Lembrança de Curaçá: Ponciano Pereira Rêgo

Ponciano Pereira Rêgo/Reprodução facebook/Ponciano

“Minha lembrança mais intensa é a da minha aldeia.” (José Saramago, escritor português, 1922-2010)

Muito cedo na vida, conheci Ponciano Pereira Rêgo.

Tenho a data e local: 01/03/1974, Rua Coronel Pombinho, Centro de Curaçá.

Deu-se no contexto em que o prefeito Theodomiro Mendes da Silva buscou-me em Chorrochó para com ele trabalhar em sua primeira administração de Curaçá (1973-1977).  

Eu vivia em Chorrochó, simpático município sertanejo do Submédio São Francisco. Desfrutava do aconchego das admiráveis famílias Pacheco e Menezes, que sustentavam a vida política e as tradições do lugar.  

Theodomiro me captou, como se diz hoje. Coisas da amizade, coisas de amigos, coisas das circunstâncias.

Numa manhã Theodomiro me apresentou a Ponciano e teceu, ali mesmo, alguns comentários sobre aquele ilustre filho de Curaçá, que passei a admirá-lo.

Naquele tempo, Ponciano já vivia às voltas com as demandas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Curaçá que à época, salvo engano, ainda era administrado pela Fundação SESP, do Ministério da Saúde.

Mais tarde, em 1998, a gestão do órgão foi transferida ao município e daí em diante todos sabem a história escrita por diligentes e responsáveis gestores do SAAE, certamente aprendizes de Ponciano Pereira Rêgo, a exemplo de: Rosendo dos Santos Filho, Dione Maria Félix de Oliveira, Jean Marcelo de Amorim Aquino Ramos, Maurízio Bim e Roque José Soares Ferreira, dentre outros igualmente admiráveis que se estão por lá até os dias de hoje.

Há registro – e não sei se estou bem certo disto – que o SAAE de Curaçá foi criado em 1963 na administração do prefeito Gilberto da Silveira Bahia, ícone da história e do mundo político de Curaçá.  

O SAAE é uma respeitável instituição que já alcança seis décadas. Como se vê, o tempo atesta sua credibilidade.

Nestes dispersos fragmentos, ocupo-me de Ponciano Pereira Rêgo, que se destacou na sociedade curaçaense e se firmou como exemplo de caráter e decência.

A última vez que vi Ponciano foi em 1975. Nunca me esqueci de sua urbanidade, educação, presteza e exemplo de vida para toda e qualquer geração.

Observação necessária:

Tem razão o ilustre mestre Reginaldo Vieira, que leu esta crônica e me socorreu, em respeito à História de Curaçá.

Gilberto da Silveira Bahia foi prefeito no período de 1959 a 1963 e José Félix Filho (Zé Borges) foi prefeito em dois períodos: de 1963 a 1967 e de 1971 a 1973.

A criação do SAAE vincula-se ao período de José Félix Filho.

O equívoco deste cronista ficou claríssimo e não pode arranhar a História do município.

Faço a observação e agradeço a contribuição de Reginaldo Vieira.  

araujo-costa@uol.com.br     

Retratos de Patamuté, retratos da vida.

Da esquerda para direita: D. Didi, Elzinha e Ambrosina

Esta foto foi reproduzida do perfil de Nelson Cano no facebook.

Veem-se da esquerda para a direita, em Patamuté: D. Didi, Elzinha (esposa de Nelson Cano) e Ambrosina.

É um retrato da vida, retrato de um tempo em Patamuté. Coisas que o tempo atesta, sedimenta, pereniza.

Delanidia Matos (D.Didi) nasceu em Patamuté e se mudou para São Paulo ainda muito jovem. Constituiu família na terra bandeirante e por lá vive até hoje, graças a Deus.

A idade de D. Didi não vem ao caso dizer aqui, mas em respeito à História de Patamuté e a título de registro, presumo que esteja na casa dos noventa e três anos.

Estar na casa de noventa e três anos não significa dizer que a idade seja exatamente esta. Pode ser mais, pode ser menos.

Em Patamuté, a família de D. Didi fazia parte do que os antigos costumavam chamar “boa família”, ou seja, gente decente, ordeira, de caráter irrepreensível: a família Matos.

Os Matos de D. Didi são da mesma estirpe do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro chefe político de Patamuté.  

Por aí se vê, que D. Didi vem de família tradicional e, como tal, é um esteio que ajuda a sustentar a história de Patamuté.

Galdino Ferreira Matos está enterrado na igreja de Santo Antonio de Patamuté. O enterro em igrejas era uma prática vinda dos portugueses, muito comum na Europa.

D. Didi tem um filho – Nelson Matos Cano – paulistano nascido no bairro do Ipiranga, em São Paulo, que se interessa muito pela história de Patamuté. E história, aqui, quer significar também cultura, tradição, costume do lugar e outras coisas mais.

Ambrosina era casada com Mário Matos Lopes, filho de Maria Matos. Mário substituiu a mãe na direção da agência dos Correios de Patamuté, extinta na década de 1990.

Ambrosina era hospitaleira, espirituosa, alegre, sempre atenciosa, sorridente.

Houve um tempo em que eu frequentava a casa de Ambrosina e Mário. Tempo de boas conversas, conversas sadias, saudosas conversas.

Os filhos de Ambrosina e Mário ainda estão por aí, graças a Deus: Antonio Nilo Ferreira Lopes, Odete Matos e Solange Matos.

Post scriptum

Nelson Matos Cano leu esta crônica e me socorreu:

“D. Didi completou 96 anos neste mês de fevereiro. A foto é de 1980”.

Obrigado, Nelson. 

araujo-costa@uol.com.br

Conversa do envelhecer

Já se vão, por aí, algumas décadas.

Na década de 1970 havia uma pensão na Rua Brás Cubas, centro de Santo André, coração do ABC paulista. A pensão não existe mais. O progresso imobiliário extirpou-a do local, mas não conseguiu extirpar as lembranças e a saudade dos amigos de antanho.

A pensão abrigava rapazes, geralmente estudantes e alguns senhores circunspectos, que ainda cavavam a vida.

Morei lá, vivi lá, aprendi muitas coisas lá. Dessas, pratiquei umas, abandonei outras e tenho dúvidas se acertei ou errei ao não ter seguido outras tantas.

O ambiente era central e acolhedor, vizinho à bela e histórica catedral diocesana de Nossa Senhora do Carmo, perto de tudo e inserido nos acontecimentos da fervilhante região do ABC. Na catedral está enterrado D. Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da diocese de Santo André.

Como é praxe nesses ambientes de juventude, ali nasceram amizades, sedimentaram-se experiências, dissolveram-se arrogâncias e, mais do que isso, aprendiam-se modos de viver.

Aliás, toda pensão e seus quartos têm modus vivendi, regras sociais sadias criadas por seus ocupantes.

Toda pensão é um simulacro de nossa sociedade, às vezes conturbada, outros vezes tranquila, quase sempre incompreensível, mas aceitável.

Lembro um amigo, Elias Pedro dos Santos.

Convivemos lá na pensão, inquietos, barulhentos, combativos. Ele já professor de uma respeitável instituição paulista; eu ainda estudante, sem nenhuma âncora profissional, impaciente com as incertezas da vida.

Elias é um sujeito que cultiva as amizades, preocupa-se com elas e, sobretudo, não as abandona. É intransigente na defesa de seus amigos. Quase quatro décadas depois me localizou em São Bernardo do Campo  e honrou-me com a sua visita.

Senti-me vaidoso, rejuvenescido. Como nos tempos de pensão, Elias continua inquieto, buliçoso, bem humorado.

Mas a passagem do tempo lhe trouxe uma marca: os cabelos homogeneamente brancos, tingidos pelo tempo. Marca que, além da experiência, significa fidelidade aos seus princípios de berço pernambucano e nordestino. 

O escritor Mario Prata adotou uma teoria um tanto lógica e curiosa: o período da “envelhecência”. Diz ele que essa fase da vida se situa entre a maturidade e a velhice, vai dos 45 aos 65 anos.

Sendo assim, nela já me incluí. É a preparação para a velhice, aduz o escritor, assim como depois da infância segue-se a adolescência, que é a porta de entrada da maturidade.

Então, creio, a “envelhecência” traz reflexão e inquietude. Inevitável olhar para trás e perceber o diluir de muitas esperanças, até mesmo as idealizadas em quartos de pensão.

Inevitável antever o futuro e observar o pouco tempo que resta para a realização dos sonhos que ainda pretendemos alcançar. A construção desses sonhos claudica diante da exiguidade do tempo. O horizonte se distancia, mas a coragem persiste. Os sonhos também.

Mas o certo é que na “envelhecência” adquirimos envergadura para não aceitar mais algumas coisas. Por exemplo, que pessoas empoleiradas no poder nos empurrem goela abaixo coisas que elas se acham no direito de fazer. Os governantes gostam muito disto. Adoram empurrar imbecilidades em nossos orifícios.

Naquele tempo da pensão de Santo André lutávamos por um Brasil melhor. Hoje os momentos de reflexão insistem em dizer que fracassamos.

A única certeza é que valeu a pena a sequência dos tropeços e a poeira que sacudimos ao caminhar em direção aos nossos sonhos.

araujo costa@uol.com.br

Josafá Pires Belfort e as marcas do adeus

Josafá Pires Belfort/Crédito álbum da família

A Secretaria Municipal de Educação de Chorrochó noticiou o falecimento de Josafá Pires Belfort (Fafá) ocorrido em 26/02/2024.

Em 19/11/2021, deu-se o falecimento de José Pires Belfort (Dedé), irmão de Fafá, ambos cidadãos de conduta ilibada e caráter irrepreensível, educados nos moldes da família tradicional sertaneja.

Dedé morava em Curaçá. Lá edificou a nobreza de sua família.

Josafá era filho de Joanna Silvina Belfort e de Agatão Pires Belfort, que constituíram família valorosa e viveram nos domínios do município de Chorrochó, onde ostentavam exemplos de honestidade, respeito e elevado conceito junto a todos da região.   

Da estrutura que compõe o núcleo familiar de Joaninha e Agatão fazem parte Enok Pires Belfort, José Pires Belfort, Josafá Pires Belfort (falecidos), Maria das Graças Silva Belfort e Leontina Maria de Jesus.

A família ostenta qualidades de boa índole, respeito, urbanidade e decência.

Na esturricada caatinga da Fazenda Estreito, limites de Chorrochó e Curaçá, cresci ouvindo de José Januário da Silva elogiosas referências à família de Agatão. Eles eram muito próximos, diziam-se parentes.

A consideração contava muito no viver das gerações passadas. A amizade era o esteio, o sustentáculo.

Armadilha do tempo: as referências de infância, que José Januário falava nas caatingas do Riacho da Várzea, se confirmaram na idade adulta. Em Curaçá, eu e Dedé ficamos amigos. Mas esta é outra história com muitos detalhes. Hoje falamos de despedida, da despedida de Josafá.

A amizade tornava o caminhar mais leve, sustentava as boas conversas.

O enterro de Fafá estava previsto para acontecer às 10h de 27/02/2024 no Cemitério do Macururé Velho, segundo publicação da família.

Ficam as marcas do adeus, a crueldade da despedida.

Pêsames a todos da família de Fafá.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

A Câmara de Chorrochó e uma conversa com leitores

Vista parcial do plenário da Câmara de Chorrochó/Reprodução facebook/Câmara Municipal

Um leitor das bandas do simpático Estado de Sergipe me faz alguns questionamentos quanto à matéria deste blog publicada em 07/01/2024 versando sobre aditivos da Câmara Municipal de Chorrochó.

A matéria saiu com o título A Câmara Municipal de Chorrochó e o cipoal de aditivos.

O leitor me pergunta se alguns opositores da atual gestão municipal de Chorrochó me abasteceram com as informações que instruíram a matéria.

Não. Não foi necessário.

As informações que embasam quaisquer matérias deste blog sobre Chorrochó são obtidas através de fontes confiáveis sob o ponto de vista jornalístico, de modo que tais fontes não se situam necessariamente na oposição ao prefeito. Mais: as informações são também estribadas em documentos.

A credibilidade da matéria jornalística depende mais de quem escreve do que, propriamente, de informações colhidas ao sabor dos ventos políticos, das tendências e dos achismos.

Ademais, quem costuma ler meus textos sabe que nunca levei a sério a oposição de Chorrochó, mormente nessa contínua safra de prefeitos produzidos por Barra do Tarrachil. A oposição desse período sempre me pareceu “faz de conta”.

Meu conceito de oposição é mais elástico. Coaduna-se com vigilância diária, fiscalização, tenacidade de propósitos, críticas construtivas, aperfeiçoamento de ideias e indicação de rumos. Tudo que falta à oposição de Chorrochó no meu modesto entender.

A sabedoria política diz que quem faz oposição não dorme, não cochila.

Por outro lado, entendo que o jornalista deve escrever com responsabilidade e os leitores devem questioná-lo, sim.

O dever de informar situa-se acima da pequenez político-partidária. O comentário jornalístico deve distanciar-se de toda e qualquer tendência que descambe para o fanatismo e incompreensões.

Quanto à matéria sobre os aditivos da Câmara de Chorrochó, o leitor entendeu que se tratava de opinião injusta com inevitáveis reflexos na direção da Edilidade. Noutras palavras, quis dizer: uma opinião disfarçada, subentendida, inoportuna.

Não foi opinião injusta. Não podia ser opinião injusta. Não foi disfarce. Não podia ser disfarce.

Divulgar fatos sustentados em atos legais da Câmara de Chorrochó não pode ser interpretado simplesmente como uma opinião.

Não há viés político na matéria. Não há interesse deste blog em imiscuir-se na política de Chorrochó, até mesmo tendo em vista a falta de importância deste escrevinhador no contexto do município.

Minha influência na política de Chorrochó e nada é a mesma coisa.

O leitor foi mais além para insinuar que vislumbrava na matéria o intuito de “queimar” a atual presidente da Câmara, Sheila Jaqueline Miranda Araújo.   

Trata-se de interpretação enviesada da matéria. Não tenho o poder de ofuscar o brilho de nenhum político de Chorrochó.

Tenho admiração à família de Oscar Araújo Costa e Umbelina Miranda Araújo (D. Bela) e, por consequência, também à sua descendência, sem exceção, incluída neste contexto, a memória do ex-prefeito José Juvenal de Araújo, decente, probo, essencialmente justo com seu povo.

Tenho predileção e respeito pelos filhos de José Juvenal: Sheila Jaqueline Miranda Araújo e Oscar Araújo Costa Neto, que vêm sustentando, com altivez, a tradição e o patrimônio político e eleitoral da família.

Considero-os todos sérios, impolutos e de caráter irrepreensível.

Estes são os fatos. Esta a realidade.

Não há razões para contorcionismos de interpretação.

Assim, entendo esclarecidas eventuais dúvidas que tenham surgido com o artigo A Câmara Municipal de Chorrochó e o cipoal de aditivos.

araujo-costa@uol.com.br

Flávio Dino e os privilégios da elite política

Antes de tomar posse como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Justiça Flávio Dino assumiu o cargo de senador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) para o qual havia sido eleito em 2022. Ou seja, passou por lá.

Como diriam os franceses, esteve no Senado en passant, de passagem.

Flávio Dino ficou no Senado Federal poucos dias, cerca de vinte dias, o suficiente para receber aproximados R$ 44 mil de salário, mais verba de gabinete que serve para apadrinhar os cupinchas, também conhecidos como ocupantes de “cargos em comissão”, de livre nomeação do senador. São os camaradas, amigos etc. Mais as mordomias do cargo.

Ressalte-se que é direito de Sua Excelência, está na lei. Ele não fez nada errado.

São os privilégios da elite política.   

“O número total de ocupantes de cargo em comissão lotados em um único Gabinete Parlamentar não poderá exceder a cinquenta.” (Band, 31/01/2023). Está  no Regulamento Administrativo do Senado. Ou seja, cada senador pode empregar, se quiser, até 50 amigos.  

Na Câmara dos Deputados, “o valor mensal da verba de gabinete é R$ 111.675,59. Ele serve para pagar os salários dos secretários e funcionários, que não precisam ser servidores públicos e podem ser escolhidos pelos parlamentares, ou seja, ocupam cargos comissionados.” (Band, 31/01/2023).  

Em 22/02/2024 Flávio Dino tomará posse no Supremo Tribunal Federal.

Diz ele que vai tirar a roupa de político e vestir a toga.

Não custa acreditar.

araujo-costa@uol.com.br

O vice-prefeito de Curaçá e outros assuntos

Quaisquer que sejam eles, os vices parecem estar em qualquer lugar, mas não estão em lugar nenhum. São uma espécie de limbo ofuscado pela atuação do titular.

Os vices vivem em permanente e estranha expectativa.      

O jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara, tem uma lapidar definição para os vices: “São como os ciprestes, crescem à beira dos túmulos”. 

Inobstante razoável a observação, acho que Sebastião Nery foi cruel demais. É exceção o vice crescer em razão da morte do titular. Quase sempre desabrocham sustentados em circunstâncias outras e até por liderança própria que chegam a cavar com sucesso, mesmo à sombra do titular.

Quando não há rusgas ou desconfianças, titulares os escolhem para exercerem funções no Executivo. Assim acontece nos âmbitos municipal, estadual e federal.

Não deixa de ser uma forma de apadrinhá-los com salários e mordomias do cargo. Como dizia o político paraibano José Cavalcanti, de São José de Piranhas,”dinheiro por onde passa amolece”.

Em nossa combalida República, o esperto presidente Lula da Silva – que entende tudo de malandragem política – escolheu o vice-presidente Geraldo Alckmin para ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Assim, Lula o segura como subordinado – enquanto ministro – e o mantém nas rédeas ao seu redor, evitando que lhe cresçam as asas de vice e passe a voar por aí, traindo a torto e a direito na penumbra da esperteza.  

O lulopetismo até hoje não engoliu a conduta de Michel Temer, vice de Dona Dilma Rousseff a quem acusa de traidor. Coisas da política.

Há os vices que traem e engendram estratégias para dificultarem o cargo do titular, o que nem sempre dá certo, mas há vices leais, absolutamente leais.

Em Curaçá, município baiano do Submédio São Francisco, o prefeito Pedro Oliveira nomeou o jovem bonfinense e seu vice-prefeito Adriano Araújo para secretário da Saúde.

Salvo engano, continua secretário. 

Dizem entendidos em assuntos do município, que o prefeito está preparando o vice Adriano Araújo, de 32 anos, para sucedê-lo, embora outros nomes próximos ao alcaide e de sua predileção também estejam no páreo. Há pretendentes por todos os lados. A rapadura é doce.

Tentei contato  com o vice-prefeito Adriano Araújo para fazer uma matéria neste blog sobre sua atuação na Secretaria e pretensões políticas, mas ele não deu retorno.

Silêncio ou recusa dá na mesma.

Pressuponho que a fama de Sua Excelência não lhe permite conversa com este insignificante curaçaense de Patamuté. Ou anda muito ocupado com a saúde do município, o que é louvável e não deve ter tempo para desperdiçar em conversas.

Entretanto, minha diminuta inteligência me permitiu pressupor que o silêncio resultou da subida posição que Sua Excelência ocupa no contexto político de Curaçá.

A sabedoria mineira diz que ninguém sabe o que calado quer. Assim, parece haver uma incompatibilidade entre prepotência e política, de modo que o político sábio é o que expõe suas ideias, lançando-as ao crivo da população e submetendo-as às críticas.

Mesmo que suas ideias se dissipem como cinzas ao vento, o político precisa ostentá-las, torná-las conhecidas. Ou terá voo curto.   

Sondei alguns amigos de Curaçá para colher impressões e inteirar-me sobre Sua Excelência o vice-prefeito e um desses amigos ponderou: “Não perca tempo com isto. Você não tem o que fazer aí”?

Tenho.

De qualquer modo, acho que o vice-prefeito de Curaçá tem mais o que fazer do que perder tempo em conversa com jornalista.

araujo-costa@uol.com.br

Estes meus agradecimentos a Jorge Jazon

Jorge Jazon em foto de 2014. À esquerda o irmão James/Álbum de família

Em idade septuagenária, já descambando para o despenhadeiro da senectude, ainda me resta intacto o dever de agradecer nalgumas quadras da vida.

Agradecer muito e a muitos amigos, parentes, aderentes e até admiradores que assim se declaram.

Modéstia à parte, tenho alguns poucos admiradores. Coitados!

Nesta altura da vida, não preciso me envaidecer de nada, não preciso dizer-me pessoa boa, já que exemplo nunca fui.

Sempre tentei afastar o pedantismo, a arrogância, a tentativa do narcisismo que sempre bate à porta.

Ainda assim, há amigos que dizem que tenho estilo pedregoso de convivência, às vezes indiferente, outras tantas frio e arredio.

Concordo. Eles têm razão. É que a vida me empurrou para algumas encalacrações e encruzilhadas difíceis e, em razão disto, tenho dificuldades de aceitar arranhões à lógica da amizade.  

A vida ensina às vezes com muito rigor.

Inquieto-me quando constato a degenerescência das amizades, a tecnologia distanciando os amigos, as conversas sadias cada dia ficando mais escassas, os contatos cada vez mais monossilábicos, os encontros sendo substituídos por desencontros.

Hoje fala-se o necessário, o urgente, o que é de interesse no momento. Esticar conversa em alguns momentos chega a ser gafe neste mundo de egocêntricos e sobremaneira tensionado pelas atrocidades.

A vida me ensinou – ou me empurrou – a gostar do silêncio, da solidão, da reflexão, dos questionamentos filosóficos.

Ensinou a auscultar ao redor, tentar entender as armadilhas do tempo, aceitar minhas limitações, conviver com as repreensões barulhentas do meu interior.

Mas o assunto aqui é outro. Ei-lo.

Em 27/01/2024, no decorrer do novenário de Senhor do Bonfim de Chorrochó, tive a subida honra de contar com a atenção e o acolhimento de Jorge Jazon Menezes que se deu ao trabalho de ler, durante a solenidade religiosa, uma carta aberta que fiz dirigida aos devotos do excelso padroeiro de Chorrochó.

A carta não foi arroubo de pretensão ou diletantismo, mas estribada na saudade do lugar e na urgência de amparar-me na fé tão necessária à continuidade da luta, enquanto há saúde e tempo para seguir adiante na tentativa de realizar os últimos sonhos da mocidade ainda não desfeitos.

A circunstância do gesto de Jorge Jazon Menezes me trouxe o dever de agradecer. Sua experiência e oratória brilhante enriqueceram o conteúdo de meu pensamento expresso na carta.

Jorge Jazon Menezes dispensa apresentações. É sobejamente conhecido, amado e reverenciado por amigos, familiares e conterrâneos.

Seu caráter é referência, modelo, luz para os jovens de hoje que pretendem ocupar lugar de decência e grandeza em qualquer tipo de sociedade, robustecer a conduta, aparar as arestas da mediocridade.

Jorge Jazon descende de família tradicional. Suas raízes ficam-se na estrutura familiar Menezes/Pacheco/Cordeiro, honra e glória de Chorrochó.

A mãe Maria Ita de Menezes, dentre outras qualificações, é professora, mestra na arte de ensinar, esteio da educação do lugar, exemplo de algumas gerações.

O pai José Jazon de Menezes, também de família tradicional, foi serventuário da Justiça estadual da Bahia e um dos pilares da honradez da sociedade chorrochoense.

Registro e deixo aqui meus agradecimentos ao ilustre filho de Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br      

O declínio ético do jornalismo da Globo

Pressionada pela enxurrada de críticas nalguns órgãos sérios de imprensa e memes que circulam nas redes sociais, conhecida jornalista, que não esconde ter optado pelo ridículo, teve que admitir na GloboNews e também no Portal G1, informações falsas que havia publicado espalhafatosamente, como é seu estilo.

Escancaradamente a Globo divulgou notícia falsa, que tanto critica. E neste particular, ao criticar, está correta.

Na última segunda-feira (29), a referida jornalista da GloboNews, afirmou ao vivo, em rede nacional, que “a Polícia Federal apreendeu com o vereador Carlos Bolsonaro (RJ) um computador da Agência Brasileira de Inteligência”, a Abin.

A jornalista disse outras asneiras, escudada, segundo ela, em “fontes exclusivas”.

Entretanto, a Polícia Federal negou o fato, desmentiu a notícia falsa da Globo. E só aí a emissora veio a público – e nos mesmos espaços – para dizer que a notícia publicada pela destemperada jornalista estava errada.

De todos os órgãos noticiosos que publicaram a matéria, somente a Globo destoou, mudou o caminho da decência jornalística: distorceu os fatos para adequar-se ao viés ideológico que atualmente apoia.

A espalhafatosa jornalista da Globo cometeu outros exageros que não espelham fielmente a verdade.

Ou porque não tem fontes confiáveis ou porque não soube apurar, checar, certificar-se, como é dever de todo e qualquer jornalista.

Todavia, circunscrevo-me a esta notícia.

Como se vê, nestes e noutros casos, o Grupo Globo está em franco declínio ético no que tange ao seu jornalismo, antes visto como sério.

Jornalistas da Globo estão se deslocando do dever de bem informar para o campo da militância político-partidária.

Jornalista que se preza não mistura profissão com militância política.

No exercício da profissão, o jornalista deve despir-se de sua ideologia.

Chega a ser patético, apresentadores e comentaristas da GloboNews, por exemplo, fazerem contorcionismo de palavras com o intuito de defender atos e figuras do governo de plantão.

Diante de tamanho puxa-saquismo, o professor Raimundo diria: “Menos, menos…”

araujo-costa@uol.com.br

Contradições e catástrofes morais do PT  

O Partido dos Trabalhadores adentra o segundo ano deste terceiro mandato do presidente Lula da Silva chafurdando entre o radicalismo e a ânsia de tentar negar e esconder os erros do passado.

O presidente Lula da Silva, maior estrela do partido, está um pouco fragilizado em razão da idade, alguns problemas de saúde já contornados, mas não perdeu a pose de boquirroto e anda por aí dizendo asneiras como, aliás, é do seu feitio.

Assim foi nalgumas viagens internacionais, assim está sendo internamente. Os vexames têm sido constantes.

O PT fala em democracia como se a praticasse plenamente. O partido é hipócrita, dissimulado, incongruente, contraditório.

Lula apóia ditaduras cruéis e se diz democrata.

Lula defende Cuba, que fuzilou centenas de nacionais e mantém outros milhares na miséria; defende a Venezuela, que prende jornalistas e adversários do presidente-ditador; defende a Nicarágua, que encarcera e expulsa padres e outros religiosos.

Em Cuba, “fuzilamentos desde a instauração do regime castrista podem ter chegado à casa de 17 mil” (Folha de S.Paulo/Mundo, 21/03/2010).

O regime jurídico implantado pelo ditador Fidel Castro criminaliza a oposição, julga e fuzila adversários.

Lula da Silva apóia este regime. Derrete-se pela ditadura cubana, mas se diz democrata.

A imprensa bajuladora delira com os discursos do presidente.

De janeiro a outubro de 2023, Lula da Silva despejou no Grupo Globo R$ 66,1 milhões em publicidade. A Globo foi agraciada com o primeiro lugar em verbas publicitárias do governo federal.

“Em 2023, a emissora recebeu mais recursos da propaganda oficial que todos os outros grupos de TV somados” (Veja, 22/01/2024).

Deu resultado. A Globo, suas afiliadas e penduricalhos vivem bajulando o presidente Lula e dando destaques para seus feitos, mesmo que não mereçam nenhum destaque.

Comentaristas e apresentadores do Grupo Globo se engasgam com suas palavras tentando colocar Lula da Silva em pedestal inalcançável para mortais comuns.

Chega a ser patético o esmero dos jornalistas globais em defesa de Lula da Silva.

A Globo o espinafrava antes e durante seu período de declínio e prisão.

O dinheiro, de fato, por onde passa amolece.  

Agora José Genoino, ex-presidente nacional do PT e histórico guerrilheiro do Araguaia, saiu-se com uma fala impressionantemente abominável: sugeriu que os brasileiros boicotem as empresas de judeus e deixem de comprar dessas empresas.

Instituições judaicas reagiram. Brasileiros reagiram. O PT silenciou.

O conteúdo do que foi dito por José Genoino é tão inaceitável que dispensa qualquer comentário mais aprofundado. 

As prisões e os tropeços pelos quais José Genoino passou não lhe serviram para amenizar o radicalismo, tampouco afrouxar suas posições extremas.  

O PT não consegue se equilibrar entre os descalabros que inventou e pôs em prática  – mensalão, petrolão, corrupção, defesa de ditaduras – e a necessidade de se firmar como partido político sério.

O passado não o ajuda.

A presidência nacional do PT está entregue à deputada Gleisi Hoffmann (PR), expoente do radicalismo lulopetista.

Em data recente, parlamentar fluminense e dirigente nacional do PT agrediu fisicamente um colega de Câmara, desferindo-lhe tapa no rosto e vociferando impropérios.

Ficou por isto. Sequer uma repreensão do PT.

O dilema do PT é oscilar entre o radicalismo e a necessidade de parecer partido sério. É o avesso da lógica.

O partido não consegue se desvencilhar de suas catástrofes morais.

araujo-costa@uol.com.br