e reerguer a história política dos Menezes de Chorrochó mutilada em razão de interesses que acabaram tornando-a acéfala e carente de líderes atuantes e permanentes.

Não é exagero conjecturar que esse pequeno grupo político que idealizou e apoia a candidatura de Eloy Netto poderá, no futuro, tornar-se significativo na política de Chorrochó, independentemente do resultado das urnas de outubro vindouro.

araujo-costa@uol.com.br

Diana: “Ainda queima a esperança”  

Diana em dois momentos/Reprodução Google

Em 21/08/2024 faleceu a cantora carioca Diana (1948-2024), nascida Ana Maria Siqueira Iório, no Bairro do Botafogo.

Diana começou a carreira em 1969. Em 1972 lançou Ainda Queima a esperança que fez muito sucesso, letra e música de Raul Seixas.

Vieram Fatalidade, Porque brigamos, Quero te ver sorrindo, Foi tudo culpa do amor, Tudo que eu tenho e tantas outras conhecidas.

Em 2014 a cantora Bárbara Eugênia homenageou Diana no teatro Paulo Autran em São Paulo. Diana estava lá e cantou com muito brilho, carisma e humildade,  como se fosse em dias de antigamente.

Conhecida pela inquietude e temperamento quente, no palco Diana era a referência da música romântica e o retrato de uma época que marcou jovens e criou admiradores.

Ainda morando no sertão da Bahia, fiz parte da juventude que ouvia Diana. Juventude alegre, cheia de esperança e até de “fatalidades”.

São traços que nós, daquele tempo, carregamos ainda hoje: a valorização do amor e da amizade, o desprezo às futilidades.

Vivíamos abraçados aos sonhos, construindo nossa história, nossa vida e carregando a esperança.   

araujo-costa@uol.com.br       

Chorrochó e o vereador Beto de Arnóbio

Vereador Beto de Arnóbio (PT)/Crédito: arquivo do vereador

“Governo existe para fazer as coisas difíceis. As fáceis a gente mesmo faz.” (Chico Heráclio, 1885-1974, o último dos coronéis do Nordeste, Limoeiro-PE).

Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio) é vereador em Chorrochó, município do submédio São Francisco encravado no sertão da Bahia.

Salvo engano, o vereador está no quarto mandato, o que chega a ser normal na história de qualquer Legislativo em quaisquer esferas.

Beto de Arnóbio tem se destacado pela combatividade e pela coerência com sua história partidária, de modo que mantém-se no Partido dos Trabalhadores (PT) e, parece, continuará nas fileiras da agremiação, mesmo quando retirar-se da vida pública, se vier a deixar algum dia.

A vereança nos municípios do interior baseia-se mais na proximidade e nos laços de amizade dos eleitores com os vereadores do que, propriamente, no desempenho destes frente à coletividade.

Neste particular, parece que o vereador Beto de Arnóbio cultiva duradouras amizades, o que tem atraído razoável fidelidade dos seus eleitores.

É indubitável que o vereador Beto de Arnóbio tem sido vigilante com a coisa pública, de modo que é vasta sua atuação no que tange às proposições submetidas ao plenário da Câmara Municipal, tais como indicações, pedidos de informação e de solicitação, pedidos de providências ao Executivo et cetera.

Tenho acompanhado algumas delas ao longo do exercício de seus mandatos, inclusive reivindicações de interesse do município junto às autoridades estaduais.

Como o município é uma instituição político-jurídica onde se reúnem os mesmos ideais e interesses da sociedade, cabe ao vereador, qualquer que seja ele, interpretar os anseios e sentimento da população, de tal modo que não se deixe contaminar pela mesmice quanto aos vícios tão comuns na atividade parlamentar, muitos deles alheios às necessidades da população e, por conseguinte, abomináveis.

Parafraseando o lendário coronel de Limoeiro, o vereador deve reivindicar as coisas difíceis, porque as fáceis seguem outro caminho.

Entretanto, ocorre que a prática política não cuida das coisas difíceis a contento e a população acaba ficando à mercê do descaso imposto pela vontade das autoridades, nem sempre preocupadas com a coletividade.  

O vereador Beto de Arnóbio vem de uma família de políticos respeitáveis que lutaram, cada um a seu modo e no seu tempo, em defesa de Chorrochó, consideradas as precariedades da ocasião.

Em 1954, em decorrência da emancipação do município, o avô materno Eloy Pacheco de Menezes foi nomeado, por decreto do governador Luiz Régis Pacheco Pereira, para exercer, em caráter provisório, as funções de gestor dos serviços municipais, enquanto não se realizavam as primeiras eleições que se deram a 03 de outubro de 1954, quando foi eleito o primeiro prefeito Aureliano da Costa Andrade.

Eloy Pacheco de Menezes tinha caráter inflexível, reputação ilibada e impressionante disposição e capacidade de defender os valores de Chorrochó tão espezinhados nos dias de hoje.

Ademais, o núcleo familiar mais próximo de Beto de Arnóbio por si só lhe deu sustentação moral irrepreensível: a mãe Maria Menezes (Pina) e o pai Francisco Arnóbio de Menezes.

Francisco Arnóbio de Menezes merece um monumento à amizade. 

O fato é que os esteios do município de Chorrochó lastrearam-se na uníssona família Pacheco e Menezes, de modo que o vereador Beto de Arnóbio afigura-se lídimo representante desse tronco político, mas parece razoável entender que o ilustre edil não priorizou a coesão de suas raízes políticas.

Noutras palavras: a família Pacheco de Menezes ficou politicamente acéfala, fragmentada, desprovida de liderança e, sobretudo, à margem do caminho que leva à preservação da continuidade histórica do município.

De qualquer forma, o vereador Beto de Arnóbio honra a Câmara Municipal de Chorrochó e tem sido uma voz robusta na defesa de suas convicções ideológicas que, de resto, é pressuposto da democracia.

araujo-costa@uol.com.br

A fazenda do ministro Rui Costa

Ministro Rui Costa/Crédito: Casa Civil da Presidência da República

Essa turma do Partido dos Trabalhadores (PT) tem muita sorte. Começa nos sindicatos, microfone em punho, fazendo greve em cima de caminhões e termina em nababescos palácios, impressionantemente afortunados.

Lula da Silva foi assim em São Bernardo do Campo, o senador Jaques Wagner e Rui Costa, da Bahia, também, dentre outros sortudos petistas .

Rui Costa agora é ministro-chefe da Casa Civil de Lula. Começou a carreira no Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia.   

Rui Costa entrou na política tradicional, foi vereador de Salvador, secretário de Relações Institucionais da Bahia (2007-2010), deputado federal e terminou governador da Bahia por dois mandatos.

Ele ajudou a transformar a Bahia num feudo do PT, mérito que não se lhe pode negar.

O PT diz que “Wagner e Rui tiraram a Bahia do passado e cuidaram dos que mais precisam”. O PT diz mais: que é “orgulho para a Bahia e exemplo para o Brasil”. Está no site do PT-Bahia sob a rubrica “nosso legado”.

Como “as águas só correm pro mar” – e o PT gosta de tirar as pessoas da pobreza – em 08/03/2023, a Assembléia Legislativa da Bahia elegeu para o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) a enfermeira Aline Peixoto, esposa de Rui Costa, para o honroso cargo de conselheira do Tribunal, com salário inicial de R$ 37,5 mil, além das mordomias e penduricalhos de estilo. O cargo é vitalício.

Rui Costa abocanhou 40 dos 63 votos da Assembleia Legislativa, em favor da mulher.

Em 2018, por força da legislação eleitoral, Rui Costa declarou bens no valor de R$ 674 mil.

Anos depois – e como o PT gosta de tirar as pessoas da pobreza – Rui Costa comprou um apartamento por R$ 2,5 milhões, parte financiada, em área nobre de Salvador (Bairro da Graça) e, ao terminar o governo da Bahia, comprou uma fazenda no município de Itagibá avaliada em R$ 1,5 milhão.  

A Bahia deve estar em êxtase, rindo à toa com o reinado petista.

O ensino público vai muito bem, a segurança pública melhor ainda, de modo que não há problemas na Bahia, só para citar dois exemplos da “eficiência” dos governos petistas.

Um exemplo gritante de descaso: Em Patamuté, distrito de Curaçá, município do sertão, o Estado – ou quem fez as suas vezes – mandou demolir o prédio histórico onde funcionou, durante décadas, a Escola Estadual do lugar e nunca se dignou a reconstruí-lo. Mas o governador Jerônimo Rodrigues (PT) já andou no município dando tapinha nas costas dos incautos.

Por óbvio, não é proibido ser rico. Nem há senões para quem, por coincidência, enriquece durante o exercício de cargo público.  

Entretanto, o homem público não deve permitir supostos fatos obscuros em sua vida para evitar ilações e até, em certos casos, manchar sua história.

Não creio ser este o caso do ministro Rui Costa, um sujeito íntegro, salvo prova em contrário.

O UOL buscou, in loco. Foi até à fazenda de Rui Costa, certificou-se da existência da propriedade do ministro, confirmou com um funcionário e com o prefeito de Itagibá e detalhou algumas informações.

O imóvel é estimado em dezenas de hectares, “equivalente a cem campos de futebol”, está em nome de uma aliada de Rui Costa, mas o ministro está fazendo construções no imóvel e plantando mudas de cacau.

O prefeito de Itagibá, que é do PCdo B e aliado de Rui Costa, disse ao UOL que já visitou o ministro na fazenda e que “o município tem orgulho de ter um ministro como morador e produtor rural. Chega dia de domingo e ele tá lá com a bota dele, tirando mato”.

Coincidências:

“Atualmente, estão em andamento obras de pavimentação na rodovia estadual que dá acesso à fazenda de Rui Costa, executadas pelo governo da Bahia, com valor previsto de R$ 11 milhões”, segundo a reportagem.

Em junho de 2023, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e Rui Costa estiveram em Ipiaú, município vizinho, anunciando a obra.

“A região foi recentemente contemplada com verba de R$ 42 milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) coordenado por ele próprio”, ainda segundo a reportagem.

Faz lembrar, sem nenhuma maldade, o ministro das Comunicações de Lula da Silva que mandou pavimentar, com dinheiro público de emendas parlamentares, as estradas que dão acesso às fazendas da família dele no Maranhão.

Lula da Silva o mantém “imexível” no cargo de ministro, impecavelmente ministro, honrosamente ministro.

Mas, de tudo, uma coisa bonita na rica fazenda de Rui Costa no município de Itagibá: um pavão azul, estonteantemente bonito, que a reportagem do UOL disse ter visto lá e até o mostrou na reportagem.

Fonte: UOL, 21/08/2024.

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Chorrochó, tempo de Josiel

Josiel e Maria Mattos/Álbum de Alvemira Maria

“Não se morre de saudade. Vive-se de saudades” (Joel Silveira, jornalista sergipano, 1918-2007).

Exemplo de homem público, de dignidade e de caráter irrepreensível, Josiel faleceu em 16/02/2022.

José Calazans Bezerra (Josiel) nasceu em Quijingue, ainda município de Tucano e se mudou jovem para Chorrochó. Elegante, cabelos negros, boa pinta, sorriso fácil, educado e atencioso, logo ganhou a simpatia de todos, ou de quase todos de Chorrochó.

Casou-se com Maria Menezes Mattos Bezerra, de tradicional família de Chorrochó, filha de Anna Mattos de Menezes (Quininha) e João Matos Cardoso e com ela constituiu família decente e honrada, incluídos aí os filhos José Calazans Bezerra Filho, Ana Maria Mattos Bezerra Brandão e Josiel Calazans Menezes Bezerra.

Todavia, isto é assunto longo para quem entende de história e este não é o meu caso. Preocupo-me tão somente com o registro do caminhar das boas pessoas, dos feitos que praticaram e das amizades que construíram.  

A memória esburacada pode produzir o vexame de grafar nomes errados, confundir datas e misturar alhos com bugalhos. Corro o risco de arranhar os fatos e mutilar a história. É melhor deixar a tarefa para os entendidos.

Mas – e sempre há um mas – Josiel entrou na política, impulsionado pelos ventos soprados sobre o ainda jovem município e se elegeu prefeito de Chorrochó com 1.888 votos apoiado pelos deputados estaduais José Bezerra Neto e José Eloy de Carvalho e de duas lideranças nacionais, ícones da política da Bahia, os deputados federais Manoel Cavalcanti Novaes, pernambucano de Floresta e sua esposa, a paulista Necy Novaes.

Município novo à época (1963/1967), Chorrochó vivia um clima saudável com um prefeito jovem, socialmente admirável e impressionantemente dinâmico.

Josiel era mesmo admirável.

Josiel cercou-se de nomes respeitáveis da sociedade chorrochoense, a exemplo de José Pacheco de Menezes (Deca), João Mattos Cardoso e Joviniano Cordeiro.

A Câmara Municipal deu-lhe folgada maioria com os vereadores Sebastião Pereira da Silva (Baião), depois prefeito do município, Aurélio Alves de Barros, Lucas Alventino e Pascoal de Almeida Lima, que também viria ser prefeito. Seu cunhado Vivaldo Cardoso de Menezes também fazia parte da Edilidade.

Vivaldo entendia desde burocracia da fiscalização estadual até política de bastidores de Chorrochó, além de música. Vereador atuante, presidiu a Câmara Municipal  e sustentou, com sabedoria, os altos e baixos da política local.

A administração de Josiel registrou alguns feitos compatíveis com as condições que o município permitia na ocasião: construiu uma barragem para abastecer a sede do município, iniciou a construção do Grupo Escolar Luís Viana Filho e do Posto Médico Francisco Pacheco (terminado na segunda administração de Dorotheu Pacheco de Menezes) e impulsionou o esporte local, além da conservação de estradas, prédios públicos e do campo de aviação.

Já fora da atividade política, Josiel manteve grande carisma junto aos munícipes, incompatível com o ostracismo a que se impôs voluntariamente depois de deixar a vida política.

Juazeiro foi seu refúgio voluntário.

Simpático, atencioso, sensato, entusiasta, indispensável em qualquer reunião de amigos. Afastou-se de disputas eleitorais, embora nunca tenha se afastado de Chorrochó e do apego aos amigos e às tradições locais.

Era assíduo frequentador e participante ativo da principal festa da cidade, a do padroeiro Senhor do Bonfim em janeiro.

Pessoa admirável, Josiel também construiu a história de Chorrochó.

Meu último contato com Josiel deu-se em 2001, quando este escrevinhador estava às voltas com as pesquisas para o livro Dorotheu: caminhos, lutas e esperanças lançado naquele ano.

Josiel me atendeu com impressionante presteza e passou as informações de que eu precisava. Entretanto, são minhas as lacunas, falhas e omissões sobre seu período à frente da administração de Chorrochó.

É salutar que os órgãos públicos municipais responsáveis pela história de Chorrochó não se esqueçam de evidenciar o nome de Josiel, dando-lhe o destaque merecido que teve na construção da sociedade local.

Post scriptum:

Este artigo foi publicado em duas ocasiões: 22/08/2019 e 16/02/2022. Hoje edito-o mais uma vez.

araujo-costa@uol.com.br

O luxo e o acinte de Lula da Silva

O Palácio do Planalto não explicou.

Não tem o que explicar. Nem a assessoria particular de Lula consegue explicar.

Ao retornar da viagem ao Chile, Lula da Silva ordenou que o avião presidencial e, em consequência, a equipe de segurança, pousassem em São Paulo durante 10 minutos.

Finalidade da ordem de Lula da Silva: dá carona à deslumbrada primeira-dama Janja que estava num salão de beleza na capital paulista fazendo procedimento estético.

Ainda tem quem acredite que Lula da Silva cuida dos pobres.

A Presidência da República não publica, por questão de segurança presidencial, quanto foi gasto de dinheiro público com o avião presidencial e a aeronave da equipe de segurança, para desviar a rota e satisfazer o deslumbramento de Lula da Silva e de sua esposa Janja.  

Essa é a bagunça com o dinheiro público, como tantas outras, que os órgãos de controle não veem.

Os brasileiros que passam fome pagam.

Fonte da notícia: O Estado de S.Paulo, 11/08/2024.

Airbus da Presidência da República/Crédito Wikipédia
Interior do avião presidencial – Escritório do presidente/Crédito Wikipédia
Vista interna de parte do avião presidencial/Crédito Wikipedia
Dormitório do avião presidencial/Crédito Wikipédia

araujo-costa@uol.com.br

O Pé-de-Meia de Lula da Silva está furado

Foto: Ministério da Educação/Guia do Estudante

Anunciado com estardalhaço pelo governo, inclusive com discurso do presidente Lula da Silva, o programa Pé-de-Meia já está furado, encolheu e precisa de cerzidura..

Na última semana, Lula da Silva anunciou a ampliação do programa para mais 1,2 milhão de estudantes.

Em seguida – três dias depois – contrariando o que disse,  Lula da Silva mandou o Ministério da Educação bloquear R$ 500 milhões das verbas do Pé-de-Meia, o que ofusca o objetivo que o programa pretende alcançar.

Entretanto, vale o registro: o programa Pé-de-Meia é bom. A expectativa é que deve atingir um universo de 4 milhões de estudantes do ensino médio.

O programa é meritório. Pode significar o caminho para retirar os jovens das ruas, mostrar-lhes a esperança e afastá-los do risco da degenerescência social, apontando o caminho do crescimento interior, da capacitação profissional e, sobretudo, da formação de bom caráter.    

O Pé-de-Meia pretende pagar por ano dez parcelas de R$ 200 para estudantes de baixa renda, como incentivo para não deixarem o ensino médio. Mais um depósito de R$ 1.000 por ano que só pode ser retirado após a conclusão do curso e mais R$ 200 pela participação do aluno no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM).

Interessante é que Lula da Silva anunciou o Pé-de-Meia e sua ampliação de forma espalhafatosa, mas ficou em silêncio quando mandou bloquear R$ 500 milhões do programa.

Ou seja, Lula da Silva diz somente o que lhe interessa politicamente e quando sua fala tem o condão de carrear votos para o lulopetismo, mormente neste ano de eleições municipais. O PT está claudicando em muitos centros urbanos.

Em São Bernardo do Campo, berço político de Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores está fora do poder há aproximados oito anos. Pelo andar da carruagem, parece certa a derrota do partido e do lulopetismo nas eleições de outubro vindouro.

Em 2016, o filho de Lula da Silva não conseguiu se reeleger vereador de São Bernardo do Campo. Teve 1.504 votos e amargou o 58º lugar na votação para a Câmara Municipal.

Quanto ao Pé-de-Meia, aqui não se questiona o acerto ou a necessidade do bloqueio da verba, em razão de questões orçamentárias e de equilíbrio fiscal das contas públicas, mas a falta de publicidade quando o assunto não enaltece o governo.

Nos governos do PT é assim: quando o assunto beneficia o lulopetismo vira vitrine. Quando não é favorável vira silêncio, para não se transformar em estilingue dos adversários.

araujo-costa@uol.com.br  

Os respiradores de Rui Costa e a Polícia Federal de Lula

Ministro Rui Costa/Ricardo Stuckert, Presidência da República

“Eu quero garantir ao senhor, presidente Lula, esta Polícia Federal, hoje, toda ela, está a serviço de uma única causa, que é a sua causa” (Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública, Metrópoles, 05.09.2023).

Mais claro do que isto, só isto.

A imprensa publicou exaustivamente esta fala de Flávio Dino, então ministro da Justiça e da Segurança Pública do ainda novel terceiro governo de Lula da Silva.

Estarrecedor. As ditaduras começam assim: aparelhando as instituições.

Contudo, para não ficar muito escancarado e feio, Flavio Dino deu-se conta da revelação e acrescentou que a PF também está a serviço do Brasil e da sociedade, o que, aliás, é atribuição dela e nem precisava ele dizer.  

Estrambólico é a Polícia Federal defender a causa do presidente da República, qualquer que seja ele.

A Polícia Federal é instituição de Estado e não de Governo.

Matéria do jornalista Cláudio Humberto (Diário do Poder, de 02.08.2024) nos remete à fala de Flavio Dino.

Ei-la, entre aspas:

“O ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa não foi incluído entre os 34 mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta (1º) pela Polícia Federal, na investigação da compra de respiradores durante a pandemia de covid-19.

O governo de Costa, na Bahia, pagou R$ 48 milhões a Hempcare, empresa de derivados de maconha, por 300 respiradores que nunca foram entregues. A negociação se deu com o Consórcio Nordeste, grupo de governadores presidido por Rui Costa.

Bruno Dauster, ex-secretário de governo da Bahia, citou Rui Costa em depoimento à PF, em 2022. Disse que a compra tinha aval do chefe.

A dona da Hempcare, Cristina Costa Taddeo, fez acordo de delação autorizado pelo ministro Og Fernandes (STJ) e também citou Costa.

Cristina até devolveu R$ 10 milhões da gatunagem. No depoimento da delação, ela contou que o intermediário se dizia amigo de Costa”.

Isto não é nenhuma novidade. Este blog, inclusive, já publicou sobejamente sobre o assunto.

Como se vê, Rui Costa, todo poderoso ministro chefe da Casa Civil de Lula da Silva, foi poupado.

Entretanto, a Polícia Federal realizou busca e apreensão contra um advogado que trabalhou – ou trabalha – para um cliente envolvido no escabroso caso dos respiradores de Rui Costa.

Diz, com razão, a Ordem dos Advogados do Brasil, secção da Bahia:

“A interpretação dada aos fatos é extremamente perigosa para a advocacia e para a sociedade, uma vez que confunde o advogado com o cliente e interpreta como um ato de lavagem de dinheiro o simples recebimento de honorários, criminalizando de maneira injustificável o exercício da advocacia” (Correio, 02.08.2024).

Se a moda pega – e a Polícia Federal de Lula da Silva continuar agindo assim – pune-se o advogado, que constitucionalmente defende o cliente e libera-se o delinquente, o que não significa dizer que, neste caso, Rui Costa é culpado e o advogado é inocente.

O critério da investigação não condiz com a lógica, nem com o tratado da consequência. Tampouco com o Estado de Direito.

Coisas de autocracia.

araujo-costa@uol.com.br