Chorrochó e a professora Maria Therezinha de Menezes

Maria Therezinha de Menezes/Álbum de família

“É não saindo de casa que a gente acaba sabendo das coisas” (Joel Silveira, 1918-2007).

Em 23 de setembro, início da primavera, completa-se mais um ano na vida de minha ilustre professora Maria Therezinha de Menezes.

A professora Maria Therezinha de Menezes, ícone da educação de Chorrochó, não saiu de casa, nunca abandonou sua aldeia, mas acabou sabendo muito das coisas. Entende de conhecimento, de vida, de experiência.

É conhecida a frase de Leon Tolstoi (1828-1910): “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

A professora Therezinha sempre pintou com tintas próprias a aldeia em que vive. E pinta muito bem até hoje, com dedicação e maestria.

Eficiente e refinada professora, lídima e notável integrante da família Menezes, é mestra conspícua de estilo próprio e sábia intérprete da sociedade chorrochoense.

Católica tradicional e respeitável educadora, a professora Therezinha ocupa ilustre destaque em Chorrochó, inclusive enriquecendo as atividades da Paróquia Senhor do Bonfim. É fervorosa defensora do centenário Apostolado da Oração e de tantas outras tradições que lá se fazem presentes.

Lembro uma frase de D. Guido Zendron, bispo de Paulo Afonso, ao se referir ao Apostolado da Oração de Chorrochó: “Na história da salvação, o que importa não são os anos, os meses ou os dias, mas as pessoas. Dentro dessa história, nós vamos encontrar pessoas que de um jeito ou de outro corresponderam ao amor de Deus com toda fragilidade humana” (Rádio Vale do Vaza Barris, 17/08/2015).

A professora Therezinha deve pensar assim, creio que pensa assim. Sempre demonstrou preocupação com a fragilidade humana. Parece entender o âmago, o sentimento das pessoas. Tanto que se esmera com absoluta dedicação e seriedade no sentido de evitar o esmorecimento da história da Igreja de Chorrochó. E a história da Igreja não pode se dissociar da fraqueza humana. Assim atestam os séculos.

Conheci a professora Maria Therezinha de Menezes em 1971. Como se vê, algumas décadas já se passaram. À época, eu era ginasiano do Colégio Normal São José, cujo prédio histórico o progresso transformou em escombros, em poeira, em nada. Ela era professora da instituição.

Fui seu aluno de Português. Confesso, apoucado e envergonhado, que não me fiz capaz de guardar seus sábios ensinamentos. Guardei poucos, negligenciei com outros tantos e fui deixando muitos pelo caminho.

Saí de Chorrochó tropeçando em minha ignorância relativamente ao norte do saber e até hoje sonho em aprender alguma coisa deixada nalgum lugar do passado. Difícil, para quem vive às voltas com os buracos da memória, porque a juventude se distanciou nos esconderijos do tempo. Ah! Como se distanciou!

Em seu mister, a professora Maria Therezinha de Menezes era didática ao extremo, criteriosa e essencialmente prática. Formal, atenciosa, admirável.

Já se disse, por aí, que não fica bem a pessoa escrever sobre suas próprias memórias e continuar vivendo. Deve ser. Mas não sofro desse mal, não corro esse risco. Conto a história dos outros, porque não construí, em meu caminhar, nenhuma história pra contar.

Assim, o faço relativamente à professora Maria Therezinha de Menezes, honra e glória de Chorrochó. Espero poder contar com sua compreensão no que concerne à pobreza do texto. De fato, não fui um bom aluno de Português.

Parabéns pelo aniversário, insigne mestra.

 araujo-costa@uol.com.br

O Poder Judiciário e a destruição da cidadania

A média dos brasileiros estava acostumada com dois princípios inquestionáveis que se sustentaram ao longo da existência humana: a onisciência de Deus e a infalibilidade do papa, que se arrasta desde o ano 90 da era cristã e se robusteceu na Idade Média.

Entretanto, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão tentando revogar esses dogmas, substituindo-os pela pequenez de suas arrogâncias.

Pelo que se vê, oniscientes são esses ministros – e não mais Deus – e falíveis são as deliberações do papa e infalíveis são as decisões que eles tomam. Não aceitam contrariedade jurídica, não acolhem opiniões contrárias conforme manda a natureza da Justiça.

Segundo esses nossos subidos e supremos ministros, as urnas eletrônicas são “infraudáveis”, de modo que não se pode discutir absolutamente nada que arranhem a suposta credibilidade que eles atribuem às urnas. Elevaram-nas ao patamar estapafúrdio de distorção da lógica.

Sequer se pode questioná-las sobre eventuais falhas técnicas sob pena de ser acusado de atentar contra as instituições democráticas, segundo o entendimento de, pelo menos, três ministros do STF/TSE, que se acham intocáveis.

E são intocáveis mesmo, por uma razão facilmente explicável: O Senado Federal que os sabatina e aprova para o STF está infestado de corruptos com processos em trâmite no STF que serão julgados por esses mesmos ministros que eles aprovaram em sabatina. Está aí a raiz da covardia dos senadores, do comodismo, da indiferença com relação à vontade da sociedade ou parte dela no sentido de, pelo menos, interpelar esses ministros “intocáveis”.

Sede do Supremo Tribunal Federal/Aqui ainda repousa a esperança dos brasileiros.

Há um episódio recente e vergonhoso para o Senado da República. Mais do que vergonhoso, humilhante. Alguns ministros do STF, convidados por senadores para discutirem assuntos de interesse nacional naquela Casa Legislativa, sequer deram resposta. Ou seja, deram de ombros ao convite dos mesmos senadores que os aprovaram em sabatina para o STF. Mais do que sinal de que se acham intocáveis, depreende-se uma declaração implícita de arrogância e desrespeito aos senadores e ao Senado da República e, por extensão, à sociedade.

O TSE elevou às urnas eletrônicas à condição de único sistema eletrônico do mundo que não é passível de fraude. Até os poderosos e sofisticados sistemas bancários mundiais são passíveis de fraudes, sujeitos à invasão de hackeres, mas as urnas não, segundo ministros do TSE.

Não se vislumbra absurdo maior do que este em nenhuma legislação do mundo moderno. Mas eles se dizem democratas.

Logo, o TSE extinguiu, por tabela, a função do advogado eleitoral, aquele profissional que cuida da defesa de candidatos que se sentem supostamente prejudicados com o resultado das eleições.

Se o resultado das urnas não pode ser questionado democraticamente, através das leis substantivas e processuais, então pra quê advogado? Qual a serventia e eficácia da atuação desse profissional junto à Justiça Eleitoral?

Sede do Tribunal Superior Eleitoral/ Monumento à arrogância

Nenhuma. Se a premissa é que está tudo certo, questionar o quê?

Entretanto, inconformar-se com resultados eleitorais adversos é exercício de cidadania, aliás amparado pelo nosso ordenamento jurídico nacional.

Pelo que se vê, doravante candidatos a governador e prefeito, por exemplo, não podem mais questionar resultados eleitorais sustentados em quaisquer fundamentos legais, mesmo que se sintam gritantemente prejudicados.


Segundo o TSE as urnas são infalíveis, invioláveis, inquestionáveis. Em quadro assim, a tecnologia substituiu o raciocínio, a inteligência, o bom senso, a lógica, a seriedade, a vergonha. Fere mortalmente a cidadania que está sendo corroída e liquidada.


Mais claro que isto, impossível.

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O absurdo chegou a tanto, que nenhum candidato pode mais questionar o resultado das eleições sob pena de ser acusado de crime contra as instituições nacionais. Mais do que isto, endeusaram um penduricalho eletrônico.


Ainda bem que esses setores do Poder Judiciário não aboliram a soberania do voto popular, embora estejam golpeando a cidadania: censuram redes sociais, prendem jornalistas e políticos, abrem inquéritos ao arrepio da lei, desrespeitam o Ministério Público, suprimem aparelho celular no local de votação, apequenam o direito dos cidadãos.


Pior: puniram até um advogado que ousou cumprir a lei em defesa de seu cliente e, por consequência, em desfavor de apadrinhados de alguns ministros do Judiciário.


Não é exagero vislumbrar que o próximo passo desse descalabro ditatorial do Judiciário poderá ser a censura à imprensa, aos livros, aos meios de comunicação, et cetera.


Aí já seria demais, mas não é razoável duvidar. O horizonte estratégico e reprovável deles é muito amplo, amplíssimo.


O intuito deles – grande parte da sociedade sabe – em nada beneficia os brasileiros, mas setores que eles defendem para se perpetuarem no topo dos privilégios e das mordomias pagas com dinheiro suado dos impostos que os brasileiros suportam.

Há muito tempo ainda para que presenciemos outros absurdos forjados na cabeça de algumas de nossas arrogantes autoridades do Poder Judiciário.

O TSE conseguiu transformar as eleições de 2022, maior festa democrática dos brasileiros, num evento tosco, eivado de medo, desconfianças, ameaças de prisão, absolutamente incompatível com a robustez da democracia.

O Brasil está pelo avesso e precisa tomar vergonha e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para ajustar essas anomalias, mas sem esses congressistas lambe-botas que estão aí se agachando diante de decisões de ministros do Judiciário que se acham donos do Brasil.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de evitar que autoridades mudem regras a seu bel prazer e passem a se colocar no lugar de servidores da sociedade e da República e não de beneficiários de si próprios.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de destruir o pedestal da arrogância e da pequenez dessas autoridades do Poder Judiciário.

Dentro da lei, conforme a lei. Sempre dentro da lei. Nunca fora da lei.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, aniversário de Maria Rita da Luz Menezes

Maria Rita da Luz Menezes/Perfil Thereza Menezes no facebook

Em 15/09/2022, familiares e amigos comemoram o aniversário de Maria Rita da Luz Menezes.

Também parabenizo-a pela data.

Da Luz é filha de Maria Alventina de Menezes (D. Iaiá) e de Joviniano Cordeiro de Menezes. Casou-se com o professor Francisco Lamartine de Menezes (1931-1997) e com ele constituiu família decente e exemplar: Paulo José de Menezes, Geraldo Robério de Menezes, Humberto Antonio Pacheco de Menezes, Thereza Helena Cordeiro de Menezes e Ivana Lúcia Menezes de Menezes.

Pioneira da educação em Chorrochó, foi professora do Ginásio Municipal Oliveira Brito, embrião do hoje Colégio Estadual São José. Humilde e atenciosa, Da Luz faz parte de uma geração de seriedade, respeito e decência.

Mas hoje esse resumo histórico cinge-se ao seu aniversário.

Que Senhor do Bonfim ilumine o caminho de Maria Rita da Luz Menezes. Parabéns.

araujo-costa@uol.com.br

Na Bahia, ACM Neto segue os passos do avô

O todo poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM) era ministro das Comunicações do presidente José Sarney.

O presidente da Radiobrás e subordinado a ACM era Antonio Martins.

O senador e ex-governador baiano Luís Viana Filho beneficiava-se com seguidas concessões de rádios na Bahia, viabilizadas pelo presidente José Sarney, seu amigo desde os tempos da União Democrática Nacional (UDN) e colega de imortalidade na Academia Brasileira de Letras (ABL).  

O presidente da Radiobrás foi até ACM alertá-lo sobre concessões de rádio e o diálogo deu-se no melhor estilo de ACM.

– O senhor tem de tomar cuidado com Luís Viana, porque ele está pegando rádios direto, daqui a pouco vai lhe faltar.

– Deixa ele tirar.

– Mas não há o risco de acabarem as concessões?

– Não, duplicam as minhas.

– Como assim? – quis saber o presidente da Radiobrás.

ACM foi didático:

– Toda vez que Sarney consegue uma rádio para Luís Viana, no pedido eu concedo duas para alguém meu, para mim, mas por meio de outras pessoas. Então, eu quero que Luís Viana peça muito. Eu não preciso pedir, eu só mando dois por um, sempre. Você pode fazer suas contas aí, quando ele estiver com 10 rádios eu estarei com 20.

Na Bahia petista, há 16 anos os baianos vêm assegurando votação expressiva ao Partido dos Trabalhadores, mesmo se tratando de um estado tradicional, nos moldes do coronelismo, que ainda se exterioriza em grande parte dos municípios.

Jaques Wagner foi eleito em 2006 com 52,89% dos votos e reeleito em 2010 com 63,83%. Rui Costa foi eleito em 2014 com 54,53% dos votos e reeleito em 2018 com 75,5%. Um estrondo que abalou líderes políticos adversários.

Agora ACM Neto, candidato ao governo do Estado, parece que está abocanhando uma média de 2 por 1 dos votos, contra o candidato do PT Jerônimo Rodrigues, ex-secretário de Educação do governador Rui Costa.

Assim como fazia seu avô com as concessões de rádio, ACM Neto está indo na linha do 2 por 1.

Das duas, uma: ou o lero-lero dos petistas já não convence mais ou o homem é bom de voto mesmo.

Sondagem do Paraná Pesquisas divulgada em 06/09/2022 aponta 52,9% para ACM Neto (União Brasil) e 20,5% para Jerônimo Rodrigues (PT).

Ainda é cedo para vislumbrar o resultado das urnas em outubro, com ou sem segundo turno, mas o PT e o lulopetismo parecem preocupados.

Post scriptum:

A conversa entre ACM e o presidente da Radiobrás está no livro Sarney, A Biografia, da jornalista Regina Echeverria, Leya/Texto Editores, São Paulo, 2011).

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, 68 anos. Há o que comemorar?

Socorro Menezes ao lado do marido Virgílio Ribeiro de Andrade/Álbum de família

Nesta data, 12 de setembro, alegra-me registrar, nestes dispersos e inocentes alfarrábios, dois aniversários: do município de Chorrochó que, aos trancos e barrancos, alcança 68 anos de emancipação política e também da professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, filha de Izabel Argentina de Menezes (D. Biluca) e de Dorotheu Pacheco de Menezes, esteio e baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

D. Socorro Menezes, que é esposa do notável Virgílio Ribeiro de Andrade, vive permanentemente no altar de minha admiração – e viverá sempre. Aprendi a admirá-la nesses muitos anos de tropeços, quedas e trôpego caminhar. A admiração é extensiva a ambos.

Também faço outro registro neste aniversário do município.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do futuro do município, não obstante a atuação de alguns presidentes que dirigiram a Edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), sujeito dinâmico, abalizado e inteligente, embora a Câmara de Vereadores, por óbvio, não se resuma ao presidente, mas à Edilidade como um todo.

Tirantes alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município. Faltou inquietude, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população.

Historicamente, a Câmara tem sido generosa em dizer amém ao Poder Executivo Municipal e não avançou em direção aos interesses mais prementes da sociedade.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje quedo-me mais aos seus encantos, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos e outros tantos que os entendem inconvenientes e abelhudos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”. Insisto em ser otimista, neste particular: que nos próximos aniversários, os munícipes chorrochoenses tenham o que comemorar.

A data é propícia para citar os nomes daqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda permaneça em pé, embora cambaleando:

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos.

Que Deus ilumine o atual prefeito e lhe dê muita disposição para o trabalho. Dizem as más línguas – e as boas também – que está lhe faltando essa disposição. E que os vereadores enxerguem, além da alvorada que eles nunca veem, novos horizontes, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária. E de campanhas políticas.

Que o prefeito tenha êxito em sua administração e os vereadores tenham sucesso em suas atuações em prol do município e de seu povo.

Parabéns Chorrochó.

Parabéns D. Socorro Menezes.

Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó


araujo-costa@uol.com.br

Regina, doce e admirável nome de Patamuté

Regina/Perfil de Simone Reis/facebook

Perguntam-me, de quando em vez, porque gosto de falar de pessoas.
A resposta vem atarantada, nem sempre convincente. Mas cronista é assim mesmo, uma espécie de memorialista, imaginoso às vezes, apoucado, confuso e inconveniente, outras tantas.
O cronista escreve sobre fatos, pessoas, circunstâncias, andanças, amigos, impressões, tropeços, encontros, desencontros e outras coisas mais ou tudo mais e até de distância se, como eu, vive longe de seu habitat.
Regina, uma das criaturas mais meigas que conheci e convivi em Patamuté, fez aniversário no último dia 08/09/2022.
Deixo de declinar a data de nascimento de Regina, por duas razões: este é assunto para cartório do registro civil; e, ademais, não fica bem, segundo as modernas regras de etiqueta, andar por aí, citando a idade de uma senhora adiantada em anos.
Embora integrante da velha guarda, quando não existia esse tal rigorosíssimo observar das etiquetas sociais, costumo respeitar, sempre que possível, as regras sociais. Como é difícil nos dias de hoje!
Mas o fato é que Regina alcançou mais um degrau de sua bela existência, que todos admiramos e aqui fica minha torcida para que alcance outros degraus, muitos degraus na íngreme subida da vida.

Regina construiu seus primeiros passos familiares em Patamuté, mas se mudou de lá há alguns anos. Entretanto, em Patamuté ficaram as saudades, as lembranças, o impulso para seu caminhar.
Minha memória ainda guarda algumas imagens de Patamuté, que se tornaram difíceis de esquecer: Regina com sua primeira filha Kelly Cristine nos braços, acalentando-a e Walter Gomes Reis ao lado, admirando ambas.
Walter Gomes Reis era um senhor educado, atencioso, um gentleman. Em Patamuté, todos da época respeitávamos, assim como a seus pais, José Gomes dos Reis e Donana, que fizeram parte do núcleo familiar de Regina .

José Gomes dos Reis e Donana/Perfil de Alessandra Reis no facebook

O certo é que gosto de falar de pessoas, sim. E quando essas pessoas são boas, a tarefa é gratificante.

A história de vida de todos nós passa, necessariamente, pela convivência com pessoas que foram ou são importantes em nossa vida, em nosso caminhar.

Regina é descendente da ilustre família Souza, da Fazenda Tamburil.

Parabéns para a querida e amiga aniversariante.

araujo-costa@uol.com.br

João Gomes, o deslumbrado

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida” (Maurice Switzer)

O cantor de “piseiro” João Gomes, nascido em Serrita e criado em Petrolina, sertão pernambucano, ainda praticamente em início de carreira, perdeu valiosa oportunidade de, diante do mundo, aliar-se à decência de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Messias Holanda, Trio Nordestino, Flávio José e outros tantos respeitados integrantes da cultura nordestina.

Deslumbrado com o sucesso do Rock in Rio, João Gomes puxou um coro de ofensas e palavrões contra o presidente da República, seguindo a linha de outros tantos, que misturam arte com imbecilidades.

Quem lê este blog sabe que sou contra desrespeitar autoridades democraticamente constituídas. E aqui não importa se vereador, prefeito, governador, deputado estadual, deputado federal, senador, presidente da República, secretários de governo, et cetera.

Outrossim, não importa se o presidente da República é de esquerda, de direita, de centro ou de qualquer lado ou espectro, se Bolsonaro, Lula da Silva ou qualquer outro.

Estando lá, democraticamente eleito pela vontade soberana do voto popular, no exercício de suas funções e habilitado a tomar decisões, merece respeito de todos os brasileiros.

Se não concordamos com eles, que esperemos a oportunidade de derrubá-los nas urnas, através do voto.

Melhor calar, se não souber o que dizer. Ou não tiver o que dizer.

Jamais ofendê-los.

Além de falta de educação é imbecilidade.

João Gomes se deslumbrou com a conta bancária e com a fama e se achou no direito de igualar-se a outros artistas que, como ele, não sabem o que é conviver com os contrários e com os antagonismos, essência de toda e qualquer democracia.

Jovem, deslumbrado e inexperiente, João Gomes ainda terá tempo de seguir o caminho de honrados nomes da cultura do Nordeste, apear-se da pequenez e crescer.

A imprensa noticiou que o novel cantor nordestino depois pediu desculpa através das redes sociais.

E daí?

Pedir desculpas não é suficiente para robustecer seu caráter, talvez ainda em formação.

araujo-costa@uol.com.br

Em Patamuté, um vaqueiro quase centenário.

Josiel Calazans e Mundinho

Aproxima-se a Festa dos Vaqueiros de Patamuté, que já virou tradição do distrito curaçaense. Em 2022, acontecerá nos próximos dias 16, 17 e 18 do corrente mês de setembro.

Quando a festa foi criada eu não morava mais lá, mas acompanho as notícias, sempre que possível, para desanuviar a saudade do lugar.

Entretanto, conheço lá alguns vaqueiros de meu tempo, ainda vivos, graças a Deus. Talvez não usem mais gibão, guarda-peito, perneira e chapéu de couro, mas amam a vida no campo e não se separam das tradições rurais que sustentaram o criar de suas famílias.

Hoje lembro de Raimundo Brandão, o Mundinho mais querido de Patamuté, rodeado sempre de familiares, também queridos, amigos e admiradores. Símbolo do lugar, orgulho de sua gente.

Se não me falha a memória – e a memória sempre falha – Mundinho mora na Fazenda Almeida, nas redondezas de Patamuté. Se errei o nome da Fazenda, não tem importância. Isto não diminui, nem ofusca a presença de Mundinho por lá.

Deixo a foto dele aqui, que tirei do perfil de Josiel Calazans, ilustre filho de Chorrochó, no facebook.

É bom sempre lembrar as pessoas boas, que nos dão exemplo de vida nesse difícil caminhar.

araujo-costa@uol.com.br

Brasil, independência sempre.

“Potência de amor e paz, este Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz”. (Hino do Sesquicentenário da Independência, 1972).

O Brasil é maior do que algumas passageiras e indesejáveis autoridades de nossos Três Poderes, inobstante muitas delas terem sido colocadas lá mediante a soberania do voto popular e outras tantas através das regras democráticas vigentes. E a democracia é o nosso sustentáculo sem o qual todos claudicamos.

O Brasil não é daqueles que se arvoram donos da Nação, tampouco dos que acham que devem mandar atropelando as leis, a Constituição da República e, em consequência, o ordenamento jurídico nacional como um todo.

O Brasil não é daqueles que arranham diuturnamente o esteio jurídico nacional e espezinham nosso direito de contestar, discordar e dizer a verdade, verdade que eles não se dispõem a ouvi-la.

O Brasil não é daqueles que tolhem a liberdade de pensamento, sufocam a voz da sociedade – ou de alguns segmentos dela – e limitam ilegalmente o direito de expressar, de dizer, de gritar, de apontar erros, de pedir socorro diante das atrocidades.

O Brasil não é daqueles que são indiferentes à fome de milhões de brasileiros, ao tempo em que se encastelam em palácios e mansões e se lambuzam em mordomias sustentadas pelos impostos que todos pagamos.

O Brasil não é daqueles que entendem que assalto aos cofres públicos deve ser relativizado e esquecido, mas daqueles que entendem que os recursos públicos não devem ser subtraídos da sociedade.

O Brasil não é daqueles que retiram à força ou restringem os instrumentos que nos levam aos meios de comunicação postos ao nosso alcance e são fundamentais para o exercício da cidadania e evitam ofuscar a transparência que eles não têm interesse que a sociedade conheça.

O Brasil não é daqueles que se escondem atrás do poder para, através dele, elevarem suas mediocridades acima de nossas consciências.

Lembremos Ruy Barbosa (1849-1923), sempre atual, atualíssimo:

“A Pátria não é ninguém, são todos. Os que a servem são os que não emudecem, não se acovardam.

Cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.”

O Brasil, não é dos que “furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse”, como disse Padre Vieira no Sermão do bom ladrão.

O Brasil não é dos que dilapidam os cofres públicos.

O Brasil não é daqueles que desmoronam nossas esperanças e das futuras gerações.

O Brasil não é dos arrogantes e dos imbecis.

Os imbecis são sempre arrogantes.

Lembremos, ainda, o pedido de socorro de Ruy Barbosa, em sua conhecida Oração aos Moços: “Brasil de ontem e amanhã! Dai-nos o de hoje que nos falta”.

Brasil, independência sempre.

araujo-costa@uol..com.br

Ditadura de armas, ditadura de toga

Sabem os leitores inteligentes e atentos deste Blog, que são todos, graças a Deus, que não sou lulopetista e não sou bolsonarista.

Emiliano José, escritor e petista baiano de respeito, jornalista sério e, sobretudo, político de caráter irrepreensível, um dos homens honrados da esquerda da Bahia, conta a história, em Lembrança do Mar Cinzento.

O contexto é o início da ditadura de 1964, 02 de abril.

O deputado esquerdista Mário Lima, baiano de Glória, fundador do Sindicato dos Petroleiros, procurou o general Humberto de Mello no quartel-general do Exército, para inteirar-se da situação política.

O então deputado Mário Lima, por óbvio defensor dos trabalhadores, foi recebido aos gritos pelo todo poderoso general Humberto de Mello, chefe da então Região Militar em Salvador, que descontrolado, foi enfático:

– Vocês são uns baderneiros! Fizeram greve em Mataripe, estão querendo subverter a ordem.

– General, sou parlamentar. Vim dialogar e peço respeito.

O general retrucou, arrogante e irredutível:

– O senhor está preso – E mandou trancafiá-lo.

O esclarecimento se faz necessário. Era um deputado que estava sendo preso, sem investigação, sem processo, sem motivo, sem amparo constitucional, sem advogado, sem quaisquer procedimentos processuais.

Parte da esquerda radical do Brasil, que hoje se deleita com os desmandos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral e está sendo beneficiada com as decisões desses ministros e principais cabos eleitorais de Lula da Silva, poderá em breve ouvir a indesejável e ilegal sentença:

– O senhor está preso.  

É preciso ter muita cautela – mais do que isto, ter inteligência – para atentar como estão agindo ministros do STF/TSE que nunca foram magistrados, não sabem o que é redigir uma sentença, desconhecem a nobreza da função de juiz e desprezam o direito de defesa. Eles têm poder monumental e contam com a ausência covarde de fiscalização da sociedade, manejam o dinheiro público dos impostos que pagamos e, conseguintemente, se acham os donos do Brasil.

Extirpem dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral os jatinhos, caviares, lagostas, centenas de assessores, mansões, papel higiênico que pagamos, passeios internacionais, uísques envelhecidos, salários estratosféricos, et cetera e certamente eles se tornarão humildes – ou pelo menos – começarão a respeitar os brasileiros, os direitos dos brasileiros e a Constituição da República.   

Com todo esse poder econômico e toda essa falta de fiscalização é um passo para que eles se transformem em ditadores de toga, o que está acontecendo assustadoramente. Pior: com o olhar complacente de todos nós que nos tornamos covardes, essencialmente covardes.

Repito: não sou bolsonarista, não sou lulopetista, mas é importante observar: a ditadura de toga é tão ruim quanto a ditadura de armas.

Portanto, pelo andar da carruagem, inocentes e deslumbrados lulopetistas de hoje – e não somente lulopetistas – que, eventualmente, um dia venham contrariar os ministros do STF e TSE, poderão ouvir deles uma sonora voz, sem nenhuma chance de defesa:

– O senhor está preso.  

O Brasil precisa acordar e investir na educação. Às pressas, urgentemente.

Os brasileiros precisam estudar, jovens principalmente. Precisamos abrir escolas e desprezar os medíocres, sejam do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Eles são muitos.

Fanatismo de qualquer lado é falta de conhecimento e de educação.

As redes sociais estão infestadas de radicais defensores de Lula da Silva e do presidente Bolsonaro.

A maioria não tem conhecimento do que diz, como diz, porque diz. Xinga e ofende simplesmente.

Uma disparidade, uma temeridade, um perigo.   

araujo-costa@uol.com.br