
Em idade septuagenária, já descambando para o despenhadeiro da senectude, ainda me resta intacto o dever de agradecer nalgumas quadras da vida.
Agradecer muito e a muitos amigos, parentes, aderentes e até admiradores que assim se declaram.
Modéstia à parte, tenho alguns poucos admiradores. Coitados!
Nesta altura da vida, não preciso me envaidecer de nada, não preciso dizer-me pessoa boa, já que exemplo nunca fui.
Sempre tentei afastar o pedantismo, a arrogância, a tentativa do narcisismo que sempre bate à porta.
Ainda assim, há amigos que dizem que tenho estilo pedregoso de convivência, às vezes indiferente, outras tantas frio e arredio.
Concordo. Eles têm razão. É que a vida me empurrou para algumas encalacrações e encruzilhadas difíceis e, em razão disto, tenho dificuldades de aceitar arranhões à lógica da amizade.
A vida ensina às vezes com muito rigor.
Inquieto-me quando constato a degenerescência das amizades, a tecnologia distanciando os amigos, as conversas sadias cada dia ficando mais escassas, os contatos cada vez mais monossilábicos, os encontros sendo substituídos por desencontros.
Hoje fala-se o necessário, o urgente, o que é de interesse no momento. Esticar conversa em alguns momentos chega a ser gafe neste mundo de egocêntricos e sobremaneira tensionado pelas atrocidades.
A vida me ensinou – ou me empurrou – a gostar do silêncio, da solidão, da reflexão, dos questionamentos filosóficos.
Ensinou a auscultar ao redor, tentar entender as armadilhas do tempo, aceitar minhas limitações, conviver com as repreensões barulhentas do meu interior.
Mas o assunto aqui é outro. Ei-lo.
Em 27/01/2024, no decorrer do novenário de Senhor do Bonfim de Chorrochó, tive a subida honra de contar com a atenção e o acolhimento de Jorge Jazon Menezes que se deu ao trabalho de ler, durante a solenidade religiosa, uma carta aberta que fiz dirigida aos devotos do excelso padroeiro de Chorrochó.
A carta não foi arroubo de pretensão ou diletantismo, mas estribada na saudade do lugar e na urgência de amparar-me na fé tão necessária à continuidade da luta, enquanto há saúde e tempo para seguir adiante na tentativa de realizar os últimos sonhos da mocidade ainda não desfeitos.
A circunstância do gesto de Jorge Jazon Menezes me trouxe o dever de agradecer. Sua experiência e oratória brilhante enriqueceram o conteúdo de meu pensamento expresso na carta.
Jorge Jazon Menezes dispensa apresentações. É sobejamente conhecido, amado e reverenciado por amigos, familiares e conterrâneos.
Seu caráter é referência, modelo, luz para os jovens de hoje que pretendem ocupar lugar de decência e grandeza em qualquer tipo de sociedade, robustecer a conduta, aparar as arestas da mediocridade.
Jorge Jazon descende de família tradicional. Suas raízes ficam-se na estrutura familiar Menezes/Pacheco/Cordeiro, honra e glória de Chorrochó.
A mãe Maria Ita de Menezes, dentre outras qualificações, é professora, mestra na arte de ensinar, esteio da educação do lugar, exemplo de algumas gerações.
O pai José Jazon de Menezes, também de família tradicional, foi serventuário da Justiça estadual da Bahia e um dos pilares da honradez da sociedade chorrochoense.
Registro e deixo aqui meus agradecimentos ao ilustre filho de Chorrochó.
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