Memória de Chorrochó: Marieta Argentina de Menezes

Marieta Argentina de Menezes/Arquivo Professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

A história de Chorrochó registra que em 03.12.1939 a professora Marieta Argentina de Menezes formou-se pela Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, de Petrolina, tradicional estabelecimento de ensino daquela cidade pernambucana.

Sabe-se que foi a primeira professora formada em magistério no município.       

Quando Chorrochó ainda engatinhava em busca de seu próprio destino, a professora Marieta desempenhava, com altivez, o glorioso ofício de ensinar.

Ensinou respeito, ensinou dignidade, ensinou o caminho para que seguidas gerações vislumbrassem os horizontes que sonhavam.

Chorrochó ainda não prestou o reconhecimento a essa que foi um dos pilares da educação local e construtora de sua história.

Embora todos os meus pleitos feitos à Prefeitura de Chorrochó tenham sido peremptoriamente negados pela última safra de prefeitos, insisto em minha insignificância e deixo aqui uma sugestão: quando Chorrochó tiver, se um dia tiver, uma biblioteca municipal à altura do município, seja colocado o nome de Biblioteca Professora Marieta Argentina de Menezes.

A professora Marieta foi, indubitavelmente, um esteio que sustentou a educação e a cultura de Chorrochó durante décadas, não apenas em sua condição de educadora, mas através da participação ativa e permanente na vida da cidade e do município.

Participou significativamente de todos os movimentos sociais, culturais e religiosos de Chorrochó do seu tempo. Destacou-se como exemplo de dedicação à Pia União das Filhas de Maria e ao Apostolado da Oração, instituições históricas vinculadas à Igreja de Senhor do Bonfim.

Quando não se falava em ecologia, verde, sustentabilidade e outros penduricalhos mais que temos hoje, a professora Marieta já plantava árvores nas ruas de Chorrochó para perenizar o respeito à natureza e preparar a mente das novas gerações.

A professora Marieta era católica tradicional, fervorosa admiradora da causa dos Santos da Igreja e firme defensora dos valores da família.

Suas palavras sempre foram de alento e esperança, nunca de desânimo, mormente quando em contato com os jovens.     

Teve uma visão de futuro que as gerações de hoje desconhecem. E desconhecem porque a história de Chorrochó vem definhando, em razão da falta de empenho dos órgãos que têm o dever de sustentá-la.  

Tenho dificuldade de entender porque pessoas que construíram a história de Chorrochó sempre foram deixadas à margem das preocupações das instituições municipais que se dizem empenhadas em cuidar da cultura do lugar.

Mesmo em sua senectude a professora Marieta não permitiu que se ofuscasse o brilho de grande mestra e exemplo inegável de vida.

Ostentava, com dignidade absoluta, o símbolo da mulher de Chorrochó, parâmetro de como se deve viver em sociedade: elegante, educada, respeitadora, humilde, extremamente ética.

Marieta Argentina de Menezes/Arquivo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes

Marieta Argentina de Menezes faleceu em 24.03.2018 aos 100 anos.    

araujo-costa@uol.com.br   

Sertão da Bahia e a constatação do deserto

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 “Quando a lama virou pedra e mandacaru secou, quando ribaçã de sede bateu asa e voou.” (Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga)

Os mais experientes e abalizados pesquisadores do semiárido nordestino são os sertanejos de rosto vincado pelo tempo, sol escaldante, sofrimento diário e ininterrupto. Esses entendem de tudo, quando o assunto é seca, Nordeste, intempéries e experiência de luta.

Não frequentaram universidades, nem fazem parte de doutos institutos de pesquisas.

A imprensa vem noticiando, com estardalhaço, que “pela primeira vez, especialistas identificaram uma região de clima árido no Brasil, um dado surpreendente e alarmante que tem uma explicação clara: as mudanças climáticas causadas pelo homem” (G1, 21/01/2024).

“O trecho de quase 6 mil km2 fica no centro-norte da Bahia e abrange toda a área das cidades de Abaré, Chorrochó e Macururé, além de trechos de Curaçá, Juazeiro e Rodelas, municípios baianos que fazem fronteira com o sertão pernambucano”, ainda segundo o G1.

A imprensa contextualiza: “A aridez é a falta crônica de umidade no clima, iniciando um desequilíbrio constante entre oferta e a demanda de água. Ela é permanente e, por isso, difere da seca, período temporário de condições normalmente secas” (G1, 21/01/2024).

Os especialistas que “pela primeira vez identificaram uma região de clima árido no Brasil” estão atrasados pelo menos alguns séculos, com toda e respeitosa data venia, elevado e absoluto respeito à Ciência, aos pesquisadores e às instituições que cuidaram do estudo.

As calamidades oriundas das secas veem de séculos. Tem-se registro de seca intensa já em 1792.

A história registra grandes secas no Nordeste de 1877 a 1879. Ainda no Império, o Brasil perdeu entre 400 e 500 mil pessoas, em razão da seca desse período.

Não havia água, não havia umidade do clima.

Já àquela época houve emigração em massa. O êxodo de nordestinos em direção a outras regiões se acentuou em razão das grandes estiagens, atestando que já havia “desequilíbrio constante entre a oferta e a demanda de água”. Agora os pesquisadores definem a escassez de chuvas como aridez. Ou não?

São conhecidas, por exemplo, as estiagens prolongadas cearenses, a desertificação e o descalabro causados pela seca de 1915.

“Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo dos sacos vazios, na descarnada nudez das latas raspadas.” (Rachel de Queiroz, O Quinze).

O sofrimento nordestino é retratado, dentre muitas passagens da história, em A Triste Partida, do poeta cearense Patativa do Assaré, eternizada na voz de Luiz Gonzaga; em Vidas Secas, de Graciliano Ramos e em tantos outros registros inquestionáveis.

Não tenho nenhum conhecimento científico para questionar preparados e dedicados pesquisadores, mas de novo, data venia, ouso afirmar que se trata apenas de uma constatação e não de uma novidade.

Faço minha pergunta de leigo, quiçá de ingênuo escrevinhador: os pesquisadores, para robustez de seu estudo, ouviram sexagenários, septuagenários, octogenários, outros tantos e, sobretudo, jovens universitários da região, para embasar esse estudo que reputo questionável?

O sertão da Bahia não pode ser uma estatística, mas uma realidade. A realidade do Nordeste é o próprio nordestino.

Salvo engano, o interesse por estudos dessa natureza veem se prolongando há pelo menos 60 anos.

Em consequência, o retro aludido estudo é respeitável e meritório, mas daí a acrescentar grande novidade à situação climática da caatinga da Bahia, não parece surpresa razoável, tampouco alarmante. Preocupante, sim. Sempre foi preocupante. Sempre será preocupante.

Qual a novidade em constatar que no centro-norte da Bahia há “escassez forte de chuvas”, como diz o estudo?

Post scriptum:

O estudo foi feito pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), duas respeitáveis instituições.

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A reforma milionária da casa do ministro.

Ministro Benedito Gonçalves. Foto: Gustavo Lima/STJ/Divulgação/Estadão

Benedito Gonçalves, antes discreto ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), está surfando na fama e na mordomia.

A grande imprensa o transformou em estrela porque, na condição de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Corregedor-Geral Eleitoral, foi o relator do processo que tornou inelegível o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.

O voto do ministro foi decisivo para extirpar Bolsonaro das próximas disputas eleitorais.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) está reformando o imóvel onde Sua Excelência passará a residir no Lago Sul, região nobre de Brasília.

Custo da reforma: R$ 950.868,81. Quase R$ 1 milhão.

Quem paga a reforma milionária da casa do ministro?

Resposta simples, lógica, previsível: Os impostos dos sofridos brasileiros.

“Segundo a ONU, o Brasil tem 21 milhões de pessoas que não têm o que comer todos os dias” (UOL, 19/01/2024).

O ministro não deve saber disto e quiçá nem lhe interessa saber.

O importante para Sua Excelência deve ser o conforto. Afinal, o homem é famoso, trabalha muito, faz parte da elite intocável.

O imóvel é funcional, ou seja, é destinado pela República a residência de autoridades. De graça.

Esta anomalia vem do tempo da construção de Brasília. O presidente Juscelino Kubitscheck criou as residências funcionais para viabilizar a mudança de servidores públicos da então capital federal Rio de Janeiro para Brasília. Compreensível à época.

A incongruência persiste até hoje. A elite não muda esta realidade, não quer mudar, não interessa mudar.

Mesmo o ministro do STJ ganhando salário base de aproximadamente R$ 39,5 mil, mais penduricalhos e mordomias do cargo que os tornam estratosféricos ditos vencimentos, nós pagamos para ele morar em bairro elitista de Brasília.

Creiam. O Brasil tem jeito.

Basta investir na educação, abrir a mente das atuais e futuras gerações.  

Em tempo:

“De acordo com o portal Uol, fonte da informação, depois da repaginada, o imóvel deve ser ocupado por Benedito Gonçalves. O nome do ministro não foi confirmado ou negado pela assessoria do STJ” (Diário do Poder, 17/01/2024).

araujo-costa@uol.com.br

Governo e oposição de Chorrochó

“Nunca interrompa seu adversário quando ele estiver no caminho errado.” (Napoleão Bonaparte, estadista e militar francês, 1769-1821).

Eloy Netto/Reprodução redes sociais

Em política é elementar que o erro do adversário viabiliza a vitória do concorrente.

A julgar pela enxurrada de críticas à administração do prefeito Humberto Gomes Ramos - e não é crítica somente de adversários – é razoável entender que Chorrochó não vai muito bem das pernas.

Então, em quatro assim, resta à oposição de lá deixar o prefeito continuar errando e não atrapalhar o caminho do alcaide para ver se, nas urnas de 2024, ela possa colher algum resultado favorável.

Difícil, todavia. Vislumbrar qualquer vitória dos opositores do prefeito nas eleições de 2024 não está no horizonte eleitoral. É razoável prever que o prefeito Humberto fará seu sucessor tranquilamente. Aliás, ele sempre soube driblar adversários com maestria.

O problema de Chorrochó – e não sei se isto chega a ser um problema – é que não existe oposição vigilante ao prefeito do município, que segue livre, sem nenhum obstáculo no caminho.

Há alguns nomes que se dizem de oposição e outros que, embora se intitulem como tais, são de araque, na linha parece, mas não é.

São de oposição Eloy Netto, José Nilson Rodrigues (Nilsinho), Eliete da Conceição e Marcelo Almeida, se não mudarem a toada e o discurso.

Marcelo Almeida/Reprodução redes sociais

Há outros, dentre esses: Silvandy Costa Alves (Bady) e o ex-prefeito Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião) que se dizem de oposição, mas com atuação morna e sofrível, fato que só beneficia o prefeito Humberto Gomes Ramos.

O vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), que não tem nenhum pendor para o Executivo, parece que escolheu a mesmice, escorado no comodismo, sempre esperando a reeleição para a Câmara Municipal.   

A médica Socorro Carvalho que, noutras ocasiões, despontou com grande favoritismo e circulou no campo da oposição, parece desapontada com a seara política e, pelo que se sabe, não está se colocando como opção em 2024, por enquanto.

O fato é que a raquítica oposição de Chorrochó vem se desidratando ao longo dos anos ou, no mínimo, se transformando num tosco e mal acabado monumento à ficção política.

“Em política, sempre é preciso deixar um osso para a oposição roer.” (Joseph Joubert, ensaísta francês, 1754-1824). Este não deve ser o caso de Chorrochó, mas o esfriamento da atuação dos adversários do prefeito é visível.

A oposição de Chorrochó gastou muito tempo laborando na ingenuidade estratégica e não conseguiu sequer assegurar razoável presença na Câmara Municipal nas últimas eleições.

“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se.” (Hegel, filósofo germânico, 1770-1831).

Mas se não há ideias contrárias para aperfeiçoarem a condução da gestão municipal, o prefeito Humberto ostenta as ideias dele. Neste ponto, não está errado, ocupa o vácuo que os opositores não preenchem.

O prefeito Humberto Gomes Ramos (PP) foi reeleito para o atual mandato com 67,99% dos votos válidos, o que retrata a pífia atuação dos adversários.

Nas eleições de 2024 será tudo como dantes.

Convenhamos, um resultado beirando 70% dos votos válidos, mais do que indicação de que a população estava satisfeita à época, significava sólida liderança do prefeito que, pelo que se vê, nada mudou.

Politicamente Chorrochó é o simulacro do Estado.

A Bahia tem índices escandalosos: 51,6% de pobreza, 7 mil mortes violentas em 2022, média de 18 por dia, e situa-se entre os piores índices de qualidade na educação.

Ou seja, a população da Bahia vai mal, mas apoia seguidamente os governantes do Partido dos Trabalhadores (PT), que pouco ou nada fizeram para minorar este estado de coisas.

A solução de todas essas incongruências está em nossos professores, em nossas escolas. São os professores que ensinam a pensar e a discernir a verdade da demagogia.

São os professores que transformam nossos jovens, que ensinam que promessas de campanhas não significam critério de boa escolha nas urnas.

O futuro está nos professores e nas novas gerações. Confiemos.

Observação:

A turma do politicamente correto diria: professoras e professores. Não importa. Há tempo de aprender.

  araujo-costa@uol.com.br

Jornalismo, amizade e infortúnio

Dezembro de 1968, dia 13.

O marechal Arthur da Costa e Silva, segundo presidente do movimento de 1964, editou o Ato Institucional número 5, o AI-5, que suprimiu, barbaramente, a liberdade no Brasil.

O jurista, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e ministro da Justiça Luís Antonio da Gama e Silva redigiu o macabro texto do Ato 5.

Naquele 13 de dezembro de 1968, no Palácio Laranjeiras, Rio de Janeiro, o regime militar passava a ter o poder de fechar o Congresso, cassar mandatos eletivos, suspender o habeas corpus para crimes políticos e confiscar bens. Começava aí o período mais duro da ditadura.

Uma escuridão baixou sobre as instituições nacionais e a ditadura tornou-se mais forte e cruel.

O governo dito revolucionário começou a determinar uma série de prisões de opositores, dentre intelectuais, jornalistas, estudantes, militantes de partidos políticos et cetera.

Um dia, a polícia do Exército prendeu Joel Silveira, sergipano de Lagarto, uma das maiores expressões do jornalismo da época, que escrevia nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.

Joel Silveira/Companhia das Letras

Joel era amigo de Carlos Heitor Cony, também jornalista e opositor do regime militar, mais tarde biógrafo de Juscelino Kubitscheck, membro da Academia Brasileira de Letras e articulista da Folha de S.Paulo.

Joel foi colocado numa cela do Batalhão de Guardas, no Rio.

– Sozinho eu não fico nesta joça. Vão buscar o Cony.

Os soldados saíram à procura de Carlos Heitor Cony e o encontraram a caminho da praia de Ipanema.

– O senhor está preso.

Levaram Cony para o Batalhão de Guardas e o colocaram na cela com Joel. 

– Poxa, Joel. Você me dedurou. Estava indo com uma morena para a praia.

– Não estrila, Cony. A vida aí fora está muito difícil. Vamos descansar aqui uns dias.

Ficaram presos e fizeram amizade com a polícia.

Carlos Heitor Cony/Ermira

Joel falou com Magalhães Pinto, dono do Banco Nacional e líder civil do movimento de 1964, para conceder empréstimos aos soldados que viviam numa pindaíba danada.

Dizia Carlos Heitor Cony que foram “as prisões mais avacalhadas” da ditadura, a dele e a de Joel. 

Joel e Cony eram amigos até no infortúnio.

araujo-costa@uol.com.br

O distraído ministro de Lula da Silva

Ao centro o ministro Márcio Macedo/Reprodução Diário do Poder

Nada de novo no reinado do PT.

O ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, foi pular o Pré-Caju em Sergipe, levou três assessores pagos com dinheiro público – inclusive o fotógrafo oficial – e quando questionado, disse que não sabia que o dinheiro saiu dos cofres públicos.

O gabinete do ministro, que ele comanda, autorizou o pagamento de R$ 18.559,27 para custear diárias e passagens dos sortudos assessores, segundo fartamente noticiado pela imprensa. Mas o ministro não sabia.

“A compra de passagens pelo Ministro Márcio Macêdo para ‘curtir’, com seus apaniguados, as folias de carnaval fora de época no seu reduto eleitoral, atenta contra a moralidade administrativa e constitui evidente desvio de finalidade no uso de recursos públicos. No caso noticiado, não houve interesse público a ser satisfeito, mas apenas o interesse privado do ministro e de seus apadrinhados, que veio a ser custeado com o suado dinheiro do contribuinte”, disse o subprocurador-geral junto ao TCU (Estadão/UOL,12/01/2024).

O ministro tentou explicar: “Houve um erro onde três assessores foram para Aracaju e utilizaram as passagens com recursos públicos”.

“Erro formal”, disse ele. Simples assim.

Então, tá.

Muito distraído este ministro.

Só faltou dizer que não se lembrava que esteve pulando o tradicional carnaval fora de época Pré-Caju e que seus assessores o acompanhavam.

Baiano de Esplanada, o ministro é radicado em Sergipe, que o elegeu deputado federal por mais de um mandato. Lá tem seu reduto eleitoral.

Professor e biólogo, não se sabe onde Sua Excelência foi encontrar fundamentos tão criativos para justificar tamanha obviedade: o uso indevido de dinheiro público para custear farra de assessores.

A imprensa mostrou exaustivamente a imagem de Sua Excelência pulando o carnaval fora de época, ao lado de Lurian Lula da Silva, filha do presidente Lula. Salvo engano, Lurian apoia o pré-candidato a prefeito de Barra dos Coqueiros (SE) pelo Partido dos Trabalhadores.  

Nada de novo no reinado do PT.

araujo-costa@uol.com.br

Censura e opressão são armas dos covardes

“Censura não protege ninguém” (Patrícia Blanco, Instituto Palavra Aberta, Educamídia, 24/03/2022)

A liberdade de pensamento e de expressão está na Constituição e nas leis.

Defender a censura é oprimir, maltratar, espezinhar o que nos resta de democracia.

Não basta sair por aí, alardeando, que o Brasil é um país democrático.

Democracia pressupõe igualdade de direitos e de deveres. No Brasil não é assim.

Que país democrático é o Brasil, onde uma juíza do Rio de Janeiro recebeu somente no mês de novembro de 2023 R$ 1 milhão e 119 mil de salário e penduricalhos, enquanto milhões de brasileiros passam fome, não têm o que comer?

“Com o pagamento de R$ 1.077.872,30 em direitos eventuais, o holerite bruto da juíza bateu em R$ 1.119.493,22. Com descontos de R$ 17.835,47 – não relacionados ao corte pelo teto constitucional -, o rendimento líquido da magistrada foi de R$ 1.101.657,75” (O Estado de S.Paulo, 05/01/2024).

A censura que muitos desejam implantar no Brasil talvez tenha o objetivo de não se publicarem notícias como esta. Preservar as elites inescrupulosas.

Democracia é igualdade de direitos e nesses se incluem ter o que comer, onde morar, educar os filhos, viver com dignidade.

Se assim não for – e não é – democracia no Brasil é para os ricos.

Qualquer sinalização ou tentativa de mudança desse quadro de privilégios, os poderosos se levantam contra. Os exemplos estão aí, pululam, agridem nossa inteligência. 

É preciso defender o direito de ser democrático, de exercer a liberdade individual sem arranhar a liberdade nem ferir o direito do outro.

A democracia há de ser ampla e não apenas para alguns.

Lembrete aos aprendizes de censores:

“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão” (artigo 19, da Declaração Universal dos Direitos Humanos).

“É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou ideias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer” (Lei 5.250, de 09/02/1967).

“É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” (Constituição Federal, artigo 5º, inciso IV).

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal).

Censura e opressão são armas dos covardes.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva acertou.

Ricardo Lewandowski/Agência Brasil

Lula mandou o prolixo Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal, onde vai se juntar aos donos do Brasil e à arrogância que abunda por lá.

O STF é o lugar adequado para Flávio Dino. Ele adora holofotes. Mas entende de Direito, qualidade indispensável para quem vai exercer a suprema magistratura.

Como dizem os doutos e a lógica, entender Direito é condição sine qua non para exercer a função de juiz. Na prática não é bem assim.

Se, no exercício da magistratura, Flávio Dino se afastar da pequenez que legitimou sua atuação política, certamente será um bom juiz.

Se, ainda, Flávio Dino contribuir para recolocar o STF no nobilíssimo lugar de Suprema Corte e retirar do tribunal o caráter de intrusão do ativismo político, sairá de lá não como mais um opaco ex-ministro, mas na condição de um respeitável ex-ministro, merecedor da admiração dos brasileiros.

Enrique Ricardo Lewandowski será o novo ministro da Justiça, se nada mudar. É experiente, íntegro, decente, tem envergadura moral e conhecida postura que se exige de quem deve exercer função pública.

Intelectual de alta referência, Lewandowski é formado em Ciências Políticas e Sociais e em Ciências Jurídicas e Sociais.

É Mestre, Doutor e Livre-docente em Direito do Estado.

Dentre outras funções, foi secretário de Governo e de Assuntos Jurídicos de São Bernardo do Campo, Juiz do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo, Desembargador em São Paulo, ministro do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal.

Lewandowski é da cozinha de Lula da Silva?

É. Sempre foi. Mas não parece que isto deslustre sua atuação de ministro.

Embora aliado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e históricas decisões que tomou em favor de petistas nalgumas ocasiões, isto não lhe retira a condição de probo e correto.

Não se devem misturar alhos com bugalhos.

Desta vez, Lula da Silva acertou.

E o ministério da Justiça se robustece com a presença de Lewandowski.

araujo-costa@uol.com.br

A Câmara de Chorrochó e o cipoal de aditivos

“Chora, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te. É a mesma coisa.” (Machado de Assis, Quincas Borba)

Ao apagar das luzes de 2023, a Câmara Municipal de Chorrochó prorrogou e ratificou, sustentada em lei, pelo menos 12 contratos firmados com empresas versando sobre prestação de serviços e fornecimentos à Edilidade.

Total dos termos de aditivos: R$ 650 mil.

Medidas formalmente adequadas e com amparo na legislação. Os termos de aditivos delineiam, por óbvio, os fundamentos legais em que se sustentam os respectivos atos da Câmara.

Conseguintemente, os atos são legais, formalmente inquestionáveis, salvo melhor juízo.

Em quadro assim, é razoável entender que os aditivos também devem estar moralmente amparados, o que é fundamental no exercício da função pública, até porque é conhecida a idoneidade, dignidade e honradez da atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Chorrochó.

Entretanto, parece que Chorrochó ressente-se da ausência de valoração das prioridades de sua população.

O município caminha para 70 anos de emancipação. Inobstante, a Câmara Municipal ainda precisa buscar prestadores de serviços em longínquos municípios porque, pressupõe-se, há escassez de profissionais em Chorrochó que preencham os requisitos para contratar com o poder público.

O fato é que a totalidade dos aditivos contratuais aludidos chega a R$ 650 mil para vigorarem no exercício de 2024, todos, à exceção de um, firmados com empresas de outros municípios.

Os contratos versam sobre assessoria e consultoria em recursos humanos, digitalização, gerenciamento eletrônico, implantação de dados, controle interno, assessoria jurídica, alimentação do sistema de contabilidade e avaliação de bens públicos, dentre outros.

As empresas que contrataram com a Câmara de Chorrochó sediam-se em Antonio Gonçalves, Santa Brígida, Itiúba, Salvador, Paulo Afonso e Abaré, de modo que somente o fornecimento de material de expediente, higiene e limpeza coube a uma empresa do município.

A Câmara contratou a locação de 02 veículos em que figura como locadora uma empresa de Paulo Afonso: 01 veículo para a presidência e o outro para uso geral dos vereadores.

O contrato de locação totaliza R$ 120 mil, 10 mil por mês, o que sugere o seguinte questionamento: não seria mais razoável a Câmara Municipal comprar os veículos de uso necessário e indispensável e os incorporar ao patrimônio da Edilidade?

A locação dá a impressão – e só a impressão – de que se trata de escoamento indefinido do dinheiro público em detrimento das necessidades mais prementes da população.

Por outro lado, o controle interno da Câmara Municipal, que é uma atividade fácil, corriqueira e elementar – e prescinde de especialização – se vale de assessoria e consultoria externa amparada em contrato com empresa de outro município.   

Até a “avaliação in loco, levantamento, controle e reavaliação dos bens públicos” da Câmara foi confiada a uma empresa do município de Itiúba, distante aproximados 290 km de Chorrochó.

A assessoria e consultoria em recursos humanos, os serviços de apoio à comissão de licitação da Câmara e a alimentação do sistema de contabilidade foram confiadas a empresas de Antonio Gonçalves, município distante aproximadamente 360 km de Chorrochó.

Portanto, três empresas do município de Antonio Gonçalves são contratadas da Câmara Municipal de Chorrochó.

Todavia, nesse cipoal de aditivos, uma notícia alvissareira: a Câmara prorrogou o contrato com uma instituição de Salvador “objetivando a implementação da publicidade e transparência institucional municipal”, o que, nesse cenário incompreensível, chega a ser um avanço.

Como se vê, em Chorrochó só a função legislativa em si não é terceirizada, por óbvia imposição constitucional.  

Todos esses atos da Câmara Municipal de Chorrochó e outros eventualmente editados serão apreciados e certamente aprovados pelos órgãos de controle de contas, a exemplo do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Todavia, essa circunstância não exclui o dever de Suas Excelências, vereadoras e vereadores de Chorrochó, refletirem mais sobre a nobreza da representação popular que a voz das urnas lhes atribuiu em defesa dos interesses da população.

São aditivos demais para um município tão carente de prioridades.

araujo-costa@uol.com.br

Três Marias de Chorrochó

Da esquerda para direita, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes e Maria Rita da Luz Menezes/Crédito: álbuns da família

Estas três Marias nasceram em tempo de primavera, estação que lembra flores e indica amenidade e alegria.

As três esteiam-se no mesmo tronco familiar e se sustentam nas mesmas tradições, através de vínculos muito próximos.

As três são católicas praticantes e devotas de Senhor do Bonfim e têm prestado relevante contribuição à Igreja de Chorrochó.

As três fazem parte da sociedade chorrochoense e são exemplos de boa índole, seriedade, afabilidade e candura.

As três são professoras e a esse mister de ensinar se dedicaram durante muito tempo. 

Os nomes são conhecidos, sobejamente conhecidos: Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes e Maria Rita da Luz Menezes. 

Mas não fica bem, segundo as regras de etiqueta social, que  discordo, declinar a idade destas distintas senhoras, razão por que deixo de fazê-lo.

Todavia, não me esquivo de dizer que já viveram algumas décadas, graças a Deus. E se isto pode denunciar a idade, não lhes tira o brilhantismo. Ao contrário, releva-os.

As três são interessadas pela história de Chorrochó, pelo andar de Chorrochó e pela gente de Chorrochó.

As três Marias estudaram na Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio, em Belém do São Francisco, Pernambuco. Formaram-se em 1957.

No ano seguinte – 1958 – prestaram concurso no Estado da Bahia para professora primária e todas foram aprovadas para lecionar no município de Chorrochó.

As três foram alunas da professora Josepha Alventina de Menezes (D. Nilinha), ícone da educação e da história de Chorrochó.

Maria do Socorro Menezes Ribeiro é filha de Izabel Argentina de Menezes (Biluca) e Dorotheu Pacheco de Menezes; Maria Therezinha de Menezes é filha de Antonia Rodrigues Lima e José Cordeiro de Menezes (Juca); Maria Rita da Luz Menezes é filha de Maria Alventina de Menezes (Iaiá) e Joviniano Cordeiro de Menezes.

Casaram-se em Chorrochó. Maria do Socorro Menezes Ribeiro com Virgílio Ribeiro de Andrade; Maria Therezinha de Menezes com Antonio Pacheco de Menezes Filho; Maria Rita da Luz Menezes com Francisco Lamartine de Menezes.

Esta crônica despretensiosa traz este registro incompleto e casual. Não tem o condão de enriquecer o conhecimento de ninguém, mas de reviver os esteios que Chorrochó foi construindo ao longo do tempo.

araujo-costa@uol.com.br