Data vênia, presidente Lula da Silva.

“O dinheiro é sempre o mesmo. O que muda são os bolsos” (Gertrude Stein, escritora americana, 1874-1946)

Lembremos alguns fatos passados.

Entrevista de Lula da Silva à Folha de S.Paulo, em 26/04/2019, ainda na prisão:“Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos de minha família?”

Discurso de Lula da Silva ao sair da prisão: “Não é possível que um país do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano responsável direto pela violência” (Folha de S.Paulo, 05/01/2023).

Discurso de Lula da Silva em comício de 12 de outubro de 2022 no Complexo do Alemão (RJ): Lula chamou Bolsonaro de miliciano e o associou à morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL-RJ (Folha de S.Paulo, 05/01/2023).

Discurso de Lula da Silva no Recife, em novembro de 2019, em primeiro ato de rua depois da soltura: Lula disse que precisava libertar o Brasil “dessa quadrilha de miliciano que toma conta desse país” (Folha de S.Paulo, 05/01/2023).

Agora, lembremos alguns fatos presentes.

Lula da Silva nomeou a deputada Daniela Carneiro (União Brasil) para ministra do Turismo.

A imprensa vem mostrando sobejamente que a deputada do município fluminense de Belford Roxo tem estreitas ligações com milicianos, inclusive alguns deles participaram de suas campanhas eleitorais em 2018 e 2022.

Há farta quantidade de fotos publicadas na imprensa da ministra de Lula ao lado de milicianos, um deles condenado e preso.

Matéria da Folha de S.Paulo de 06/01/2023:

“A ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), mantém elo político com dois outros acusados de chefiar milícias em Belford Roxo (RJ), além do ex-PM Juracy Prudêncio, o Jura.

Antes de ser nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Daniela fez campanha no último ano ao lado do vereador Fábio Brasil, o Fabinho Varandão e de familiares do ex-vereador Márcio Pagniez, o Marcinho Bombeiro. Os dois foram presos sob suspeita de comandar milícias”.

Em Belford Roxo, Fabinho Varandão é secretário do prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (União Brasil), esposo da ministra.  

Eleito e empossado presidente da República, Lula da Silva mudou o discurso relativamente aos milicianos. Ou, pelo menos, o flexibilizou.

Vejamos o que dizem os ministros de Lula sobre o envolvimento da ministra do Turismo com milicianos, os mesmos que antes condenavam a foto de Jair Bolsonaro ao lado do Queiroz e dos filhos de Bolsonaro com supostos milicianos:

“Até aqui não tem nada que provoque nenhum tipo de desconforto. Nada relevante” (Rui Costa, ministro chefe da Casa Civil).

“Tudo o que apareceu até agora não desabona em nada a grande deputada Daniela” (Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais).

“Políticas e políticos têm fotos com todo mundo. O fato de ter uma foto com A, B ou C, não significa ter ligação com atividades eventualmente ilegais dessas mesmas pessoas” (Flávio Dino, ministro da Justiça).

Oxente! O lulopetismo mudou o conceito de miliciano? Fotos ao lado de milicianos deixaram de significar ligações com atividades ilegais?

Ou seja, ligações e fotos com milicianos só são comprometedoras e condenáveis quando envolvem Jair Bolsonaro e seus filhos. Quando envolvem aliados de Lula não são condenáveis.

Convenhamos, presidente Lula da Silva. Ou ligações de milicianos são condenáveis quando se tratam de Jair Bolsonaro e de sua família e também quando se tratam de ministros e de aliados do lulopetismo ou não são condenáveis, tampouco comprometedoras.

Data vênia, presidente Lula. O discurso não está sendo compatível com a ação.

Em consequência, ou o presidente Lula da Silva demite sua ministra do Turismo envolvida com milicianos ou a mantém no cargo e pede desculpas pelos impropérios que ele e seus asseclas enxovalharam a família do ex-presidente Bolsonaro.

Aqui não se discute se Jair Bolsonaro e seus filhos são milicianos ou não, nem se está negando isto, até porque não é papel deste escrevinhador. Trata-se de constatar a escancarada hipocrisia do lulopetismo.

Se nem uma coisa e nem outra acontecer, Lula da Silva estará confirmando o que todo mundo já sabe: que nem tudo que ele diz deve ser levado a sério.

Como diz o ditado, “quem tem telhado de vidro não deve brigar com o vizinho”.

araujo-costa@uol.com.br

Posse na Câmara Municipal de Chorrochó

Sheila Araújo na Colina do Bonfim/Perfil da vereadora no facebook

Em 01 de janeiro de 2023 às 14 h, Sheila Jaqueline Miranda Araújo será empossada na condição de presidente da Câmara Municipal de Chorrochó e, em consequência, também os demais membros da mesa diretora da Edilidade para o biênio 2023/2024.

Sheila Jaqueline Miranda Araújo vem se despontando como liderança política local lastreada no legado familiar de dois gigantes da vida política de Chorrochó: o avô Oscar Araújo Costa e o pai José Juvenal de Araújo.

Durante algumas décadas, a essência do engendramento político do município de Chorrochó passou, necessariamente, pela família de Oscar Araújo Costa, ramificações dela decorrentes e líderes que gravitaram ao seu redor.

Neste particular, é razoável entender que Oscar foi o esteio, a estrutura, o início do caminhar, olhar voltado para as perspectivas do município.

Líder em Caraíbas e circunvizinhança, Oscar Araújo Costa era casado com a elegante e altiva Umbelina Miranda de Araújo (D. Bela) e com ela construiu base familiar e política sólida e respeitável.

A liderança política de Oscar foi-se transferindo paulatinamente para o filho José Juvenal de Araújo, cuja história de vida e dedicação à causa do município de Chorrochó é sobejamente conhecida e não comporta nenhum acréscimo.

Com a morte de José Juvenal, que deixou rica e inquestionável estrutura política e eleitoral, é inevitável constatar que sua liderança foi-se transferindo para os filhos Sheila Jaqueline Miranda Araújo, que foi vice-prefeita – e integrou o secretariado municipal de Chorrochó – e o irmão Oscar Araújo Costa Neto que, de igual forma, faz parte da estrutura de governo municipal.

Sheila e Oscar Neto continuam ostentando razoável influência na atual administração do prefeito Humberto Gomes Ramos que, se tiver juízo, os manterá ao seu lado, até por gratidão. Contudo, o prefeito tem demonstrado isto, a julgar pela costura política que resultou na eleição de Sheila Jaqueline à presidência da Câmara Municipal. 

Como se vê, o legado deixado por Oscar Araújo Costa se estendeu à história de Chorrochó como um todo e o fato é que Caraíbas se mantém no topo das decisões políticas do município, ressalvada a liderança inconteste do prefeito Humberto Gomes Ramos, de Barra do Tarrachil, que vem costurando eficientemente os acordos políticos e ditando o que se faz de bom e de ruim em Chorrochó .

De qualquer modo, afigura-se difícil apagar a marca e a estrutura política familiar de Oscar Araújo Costa e de José Juvenal de Araújo.

Este Blog deseja êxito para Sheila Jaqueline Miranda de Araújo no exercício de tão nobre função e para os demais membros da mesa diretora da Câmara Municipal de Chorrochó.

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Memória da ditadura: Amália Lucy Geisel

Da esquerda para a direita, Amália Lucy, Ernesto Geisel e Lucy Geisel/reprodução Google

Amália Lucy Geisel, filha do general-presidente Ernesto Geisel (1907-1996), faleceu em 17/12/2022 aos 78 anos.

Em 1974, tempo de ditadura, com o pseudônimo Julinho da Adelaide e para driblar a censura, Chico Buarque de Hollanda compôs Jorge Maravilha. Lá ele dizia “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”.

Dizia-se na época que era um recado para o presidente Geisel, que não gostava de Chico, mas sua filha Lucy gostava.

Ao jornalista Tarso de Castro (Folha de S.Paulo), Chico disse: “Aconteceu de eu ser detido por agentes de segurança, e no elevador o cara me pediu um autógrafo para a filha dele”.

À revista Almanaque, Chico disse em 2007: “Nunca fiz música pensando na filha de Geisel, mas essas histórias colam, há invencionices que nem adianta mais negar. Durante a ditadura, de um lado e de outro, as pessoas gostavam de atribuir aos artistas intenções que nunca lhes passaram pela cabeça”. 

Mais lenda do que realidade, embora integre a memória da época, o fato é que nunca se teve notícia de que o presidente Geisel não gostava de Chico Buarque, nem que Lucy gostava dele.

Ambos eram discretos, introvertidos, arredios.

Embora famosa, Lucy Geisel não concedia entrevistas e nunca se casou.

Já em tempos de democracia, Chico Buarque disse que de fato cutucava os militares.

O jornalista Elio Gaspari (Folha de S.Paulo, 19/12/2022) conta que Amália Lucy era historiadora e exerceu um cargo no Ministério da Educação.

Ético, quando assumiu o governo, o presidente Geisel pediu que ela deixasse o emprego. Ela obedeceu.

Post scriptum:

Referência: Wagner Homem, em História de canções: Chico Buarque (Leya, 2009) e artigo de Elio Gaspari (Folha de S.Paulo).

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Sua Excelência, o corrupto

Há, nas praias, um crustáceo cavador chamado corrupto.

É difícil capturá-lo porque, ao primeiro sinal de ameaça, ele se infiltra na areia e desaparece.

Habita as areias litorâneas.

Mas há outro tipo de corrupto, que se instala em gabinetes, amparado por mandatos, eletivos ou não, concurso público ou indicação de amigos influentes e poderosos.

Também é difícil capturá-lo, porque este tipo de corrupto se infiltra no poder, enrola-se nas benesses, lambuza-se nas mordomias, apega-se ao padrinho que o indicou para o cargo e se vai em direção ao desmoronamento de seu caráter, confirmando-se um verdadeiro mentecapto.

Habita as cidades, quaisquer que sejam elas, pequenas, médias, grandes, metrópoles.

Esses corruptos acham-se intocáveis, absolutamente intocáveis. E são intocáveis, porque ninguém se atreve a questioná-los, enfrentá-los, empurrá-los para sua insignificância moral.

São arrogantes e se espelham na máxima “sabe com quem está falando?”. Flexibilizam o caráter a troco de dinheiro, fama e poder, descem ao esgoto da promiscuidade, chafurdam na lama do maucaratismo.

Esses corruptos andam de jatinhos próprios ou de amigos, encastelam-se em mansões, frequentam hotéis caríssimos, rodeiam-se de dezenas e até centenas de servidores, tais como motoristas, auxiliares diversos e até limpam as nádegas com papel higiênico comprado com o dinheiro proveniente de impostos que todos nós pagamos.

Esses corruptos espalham-se pelo Congresso Nacional (Câmara e Senado), Poder Judiciário, Poder Executivo, Assembleias Legislativas, Palácios Governamentais, Câmara de Vereadores, Prefeituras, estatais, autarquias, empresas públicas, et cetera.

Há corruptos no Judiciário que vendem sentenças, acertam propinas e participam de jantares nababescos; há corruptos no Executivo que surrupiam verbas públicas através de empreiteiras e fornecedores do poder público; há corruptos no Legislativo que manejam verbas públicas em benefício próprio e de seus apaniguados.

Corruptos desse naipe são hábeis negociadores diretos ou por intermédios de terceiros, mas no exercício de seu mister são preguiçosos, vaidosos, interesseiros.

Essas excelências corruptas se escondem atrás do poder e se arvoram entes superiores aos demais brasileiros. Em última análise, são nojentos imbecis que sustentam a vaidade à custa de dinheiro público. Ilicitamente, impunemente, vergonhosamente.

Pergunta-se:

Há leis que os punam?

Não, não há. Evidente que não há. A lei serve para punir pobres, oprimidos, desvalidos, inocentes, desamparados, famintos, relapsos da vida social.

A lei não alcança corruptos de alta posição. Nunca os alcançará. Só se for para beneficiá-los.

E ainda os chamamos de Excelências.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté: saudade cutuca, saudade vai, saudade volta, saudade persiste.

Raquel do Carmo Paixão e Joaninha, quintal da casa de Antonio Ferreira Dantas Paixão, em Patamuté (sem data). Esta foto consta no perfil/facebook de Josias Paixão, sobrinho de Antonio Paixão.

Há dívidas que não se pagam nunca. Talvez nem em forma de gratidão, in memoriam.

Devo muito a Raquel e Joaninha: momentos de acolhimento, ensinamentos, humildade, alegria e capacidade de aprender a sorrir, mesmo quando não é possível sorrir.

araujo-costa@uol.com.br

Margareth Menezes e o PT

Margareth Menezes/Foto de Cristiano Mariz

A indicada para ministra da Cultura do governo Lula da Silva é Margareth Menezes, cantora baiana de samba-reggae.

A preferida de Lula continua sendo a atriz Marieta Severo, ex-mulher do cantor e intelectual Chico Buarque e amiga pessoal do presidente eleito, mas sabe-se que ela declinou do convite, por enquanto.

Margareth Menezes sempre apoiou o grupo político de Antonio Carlos Magalhães no tempo do antigo PFL e tinha ACM como “um dos motivos de maior orgulho da Bahia”, o que não é nenhum exagero.

Entretanto, na década de 1990, Margareth Menezes passou a ser aliada do PT, mas o governador Rui Costa e futuro ministro da Casa Civil de Lula já se apressou em dizer que Margareth Menezes “não é de esquerda” e, talvez por isto, o PT não digeriu muito a indicação da cantora para comandar a cultura que, segundo consta, é um pedido da mulher de Lula e, como tal, precisa ser atendido.

Mas há um quiproquó. Margareth indicou Zulu Araújo, ex-diretor do Olodum e amigo de Gilberto Gil, para seu secretário executivo, mas o PT vetou e disse que o cargo será do historiador Márcio Tavares, secretário nacional de cultura do partido e o empurrou goela abaixo da cantora baiana e deu como caso encerrado. Entretanto, em política tudo pode mudar a qualquer momento.

Já de início, o PT fez de Margareth Menezes uma ministra faz-de-conta que sequer pode escolher seu principal auxiliar.

O diabo é que Margareth Menezes está enrolada com a Receita Federal, em razão de dívidas que superam R$ 1,1 milhão, embora isto não seja nenhum defeito, nem impedimento de ordem moral para assumir o cargo.

Segundo a revista Veja, citada em edição de O Globo, “a cifra se refere a impostos não recolhidos pelas empresas Estrela do Mar Produções Artísticas e MM Produções e Criações, responsáveis pela produção de espetáculos e gravação de discos de Margareth. Uma delas, de acordo com auditores, recolhia o INSS de seus empregados, mas não repassava à Previdência”.

Mas isto em si, não é problema. Dever não é e nunca foi defeito. Neste Brasil de pobres e miseráveis, dever impostos é a regra geral que atinge os mortais comuns.

Entretanto, o diabo é que “o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou, há dois anos, irregularidades num convênio assinado, em 2010, entre a Associação Fábrica Cultural — ONG fundada por Margareth — e o Ministério da Cultura, no último ano do governo Lula” (O Globo, 16/12/2022).

Trata-se de dinheiro público destinado a ONG da futura ministra, cujo destino está sendo questionado. Pode ser apenas uma falha na prestação de contas, mas pode ser incapacidade de gerir recursos públicos. Não se sabe, ainda.

Sendo assim, não ficará bem para uma ministra da Cultura pendurar-se em irregularidades com o ministério que estará sob seu comando. Soa esquisito, imoral, indecente.

Como ser de esquerda não é nenhuma qualificação para ser ministro da Cultura – e em política valem mais os símbolos e as entrelinhas do que os fatos –  a afirmação de Rui Costa no sentido de que “Margareth Menezes não é de esquerda” pode significar que ele faz parte da turma do PT que não a quer como titular do ministério. E Rui Costa será um dos ministros mais poderosos do governo Lula.

Encontrei Margareth Menezes somente uma vez na vida. Foi nos antigos estúdios do SBT, no Sumaré, em São Paulo, quando ainda não existia a atual e grandiosa estrutura da emissora em Osasco.

Desenvolta, sorriso largo, apaixonada pela cultura baiana, parece se confirmar hoje sua seriedade com o que faz desde muito jovem.

Se o PT deixar, será uma boa ministra da Cultura.

araujo-costa@uol.com.br

Jornalismo às avessas

A colunista Cristina Serra, da Folha de S. Paulo que, de crítica virulenta do PT e dos governos petistas, se transformou em bajuladora de plantão de Lula da Silva e do lulopetismo, talvez num ato falho, publicou em sua coluna de 17/12/2022 a lição magistral de Jânio de Freitas, ícone do jornalismo nacional:

Do alto de seus 90 anos, Jânio disse que há duas maneiras de exercer o jornalismo. “Uma é o carreirismo desbragado, a bajulação, a adesão política e a prestação de serviços contra a ética jornalística. A outra é trabalhar muito. Assim, essa carreira vale a pena”.

Como se vê, o jornalismo de Jânio de Freitas não é o jornalismo que Cristina Serra exerce, o jornalismo às avessas.

Cristina Serra foi além e escreveu: “Muitos de nós ficaram (e ficam) pelo caminho: porque as dificuldades da profissão são imensas, porque os salários são baixos e as pressões, às vezes, insuportáveis”.

Ela se esqueceu de dizer que o bom jornalismo não cede a pressões, tampouco tenha de negligenciar ou maquiar a verdade porque os salários são baixos ou porque o jornalista necessite abdicar de suas convicções profissionais para ajustar-se aos privilégios decorrentes da proximidade com o poder.

Jornalista moldado à seriedade da profissão não bajula Lula da Silva, não bajula Jair Bolsonaro, não bajula nenhum poderoso de plantão, não bajula quem quer que seja.

Hoje, o exemplo mais gritante de como não se deve fazer jornalismo é o acocorar-se da GloboNews diante do lado político que escolheu para defender.

À exceção de Fernando Gabeira, esquerdista decente e de respeito, os demais comentaristas e apresentadores da emissora desceram ao ridículo da falta de credibilidade jornalística. Sem nenhum pudor.

O bom jornalismo se faz com decência, sem bajulações, sem lambidela de botas dos poderosos, etc, principalmente sem o etc.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté está de luto.

Glorinha na Igreja de Patamuté/foto de seu perfil no Facebook.

A família de Glória do Prado Reis (Glorinha) noticiou seu falecimento.

Glorinha fez parte de uma geração que sabia construir amizades sólidas e duradouras.

Glorinha era filha de Laura Prado (D. Lalu) e Lídio Manoel dos Santos.

Esse distinto casal de Patamuté teve filhos decentes e encantadores. Atrevo-me a citá-los, embora correndo o risco de esquecer algum nome: Edelzuíta, Glorinha, Aderlinda, Carmelita, Nidinho, Edinho, Nilzanete, Elizabete, José Aílton e Jackson, alguns já falecidos.

Família tradicional, de bom caráter, sempre alegre, atenciosa, encantadora.

A história de Patamuté foi construída com a participação ativa e contínua de D. Lalu e Lídio e, por extensão, de todos os filhos.

Convivi com alguns deles em Patamuté. Tempo de juventude interessante e inesquecível. Guardo boas lembranças de todos eles.

Glorinha fez parte de uma geração decente e encantadora, que valorizou as amizades e espalhava a bondade e o sorriso.

Em fevereiro de 2011 D. Lalu se foi. Lídio, anos antes.

Deixo aqui pêsames a todos da família de Glorinha.

Coragem e força!

E que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe dê o amparo.

Vá com Deus, Glorinha.

Você foi muito importante para todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva

Responsável pela vitória de Lula da Silva na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula. E Lula é o coronel de Rui Costa.

Alzira dos Brilhantes era uma mulher que frequentava o Tabaris, maior muvuca de Salvador e, no auge da fama, arrumou um homem muito rico, coronel do cacau, que a cobriu de brilhantes e a sustentou com pompa e circunstância.

Depois, já decadente, Alzira foi viver no Politeama e o resto da história todos – ou quase todos – conhecem.

Contemporânea de Alzira dos Brilhantes foi a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, assim como Rui Costa, uma lenda urbana.

Rui Costa é soteropolitano. Nasceu na Liberdade, se formou em economia, ajudou a fundar o PT e está aí, cheio de brilhantes políticos concedidos por Lula da Silva. Será o seu chefe da Casa Civil.

Bata enorme e roxa, batom vermelho, a “Mulher de Roxo” fincou morada diuturna na Rua Chile e à noite recolhia-se na Baixa do Sapateiros.

A história é longa, mas todos da geração dos anos 1960/1970 conhecem. Sempre se portava em frente à loja Slopper, na Rua Chile, descalça, enorme crucifixo pendurado, aparência de freira, educada, solitária, misteriosa.

Na época, também na Rua Chile, em cima da loja Duas Américas funcionou por muitos anos, o mais famoso cabaré de Salvador. Cabaré e política sempre andam juntos. A diferença é que no cabaré as conversas são mais decentes.

Nunca se conheceu a história da “Mulher de Roxo”, sua vida, sua história, seus sofrimentos, seus mistérios.

Uns diziam chamar-se Florinda, outros ariscavam nomes diversos que nunca se confirmaram.

Diziam que tinha sido muito rica, morou na Ladeira da Montanha e havia perdido a fortuna e, em razão disto, teria enlouquecido. Outros conjecturavam que a loucura se deveu ao fato de ter sido abandonada pelo noivo no altar.  

Seria ela realmente louca?

Nada foi confirmado, nada foi descoberto durante décadas. O fato é que a “Mulher de Roxo” virou lenda urbana.

Assim como Alzira dos Brilhantes e a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, Rui Costa está aí, perambulando nos gabinetes do poder e será o dono de um dos mais importantes e robustos ministérios da República, a Casa Civil.

Difícil explicar como Rui Costa e Jaques Wagner conseguiram transformar a Bahia no maior feudo do PT no Nordeste.

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva e carrega o enigma misterioso da “Mulher de Roxo” da Rua Chile.

Lula da Silva é o coronel de Rui Costa.

araujo-costa@uol.com.br  

Observação: Foto “Mulher de Roxo”/reprodução Google.

Em Curaçá, Rogério Bahia sustenta a tradição  

“A tradição é o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro” (Tobias Barreto, jurista e filósofo sergipano, 1839-1889).

O vereador Rogério Bahia foi eleito presidente da Câmara Municipal de Curaçá para o biênio 2023/2024.

Advogado com 46 anos e aproximadas duas décadas de exercício da profissão, Dr. Rogério Bahia se sustenta nas tradições curaçaenses amparadas em núcleo familiar de conhecida contribuição para a história do município.

Neto de Gilberto da Silveira Bahia, prefeito do município no período de 1959-1963 e filho de Gilberto Bahia Filho (Gilbertinho), que também foi prefeito no período de 1993 a 1996, o advogado Rogério Bahia tem considerável e louvável folha de serviços prestados ao município.

O homem começou cedo. Exerce a advocacia desde jovem e já foi advogado da Câmara Municipal e vice-prefeito do município.

Patrocinou causas de associações rurais e urbanas. Sempre fez um trabalho de esclarecimento à população no que concerne aos direitos previdenciários e se preocupou sobremaneira com os problemas fundiários.

Levou suas ideias ao interior do município, expandindo-as além da sede, cresceu junto à comunidade como um todo e se consolidou como político atuante e bem avaliado.

Em recente esforço na área da cultura, o vereador Rogério Bahia propôs e aprovou projeto de lei, já sancionado pelo prefeito, com vistas à proteção do patrimônio histórico do município de Curaçá, incluída aí, por óbvio, a Gruta de Patamuté, elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus e importante ponto turístico e de devoção e fé. 

Noticiou-se que a eleição para a presidência da Câmara Municipal se deu em chapa única, o que autoriza a entender que o vereador Rogério Bahia está consolidando sua liderança no município, construindo unanimidade e robustecendo a tradição política local.

Observação: A foto de Rogério Bahia é de seu perfil no facebook.

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