Chorrochó: Quando persiste a estrutura moral dos antepassados

Secretário João Eloy de Menezes/Crédito: Secretaria Estadual de Segurança Pública de Sergipe

João Eloy de Menezes está a caminho dos 62 anos.

Nascido em Chorrochó, município do semiárido baiano, radicou-se no estado de Sergipe, sem, contudo, abandonar suas robustas raízes fincadas no município.

Graduado em Direito na Universidade Tiradentes, João Eloy de Menezes estruturou toda sua vida profissional na área da Segurança Pública. Exerceu respeitáveis funções na Polícia Civil de Sergipe, tais sejam: delegado, superintendente e diretor de segurança do Tribunal de Justiça, dentre outras titularidades.

Contudo, aqui não me refiro aos méritos de Sua Excelência, sobejamente conhecidos, mormente na Região Nordeste e, mais do que isto, respeitado nacionalmente em sua área de atuação. 

Ocupo-me tão somente em registrar sua sadia estrutura moral e sua irrepreensibilidade de caráter.

Seu esteio familiar provém de cepa fundamentada em valores sustentados em caráter irrepreensível e no respeito aos valores tradicionais da sociedade sertaneja.   

Um lado da ascendência de João Eloy de Menezes esteia-se em Maria Argentina de Menezes e Eloy Pacheco de Menezes. O outro sustenta-se em Bernardina de Menezes Mattos (Nanzinha) e João de Mattos Cardoso.

A mãe Maria Menezes (Pina) e o pai Francisco Arnóbio de Menezes sustentaram a educação familiar com afinco e respeitabilidade.

Como se vê – e a História do município de Chorrochó registra de maneira indubitável – esses troncos familiares deixaram, para as gerações que se seguiram, exemplos de decência e urbanidade, além da melhor escola de respeito, seriedade e formação de caráter.

É a lição indestrutível dos antepassados que enriqueceu a vida de João Eloy de Menezes.   

Ingressou na Universidade em 1987 e se formou em 1992. No ano seguinte, participou e foi aprovado em concurso para delegado de Polícia Civil de Sergipe.

Assumiu o cargo em abril de 1994, depois de passar pela Academia de Polícia de Belo Horizonte (MG) em curso preparatório para o exercício da função.

Antes João Eloy havia feito estágio no Ministério Público e foi líder estudantil na universidade, onde participou do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Tiradentes.

João Eloy de Menezes é o atual secretário de Segurança Pública do estado de Sergipe, função que já exerceu noutras ocasiões nos governos de Marcelo Déda e Jackson Barreto, além de, antes, haver substituído o secretário de segurança de então no governo de João Alves.

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A morte do centenário José Cícero dos Santos

José Cícero dos Santos (1925-2025). Arquivo da família

De vez em quanto é preciso uma pausa na correria da vida, consultar o tempo, rever as lembranças e parar para reflexão.

É preciso, às vezes, cutucar o tempo, ir buscar as recordações, as boas recordações para flexibilizar nossas arrogâncias neste caminhar difícil rumo ao desconhecido.

A família noticiou o falecimento de José Cícero dos Santos em 26/02/2025. Havia completado 100 anos em 17/01/2025.

Em 18/01/2025, a família se alegrou e fez festa de aniversário, comemorou a vida, os anos vividos, a convivência sadia do aniversariante entre familiares e amigos.

A festa reuniu gente da sede de Chorrochó, São José, Caraíbas de Oscar, Patamuté e fazendas das circunvizinhanças.

Parentes e amigos se fizeram presentes na Fazenda Poço do Xique-Xique, na caatinga de Chorrochó, seu refúgio de sempre.  

Ele perdeu algumas pessoas da família, mas vinha resistindo até completar seu centenário de vida digna e decente.

Teve muitas perdas. Em datas mais recentes, perdeu os irmãos Eliseu e Júlio, a sobrinha Janete, muito querida e admirada por todos nós e, recentemente, perdeu o filho Ariovaldo.

A morte traz angústia, vazio, solidão, desamparo, mas também a resignação.

Neste 26 de fevereiro de 2025 José Cícero dos Santos se foi para a eternidade.

Zé de Cícero, como chamávamos, faz parte do lembrar de minha infância, de minhas andanças por aquelas caatingas, fez parte da convivência sertaneja e da boa vizinhança.

Que Jesus Cristo lhe indique o caminho e Deus o ampare.

Pêsames a todos da família.

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Jornalismo, ética e preço dos alimentos

“Todos os códigos de ética têm uma coisa em comum. Eles não funcionam.”(Michael Gartner, jornalista e advogado americano).

Tem sido difícil assistir aos programas jornalísticos dos grandes órgãos de imprensa do Brasil.

Os noticiários encaixam ativistas políticos disfarçados de comentaristas e, como tais, tendenciosos e imbecilizados, de modo que esses mentecaptos fazem contorcionismos verbais para agradar os poderosos de plantão.

Entretanto, isto não é nenhuma novidade.

Antes que leitores da esquerda diurética interpretem que, ao falar dos poderosos de plantão, estou me referindo ao governo de Lula da Silva, afasto essa hipótese. Não é isto. Refiro-me a todos os governos, à luz da História, sejam de direita ou de esquerda.

O jornalismo vendável sempre está ao lado deles, independentemente da ideologia que tais governos defendam. É assim nos municípios, assim nos Estados, assim na República como um todo.

Jornalistas lêem nos teleprompters da vida aquilo que seus editores mandam ler. Estes, por sua vez, obedecem às determinações de seus patrões que são abastecidos pelo governo com vultosas verbas a título de publicidade institucional.  

Para quem não está acostumado com a linguagem jornalística, teleprompter, TP ou teleponto é um equipamento usado para projetar textos em um monitor e auxiliar apresentadores, comentaristas e outros profissionais da imprensa que trabalham diante das câmeras.

Num desses programas matinais e piegas da TV, a apresentadora chamou um comentarista “especialista” para falar do aumento dos preços dos alimentos no Brasil.

O comentarista gastou todo o tempo que lhe foi disponibilizado comentando o preço dos alimentos na Europa, EUA e noutros países. Terminou minimizando nossa realidade. Disse que em todo o mundo é assim ou, pelo menos, está assim.

Perguntas óbvias e ululantes:

Que interessa ao brasileiro pobre, que está passando fome, sem poder comprar comida para si e seus filhos, que o preço dos alimentos esteja caro na Europa ou na Oceania, por exemplo?

Que diferença faz comentar preços de alimentos na China ou Japão, se o brasileiro comum está com dificuldade de comer ovos?

Qual a importância e utilidade desse comentário esdrúxulo?

Em nenhum momento o comentarista “especialista” explicou as causas do aumento dos preços dos alimentos no Brasil. Sequer se dignou a sinalizar que as autoridades devem se preocupar com o aumento dos preços.

O governo, ao contrário, está preocupado com o problema, aliás gigantesco.

Aí entra a ética jornalística – ou a falta dela – que a todo momento é espezinhada pela grande imprensa e, sobretudo, por jornalistas vendáveis e incompatíveis com o dever de informar.   

araujo-costa@uol.com.br

STF livra mais um do PT

Ex-ministro Antonio Palocci/BBC

Não se sabe se a notícia espalhafatosa da denuncia oferecida pela Procuradoria Geral da República contra o ex-presidente Bolsonaro foi mera coincidência ou aconteceu com o intuito de ofuscar a anulação das condenações do ex-ministro petista Antonio Palocci.

Mas o fato é que, na mesma ocasião da denúncia, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, anulou as condenações impostas pela Lava Jato a Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda de Lula da Silva.  

“O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou todos os atos praticados em procedimentos penais instaurados contra o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci no âmbito da operação Lava Jato” (site do STF)

Diz o ministro Dias Toffoli, em sentença de 18/02/2025: “Em face do exposto, defiro o pedido constante desta petição e declaro a nulidade absoluta de todos os atos praticados em desfavor do requerente no âmbito dos procedimentos vinculados à Operação Lava Jato, pelos integrantes da referida operação e pelo ex-juiz Sérgio Moro no desempenho de suas atividades perante o Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, ainda que na fase pré-processual”.


Noutras palavras, o STF está livrando todos os petistas – e amigos dos petistas – das barras dos tribunais, a começar por Lula da Silva que o ex-ministro da Corte Marco Aurélio Mello, do alto de sua autoridade, afirmou, textualmente: “Lula foi ressuscitado politicamente pelo Supremo”.  

A decisão do STF está tomada e não se fala mais nisto. Assim seja, amém.

Dias Toffoli foi consultar jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados (leia-se de José Dirceu), advogado de três campanhas presidenciais de Lula  e advogado-geral da União nomeado por Lula.

O jornal O Estado de S.Paulo de 24/02/2025 disse: “Assim fica difícil acreditar na imparcialidade do tribunal”.

Mas esta é conversa de gente grande e não de mortais comuns.

Deixa pra lá.

araujo-costa@uol.com.br

A vaca fardada, os generais de Bolsonaro e o preço dos ovos

Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República/Brasil Escola-UOL

“Em matéria de política, sou uma vaca fardada.” (General Olímpio Mourão Filho, 1900-1972) .

Em 1964, o general Olímpio Mourão Filho partiu de Juiz de Fora, Minas Gerais, com as tropas do Exército, destino ao Rio de Janeiro, com o intuito de derrubar o presidente constitucional João Belchior Marques Goulart (Jango) que viria a cair, não necessariamente por ação do general Mourão.

Mais tarde, num momento de lucidez, o general Mourão Filho declarou: “Em matéria de política, sou uma vaca fardada”.

Sobreveio a ditadura militar de 1964, cinco generais-presidentes, uma Junta Militar, vinte e um anos de escuridão e o que mais se conhece do período que não vem ao caso recordar.

Em data recente, surgiu o quiproquó do final do governo Bolsonaro que resultou na suposta tentativa de um golpe de Estado.

A Polícia Federal, comandada pelo ex-chefe da segurança pessoal de Lula da Silva, diz que a famigerada tentativa de golpe foi arquitetada pelo então presidente Bolsonaro.

A Procuradoria Geral da República concordou com a PF e não há novidade nisto, porque este é seu papel constitucional: acusar.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal vai condenar Bolsonaro, em tempo recorde, a passar alguns anos no xilindró para aprender a deixar de ser besta e não brincar com coisa séria.   

A Primeira Turma do STF compõe-se de cinco ministros, quatro indicados pelos governos petistas. Dilma Roussef indicou Luiz Fux; Lula da Silva indicou Carmen Lúcia, seu advogado Cristiano Zanin e seu ministro da Justiça Flávio Dino. Alexandre de Moraes, relator do caso Bolsonaro, foi indicado por Michel Temer.

Indubitável que a condenação do ex-presidente Bolsonaro já está alinhavada e engendrada, independentemente de provas, regras e disposições processuais.

A imprensa lulopetista já vê a condenação como favas contadas, inobstante Bolsonaro ainda não ter exercido seu direito de ampla defesa, como prevê a Constituição da República, embora ditames constitucionais na atual conjuntura sejam relativos e moldáveis, consoante o que entender o STF.

A julgar pela quantidade de acusações que pesam sobre o ex-presidente Bolsonaro e alguns de seus generais auxiliares, deve haver muitas vacas fardadas nos quartéis que não entendem bulhufas de política.

O general Mourão Filho pelo menos teve a humildade de reconhecer sua ignorância política. Não se sabe se outros terão essa humildade.

Militares – até com patente de generais, inclusive da reserva do Exército – e pessoas do entorno do presidente da República ocuparam-se com toda aquela trapalhada ingênua apontada nas investigações, o que chega a ser uma babaquice.

Há exageros, evidentemente.

Ainda bem que não deu certo.

Como um golpe de Estado pode acontecer nessa quadra do tempo, tendo à frente gente tão incompetente?

Salvou-se o Brasil.

Salvamo-nos todos nós.

Esses bolsonaristas investigados por golpe de Estado devem ser absolvidos pelo Poder Judiciário.

Trata-se de tentativa de crime impossível, em razão de absoluta falta de inteligência de seus idealizadores.

Risível, patético:

Uma comentarista lulista da GloboNews, possivelmente na ânsia de agradar o governo do presidente Lula da Silva, disse que uma das causas do aumento do preço dos ovos é que as galinhas estão trocando as penas.

“Pode isso, Arnaldo?”

De fato, há uma ocorrência natural que acarreta a troca das penas das galinhas poedeiras e causa pausa na produção.

Mas daí a dizer que isto fez aumentar o preço dos ovos no Brasil vai uma grande distância, até porque as galinhas trocaram de penas outras vezes e não somente agora nesta fase difícil do governo Lula.

araujo-costa@uol.com.br   

A valiosa contribuição de Ahmad Ali Saifi

Ahmad Ali Saifi/Reprodução perfil facebook

Há dois esteios que direcionam a contribuição de Ahmad Ali Saifi na sustentação do Islam no Brasil e Amércia Latina.

Em 1978 ele fundou em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a Sociedade Islâmica de Beneficência Abu Baker Assadik, mais conhecida como Mesquita Muçulmana, instituição que se tornou referência para toda a comunidade.

Anos mais tarde, em 1987, fundou o Centro de Divulgação do Islam para a Amércia Latina (CDIAL), ampliando, assim, a divulgação do Islam em toda aquela região do continente americano.    

O CDIAL se propõe, dentre outros objetivos, ao trabalho de divulgação e ensino islâmico e da língua árabe e, neste contexto, vem contribuindo para o desenvolvimento social, através de projetos humanitários e ações sociais, apoio a outras mesquitas, orientação religiosa aos muçulmanos e fortalecimento de laços contínuos entre todos eles no continente abrangido.

Há registro que o trabalho de Ahmad Ali Saifi remonta ao ano de 1965 quando, ainda jovem, idealizou a fundação do Movimento de Jovens Muçulmanos em São Paulo.  De lá para cá seu trabalho se intensificou sobremaneira em prol do objetivo colimado e exitoso.

Conhecido e bem relacionado em todo o mundo islâmico, Ahmad Ali Saifi constituiu família no Brasil, bem estruturada social e profissionalmente e mantém profícuo relacionamento com brasileiros e pessoas de outras nacionalidades.

Considerado este cenário, Ahmad Ali Saifi contribui, consideravelmente, para a sociedade de São Berrnardo do Campo, quer na condição de cidadão, quer como dirigente de respeitáveis instituições islâmicas.

Entretanto, Ahmad Ali Saifi não abandonou suas raízes libaneses. Vive alternadamente, entre o Brasil e o Líbano, onde mantém estrutura de vida e cultura na região de Sultan Yacoub, no Vale do Bekaa, ao leste da capital Beirute.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

A base deste artigo lastreia-se na História do CDIAL/Portal IslamBR.

Lula da Silva entre a gravata e a hipocrisia.   

Presidente Lula da Silva e a gravata Louis Vuitton/Poder 360

O presidente Lula da Silva orienta a população a não comprar comida, se estiver cara, mas em 06/02/2025 apareceu usando uma gravata francesa de luxo Louis Vuitton que custa R$ 1.680,00, segundo a imprensa noticiou.

O Poder 360 mostrou a gravata de Sua Excelência, “o pai dos pobres”, em edição de 08/02/2025.

Em 2024, Lula apareceu usando um relógio “feito de ouro branco 18 quilates e prata 750, modelo Cartier Santos Dumont, um clássico da marca francesa. Além disso, possui uma coroa arrematada com uma pedra safira azul. O relógio é avaliado em R$ 60 mil” (CNN Brasil, 07/08/2024) e consta que Lula recebeu de presente em 2005, em seu primeiro mandato presidenical.

De outro turno, o Supremo Tribunal Federal (STF) comprou 100 gravatas padronizadas ao preço unitário de R$ 384,00 no total de R$ 38.475,00 para, segundo o presidente de nossa subida Corte, os ministros presentearem a sortudos amigos do Judiciário (UOL, 10/02/2025).

As gravatas foram custeadas pelo pagador de impostos, evidentemente.

O presidente do STF justificou:  

“A razão real para isso é que nós recebemos muitas visitas ou visitamos lugares onde as pessoas nos dão presentes e portanto foi uma forma que nós encontramos gentil de retribuir com uma gravata que tem o símbolo do Supremo Tribunal Federal. Modéstia parte, ficou muito bonitinha”(UOL, 10/02/2025).

Tudo muito bonito. Mas por que os ministros do STF, que ganham muito bem, não compram os presentes com seu próprio dinheiro?

Estamos numa democracia em pedaços.

A elite deita e rola com o dinheiro público e muitos brasileiros passam fome.

araujo-costa@uol.com.br

Estátua corroída pelo tempo, PT chega aos 45 anos.

“Nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo.” (San Tiago Dantas, jornalista e advogado, 1911-1964, ministro da Fazenda e Chanceler do presidente João Goulart).

É inegável que o PT foi fundado com nobreza de propósitos, porque assim pensavam seus fundadores.

Lula da Silva, principal símbolo do PT/Crédito: Revista Veja

Entretanto, muitos deles abandonaram o partido quando perceberam que estava à deriva e rumando em sentido contrário às convicções que defendiam.

Insta acentuar que isto ficou evidente tão logo o PT assumiu o poder da República, nos primeiros anos de Lula da Silva com o surgimento do  mensalão e outras práticas antes condenadas pelo partido.

Em 10/02/1980, o PT nasceu ajoelhado aos pés da elite.

Com grande apoteose, foi fundado nas dependências do tradicionalíssimo e centenário Colégio Nossa Senhora de Sion, frequentado pela elite quatrocentona paulistana.

Naquele dia, ali tinha de tudo: intelectuais exaltados, esquerdistas frustrados, sonhadores, líderes bem-intencionados, ex-presos políticos e opositores ferrenhos da ditadura militar e ingênuos de toda ordem, et cetera. Menos trabalhadores.

O simbolismo não podia ter sido maior. Lula disse, em algumas ocasiões e até com uma ponta de orgulho, que nunca os banqueiros e a elite empresarial ganharam tanto dinheiro como nos dois primeiros mandatos dele.

Com o tempo, o PT foi arrebanhando ativistas da esquerda católica, profissionais liberais e marxistas de alto costado, de forma que atingiu robustez suficiente para sustentar-se por longas décadas, como principal voz da esquerda.

O fôlego do PT não acabou. Está longe disto. O partido tem estrutura, estofo e muito dinheiro dos Fundos Partidário e Eleitoral para liderar o pensamento da esquerda no Brasil e carregar com ele outros partidos satélites, por muitos anos. Em 2024 o PT abocanhou R$ 619,8 milhões do Fundo Eleitoral.

O PT lidera grande massa de seguidores que sequer entende o que é ideário partidário. São os fanáticos lulistas e outros milhares que foram beneficiados com benesses, cargos públicos, mordomias e posições de destaque nos governos petistas.

São os deslumbrados que, à época dos primeiros governos petistas, gastavam com regabofes, jatinhos, viagens nababescas, hotéis, bebidas caríssimas e outras inacreditáveis coisas mais.

Nada mudou, entretanto.

Em seu aniversário de 45 anos, o PT vive às voltas com o maior de seus dilemas: readquirir a confiança de trabalhadores e grande parte da juventude que migraram para outras bandas ou ficaram indiferentes, em razão do desmoronamento moral do partido.

A Região Nordeste, principal sustentáculo eleitoral de Lula da Silva, já sinaliza baixa na popularidade do presidente que, preocupado, está mudando a estratégia de comunicação do governo.

Lula da Silva criou a polarização “nós” e “eles”, essa estupidez irritante. Distanciou-se arrogantemente de partidos como PSDB e do então DEM e depois, contraditoriamente, aproximou-se desses segmentos ou do que restou deles. Está aí o conluio com o vice-presidente Geraldo Alckmin, antes impensável diante das acusações mútuas.

O fato é que, com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu ideário e descambou para a vala comum dos demais partidos comumente inchados de inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos e meliantes ávidos por cargos públicos. Muitos deles conseguiram seu intento sob a égide petista.

Outro dilema do PT é a incapacidade de desatrelar-se do morubixaba Lula da Silva. O partido não consegue construir ou vislumbrar outra liderança nacional capaz de substituí-lo e possa assumir a candidatura presidencial em 2026.

O PT é Lula. Sem Lula o PT é uma estátua corroída pelo tempo e pelas más ações do partido.

Vaidoso, Lula da Silva dificulta o caminhar do PT por suas próprias pernas. Ele determina com que e com quem o partido deve seguir para retomar o espaço que jogou para o alto, em razão de ter priorizado as práticas abomináveis de nossa história política.

O exemplo de 2016 gritou fundo nas entranhas do partido. O desempenho do PT nas eleições municipais daquele ano foi um descalabro em todo o Brasil. Em São Bernardo do Campo, berço do partido, o PT sequer conseguiu reeleger vereador um dos filhos de Lula que tinha mandato na Câmara Municipal.

Nas eleições de 2024 repetiu-se o declíneo nas urnas. O partido não sucumbiu graças às alianças com outros partidos.

Inegável é que, com o passar do tempo, o PT se foi desviando de seu caminho sonhado em 1980.

Daí para frequentar às páginas policiais foi um passo, situação que ofuscou o protagonismo do partido e levou alguns de seus dirigentes ao cárcere, numa de suas piores fases.

Deu no que deu: Lula da Silva, sua maior liderança, caiu no despenhadeiro das discussões jurídicas e, seguramente, decepcionou muitos brasileiros que nele acreditavam.

Lula nega seus desvios éticos, mas parece não ser o caso de continuar tapando o sol com a peneira. Os registros da História são implacáveis, indestrutíveis, inapagáveis.

Como dizia San Tiago Dantas, “nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo”.

Lula levou a malícia ao extremo. Seguirá líder, mas um líder desacreditado por considerável parte da população, inclusive por um grande número de pessoas que antes o admirava.

É difícil para o PT recuperar a credibilidade do patamar anterior aos primeiros governos petistas. Membros do partido serão sempre vistos como raposas no galinheiro.

A presidente nacional do PT parece engajada somente em se desvincular do passado nebuloso do partido. É possível que Lula da Silva lhe dê um prêmio de consolação no ministério e coloque outro na presidência do partido.

Até petistas convictos vêm discordando do discurso piegas da direção do partido. E a direção do partido não sabe mudar de estratégia, ou por escassez de inteligência ou por cara de pau mesmo.

O PT sabe que errou. Entretanto, não pode exteriorizar sua derrocada, para não desencorajar a militância desinformada e admiradores. Faz um discurso inverso, sem base fática, difícil de convencer, às vezes delirante.

Em consequência, a cada dia fica mais escancarado que o PT não prima pela preservação de suas raízes históricas, mas por tudo aquilo que lhe interessa, principalmente dinheiro e poder.

O partido foi ávido por cargos em todos os níveis e posições da República, mas se descuidou de seu maior patrimônio: a ética.

O inventário de 45 anos do PT apresenta um amontoado de resultados abomináveis, entulhos de radicalismo e, sobretudo, falta de compromisso com a ética, que tanto defendeu.

Todavia, o partido não está isolado neste imbróglio de desfaçatez. Estão aí os outros partidos políticos que lhe fazem companhia, igualmente desmoronados sob o ponto de vista ético. São aliados espertos, malandros, velhacos.

A explicação para tudo isto é simples: o PT abandonou a estrada que idealizou e abraçou o fisiologismo, a avidez por posições e cargos, a ânsia pelo poder, o radicalismo, o apoio a ditaduras cruéis, a exemplo de Cuba, Venezuela e Nicarágua.

O PT faz 45 anos amargando algumas realidades.

Nas eleições municipais de 2024, o PT perdeu no principal de seus redutos, o ABC paulista, onde vem encolhendo há tempos. Em Santo André, São Bernardo do Campo (berço político de Lula da Silva), São Caetano do Sul e Diadema, por exemplo, foi derrotado fragorosamente nas urnas.  

araujo-costa@uol.com.br

Quando somos públicos e notórios

O jornalista e escritor Jason Tércio conta a história.*

Tempo de ditadura militar. Carlinhos Oliveira, jornalista boêmio e notívago, conhecido por dez entre dez cariocas da Zona Sul, dirigia-se à vida noturna, quando foi abordado pela temida polícia política do general-presidente Emílio Garrastazu Médici.

– Documentos?

– Não tenho.

– Mas então o senhor não existe?

– Existo, sim. Sou público e notório.

Anos mais tarde, já nos estertores do governo do general-presidente João Batista Figueiredo, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), eu morava na Rua Brás Cubas, no centro de Santo André, ABC paulista.

Tempo de estridente efervescência política no ABC, berço de seguidas contestações contra o regime militar, estudantes às voltas com a polícia.

Costumava sair com os amigos à noite para jogar conversa fora e beber um pouco, quando podíamos beber. O dinheiro era curto.

Certa noite, saí sozinho e me abanquei num botequim meia boca da Rua Bernardino de Campos, nas imediações da Estação Ferroviária.

Sentei-me em volta ao balcão, fazendo hora, enrolando para não esvaziar o copo, porque o bolso não correspondia à minha vontade.

Notei um rapaz que me olhava de soslaio, cara de milico disfarçado. Só podia ser do SNI, pensei. Levantava-se de vez em quando, dirigia-se até à porta do bar e voltava em seguida para o mesmo lugar, sempre ao meu redor.

Comecei a ficar incomodado e já ia me retirando, quando o rapaz me cumprimentou, solícito.

– Estava lhe reconhecendo, mas não quis lhe abordar antes. Você estuda no Colégio Santo André?

Confirmei. Mas a palavra abordar me fez desconfiado, linguagem de polícia. Puxou conversa:

– Você gosta de falar de política, criticar o governo, parece revoltado.

Continuou:

– Também estudava no Santo André, mas mudei de escola e hoje estou fazendo “outro troço”.

– Que troço? eu quis saber.

– Fazendo um curso pra investigador.    

Acho que ele estava fazendo um teste para o SNI, mas não podia falar.

Saí do botequim aliviado. Eu já havia passado um perrengue com a polícia do governador arenista Laudo Natel, que achava que todo estudante era subversivo.

Mas, afinal, eu era público e notório.

* O escritor Jason Tércio conta o caso de Carlinhos Oliveira no livro O homem na varanda do Antonio’s, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2004.

araujo-costa@uol.com.br

Os cozinheiros de Lula e Janja.

Presidente Lula da Silva e Janja/Crédito Ricardo Stuckert, Presidência da República

Ao ser informada de que os camponeses estavam passando necessidade e não mais podiam comer pão, a princesa Maria Antonieta zombou da fome dos franceses: “Que comam brioches”, que eram pães luxuosos, enriquecidos e mais caros.

Os franceses a guilhotinaram durante a Revolução Francesa de 1789-1799.

O episódio faz lembrar a frase dos ministros lulopetisas Rui Costa e Fernando Haddad que conhecem sobejamente a história francesa. Ambos foram claríssimos: “se a laranja está cara, coma outra fruta”.

“O ministro da Casa Civil, Rui Costa, sugeriu que, se uma fruta estiver com preço elevado, o consumidor pode mudar o alimento que vai consumir como forma de driblar a alta do preço do produto. O ministro deu o exemplo da laranja: “Em vez da laranja, comer outra fruta” (O Estado de S.Paulo, 24/01/2025).

Lula da Silva, por sua vez, foi mais enfático, em entrevista a rádios da Bahia:” “Não comprar comida, se estiver cara”.

Lula foi mais além e disse que a população precisa ser educada para saber o que comprar e comer.

Sua Excelência, que não frequenta supermercados e feiras livres, desconhece que todos os alimentos estão caros e não somente as frutas.

Lula e seus ministros fazem um convite à inanição.

Pelo andar da carruagem – ou da insensatez – Lula da Silva, Rui Costa e Fernando Haddad serão guilhotinados pelas urnas nas eleições vindouras.

A guilhotina já passou pelas eleições municipais de 2024 e deu uma aparada na arrogância do lulopetismo, que faz de conta que não foi com ele.

Aliás, o jornalista Valdo Cruz, comentarista da GloboNews, na ânsia de agradar Lula da Silva e aliados, disse que o PT perdeu as eleições em 2024, “mas cresceu”.

O jornalista não explicou em que colégio ele aprendeu essa operação matemática.

Agora a contradição de Lula, em manchete da BandNews:

“Treinamento de cozinheiros de Lula e Janja custa R$ 57 mil ao governo.”

“O governo federal desembolsou R$ 57.468,54 em contratação direta por dispensa de licitação para o treinamento de garçons, copeiros e cozinheiros que trabalham nas residências oficiais da Presidência da República. O cronograma prevê três cursos com o objetivo de capacitar 46 servidores. As informações são do jornalista Tácio Lorran do portal Metrópoles.” (BandNews, 30/09/2024).

“Dentre as técnicas que constam no programa de treinamento estão o preparo de churrasco com carnes nobres (40h), cozinha brasileira (40h) e cozinha clássica (60h). No módulo “Técnicas de Garçons” (36h), os profissionais irão aprender etiqueta profissional e técnicas para serviço a la carte e buffet”, segundo a mesma matéria da BandNews.

Ou seja, enquanto esbanja dinheiro público para treinar 46 servidores de sua cozinha e comer muito bem, Lula orienta a população a não comprar comida.

Está explicado onde foi parar a picanha que Lula prometeu em 2022 e não apareceu: na cozinha dele.

Nobreza no mundo da luz é outra história.

araujo-costa@ ol.com.br