A hipocrisia da esquerda

“Mais mentiroso que epitáfio de cemitério” (Agripino Grieco, crítico literário e ensaísta, 1888-1973)

Lula da Silva não tem culpa quanto aos incêndios que estão acontecendo na região de Mato Grosso.

Bolsonaro também não tinha culpa no que tange ao desmatamento na Amazônia e incêndios havidos no período de seu governo.

Entretanto, parte da esquerda, à frente artistas pendurados na Lei Rouanet, intelectuais e a histérica imprensa lulopetista em geral, ocupavam diariamente todos os espaços possíveis na mídia para espinafrar o então presidente Bolsonaro, culpando-o pelos incêndios, desmatamento e morte de índios yanomamis.

Como não sou lulista, nem bolsonarista, tampouco admirador de outros “istas”, sinto-me à vontade para falar sobre este assunto.

“O número de yanomamis mortos no 1º ano (2023) da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi de 363, segundo dados obtidos pelo Poder 360 via LAI (Lei de Acesso à Informação).

É uma alta de 5,8% sobre os 343 mortos no ano anterior, 2022, quando comandava o país Jair Bolsonaro (PL)”, conforme Poder 360, 21/02/2024.

“O número de queimadas na Amazônia bateu um novo recorde durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): a incidência do fogo na floresta é 154% maior nos quatro primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2023” (Gazeta do Povo, 29/04/2024). 

Interessante. Hoje todos esses “defensores” dos povos indígenas e do meio ambiente estão silentes. São hipócritas acintosamente calados, porque não têm o que dizer. Agarram-se à ideologia com o intuito de defender interesses próprios. Só isto.

A esquerda vive de sugar dinheiro público. Retire-lhe o acesso aos cofres públicos que ela murcha. A esquerda gosta de cargos, fama, poder, mordomias, benesses, altos salários, vida elitista.

O exemplo mais gritante é o de Lula da Silva, guru da esquerda:

“Na Itália, para participar de um encontro do G7, grupo que o Brasil nem mesmo faz parte, o casal esbanja, como foram apelidados em Brasília graças aos gastos sem limites, vai se hospedar no Borgo Egnazia, um dos cinco estrelas mais caros da Europa. A diária passa dos R$ 71 mil” (Diário do Poder, 13/06/2024)..

A esquerda do  Brasil acompanha  o caminho do vento, desde que o vento siga em direção aos cofres públicos.

Cadê Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, que ia consertar o mundo?

Dentre as muitas críticas a Bolsonaro, a ministra Marina Silva disse, em entrevista à CNN, que “o Brasil sofreu um “apagão” de políticas climáticas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)”.

Ora, por que então ela não produz luz e acaba com o apagão?

Fiat Lux, D. Marina Silva!

Faça-se a luz, ministra! Este é um latim de caixa de fósforo, mas oportuno. Faça-se a luz do bom senso. Governar não é criticar o adversário. Procurar culpado é ausência de ideias para fazer valer o novo.

Cadê o espevitado, espalhafatoso e inconveniente senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Congresso Nacional?

A região de Corumbá está em chamas. É uma das que sofrem.

Ninguém da esquerda faz estardalhaço como fazia no governo Bolsonaro.

Cadê a imprensa lulopetista?

Cadê aqueles artistas que se diziam defensores do meio ambiente?

Parafraseando Agripino Grieco, a esquerda do Brasil é mais mentirosa que epitáfio de cemitério.

araujo-costa@uol.com.br

Caraíbas e o legado de Oscar Araújo Costa

“Bafejado pelo êxito qualquer homem se imagina predestinado a grandes missões.” (Luís Viana Filho, 1908-1990, historiador e governador da Bahia no período de 1967/1971)

Oscar Araújo Costa/Arquivo Lusineide Miranda

Já se vão, por aí, alguns anos. A essência do engendramento político do município de Chorrochó passava, necessariamente, pela liderança de Oscar Araújo Costa e ramificações dele decorrentes.

Oscar foi o esteio, a estrutura, o início do caminhar, o olhar que enxergava a política como meio de vislumbrar melhores dias para a população do município.

Líder em Caraíbas e circunvizinhança, Oscar Araújo Costa era casado com a elegante e altiva Umbelina Miranda de Araújo (D. Bela) e com ela construiu base familiar e política sólida e respeitável.

O lugar onde viveu e construiu sua liderança política acabou ficando conhecida como Caraíbas de Oscar.

Houve uma quadra do tempo em que toda e qualquer decisão política de Chorrochó passava pelo crivo de Oscar Araújo Costa, Dorotheu Pacheco de Menezes e Antonio Pires de Menezes (Dodô), que costuravam apoios e conjecturavam estratégias. Mais do que isto: definiam caminhos.

A liderança política de Oscar foi-se transferindo paulatinamente ao filho José Juvenal de Araújo, cuja história de vida e dedicação à causa do município de Chorrochó é sobejamente conhecida e não comporta nenhum acréscimo.

O livro História de Chorrochó, de autoria da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes traz merecida homenagem ao grande líder popular e ex-prefeito José Juvenal, falecido em 2015.

Noutro livro, Dorotheu: caminhos, lutas e esperanças, de autoria deste escrevinhador, deixei lançado o registro: à semelhança de Oscar, José Juvenal tinha qualidade inquestionável de lidar com aliados e adversários e isto lhe sustentou politicamente durante muito tempo.   

Com a morte de José Juvenal, que deixou uma rica e inquestionável estrutura política e eleitoral, é inevitável constatar que sua liderança foi-se transferindo aos filhos.

Sheila Jaqueline Miranda Araújo foi vice-prefeita, fez parte do secretariado de Chorrochó, presidiu a Câmara Municipal e agora exerce mais um mandato de vereadora.

Oscar Araújo Costa Neto, à semelhança da irmã Sheila, desempenhou função no secretariado do município, salvo engano, até hoje. Oscar Neto também herdou do pai José Juvenal o valioso patrimônio político-eleitoral.

Sheila e Oscar Neto mantiveram razoável influência nas administrações municipais desde as gestões do prefeito Humberto Gomes Ramos, que sempre teve juízo e os manteve ao seu lado, até por gratidão.      

Contudo, vale destacar que a família Araújo tem, em seus quadros, outra liderança respeitável, embora se tenha mantido discreta e modesta: Marina Maria de Araújo Menezes.

Marina foi casada com o serventuário da Justiça da Bahia, José Eudes de Menezes (Iê), lídimo integrante dos Menezes de Chorrochó, homem de caráter irrepreensível, defensor intransigente das tradições locais, atributo oriundo do pai Eloy Pacheco de Menezes.

Marina sempre teve grande participação na vida local, na condição de professora e coordenadora das escolas do município, assim como na condição inconteste de defensora da cultura de Chorrochó.       

Neste contexto, Marina Maria Araújo Menezes participou, com muito empenho, de importantes eventos do município, que se firmaram no calendário local.

A organização inicial da festa dos vaqueiros, que hoje é tradição, contou com sua decidida contribuição, assim como melhorias no sistema educacional à época atrelado a formas antigas de ensino.

A história de Chorrochó contou com sua participação decisiva na idealização da Bandeira do Município, o que fez na condição de Coordenadora Municipal de Educação, cargo que exercia à época.

Marina determinou a confecção da Bandeira, o que não é pouco no cenário cultural de Chorrochó. Decisão perene, culturalmente enraizada na defesa das tradições locais.

Marina Araújo atuou politicamente ao lado de José Juvenal, com admirável fidelidade à liderança do irmão e, em certas situações, serviu como ponto de apoio diante da iminente tendência da família em dividir-se politicamente, aparando arestas desnecessárias.

Sua sábia atuação evitou que se alterassem a coesão, o entendimento e o espírito de civilidade entre os familiares em determinado momento político de Chorrochó.

Com o desaparecimento de alguns membros da família Araújo, inclusive José Juvenal, Marina Araújo despontou como uma liderança natural nos movimentos políticos de Chorrochó e, como tal, capaz de somar com as novas lideranças, a exemplo de Adriana Araújo, os filhos de José Juvenal, ambos admiravelmente presentes e atuantes na vida do município. Seu filho Eloy Neto também labora politicamente e tem sido muito presente e vigilante no que tange à causa de Chorrochó.

O fato é que Caraíbas se mantém na política de Chorrochó através da família Araújo, não obstante a liderança inconteste de Barra do Tarrachil. Marina Maria de Araújo Menezes faz parte desta espinha sobre a qual se firmam as decisões políticas.

O lastro eleitoral de Caraíbas é respeitável, algumas centenas de eleitores.

Parece razoável presumir que, sem nenhuma sombra de dúvida, Marina será ouvida, consultada e respeitada tanto em anos eleitorais quanto fora deles e passou a ocupar espaço importantíssimo na vida política de Chorrochó. 

Como se vê, o legado deixado por Oscar Araújo Costa se estendeu à história de Chorrochó como um todo.

Difícil apagar a marca e a estrutura política e familiar de Oscar Araújo Costa.

Por fim, deixo uma frase de Roberto Mangabeira Unger, fundamental para quem faz política:

“Não se constrói sem aglutinar e não se muda sem dividir. Para saber quando aglutinar e quando dividir, não basta ter senso de oportunidade. É preciso ter visão”.

Post scriptum:

Este artigo foi publicado em 19/06/2024 e atualizado.

O atual presidente da Câmara Municipal de Chorrochó, Ednaldo José dos Santos (Ednaldo de Zé de Nita) também é de Caraíbas e foi eleito com 470 votos.

araujo-costa@uol.com.br

O arroz suspeito de Lula da Silva

“É junto dos bão que a gente fica mió” (Ditado caipira mineiro)

Parafraseando o mineiro Benedito Valadares, o PT está onde sempre esteve.

Em meio à tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, o presidente Lula da Silva, mui apressadamente – e não mais que de repente – resolveu importar arroz.

Não se duvida, aqui, da boa intenção de Sua Excelência.

Tudo providenciado, segundo o governo, dentro dos conformes.

A Federarroz, entidade  que representa mais de 6 mil produtores de arroz, foi contra a importação do cereal determinada por Lula da Silva e justificou: 83% da plantação de arroz já foi colhida e não há risco de desabastecimento.  

Desnecessária a importação, segundo os produtores. 

A principal corretora que transitou para viabilizar o leilão é de um ex-assessor do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura envolvido no negócio nebuloso.

A oposição descobriu a falcatrua. A imprensa lulopetista silenciou.

Em resumo, aconteceu o seguinte:

Uma das empresas vencedoras do leilão é uma pequena mercearia que vende queijos em Macapá, capital do Amapá; a outra é uma sorveteria; a terceira é uma empresa de transporte.

Como se vê, nada a ver com importação de arroz e, menos ainda, com lastro financeiro para sustentar e garantir o dinheiro público envolvido.

A quarta empresa arrematante parece ser idônea e do ramo de importação.

Vamos aos números.

Lula da Silva autorizou a importação de 263,3 mil toneladas de arroz por R$ 1,3 bilhão. Dinheiro público, por óbvio.

A falcatrua mais gritantemente visível, embora todas as outras também sejam, é o caso de uma das arrematantes do leilão.

Trata-se de uma pequena empresa que tinha capital social de R$ 80 mil e sem nenhuma estrutura para importar. Receberia do governo Lula da Silva R$ 736,3 milhões para importar o arroz. Na semana do leilão, a empresa alterou o contrato social e aumentou o capital social para R$ 5 milhões. Não colou.

Portanto, a empresa de Macapá – mercearia de queijo – receberia do governo R$ 736,3 milhões para operar a falcatrua.    

Embora a grande imprensa lulopetista tenha silenciado sobre o escândalo, Lula da Silva ficou sem jeito e mandou cancelar o leilão, o que foi feito.

Neste particular, Lula acertou.

O secretário que coordenou o quiproquó, sem saída, pediu demissão. Caiu e já vai tarde.

Há precedente no PT.

Quando governador da Bahia e dirigente do chamado Consórcio Nordeste, Rui Costa comprou 300 respiradores de uma empresa que, segundo ela própria anunciou, entende  de confecção de roupas femininas íntimas e importação de medicamentos à base de maconha.

Pagou adiantado e não recebeu os respiradores. Salvo engano, as investigações continuam.

O fato é que, com tanta experiência política, Lula da Silva não está conseguindo se juntar aos bons.

E o PT está onde sempre esteve.

araujo-costa@uol.com.br

Socorro Menezes: a solidão da despedida

“Tudo se acaba com a morte, até a própria morte” (Padre Vieira, Sermões)

Adeus difícil, dilacerante, cruel.

Maria do Socorro Menezes Ribeiro/Arquivo da família

À semelhança das folhas que caem, também nos desprendemos da árvore que sustenta a existência.

Maria do Socorro Menezes Ribeiro deixou Chorrochó e seguiu em direção à eternidade.

Nas últimas semanas, ela travou uma luta silenciosa para vencer o sofrimento, mas chegou o dia do adeus que dilacerou todos nós, parentes e amigos.

Mulher de muita fé e resignação, Socorro enfrentou a angústia da perda de seu núcleo familiar mais próximo: a mãe Izabel (Biluca), o pai Dorotheu, o filho Rogério e os irmãos José Evaldo e João Bosco (Joãozito). Travessia muito dolorosa para ela.

É o esteio de uma geração que foi trincando com a ação do tempo, mas os desígnios de Deus não nos permitem fazer reparos.   

Nascida em lar cheio de amigos e enfeitado com a família decente e alegre, Socorro manteve a tradição acolhedora. Atenciosa, generosa com todos e, sobretudo, dona de uma humildade impressionante.  

Sua árvore mais dileta foi-se desfolhando, mas ela pode contar, até o fim, com a grandeza e dignidade do marido Virgílio Ribeiro de Andrade, que sofreu ao seu lado todas as perdas e a amparou na solidão e nos momentos mais difíceis de dor e sofrimento.

Ao lado de Virgílio, seus familiares mais próximos enfrentaram esses dias finais de angústia.

Todos nós que ainda ficamos por aqui estamos todos fragilizados. A convivência com a saudade de Socorro e a adequação dos dias sem a sua presença serão difíceis, muito difíceis.

Mas o que explica o naufrágio da morte é a certeza da vida.  As palavras do padre Vieira conformam-se com o preceito de São Francisco: “É morrendo que se vive para a vida eterna”.

Socorro deixou alguns exemplos: a dignidade, a retidão de caráter e a generosidade, dentre muitos.  

Momento muito difícil.

Além da convivência fraterna que tivemos, Socorro era madrinha de batismo de minha primeira filha.

Deixo pêsames para compadre Virgílio e todos da família.

Que Senhor do Bonfim nos dê a capacidade de compreender o momento.

E que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e Deus a ampare.

araujo-costa@uol.com.br  

Crônica, amigo e a certeza de uma saudade.           

Borboleteava entre bares, desde o cair da noite, até o amanhecer do dia seguinte. Deleitava-se com a alvorada, inspirava-se no indizível do crepúsculo.

Boêmio, simpático, espirituoso, culto, inteligente. Boa pinta, extrovertido, respeitador, interessante.

Quando cumprimentava uma mulher, nova ou adiantada em anos, fazia um salamaleque qualquer e, por fim, beijava-lhe a mão, cerimoniosamente.

Tinha um estranho hábito: telefonar para a casa dos amigos, madrugada afora, etilicamente calibrado, dando sustos desesperadores. Naquele tempo não existia telefone celular.

Convenhamos, não fica bem telefonar para a casa dos outros na madrugada, exceto para tratar de assuntos urgentes e inadiáveis, como a inesperada visita da morte a algum amigo ou conhecido.

Mas ele telefonava, sem constrangimento. Alongava-se em bate-papo e misturava alhos com bugalhos à vontade, altas madrugadas, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Advogado de sucesso, não precisava ganhar o pão com o exercício da profissão porque, segundo ele, o “pai deixou alguns réis” que davam para comprar um destilador de uísque para abastecer-lhe até o fim da vida. E “morrer bêbado”, acrescentava com alegre desenvoltura. 

Feriado prolongado, telefonou agitado, coisa que só amigo faz.

– Preciso de uma garrafa de uísque, urgente. Os bares estão fechados e não vou ficar sem beber.

– E eu com isso? Procure nos supermercados, disse-lhe.

– Eu não quero uísque de supermercado, quero de sua casa, para me ajudar a beber.

Logo entendi. Queria a companhia, como sempre. O uísque era desculpa.

Era assim, meu amigo. Bom amigo, grande amigo, difícil nos dias de hoje. Seguiu o caminho para a distância, obedeceu à morte. Deixou as marcas da saudade.

Eu costumava recitar pra ele o verso do baiano José Amâncio Filho, Meu Mano do Abaré, ícone das serestas sanfranciscanas de Curaçá.

Dava gostosas gargalhadas.

“Vivo hoje satisfeito

Gordo, sadio e forte

De nada tenho receio

Não temo nem mesmo a morte

E ainda tem gente que diz

Que cachorro não tem sorte”.

Mais do que uma crônica, uma saudade, intraduzível saudade.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva e a articulação política

Presidente Lula/Crédito: Andressa Anholete/Getty Imagens

“Aquele gabinete presidencial é uma desgraça. Não entra ninguém para dar uma notícia boa. Os caras só entram para pedir alguma coisa.” (Lula, segundo Sebastião Nery, Brasil 247, 21/06/2015)

Tendo em vista seguidas derrotas no Congresso Nacional, Lula da Silva sinalizou que vai pensar em aprimorar a articulação política.

É assustador Lula pensando.

Quando Lula pensou, surgiram mensalão, petrolão, refinaria Abreu e Lima, empréstimos para Venezuela e Cuba, relações espúrias com empreiteiras e outra série de escândalos que permearam os dois primeiros governos Lula que respingaram no período Dilma Rousseff.   

Quanto às derrotas do governo na Câmara dos Deputado e Senado Federal, nada que deva preocupar o presidente. Lula sabe disto. E sabe de cátedra.

Os parlamentares são dobráveis, vergonhosamente vergáveis.

Lula é experiente ao lidar com parlamentares. Ele foi deputado constituinte e conviveu com os “300 picaretas” que ele dizia ter lá. E disse na condição de presidente nacional do PT.

É razoável presumir que para resolver o problema de articulação no Congresso Nacional, basta o governo abrir os cofres e encher as burras de deputados e senadores de dinheiro público.

Sempre foi assim. Dinheiro amolece. Não existe ideologia que resista a um bolso cheio de dinheiro fácil. Ideologia de parlamentar só funciona no palanque em campanhas eleitorais e longe dos conchavos de gabinete.

Parlamentar só vota contra o governo – qualquer governo, de direita, de centro ou de esquerda – quando não é aquinhoado com benesses, mordomias, emendas parlamentares e etc.

É assim nos Estados. É assim nos municípios.

Parlamentares mudam até de partido político para viabilizarem o caminho do dinheiro em direção aos seus interesses.

A rigor, o único articulador respeitável de Lula da Silva é o senador e ex-governador baiano Jaques Wagner, líder no Senado Federal. Jaques Wagner tem pinta de senador, estatura de senador e é senador.

O senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional, por si só é uma piada sem graça. Articulação política pressupõe moderação. Ninguém pode levar a sério um parlamentar tão espalhafatoso.

O experiente deputado cearense José Guimarães, líder do governo na Câmara dos Deputados, parece ter vontade de articular, mas encontra resistência de colegas, inclusive de seu partido, o PT.

Lula tem um problema maior e bem próximo à sua mesa de trabalho. É o ministro palaciano Alexandre Padilha, das Relações Institucionais.

Homem de extrema confiança de Lula, responsável pela articulação política, Padilha não é bem aceito no Congresso. Arthur Lira, presidente da Câmara, o abomina.  Não é pouco.

O fato é que Lula disse que vai dar mais atenção à articulação política com o Congresso Nacional e isto pressupõe que Lula vai pensar.

É preocupante.

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Em Chorrochó, a marca de um profissional

Igreja de Chorrochó/Crédito: Edilson Oliveira

O experiente radialista Edilson Oliveira Maciel, sempre atento às coisas de Chorrochó, registrando fatos e imagens do lugar.

Esta imagem traduz a marca de um profissional de respeito.

Edilson publicou esta foto da Igreja de Senhor do Bonfim, obra do idealismo de Antonio Conselheiro, símbolo e sustentáculo da fé católica de Chorrochó.  

Parabéns a Edilson pelo trabalho profícuo em prol de Chorrochó e também pelo aniversário natalício neste 31 de maio.

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Chorrochó, o porco-espinho e a raposa  

Em agosto de 2012, a imprensa noticiou que apareceu na fazenda Jurema, município de Chorrochó, sertão da Bahia, não se sabe procedente de onde, um simpático porco-espinho, que segundo alguns, parecia um porco-espinho mas não devia ser um porco-espinho.

Imagem ilustrativa: Porco espinho/Crédito QC Animais

O descobridor do animal, que não lembro o nome, assegurou que o encontrou em cima de uma árvore, se não me falha a memória.

História incomum, mas é maldade duvidar. Aliás, o porco-espinho tem hábitos noturnos.

Durante o dia, dizem os entendidos, ele se recolhe e não fica por aí nas alturas admirando a paisagem do sertão até porque, em tempos de seca – e agosto comumente é tempo de seca – a paisagem não é lá tão bonita assim que ocupe a atenção turística de um porco-espinho. 

O certo é que na ocasião esse porco-espinho chorrochoense ficou famoso, embora um porco-espinho, que não devia ser porco-espinho.

A caatinga nunca foi habitat do porco-espinho ou do ouriço, que é parecido com ele ou, no mínimo, parente dele.

Sou do mato, caatingueiro legítimo dos cafundós de Curaçá e Chorrochó e me atrevo a dizer isto, talvez mais uma besteira das muitas que tenho dito e continuo dizendo.

Mas até aquela ocasião, não conhecia precedente em nossa região. Se esse paisagístico animal estava em cima de uma árvore e, sendo um porco-espinho, como foi tirado de lá, sem que a pessoa que o resgatou se ferisse?

É ilógico admitir que na fazenda Jurema tenha porco-espinho. Se tem um, tem mais de um.

Não sei se os estudiosos chegaram a explicar, cientificamente, como surgiram por lá. Esse não caiu das nuvens, sozinho, isoladamente. Tem – ou teve – pai, mãe, parente, aderente, tem família ou seja lá que nome é usado pelo porco-espinho para definir sua prole.

É uma conclusão mais biológica que conjectural.

À época Chorrochó estava em campanha política acirrada. Até sugeri na ocasião que o porco-espinho fosse eleito símbolo da campanha eleitoral de 2012. Mas ninguém deu bola para esse meu desatino e minha idiotice.

Os espinhos são o mecanismo de defesa do animal. Quando o porco-espinho é atacado, os espinhos se desprendem e anulam a ação do predador.

Como os candidatos não têm espinhos para anular a provocação dos adversários, o porco-espinho poderia servir como analogia para contê-los e a campanha política correria em paz absoluta, sem desavenças, sem acusações mútuas, sem excessos.

Agora, outra notícia de Chorrochó.

Imagem ilustrativa: Raposa/Crédito Fox

Em data recente, apareceu uma raposa no centro de Chorrochó. Esta sim, habitante legítima da caatinga e, por óbvio, comum naquelas paragens.

Pelo jeito, a raposa estava raivosa e chegou a atacar uma senhora de lá e também um rapaz que foi defendê-la da investida do enxerido animal.

Um amigo de lá me telefonou indignado. Já um tanto acostumado com as coisas estranhas que acontecem em Chorrochó, principalmente na política, foi logo dizendo:

“Estranho não foi a raposa aparecer na Praça do Cruzeiro, no centro de  Chorrochó. Estranho é que na rede pública de saúde do município não tinha medicamento antirrábico para atender a urgência”.

Parece que a saída foi Chorrochó socorrer-se de Paulo Afonso.  

Interessante é que eu tinha lido, nalgum lugar, que o secretário de Saúde de Chorrochó, salvo engano, ganhou selo de qualidade por sua eficiente atuação no setor.

Confesso que me senti orgulhoso com a notícia do desempenho e do mérito atribuído ao ilustre secretário. Isto significa presumir que a saúde de Chorrochó vai muito bem.

Ou alguma coisa não está bem clara.

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Reflexões de outono

“Toda saudade é uma espécie de velhice. É por isso que os olhos dos velhos vão se enchendo de ausências” (Rubem Alves, 1933-2014).

Início da noite, quando o burburinho do ambiente profissional já se havia dissipado, um amigo pondera, entre confuso e reflexivo: Deve haver explicação para tantos tropeços que enfrentamos na vida.

Para não deixá-lo desapontado, concordei, embora sem nenhum condição de concordar ou discordar. Deve haver, sim. Mas são explicações que não conseguimos explicar.

Às vezes no decorrer da caminhada falta coragem e sobra medo de enfrentar os tropeços. Quase sempre. É por isto que vamos deixando vácuos pelo caminho, lacunas não preenchidas, dúvidas, reticências, arrependimentos, saudades, arrogâncias.

Cora Coralina (1889-1985) foi além: “Devia ter tido a coragem que me faltou e não devia ter tido o medo que me sobrou”.

Chega o outono inevitável, o período da maturidade, o tempo de grisalhar. Até os sonhos às vezes fracassam e caem, à semelhança das folhas e se esvoaçam em direção à distância.

Recebo notícia crudelíssima dando conta de que uma amiga de Chorrochó está muito doente, enfrentando dificuldades nesta sua quadra outonal da vida.

Estou com saudade. “Olhos se enchendo de ausência”.

Tempo de descer ao pé da escada para refletir, sem perder a coragem de elevar a humildade ao último degrau, pedir desculpas, chorar.

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A “desgastada credibilidade do Supremo”, segundo a Folha de S.Paulo  

Supremo Tribunal Federal/Gabriela Biló/Folhapress

Editorial da Folha de S.Paulo de 10/05/2024:

“A mais alta corte do país manteve em vigor a Lei das Estatais, mas preservou a validade de nomeações feitas ao arrepio dessa mesma lei. É inevitável a sensação de que os ministros se alinharam aos interesses do governo Lula, num gesto que mina a já desgastada credibilidade do Supremo”.

Explica-se:

“Consta do diploma de 2016 que não podem ser nomeadas para o comando dessas companhias pessoas que tenham atuado, nos últimos três anos, como dirigentes de partidos ou na organização de campanhas eleitorais”.

Apesar da Lei, Lula da Silva nomeou alguns de seus amigos nessas condições para postos em estatais, que estão lá nababescamente remunerados, sorvendo dinheiro público.

Provocado em ação judicial, o STF disse que a Lei das Estatais é constitucional, mas validou as nomeações feitas por Lula da Silva, apesar de contrárias à lei.

Noutras palavras, Lula da Silva está errado e feriu a lei, mas pode.

Parece a inflação de Miriam Leitão: está alta, mas está boa.

Em quadro assim, como esperar credibilidade do STF?

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