Colégio Cenecista São José: Da glória aos escombros

Traçado original do prédio histórico da Prefeitura de Chorrochó, sem data/Hoje está reformado

“As tradições são o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro.” (Tobias Barreto, jurista e filósofo sergipano, 1839-1889).

Não sei se há alguma coisa relevante a acrescentar às palavras recentes de alguns chorrochoenses, dentre esses Ita Luciana e Eloy Netto, sobre o descaso relativo ao patrimônio histórico do município.

Educação e cultura de um povo se impõem por si sós, de modo que a preservação da tradição se encarrega de perenizá-las.

Fui aluno do Colégio São José, admirador de seu corpo docente e desejoso de que a instituição – hoje estadualizada e com novo formato – continue educando, estruturando mentalidades e desenferrujando as mentes de nossos jovens, preparando-os em direção ao caminho do bem e da nobreza pessoal e profissional.

As gerações se assentam em valores, sonhos, ideias, lutas e contribuição dos antepassados.

Sou defensor intransigente das tradições e da cultura de Chorrochó e, neste particular, até tenho sido renitente, quiçá inconveniente, ao criticar o descaso das autoridades no que concerne aos alicerces culturais do lugar.

Há algum tempo sugeri a fundação de uma biblioteca pública municipal para servir de sustentáculo cultural aos jovens de hoje e do futuro e à sociedade chorrochoense, como um todo. Até fui pretensioso a ponto de sugerir o nome: Biblioteca Professora Marieta Argentina de Menezes.

O fato é que alguém teve a ideia de espezinhar a história e as tradições de Chorrochó e mandar demolir o antigo prédio do Colégio São José. Consumada a insensatez, a história da instituição foi reduzida a poeira e escombros.

Presumo que o setor que cuidava da cultura do município à época tenha guardado fotos da instituição para enriquecer os arquivos do município.

O assunto agora volta à tona, embora casualmente: a demolição do prédio do antigo São José foi inoportuna e desnecessária.

O desenvolvimento do município não deve passar pela destruição de suas tradições, tampouco a história deve ser apequenada de maneira cruel e insensata.    

Em data recente, Tércio Tolentino sugeriu uma lei em defesa da “memória viva de Chorrochó”. E ponderou: “Progresso não é apagar. Progresso é construir o novo ao lado do antigo”.  

Com a palavra a Câmara Municipal de Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

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