
Barro Vermelho é um lugar muito importante e querido. Pertence ao município baiano de Curaçá.
Terra de gente hospitaleira e decente, suas esquinas respiram cultura e as ruas atestam a grandeza de seu povo.
O lugar se destaca, também, pelo apego arraigado de seu povo aos valores dos antepassados.
A vida em Barro Vermelho é coroada de grandes feitos. Até o juazeirense João Gilberto, ícone da Bossa Nova, adquiriu algum traço cultural por lá. Muito distante, embora.
Em junho de 2014, Barro Vermelho comemorou o centenário de nascimento de seu filho ilustre, o maestro Filemon Gonçalves Martins, honra e glória da terra.
Algumas gerações de Barro Vermelho guardaram, décadas a fio, as marcas do grande e insigne maestro, porque ele sempre foi indissociável da história da terra. E ainda é.
Filemon construiu toda uma quadra da história do lugar dedicando-se à música e à vida simples de sua gente. Não se vergou às vicissitudes e condições adversas do lugar. Venceu como profissional em sua própria terra.
No contexto cultural de Barro Vermelho, o maestro Filemon está inserido como uma pedra fundamental, alicerçando o seu tempo e sua história.
A grandeza de um povo também tem raiz em sua simplicidade, na ausência da arrogância e na construção do caráter irrepreensível.
As pessoas de Barro Vermelho são simples, dignas, essencialmente honradas.
Conheci muitas delas, algumas já falecidas e cito estas, a título de exemplo de honradez e decência: Iolanda Martins Ribeiro, José Luiz dos Santos Filho, Agostinho Gonçalves, Hélio Coelho Oliveira, o próprio maestro Filemon, educado, atencioso, impressionantemente modesto. Os grandes homens são assim, simples, mas monumentais.
Abençoado pelo padroeiro São João Batista e pelo Sagrado Coração de Jesus, Barro Vermelho reverencia seu maestro e se refrigera na cultura musical sustentada, principalmente, por ele e seu legado.
Por aí se vê, sem dúvida, que a história deste simpático distrito de Curaçá tem, em suas páginas, o maestro Filemon Gonçalves Martins na condição primeira de grande nome enriquecedor de seu patrimônio cultural.
Filemon foi maestro da centenária Filarmônica 15 de Março de Barro Vermelho, fundada em 1917.
Professor de música, Filemon teve admiradores, discípulos e circunstantes atentos. E fez escola. Foi pioneiro na arte de sedimentar a importância da música em Barro Vermelho e região.
Difícil esquecer sua participação quase obrigatória em festas, acompanhando procissões em festejos de padroeiros, casamentos e batizados e animando bailes nos clubes sociais.
Compreensivelmente, Barro Vermelho revive e comemora suas tradições neste mês de junho, com muito fervor, porque sempre esteve atento à firmeza de seus valores culturais.
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