Os trambiqueiros do Ministério da Saúde

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa judia, 1906-1975)

Constrangedor. Muito constrangedor.

É provável que nem Janete Clair, com sua inteligência criativa, teria construído esse enredo novelesco tão ilógico, absurdo e surreal do Ministério da Saúde. Nem seu marido Dias Gomes, autor de O Bem Amado.

Servidores do Ministério da Saúde se reuniram com um cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, que se dizia representante de uma empresa americana atravessadora para, segundo eles, negociarem a aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida na Índia, ao preço unitário inicial de 3,50 dólares americanos.

Esse preço aumentou misteriosamente, durante a negociação, para 15,50 dólares americanos.  

A suspeita negociação estendeu-se para 400 milhões de doses de vacina, desta vez da AstraZenica e, em consequência, os pilantras aumentaram o valor e outras coisas mais.

Custo total da tramoia: R$ 1,6 bilhão. O empenho da verba foi feito, o que significa dizer que o Ministério da Saúde reservou o crédito orçamentário para pagamento das vacinas.

O militar mineiro disse que, embora tivesse negociado a venda de vacinas, não dispunha sequer de uma dose para entregar ao Brasil, o que é compreensível, tendo em vista a natureza do trambique.

Experiência do cabo da PM de Minas, intermediário na negociação da venda de vacinas: vendedor de salsichas.

Porte da empresa americana que o militar dizia representar: 3 empregados.   

O que o cabo da polícia de Minas entende de vacina: nada, absolutamente nada.

De salsichas, talvez entenda alguma coisa.

O trapaceiro diretor do Ministério da Saúde, que negociou o inegociável, já demitido, cobrou 1 dólar americano de propina por dose da vacina, segundo o próprio atravessador referido, o que representaria R$ 200 milhões de propina.

Os vigaristas caíram na malha da CPI da pandemia no Senado Federal. Ouvidos, mudaram o nome de propina para comissionamento. Coisa de malandro, trambiqueiro, enganador.

O negócio acabou não acontecendo. Por sorte do Brasil ou por azar dos trambiqueiros.

Na sequência, servidores graduados do Ministério da Saúde se reuniram também com intermediadores de uma empresa de Santa Catarina, com o intuito de negociar a aquisição de 30 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac ao preço de 28 dólares americanos por unidade.

A contradição mais clara é que o governo já havia anunciado tratativas com a China, sem intermediários, para aquisição de 100 milhões de doses, ao custo de 10 dólares americanos, por unidade.

Mais: a China havia informado o governo do Brasil que não tem intermediário e que a vacina é vendida diretamente ao governo e somente o Instituto Butantan, de São Paulo, tem credencial para tratar diretamente do imunizante.

Mais: o chefe da volumosa negociação das vacinas com o Ministério da Saúde vive financeiramente na penúria.  

Cadastrou-se no auxílio emergencial do governo e recebeu todas as parcelas.

Ser pobre não é pecado, não é defeito, nem crime, nem razão de crítica.

Todavia, uma pessoa assim, nessas condições – valendo-se de auxílio emergencial para sobreviver – tem envergadura financeira para viajar aos Estados Unidos, Brasília, Índia e tantos outros lugares, para viabilizar o sonhado negócio bilionário?

Nada disto soou estranho ao Ministério da Saúde?

Onde estão os órgãos de inteligência do governo?

Aliás, o Ministério da Saúde está cheio de criaturas estranhas, muito estranhas.

Eduardo Pazuello, experiente e roliço general de três estrelas, que ocupa o ápice da carreira de intendente, à época ministro da Saúde, não conseguiu captar o trambique que seus subordinados estavam tramando contra os brasileiros?

O general Pazuello é o primeiro general barrigudo que vi, embora já tenha visto muitos generais na vida.

Ou a história está mal contada – e parece estar mesmo – ou o general Pazuello não tinha a mínima condição de, sequer, ser office boy do Ministério da Saúde.

Aliás, office boy é uma profissão respeitável, que exige competência.

Neste caso –  parece – mais respeitável que de ministro da Saúde em tempos de governo Bolsonaro.

Com um Ministério da Saúde assim, além dos milhares que já se foram, todos nós começamos a morrer.

araujo-costa@uol.com.br

Judiciário da Bahia está em colapso moral

É razoável entender que o desvio isolado de conduta de alguns desembargadores e juízes da Bahia não tem o condão de contaminar toda a instituição Poder Judiciário.  

Todavia, em se tratando da Bahia, parece ser um caso recorrente e não isolado, propriamente, mas estarrecedor.

A desembargadora baiana Sandra Inês, presa por falcatruas (corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa), fez delação premiada e apontou 12 outros colegas desembargadores, doze juízes do Tribunal de Justiça da Bahia, 15 advogados e 16 funcionários do tribunal, além de filhos e parentes de magistrados, todos envolvidos em venda de sentenças, totalizando 68 pessoas.

Dentre os supostamente envolvidos estão Gesivaldo Britto, ex-presidente do Tribunal de Justiça e Maurício Teles Barbosa, ex-secretário de Segurança Pública da Bahia nos governos petistas de Jaques Wagner e Rui Costa.

Custa acreditar que o ex-secretário de Segurança Pública da Bahia esteja envolvido em crimes dessa espécie, tendo em vista seu honrado e conhecido histórico de delegado da Polícia Federal, instituição reconhecidamente respeitada.

Entretanto, não se pode dizer o mesmo relativamente a desembargadores e juízes, considerando a abundância de casos sobejamente conhecidos em todo o Brasil, muitos deles em apreciação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em razão do corporativismo evidente e inegável, o CNJ costuma passar a mão na cabeça de magistrados corruptos ou supostamente corruptos.

Em caso de punição mais grave, o magistrado delinquente é aposentado com salário estratosférico pago pela mesma sociedade que foi surrupiada, ou seja, para o juiz ou desembargador corrupto, o crime compensa.

Fácil, muito fácil: o sujeito presta concurso público, efetiva-se na condição de juiz, corrompe-se e se aposenta antes do tempo exigido por lei a que todos os brasileiros estão obrigados a cumprir.

Consequentemente, vai viver uma vida nababesca à custa do contribuinte. Os exemplos são muitos em todo o Brasil.  

As investigações envolvendo os magistrados da Bahia estão em andamento e a cargo da Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.

Além das investigações envolvendo a desembargadora Sandra Inês, há muitas outras contra magistrados da Bahia.

Se o caminho estiver correto – e se provadas as acusações – o Tribunal de Justiça da Bahia terá de ampliar vagas em presídios para abrigar magistrados e servidores.

O registro mais deplorável é este: a Bahia apresenta ao Brasil, a primeira desembargadora a fazer delação premiada contra membros do próprio Poder Judiciário do qual faz parte.

Imagino quantos desses magistrados, mais mentecaptos do que magistrados, em audiência e despachos, se viram no direito de dar lições de moral em advogados e partes processuais.

A toga, para eles, é o esconderijo das falcatruais.

O Judiciário da Bahia está em colapso moral.   

Os verdadeiros juízes estão envergonhados.

araujo-costa@uol.com.br

Os patifes do Congresso Nacional

“De circunlóquios nada sei.
O caso conto como o caso foi.
Na minha frase de constante lei,
O patife é patife; o boi é boi.”

(Cônego Batista Campos, Jornal O Paraense, Século XIX)

Que pandemia que nada!

Pandemia, desemprego e economia raquítica só existem para deputados e senadores quando é para criticar o governo federal.

Quando se trata de beneficiar os bolsos de Suas Excelências, não há pandemia, o desemprego é relativo e a economia vai muito bem, sim senhor.

O Congresso Nacional aprovou R$ 5,7 bilhões para o fundo eleitoral de 2022.

Nas eleições de 2020 o fundo era R$ 2 bilhões. Ou seja, eles aumentaram R$ 3,7 bilhões para gastarem na campanha eleitoral do próximo ano.

Esses parasitas do Congresso Nacional votam esta e outras matérias de seus interesses, sem nenhum estardalhaço, geralmente sem discussão, sem debate, silenciosamente, quase sempre em votação simbólica.

O dinheiro arrancado dos cofres públicos será dividido entre os partidos políticos para eles gastarem a seu talante, como bem entenderem.

Depois deputados e senadores saem por aí, diante dos holofotes, criticando a falta de hospitais, de leitos, de remédios, de assistência governamental aos mais necessitados e  outras coisas mais.

Pergunta-se: onde estão, por exemplo, os “honestos” senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL) e Omar Aziz (PSD-AM) e outros tantos hipócritas do Congresso Nacional que, quietinhos, votaram a favor da mamata?

Os parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) que vivem criticando o fraco desempenho da economia, falando de desemprego e de descuido com a pandemia, também votaram quietos a favor do aumento do fundo eleitoral.

Por que? Porque o PT é o maior e grande beneficiário do fundo eleitoral.

O PT é o primeiro no topo da lista.

Nas eleições municipais de 2020, o PT abocanhou R$ R$ 200.925.914,05. São milhões do fundo eleitoral, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, que faz a conivente distribuição da bufunfa aos partidos políticos.

Alguém já viu Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, criticando o aumento do fundo eleitoral?

Entretanto, certamente alguém já viu ela dizer que o auxílio emergencial é irrisório e que os pobres estão desamparados e que só os governos do PT tiraram os miseráveis da linha da pobreza.

Onde estão estes novos ricos que o PT os elevou à prosperidade?

Cadê as manifestações contrárias à ampliação do fundo eleitoral dos combativos deputados José Guimarães (PT-CE), que o imaginário popular o apelidou de “dólar na cueca” e do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ambos tão defensores da moralidade pública?

A democracia ainda é o melhor regime político. E sempre será.

Mas produz, em turbilhões: patifes, parasitas e outros infames que vivem enganando a sociedade.

Pior: há quem acredite neles. Mais do que isto: há quem os defenda.

araujo-costa@uol.com.br

O PCdoB e a “morte” de Gleisi Hoffmann

A melhor propaganda anticomunista é deixar um comunista falar” (Paulo Francis, jornalista e escritor, 1930-1997).

Modelo de regime político admirado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e parte de nossa esquerda caótica, o comunismo de Cuba está se desmoronando.

A população saiu às ruas de Cuba em protesto contra a falta de comida, esfacelamento do serviço de saúde e aumento da pandemia do coronavírus.

Lá, como cá, o governo negligenciou no combate à pandemia. Aqui, um presidente amalucado de direita extremada; em Cuba, um presidente estruturado em base decadente e sórdida.

No Brasil, o comunismo é representado, basicamente, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que nasceu de uma dissidência do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB), de Luís Carlos Prestes, Jacob Gorender, Carlos Marighella, Apolônio de Carvalho, Oscar Niemeyer e de tantos outros idealistas de princípios, tão escassos nos dias de hoje.

Entretanto, o PCdoB corre o risco de acabar. Com a saída de Flávio Dino, do Maranhão, único governador do partido, acendeu o sinal amarelo na agremiação.

Flávio Dino sonhava em ser o candidato de Lula da Silva em 2022.

O ministro petista Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, resolveu retribuir o favor que o PT lhe fez com sua nomeação, cancelou as sentenças de Lula e Flavio Dino baixou a crista. Foi se abrigar no Partido Socialista Brasileiro (PSB).

A presidente nacional do PCdoB, salvo engano, é vice-governadora de Pernambuco, mas não tem cacife para levantar o partido e evitar sua derrocada.

Em 2022, o PCdoB vai precisar eleger 11 deputados federais, em razão da cláusula de barreira, que exige dos partidos votação mínima de 2% dos votos válidos em nove Estados, para que possam continuar existindo legalmente.

O quadro parece difícil para o PCdoB, que se esteia no marxismo-leninismo, seu maior pilar, teoria muito desgastada na sociedade. A saída será fazer a fusão com outro partido, coisa que para o PCdoB não é novidade. O partido é apêndice e penduricalho do PT.

O PCdoB enfrentou a ditadura militar, viveu na clandestinidade e organizou a guerrilha do Araguaia, quando morreu um de seus fundadores e destacado dirigente, Maurício Grabois.

Em Cuba, o governo de lá parece ter optado pelo anticomunismo, segundo a teoria de Paulo Francis: a direção do partido está falando muito para justificar o estado de penúria por que passam os cubanos, que decidiram protestar.

Das duas, uma: ou terá fuzilamento, nos moldes de Fidel Castro, ou o comunismo cubano vai virar escombros.

O governo de Cuba já está trancafiando quem participa dos protestos. Depois, será escuridão, não se sabe o que poderá acontecer.

A “morte” de Gleisi Hoffmann

A jornalista Mônica Bergamo, esquerdista acima de qualquer suspeita, publicou em sua coluna na Folha de S.Paulo um caso hilário.

Mônica Bergamo escreveu que a presidente nacional do PT não consegue se vacinar com a segunda dose do imunizante, por uma razão muito simples: já morreu.

Após tomar a primeira dose, Gleisi Hoffmann foi informada por profissionais da saúde que o nome dela foi baixado, por morte, no sistema do SUS.

Gleisi correu atrás e constatou que o procedimento da baixa foi feito corretamente, com base nos documentos dela.

Agora ela tenta provar que está viva para receber a segunda dose da vacina.

Ironia do destino: consta que o apelido de Gleisi Hoffmann no SUS é “Bolsonaro”. Menos mal. Melhor do que o apelido que ela recebeu na Planilha da Odebrecht.

Enquanto Gleisi Hoffmann não provar que está viva, não vai poder fazer turismo em Cuba e assistir aos escombros do comunismo que ela e seu partido tanto enaltecem.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, Tutu e o registro da saudade

“É o coração que faz o caráter” (Eça de Queiroz, 1845-1900)

Tutu/Crédito: Dr. Roberto Menezes/Drª Mércia Menezes

A morte nos dá o caminho para o deserto. Indica o vazio, a ausência, a vastidão das dúvidas. Dilacera quem fica, extermina o convívio, conduz às reflexões.   

“Mas o deserto é necessário, qualquer que seja o caminho”(Antonio Carlos Villaça, escritor e jornalista, 1928-2005).

Antonio Cordeiro de Menezes (Tutu), chorrochoense de boa índole, educado, generoso, digno, companhia agradável, conversa interessante, às vezes irônico, outras vezes interrogativo, mas sempre alegre e receptivo.

Vida toda em Chorrochó, Tutu constituiu família decente e respeitável: a mulher Wilma Ábia de Carvalho Menezes e os filhos Mércia Simone de Menezes Carvalho e Roberto Henrique de Menezes Carvalho.

Filhos bem educados na esteira cultural da tradição familiar, hoje profissionais de credibilidade, herdaram do pai e da mãe professora, a dignidade e a honradez.

O núcleo familiar de Tutu estendia-se à mãe Maria Alventina de Menezes (Iaiá) e ao pai Joviniano Cordeiro de Menezes, além dos irmãos José Jazon de Menezes, Maria Rita da Luz Menezes, Francisco Afonso de Menezes e Maria Daparecida Mazarelo de Menezes.

O núcleo familiar se completava com os parentes, muitos parentes, que povoam e enriquecem às famílias Cordeiro e Menezes, de Chorrochó.

Já se vão, por aí, alguns anos do seu falecimento.

Tutu deixou o vazio e a saudade.  

Faço o registro para desanuviar as fragilidades da vida.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Em data recente li uma frase do vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), do PT de Chorrochó: “Tio Tutu tinha razão”.

Também acho.

A CPI da Pandemia e o plantio de melancia

O deputado federal Túlio Gadelha (PDT-PE, por enquanto), que ficou famoso, não por ser deputado, mas por ser namorado da apresentadora Fátima Bernardes, da TV Globo, “apresentou requerimento à mesa da Câmara para convocação do ministro da Defesa, general Braga Netto e dos comandantes das três Forças para que eles expliquem as ameaças que fizeram ao senador Omar Aziz (PSD-AM) e ao Congresso” (Blog de Miriam Leitão, O Globo, 08/07/2021).

O inexperiente deputado de Pernambuco está se metendo em conversa de gente grande.

Este é assunto para parlamentares experientes, que entendem de Congresso Nacional e dos meandros da política e não para novel estreante que vive deslumbrado com a namorada rica e famosa.  

O assunto já foi razoavelmente contornado. O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, explicou que suas palavras não tiveram a intenção de atingir as Forças Armadas.

Segundo o senador do Amazonas, ele se referiu a alguns militares, isoladamente, que parecem envolvidos em assuntos nebulosos no Ministério da Saúde e não às Forças Armadas como instituição de Estado.

Compreensível a explicação do senador Omar Aziz. No contexto, também é compreensível a nota dos militares.

Entretanto, parece que alguns membros da CPI da Pandemia e outros políticos periféricos, com o intuito de aparecerem, estão imprudentemente jogando gasolina na fogueira, o que é temerário.  

A CPI tem limites. A democracia tem regras e uma dessas regras é não ter fronteira para nossas palavras, desde que ditas na esteira da sobriedade, decência e respeito à honra alheia.

Como se vê, o Brasil vai precisar aumentar o plantio de melancia.

São muitos políticos que vão precisar de melancia para pendurá-la no pescoço, a exemplo do deputado Túlio Gadelha, que quer aparecer a todo custo neste momento tão delicado para as instituições nacionais.

Nunca é demais lembrar: foi um jovem e inexperiente deputado fluminense – Márcio Moreira Alves – que provocou os militares em discurso na Câmara dos Deputados em 1968 e detonou a crise que culminou com a edição do Ato Institucional número 5 (AI-5), de tão triste memória.

Aquiete-se deputado Túlio Gadelha. Para participar de conversa de gente grande é preciso ter estofo.

Há muitas formas de servir a sociedade na condição de parlamentar. Sua contribuição maior é ficar em silêncio.

Abaixo a nota do Ministério da Defesa e dos comandantes militares:

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Privilégios: Juízes, promotores e as férias de 60 dias

Na proposta de reforma administrativa que tramita na Câmara dos Deputados, a chamada PEC 32, magistrados e membros do Ministério Público travam uma batalha ingente e buliçosa com o intuito de continuarem com seus vergonhosos privilégios, mormente as férias de 60 dias, uma afronta aos demais brasileiros, que a Proposta de Emenda à Constituição ameaça abolir daqui em diante.   

Iniciativa do Poder Executivo, a reforma dificilmente será aprovada na forma como foi apresentada ao Parlamento.

Juízes e promotores não aceitam ser incluídos na reforma administrativa, por uma razão muito simples: é uma elite que se acha intocável e quer se manter separada dos demais brasileiros, social e financeiramente.

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que está se aposentando, defende a manutenção das férias de 60 dias porque, segundo ele, “muitos ministros, desembargadores e outros operadores do direito destinam dias de férias a tarefas para as quais, no dia a dia do trabalho nas cortes, simplesmente não sobra tempo” (Consultor Jurídico, 14/12/2020).

Gozador, noutras palavras o ministro disse que juízes e promotores trabalham durante as férias.  

O caipira paulista diria, do alto de sua sabedoria: “me engana que eu gosto”.

Casos isolados podem acontecer. Isoladíssimos, absolutamente isolados. Não como regra, que magistrados e promotores trabalham durante as férias.

Se eles são tão abnegados assim, em benefício da sociedade, por que, então, não querem abrir mão desse privilégio e igualarem-se aos demais brasileiros?

Por sua vez, a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), também em defesa das férias de 60 dias, disse que “o Judiciário tem alta produtividade” (Diário do Poder, 07/07/2021).

Outra gozação. Dizer que o Judiciário tem “alta produtividade” é, no mínimo, uma piada fora de contexto.

Sua Excelência alega que há oito processos diários para cada juiz manusear e decidir.

É que Sua Excelência não conhece a rotina de uma trabalhadora pobre, que levanta às 04:00h da manhã, anda um trajeto a pé, vale-se de duas ou três conduções públicas e trabalha de sol a sol.

Nem conhece a rotina de um trabalhador da produção nas indústrias da vida, que fica mais tempo dentro da fábrica e no trajeto que faz diariamente do que em casa.

Compulsar oito processos por dia é um maná diante do sofrimento e da realidade da média dos demais brasileiros.

Os estratosféricos salários que essa elite abocanha todos os meses, além dos demais penduricalhos que engordam seus contracheques mensais são uma afronta à pobreza dos brasileiros e às classes menos favorecidas.

O fato é que o Congresso Nacional não levará essa discussão adiante até porque os congressistas – deputados e senadores – também estão atolados em privilégios.

E aí dá-se o conluio entre esses privilegiados e fica o dito pelo não dito.

Tudo continuará na mesma.

E nós continuamos pagando os privilégios para magistrados e promotores viverem de forma nababesca.

Eles têm a caneta e nós, pobres mortais, temos o dever de sustentá-los.

araujo-costa@uol.com.br

A Bahia tem governo, diz Rui Costa.

“Posso dizer que aqui tem governo e não terá imagens que vi em outros estados, de motos sem placa e coberta. Aqui a lei será respeitada” (Rui Costa, PT, governador da Bahia).

Está na imprensa e, salvo engano, a declaração foi externada no “Papo Correria”, meio de publicidade de Rui Costa.

O governador baiano fez a declaração ao ser informado de uma “motociata” que seria realizada na Bahia, em apoio ao presidente Bolsonaro.

O governador Rui Costa esqueceu de avisar o baiano Rui Costa que a Bahia tem governo.

Não é o que diz o IBGE.

“Um estudo divulgado pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a Bahia tem o maior número de analfabetos do país. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), em 2019, mais de 1,5 milhão de pessoas de 15 anos ou mais não sabiam ler nem escrever um bilhete simples, o que corresponde a 13% da população do estado.

Ainda de acordo com o IBGE, esse número é 2,8% maior que o verificado em 2018, e 3% superior ao de 2016” (G1 Bahia, 15/07/2020).

Interessante é que os números aumentaram durante os governos do PT (Jaques Wagner e Rui Costa), o que significa que a Bahia não tem governo tão eficiente assim, como diz nosso admirado governador.

“Quando falamos em esgotamento sanitário, a situação é preocupante. Estima-se que no estado apenas 39,5% da população recebe atendimento de coleta de esgoto, e 52,4% do volume dos esgotos baianos são tratados. Esses índices revelam que há ainda desafios a serem enfrentados, sendo necessário maior atenção por meio do governo” (Saneamento Básico ainda é um problema na Bahia, site Trata Brasil, 02/07/2020).

Poderia desfiar um rosário de falhas do governo da Bahia, como a precariedade de estradas, falta de médicos em pequenos municípios, prédios escolares deteriorados, programas sociais claudicantes ou inexistentes, et cetera.

Nessa referida declaração, Rui Costa foi além e menosprezou os demais governadores, ao dizer: “aqui não terá imagens que vi em outros estados, de motos sem placa e coberta. Aqui a lei será respeitada”.

Em todos os estados há leis, governador. E para serem cumpridas.

Nem o governador de São Paulo, nem o do Rio de Janeiro e nem o da Bahia têm condições de evitar que alguns motoqueiros, em passeatas, cubram placas de suas motos para não serem multados.

São fatos isolados, que fogem ao controle e à responsabilidade dos governadores, quaisquer que sejam os estados.

Mesmo que o mandatário de plantão pretenda ser um supergovernador como quer parecer Rui Costa.

Constatadas as irregularidades, resta ao governo punir os infratores, se meios houver de identificá-los. E certamente há.

É claro que a ocasião não é propícia para “motociatas” e manifestações políticas nas ruas, nesse tempo de pandemia, sejam convocadas por apoiadores do presidente Bolsonaro ou por partidos, movimentos e instituições de esquerda contrários ao governo.

Sejam de esquerda, de direita, de centro ou de qualquer lado, as manifestações fazem aglomerações, que as leis de combate à pandemia coíbem.

Menos política e mais sinceridade, governador.

A Bahia merece.

araujio-costa@uol.com.br

Curaçaense ou não?

Escrevinhador desavisado, fui repreendido por uma insigne e atenta leitora, porque num texto que escrevi recentemente sobre o ínclito Dr. Hélio Coelho Oliveira, honra e glória de Barro Vermelho, lá o qualifiquei como “advogado e professor curaçaense”.

A leitora ensinou, didaticamente: “quem é de Barro Vermelho é barro-vermelhense, não é curaçaense”. “Há uma certa distinção”.

Do alto de minha ignorância, um tanto envergonhado e apoucado por não saber disto, engoli o ensinamento, que agradeço à leitora, mas confesso que consultei algumas publicações de gentílicos com o intuito de amparar minha pretensa sabedoria, que vai se escafedendo aos poucos e esvoaçando-se como cinzas ao vento.

Tenho curiosidade enciclopédica.

Em nenhuma dessas publicações consegui captar a distinção da naturalidade que há – ou deve haver – entre quem nasce no bairro, vila, povoado, sítios, arruamentos ou fazendas e quem nasce na sede do município ao qual pertencem.

Santa ignorância esta minha!

Beirando idade septuagenária ainda cometo gafes deste tamanho. Bem feito. Quem manda escrever sobre assunto que não conheço?

Cada dia me convenço de minha insignificância como jornalista e cronista.

Conseguintemente, entendo que quem nasce no território do município é natural do município.

Para este escrevinhador, até parece óbvio, embora não deva ser óbvio tanto assim.

Na mesma linha, por exemplo, entendo que é juazeirense quem nasce em Juremal, Salitre ou Piranga, em Juazeiro.

Mutatis mutandis, como dizem os latinistas, quem nasce em Patamuté, não obstante ter nascido lá, é curaçaense, como é o caso deste escrevinhador.

Sou patamuteense orgulhoso de ser de lá, mas não abdico de minha condição de curaçaense e até a ostento por onde ando.

Sinto-me lisonjeado quando aqui, no Sudeste, alguém pede minha cédula de identidade e lá está pomposamente delineada minha naturalidade: Curaçá-Bahia.

Dá uma vontade danada de dizer bem alto, para os circunstantes ouvirem: tá vendo aí? Sou de Curaçá.

Por exemplo, parece lógico – ou imperativo – que é soteropolitano quem nasce nos bairros da Pituba, Brotas, Cabula, Rio Vermelho ou Capelinha de São Caetano, em Salvador.

Atarantado, recorri aos meus alfarrábios, que são muitos e desorganizados, tropecei pelos Caminhos de Curaçá, do conspícuo sociólogo Esmeraldo Lopes e nada encontrei sobre a diferença entre ser barro-vermelhense e curaçaense.

Só não consultei a secular Descripção História e Geographica do Município de Curaçá, de meu conterrâneo João Mattos, de Patamuté, nem a Relação de uma missão no Rio São Francisco, do frei Martinho de Nantes.

Ainda folheei as anotações de Enquanto Enlouqueço, do professor e jornalista Lugori, outro curaçaense de respeito.

Debalde. Minha dúvida persiste.

Prometo que ainda vou descobrir. E aprender, para não sair por aí cometendo essas gafes monumentais.

araujo-costa@uol.com.br

Barro Vermelho arrasta a história para mais perto

Dr. Hélio Coelho Oliveira / álbum de família.

Em 24.06.2021, o advogado e professor curaçaense Hélio Coelho Oliveira lançou o livro Barro Vermelho da minha vida, Juazeiro da minha gratidão.

O evento aconteceu na residência do autor, em Barro Vermelho, distrito de Curaçá.

Transcrevo a seguir texto enviado por Maria Betânia, filha do autor que, por si só, é uma apresentação abalizada do livro:

“Ao intitular a obra, o autor traz consigo um leque de informações adquiridas ao longo do tempo com os seus antepassados.

É um livro diferente, pautado em sua maior parte, nas vivências pela terra natal. Dentre as particularidades, está a preservação dos apelidos e nomes informais. Será de grande valia para essa geração, beneficiando seu enriquecimento cultural na busca e descoberta pelos fatos passados que ainda se fazem presentes através do contexto cultural, das raízes que crescem e perduram.

O evento foi animado pela Bandinha 15 de Março, na responsabilidade do maestro Rodrigo Oliveira, que tão bem conduziu os seus discípulos neste momento de emoção.

Barro Vermelho ganha mais uma fonte de pesquisa e a cultura local só tem a engrandecer”.

O livro físico já está disponível e à venda.

Contatos pelo WhatsApp 74 9 8829-0271 e através das redes sociais do autor https://www.facebook.com/heliominhaterraminhavida/ https://www.instagram.com/helioliveira376/?hI=pt-br

O Dr. Hélio Coelho Oliveira fará live, terça-feira, 29/06/2021, às 20:00h, quando será lançado o e-book e passará detalhes sobre a venda através da internet.

Decorridas 24 horas após a live, o livro estará disponível através dos endereços acima referenciados na modalidade e-book.

Este blog havia noticiado o lançamento do livro através de matéria publicada em 14/06/2021 com o título Curaçá: lançamento de livro em Barro Vermelho.

araujo-costa@uol.com.br