Boas notícias de Chorrochó

Prefeito Humberto Gomes Ramos, de Chorrochó/Crédito A Tarde

Justiça Federal

Em 01/06/2023, o prefeito Humberto Gomes Ramos (PP), de Chorrochó, inaugurou o Posto Avançado do Juizado da Justiça Federal do município que, segundo o Dr. João Paulo de Abreu, Juiz Federal Diretor da Subseção de Paulo Afonso, “em muito contribuirá com a população, não apenas de Chorrochó, mas também de todas as cidades circunvizinhas, que a partir de agora, não mais precisarão se deslocar até Paulo Afonso para realizar suas perícias e audiências”.

Como é comum nessas ocasiões, o evento foi prestigiado por autoridades das esferas estaduais, municipais e federais.

A expectativa é alvissareira. Quiçá o embrião para novos avanços no município de Chorrochó.

Ponte sobre o Riacho Grande

Noticiou-se pedido endereçado ao governador da Bahia com vistas à construção de uma ponte sobre o Riacho Grande, ponto considerado crítico no município, principalmente em épocas de chuvas. Chorrochó tem sofrido muito com essa situação.

Salvo melhor juízo, o documento foi recepcionado e/ou oficializado no gabinete do governador em 17/01/2023 e, por óbvio, está nas mãos das autoridades. Espera-se que deem o encaminhamento necessário. Parece que o líder político José Nilson Rodrigues (Nilsinho) contribuiu de forma eficaz para essa iniciativa em favor de Chorrochó.

Troféu Destaque

O “Troféu Destaque de 2023 – Uma década“, iniciativa do comunicador Edimar Carvalho e site Chorrochoonline, homenageia as pessoas que se destacaram na região e têm papel preponderante na sociedade.

Evento que já se tornou tradição em Chorrochó, o Troféu Destaque merece boas e elogiosas referências. Sem dúvida, é uma forma de evidenciar Chorrochó e os municípios participantes do evento, além de reconhecer o mérito dos agraciados em suas respectivas áreas de atuação. 

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, tempo de contar: professora Maria Abigail de Menezes

Abigail Menezes/Imagem de seu perfil no facebook

“Somos nossa memória, somos este museu de formas inconstantes, este amontoado de espelhos partidos” (Jorge Luís Borges, 1899-1986).

Atrevo-me a trazer esses fragmentos da memória e a lembrança da professora Maria Abigail de Menezes, cuja ascendência impoluta minhas limitações não me permitem acrescentar nada além. Ela está aí admirável para atestar sua linhagem familiar de probidade e honradez.

Entretanto, de quanto em vez consulto meus alfarrábios impertinentes com o intuito de reviver fatos, ocasiões, pessoas, lembranças.

Já que não tenho exemplos meus para registrar, registro traços do caminhar e do conviver com pessoas que me foram ou são caras. Registro-os com a boa saudade, as reminiscências que me perseguem e outras tantas que ainda consigo reter na memória.  

A professora Maria Abigail de Menezes foi casada com Ernani de Amaral Menezes, respeitável nome de sua geração. Ernani simbolizava a decência, a cordialidade e, sobretudo, o exemplo de caráter irrepreensível herdado da mãe Maria Argentina de Menezes e do pai Eloy Pacheco de Menezes.

Abigail e Ernani tiveram dois filhos: Fred Hermano de Amaral Menezes e Erbene Maria de Menezes, que trouxeram moldura encantadora ao existir do casal. Penitencio-me se, eventualmente, grafei os nomes com incorreções. A memória esburacada pode permitir gafes, distorções na narrativa e, mais do que isto, deslizes históricos.

A professora Maria Abigail de Menezes se formou em 1961 pela Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio e, a partir daí, salvo engano, dedicou-se ao ensino em Chorrochó.

Mais tarde graduada em Licenciatura Plena de História, a professora Abigail é um dos esteios que sustentou o ensino de Chorrochó e participou, como tal, do engrandecimento do município, mormente tendo em vista as conhecidas dificuldades do lugar naquele tempo.

Contudo, o meu atrevimento aqui é tentar reconstruir os fragmentos da memória, para situar a professora Abigail, em Chorrochó, ainda jovem, meiga, educada, atenciosa, essencialmente segura de seu papel na sociedade local.

Tê-la na conta das pessoas nas quais me espelhei para enfrentar as atribulações da vida, conforta-me. Para indicar o caminho a outrem basta o exemplo da amizade, basta saber ouvir, basta saber lançar um olhar de compreensão e de bondade que Abigail soube fazer tão bem até hoje.

Ernani de Amaral Menezes construiu, com a professora Abigail, a fortaleza que lhes deu amparo e serviu de bálsamo para perfumar o ambiente da vida: os filhos – Fred e Erbene – e a seriedade profissional que Ernani e Abigail sempre ostentaram.

Plutarco, que andou contando a vida de figuras de Roma e da Grécia extasiou-se, numa quadra do tempo: “Que maravilhas não faz a memória na preservação e guarda do passado! ”

O argentino Jorge Luís Borges dizia que “somos nossa memória, este amontoado de espelhos partidos”.

Esses pedaços de espelhos talvez traduzam aquelas pequenas coisas que nos alentam ao caminhar, em direção a novos horizontes.

Se o caminhar foi trôpego, não importa. Importam os passos que demos em direção ao futuro, sem abdicar das amizades que construímos, dos amigos que tivemos, das lembranças que nos confortam.

Neste particular, não me omito em citar nomes de pessoas que aprendi a admirá-las.

A professora Maria Abigail de Menezes, honra e glória de Chorrochó, é uma dessas pessoas que valeu a pena conhecer.

Post scriptum:

Este texto foi inicialmente publicado em 21/04/2019

araujo-costa@uol.com.br

O gabarito poético de Laudney Mioli

Laudney Mioli/Imagem de seu perfil no facebook

Já se vão, por aí, algumas décadas. Os anos empurraram o tempo em direção à distância, mas trouxeram a saudade para mais perto.

Em 03 de janeiro de 1983 conheci Laudney Ribeiro Mioli, em São Caetano do Sul, pujante e bonita cidade do ABC Paulista.

À época este escrevinhador trabalhava na Matriz Publicidade, na Rua Manoel Coelho, empresa do Grupo 3 Irmãos e dirigida pelo publicitário Adilson Luiz, profissional responsável, meticuloso e, sobretudo, educado.

Laudney Mioli era superintendente comercial dos 3 Irmãos. Confesso carregar a honra de ter passado algum tempo sob a experiência deste ilustre poeta do simpático município paulista de Adolfo e que enriquece a história de Indaiatuba.

Neste meado de 2023, Laudney Mioli lançou o livro Memórias em Versos & Rimas, muito bem acolhido por amigos, admiradores e público em geral. Já se vislumbra a avaliação da crítica, colocando-o em posição de merecido destaque.

Uma das muitas qualidades de Laudney é a humildade. Ele é impressionantemente humilde. Modesto, diz que não é poeta, inobstante a respeitável obra lançada.

Pode não ser poeta um sujeito que compôs cerca de 3.000 estrofes em versos e rimas de tão boa qualidade?

O livro é resultado desse caminhar pelo mundo da poesia. Segundo o autor, ele garimpou parte dessa monumental produção literária e a transformou no livro Memórias em Versos & Rimas.

A poesia suaviza nossos tropeços, torna os fardos da vida mais leve.

Então, o homem é poeta, sim. E de respeitável e admirável gabarito. Mais do que isto: entrou para o universo dos bons e abalizados escritores.

Laudney estudou Administração e Marketing na Escola Superior de Administração de Negócios-ESAN, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). É grande conhecedor de marketing, área que atuou durante muitos anos. Nota-se que agora ele se utilizou dessa frondosa experiência para publicizar, com bom humor, o louvável lançamento de Memórias em Versos & Rimas.

De minha parte, congratulo-me com o momento de alegria e realização pessoal que Laudney está vivendo e lhe desejo retumbante êxito. Sempre.

araujo-costa@uol.com.br

Opinião do leitor e professor Santana

Em data recente, publiquei neste blog, artigo com o título Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão.

Leitor que se deu ao trabalho de ler o artigo e se identifica como Professor Santana, o que muito agradeço, observou: “Esta matéria tem cheiro de jabá”. (WhatsApp, Grupo Política Curaçaense, domingo 28/05/2023).

Não, professor. Não tem cheiro de jabá. Seu olfato não está bom. Convém cuidar dele para não sair por aí sentindo cheiro onde não existe.

Jabá, para quem não sabe – e ninguém tem obrigação de saber – é um eufemismo existente nos meios jornalísticos e de comunicação para significar recebimento de recompensa, noutras palavras, de propina, para priorizar publicação de matérias ou viabilizar o comparecimento a programas jornalísticos, de entretenimento ou de qualquer natureza do interesse de quem se dispõe a pagar.

Como se vê, é uma pratica aética, imoral, desprezível, hipócrita.     

Confesso ao conspícuo e nobilíssimo professor que, inobstante a prática que ele parece achar corriqueira, ainda sou um dinossauro ético e prezo pelo exercício diuturno da ética em qualquer profissão ou atividade humana, inclusive, por óbvio, no jornalismo.

Não tenho a pretensão de ter a “espinha inflexível do caráter”, como diria Raul Pompéia (O Ateneu), mas considero-me incapaz de receber quaisquer recompensas a troco de eventual publicação de qualquer assunto, em meu blog, que beneficie A, B, C ou Z.

Quiçá, eu seja o “avesso, do avesso, do avesso”, como diria Caetano Veloso, concernentemente à prática que o ilustre mestre Santana equivocadamente aponta em minha humilde conduta.

Para conhecimento do insigne professor, esclareço que não conheço o deputado Mário Negromonte Júnior  (PP-BA) e nunca fiz contato com sua assessoria pessoal ou parlamentar, de modo que o jabá não existiu, nem é do meu feitio receber.

Ademais, é razoável supor que o deputado não estaria disposto a pagar se, indecentemente, fosse instado a fazer. É temerário generalizar, menos ainda, quando se trata de um jornalista das caatingas de Patamuté. Lá a vergonha vem do berço.

O artigo restringe-se tão somente à história política do sertão baiano e, como tal, não tem o intuito de elogiar ou enaltecer o deputado Mário Negromonte Júnior.

No mais, sou grato ao professor Santana por ter lido meu texto e penitencio-me se não estiver à altura de seu conhecimento de mestre, mormente relativamente ao jabá.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté há 55 anos

13 de junho de 1968. Igreja de Santo Antonio, em Patamuté. Lá e naquela data, como era comum, realizaram-se casamentos, batizados, missas e procissão de encerramento dos festejos do padroeiro, à tarde, quase ao cair da noite.

Eu estava lá.

Esta foto me diz muito.

Da esquerda para direita: padre Adolfo Antunes da Silva, vigário da Paróquia de Curaçá, que presidia os festejos do padroeiro Santo Antonio; ao fundo, a professora Maria Auxiliadora de Menezes, que ainda não tinha Kawabe no nome; Theodomiro Mendes da Silva, um tanto jovem, que ainda não tinha sido prefeito de Curaçá e Euza Dias de Araújo, mãe da criança.

O menino que estava sendo batizado chama-se Alaécio Araújo Costa, que mora na Fazenda Estreito, Riacho da Várzea, na divisa com o município de Chorrochó.

Não me recordo o nome do sacristão (ajudante do padre), figura também muito importante na solenidade que segura a bacia com a água batismal.

A professora Maria Auxiliadora de Menezes, a madrinha; e Theodomiro Mendes da Silva, o padrinho.

Naquele tempo Theodomiro Mendes da Silva era executivo da Rovel Couros e Peles S/A, em Juazeiro, frequentava regularmente sua Fazenda Ouricuri, nas cercanias de Patamuté e fazia política em Curaçá. As eleições vitoriosas para prefeito, em duas ocasiões, viriam bem depois.

A professora Maria Auxiliadora de Menezes Kawabe é filha de Maria José de Souza Menezes (D. Zarica, 1924-2018) e de Manoel Pires de Menezes (Nozinho, 1920-1999), ambos exemplos de caráter e decência para todos nós de Patamuté e daquela geração.

Saudosismo? Talvez.

Um registro, uma lembrança, a fé em Santo Antonio.

araujo-costa@uol.com.br

Entre o vandalismo e a esperança

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Supremo Tribunal Federal/Imagem institucional

Símbolo do Poder Judiciário e de nossa combalida República, o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) vem passando por tenebrosos dias de caos através dos quais a Justiça claudica.

Maior democrata de nossa história, o presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira (1902-1976) sonhou em ver um Brasil grande: Executivo atuante, Legislativo forte e Judiciário moralmente gigante. Assim também sonharam o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e o urbanista Lúcio Costa (1902-1998).

Presidente Juscelino Kubitscheck/Reprodução Politize

O sonho desses grandes homens que construíram a história do Brasil e de Brasília hoje passa por sérios arranhões. Sonhos que os apequenados homens de hoje são incapazes de sonhar.

 

Arquiteto Oscar Niemeyer/Reprodução Editora Cobogó

No limiar de 2023, até vândalos se acharam no direito de agredir, destroçar, espezinhar e tentar destruir as sedes dos Poderes da República.

Vândalos. Como existem vândalos em Brasília!

Urbanista Lúcio Costa/Reprodução Revesto

O Brasil não é a arrogância de hoje, a incompreensão do agora. Brasília não é este amontoado de deslumbrados pelo poder que se sustentam em suas vaidades.

Os ocupantes dos três Poderes da República não se dão conta de que são efêmeros e que o Brasil é permanente.

O Brasil precisa de grandes homens para realizarem grandes tarefas.

Esperança, sempre.

araujo-costa@uol.com.br

Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão

Deputado Mário Negromonte Júnior/Crédito Câmara dos Deputados

“O político se faz grande quando atende aos pequenos” (José Cavalcanti, São José de Piranhas-PB)  

Jornalista às vezes ou quase sempre é bicho inconveniente.

Há alguns anos, escolhi o horário do café da manhã, que o costume do sertão reúne a família – hoje nem tanto como antigamente – e telefonei para velho e experimentado líder político sertanejo, que o ostracismo o jogou nos braços da indiferença eleitoral.

Feitos os salamaleques de praxe, perguntei se ainda tem algum líder político respeitável e de futuro no sertão. Ou, pelo menos, à moda antiga.

“Rapaz, não tem não. Só aparece por aqui, em tempo de festa, Mário Negromonte Júnior”, ponderou meu interlocutor.

A resposta reticente e pessimista, mas esclarecedora e um tanto óbvia, atestou, pelo menos naquela ocasião, a escassez de liderança política no sertão da Bahia.

Parece que agora as visitas de deputados têm sido mais frequentes em suas bases eleitorais.

Mário Sílvio Mendes Negromonte Júnior, que tem nome de nobre português, é jovem deputado federal de 43 anos, eleito pelo Partido Progressista (PP) da Bahia. Agora, salvo melhor juízo, foi conduzido à direção estadual do partido.

O deputado Mário Júnior, nascido em Paulo Afonso, tem sólidas raízes no município de Glória, que o progresso hidrelétrico mudou o traçado original, engoliu tradições e suor dos antepassados e o renomeou de Nova Glória, num claro acinte à bonita e rica história de Curral dos Bois e Santo Antonio da Glória.

Terra do lendário Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro e de seu ínclito neto Raimundo Reis de Oliveira, escritor, jornalista, político e cronista, Glória mantém intacta sua história de homens públicos respeitáveis.

O lastro biográfico do deputado Mário Júnior vem de longe. O avô Dionízio Pereira foi vereador e prefeito de Glória e seu respeitabilíssimo tio Dr. Adauto Pereira de Souza, honra e glória do sertão, foi prefeito de Paulo Afonso (1963-1966). Mais do que isto: era respeitado em todo o sertão da Bahia.

A mãe e Doutora Ena Vilma Pereira de Souza Negromonte foi prefeita de Glória e o pai Mário Negromonte tem uma trajetória política que vai de deputado estadual a deputado federal por diversos mandatos, passando pelo Ministério das Cidades. Hoje, salvo engano, é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

Ainda muito jovem Mário Júnior foi deputado estadual (2011 a 2014) e desde 2015 é deputado federal com mandato até 2027.

Advogado com extensão em Harvard (EUA), o deputado Mário Júnior parece despontar como uma esperança para a caatinga.

O sertanejo gosta de abraçar seus líderes, embora os líderes só gostem de abraçá-lo em épocas de campanhas eleitorais e ocasiões de festejos locais dos padroeiros e festas juninas.

O Dr. Adauto Pereira de Souza nunca abandonou a caatinga, onde tinha amigos leais na amizade e fiéis na política. Assim faziam os políticos daquela geração.

Mário Júnior pelo menos tem cavado algumas emendas parlamentares para a região e, sabe-se, é parlamentar razoavelmente ativo.

Terá futuro, se procurar se desviar do caminho que seguem os políticos tradicionais.

A chave para abrir as portas da liderança política permanente do sertão está na ajuda aos pequenos.

Vamos aguardar a sequência dos anos e ver no que vai dar.

araujo-costa@uol.com.br

Sobre o Prefeito de Curaçá

Prefeito Pedro Oliveira, de Curaçá-BA/reprodução google

“Apraz aos velhos dar bons conselhos como consolo por já não estarem em condição de dar maus exemplos.” (François La Rochefoucauld, moralista francês, 1613-1680).

Já se passaram alguns anos.

Leitor de Curaçá que se dava ao trabalho de ler meus textos – e certamente hoje não mais me lê – fez uma observação um tanto irônica: “Você gosta de opinar sobre assuntos de Curaçá, mas nunca lhe vi por aqui”, disse ele.

Noutras palavras, o leitor quis dizer que meto o bedelho onde não sou chamado, sem conhecimento do assunto.

Embora razoável a ponderação, tentei explicar: como não sou nenhuma celebridade, devo ter passado por lá sem ter sido notado pelo atento curaçaense, o que, aliás, não faço a menor questão.

Ademais, não preciso empunhar um archote para ser notado. Confesso que não gosto de exibicionismo, nem sou narcisista.   

Então, já que estou falando de pitacos, cuido aqui do prefeito de Curaçá, brevemente e en passant.

Em política, o gestor é visto mais pelo que não faz do que pelo que faz. Essa premissa chega a ser elementar.

Não conheço Sua Excelência Pedro Oliveira, prefeito de meu altaneiro e baiano município de Curaçá e isto não tem a menor importância para ele e tampouco lhe faz qualquer diferença.   

Até tenho algumas restrições ao alcaide-mor de Curaçá, em razão de seu conhecido e inegável desprezo pelo distrito de Patamuté – sou filho de lá – inobstante eu também nada ter feito pela terra até agora, embora compreensivelmente, porque não sou político nem tenho meios e atribuições para tal.  

Contudo, venho notando ácidas críticas à atuação do prefeito Pedro Oliveira e não sou ingênuo a ponto de não perceber que tais críticas partem de setores isolados ou, quiçá, de pessoas que pretendem entrar na vida política e fazer oposição ao prefeito.

“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se”, dizia o filósofo germânico Hegel (1770-1831).

Aí está o cerne da oposição, mas o antagonismo há de ser responsável, sério e, sobretudo, ético.  

Tentar desqualificar o prefeito, atribuindo-lhe prática reprovável, sem materializar a assertiva com provas, parece um tanto leviano e autoriza a presumir que tais acusações são inconsistentes e não têm o condão de se sustentarem.

Em democracia funciona assim: qualquer cidadão do povo pode valer-se das autoridades de controle e do Ministério Público para fazer denúncias contra agentes públicos, desde que amparado em provas irrefutáveis e não somente em indícios frágeis, em “ouvir dizer”.

Os próprios órgãos de fiscalização e controle têm forma regular de aquilatar eventual mau uso do dinheiro público e aplicar as penalidades decorrentes.

As redes sociais podem ser eficientes meios para muita coisa, menos terreno seguro para espalhar fumaça e arranhar reputações. É temerário fazê-lo e apequena quem assim procede.

É razoável presumir que o prefeito Pedro Oliveira tem cuidado de Curaçá dentro daquilo que ele vislumbra como acerto e objetivo de sua gestão. Esse entendimento o gestor público sustenta na voz das urnas.

Entretanto, é também razoável presumir que o prefeito tem capengado sobre a necessidade de implementar ações mais consistentes em benefício da população e isto parece claro. Há exemplos.

O que não concordo é com o costume ínsito na pequena política: espalhar opiniões desabonadoras contra o prefeito que, bem ou mal, está conduzindo a administração curaçaense estribado na vontade e escolha da maioria.

O prefeito pode ter caído na vala comum de um pensamento menor de fazer política, mas esta é outra história.

Daí a ser pretexto para enxovalhar e demolir a reputação do prefeito vai uma grande distância.

Não parece decência, não parece sensatez.

araujo-costa@uol.com.br

Acervo Curaçaense

Em 1980 – já se vão, por aí, mais de quatro décadas – a administração de Curaçá tinha à frente o prefeito Aristóteles de Oliveira Loureiro (Tote) e seu vice-prefeito Hélio Coelho Oliveira, honra e glória de Barro Vermelho.

A Câmara Municipal era presidida pelo ético e decente vereador Ismael Cariri dos Santos, de Riacho Seco e a vice-presidência recaía sobre o ínclito Dr. Pompílio Possídio Coelho.  

O 1º secretário da Câmara era o vereador Manoel Pires de Menezes (Nozinho), filho de tradicional família de Chorrochó e representante de Patamuté.

Aristóteles de Oliveira Loureiro fez um movimento para reviver a história de Curaçá e até criou uma equipe que se distribuiu em diversas comissões com o intuito de cuidar daquele momento histórico.

O conteúdo dessa iniciativa está num folheto/resumo que foi coordenado pelo jornalista juazeirense Ermi Ferrari Magalhães e dele faziam parte, dentre outros, Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. José Carlos da Silva Possídio, Omar Dias Torres (Babá), Edvaldo Araújo (Vavá), Durvalzito Dias Torres (Zito), Maria Alice Conduru, Antonieta Galdieri, Salvador Lopes Gonsalves e Maria Valdejane Aquino Souza.   

O Acervo Curaçaense certamente tem esse folheto em arquivo que, como se sabe, integra nossos alfarrábios históricos.

A professora Valdejane Reis Torres participou ativamente das pesquisas sobre a história do lugar e se tornou fundamental naquela empreitada.

Nomes da sociedade curaçaense da época contribuíram para sedimentar aquele momento da história, dentre esses Adair Brandão Aquino, Maria Valdelice Aquino, professora Terezinha Conduru e o respeitado político Antonio Carlos Duarte (KK), dentre muitos.

O trabalho cita pioneiros como João Francisco dos Santos, a fundadora da cidade Feliciana Maria de Santa Tereza de Jesus, Manoel Gonçalves Torres, José Jácome Bezerra de Carvalho Brandão, José dos Santos Torres, Militão Gonçalves Torres, Raul Coelho e tantos outros como Possídio Nascimento, Scipião Torres, Pedro dos Santos Torres, João Matos e José Amâncio Filho (“Meu Mano do Abaré”).

Ocupo-me desses fragmentos porque cada vez mais venho admirando o trabalho do pessoal que faz o Acervo Curaçaense e como parte dessa admiração cito os nomes que integram essa turma abnegada e essencial para nossa história: Luciano Gonçalves Ribeiro (Lugori), Elieusina Rodrigues de Almeida, Sivaldo Manoel da Silva, Elias Fonseca Martins, Deize Eustália Nunes de Carvalho, Ronie Von Barros da Cunha Júnior e até uma paulista do querido município de Santo André, Jacqueline Lopes de Araújo.  

Elias Fonseca Martins, quando à frente do Boletim Curaçá, acolheu e publicou alguns de meus pobres e confusos textos. Sou muito grato por isto.

Quanto a Lugori, intelectual de respeito, devo-lhe a consideração que sempre teve por mim.

A utopia faz parte dos sonhos. A efervescência dos sonhos se dá na juventude. Embora em idade septuagenária, ainda os mantenho. Os horizontes estão à frente de nosso caminhar e sempre será possível alcançá-los.

Se eu tivesse estruturas seguras nesse trôpego caminhar, fundaria a Academia de Letras de Curaçá e colocaria lá, para enriquecê-la, Lugori e Maurízio Bim. Esses rapazes vão longe.

araujo-costa@uol.com.br    

Os honestos ministros de Lula da Silva, a Codevasf e outras reflexões

“Nem sempre são de heróis as estátuas que nos habituamos a reverenciar em praça pública” (Italino Peruffo, in O Ditador).

Ministros deslumbrados

Ministros de Lula da Silva estão usando jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), de forma adoidada, para passear em finais de semana, por conta dos sofridos e injustos impostos que pagamos.

O ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), que se transformou em palmatória do Brasil – e se diz honesto – “passou sete finais de semana em São Luís, indo e voltando em voos da FAB e na maior parte dos casos, não teve agenda oficial” (Folha de S.Paulo, 20/05/2023).

Eu pensava, ingenuamente, que o ministro Flávio Dino tem a obrigação de zelar pelo dinheiro público. Errei, como tantas outras vezes.

Aparecem ainda na lista de perdulários do dinheiro público: os petistas Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e atual ministro do Trabalho e Fernando Haddad, ministro da Fazenda.

Faz parte também da lista de deslumbrados a ministra da Saúde, Nísia Trindade, queridinha da GloboNews.

Todos passam finais de semana em suas cidades usando aviões da FAB. Noutras palavras: passeando.

Entretanto, faz-se necessária uma observação: os ministros têm direito a usar aviões da FAB, desde que cumpram alguns requisitos. Decreto presidencial de 2020 restringe as viagens a emergência médica, segurança e a serviço, o que, como se vê, não é o caso.

Tais ministros não podem alegar que se trata de notícia falsa, as chamadas fakes news, como a esquerda exaustivamente gosta de chamar e a incorporou ridiculamente em nosso vocabulário, assim como fez com a palavra “negacionismo”.

O esbanjamento do dinheiro público para sustentar vaidades desses ministros deslumbrados está na Folha de S.Paulo, insuspeito porta voz da esquerda e, portanto, fato inquestionável.

Conseguintemente, não se trata de notícia falsa e os ministros não podem negar. Nem o PT pode negar, tampouco os aliados e puxadinhos do PT.

Codevasf

A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) continua sendo cabide de emprego e apadrinhamento de aliados do governo Lula da Silva, assim como foi no governo Bolsonaro.

Quem manda na Codevasf é o deputado baiano Elmar Nascimento (União Brasil), de Campo Formoso, que indicou o atual presidente da estatal Marcelo Moreira, mantido por Lula da Silva a troco de apoio político no Congresso Nacional.

Agora o presidente Lula, que a jornalista Eliane Cantanhêde, do Grupo Globo, chama de “gênio”, já sinalizou que vai alargar a área de atuação da Codevasf, criar outras superintendências e alojar mais aliados do governo.

Não há novidade nisto. Lula não está inovando, nem cometendo crime algum. As estatais sempre foram usadas para empregar parentes de políticos, amigos de políticos, amigos dos amigos de políticos, apoiadores de políticos, puxa sacos de políticos e outros sortudos mais.

Moralmente é deplorável e degradante, mas politicamente não é. Nunca foi.

A Codevasf já tem representação em Juazeiro (BA), mas Lula da Silva quer ampliar mais a estatal em Petrolina (PE).

As cidades são vizinhas, separadas pelo Rio São Francisco e unidas pela ponte Presidente Dutra, o que pressupõe que o objetivo não é técnico, mas tão-somente para acomodar os privilégios da poderosa família Coelho, que já tem uma fatia da Codevasf sob o comando de Aurivalter da Silva, ex-assessor de Fernando Bezerra Coelho (MDB) que de repente passou de bolsonarista a lulista desde criancinha.   

Política inescrupulosa é isto, sempre igual. Mudam-se os governos, mas não muda a prática política deletéria.

Um parêntese: minha falta de conhecimento e ignorância geográfica não me permitiam captar que o Amapá e o Mato Grosso fazem parte dos vales do São Francisco e do Parnaíba.

Entretanto, consta que a Codevasf está investindo cerca de R$ 142 milhões no Amapá, estado político do senador Randolfe Rodrigues (Rede, em mudança para o PT), líder do governo no Congresso Nacional.    

Resta-me pedir vênia e confessar a monumental ignorância.

Os deslumbrados do poder usufruem do dinheiro público e a plebe à qual me incluo pensa que sabe votar e escolher bem nas urnas.

Perguntar não ofende

Há mesmo quem acredite que alguns membros do Poder Judiciário que abandonaram a Constituição da República e estão agindo politicamente na linha do “prendo e arrebento” defendem a democracia?

araujo-costa@uol.com.br