Em Chorrochó, o indispensável Edilson Oliveira  

Edilson de Oliveira Maciel

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa alemã (1906-1975)

Edilson de Oliveira Maciel é um mestre da comunicação. Seguramente o é e exerce este mister com brilho, dinamismo e dedicação.

Idealizador dos andaimes estruturais da Rádio Líder do Sertão FM e pioneiro nesse setor, Edilson Oliveira enfrentou seguidos percalços, quando ainda eram rudimentares os alicerces que sustentaram seu ambicioso projeto de comunicação em Chorrochó.

Rádio comunitária, a Líder nasceu lá por volta da segunda metade de 1998 e exigia trabalho ingente, persistência, ideias sustentáveis e, mais do que isto, dedicação e clareza de propósitos.

Edilson também exerceu dignificante trabalho na condição de técnico de urnas na 158ª Zona Eleitoral sediada em Chorrochó, função que desempenhou com brilho e competência no período de 2000 a 2014, considerados os interregnos decorrentes do calendário eleitoral.

Nessa condição, foi considerado um dos melhores técnicos daquela Zona Eleitoral e seu trabalho reconhecido como essencial e necessário em todos os municípios abrangidos por aquela circunscrição da Justiça Eleitoral da Bahia (Chorrochó, Abaré, Macururé e Rodelas).  

Referência na área de comunicação, Edilson Oliveira atualmente é assessor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Chorrochó, função sobre a qual se assenta todo o sistema de divulgação dos atos legais que amparam as atividades administrativas do município para conhecimento da população.

Edilson Oliveira ainda tem relevantes serviços prestados na área social do município. Entende que a solidariedade é a forma mais abrangente de olhar com presteza as necessidades inseridas no contexto da vida social .

Atento aos prementes problemas do município, Edilson Oliveira comandou uma agenda robusta de comunicação, prestativa, necessária e, sobretudo, voltada para a comunidade de Chorrochó e circunvizinhanças.

Em consequência, pode-se dizer que, em certas ocasiões, Edilson se tornou indispensável na vida local, quer por sua presteza e seriedade em tudo que faz, quer em razão de seu desempenho em prol do município de Chorrochó.

Registro aqui uma gafe de cronista despreparado. Há alguns anos, já morando em São Paulo, em visita a Chorrochó, eu desconhecia a existência da Rádio Líder do Sertão FM.

Não existia internet no sertão, tampouco celular fartamente disponível aos moradores da região, de modo que a comunicação se dava precariamente, quase sempre através de cartas ou ligações interurbanas custosas e difíceis realizadas através dos postos telefônicos.

Jovem e eficiente repórter, Edilson me abordou numa daquelas barracas da festa de Senhor do Bonfim, microfone em punho e me fez, de supetão, algumas perguntas sobre a festa.

Desinformado, eu não sabia o que responder diante do microfone da Rádio Líder do Sertão FM, por uma razão muito simples: desconhecia a existência da Rádio Líder de Chorrochó.

Como se vê, uma gafe inominável, já que morei em Chorrochó, conhecia a política local em todos os seus meandros, as coisas e a vida cotidiana de Chorrochó, mas desconhecia a existência da Líder do Sertão à época tão brilhantemente conduzida por Edilson Oliveira.

O registro é para dizer que Edilson Oliveira vem de longe na área de comunicação.

Edilson é filho de José de Oliveira Maciel e de D. Maria do Socorro de Oliveira Maciel. É casado e pai de duas filhas.

Como se vê, o profissional Edilson estrutura-se em família exemplar. Talvez aí, esteja a razão de seu êxito e de sua dedicação às causas que abraçou em Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

O cutucar da saudade

Evaldo Menezes e João Bosco de Menezes/álbum de família.

“O coração, cofre de um tesouro, era material: desfez-se. Ficou o tesouro incorruptível e sagrado: a honra” (Camilo Castelo Branco, 1825-1890)

Chorrochó, sempre Chorrochó, sustentáculo da vida de quem sabe amar, gosta de amar, de quem ensina amar:

Quando José Evaldo de Menezes faleceu em 2020, citei nalgum lugar, em sua homenagem, uma frase do escritor português Camilo Castelo Branco que hoje reproduzo.

No ano seguinte, faleceu seu irmão João Bosco de Menezes (Joãozito), aumentando o vazio da família, o que nos fez muito refletir sobre nossas fraquezas, a efemeridade da vida e a certeza da morte.

A frase do escritor português ajusta-se a um e ao outro. Ambos honrados, Evaldo e Joãozito souberam construir, ao seu redor, o que de mais precioso se pode deixar para familiares e amigos: a honra e a retidão de caráter.

Sou grato aos dois – Evaldo e Joãozito – por me terem acolhido na juventude, em situação muito difícil.

Sou grato a Maria do Socorro Menezes Ribeiro, minha distinta comadre, irmã de Evaldo e Joãozito, por tudo que fez em meu benefício. E grato também a Virgílio Ribeiro de Andrade, seu esposo e meu compadre, distinto compadre.

Confesso admirador de Evaldo e Joãozito, enquanto viveram e, hoje, in momoriam, relembro essa admiração que não se acaba, não pode acabar, nunca vai se acabar.

Jamais a gratidão pode se esvair no tempo, mesmo em razão da morte.

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Os famosos cabos eleitorais de Lula da Silva

Lula da Silva/Capa do livro “Lula, o filho do Brasil”, de Denise Paraná, Fundação Perseu Abramo, 2002

“O ser humano é inviável. Mas eu não sou” (Millor Fernandes, jornalista, escritor e humorista carioca, 1923-2012)

Cabo eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT), outrora ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em 2010 fez campanha eleitoral para D. Dilma Rousseff.

Deu certo. Grata, D. Dilma o nomeou em 2015 para ministro do STF. O sentimento de gratidão é muito relevante e esta é uma qualidade inegável da ex-presidente petista (Opa! A turma do politicamente correto diz que o certo é presidenta).

Anos mais tarde, numa só canetada petista, Edson Fachin declarou incompetente a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba – que julgou e condenou Lula da Silva à prisão – e abriu caminho para o STF declarar suspeito o ingênuo e atabalhoado Sérgio Moro, que hoje virou uma espécie de político aventureiro e despreparado e está levando bordoadas de todos os lados, da direita e da esquerda.

Mais: mui diligentemente, Edson Fachin anulou as sentenças (leiam-se condenações) que mandaram Lula da Silva para o xilindró porque, afinal, foi o PT que o indicou ministro vitalício do STF e não é errado exercer o sentimento de gratidão.

Em consequência, embora não tenha sido declarado inocente, por força de disposição processual – que, em quadro assim, manda os processos começarem da estaca zero – Lula está leve e solto da silva, apto e habilitado para disputar a presidência da República, graças ao cabo eleitoral Edson Fachin.

Dentre os membros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três são também ministros do STF, por mandamento constitucional. Até aí, tudo bem, deve-se cumprir fielmente a Constituição da República.

Entretanto, como o STF virou uma espécie de partido político defensor da esquerda, os três ministros da Corte, que compõem o STF, conseguiram levar para a instância máxima da Justiça Eleitoral uma pitada ardente de participação política que costumam cultivar dentro do Supremo ao arrepio da Constituição da República.

Nesses 90 anos da Justiça Eleitoral (o Código Eleitoral foi criado em 24/02/1932, por Getúlio Vargas), essas eleições vindouras de 2022 terão mais ministros do TSE se imiscuindo em assuntos políticos do que julgando questões estritamente eleitorais.

Lula da Silva precisa ganhar. Outros precisam perder. Assim querem seus famosos cabos eleitorais.   

Mas Lula é um sujeito esperto, aliás espertíssimo. Anda dizendo por aí que a eleição não está ganha e ainda há muito trabalho pela frente.

As pesquisas sustentadas pela esquerda estão exagerando a seu favor e Lula não está engolindo esse maná tão facilmente. Lula sabe onde pisa.

Amigos muito próximos de Lula dizem que ele está com o “pé no chão” e não anda tão eufórico assim como seus apoiadores, tanto que está arrebanhando votos do paulista Geraldo Alckmin, ex-PSDB e outrora seu adversário, para tentar construir uma margem segura nas urnas.

O PT nunca ganhou eleição para o governo de São Paulo, mesmo nos tempos que estava no auge e Alckmin sempre foi uma pedra no sapato de Lula.

Antes adversários ferrenhos e irreconciliáveis, Lula e Alckmin viviam se engalfinhando. Hoje vivem se beijando. O amor é lindo.

Lula conhece política, é mestre em campanha eleitoral e, se ele estiver achando assim, é porque tem informações seguras de que há otimistas demais exagerando e dizendo que a eleição dele está garantida.

Lula vem perdendo os cabelos de tanto andar na estrada da malandragem política.

Nesse quiproquó todo – e Lula pisando no chão – os cabos eleitorais de Lula da Silva, inclusive o ministro Edson Fachin, devem estar perdendo o sono com uma possível queda do morubixaba de Caetés nas pesquisas, embora fortemente maquiadas pela esquerda.

Millor Fernandes tinha razão: “o ser humano é inviável”.

O jornalista Elio Gaspari conta uma história engraçada em sua coluna na Folha de S.Paulo de 20/02/2022:

“O marquês do Paraná, grande ministro do Império, morreu em 1856. Velado na velha catedral, a família aproveitou a madrugada para descansar em casa. Quando voltou, o marquês estava sem o fardão de senador e sem as condecorações nele espetadas”.  

Levaram o fardão e as condecorações do defunto, sorrateiramente.

Lembrete às más línguas: naquele tempo, por óbvio, não existia o PT, nem todo esse amontoado de excrescência partidária, que abunda hoje, especialista em surrupiar dinheiro público. A arte de furtar vem de longe.  

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá, Poço de Fora e as Raízes da professora Railda.

Capa do livro Raízes, de autoria de Railda Vieira da Silva

Agradabilíssima a leitura de Raízes, valioso livro de autoria de Railda Vieira da Silva, professora, agrônoma e mestre em Administração Rural e Comunicação Rural. Acresce-lhe a importância de ser graduada pela tradicional Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco-FAMESF.

A orelha do livro é do saudoso poeta curaçaense Herval Francisco Félix e o substancioso prefácio da lavra do reconhecido pedagogo José Espedito Félix de Martins, que também cuidou da revisão geral.

O professor Herval, meu mestre de tertúlias em Curaçá, lembrou que “um povo sem história é um povo sem nome, cuja tradição tende a se dissolver na noite dos tempos, o que não deverá acontecer com o povo de Poço de Fora, porque Railda não permitirá”.

Lançado em 28/11/2015, a capa é de Sérgio Eduardo F. da Silva e guarda impressionante consentaneidade com o conteúdo proposto pela autora.

Por aí se vê, que a porta de entrada do livro por si só justifica sua importância. A autoridade de ambos é indiscutível. O conhecimento e a experiência inegáveis.

Quanto a Herval Félix, carrego dupla honra: em Curaçá, foi meu professor no Colégio Municipal Professor Ivo Braga e, simultaneamente, colega de trabalho na Prefeitura daquele município do submédio São Francisco.

Colega é modo dizer porque, na verdade, éramos amigos, ajudados pela convivência e faina diárias e constantes discussões que travávamos sobre assuntos gerais e de literatura. Óbvio, eu sempre saía perdendo, diante da monumental cultura do professor Herval.

Contudo, eram saudáveis e enriquecedores os debates que construíamos, alguns no recinto da Prefeitura e muitos outros na calçada do armazém de Juvêncio Ferreira de Oliveira, o espirituoso e querido Maroto.

No que tange ao pedagogo e intelectual Espedito Martins, não o conheço pessoalmente, o que, inobstante, em nada ofusca minha admiração por este profissional exemplar, mormente em razão de sua inteligência e cultura .

Entrementes, vamos ao livro. A autora esmerou-se em fazê-lo baseada em valiosa e ingente pesquisa, certamente coligida em condições adversas, porquanto sabemos que são rudimentares os registros históricos regionais da época. E ela conseguiu com êxito. Uma façanha. Melhor, transformou tais registros num livro rico e essencialmente valioso.   

Entendo que, para compreender o indivíduo será preciso, sempre, a investigação de suas origens. Mais: a formação sociológica de um povo dita o futuro de suas gerações.

A professora Railda não se descuidou disto. Admirável seu trabalho em busca dos valores que sustentam nossa formação regional, com destaque para o município de Curaçá.

O distrito de Poço de Fora está fielmente delineado no livro, esmiuçado, explicado. Líderes e figuras históricas do lugar foram fielmente retratados, de modo a situá-los diante de fatos, épocas, feitos, engendramento social.

A formação político-social e econômica dita o caminho seguro da obra da professora Railda. Significa dizer que é uma obra séria, incontroversa, recomendável.

O livro começa pelas trilhas do povoamento de Curaçá, Pambu como esteio, preocupa-se com as características do Nordeste, retrata o distrito de Poço de Fora no tempo, envereda-se pelos conflitos e disputas regionais, assim como suas influências externas.

No todo, é um apanhado histórico cientificamente amparado e sedimentado nos anos, contradições sociais e formação da gente sertaneja.

O livro é imperdível. É o resultado de pesquisa robusta, séria, vasta e, sobretudo, confiável.  

Os elementos que embasam a obra são importantes, coerentes com o tempo, essencialmente justificáveis sob o ponto de vista histórico.

O livro traz epílogo encantador, lembra o sertão como cenário e a cultura ínsita na história de nosso povo.

Já escrevi, alhures, sobre Raízes e o primeiro contato com a obra, que se deu por intermédio do Dr. Francisco Afonso de Menezes, chorrochoense afeito às coisas da cultura regional.  

Escritora de linguagem escorreita e texto aprumado, Railda Vieira é um agradável destaque no mundo das letras e certamente traz grande contribuição para aprendizes como eu.

Raízes tem admirável qualidade, vasto conteúdo e enriquece a história de Poço de Fora, de Curaçá e, por extensão, de toda região sanfranciscana.

araujo-costa@uol.com.br                             

O abandono do cemitério de Patamuté

Fachada do Cemitério de Patamuté.

Interior do Cemitério de Patamuté.

“Tudo se torna impossível se, de saída, você concluir que é impossível”. jornalista Ricardo Noblat)   

Não sei se a imagem e a postagem são antigas ou recentes o que, neste caso, pouco ou nada importa.

Importam o registro da situação, o protesto veemente do filho indignado de Patamuté, a crítica necessária e o cutucar veemente às autoridades municipais que parecem inertes, acomodadas, irresponsavelmente indiferentes.

Josiná Possidônio da Silva, nosso querido Lalá de Patamuté, assim como eu já beirando os 70 anos (Lalá nasceu em outubro de 1952), aparece nas redes sociais firmemente protestando contra o estado de abandono em que se encontra o cemitério de Patamuté.

É uma indignidade à memória dos mortos.

Lembro que em Patamuté, quando uma pessoa falecia, seguia-se um ritual lúgubre, triste, desalentador, marcante: a conversa do sino da igreja, uma espécie de diálogo que ele mantinha com os vivos.

O sino tristemente badalava, indicando o falecimento de alguém do distrito, sítios, fazendas, circunvizinhança.

O sino da igreja de Santo Antonio anunciava a morte a todos. Uma tradição que vem se arrastando há um século, pelo menos.

Quem primeiro tinha conhecimento do infortúnio era o sineiro, um senhor responsável por aquele mister, que cumpria o seu importante papel diante da circunstância: fazia o sino dialogar com a população de Patamuté, informando-a sobre o acontecido e gerando dúvidas, expectativas, curiosidades e esclarecimentos sobre o finado.

Hoje o cemitério de Patamuté para onde iam esses mortos que o sino anunciava encontra-se humilhado pela passagem do tempo e pelo descaso.

Cruzes tristemente espetadas no ar ostentam as marcas da indiferença. O que existe sobrando por lá é a presença inconteste do descaso, do esquecimento, do descuido e do entorpecimento.

A imagem mostrada por Lalá é desalentadora. Ausência de limpeza, manutenção e de organização e, sobretudo, de respeito aos mortos.

O cemitério é municipal e, como tal, deve ser cuidado pela Municipalidade, o que não está sendo feito.

Há quem entenda que a comunidade de Patamuté deve cuidar da manutenção do cemitério. Não acho ser esta a decisão mais correta. A Prefeitura tem atribuições, dentre elas cuidar dos próprios municipais.

Parece razoável ponderar que o distrito de Patamuté carece de uma atenta representação na Câmara Municipal que cobre esse e outros serviços da Prefeitura.   

Quando o sino da igreja de Santo Antonio dialogava mais fortemente com a população, o cemitério era bem mais cuidado. Dava-se mais atenção àquela morada dos mortos, abrigo do ocaso das ilusões. 

Todavia, mortos não falam, não cobram, não exigem, não reivindicam, não votam. E para suas excelências, as autoridades municipais, pouco ou nada importa um cemitério abandonado. Em Patamuté ou em qualquer lugar.

Mas os parentes dos mortos votam.

Mais do que isto: a memória dos mortos não pode ser espezinhada, desdenhada e tristemente empurrada em direção à nossa cruel indiferença, indiferença de todos nós (inclusive minha) que não exigimos das autoridades os direitos básicos da população de Patamuté.

Todavia, é possível que a Prefeitura de Curaçá retome a decência e dê mais atenção ao distrito de Patamuté.

Observação:

Não cito o crédito das fotos/imagens do cemitério, por desconhecer a autoria, mas deixo o registro do trabalho valioso e útil à população de Patamuté.    

araujo-costa@uol.com.br

Sérgio Moro, o Nordeste e os milhões não explicados

Sérgio Moro/Estadão Conteúdo/Ernesto Rodrigues

O conhecimento do ex-juiz Sérgio Moro sobre o Nordeste é tão duvidoso quanto o seu caráter.

Pré-candidato a presidente a República (Podemos), depois de recente visita ao Ceará, Sérgio Moro escreveu em sua rede social:

“Ouvi de agricultores do agreste cearense que as maiores dificuldades enfrentadas por eles são a falta de chuva, de crédito e de seguro. Garantir boas condições ao homem do campo e fortalecer o agronegócio, trator da nossa economia, estão no centro do nosso projeto”.

Entretanto, agreste é uma sub-região que não existe no Ceará.

Todo o território do estado do Ceará assenta-se no sertão, de clima quente e seco, diferentemente do agreste, que é semiárido e abrange, por exemplo, os estados de Alagoas, Bahia, Sergipe, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Sérgio Moro errou geograficamente, rude e grosseiramente .

Em toda a região Nordeste, Sérgio Moro amarga 3% das intenções de voto e com esse assustador conhecimento sobre a região a tendência é exalar-se no limbo da indiferença dos nordestinos.

O mínimo que se espera de um candidato a presidente da República é que seja bem informado, bem assessorado ou, no mínimo, adquira alguns conhecimentos sobre os lugares que visita e pretende angariar votos.

Sérgio Moro ainda não conseguiu explicar – nem vai conseguir – como fez a façanha de ganhar R$ 3,7 milhões somente em um ano, da empresa americana Alvarez & Marsal, que cuida da recuperação financeira da Odebrecht, que ele arruinou quando juiz de Curitiba à frente da operação Lava Jato.  

O Tribunal de Contas da União (TCU) sinalizou que seu serviço de inteligência identificou contradições entre os documentos apresentados por Sérgio Moro, para tentar justificar a bufunfa recebida e a documentação exibida, com a mesma finalidade, pela empresa onde o ex-juiz trabalhou (Coluna de Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 18/02/2022).

Ressalte-se que não é errado qualquer ex-juiz prestar serviços a consultorias da iniciativa privada, qualquer que seja ela e a qualquer tempo.

Todavia, Sérgio Moro não consegue explicar porque, em meio a tantas empresas privadas, inclusive no Brasil, ele foi prestar serviços nos Estados Unidos, exatamente para uma empresa americana que cuida da recuperação financeira da Odebrecht, alvo da operação Lava Jato que ele comandou.

Coisas do caráter? Coincidência? Conflito de interesse? Como ele descobriu a vaga? Quem o indicou?

Atabalhoado e perdido, em data recente Sérgio Moro acusou a Polícia Federal de não combater a corrupção. Logo ele que foi ministro da Justiça ao qual a corporação está historicamente vinculada.

A Polícia Federal, em nota oficial, deu um chega pra lá no ingênuo ex-juiz, que ficou com cara de galo e podia ter evitado esse vexame.

Em nota assinada pela Polícia Federal, o órgão acusou Moro de “mentir” e se defendeu, afirmando que efetuou “mais de mil prisões apenas por crimes de corrupção nos últimos três anos” (O Globo, 15/02/2022).

Mais uma fumaça que será esvoaçada na campanha eleitoral contra Sérgio Moro se a ingenuidade do ex-juiz permitir que ele chegue até lá ou Lula da Silva, os petistas, a imprensa lulopetista e parte da esquerda não o aniquilarem politicamente durante a campanha, o que é muito provável.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó, o difícil adeus de Josiel

Josiel abraçado ao filho/álbum do filho Josiel Calazans Menezes Bezerra

Exemplo de homem público, de dignidade e de caráter irrepreensível, Josiel faleceu em 16/02/2022.

José Calazans Bezerra (Josiel) nasceu em Quijingue, ainda município de Tucano e se mudou jovem para Chorrochó. Elegante, cabelos negros, boa pinta, sorriso fácil, educado e atencioso, logo ganhou a simpatia de todos, ou de quase todos de Chorrochó.

Casou-se com Maria Menezes Mattos Bezerra, de tradicional família de Chorrochó, filha de Anna Mattos de Menezes (Quininha) e João Matos Cardoso e com ela constituiu família decente e honrada, incluídos aí os filhos José Calazans Bezerra Filho, Ana Maria Mattos Bezerra Brandão e Josiel Calazans Menezes Bezerra.

Todavia, isto é assunto longo para quem entende de história e este não é o meu caso. Preocupo-me tão somente com o registro do caminhar das boas pessoas, dos feitos que praticaram e das amizades que construíram.  

A memória esburacada pode produzir o vexame de grafar nomes errados, confundir datas e misturar alhos com bugalhos. Corro o risco de arranhar os fatos e mutilar a história. É melhor deixar a tarefa para os entendidos.

Mas – e sempre há um mas – Josiel entrou na política, impulsionado pelos ventos soprados sobre o ainda jovem município e se elegeu prefeito de Chorrochó com 1.888 votos apoiado pelos deputados estaduais José Bezerra Neto e José Eloy de Carvalho e de duas lideranças nacionais, ícones da política da Bahia, os deputados federais Manoel Cavalcanti Novaes, pernambucano de Floresta e sua esposa, a paulista Necy Novaes.

Município novo à época (1963/1967), Chorrochó vivia um clima saudável com um prefeito jovem, socialmente admirável e impressionantemente dinâmico.

Josiel era mesmo admirável.

Josiel cercou-se de nomes respeitáveis da sociedade chorrochoense, a exemplo de José Pacheco de Menezes (Deca), João Mattos Cardoso e Joviniano Cordeiro.

A Câmara Municipal deu-lhe folgada maioria com os vereadores Sebastião Pereira da Silva (Baião), Aurélio Alves de Barros, Lucas Alventino, Pascoal de Almeida Lima e seu cunhado Vivaldo Cardoso de Menezes.

Vivaldo entendia desde burocracia da fiscalização estadual até política de bastidores de Chorrochó, além de instrumentos musicais. Vereador atuante, presidiu a Câmara Municipal  e sustentou, com sabedoria, os altos e baixos da política local.

A administração de Josiel registrou alguns feitos compatíveis com as condições que o município permitia na ocasião: construiu uma barragem para abastecer a sede do município, iniciou a construção do Grupo Escolar Luís Viana Filho e do Posto Médico Francisco Pacheco (terminado na segunda administração de Dorotheu Pacheco de Menezes) e impulsionou o esporte local, além da conservação de estradas, prédios públicos e do campo de aviação.

Já fora da atividade política, Josiel manteve grande carisma junto aos munícipes, incompatível com o ostracismo a que se impôs voluntariamente depois de deixar a vida política.

Juazeiro foi seu refúgio voluntário.

Simpático, atencioso, sensato, indispensável em qualquer reunião de amigos. Afastou-se de disputas eleitorais, embora nunca tenha se afastado de Chorrochó e do apego às tradições locais.

Quando podia, era assíduo frequentador e participante ativo da principal festa da cidade, a do padroeiro Senhor do Bonfim.

Pessoa admirável, Josiel também construiu a história de Chorrochó.

É salutar que os órgãos públicos municipais responsáveis pela sedimentação da história de Chorrochó não se esqueçam de evidenciar o nome de Josiel, dando-lhe o destaque merecido que teve na construção da sociedade local.

Deixo pêsames à família de Josiel.

Que Senhor do Bonfim lhe indique o caminho rumo à eternidade e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: a intensidade de uma imagem   

Capa do livro Enquanto enlouqueço, de autoria de Luciano Lugori

Município conhecido como terra de pessoas espirituosas, habitantes hospitaleiros, intelectuais respeitáveis, escritores desenvoltos e, sobretudo, bom lugar para laborar com a reflexão, Curaçá esteia-se na cultura, na beleza e nas tradições encantadoras do rio São Francisco.

Em Curaçá assentam-se histórias, ideias, pedaços de caminhar. Veem-se horizontes sedutores.

Os sonhos em Curaçá parecem mais atingíveis.

Luciano Lugori, jovem professor, pesquisador e jornalista curaçaense nascido na primeira metade da década de 1980, há algum tempo escreveu um livro monumental sobre os loucos de Curaçá.

Ilustres loucos, admiráveis loucos!

Visão impressionantemente criativa, Lugori escreveu sobre assunto pouco conhecido e pouco explorado: a loucura.

O assunto é vasto, intrincado, extraordinário, inusual.

A loucura vista por Lugori não se circunscreve somente ao município de Curaçá, não obstante os loucos de lá. Distende-se no tempo, na história, no viver, em qualquer lugar.  

A capa do livro Enquanto enlouqueço por si só é uma reflexão. Faz parte de Curaçá, da cultura de Curaçá, da grande história de Curaçá.

A imagem da capa que, registre-se, é de Yuri Kauan Lugori, é intensa e traduz um quê de grandeza e reflexão.  

araujo-costa@uol.com.br

Nulidades criadas pela esquerda atormentada

“Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!”

(Dorival Caymmi, cantor e compositor baiano, 1917-2008)

Quando o leitor for à Bahia, se for à Bahia, cuidado. Lá quem manda é o Partido dos Trabalhadores (PT) e a esquerda, mais à esquerda do PT, que o acompanha, além de uma atormentada quantidade de políticos interesseiros.

A Bahia é um feudo petista.

Se o leitor cantar a música de Dorival Caymmi, tenha a cautela de suprimir a palavra “nêga”, senão a esquerda lulopetista de lá vai dizer que Dorival Caymmi era racista e você também é.

Se o leitor por descuido, citar a expressão pau de arara, cuidado. Vão dizer que você é preconceituoso.

A esquerda colocou essa palavra na vala do preconceito. Mui idiotamente. Quer aniquilar a história dos nordestinos, nosso principal patrimônio.

Cuidado para, num rompante de alegria, não cantar Meu último pau de arara, de Luiz Gonzaga (“Só deixo meu cariri no último pau de arara”). É uma gafe monumental. Mais do que isto, é preconceito. A esquerda diz que é.

A esquerda do Nordeste deve estar procurando um jeito de criminalizar a expressão pau de arara. Seus ativistas certamente pensam em espezinhar renomados cantores e compositores nordestinos que compuseram, cantaram e cantam músicas com a expressão pau de arara.

Como fica a memória dos antepassados? E o imaginário popular? E nosso folclore? E nossa história?

Cuidado com os gestos. Não levante a mão espalmada, mesmo para cumprimentar uma pessoa mais afastada. Vão dizer que é uma saudação nazista.

Grave. Não aproxime o polegar do indicador. Vão dizer que é um símbolo da supremacia branca, apologia ao preconceito.

Se o leitor for ao Nordeste, não cumprimente, por educação, homens e mulheres. Mantenha-se distante.

Cuidado, um despretensioso aperto de mão pode lhe causar aborrecimentos. Vão dizer que é assédio, enxerimento. Se puder, faça um esforço e incline-se em sinal de respeito, como se continência fora, mesmo que isto não faça parte de nossa cultura.

A esquerda não aceita mais consideração e urbanidade. Isto é coisa do passado e ser educado é conduta que não comporta nos relacionamentos esquerdistas.

A esquerda quer nos transformar em sujeitos antissociais.

Não elogie ninguém. O leitor pode ser mal visto. Fique na sua, contenha-se, mesmo que a pessoa seja merecedora de elogios ou de respeito.

Cuidado com as palavras. A esquerda está dizimando nosso vocabulário, extirpando palavras que outrora faziam parte de nosso dia a dia, há séculos.

Nunca fale a palavra preto ou negro, mesmo que seja para apontar um carvão. Encontre um sinônimo para expressar o que você quer dizer. Se não tiver, cale-se, não diga nada. A esquerda pode lhe crucificar por ter usado uma palavra que está em nossos dicionários e faz parte de nossa gramática.

Nesta pré-campanha presidencial de 2022, se alguém no Nordeste lhe disser que as pesquisas apontam Lula da Silva com 100% das intenções dos votos de lá e os demais pré-candidatos não têm votos, cuidado, fique quieto. Não conteste.

A esquerda lulopetista não pode ser contrariada.

Se o leitor contestar, a esquerda vai dizer que você é de direita ou de extrema direita, fascista, nazista e mais um sem número de adjetivos. Nunca vai dizer que o leitor tem o direito de expressar sua opinião e de exercer sua liberdade de pensamento.

Quando estiver no Nordeste, nunca dê sua opinião política desfavorável sobre qualquer pré-candidatos de esquerda.

O leitor corre o risco de receber saraivadas de ofensas nas redes sociais, xingamentos, cancelamentos e, sobretudo, incompreensões.

Sou nordestino, baiano e preto (fui registrado como pardo). Acho tudo isto uma idiotice da esquerda.

As palavras não mudam o caráter das pessoas, tampouco sua conduta e idoneidade.

araujo-costa@uol.com.br

Esquerda de porre, intolerância e estupidez

Intolerância altamente tóxica.  

Em Curitiba, em data recente, grupo liderado pelo vereador Renato Freitas (PT), empunhando bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (BCdoB), invadiu uma igreja católica, onde se realizava missa. Barbarizaram tudo.

Com gritos de fascistas e racistas, os manifestantes ofenderam os católicos, conspurcaram o templo e, mais do que isto, cometeram delito previsto nas leis penais.

Não está explicado porque os baderneiros escolheram como alvo da intolerância religiosa a Igreja Católica, tampouco se tem notícia da existência de racistas e fascistas dentro daquela instituição local. E se há, é caso de polícia e não para o vereador e seus liderados resolverem.  

A grande imprensa silenciou de maneira vergonhosa, inclusive o conglomerado Folha de S.Paulo e UOL, porta voz da esquerda.

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que se arvoram em arautos da defesa democrática, sequer sinalizaram qualquer desconforto sobre o corrido.

Aqui, do alto de minha neutralidade política e insignificância, fico imaginando se fossem bolsonaristas os líderes daquela turba indecente, desordeira e estúpida que invadiram a Igreja Católica de Curitiba.

Certamente alguns ministros do STF, que adoram holofotes, teriam feito grande estardalhaço e até, quiçá, instaurado inquérito, incontinentemente, para apurar as responsabilidades, assim como o fizeram noutras ocasiões, a exemplo do inquérito dos chamados “atos antidemocráticos”, “fake news ” e outros que tais.

A Constituição da República assegura ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias (artigo 5º, inciso VI).

O Código Penal em seu artigo 208 é claro e pune com pena de prisão quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Como um vereador, que tem obrigação de coibir esse tipo de descalabro, até por sua condição de legislador, lidera um movimento desses?  

Analisemos outra situação, porém diversa.

O presidente da República chamou alguns de seus colaboradores nordestinos “de pau de arara”.

Isto foi suficiente para a grande imprensa se alvoroçar com manchetes, notícias e comentários estridentes, desancando o presidente da República, ao contrário do espaço dado à invasão da Igreja em Curitiba pelos esquerdistas ensandecidos.

Mais do que isto. Noticiou-se que um pré-candidato do PSOL de Pernambuco sinalizou que vai ajuizar notícia-crime contra o presidente no STF, por ter usado a frase “pau de arara”.

Sou nordestino e me orgulho disto. Em São Paulo, eu e muitos nordestinos fomos chamados de pau de arara e cabeça chata.

Isto acontecia despretensiosamente, sem viés de ofensa.

Nunca me ofendi por ser lembrado de minha origem nordestina. Aliás, orgulho-me dela.

Ser chamado de pau de arara em nada me diminui, nem deixar de chamar-me assim vai me engrandecer em alguma coisa.

Vê-se um turbilhão de idiotices, imbecilidade e mentes vazias.

Entretanto, no bojo do politicamente correto, a esquerda empurrou a expressão “pau de arara” para a vala do preconceito. Chega a ser ridículo.

É como se a esquerda tivesse enterrando a realidade e a história do Nordeste e dos nordestinos, uma forma de tentar apagar o passado.

O êxodo de nordestinos, em direção a São Paulo, nos caminhões chamados pau de arara faz parte da história. É ínsito à vida e à história dos nordestinos.

O sofrimento faz parte da vida e da cultura dos nordestinos. Somos calejados em sofrimento. Tentar arrancar isto  da história é negar a própria vida de todos nós, que nascemos lá.

Só falta a esquerda querer criminalizar forrós e composições nordestinas, seus autores e cantores que falam em pau de arara, inclusive o clássico “O último pau de arara”, de Luiz Gonzaga (“Só deixo meu Cariri no último pau de arara”).

Todavia, faz-se necessário perguntar: por que a invasão à Igreja Católica de Curitiba por manifestantes de esquerda é considerada de somenos e chamar um nordestino de “pau de arara”, mesmo que em tom de brincadeira, é afronta, preconceito, crime e outras coisas mais?   

A esquerda se ajoelha aos pés de Lula da Silva. Está na hora de Lula pedir a esse pessoal adepto do radicalismo para baixar a bola. Chamar seus intelectuais, seus formadores de opinião, líderes de militância, parlamentares e quem mais se fizer necessário e possível. Ponderar: o caminho do radicalismo está levando todos ao ridículo.

Além de intolerante, contraditória e estúpida, parte da esquerda parece que está de porre.

Alguns mentecaptos esquerdistas precisam ter cuidado.

O fanatismo está aniquilando seus diminutos neurônios.

Post scriptum:

Na foto acima, reprodução da Revista Oeste, veem-se o vereador do PT e vista da invasão à igreja em Curitiba.

araujo-costa@uol.com.br