Sérgio Moro e chapéu de couro são incompatíveis

Jurema branca ou preta é uma árvore que dá em qualquer pé de serra e na caatinga do Nordeste. É símbolo de resistência e pertinácia.

Em data recente, a imprensa mostrou uma patética foto do ex-juiz Sérgio Moro, no Recife, ao lado de apoiadores, usando um chapéu de couro, indumentária símbolo do sertanejo de bom caráter.

Dentre os muitos papéis da imprensa, um deles é noticiar, inclusive a existência de dejetos e indignidades, em alguns casos e em alguns locais.

O ultradireitista Sérgio Moro, índole de ditador e travestido de democrata, é o avesso do nordestino sincero, generoso, honesto e, sobretudo, de bom caráter.

Enquanto juiz federal, Sérgio Moro cercou-se de gigantesca estrutura pessoal e jurídica, dentre dezenas de serventuários, seguranças, informantes, jornalistas e muito poder.

Ostentava a judicatura, a arrogância e a caneta e, nesta condição, Sérgio Moro levou o terror até muitos, sem critérios plausíveis de julgador que estava sendo pago pelos contribuintes para fazer justiça.

Perseguiu réus, investigados, advogados, empresários, decretou a prisão de mais de uma centena de criminosos ou supostos criminosos, mandou executar conduções coercitivas ilegais, divulgar áudios inoportunos e mais um amontoado de disparates incompatíveis com as leis substantivas e processuais penais.

Sérgio Moro fez conluio com algumas conhecidas figuras do Ministério Público, de modo que meteu os pés pelas mãos e acabou cometendo muitas e reiteradas injustiças.

Pior: presume-se que fez tudo de caso pensado, ciente de que estava proferindo decisões processuais contrárias à lei e de olho em seu futuro de poder, financeiro e político.

Um dos exemplos de mau-caratismo de Sérgio Moro – só um exemplo, dentre muitos – é este:

Como juiz da Lava Jato, inviabilizou economicamente a Construtora Norberto Odebrecht (hoje Novonor) e extirpou milhares de empregos dessa e de outras empresas.

Estrago feito, retirou-se do governo Bolsonaro e foi trabalhar num famoso escritório de advocacia americano, certamente muito bem pago, que tem a tarefa de recuperar empresas, inclusive a que ele mesmo quebrou.

É sério isto?

Na contramão do bom senso, que recomenda punir os empresários delinquentes e manter intactas as empresas que produzem e dão empregos, Sérgio Moro fez essa lambança para beneficiar-se pessoalmente, à frente.

Hoje isto está claro, indubitável.

O auge da Laja Jato e do estrelismo de Sérgio Moro deu-se em 2019. Dados daquele ano atestam que a Odebrecht chegou a empregar 276 mil pessoas e, com a operação comandada por Moro, reduziu o quadro de funcionários em 80%, ou seja, só da Odebrecht Sérgio Moro tirou o pão da boca de 221 mil pessoas e seus familiares, aproximadamente.

Sérgio Moro não resiste a uma investigação séria.

Assim como a jurema, o chapéu de couro é símbolo da coragem, do caráter e da força nordestina. Não fica bem na cabeça de Sérgio Moro.

A democracia pressupõe a convivência com os contrários e absorção dos antagonismos, mas isto não significa apequenar-se diante de embusteiros.  

Chapéu de couro é coisa séria.

Não fica bem na cabeça de Sérgio Moro.

araujo-costa@uol.com.br

Os candeeiros de Gilberto Gil

Gilberto Gil/Reprodução

“A Bahia já me deu régua e compasso” (Gilberto Gil, Aquele Abraço)

Gilberto Gil nasceu no bairro do Tororó, em Salvador. A primeira infância foi vivida em Ituaçu, pequena cidade ao pé da Chapada Diamantina.

Gilberto Passos Gil Moreira é o novo integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). Cabe, aqui, uma obviedade: merecidamente, eleição adequada, apropriada, necessária.

Gilberto Gil, que sempre empunhou vida cultural efervescente, entrou para a política em 1987, como presidente da então recém-criada Fundação Gregório de Mattos, órgão vinculado à Prefeitura de Salvador.

A Fundação foi criada na segunda gestão do prefeito de Salvador, Mário Kertész, eleito na esteira da redemocratização. Antes, Kertész havia sido prefeito entre 1979 e 1981, nomeado pelo governador Antonio Carlos Magalhães (ACM).

Naquele tempo existia a figura do prefeito biônico, condição imposta a alguns municípios em 1968 pela ditadura militar, indicado e nomeado pela vontade do governador de plantão, sem o crivo das urnas, em nome do interesse e da segurança nacionais.

A régua e o compasso que a Bahia deu a Gilberto Gil são sobremaneira intrincados, ricos e difíceis de descrever. A grandeza de Gilberto Gil se sobrepõe a qualquer tentativa de explicação.  

Ateu, Gilberto Gil se declara adepto de Xangô e do Candomblé e não se escusa de falar sobre qualquer assunto, seja cultural, religioso, político ou filosófico.

Respeitado Intelectual de esquerda e conhecido mundialmente, o novo membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma espécie de patrimônio de nossa cultura e intelectualidade.

Preso pela ditadura militar, Gilberto Gil amargou exílio em Londres, depois de ter sido vigiado 24 horas, em Salvador, pela Polícia Federal, então comandada na Bahia pelo poderosíssimo coronel Luiz Arthur.

Aquele Abraço, símbolo de seus piores dias pré-exílio, foi composta na casa de Mariah Costa, mãe da amiga Gal Costa e se tornou uma espécie de adeus provisório ao Brasil da ditatura.

Administrador de empresas, Gilberto Gil trabalhou na indústria de São Paulo, morou na periferia da capital paulista (bairro Cidade Vargas) e mais tarde despontou para o mundo.

Gilberto Gil tem título concedido pela UNESCO (Artista da Paz) e pela França (Ordem Nacional do Mérito), dentre outros. Foi vereador em Salvador e ministro da Cultura no primeiro governo Lula da Silva.

Os candeeiros que iluminaram a casa de Gilberto Gil em Salvador na década de 1940 se agigantaram e hoje iluminam nossa cultura baiana e brasileira.

A Academia Brasileira de Letras é o ápice de sua luta política diária e de seu trabalho como músico, cantor e instrumentista.

O poeta e ensaísta mineiro Abgar Renault (1901-1995) dizia que a única coisa que ele achava importante na ABL era a vaga do carro na garagem.

O cronista e romancista também mineiro Cyro dos Anjos (1906-1994), outro imortal da Academia, dizia que o mais importante lá era sua vaidade.

Em se tratando de Gilberto Gil, já aos 80 anos, ouso dizer que é o coroamento de sua vida honrada, inatacável e levada a sério.

Gil diz: “Não tenho medo da morte, mas tenho medo de morrer. A morte é depois de mim, mas quem vai morrer sou eu”.

Gil diz mais: “O que sobra é o Gil do mundo, da História”.

E agora, também, da imortalidade literária.

araujo-costa@uol,.com.br

O vírus boêmio de São Bernardo do Campo

O prefeito Orlando Morando (PSDB), do município paulista de São Bernardo do Campo, noticiou que editou decreto, com vigência a partir de 13/12/2021, segundo o qual todas as atividades e muvucas noturnas, incluídas aí festas e também outros adjuntos, poderão funcionar até 02:00 horas da manhã, sem interrupção, para quem assim quiser.

Até 02:00 horas não haverá impedimento para essas atividades desde que, evidentemente, devo presumir, sejam obedecidos os protocolos em vigor de combate ao coronavírus.

Do alto de minha ignorância, não consigo vislumbrar a eficiência do decreto.

Explico: se não há impedimento para aglomeração até 02:00 horas, significa entender que o vírus está inerte, talvez dormindo até esse horário e somente após 02:00 horas ele acorda e sai para as baladas.

É um boêmio inveterado esse vírus de São Bernardo do Campo.

Ou seja, segundo o prefeito, antes desse horário não há perigo de transmissão da doença. A partir das 02:00 h até o amanhecer a situação passa a ser perigosa.

“As pessoas ficam mais próximas, ficam à vontade, tiram as máscaras”, pondera o prefeito.

Contudo, o prefeito se esqueceu de dizer por que o transporte público continua superlotado e, neste caso, ele não vê perigo de circulação do vírus e não tomou nenhuma medida para minorar o problema.

Sua Excelência o prefeito Orlando Morando explicou, dentro de sua inalcançável sabedoria, que consultou os entendidos no assunto e que o decreto se assenta em princípios científicos.

Então tá!

Quem sou eu para discordar de tamanha inteligência da assessoria científica do prefeito?

Entretanto, continuo presumindo que o vírus que circula em São Bernardo do Campo é disciplinado. Só oferece perigo após as 02:00 h da manhã, antes desse horário ele não vai incomodar ninguém.

Parêntese: o prefeito costuma chamar de “engraçadinho” quem dele discorda. Data vênia, prefeito. No meu caso, não sou engraçadinho, nem pretendo ser. Só quero entender qual o sustentáculo científico que consegue explicar que o vírus antes das 02:00 h não oferece perigo. Desculpe minha ignorância.

O prefeito de São Bernardo do Campo é conhecidíssimo em todo o Brasil.

Em todo evento de importância em que participa um governador de São Paulo, o prefeito sempre aparece na televisão, atrás do governador de plantão, estrategicamente colocado diante dos holofotes.

Em data recente, nosso dileto alcaide apareceu, seguidas vezes, atrás dos ombros do governador-pavão João Dória, por ocasião do anúncio do resultado das confusas prévias do PSDB.

Não me atrevo a dizer que o prefeito se assemelha a “papagaio de pirata”, como se comenta na cidade, maldosamente.

Deve ser ciúme de quem pensa assim ou intriga da oposição, se bem que em São Bernardo do Campo não existe oposição ao prefeito. Os 28 vereadores adoram o prefeito Orlando Morando.

Sorte dele.

Acho que o prefeito é tão-somente querido dos governadores, qualquer que seja o governador, não importa qual seja o governador.

araujo-costa@uol.com.br

A ladeira íngreme do Brasil

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida” (Maurice Switzer)

Em 01/12/2021, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou a indicação do ex-ministro da Justiça André Mendonça para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e, ato contínuo, o plenário da Casa também o aprovou.

A primeira votação selou o desgaste político e moral do senador David Alcolumbre (DEM-AP), presidente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça, que segurou a pauta da sabatina obrigatória, por alguns meses, com o objetivo espúrio de negociar e provocar a derrota do indicado André Mendonça e viabilizar outro nome de sua preferência e da caterva que lhe acompanha. Não deu certo.

David Alcolumbre é um comerciante e opaco senador do Amapá, que o presidente Bolsonaro apoiou para a presidência do Senado Federal (2019-2021) e, em razão de posteriores desentendimentos políticos com o presidente, usou a arma dos covardes para “melar” a indicação de André Mendonça: a vingança. Não deu certo.

Para selar a derrota melancólica de David Alcolumbre na Comissão de Constituição e Justiça, no final da sessão que aprovou a indicação de André Mendonça, o estapafúrdio senador Omar Aziz (PSD-AM) cometeu o maior mico que se tem notícia no Congresso Nacional.

Os bastidores estão sendo implacáveis com o senador amazonense.

Omar Aziz, em confuso e idiota discurso, disse que o Supremo Tribunal Federal está acima dos Poderes Legislativo e Executivo, o que gerou constrangimento generalizado entre os presentes e levantou a bola do STF, que já se considera Poder Moderador, segundo revelou Dias Toffoli, um de seus “intocáveis” e subidos ministros.

Um senador da República que não conhece a Constituição Federal, nada mais é do que uma vergonha nacional.

Aliás, tratando-se de Omar Aziz e considerando sua mesquinha atuação como presidente da CPI da Pandemia no Senado, não se pode esperar outra coisa, senão idiotices.

Os Poderes da República são constitucionalmente independentes e harmônicos entre si, de modo que não há ascendência de nenhum deles sobre os demais. Qualquer estudante secundarista sabe disto, mas Omar Aziz não sabe.

Há uma frase atribuída ao pensador Maurice Switzer, segundo a qual “é melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”.

Omar Aziz precisa refletir sobre isto.

O saldo mais importante da aprovação de André Mendonça é que ele será o ministro do STF mais preparado intelectualmente para a função. Se vai usar esse preparo em benefício da Justiça e da sociedade é outra história.

A distância intelectual entre André Mendonça é infinitamente elástica em relação a alguns ministros do STF, que fazem da arrogância uma substituta natural do conhecimento jurídico, que eles não têm.

Como se vê, em tempo de antas e capivaras, o Brasil encontra dificuldades para subir a ladeira íngreme em busca de seu destino.  

Mas viva a democracia!

Um dia chegaremos lá.

araujo-costa@uol.com.br

Polly, saudade, muita saudade

Lembro, como se fosse hoje, o dia em que lhe conheci. Faz tanto tempo!

Bairro Santa Terezinha, em São Bernardo do Campo. Eu e minhas filhas fomos lhe buscar.

Hoje, em minha solidão, passei por lá, logo cedo, para lembrar de você e aumentar a saudade. E chorar, chorar muito, sozinho, sem ninguém ver.

Naquele momento, você estava sendo adotada por nossa família, depois de um período de sofrimento nas ruas de São Bernardo do Campo, nos bairros de São Bernardo, nas incertezas, nos medos e nos desamparos de São Bernardo.

Imagino o que você sofreu antes de nos conhecer.

Polly, você fez parte de nossa família. Não havia distinção entre você e as pessoas da família.  

Você dormia com todos nós, até escolhia onde e com quem queria dormir. E achávamos isso muito lindo, lindo como se a sua vida fosse a bondade em si. E era.

Você escolhia o que comer e até as músicas que lhe embalava o sono.

Quando, algumas vezes, você ficou doente, cuidamos de você, com muito carinho, sofríamos juntos. Você era levada aos médicos. Talvez você não entendesse, mas era o melhor que podíamos fazer por você.

Você cuidou da casa. Cuidou de suas amigas que adotamos: Hanna, Belinha, Lara. Cuidou de todos nós, cuidou da casa, cuidou do zelo da casa. Cuidou de nossa vida, do portão, avisava a presença dos intrusos, das pessoas indesejáveis.

Impossível esquecer de você, Polly.

Onde estão suas travessuras, Polly? Cadê o chão, que você cavava e jogava a terra no quintal? Cadê os passarinhos que você espantava?

Cadê sua presença, Polly?

Cadê sua presença ao me receber todos os dias no portão?

Você se foi ontem. Sofreu muito, antes de partir.

A gente sabia que seu sofrimento era insuportável. As dores que você sentiu, a gente sentiu junto, mas não podíamos evitar.

Chegou seu dia, Polly. Assim acontece ou acontecerá com todos nós.

Thábata era sua dona. Você sabia disto. Mas todos nós éramos seus amigos e você também sabia disto.

Sua ida deixou-nos um vazio enorme, Polly.

Eu, Thábata, Thamara, Thássia, Bruno, Otávio e Thales estamos tristes.

Às vezes choramos escondidos, mas choramos. E choramos muito.

Você foi fiel, Polly.

Enquanto idiotas e imbecis traem, você nunca traiu. Como Anaxágoras, filósofo grego, você certamente acreditava que “deve haver uma natureza transcendental organizadora de todas as coisas”, que é Deus. E Deus vê tudo, inclusive que todos nós continuamos a lhe amar.

Vá em paz, Polly

araujo-costa@uol.com.br

Política atrapalha vacinação na Bahia

O governo da Bahia anunciou semana passada que aproximadamente 3 milhões de baianos não receberam a segunda dose da vacina contra a covid-19. Logo, essas pessoas não estão imunizadas.

Então, pode estar havendo desperdício de vacinas, mas o governo do estado não admite isto, ainda.  

O governo baiano pondera que “uma vez enviadas aos municípios, as doses só mantêm a validade em temperatura positiva pelo prazo de até 31 dias”, segundo informação da Secretaria de Saúde da Bahia relativamente às doses da Pfizer.

Isto significa dizer, noutras palavras, que passados os 31 dias, as vacinas perdem a eficácia e/ou validade.

O governador Rui Costa (PT) anunciou que vai regulamentar a exigência de comprovante de vacinação para quem procurar unidades de saúde, inclusive hospitais e orientou os municípios que editem decretos neste sentido, num esforço compreensível de imunizar toda a população.

Presume-se que a orientação deve ser para todos e não somente para quem necessita de acesso ao sistema de saúde.

Mas Rui Costa está em cima do muro, qual tucano do PSDB, sobre se vai proibir ou não festas de final do ano e, mais do que isto, o carnaval de 2022, comprovadamente eficiente condutor de transmissão da doença.

Entretanto, nota-se que o governador Rui Costa não tem logrado êxito na organização do combate à pandemia no estado.

Primeiro, enquanto presidente do Consórcio Nordeste, Rui Costa se enrolou na compra de respiradores, que pagou adiantado (cerca de R$ 48 milhões) e tais respiradores nunca foram entregues.   

Segundo, o governador viu Bruno Dauster, seu secretário da Casa Civil, afogando-se em acusações de corrupção na aquisição desses mesmos respiradores fantasmas, em pleno auge da pandemia.

O secretário acabou sendo demitido, mas nada esclareceu, por enquanto.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, estado prejudicado com a compra de Rui Costa, criou uma CPI para esclarecer o caso e convocou o ex-secretário de Rui Costa para depor, mas o homem ficou caladinho da silva, não disse uma palavra sequer e nada explicou aos deputados potiguares sobre a acusação do suposto pedido de superfaturamento como condição para a compra dos respiradores, o que significa entender tratar-se de pedido de propina.

Num conluio espúrio entre eles, os membros da CPI da Pandemia do Senado se recusaram a investigar o Consórcio Nordeste, para não melindrarem os governadores da Região, notadamente contrários ao governo federal.

O fato é que quase 3 milhões de pessoas que moram na Bahia não seguiram o caminho vacinal e, óbvio, isto compromete toda a população do estado.

Mais do que isto: as vacinas podem perder a eficácia/validade, o que até agora o governo baiano não admite, embora seja uma possibilidade real.

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Em Chorrochó, premiação destaque do ano vira tradição

É notório que o colunismo social do jornalismo impresso vai-se esvaindo e, em consequência, surgem atalhos na mídia digital que substituem, com vantagem, as formas costumeiras dessa prática jornalística tão comum na vida social.

Neste particular, as redes sociais têm desempenhado papel importante na demonstração do comportamento social e impõem claros reflexos na vida profissional de considerável número de pessoas, independentemente da região em que vivem e atuam.

Em Chorrochó, município encravado no sertão da Bahia, há algum tempo surgiu o site Chorrochoonline, fruto da criatividade de Edimar Carvalho, que se tornou uma espécie de condutor do colunismo social da região, ajustado à nova realidade e ao desconhecido.

Não é só. Com o Chorrochoonline surgiu também uma forma de avaliação de profissionais, que redundou no Troféu Destaque do Ano, que vem agraciando pessoas de variados seguimentos, de modo que isto representa o reconhecimento da sociedade a essas pessoas que se dedicam com esmero ao mister que ocupam.

Aqui não se discute a posição que cada um ocupa no meio social, mas o talento, dedicação e responsabilidade diante do desafio profissional, das intempéries e, sobretudo, da disposição de seguir adiante em direção aos horizontes sonhados.

Segundo o organizador do evento Edimar Carvalho, em 2021 as redes sociais escolheram para receber o Troféu Destaque de 2021 as seguintes personalidades:

Fábio Jericó, empresário; Dr. Marco Antonio de Jesus Bacelar, Delegado de Polícia Civil; Emanuel Rodrigues, prefeito de Rodelas; Waltércio Ramos, servidor público federal; Joana Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Macururé; Maila Soraia, profissional de saúde; Édipo Alcimar Nascimento Silva, líder político; Fábio Pereira Maia, presidente da Câmara Municipal de Macururé; Edmo Alves Novaes, Diretor Escolar; Programa Jornalístico Espaço Aberto, Rádio Educadora AM; Maria Mazzarello Soares dos Santos, ex-prefeita de Rodelas; Érico Almeida Souza, secretário municipal de Macururé; Géssica Cristina Santos Lima, técnica de enfermagem; Brenda Neves de Oliveira, secretária municipal de Rodelas; Romilson Ramos da Cruz, cabeleireiro; Adael Francisco, cabeleireiro; Ademir Varjão, vereador de Macururé; Edimar dos Santos Marinheiro, vereador de Abaré; Dra. Jéssica Andressa Fonseca Bernardes, advogada; Dra. Josenilda Alves Barbosa, advogada; Dr. Caio Alves, médico; Hélio Santos da Silva, vereador de Curaçá; Felipe César Alves Lima e Silva, vereador de Rodelas; Jerson José de Souza (Jerson Florimel), liderança política de Pedra Branca, Abaré; Altemar Silva Maciel, técnico de enfermagem; Aluísio Almeida, vice-prefeito de Rodelas; Marcos Oliveira, locutor; Jackson Alves da Silva, influenciador digital; Francisco José Marciano, vereador de Belém do São Francisco; José Iolando dos Santos, sacerdote; Roselice Jericó (Rosa de Teodoro), comerciante; Risonilton Celso Ramos da Cruz (Celso Ramos), vereador de Macururé; Naldinho Beira Rio, artista e blogueiro de Macururé;    

A solenidade de entrega do troféu Destaque de 2021 será realizada em 04/12/2021 na Câmara Municipal de Chorrochó e, não obstante tratar-se de um evento bastante concorrido, a organização sinalizou que obedecerá às regras sanitárias decorrentes da pandemia estabelecidas pelas autoridades.

Por último, vale acrescentar que o evento Destaque do Ano deixou de ser estritamente um acontecimento do município de Chorrochó para estender-se ao universo regional (Bahia e Pernambuco), o que, de fato, engrandece a iniciativa de Edimar Carvalho.

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O zoológico de Bolsonaro e a experiência do PT

O presidente Bolsonaro chamou um senador do Amazonas de “anta amazônica” e “cara de capivara” e a turma em redor do presidente apelidou outro senador da região Norte de “gazela saltitante”.

Não sei por que tanta maldade de Bolsonaro e sua turma com os bichos. Comparar animais dóceis e inofensivos com senadores tão desprezíveis é, no mínimo, menosprezar os animais, que não têm nada com vingança e desavença política entre humanos.

Memória já cansada, eu sabia que a cara daquele senador do Amazonas não me era estranha. Só depois lembrei que andei muito no zoológico de São Paulo – passeio melhor do que em shopping atulhado de pessoas – e, portanto, conheci antas e capivaras.

Na CPI da Pandemia, o senador Omar Aziz (PSD-AM) constantemente chamava de “meu amigo” o cavernoso senador baiano Otto Alencar, também do PSD, que tem cara de peixe fora d´água.

O senador Otto, por si só, está fora da água política. É opaco, inoperante e pouco importante para a Bahia.      

Pelo que se viu na CPI da Pandemia, Otto Alencar não anda bem acompanhado. É uma pena.

Para muitos baianos, chega a ser deprimente a representação da Bahia no

Senado Federal.

Embora aparência não qualifique a representação no Senado da República, mas a soberania do voto popular – e viva a democracia! – Jaques Wagner tem cara e pinta de Senador. Os dois outros nem isto têm.

Ao longo da história, tivemos parlamentares (deputados e senadores) de caráter suntuoso como Waldir Pires, Otávio Mangabeira, Tarcilo Vieira de Melo, Manoel Novaes, Josaphá Marinho, Aluísio de Carvalho Filho, Heitor Dias, Rui Santos, Lomanto Júnior, Antonio Balbino, Luís Viana Filho, Landulfo Alves, Pereira Moacir e tantos outros.

Omar Aziz está sendo investigado pelo desvio de milhões de dinheiro público da saúde do Amazonas, quando governador de lá, de modo que a proximidade e amizade dele com Otto Alencar remetem ao “diz-me com quem andas que te direi quem és”. 

Em minha juventude, os mais velhos advertiam: “cuidado com as más companhias!”.

Décadas mais tarde, no exercício diário da profissão de advogado, ouvi de mães de perigosos meliantes presos: “ele é um bom rapaz, honesto, trabalhador, mas vivia em más companhias”. 

A CPI da Pandemia do Senado deixou registros inapagáveis, dentre esses, a cara de pau de alguns de seus membros.

À frente Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), mestres na arte de querer aparecer diante dos holofotes, a CPI quebrou o sigilo telemático do presidente da República.

Qualquer aluno do primeiro ano de Direito sabe que a medida é ilegal, por se tratar de presidente da República, qualquer que seja ele, Bolsonaro ou outro, seja de direita ou de esquerda.

Dentre outros empecilhos, a medida é ilegal, por uma razão muito simples: o presidente da República não estava, nem podia ser investigado pela CPI. A CPI não foi criada para investigar o presidente da República.

Em 23/11/2021, o ministro Alexandre de Moraes (STF), espécie de inimigo figadal de Bolsonaro e que, portanto, não morre de amores pelo presidente, diante da flagrante ilegalidade, suspendeu a decisão esdrúxula da CPI dos imorais.

Os senadores caras de pau Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, feias e abomináveis vedetes da CPI, devem estar cabisbaixos com a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Certamente virão mais decisões judiciais em favor de outros perseguidos pela CPI, que foram humilhados pelos senadores “estrelas”: Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros e Otto Alencar.

Todavia, essa direita bolsonarista não tem jeito. Desceu o malho na espevitada deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT, porque Sua Excelência disse o seguinte: “Se tem alguém que tem moral para discutir sobre corrupção, somos nós do PT” (O Globo, 26/08/2021).

Confesso que não entendi a ironia e gozação da direita bolsonarista.

Gleisi Hoffmann fala de cátedra. O PT, quando no poder, passou anos engendrando, discutindo, idealizando e pondo em prática a corrupção e formas de corromper, o que não é nenhuma novidade.

Basta ler o noticiário da época. Basta pesquisar as decisões judiciais, “mensalão do PT”, por exemplo.

Logo, a deputada Gleisi está certíssima.

O PT tem know-how, habilidade e experiência para discutir corrupção. Entende do assunto, como poucos.

Acho que essa direita não tem mesmo o que fazer.

Gleisi Hoffmann cometeu apenas um “sincericídio” e falou a pura verdade.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá e região perdem um filho ilustre

José Pires Belfort (Dedé). Crédito: Kakazinho Duarte

Em 19/11/2021, familiares noticiaram o falecimento de José Pires Belfort (Dedé), cidadão de conduta ilibada e caráter irrepreensível, educado nos moldes da família tradicional sertaneja.

Dedé era filho de Joanna Silvina Belfort e de Agatão Pires Belfort, que constituíram família valorosa e viveram nos domínios do município de Chorrochó, onde ostentavam exemplos de honestidade, respeito e elevado conceito junto a todos da região.   

Da estrutura que compõe o núcleo familiar de Dedé em Chorrochó fazem parte Enok Pires Belfort (falecido), Josaphá Pires Belfort, Maria das Graças Silva Belfort e Leontina Maria de Jesus.

Dedé se casou com a professora Maria Auxiliadora Lima Belfort, de família tradicional de Curaçá. Dodora, como era carinhosamente conhecida, foi professora do conceituado Colégio Municipal Professor Ivo Braga e destaque no meio educacional do município.

Extraordinária figura humana, conheci Dedé na primeira metade da década de 1970 e com ele mantive momentos de convivência e cordialidade, o que muito me honra.   

Nas qualidades de Dedé incluíam-se boa índole, urbanidade e decência.

Dedé deixa bons exemplos de sua vida ilibada, assim como deixaram outras pessoas de seu convívio familiar, a exemplo de Themístocles Duarte Sobrinho (Mica) e Antonio Carlos Duarte (KK).

A história de vida de Dedé é uma saudável simbiose entre a estrutura familiar chorrochoense de Joanna e Agatão e as tradições de Curaçá sustentadas na hombridade de Hermes Duarte Lima.

Pêsames a todos da família de Dedé.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, indique-lhe o caminho certo e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Tendo em vista minha memória já esburacada em razão da passagem do tempo, pedi socorro ao ilustre professor Manoel Belfort, de Chorrochó, com o intuito de robustecer as informações sobre a família de Dedé.

Os louváveis conhecimentos profissionais do professor Manoel Belfort lastreiam-se na UNEB, IFBA e CESVASF. Ele foi sobremaneira prestativo e atencioso ao passar as informações que solicitei no que tange aos nomes da família, o que agradeço enormemente.  


 

Os vergonhosos privilégios dos ex-presidentes da República

Da esquerda para direita: Fernando Henrique, Chefe de Cerimonial do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, Lula, José Sarney e Fernando Collor/Reprodução do Facebook

Só para lembrar, porque os leitores conhecem o assunto sobejamente, são inteligentes e, portanto, não há nenhuma novidade nisto.

Com os impostos que os brasileiros pagam, com ingente sacrifício, cada ex-presidente do Brasil abocanha, mensalmente, à custa dos cofres públicos, os seguintes privilégios:

– 08 assessores comissionados com salários variáveis que beiram R$ 13 mil, para atuarem como segurança, apoio pessoal e assessoramento; 

– 02 veículos de luxo, reluzentes e blindados, da Presidência da República ou cedidos pela montadora Fiat aos ex-presidentes, não se sabe a troco de quê;

– Passagens, muitas passagens, inúmeras passagens, inclusive aéreas, para qualquer destino, nacional ou internacional dos ex-presidentes e seus assessores .

Exemplo: de 08 a 19/11/2021, o ex-presidente Lula da Silva está passeando na Europa e fazendo proselitismo político às nossas custas, conforme Diário Oficial da União de 29/10/2021, que definiu o tamanho dos privilégios e da maracutaia oficial;

– Pagamento de diárias, porque o pressuposto é de que os assessores ficam à disposição permanente dos ex-presidentes;

– Combustível para os veículos (presume-se que o outro tipo de combustível, caros uísques envelhecidos, vinhos e outras bebidas importadas, Suas Excelências compram com seus próprios recursos);

– Manutenção dos veículos em oficinas credenciadas pela presidência da República. Por questão de segurança, não pode ser qualquer oficina;

– Apólices de seguro;

A título de exemplo, dados de janeiro a outubro de 2020, os ex-presidentes do Brasil gastaram adoidadamente, segundo a Secretaria Geral da Presidência da República:

Lula da Silva gastou R$ 790 mil (mesmo quando esteve preso, Lula teve à disposição todas essas mordomias, sem interrupção, embora não necessitasse usar toda essa estrutura);

Dilma Rousseff gastou R$ 781 mil;

Fernando Collor gastou R$ 729 mil;

Michel Temer gastou R$ 687 mil;

Fernando Henrique gastou R$ 686 mil;

José Sarney gastou R$ 591 mil.

Em 04 anos, os ex-presidentes da República do Brasil gastaram aproximadamente R$ 19,6 milhões com despesas pessoais sustentadas pelo contribuinte. Significa dizer, por todos nós, que pagamos impostos.

Com esse dinheiro seria possível construir hospitais, comprar remédios, contratar pessoal e equipamentos para a saúde pública, etc.

Esses privilégios são vitalícios, ou seja, os ex-presidentes os recebem até morrer ou até que tais privilégios sejam extintos, se forem extintos.

Não se tem notícia de que algum presidente da República, num arroubo de humildade, tenha mandado projeto para o Congresso Nacional, com o intuito de abolir esses privilégios, nem o parlamento se dignou a tomar tal iniciativa. Nem vai tomar.

Deputados e senadores devem favores aos ex-presidentes e, lógico, não vão contrariá-los.

Alguns desses ex-presidentes vivem alardeando por aí que querem acabar a fome de milhões de brasileiros.

Lula até insiste em dizer que ele e o PT extinguiram a pobreza no Brasil ou quase toda. Louvável, se não fosse lorota. 

Seria recomendável que Lula da Silva subisse os morros da periferia das grandes cidades e visitasse as humildes famílias espalhadas pelo Brasil, mormente nos estados pobres do Nordeste, inclusive na zona rural, para ver de perto “os ricos” que ele e o PT produziram ou, pelo menos, os pobres que eles “tiraram da pobreza”.

O PT se dispôs, alguma vez, a enviar ao Congresso Nacional projeto de lei destinando aos pobres toda a bufunfa que recebem os ex-presidentes petistas Lula da Silva e Dona Dilma Rousseff?

Dir-se-á que é direito dos ex-presidentes. Correto, mas o direito não os impede que eles façam doações aos mais necessitados.

Crianças carentes, doentes desamparados, hospitais, asilos e entidades que cuidam de pessoas idosas, por exemplo, ficariam agradecidos com a generosa atitude petista.

Ou simplesmente extinguir essa vergonhosa mordomia assegurada a todos os ex-presidentes da República, petistas ou não, esquerdistas ou não, ricos ou não.

Pergunta-se mais: os ex-presidentes magnatas Collor, Sarney, Temer e Fernando Henrique precisam viver eternamente pendurados nas tetas do Brasil?

Sintomático é que o Decreto que ampliou essas mordomias foi editado por Lula da Silva em fevereiro de 2008 (está lá a assinatura dele), certamente para garantir sua “boquinha” quando deixasse o governo. Deu certo. Exatamente o homem que adora dizer que defende os pobres.

Há quem acredite na sinceridade dos homens públicos.

Viva a democracia!

(Legislação que ampara as mordomias: Lei 7.474/86 e Decreto 6.381/2008).

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