Missa em memória de Da Luz Menezes

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (II Timóteo, 4-7)

Crédito da imagem/Dr. Francisco Afonso de Menezes

No próximo dia 19/04/2024, às 19 h, realizar-se-á em Chorrochó liturgia eucarística em memória de Maria Rita da Luz Menezes.

A celebração acontecerá na Igreja Senhor do Bonfim.

Estarão presentes a saudade, as lembranças e, sobretudo, o intuito de todos familiares e amigos no sentido de viabilizarem a perpetuação da memória de Da Luz diante de Chorrochó e da Igreja.

“No  mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João, 16:33).

Vencer as aflições do dia a dia certamente foi uma das tarefas de Da Luz. Sofreu, chorou, lutou, suportou as adversidades, mas “combateu o bom combate e guardou a fé”. 

A Igreja de Chorrochó vai lembrar a vida de Da Luz e sua presença que foi muito frequente na casa de Senhor do Bonfim.  

A morte não pode interromper o amanhã. O amanhã dos parentes e amigos de Da Luz será sempre de boas lembranças. Lembranças de sua bondade e da convivência agradável. E de sua esperança na ressurreição.

araujo-costa@uol.com.br     

Traços dispersos de Curaçá e a professora Dionária Ana Bim

Maurízio e Dionária em foto de 2022 – Lançamento da 2ª edição do livro Barro Vermelho – Memória e Espaço, de autoria do filho jornalista/Crédito Maurízio Bim

Não sou memorialista, nem historiador. Faltam-me qualidades, esmero, dedicação, habilidade para discernir e observar a pureza dos fatos.

Entretanto, costumo rememorar acontecidos, pessoas, lembranças, episódios. Mais impulsionado pela saudade  e em gratidão às amizades com as quais mantive convívio nalguma quadra do tempo do que, propriamente, com o intuito de perenizar minhas opiniões que nada ou pouco importam.

O escritor e jornalista  baiano Raimundo Reis dizia, um tanto irônico: “Quem fala muito do passado é sinal que está ficando velho”.

É uma verdade que não se pode contestar.

Jovens, por óbvio, não têm muito o que contar, as reminiscências ainda não se firmaram, a memória está arejada pelo vigor da mocidade e sede de absoluto própria da juventude.

Os velhos têm o que contar, também por uma obviedade inarredável: a experiência, em razão da passagem do tempo, os idos, os vividos, a sequência de quedas e tropeços.

A poeira da estrada costuma ofuscar a caminhada, mas é eficiente ao marcar as intempéries, as lembranças, as saudades.

Nessa toada do caminhar, parece razoável entender que devo ter alguma coisa pra contar. Já alcancei os 72 anos, tempo suficiente para aproveitar o que os buracos da memória retêm e ainda me permitem lembrar.

Já me sinto em queda livre em direção ao despenhadeiro da finitude inevitável. As décadas de vida parecem assim atestar, o que não significa a abdicação dos sonhos, ainda relutantes, teimosos, insistentes.

Fraquejar jamais.

Hoje lembro Dionária Ana Bim, minha professora no Colégio Municipal Professor Ivo Braga, em Curaçá. À época muito jovem, embora preparada intelectual e profissionalmente.

Dionária foi educada sob a notável batuta da mãe Maria de Lourdes Lopes (Maria de Fortunato) e do pai Expedito, decentes e honrados em Curaçá.

Maria de Fortunato tinha clareza ao entender a educação como esteio que sustentava a grandeza e o caráter. Olhar atento de águia e sabedoria gigante, Maria alternava momentos de rigidez e ternura.

Em Salvador, Dionária estudou no tradicional Instituto Central de Educação Isaías Alves-ICEIA e já formada por lá foi ensinar Matemática em Curaçá.

Dionária constituiu família nobre. Tem filhos. Arrisco-me a citá-los: Mauro, João e Maurízio. Se omito algum nome, penitencio-me em razão da falha, da imprudência e da gafe.

Sobre Maurízio Bim, tenho a honra de dizer que sou seu amigo, embora apoucado. Considero-o muito e sempre lhe desejei êxito em suas façanhas e empreitadas, o que, aliás, ele sempre alcançou em tudo que decidiu fazer.

Guardo boas recordações da professora Dionária. O gosto pelas coisas sérias, a arte de direcionar o espírito para a investigação do conhecimento e, sobretudo, a humildade e o sorriso encantador.

A honra maior é ter sido seu aluno.

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Várzea da Ema e Marcones Reis

Marcones Reis/Reprodução perfil facebook

Encaminha-se para sete anos.

Em 28/07/2016 recebi de surpresa, em meu escritório, a visita de Edinaide, à época moradora em São Bernardo do Campo. Não sei se ainda mora por aqui.

Educada e atenciosa, Edinaide disse que esteve na Bahia e me trazia uma caneta, presente do amigo Marcones Reis, que lhe pediu para entregar em mãos, o que ela fez com absoluta presteza.

Marcones Reis é de linhagem conhecida em Várzea da Ema. Trata-se de rapaz decente, trabalhador, cumpridor de seus deveres, atento às coisas da vida nacional e voltado às suas raízes sertanejas.

A simpática Várzea da Ema está encravada nas caatingas do município baiano de Chorrochó.

Até hoje o lugar guarda as marcas do poderio de Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro, que foi líder político e rico fazendeiro nos domínios dos antigos territórios dos municípios de Curaçá e Santo Antonio da Glória.

Paus Pretos, uma de suas lendárias fazendas ainda resiste às intempéries do tempo. Salvo engano, a fazenda é ou foi administrada por Paulo Reis, um dos netos do coronel Petro. Os alpendres do casarão ostentam os vestígios da riqueza coronelista.

Por lá também viveu Pedro Reis, que fazia parte do núcleo familiar do coronel Petro.

Dentre outras tantas, a fazenda Perdidos integrava as propriedades do coronel Petro.

Um dos homens mais poderosos do sertão baiano na primeira metade do século XX, ao lado do também coronel e seu compadre João Sá, o coronel Petro reinou absoluto no território de Santo Antonio da Glória, antiga Curral dos Bois.

Até hoje as marcas do coronel Petronilo de Alcântara Reis estão por lá. A família Reis continua sendo um esteio e referência de decência na região.

Mas volto ao início desta crônica para dizer que a passagem do tempo não me tirou a gratidão a Marcones Reis pela consideração e lembrança deste insignificante escrevinhador.

Guardo com carinho a caneta e anotei o fato em meus alfarrábios na tentativa de registrar aquele momento que me envaideceu e, sobretudo, torná-lo um retrato da amizade que fiz imorredoura.

Aproveito para parabenizar Marcones Reis que faz aniversário neste 07 de abril.    

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Coisas do sertão, esquisitices e escrevinhações

“Não é propriamente um lobo. É uma espécie de cachorro do mato, o guará. Cachorro sem dono, erradio, arredio, sem eira nem beira, vagando solitário pelo sem-fim do cerrado” (Antonio Félix de Souza, prefácio de Lobo do Planalto, de Paulo Dantas).

Lá para as bandas de Minas, os mais antigos usavam a expressão “coisas escorubiúdas” quando se referiam a esquisitices.

No meu caso, não chega a ser escorubiudices, mas não deixa de ser um tanto esquisita esta minha constatação: nunca vi um guará.

Mais esquisito do que constatar é dizer que nunca vi. O que interessa ao leitor saber se já vi ou não um guará?

Quando morava na caatinga do sertão da Bahia, muitas vezes vi rastros deixados na lama no Riacho da Várzea. Mas daí a afirmar que eram pegadas de guará vai uma grande distância.

Os mais velhos diziam que sim, havia guará por lá. Se havia, deve haver ainda.

Contudo, à semelhança dos fantasmas, ninguém via guará naqueles barrancos. Se bem que na caatinga muita gente garantia que costumava ver fantasmas ou, como se dizia, “alma do outro mundo”.

Outros iam mais além para dizer que viam aparições, figuras medonhas, sombras, mortos, esquisitices.

O Riacho da Várzea, arrimo de caatingueiros valorosos e tenazes, serpenteia, bravamente, entre cactos, pedras e vegetação esturricada, até chegar à foz. Seguramente, é uma das razões do viver do sertanejo do semiárido baiano.    

A imagem mais próxima que guardo de guarás é aquela muito conhecida do Santuário do Caraça, em Minas, onde os padres os alimentam e eles até ficaram amigos dos religiosos.

Parece que os primeiros intrusos surgiram no Santuário por volta da década de 1980.

No Santuário, definem o guará como “animal dourado de cauda curta”. É chamado guará porque em tupi-guarani, a língua dos indígenas, guará significa “vermelho”.

Lobo-guará/Igui Ecologia

Embora nunca tenha visto um, gosto do guará. Ele vive sem eira e nem beira, arredio, solitário, vagando, cauteloso, como muitos de nós.

Post scriptum:

Tenho uma mania, mais do que mania, despropósito: costumo escrever Riacho da Várzea. O correto é Riacho da Vargem, segundo os registros históricos e geográficos e a opinião de quem entende.

Não quero ser exemplo de apreciador de equívocos.

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Os respiradores de Rui Costa. Qual a novidade?

Rui Costa/Agência Senado

O UOL publicou em 03/04/2024, com estardalhaço, o caso dos respiradores do Consórcio Nordeste.

Em que consiste a novidade?

Nenhuma. Notícia requentada, fato já conhecido.

Já em 2021 era público e notório o escândalo que envolveu o então governador Rui Costa, do PT da Bahia, hoje todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil de Lula da Silva, o maioral de Caetés.

Naquela ocasião o escândalo frequentou as páginas dos jornais exaustivamente. Deu em nada. Nem vai dar desta vez.

Rui Costa era presidente do Consórcio Nordeste e se envolveu nesse quiproquó que pode respingar negativamente em sua biografia.

Agora se sabe, com mais detalhes, segundo o UOL:

Rui Costa comprou 300 respiradores de uma empresa “fundada para distribuir medicamentos à base de canabidiol”. Noutras lavras: derivados de maconha;

Custo dos respiradores: R$ 48.748.575,82;

A empresa recebeu o valor adiantado e não entregou sequer um respirador. Dinheiro saído dos cofres públicos, claro.

Em 2022 a dona da empresa fez delação premiada, que foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão da prerrogativa de foro de Rui Costa.

Em resumo, a delatora disse que:

Devolveu R$ 10 milhões e apresentou extratos das transferências de dinheiro para os intermediadores do negócio;

Faltou dizer onde estão ou foram parar os outros mais de R$ 38 milhões;

“O contrato foi redigido de forma desfavorável ao governo da Bahia” e “a negociação só avançou porque tinha a autorização do então governador Rui Costa, que assinou o contrato”;

A empresa não possuía a documentação exigida para importação de equipamentos hospitalares;

“Essa documentação nunca foi solicitada por nenhum agente vinculado ao governo e não foi empecilho à contratação”;

O negócio foi viabilizado por um amigo de Rui Costa e de sua mulher Aline Peixoto, enfermeira e funcionária da secretaria estadual de saúde da Bahia e hoje conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia;

As tratativas com a empresa deram-se através do secretário da Casa Civil de Rui Costa, Bruno Dauster;

A empresa “não possuía qualificação nem experiência na importação de respiradores pulmonares”;

A empresa tinha apenas dois empregados e capital social de R$ 100 mil;

Foi Rui Costa quem passou o contato da empresa para seu secretário da Casa Civil e recomendou a compra dos respiradores;

O contrato foi redigido pela empresa e não pelo governo e “não previa nenhuma garantia caso os respiradores não fossem entregues e essa garantia nunca foi exigida nem mencionada por nenhum agente do Consórcio Nordeste”;

Em 29/07/2021 este blog publicou matéria neste sentido com o título Os respiradores de Rui Costa.

Lá uma citação da Revista Veja.

A revista Veja apurou: “O negócio, fechado a toque de caixa através do WhatsApp  e com pagamento adiantado, previa a compra e a distribuição dos equipamentos aos nove estados da região”. A revista vai além: “O negócio, desde o início, foi planejado para dar errado” (Veja, 23/07/2021). 

Mais, segundo a Veja: “A microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas”. 

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Guilherme Paixão, honorável de Brejo Seco

“Não vos apresseis em compor a obra que há de conservar a essência de vossa mocidade” (Joaquim Nabuco, jurista e historiador, 1849-1910)

Dr. Guilherme Paixão da Silva/reprodução perfil facebook

Como diziam os mais velhos, os “troncos” do Dr. Guilherme Paixão da Silva estão fincados na memória da Fazenda Umbuzeiro: Mamede Manoel da Paixão e Maria do Carmo Paixão.

Já se vão, por aí, algumas décadas. Conheci Dr. Guilherme em Patamuté, en passant, muito rápido, dia de festa do padroeiro Santo Antonio. O ano se distancia no tempo.

Não houve salamaleques, tampouco qualquer aproximação.

Eu já o admirava. Embora ele não me conhecesse, mantive a lembrança de sua elegância e cordialidade.

Entretanto, já o conhecia de elogiosas referências. Quando morei em Patamuté, fui acolhido por Antonio Ferreira Dantas Paixão e sua esposa Rachel do Carmo Paixão, a generosa e querida tia Rachel.

Antonio Paixão foi incentivador de minha caminhada em direção ao desconhecido.

Recolho dos escombros da memória uma lembrança: Eu trabalhava com Antonio Paixão espichando peles de bodes nos fundos do Armazém, em dias de sábado, feira em Patamuté. Juventude difícil e pedregosa, minha pobreza beirava o extremismo. Não mudou muito.

Antonio Paixão mantinha visível orgulho do sobrinho Guilherme que foi para São Paulo e lá cresceu social e profissionalmente.    

Formado em Direito e Ciências Contábeis, fez cursos em algumas das mais respeitáveis instituições de ensino de São Paulo, dentre elas a Fundação Getúlio Vargas, Universidade de São Paulo e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mas os sustentáculos do conhecimento de Dr. Guilherme vão mais longe e não se restringem ao formalismo curricular, de modo que não me atrevo a tecer ponderações outras sobre sua vasta experiência, mormente no campo das ideias.

A família Paixão sempre foi conhecida pela inteligência e autodidatismo. Por exemplo, Jacinto Paixão, irmão de Antonio Paixão, destacava-se pelas palavras escorreitas, apropriadas, seguras e em razão de seu conhecimento enciclopédico.  

O fato é que Dr. Guilherme Paixão da Silva voltou às suas raízes, depois de anos de exercício profissional em São Paulo. Hoje vive na Fazenda Brejo Seco nas cercanias de Patamuté rodeado de parentes e amigos.

Trata-se de ilustre e honorável habitante de Brejo Seco que enriqueceu o lugar com seu trabalho e dedicação à família.

A mocidade de Dr. Guilherme Paixão abraçou os estudos e a luta profissional em São Paulo. Lá ele compôs sua admirável obra que o fez respeitado perante todos nós, seus conterrâneos.

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A “justiça” do Supremo Tribunal Federal

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” (Ruy Barbosa,1849-1923).

Amigo de longa data me tem ponderado que faço papel de besta na maioria de meus escritos.

Tem razão.

Diz ele que me desgasto no tempo ao criticar agentes públicos poderosos, relapsos, desavergonhados, pequenos.

Nesta toada de anos, acabo por melindrar defensores de hipócritas de toda ordem que a grande imprensa bajuladora lhes lambe as botas.

Não sou adepto do ditado “em terra de sapos, de cócoras com eles”.

Deixemos os sapos em sua quietude. Vigiemos as injustiças.

É preciso indignar-me, ainda que poucos escutem minha indignação e a indignação de muitos que não têm voz.

É cômodo para os poderosos o silêncio dos insatisfeitos.

É utópico acreditar na suposta seriedade de agentes públicos que se dizem suprassumos da honestidade e da decência.

Os exemplos de descalabros são muitos. As obviedades pululam.

A Defensoria Pública da União “tenta absolver dois réus dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, um trabalhador ambulante e um morador de rua”, que os donos do Brasil encastelados no  Supremo Tribunal Federal insistem em dizer que são perigosos executores de atos contra a democracia e o estado de Direito (Folha de S.Paulo, 21/03/2024).

Nesse diapasão, a Defensoria Pública da União conseguiu favorecer dois famintos e desamparados réus que o Supremo Tribunal Federal diz que são perigosos golpistas.

Um acusado “vendia bonés, camisetas e água em frente ao acampamento bolsonarista no quartel-general do Exército em Brasília, onde foi preso em flagrante” (Folha de S.Paulo, 21/03/2024).

O preso disse “que não estava presente nos ataques e só foi no dia seguinte retirar as mercadorias que estavam guardadas na igreja próxima ao quartel desde 7 de janeiro”, segundo o jornal.

Ainda, segundo o jornal da mesma data,  o acusado “está passando por situação de miserabilidade, com fome”.

A Defensoria disse que teve dificuldade de encontrar o réu, “por se tratar de pessoa humilde, em situação de extrema vulnerabilidade social”, sobejamente conhecida em semáforos de Brasília cavando o ganha pão.

O acusado disse à Defensoria que “é o único responsável por dois filhos menores de idade, cuja mãe teria sido assassinada”.

O outro caso, que o Supremo Tribunal Federal entende ser perigoso golpista, é uma “pessoa em situação de rua, com problemas de saúde física e mental (esquizofrenia)”.

Todavia, enquanto isto:   

O Poder Judiciário que prende humildes e famintos é o mesmo que manda soltar perigoso traficante e lhe devolve aeronave, mansão, iate e outros bens valiosos presumivelmente comprados com o dinheiro do crime, antes apreendidos por ordem da própria justiça.

O mesmo Supremo Tribunal Federal, que prende vendedor ambulante e morador de rua, anula milionárias multas lavradas contra empresas envolvidas em corrupção mediante contratos com órgãos do governo federal.

É o mesmo Supremo Tribunal Federal que manda anular condenações de empresários super-ricos que enriqueceram ilicitamente em conluio com agentes públicos.

Embora alguns deles tenham confessado a prática espúria, o preciosismo processual permite que escapem das punições.

Tudo isto está na imprensa. Nada é novidade.

É o triunfar das nulidades e o agigantamento do poder nas mãos dos maus, de que falava Ruy Barbosa.

Mas não devemos perder a esperança.

Devemos acreditar na Justiça, sim. Sempre.

Respeitar o Poder Judiciário é dever de todo cidadão brasileiro, mas isto não significa ignorar injustiças e deixar de pugnar por uma Justiça consentânea com a lógica do Direito.

O Brasil ainda tem jeito, apesar dos gênios encimados nos pedestais de Brasília.

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A deslumbrada ministra que pode tudo e os alunos nus

Oxente, peraí, iapois!

A deslumbrada ministra da Igualdade Racial de Lula da Silva disse que a expressão “buraco negro” é racista (Folha de S.Paulo, 02/11/2023).

Fiquei imaginando como o jornalista, dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980) tinha razão:

“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

A ministra, que é a mesma que requisitou e usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir a São Paulo assistir a um jogo de futebol, quer desbancar a física, a teoria da relatividade e, por extensão, a ciência.

Sua Excelência também disse que a palavra “denegrir” é racista. A palavra consta em todos os compêndios de Língua Portuguesa e quando foi incluída na gramática não existia a idiotice do politicamente correto inventada pela esquerda gonorreica.

Pelo que se vê, a ministra não tem o que fazer. Ou nada sabe fazer, o que é mais provável.

Essa excelentíssima ministra é a mesma que foi flagrada, sem capacete, às gargalhadas, transitando na garupa de uma moto na periferia do Rio de Janeiro.

Questionada sobre à transgressão ao Código de Trânsito Brasileiro, que pune a prática com multa e retira pontos da Carteira Nacional de Habilitação do infrator, a  ministra justificou: “andar sem capacete dentro de favelas do Rio de Janeiro é um fato” (UOL, 21/06/2023).  

Presume-se que a ministra entende que a lei não é para todos.

Alunos nus

Está na imprensa.

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg), do Rio Grande do Sul, colocou alunos veteranos completamente nus para receber os calouros que ingressaram na instituição.

“A Acolhida Cidadã, como foi chamada a apresentação, incluía os alunos todos nus e foi organizada pelo diretório acadêmico da faculdade. De acordo com a Coordenação dos Cursos de Artes Visuais, a apresentação era livre e poderia ser vista por todos os públicos, visto que não incluía erotização, apesar da nudez”. (Correio, 18/03/2024).

Detalhe: a universidade é federal, custeada com dinheiro público.

O lulopetismo deve estar em êxtase com nossa política educacional.

araujo-costa@uol.com.br

Lenisse Santana, uma estrela de Chorrochó

Lenisse Santana/Reprodução perfil facebook

“Muito cedo em minha vida, ficou tarde demais”.

A frase não é minha. É de Marguerite Duras, romancista vietnamita (1914-1996).

Não é contraditório dizer isto. É olhar para trás e constatar que deixamos de dar alguns passos na ocasião própria ou demos passos tardios.

Ou, quando seguimos adiante, já não era mais tempo de dar passos.

É o embaralhamento das coisas da vida.

Conheci Lenisse na juventude, ainda Maria Lenisse Oliveira Alves. Bem depois incorporou Santana ao nome, em razão do casamento com Juracy Santana, admirável criatura que as circunstâncias da vida levaram para Chorrochó.

Juracy foi meu colega de quarto e amigo de sofrimento. Dividíamos as confidências, os segredos, as decepções.

A estrutura familiar paterna de Lenisse está em Patamuté. 

O pai Macário Alves Filho (Senhorzinho), filho de Macário Alves e de Maria Querubina dos Santos. O esteio materno assenta-se em Chorrochó.

A mãe Maria de Lourdes Oliveira Alves tinha esteio em Chorrochó.

A juventude é intransigente, rebelde, sustentáculo de tesouros, dentre esses a amizade.

As amizades amealhadas na juventude geralmente são as mais seguras, as mais puras, as mais duradoras. Por uma razão simples: surgiram longe da maldade, dos interesses.

Os jovens estão no mesmo patamar, igualam-se nos sonhos e na maneira de viver e encarar o tempo.

É na juventude que construímos a universidade da vida, fundada nas alegrias, dificuldades e tropeços.

A princípio, a família de Lenisse e Juracy constituiu-se de Cilene Cristianne de Oliveira Santana, Samira Liane de Oliveira Santana e  Nayara Cristiane Santana Nascimento.

Penitencio-me diante das críticas, se os nomes não são exatamente estes ou se os grafei com incorreções. Justifico-me, entretanto: minha memória já está esburacada.

Em Chorrochó, Lenisse e eu fomos colegas no Colégio Normal São José. A convivência ginasial – naquele tempo havia curso ginasial – se mesclou com a amizade já de antes sustentada em nossa ligação com Patamuté. Também sou de lá.

Lenisse e eu somos da mesma geração. Não fica bem revelar a idade de Lenisse, até por uma questão de etiqueta, mas como estou em idade septuagénária, isto me autoriza a dizer que já vivemos um tanto e adquirimos experiência, senão para passar adiante, mas para nosso próprio deleite.

Boa amiga, grande amiga. Lenisse tem conversa agradável, alegre, convidativa, sorriso largo. Sempre foi assim, uma estrela.

Esta é uma crônica de saudade. A saudade cutucou, sempre cutuca.

As palavras se perdem. Os sentimentos se gastam com o tempo, mas a amizade é o liame que segura as boas lembranças.   

Por isto, esta lembrança de Lenisse.   

A saudade não ficou tarde demais.

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Obituário, adeus e liberdade de chorar

Maria Rita da Luz Menezes/Álbum de família

Guardo o envelope amarelado pelo tempo e a tristeza do conteúdo.

Naquele tempo – 1997 – ainda se escreviam cartas aos amigos, parentes, aderentes e conhecidos. Hoje, não mais. O progresso e as coisas modernas tolheram as formas de sustentar as amizades, cultivar as lembranças.

A douta professora Maria Rita da Luz Menezes dava-me a notícia do falecimento do esposo Francisco Lamartine de Menezes (1931-1997).

Maria Rita da Luz Menezes e Lamartine constituíram família exemplar, que sustenta suas raízes, como convém às proles bem estruturadas na educação e na firmeza de caráter.

Paulo José de Menezes, Geraldo Robério de Menezes, Humberto Antonio Pacheco de Menezes, Thereza Helena Cordeiro de Menezes e Ivana Lúcia Menezes de Menezes nasceram dessa união.   

Agora, 27 anos depois, não mais através de carta, espalha-se a notícia do falecimento de Maria Rita da Luz Menezes.

Março o mês do adeus de ambos.

A crueldade desta notícia ruim teve o condão de entristecer todos nós, amigos e parentes de Da Luz.

Todavia, as peças que nos faltam à memória contribuem para dificultar o entendimento da grandeza de Maria Rita da Luz Menezes para a educação, a história e a estrutura familiar de Chorrochó.

A saudade e a lembrança cutucam, fragilizam os momentos, tingem as páginas do tempo e nos dão a medida de nossa pequenez diante da vida e da morte.

A liberdade de chorar se somou ao adeus, à despedida.

Deixo pêsames a todos da família de Maria Rita da Luz Menezes.

araujo-costa@uol.com.br