Chorrochó, uma cobrança necessária da História

“Os homens que fazem história não temem os empecilhos nem se quedam diante das incompreensões” (Lincoln Grillo, 1926-2013)

Dorotheu Pacheco de Menezes

Vem de longe minha insignificante e incessante luta, dentro do possível, pela sedimentação da história de Chorrochó.

Em 06/04/2002 – já se vão, por aí, 24 anos –  o Jornal A Tarde, de Salvador, noticiou no caderno A Tarde nos Municípios, o lançamento de meu livro Dototheu: caminhos, lutas e esperanças, quiçá o registro mais seguro de tudo aquilo que eu vinha falando ao vento em benefício da História do lugar, sem barulho, mas continuadamente.

Alguns chorrochoenses dirão, até com razão, que não tenho nada a ver com isto, vez que sou filho de Curaçá e não de Chorrochó.

Entretanto, insisto: os homens passam, mas a terra fica para ser amada e reverenciada por seus filhos. E a História de Chorrochó não pertence somente a nós, de agora, propriamente, mas também às gerações futuras.

Desde os tempos da prefeita Rita de Cássia Campos Souza, com raízes fincadas no simpático distrito de Barra do Tarrachil, cutuquei a Municipalidade no sentido de trocar o nome da Rua Coronel João Sá, na sede, para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes.

A prefeita, embora professora, deu de ombros. A História de Chorrochó, para Sua Excelência, não tinha nenhuma importância.

Até contei, na ocasião, com a valiosa contribuição do vereador Marcos Vinicius Pereira Jericó (Ciel Jericó), embora sem êxito.

Enfrentei algumas e inexplicáveis resistências, inclusive de membros da família de Dorotheu, que entendiam que o coronel João Sá, político e latifundiário lá das bandas de Jeremoabo, foi mais importante para Chorrochó do que o líder Dorotheu Pacheco de Menezes que, dentre muitos de seus esforços, lutou pela emancipação e foi prefeito do município.

Mas essa é outra longa história que, hoje, não vem ao caso e já escrevi muito sobre ela, alhures. Exaustivamente.  

O fato é que, em data recente, salvo engano, a Câmara Municipal de Chorrochó acertadamente, votou e aprovou a mudança de nome da Rua Coronel João Sá para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes.

Alvíssaras!

Todavia, parece que o prefeito Dilan Oliveira (PCdoB), que prezo muito – e isto não tem nenhuma importância – a quem cabe mandar executar a medida, ainda não arredou uma palha com vistas ao cumprimento da lei aprovada pela Câmara Municipal.

Ou seja: o prefeito deve determinar a substitução das placas indicativas do nome da Rua e, complementarmente, comunicar aos órgãos públicos interessados no que tange à mudança do mapa de ruas da cidade.

Sem desconsiderar, evidentemente, que isto leva em conta as disponibilidades e parâmetros orçamentários à disposição do prefeito.

Já é tempo de Sua Excelência acionar a Secretaria de Cultura do Município, ou órgão equivalente e demais secretarias municipais afetas ao assunto, no sentido de viabilizarem a mudança do nome da rua.

Chorrochó precisa mudar. E, considerando minha ingenuidade, acho que está mudando.

A frase de Lincoln Grillo, mineiro de Uberlândia, que encima este artigo e foi prefeito de Santo André, no ABC paulista, diz tudo. Conheci-o nos tempos da ditatura militar e nunca esqueci de sua tenacidade em defesa da sociedade e da História.

Minha humilde sugestão é que o prefeito Dilan Oliveira, de Chorrochó, comece a fazer história. Ele tem futuro.

araujo-costa@uol.com.br  

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