O IBGE é uma instituição séria

Maria Léa Santos Souza/Reprodução do facebook

Maria Léa Santos Souza, honra e glória do município baiano de Curaçá, nasceu nos domínios das fazendas Tamburi e Bom Jardim, no distrito de Patamuté.

Maria Léa deu certo na vida. Lutou e se firmou na condição de competente e exemplar profissional. Morou na Bahia e São Paulo e hoje vive na Região Sul do Brasil.

Em data recente, Maria Léa discordou de minha crônica intitulada A demagogia de Lula da Silva e de seu ministro loroteiro, quando este escrevinhador disse, referindo-me a Lula da Silva e seus arraigados admiradores: “Eles se sustentam em estatísticas frias, irreais, distorcidas e em demagogias eleitoreiras, essencialmente eleitoreiras”.

Diz Maria Léa Santos Souza: “Olha sinto te dizer que o IBGE é um Instituto sério e não faz estatísticas frias. E eles falam o que os números do IBGE divulgam”.

Léa tem razão.

Contudo, em nenhum momento este insignificante cronista pôs em dúvida a seriedade do IBGE, instituição merecedora do respeito de todos os brasileiros e, se me não engano, fundada em 1936.

Nenhuma instituição se sustenta durante todo este tempo se não se assentar em princípios de seriedade e competência.

O que este cronista quis dizer é que a expressão “estatísticas frias” está no campo das incertezas, o que não quer significar, em nenhum momento, o deslustre da respeitável instituição IBGE.

Nenhuma instituição, se séria não fosse, resistiria tanto tempo em atividade, de modo que as interpretações devem ficar no âmbito da razoabilidade, excluídas as paixões políticas, as fraquezas ideológicas e a defesa dos governantes que admiramos, nem sempre consentâneos com aquilo que sonhamos.

Em quadro assim, falando de razoabilidade, faço um desvio de rota interpretativa, sem deslustrar o profícuo trabalho do IBGE, sempre admirável.

Há mais de quatro décadas moro em São Bernardo do Campo, simpático município paulista da região do ABC.

Nesses mais de quarenta anos – e aqui não vai nenhum menosprezo aos critérios científicos que lastreiam as pesquisas do IBGE – nunca fui abordado por qualquer agente do censo demográfico capitaneado pelo IBGE.

Todavia, o IBGE diz que faço parte dos 810.729 habitantes do município de São Bernardo do Campo, consoante o Censo de 2022.  

As estatísticas frias a que me refiro lastreiam-se no entendimento de que os números de excluídos da pobreza alegados pelo governo de Lula da Silva ou outro governante qualquer, independentemente de nosso pendor ideológico, são passíveis de distorções ou, no mínimo, de ajustes.

Assim se dá relativamente aos índices de desemprego baseados no CAGED ou critério que o substitua. A realidade situa-se muito distante dos frios números normalmente divulgados.

Parâmetro estatístico não retrata, necessariamente, o espelho de quaisquer realidades.

Daí a dizer que o IBGE não é uma instituição séria vai uma grande distância. E esta não é – e nunca foi – a intenção deste insignificante escrevinhador.  

No mais, Maria Léa Santos Souza – que a admiro desde a juventude – e eu, temos uma circunstância em comum, orgulho que carregamos e ostentamos com vaidade: fomos alunos da professora Graziela Ferreira  da Silva.

Maria Léa vai além, muito distante deste cronista: é filha do insigne professor Theófilo Ferreira da Silva.  

araujo-costa@uol.com.br   

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