A Igreja de Chorrochó e a sustentação dos esteios da fé

Em 08 de dezembro deste 2023 completaram-se 30 anos da bênção da Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Chorrochó.

Capela de Nossa Senhora da Conceição – I/Crédito da foto: Adélio Ribeiro

Contígua ao cemitério da cidade, a construção foi uma iniciativa do padre Mariano Pietro Brentan e, além de erigir sustentáculo de devoção, abriga os restos mortais de padre Ulisses Mônaco Conceição, primeiro vigário da Paróquia, que foram trasladados do Cemitério Antonio Conselheiro onde estavam em jardim construído para esse fim por Jucileide Ramos dos Santos.     

Capela de Nossa Senhora da Conceição – II/Crédito da foto: Adélio Ribeiro

Salvo melhor juízo – e se minha esburacada memória não estiver sucumbindo ao abismo do tempo – padre Mariano Pietro Brentan conheceu Chorrochó em 27.01.1985.

Portanto, trinta e nove anos se completam nesse próximo mês de janeiro de 2024, quando se realiza a tradicional festa do padroeiro Senhor do Bonfim. Sua destinação como pároco da Freguesia de Senhor do Bonfim de Chorrochó deu-se em 06 de abril de 1986.

Padre Mariano incumbiu-se da grandiosa tarefa de suceder ao padre e primeiro vigário da paróquia, Ulisses Mônaco da Conceição, ícone admirável da Igreja de Chorrochó e isto por si só se basta: tarefa ingente, honrosa, difícil, grandiosa.

Grande empreendedor, competente zeloso das coisas da Igreja, padre Mariano conciliou, com eficiência, enquanto à frente da paróquia, seu mister de sacerdote, pescador de homens, com um trabalho simultâneo e incessante em benefício de Chorrochó.

Angariou condições para construções voltadas à Igreja e, mais ainda, empreendeu uma admirável obra social direcionada aos paroquianos. São exemplos, além de outros: a capela Nossa Senhora da Conceição, a construção do Centro Paroquial de Chorrochó, a reforma e ampliação da Casa Paroquial e a instituição do Lar José e Maria.

Com a atuação do padre Mariano, a paróquia deixou de ser um núcleo essencialmente urbano para se transformar num edificante exemplo de amparo às comunidades rurais de Chorrochó.

Conheci padre Mariano Pietro Brentan em circunstância casual. Fui-lhe apresentado na residência de Maria do Socorro Menezes Ribeiro e Virgílio Ribeiro de Andrade, em Chorrochó.

Socorro e Virgílio são exemplos edificantes de hospitalidade, amizade e cordialidade. Data inesquecível, memorável, agradavelmente interessante.

Tivemos uma conversa longa sobre a Igreja, suas tradições e, sobretudo, as dificuldades por que passava um vigário do interior. Em nenhum momento reclamou do exercício de seu mister religioso.

Impressionou-me sua grandeza intelectual e conhecimento universal, mormente dos assuntos da humanidade e das coisas da Igreja.

Conversa marcadamente auspiciosa, padre Mariano falou de ritos e de história e até me fez ver a importância do Hino Queremos Deus, um dos mais tradicionais da Igreja Católica.

Falou do papel da Igreja no sentido de aplainar a insensatez e ingratidão dos homens que se “erguem em vão contra o Senhor”, em todo o tempo e em todo lugar.

Impressionei-me com a decência, cultura e espírito de solidariedade demonstrada pelo padre Mariano, ilustre representante da Igreja Católica em Chorrochó, à época.

Educado, sonhador, inquieto, responsável ao extremo pelo ofício religioso que lhe foi confiadopadre Mariano é defensor intransigente da fé católica, que a exalta admiravelmente.

Padre Mariano, último da esquerda para a direita /Igreja Senhor do Bonfim, de Chorrochó

O que sei – e sei pouco de sua vida – é que é italiano nascido em 06.06.1938, ordenado em 08 de dezembro de 1985 em Euclides da Cunha e, em razão dessas costumeiras decisões que a Igreja determina aos membros de seu clero, veio parar em Chorrochó.

É o que o Direito Canônico denomina de residente não incardinado, ou seja, uma liberação do religioso pela Igreja, para algum lugar, por determinado tempo.

Ele ficou em nosso meio, para alegria e benefício dos paroquianos de Chorrochó, por alguns anos. Sua presença era admirável, porquanto terna e essencialmente voltada para os assuntos da Igreja.

Dedicado, obediente às normas da Santa Sé universalmente aceitas, padre Mariano veio robustecer a história de Igreja de Chorrochó. Um fato louvável, espiritualmente valioso.

Atualmente fragilizado pela idade e enfrentando problemas de saúde, padre Mariano talvez esteja também refletindo sobre o caminho percorrido, sua luta e seu passado de feitos e glórias.  

Os esteios da contribuição de padre Mariano para Chorrochó são valiosos, perenes, indestrutíveis. E se sustentam na fé e em sua dedicação à causa da Igreja.

araujo-costa@uol.com.br

Livros, reflexões e esquisitices

“Livro é como banana na feira. Se o feirante não anuncia, o freguês não compra”. (Sebastião Nery)

Em 1987, quando lancei Fragmentos do Cotidiano que, modéstia à parte, foi bem recebido, escusei-me a publicar qualquer notícia sobre o lançamento, de modo que até amigos próximos somente tiveram conhecimento meses depois, o que, convenhamos, faz parte de minhas esquisitices.

Já se vão, por aí, 36 anos.

Há muito no forno da memória, uma espécie de prelo mutável, pretendo publicar em ano ainda não definido, se vivo for, Diálogo dos Sinos – artigos, crônicas, observações.

Demorei fazê-lo. Hoje, mais maduro (ou seria mais velho?), um tanto capaz de discernir as coisas, acho que será o momento de deixar algum registro mais completo, um cenário de minhas andanças, de meus tropeços e de minhas maluquices.

O jornalista Sebastião Nery, que entende tudo do que é possível entender de livros, cunhou a frase segunda a qual “livro é como banana na feira. Se o feirante não anuncia, o freguês não compra”.

Então, na ocasião própria, deverei anunciar o lançamento, não com o intuito de vender alguns e poucos exemplares, propriamente, mas para que amigos leitores e leitores amigos tenham conhecimento e, se quiserem, leiam.

Pode ser que alguns raros abdiquem de um pouco de tempo, lendo-o e criticando.

Não recomendo meus escritos. Nunca o fiz. Acho-os às vezes confusos, outras vezes ácidos e outras tantas ingênuos.

Ainda assim, alegro-me em saber que muitos gostam de ler o que escrevo. Alguns já disseram que me falta estilo. Sei disto.

Sou um caso perdido. Talvez o único escrevinhador que não recomenda a leitura do que escreve.

Escrevo para dialogar com a minha alma e não por diletantismo ou vaidade.

E isto me tem feito bem.

No ofício de escrever, lembro sempre de algumas frases conhecidíssimas de escritores famosos.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): “Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar”;

Ernest Hemingway (1899-1961): “Procure lembrar-se dos ruídos e do que eles lhe dizem. Então, escreva sobre eles da maneira mais clara possível para que o leitor tenha o mesmo sentimento que você”;

William Faulkner (1897-1962): “Se a gente perde muito tempo se preocupando com o estilo, acaba não sobrando nada, além do estilo”;

Rachel de Queiroz (1910-2003): “Não gosto de escrever. Escrever é um sacrifício”;

Dionísio Jacob: “Eu acredito que o que leva alguém a escrever é uma necessidade profunda de dar expressão a uma voz interna. Seu foco é sempre o teatro da alma. Tudo aquilo que fala à alma pode inspirar ou motivar um texto”.

E por último, a frase que li muitas vezes em minha mocidade, mas não me recordo o nome do autor. Fernando Sabino também nunca o citou, ou porque não sabia ou porque, de tanto conversar consigo e com os outros, acabou esquecendo:

“O escritor é um homem que passa a vida conversando consigo mesmo. Só há uma verdadeira vantagem em envelhecer: é que, com o correr do tempo, a conversa vai ficando cada vez mais interessante”.

Quem escreve fica esgueirando-se entre cristais para não dizer besteiras, cometer ofensas, produzir polêmicas desnecessárias e aguçar incompreensões.

Hoje, tempo de tanta idiotice, inclusive do “politicamente correto”, qualquer deslize pode ultrapassar o âmbito da gafe e enveredar-se para a esfera da ofensa. É muito tênue o fio entre o que é certo e o que os outros acham que é o certo.

Todavia, o que mais gratifica no espinhoso ofício de escrever é o interesse demonstrado por algumas pessoas sobre o que escrevemos.

Mesmo que o escritor não seja famoso – e este é o meu caso – mas seja um sonhador incorrigível, um utópico que rema contra a maré do impossível, uma palavra sua pode servir de despertar.

E neste caminhar, é imperioso contribuir para que os jovens não descambem para o abismo da alienação e da mediocridade. É preciso mantê-los acordado para o mundo, mostrar-lhes a beleza da vida sem drogas, sem violência, sem agressão à sociedade.

Há muito venho torcendo que algum dia apareça um prefeito em meu município baiano de Curaçá, que goste de valorizar a cultura e se dê à grandeza de construir uma biblioteca pública em Patamuté e também nos outros distritos, se ainda não tiverem.

Em Patamuté e em particular, tenho interesse nisto.

Até sugiro o nome: Biblioteca Professora Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes.

araujo-costa@uol.com.br

Rabiscos e rascunhos do tempo

“Não foram os anos longos e lentos que me envelheceram. Foram alguns minutos” (Cassiano Ricardo, poeta e ensaísta, 1895-1974).

Primeiro prédio da Prefeitura de Chorrochó – I

Chorrochó não mudou muito em 69 anos de emancipação.

Há um liame incompreensível entre a instalação dos serviços municipais em 1954 e o tempo de agora: o não evoluir, não crescer, não desvencilhar-se da precariedade de antes.

Primeiro prédio da Prefeitura de Chorrochó – II

É razoável presumir que o tempo, que corrói todas as coisas, vem corroendo subsequentemente as mentes dos responsáveis pela sustentação da história do município.

O descaso e a indiferença arranham os limites do dever de zelar pelo bem público.

Argumentar-se-á, com razão, que a administração municipal não precisa desse prédio para funcionar, tanto que vem funcionando – e bem – segundo alguns e nem tanto, segundo outros.

Mas isto não lhe autoriza o descaso.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Está circulando nas redes sociais um vídeo de Roberto Carlos ao som de Velhinhos, composição de José Messias e lançada em 1965.

Em minha juventude – e depois dela – ouvi muito essa música sem me dar conta de que um dia a velhice chegaria.

Ao interpretá-la, no auge de sua juventude irrequieta, Roberto Carlos certamente também não se dava conta dos tropeços da velhice.  

É emocionante vê-lo trôpego carregando sua história.

Os destaques de Chorrochó e região

Edimar Carvalho em solenidade de entrega do Troféu Destaque 2023/Reprodução facebook

É notório que o colunismo social do jornalismo impresso vai-se esvaindo e, em consequência, surgem atalhos na mídia digital que substituem, com vantagem, as formas costumeiras dessa prática jornalística tão comum na vida social.

Neste particular, as redes sociais têm desempenhado papel importante na demonstração do comportamento social e impõem claros reflexos na vida profissional de considerável número de pessoas, independentemente da região em que vivem e atuam.

As redes sociais ganharam a dianteira. Ao tempo em que se transformam em terreno movediço e às vezes perigoso, permitem que a sociedade acompanhe e avalie a atuação dos que se empenham no exercício de suas atividades.

Em Chorrochó, município do sertão da Bahia, há algum tempo surgiu o site Chorrochoonline, fruto da criatividade de Edimar Carvalho, que se tornou uma espécie de condutor do colunismo social da região, ajustando-o à nova realidade e ao desconhecido.

Não é só. Com o Chorrochoonline surgiu também uma forma de avaliação de profissionais, que redundou no Troféu Destaque do Ano, que vem agraciando pessoas de variados segmentos, de modo que isto representa o reconhecimento da sociedade a essas pessoas que se dedicam com esmero ao mister que ocupam.

Aqui não se discute a posição que cada um ocupa no meio social, mas o talento, dedicação e responsabilidade diante do desafio profissional, das intempéries e, sobretudo, da disposição de seguir adiante em direção aos horizontes sonhados.

A solenidade de entrega do troféu Destaque de 2023 deu-se em 02/12/2023 na Câmara Municipal de Chorrochó, evento bastante concorrido.

Neste 2023, como de costume, receberam o troféu personalidades de diversos segmentos sociais, dentre políticos, empresários, profissionais de saúde, agentes públicos, advogados, lideranças locais et cetera.

Desta vez, uma novidade. Recebeu também o troféu Frei Valdevan Correa de Barros, da Ordem dos Frades Menores Conventuais e pároco da Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São  Benedito, de Curaçá.

Dinâmico, Frei Valdevan vem se destacando em decorrência de seu trabalho profícuo à frente da Paróquia de Curaçá, incluído aí o Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus (Gruta de Patamuté) .  

Pernambucano de Saloá, frei Valdevan foi ordenado em Santo André (SP), vigário de Ubatuba (SP) e Guaraniaçu (PR) e chegou a Curaçá por força da Missão dos Franciscanos Conventuais.  

Frei Valdevan, um dos agraciados/reprodução perfil facebook

Por último, vale acrescentar que o evento Troféu Destaque do Ano deixou de ser estritamente um acontecimento do município de Chorrochó para estender-se ao universo regional (Bahia e Pernambuco), o que, de fato, engrandece a iniciativa de Edimar Carvalho.

araujo-costa@uol.com.br

O hipócrita deputado lulista

Deputado André Janones (Avante-MG)/Crédito: Câmara dos Deputados

Os filhos do ex-presidente Bolsonaro e ele próprio foram e continuam sendo exaustivamente acusados de “rachadinha”, presumível prática comum entre os políticos, mas negada por eles.

Tal prática consiste em contratar assessores e exigir deles a devolução de parte dos salários. Ou seja, os políticos locupletam-se do suado dinheiro do contribuinte.

É bom salientar, com ênfase, que se trata de dinheiro público e, portanto, além de abominável, tal prática é crime e deve ser punida de acordo com as leis penais, sejam os delinquentes da família de Bolsonaro ou de qualquer outra, de direita, de esquerda ou de qualquer espectro político .

Os apoiadores do lulopetismo são pródigos ao fazer críticas severas aos Bolsonaros sobre essa prática, inclusive a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).

Todavia, a conduta do PT no trato do dinheiro público é um tanto duvidosa, segundo confessaram alguns de seus próceres, a exemplo de Antonio Palocci, ex-prefeito do município paulista de Ribeirão Preto, ministro da Fazenda de Lula e ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff. Palocci saiu do PT.

Logo, supostos praticantes de corrupção acusando adversários de corruptos chega a ser risível. Mas na política hipocrisia abunda.

Um dos mais ferrenhos acusadores dessa prática da “rachadinha” é o esquisito deputado federal e influenciador digital André Janones (Avante-MG).

Agora ele está sendo acusado de, na condição de deputado, exigir 60% dos vencimentos de assessores, inclusive do 13º salário, o que vinha ocorrendo desde 2019 (O Globo, 29/11/2023).  

Figura proeminente da campanha presidencial de Lula da Silva em 2022 e responsável por espalhar lorotas nas redes sociais durante a campanha, o deputado Janones propagou a esmo uma sórdida e abominável maneira de fazer política: dedicou-se a acusar adversários de Lula atabalhoadamente.

O deputado mineiro se ocupou dessa atuação política execrável apoiado e sustentado pelo PT. Os petistas o entronizaram no pedestal da hipocrisia.

“A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), saiu em defesa do deputado aliado do governo André Janones” (R7, 29/11/2023).

Gleisi declarou: “Estamos solidários”. (Veja, 26/11/2023).

 Assim fica difícil entender.

Quando a “rachadinha” é praticada por adversários do PT é criticada e quando feita por aliado do PT é razão de solidariedade do partido?

Néscio e estabanado, o deputado Janones está se mostrando o que muitos brasileiros já sabiam: espantoso mentecapto e hipócrita.

Com imenso rabo de palha, o deputado passou perto do fogo e está se queimando.

As evidências são tantas, porquanto reveladas em áudio gravado por ex-assessores, que o alienado deputado mineiro já se encontra em meio a labaredas.

O deputado Janones nasceu em Ituiutaba (MG), terra do ator, cantor e compositor Moacyr Franco que também foi deputado federal por São Paulo (1983-1987). A esta altura, o correto Moacyr deve estar envergonhado.

A imprensa noticia que o deputado está sendo alvo da Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e Procuradoria Geral da República.

araujo-costa@uol.com.br

Os donos do Brasil

Ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Roberto Barroso, do STF/Reprodução Google

Quem costuma ler este blog sabe minha opinião relativamente ao senador Jaques Wagner (PT-BA) já expressada noutras ocasiões: dos três senadores da Bahia ele é único que tem cara, pinta e jeito de senador e é senador.

Jaques Wagner é petista histórico. Ninguém é perfeito.

Aos fatos.

O Senado Federal, que tem a atribuição constitucional de fazer leis, aprovou, de acordo com suas prerrogativas, restrições à atuação de ministros do STF que, em decisões monocráticas (individuais), deitam e rolam.

O cerne da votação é este: o Senado Federal quer que decisões que contrariem atos de autoridades como, por exemplo, presidente da República, presidente da Câmara, presidente do Senado, et cetera, sejam tomadas pela colegialidade (todos os ministros do STF) e não somente por um, individual e monocraticamente.

O senador Jaques Wagner votou a favor da PEC e teve papel fundamental na aprovação.

Os donos do Brasil, ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso se irritaram com o Senado porque cumpriu o seu papel constitucional, ou seja, legislou.

Inacreditável, mas os ministros não gostaram que o Senado exercesse sua função constitucional. 

A irritação chega a ser inoportuna, desnecessária, ridícula.

Dizem os comentaristas da GloboNews, vedetes esnobes do jornalismo patético, que a irritação de Suas Excelências deve-se ao fato de os senadores não os terem “consultado” sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que iam votar.

Mais, segundo a GloboNews: alguns ministros do STF fizeram contato com senadores e pediram para esses parlamentares votarem contra a PEC, o que é interferência descabida na função legislativa.

Perguntas óbvias, necessárias:

Onde está escrito na Constituição Federal que o Senado Federal e a Câmara dos Deputados são obrigados a “consultar” ministros do STF sobre matéria que vão votar?

Onde estão a autonomia e a independência do Poder Legislativo previstas na Constituição da República?

Ainda segundo os comentaristas do jornalismo da GloboNews, o STF exigiu do Palácio do Planalto que substitua o senador Jaques Wagner na liderança do governo no Senado Federal.

Lula vai atendê-lo?

Se Lula da Silva se curvar a esse absurdo e tirar Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, estará abdicando da soberania do voto popular, apequenando-se e espezinhando suas prerrogativas de chefe do governo.

Outra pergunta óbvia, necessária:

Onde está escrito na Constituição Federal que ministros do Supremo Tribunal Federal decidam sobre atos privativos do Presidente da República, mormente indicação de ministros e líderes do governo no Congresso Nacional?

O fato é que alguns ministros do STF se acostumaram a mandar nos demais poderes da República e o Congresso Nacional sempre ficou de cócoras para esses ministros que se acham intocáveis, por uma razão muito simples: são os ministros do Supremo Tribunal Federal que processam e julgam deputados e senadores quando apanhados em malfeitos.

 “Tudo de mais é veneno”, segundo o ditado popular. A prática corriqueira do STF de interferir no Congresso Nacional e decidir monocraticamente sobre atos dos outros poderes atingiu esse patamar confuso, insuportável.

Um exemplo de interferência de ministro do STF em atos do Poder Executivo: quando Dilma Rousseff, na condição de presidente da República, nomeou Lula da Silva para seu ministro-chefe da Casa Civil, Gilmar Mendes suspendeu o ato da presidente, monocraticamente. Lula já havia tomado posse.

Pergunta, óbvia, necessária:

A prerrogativa de nomear ministros do governo é ou não é do presidente da República?  

Mas voltemos ao senador da Bahia. 

O que o senador Jaques Wagner tem com esse quiproquó?

Nada, pelo menos aparentemente. Cumpriu seu dever de senador da República e votou a favor da aprovação da PEC. Mesmo na eventualidade de haver conchavos e acordos parlamentares por trás dessa sua decisão, isto não exclui a prerrogativa de votar como bem entende.

O Senador Jaques Wagner tem razão ao cumprir o seu papel e votar de acordo com sua consciência. Foi eleito para isto. É o mínimo que se espera de um parlamentar decente, correto, responsável. 

Todavia, como Lula da Silva deve seu mandato e a alma a esses ministros donos do Brasil, certamente vai conversar com eles para amenizar a situação caótica pela qual passam o governo, o Senado Federal e o STF.

No fim dá tudo certo. O Brasil não vai acabar.

 araujo-costa@uol.com.br   

Chorrochó, registro do tempo: Josepha Alventina de Menezes

Encontro, em meus arquivos, em papel amarelado pelo tempo, uma homenagem prestada pela família Menezes à professora Josepha Alventina de Menezes (1893-1987), hoje nome de escola em Chorrochó.

Já se vão, por aí, 36 anos. Reproduzo-a abaixo para registro e lembrança.

D. Nilinha, como era conhecida, foi um esteio do ensino e da Igreja de Chorrochó.

Exerceu, durante décadas, papel fundamental na instituição religiosa Apostolado da Oração e nas atividades da Igreja de Senhor do Bonfim.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva, Bolsonaro e a faixa presidencial

“Nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo” (San Tiago Dantas, jornalista, jurista e político de esquerda, 1911-1964)

Quem conhece Lula da Silva de perto sabe que ele é especialista em dizer lorotas e jogar para a plateia.

Lula sabia. A direção do PT sabia. Jornalistas bem informados sabiam. Políticos experientes sabiam.

O ex-presidente Bolsonaro não passaria a faixa presidencial a Lula. Não havia clima. Parte de nossa sociedade ainda não aprendeu a diferença entre inimigo pessoal e adversário político.  

Contudo, com o intuito de jogar para a plateia lulopetista e toda esquerda diurética que o apoiou, em toda oportunidade que teve, Lula criticou Bolsonaro por ter saído do Brasil. Continua criticando.

Em café da manhã com jornalistas, Lula disse: “A única coisa que eu não queria era que Bolsonaro me passasse a faixa” (G1, 12/01/2023).

Lorota. Lula queria receber a faixa de Bolsonaro para vê-lo sendo vaiado. O PT queria. Os amigos de Lula queriam. Os apoiadores de Lula queriam. A massa de manobra lulopetista queria.

A entrega da faixa ao presidente que entra pelo presidente que sai não é requisito obrigatório.

Há precedentes de presidentes que não passaram a faixa e não houve estardalhaço, porque não se trata de nenhuma transgressão ou quebra de protocolo, mas episódio comum, sem muita importância.

É uma formalidade dispensável. Serve para o presidente tirar fotos, publicar em revistas e jornais. Nada mais do que isto.

Tanto isto é sem muita importância que o cerimonial de Lula da Silva fez aquele exibicionismo inusual na rampa do Palácio do Planalto no dia da posse e o presidente recebeu a faixa das mãos de pessoas do povo.

Não é a faixa presidencial que empresta seriedade ao cargo de presidente da República, mas o caráter do ocupante. Ah, o caráter!

A foto oficial do presidente com a faixa não é feita no momento da posse, mas em ambiente adredemente preparado. Assim foi com todos os presidentes, assim continuará sendo.

Em 15/11/1894, o presidente Floriano Peixoto não transmitiu o cargo para Prudente de Moraes.

Prudente de Moraes foi o presidente que em seu governo (1894-1898) mandou dizimar Canudos, matou milhares de sertanejos da Bahia, exterminou o beato Antonio Conselheiro e a história o entronou como o vencedor da Guerra de Canudos.   

O general-presidente João Figueiredo, último do regime militar, não passou a faixa para Sarney e chegou a espinafrá-lo depois:

“Sempre foi um fraco, um carreirista. De puxa-saco passou a traidor. Por isso não passei a faixa presidencial para aquele pulha. Não cabia a ele assumir a Presidência” (Entrevista a IstoÉ, 1999).

No que tange a Lula da Silva e Bolsonaro, o fato é explicitado no livro O Tribunal – Como a Suprema Corte se uniu ante a ameaça autoritária, de autoria dos jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber (UOL, 22/11/2023).

Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-advogado do PT, ex-assessor do então todo poderoso petista José Dirceu e próximo de Lula, aconselhou Bolsonaro a deixar o País e não passar a faixa presidencial ao novo presidente.

O argumento do ministro Toffoli se revestiu de visível sensatez: o País estava dividido e Bolsonaro receberia vaias no evento de transmissão do cargo, o que era previsível e constrangedor para o ex-presidente.

País dividido, Lula venceu por uma diferença aproximada de 1,8% dos votos, mas o que vale é a vitória, não a porcentagem.

Como Bolsonaro sempre manteve boas relações com o ministro Toffoli, essa circunstância deve ter pesado na decisão de se ausentar do Brasil.

Lula sabia disto, mas não disse. O PT sabia disto, mas não disse.

Como se vê, nem tudo que Lula e o PT dizem deve ser levado a sério.

araujo-costa@uol.com.br

Câmaras Municipais: carreirismo impede o surgimento de novas lideranças

A história das câmaras municipais começa no Brasil Colônia. Salvo engano, a primeira câmara municipal foi a de São Vicente (SP), em 1532.

Somente possuíam câmaras municipais as localidades que tinham status de vila. Essa condição era decretada por ato régio da Coroa portuguesa.

Adveio o Império e a Constituição de 1824 fixou a duração da legislatura em quatro anos.

Com o surgimento da República, as câmaras municipais foram dissolvidas e os governos estaduais nomeavam os membros do “conselho de intendência”.

O intendente, que assemelhava-se ao prefeito de agora, foi criado em 1905 e essa figura jurídica permaneceu até 1930, quando foram criadas as prefeituras.

Somente com a Revolução de 1930, as câmaras passaram a desempenhar o papel de casas legislativas propriamente, mas foram fechadas entre 1937 e 1945, período do Estado Novo varguista. Em 1945 adquiriram o formato que ainda possuem.

No modelo atual, as Câmaras Municipais foram estruturadas, a princípio, pela Constituição de 1988, que delineou as bases e os vícios que ostentam. Mas impôs limites, alguns limites.

Tudo isto pra dizer que até a metade de 1960 o cargo de vereador não era remunerado, mas os edis mantinham o status de líderes municipais e até, em alguns casos, a liderança passava de pai para filho, como ainda hoje.

O vereador ou o prefeito de ontem é o pai do vereador ou do prefeito de hoje, de sorte que a atividade política se fecha num círculo familiar inevitável.

A democracia também constrói equívocos, vícios, privilégios.   

Em 1977, no regime militar então capitaneado pelo general-presidente Ernesto Geisel foi instituído o salário de vereador, que tem o pomposo nome de subsídio. Antes, somente os vereadores das capitais gozavam desse benefício salarial.

O intuito de Geisel, segundo a história, foi angariar apoio político nas bases interioranas e fortalecer a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido que dava sustentação à ditadura militar.

Não mudou muito.

Hoje o presidente da República de plantão abarrota os bolsos dos membros do Congresso Nacional (senadores e deputados federais) com as chamadas emendas parlamentares, emenda de relator, emendas impositivas, etc. Outros presidentes também o fizeram, cada um a seu modo, viabilizando-as.

Em consequência, os parlamentares continuam dando sustentação, desta vez não mais à ditadura militar, mas à ditadura do Poder Judiciário, também conhecida como ditadura da toga que, de fato, manda no Brasil atual.

Poder Executivo e Poder Legislativo hoje são enfeites de nossa combalida República. Executivo e Legislativo vivem de cócoras para o Supremo Tribunal Federal, que dita as regras, restringe atos dos demais poderes e interfere em suas decisões, sem nenhum pudor.

Nesse cenário, os vereadores se valem do assistencialismo. Alegam que trabalham para a população em tempo integral, são espécies de “despachantes do povo”. Muitos deles se intermediam entre a Câmara Municipal e a Prefeitura visando carrear benefícios próprios que dizem de interesse da população.

Nesse vai-e-vem parlamentar, os vereadores negociam seus votos com o Executivo e apoiam projetos e atos do alcaide.  O que menos fazem é legislar.

O carreirismo eleitoreiro passa a fazer parte da vida dos vereadores, de sorte que essa circunstância impede o surgimento de novas lideranças, até em razão de falta de lastro financeiro e eleitoral junto à população.

Quem está há mais tempo em contato com o poder tem experiência, votos, conhecimento, sabe os caminhos em direção às benesses. Aí reside a dificuldade do surgimento de novos líderes.

Outra anomalia que apequena as Câmaras Municipais é esta: na maioria dos municípios os vereadores se reúnem apenas uma vez por semana ou, no máximo, duas vezes, o que afronta a população que paga seus subsídios e mordomias do cargo.

Como se sabe, a carga horária do cidadão comum excede, em muito, essa mamata dos afortunados edis.   

Entretanto, vícios, erros e arestas podem ser aparados, aperfeiçoados, descartados, excluídos.

Ainda assim, as Câmaras Municipais são os andaimes da democracia e essenciais ao viver cotidiano da população.

A essencialidade das Câmaras Municipais se sustenta na soberania do voto popular e isto é o bastante.

araujo-costa@uol.com.br

Os parasitas e sanguessugas do Poder Judiciário

Além dos muitos privilégios que desfrutam, inclusive férias de 60 (sessenta) dias, os juízes federais reivindicam mais uma vergonha: a cada 03 (três) dias trabalhados, querem 01 (um) dia de folga, que pode ser paga em dinheiro.

É possível acreditar num descalabro desses vindo do Poder Judiciário?

Mais: querem embolsar R$ 241 milhões em supostos benefícios já extintos, ou seja, benefícios que já foram, “pagos e repagos inúmeras vezes”, segundo a ministra Maria Tereza, do Superior Tribunal de Justiça (Folha de S. Paulo, 18/11/2023).  

Um acinte aos brasileiros que passam fome e pagam os salários do Poder Judiciário, além das mordomias estratosféricas, inclusive jatinhos, bebidas e festas nababescas.

Como se não bastassem as aposentadorias dos inúmeros juízes corruptos que se enveredaram pelo crime e têm como punição máxima a aposentadoria paga com os impostos que os brasileiros arcam.

No Brasil, para os magistrados, o crime compensa.

O Brasil precisa mudar.     

Mas como mudar se, por exemplo, o Brasil tem como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um ministro ativista político, cujo vocabulário deplorável que usa, incompatível com a linguagem de magistrado, vai na linha do “Perdeu Mané”?

Mesmo assim, o Brasil precisa mudar.

A mudança está nas escolas, nos professores.

A educação de nossos jovens é o único caminho possível para que no futuro não tenhamos magistrados corruptos e ativistas políticos comandando o Poder Judiciário, mas juízes probos, sérios e éticos.

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