O juiz eleitoral e o outro nome da censura

Bahia, 1962. Eleições de outubro.

O fato é contado pelo jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara e uma espécie de “testemunha ocular da história” (A Nuvem – O que ficou do que passou, Geração Editorial, São Paulo, 2009).

O general Juracy Magalhães era governador e exercia poderosa influência sobre líderes municipais. Famoso tenente na década de 1930, integrante do movimento tenentista que derrubou o presidente Washington Luiz, habituado a mandar nos quartéis, Juracy também passou a mandar na Bahia. Era anticomunista roxo.

Na marcha das apurações em Santo Antonio de Jesus, recôncavo baiano, as urnas asseguravam expressiva votação ao jornalista Sebastião Nery, candidato a deputado estadual pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR), socialista convicto e inquieto ativista de esquerda.

O juiz eleitoral, subserviente ao governador, na hora de preencher o mapa da apuração, espantou-se com o resultado do candidato e perguntou ao membro da junta apuradora:

– Quantos votos para Sebastião Nery?

– 160, Doutor.

– Corta o zero. Bota no mapa só 16. O que o governador vai pensar de mim se este comunista ganhar em minha comarca?

E sumiu com 144 votos de Sebastião Nery.

Como se vê, havia juízes e juízes. Ainda hoje.

Em data recentíssima, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou excluir do Twitter um vídeo da produtora Brasil Paralelo com críticas ao ex-presidente Lula da Silva (PT), “por atribuírem ao candidato casos de corrupção que ocorreram durante seu mandato, como o do mensalão” (Folha de S.Paulo, 14/10/2022).

Os ministros do TSE fizeram uma interpretação contorcionista da realidade fática, coisa nunca vista e, mais do que isto, incompatível com a hermenêutica.

O exercício do Direito autoriza a concluir que a interpretação da lei exclui quaisquer elucubrações fora da lei. É outro o campo das conjecturas.

Entretanto, os ministros do TSE criaram uma figura de interpretação e deram o nome de “desordem informacional” que, segundo eles, significa o seguinte:

“Você junta várias informações verdadeiras, que ocorreram e aí traz uma conclusão falsa”, disse, com todas as letras Sua Excelência o presidente do TSE.

Pergunto: Se a informação é verdadeira como a conclusão baseada nela é falsa?

Ou seja: O TSE diz que a informação é verdadeira, mas não pode ser publicada para não prejudicar Lula da Silva.

Isto tem outro nome: censura. Só existiu nos piores anos de chumbo da ditadura militar e vale para Lula da Silva, Bolsonaro ou qualquer outro.

araujo-costa@uol.com.br

Maurízio Bim e esta desalinhada conversa.

Maurízio Bim e Dionária Bim/Perfil facebook de Maurízio

Felicitar amigos, parentes e aderentes em datas natalícias é uma demonstração de consideração e, mais do que isto, sinal de que os aniversariantes significam valiosa importância para quem os felicita.

Angustia-me, quase sempre, porque essas datas me passam despercebidas e isto não quer dizer falta de consideração, mas displicência e desorganização, embora as redes sociais hoje acabem socorrendo pessoas desatentas como eu.

Não costumo agendar datas de aniversários como fazem alguns amigos que tenho – o que é muito louvável – e que me pespegam a pecha de desleixado, com o que concordo e os aplaudo por me conhecerem bem.

Não chego a me adequar às conveniências das etiquetas sociais, embora faça um grande esforço para não arranhá-las, mormente nestes tempos hodiernos, quando qualquer palavra descontextualizada pode me deixar em maus lençóis.

Delongas à parte, quero deixar registrado minhas felicitações para Maurízio Bim que completou mais um ano de vida, graças a Deus e alegrou familiares e amigos.

Parabéns tardios, mas sérios, oportunos e eivados de muita consideração.

Já escrevi alhures – e até com certa frequência – algumas coisas sobre Maurízio Bim, curaçaense de boa cepa, jornalista, escritor, profissional de respeito em sua área, além de outras qualidades mais que ele as imprime em qualquer espaço que ocupa.

Numa dessas coisas que escrevi, cometi uma gafe monumental, que as regras de etiqueta não perdoam: errei o nome de Maurízio. Dislate que atribuo à falta de atenção ou de conhecimento mesmo, nada mais do que isto.

Cometo a imprudência de dizer-me seu amigo, embora ele seja um tanto jovem e eu septuagenário e vítima de minha memória esburacada e dos defeitos que o tropeçar da vida me permite carregar, mas considero de somenos.

Entretanto, no dia em que as amizades se restringirem ao redor da faixa etária de cada um, certamente o mundo estará perdido e elas serão mais raras. Já se escasseiam amizades duradouras, permanentes, sólidas.

De qualquer modo, deixo perolados parabéns ao aniversariante Maurízio Bim e lhe desejo saúde plena e muita disposição para seguir adiante em direção à robustez de seu sucesso, que já é grande.

E aproveito o balançar dessa conversa desalinhada para mandar, através do aniversariante, afetuoso abraço para minha dileta professora Dionária Ana Bim, mãe de Maurízio.

Sou admirador de ambos.

araujo-costa@uol.com.br

Amigo de bom caráter e respeito

Dircis de Souza Bom (Adilson) e o autor, 11/10/2022

Já se vão, por aí, mais de uma década. Este o interregno aproximado de nosso último encontro, não obstante ambos moradores de São Bernardo do Campo e vivermos aqui e acolá quase tropeçando no outro.

Manhã desta primavera atípica de 2022, recebo em meu escritório, com prazer que não consigo definir, a visita do amigo Dircis de Souza Bom, Adilson para os amigos e conhecidos, petista respeitado, natural de Medina, seco município do médio Jequitinhonha, nordeste das Minas Gerais, mas radicado em São Bernardo do Campo.

Adilson é um daqueles amigos de verdade, um dos poucos que tenho e consegui manter em São Paulo.

É irmão de Djalma de Souza Bom, também mineiro de Medina, idealista e petista de respeito, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).

Djalma Bom foi tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), ninho e aconchego do petista-mor Lula da Silva, ativo e irrequieto participante das greves de 1978 e 1980 no ABC Paulista, em plena ditadura militar oriunda de 1964.

Djalma Bom foi deputado estadual por dois mandatos (1995-1999/1999-2003), deputado federal (1983-1987) e vice-prefeito da pujante São Bernardo do Campo (1989-1992).

Djalma de Souza Bom/Reprodução Wikipédia

Mas o assunto que me traz hoje aqui é Dircis de Souza Bom, sujeito de boas qualidades, correto, honesto e amigo de verdade. Ele já fez a façanha de, sem me conhecer – ainda não éramos amigos – socorrer-me em muitas dificuldades quando eu titubeava na cidade grande, quando os amigos ainda eram escassos.

Sou grato até hoje. Continuarei grato. Serei sempre grato.

Hoje, já na casa dos 77 anos, Adilson parece um jovem adolescente, inquieto, otimista, conversa fácil, estado de espírito acolhedor, sorriso sempre presente, olhar de esperança.

Visita surpreendente e inesquecível. Cutuca a certeza de que amigos são preciosidades.

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Patamuté – Fazenda Brejo Seco

José de Porcino e família/Foto do perfil de Aidete Paixão no facebook

A família de José de Porcino noticiou seu falecimento em 06/10/2022.

Exemplo de homem respeitoso e de caráter irrepreensível, amigo atencioso e, sobretudo, decente e honrado.

Há algum tempo, Zé de Porcino perdeu a mulher Haidê Paixão, uma criatura dócil e dedicada à família.

O enterro de Zé será no cemitério da Fazenda Brejo Seco, onde morava, segundo informou a família.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe mostre o caminho e Deus o ampare.  

Pêsames à família de José de Porcino.

Vai com Deus Zé.

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Raízes, tempo, saudade

Casa na Fazenda Estreito, Patamuté/Curaçá-Bahia

Nasci nesta casa, na Fazenda Estreito, caatinga e barrancos do Riacho da Várzea, distrito de Patamuté, município de Curaçá (BA).

Aqui sofri, sorri, chorei, sonhei.

Aqui o tempo conserva minhas raízes.

Aqui aprendi a ter esperança e acreditar no nascer da aurora e na perspectiva de novos horizontes.

Aqui foi minha melhor escola de humildade, aqui conheci minha pequenez e minhas limitações, aqui aprendi a inutilidade da arrogância.

Aqui dei os primeiros passos em direção ao desconhecido.

Continuo andando, sorrindo, chorando, sofrendo, caindo, sonhando.

A cada momento deparo-me com o desconhecido. Às vezes tropeço, outras vezes caio, outras tantas levanto-me, mas ainda não cheguei ao destino.

Como é fácil seguir a caminhada!

Como é difícil seguir a caminhada!

Nas encruzilhadas do tempo e da vida, sempre lembro o poeta espanhol Antonio Machado (1875-1939):

“Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”.

O resto é saudade.

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A Bahia é um feudo petista confuso

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar” (Nelson Rodrigues, jornalista, cronista e escritor pernambucano, 1912-1980)

O abalizado jornal Estado de Minas de 03/10/2022 e outros órgãos de imprensa publicaram que o município baiano de Wanderley, lá para as bandas de Tabocas do Brejo Velho, Barreiras e Formosa do Rio Preto, extremo oeste do Estado, votou em Lula da Silva (PT) quase por unanimidade: 96,61% dos eleitores votaram no ex-presidente.

Como se vê, se não fosse o “quase”, teria havido unanimidade.

O concorrente presidente Bolsonaro (PL) obteve míseros 2,82% dos votos no município. Se foram acertados, não se sabe.

Dizem as notícias, que são “dados do TSE”. Logo, presumem-se verdadeiras, até porque a Folha de S.Paulo, porta voz da esquerda, também publicou a informação e ela não publicaria fake news.

Sou baiano. Caatingueiro e bicho do mato, confesso que tive dificuldade de entender essa quase unanimidade do município de Wanderley.

Ainda bem que outros pouquíssimos votos do município não permitiram que o cronista Nelson Rodrigues tivesse razão por lá.  

A Bahia continua feudo do PT. Os baianos estão satisfeitíssimos com os governos petistas, de modo que não há nada a reclamar, nada a melhorar, nada a reivindicar. E o município de Wanderley é uma amostra dessa felicidade baiana.

Jaques Wagner e Rui Costa estão rindo à toa.

A Bahia deve ser um oásis de desenvolvimento encravado na Região Nordeste: a educação está boa, a saúde está ótima, a segurança pública idem, existem muitas estradas e não precisam de consertos, os serviços públicos são impecáveis, os servidores públicos estão satisfeitos, não há suspeita de corrupção, não há fome, não há desempregados e por aí vai.  

Convenhamos, uma sociedade que, invés de exigir e discutir propostas e programas de governo de seus candidatos, passa parte da campanha eleitoral do primeiro turno discutindo a cor da pele de um dos candidatos ao governo do Estado, certamente tem dificuldade de ajustar sua vontade às urnas eleitorais.

Que diferença faz para a Bahia ou quaisquer estados da federação se o governador do Estado é branco de olhos verdes ou é preto retinto, pardo, amarelo ou de qualquer cor?

A cor da pele não lhe suprime a inteligência, tampouco o tirocínio administrativo, a seriedade, o zelo com a coisa pública, nem a vergonha na condição de gestor.

A Bahia é um feudo petista confuso. Valha-me Gregório de Matos! Valha-me Ruy Barbosa!

Só resta, neste particular, tirar o chapéu para Lula da Silva, morubixaba de Caetés. Trata-se de um fenômeno eleitoral.

Post escriptum:

Recomendo a leitura das crônicas do conspícuo curaçaense Omar Dias Torres (Babá) que estão sendo publicadas no site http://www.curacaoficial.com.br

Tenho-me deleitado com elas e com a memória, inteligência e sabedoria do autor.

araujo-costa@uol.com.br

Eleições: Festa da democracia, apesar do falso cenário de violência

“Discrepo. E di-lo-ei por quê” (Antonio Houaiss, filólogo e dicionarista, 1915-1999)

Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews, acabou de colocar o Brasil de cócoras.

Em 01/10/2022, à tarde, a veterana jornalista de esquerda e comentarista de política, disse que diversos chefes de governo do mundo estavam de “plantão para ratificar” o resultado das eleições no Brasil.

“Ratificar” foi a palavra usada por Eliane Cantanhêde de forma inadequada, mas certamente de propósito, com o intuito de enaltecer o discurso dos candidatos apoiados por alguns órgãos da grande imprensa, mormente o Grupo Globo.

Segundo os dicionários, ratificar significa validar, o que pressupõe, segundo a jornalista, que o resultado das eleições no Brasil depende do beneplácito de chefes de governo estrangeiro.

Os editores da emissora precisam explicar para a espevitada comentarista do Grupo Globo que nenhum chefe de Estado ou de governo estrangeiro tem o poder de “ratificar” resultado de eleições no Brasil.

Quem ratifica é o Tribunal Superior Eleitoral, são as autoridades brasileiras e nossas instituições nacionais.

Dizer que presidentes estrangeiros estão de “plantão para ratificar” o resultado de nossas eleições é arranhar nossa soberania, colocar o Brasil de cócoras.

Eliane Cantanhêde deve estar tomando muitas aulas com os radicais da esquerda do Brasil. Só eles – não todos, evidentemente – são capazes de submeter nossa soberania à vontade de governantes de outras nações. 

Aliás, há espiões estrangeiros dentro do TSE, recebidos pelo excelentíssimo presidente do tribunal e pomposamente chamados de observadores, que passam informações para seus países e que, certamente, servirão de base para seus chefes de governo “validarem” o resultado de nossas eleições, como diz a comentarista do Grupo Globo.

De outro turno, alguns ministros do TSE que abdicaram da nobre missão de magistrados e assumiram ostensiva posição de militantes políticos, tanto reprovável quanto vergonhoso, fizeram de tudo para transformar as eleições de 2022 num cenário de horror.

Esses ministros censuraram matérias jornalísticas publicadas, restringiram o direito dos cidadãos quanto ao uso de meios de comunicação, decretaram restrições de direitos, ameaçaram eleitores de prisão e barbarizaram interpretações de normas legais.

Tudo contrário aos mandamentos da Constituição da República.

Dizem esses ministros e subidas Excelências que fazem isto em nome da democracia. Então, tá.

Mais: ministros do TSE criaram a expectativa do surgimento de grande onda de violência política nas ruas, gastaram fortuna de dinheiro público com segurança desnecessária, além de restringirem a circulação de pessoas nas redondezas dos palácios de Brasília. Em última análise, espancaram o direito de ir e vir dos cidadãos.

Entretanto, esses ministros militantes políticos não tiveram êxito. Eles ainda não conseguem enxergar que os brasileiros estão amadurecidos, querem votar, querem alegrar-se com seus candidatos, querem festejar democraticamente o direito de votar.

O primeiro turno das eleições transcorreu em paz, sem a violência apregoada por esses ministros militantes e o povo provou que tem dignidade para não se deixar levar por infundadas afirmações catastróficas.

Em suma: quem apostou na violência nas ruas ficou desapontado.

Este escrevinhador discrepa desse cenário de horror. Ele não há.

Viva a democracia! Viva a sabedoria do povo!

araujo-costa@uol.com.br

Em Curaçá, o dinamismo de Frei Valdevan

Frei Valdevan/Foto de seu perfil no facebook

Frei Valdevan Correia de Barros pertence à Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFMConv), da Província São Francisco de Assis, com sede em Santo André, ABC paulista.

À semelhança de todo missionário, Frei Valdevan cuida fervorosamente dos alicerces da fé, desta vez na Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito, em Curaçá.

Pernambucano de Saloá, município do Planalto da Borborema na região de Águas Belas e Iati e nascido em 19.08.1978, Frei Valdevan entrou para a vida religiosa em 2004 no Seminário Santo Antonio, em Cascavel (PR) e em 2009 fez sua profissão na Ordem dos Frades Menores Conventuais em Caçapava (SP).

Em 28.06.2014 foi ordenado sacerdote no Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André (SP), belíssimo templo do ABC.

Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também é Bacharel em Teologia.

No período de 2014 a 2017, foi Vigário Paroquial em Ubatuba (SP) e passou por Guaraniaçu (PR), onde foi Pároco também por quatro anos.

Em janeiro de 2022 Frei Valdevan foi escolhido Pároco da Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito em Curaçá (BA), em decorrência da abertura da Missão dos Franciscanos Conventuais naquele município do submédio São Francisco.

Em Curaçá, sua missão envolve os cuidados com a Gruta de Patamuté que em 2016 foi elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus por decreto de D. Carlos Alberto Breis Pereira, frei da Ordem dos Frades Menores e bispo da diocese de Juazeiro.

Já se vão, por aí, um século e mais alguns anos que a Gruta de Patamuté vem alicerçando a fé de seu povo.

A Gruta de Patamuté começou a despontar como referência religiosa em 1903, quando, segundo o escritor curaçaense João Mattos, “um erudito pregador e missionário católico, monsenhor Pedro Cavalcante Rocha, achou-a tão bela que nela terminou a Santa Missão que pregava em Patamuté”.

O cruzeiro do interior da Gruta foi colocado por esse dedicado missionário, como se ali estivesse fincando os primeiros andaimes para alicerçar a construção da fé em Patamuté.

Mais tarde, ainda segundo relato de João Mattos, “em 1905, o padre Manuel Félix de Moura, então vigário da freguesia, transferiu sua residência para a Gruta e nela implantou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus”.

Foi o padre Manuel Félix que entronizou a imagem no altar da Gruta oferecida pelos habitantes de Patamuté e, sabe-se, iniciou as romarias ao Sagrado Coração de Jesus, que perduram até nossos dias.

Mas não se pode falar sobre os festejos da Gruta de Patamuté sem associá-los ao núcleo do distrito por inteiro, base da história local e ponto de apoio para as romarias que se realizam há mais de um século, mormente em primeiro de novembro, precedidas de alvorada, cantos e de muita alegria em louvor ao Sagrado Coração de Jesus.

O coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), cujos restos mortais estão enterrados na Igreja de Patamuté, teve contribuição importante na construção da história religiosa do lugar.

Com os auspícios do coronel Galdino deram-se os primeiros passos para a construção da Igreja de Patamuté, isto por volta dos primeiros anos do Século XX, iniciando-se por lá a sincronia religiosa entre o distrito de Patamuté e a Gruta.

No distrito de Patamuté, o padroeiro Santo Antonio eleva-se altaneiro e excelso; na Gruta, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus faz-se viva a cada ano e atrai fiéis da região e de outros estados.

Peregrinos e devotos que têm a fé como sustentação do único alento da vida sertaneja acorrem anualmente à Gruta de Patamuté.

Anualmente, em 31 de outubro e 01 de novembro dá-se a romaria à Gruta de Patamuté.

A tradição católica comemora em 01 de novembro o Dia de Todos os Santos, data em que, na Gruta de Patamuté, os romeiros se reúnem, participam de missas e manifestações culturais, confessam-se diante dos sacerdotes e acendem velas para significar o pagamento de promessas ou pedido de graças.

Também já é tradição os ex-votos, objetos deixados pelos romeiros na Gruta que simbolizam agradecimento e fé.

A estrutura de Santuário, embora precária, sinaliza que a tradição religiosa da Gruta se fortalece e sedimenta a construção da fé iniciada pelos pioneiros: monsenhor Pedro Cavalcante Rocha e padre Manuel Félix de Moura.

Dinâmico, Frei Valdevan lançou um projeto de construções no Santuário que compreende um portal, igreja, estátua do Sagrado Coração de Jesus, escada com rampa e corrimão, banheiros, centro de apoio aos romeiros e iluminação interna do Santuário, dentre outras benfeitorias e construções.

Este Blog apoia o projeto e o entende valioso.

Esclarecimento:

Independentemente da atuação do Frei Valdevan e de sua valiosa contribuição à Paróquia de Curaçá e, por extensão, ao Distrito de Patamuté, este Blog esclarece aos leitores que entrou em contato com a Paróquia de Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito e com o Frei Valdevan, com o intuito de ouvi-los e enriquecer a matéria.

Frei Valdevan entrou em contato com o Blog, mas a matéria já estava publicada. A Paróquia não se manifestou.

De qualquer modo, este Blog continua admirando Curaçá, sua Paróquia e Patamuté e deseja êxito ao Frei Valdevan em sua missão de evangelizar.

Post scriptum:

Esta matéria contou com valiosas informações colhidas de Daniel Bandeira, da Assessoria de Comunicação e Imprensa, dos Franciscanos Conventuais, da Província São Francisco de Assis.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva quer mais dinheiro dos brasileiros

Lula da Silva/Reprodução Google

Conforme reportagem de Italo Nogueira e Victoria Azevedo (Folha de S.Paulo, 26/09/2022), Lula da Silva quer que a União Federal lhe pague uma indenização, que ele chamou de compensação, em razão de ter sido preso em Curitiba por um período de 580 dias.

Se a moda pega, os presídios do Brasil serão substancialmente esvaziados. Há centenas de presos cumprindo pena injustamente, outros que já cumpriram e continuam presos e outros tantos sem previsão de julgamento, et cetera. Em quadro assim e em tese, todos têm direito à indenização do Estado.

A diferença é que presidiários nessas condições são pobres, sem recursos para pagarem advogados, como Lula da Silva tem sobejamente.

Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o lulopetismo, como um todo, construíram a narrativa fajuta no sentido de que o ex-presidente foi absolvido em todos os processos.

Mesmo sabendo que não é verdade, Lula tem dito e reiterado o seguinte: “Fui absolvido em 26 processos, duas vezes na ONU e pela Suprema Corte”.

Lorota. Monumental lorota.

Os processos foram anulados, em razão de interpretação processual do Supremo Tribunal Federal (STF). Por esse entendimento, os processos seriam deslocados às jurisdições ditas competentes, donde se depreende que novamente seriam instruídos e assegurado o amplo direito de defesa ao ex-presidente, com os consectários de praxe.

Há alguns processos extintos, de fato, em razão de prescrição, o que é diferente de absolvição.

Por fim e, por óbvio, aconteceriam os julgamentos.

Significa dizer que as provas teriam de ser novamente colhidas e analisadas pelo Judiciário de primeira instância e daí, em diante, os processos seguiriam os trâmites previstos na legislação, inclusive nas fases recursais.

É verdade que isto é impraticável. Não vai acontecer, até por uma razão temporal.

Quando todos aqueles processos que não chegaram a ser extintos forem novamente instaurados, passando pela fase investigativa, oferecimento de denúncia, defesa, julgamento e recursos, Lula da Silva já terá atingido idade tal que não poderá ser punido, se condenado.

De outro turno, a ONU (Organização das Nações Unidas) não tem atribuição para absolver ninguém, como Lula apregoa. Não tem o poder de absolver Lula da Silva, nem qualquer ex-chefe de governo e de Estado, por crimes comuns.

A ONU é uma organização política intergovernamental criada para fins de cooperação entre as nações e, como tal, não pode ingerir-se em assuntos estritos e de competência do Poder Judiciário dos países membros.

É uma questão de soberania e autodeterminação dos povos.

Sabe-se, e isto basta, que uma comissão da ONU, dentre tantas que existem lá, se manifestou contrariamente à prisão e situação jurídica de Lula da Silva. Isto não é julgamento, não é absolvição. Nem pode ser.

Conseguintemente, Lula da Silva e o PT criaram essa versão para ajustá-la à propaganda eleitoral e engambelar os incautos, que são muitos e acreditam piamente no morubixaba de Caetés.

Em resumo: uma coisa é sentença absolutória definitiva; outra é, completamente diferente, a anulação pura e simples de qualquer processo em razão de alguma nulidade.

Anulação não é sinônimo de absolvição, quando não há sentença de mérito colocando fim ao processo.

Mas o fato é que Lula da Silva já sinalizou que vai processar a União Federal para que os brasileiros o indenizem com dinheiro suado dos impostos que pagam.

Vai processar e vai ganhar. Explica-se:

Como os processos de Lula tramitam com uma rapidez nunca vista no Judiciário, basta qualquer ministro petista do STF conceder-lhe uma liminar favorável, mandar o processo para julgamento no plenário virtual e a maioria do STF confirmar a liminar e mandar encher as burras de Lula da Silva de dinheiro público.

Argumentar-se-á que não é bem assim. O STF ainda precisa ouvir a manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR) e coisa e tal. É verdade, precisa sim, mas o STF não acatará necessariamente a manifestação da PGR. Tem sido assim ultimamente.

Não é demais presumir que Lula está sinalizando que vai pedir indenização, porque já sondou o caminho do procedimento e o possível desfecho junto ao STF. Ele tem amigos lá.

Há um ditado nos sertões do Nordeste segundo o qual “mais vale amigo na praça do que dinheiro no caixa”.

Lula da Silva tem muitos amigos, inclusive nos tribunais, que lhe abrem as portas largas e gulosas das benesses.

Se o Poder Judiciário decidir que a prisão de Lula da Silva foi injusta, a indenização será devida e os brasileiros pagarão a conta, se o Judiciário mandar, sem tugir nem mugir, absolutamente calados.

Isto vale para Lula da Silva e vale para todos. Se todos fossem iguais perante a lei, como diz a Constituição da República.

Simples assim.

araujo-costa@uol.com.br

Bahia: a falta de sinceridade da esquerda

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, Oração aos Moços)

Adulador contumaz do carlismo e hoje participante das fileiras da esquerda, o senador Otto Alencar (PSD) pode ser reconduzido ao Senado Federal nas eleições de outubro próximo, o que prova que a Bahia ainda não amadureceu politicamente.

Otto Alencar já foi do Partido Democrático Social (PDS), sustentáculo da feroz ditadura militar e de seus consequentes PFL e DEM, além de ter passado por PL e PP.

Para dizer o mínimo, considerar Otto Alencar de esquerda ou próximo dela é um acinte à memória de combativos esquerdistas históricos tais como Waldir Pires (Amargosa), Francisco Pinto (Feira de Santana), Haroldo Lima (Caetité), Giocondo Dias (Salvador) e tantos outros que fizeram da política uma perigosa trincheira para a luta contra as injustiças e não para alinhavar conchavos.  

Um político que pula do exacerbado conservadorismo de direita ao radicalismo de esquerda, com tanta desenvoltura e facilidade, não pode ser levado a sério, não deve ser levado a sério. Falta-lhe convicção ideológica e lhe sobra hipocrisia que beira a desfaçatez.

Maior colégio eleitoral do Nordeste, com aproximados 11,3 milhões de eleitores, a Bahia parece que tende a se ajoelhar diante da insignificância de Otto Alencar e reconduzi-lo ao Senado, segundo apontam as pesquisas.

O complô que pode assegurar a vitória de Otto Alencar nas urnas de 2022 envolve a conhecida popularidade do lulopetismo no Estado e uma costura que levará o experiente senador e ex-governador petista Jaques Wagner para o Ministério das Relações Exteriores, na condição de chanceler, num eventual governo Lula da Silva, mas mantém a Bahia politicamente de joelhos.

Otto Alencar é conhecido por seu livre trânsito nos municípios, amizades com ex-prefeitos e outras lideranças políticas do interior do Estado e, mais do que isto, sua capacidade de aliar-se a poderosos de ocasião.

Entrementes, o passado do senador baiano não é lá muito puro, nem inquestionável.

Uma filha de Otto Alencar trabalha ou trabalhou no Tribunal de Contas do Estado da Bahia, apadrinhada por Gildásio Penedo Cavalcanti de Albuquerque Filho, ex-deputado estadual pelo PFL e DEM, partidos de direita, alçado à presidência do Tribunal e que foi filiado ao PSD, partido de Otto Alencar.

Salvo engano, Gildásio Penedo é casado com Roberta Alencar de Santana Penedo, sobrinha de Otto Alencar.

Se não for nepotismo – e não deve ser, porque o Tribunal de Contas é uma instituição séria – é no mínimo imoral este apadrinhamento esdrúxulo.

No exíguo período de nove meses que foi governador da Bahia, Otto Alencar enfrentou dois episódios que lhe deixaram algumas marcas em sua vida política que ele parece ter esquecido, finge esquecer ou, adrede, zomba da memória dos baianos.

Otto Alencar foi acusado de patrocinar e/ou acobertar escutas ilegais de adversários políticos, o chamado “escândalo dos grampos”, supostamente a mando do então poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM), a maior liderança política que a Bahia já teve.

A Assembleia Legislativa criou uma CPI para investigar o caso, mas Otto Alencar safou-se dela, em razão de maioria que contava a seu favor no Legislativo baiano, lastreada no poder por influência de Antonio Carlos Magalhães a quem Otto Alencar estava pendurado à semelhança de um carrapato.

Ato contínuo, sobreveio o rumoroso caso da EBAL-Empresa Baiana de Alimentos, responsável por uma rede de supermercados públicos. Novamente criou-se uma CPI para investigar suposto rombo apontado no orçamento da empresa estatal.

Mais uma vez, a rede de apoio político de Otto Alencar impediu que ele comparecesse à CPI para depor.

Em 2018, salvo engano, a EBAL foi privatizada, vendida para um grupo espanhol com base em São Paulo e com ela foram-se as Cestas do Povo tão fundamentais para os baianos.

Em 2014, Otto Alencar foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, com base em propaganda antecipada feita em Ruy Barbosa, sua cidade natal, por ter distribuído adesivos e pintado muro noticiando sua candidatura, sem amparo na legislação eleitoral.

Trata-se, portanto, de um legislador que tem dificuldade de cumprir a lei.

Pelo que se vê, tirante o serviço voluntário que Otto Alencar prestou às Obras Sociais Irmã Dulce – mérito que, neste ponto, ele merece ser elogiado – seu passado não parece tão irrepreensível assim, a ponto de habilitá-lo como político voltado à defesa das causas do povo baiano como ele apregoa.

Todavia, diz a lenda que Otto Alencar tem uma rede de amigos prefeitos, ex-prefeitos e membros de Câmaras Municipais nos 417 municípios baianos, em razão de ter sido conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios durante seis anos. Mas esta é outra história que não vem ao caso.

Arrogante e inconveniente, Otto Alencar se acha a última bolacha do pacote, mas os eleitores baianos não o veem assim. Ao contrário, entronaram-no num pedestal como líder do Estado.

Entretanto, o retrovisor do senador Otto Alencar deve estar quebrado. Ele não consegue ver seu passado nebuloso.

Se reeleito para o Senado da República em 2022, Otto Alencar vai continuar participando da confraria do colecionador de inquéritos Renan Calheiros (MDB-AL), de Omar Aziz (PSD-AM), que declarou ser amigo pessoal de Otto e é acusado, embora ainda investigado, de desviar aproximados R$ 200 milhões de dinheiro da saúde do Amazonas, quando governador de lá e outras figuras desprezíveis que gravitam no Senado Federal. Pelo que se vê, boas companhias.

Outro membro da confraria, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pernambucano de Garanhuns, terra de Lula da Silva e especialista em discursos histéricos, tem mais quatro anos de mandato e deve desembarcar também num eventual governo Lula da Silva, em qualquer função de somenos, talvez encarregado de protocolar ações nos balcões do Supremo Tribunal Federal, único mister que ele parece ter aprendido e demonstra que faz muito bem.

Parece indubitável, hoje Otto Alencar iguala-se à esquerda baiana, o que atesta: a esquerda da Bahia não é sincera, mas eleitoralmente oportunista.

Entretanto, a suprema decisão está com o povo.

Então, viva a soberania do voto popular!

A democracia ainda é o melhor caminho.

Em tempo:

Em Curaçá, sertão do São Francisco, aprendi a admirar um esquerdista de boa cepa, convicto da ideologia que defende, sereno, conspícuo e de caráter irrepreensível: Salvador Lopes Gonsalves.

Salvador é o mandacaru ideológico de Curaçá. Pode não dar sombra, mas dá firmeza.

Salvador foi prefeito do município e certamente nunca abdicou de suas convicções e, por isto, o admiro, com Otto Alencar ou sem Otto.

Aliás, quando se fala de convicção ideológica, nenhum radar alcança Otto Alencar.  

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