O Nordeste merece respeito

Nelson Rodrigues tinha razão.

“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos” (Nelson Rodrigues, jornalista e teatrólogo, 1912-1980).

O Nordeste merece respeito. Os nordestinos merecem respeito.

Primeiro, foi o vereador Sandro Fantinel (Patriota) de Caxias do Sul (RS) que espezinhou os baianos aos quais me incluo. Disse que somos desocupados e preguiçosos.

Em patético, repugnante e preconceituoso discurso, o vereador espezinhou os baianos, expeliu preconceito pelas ventas e, sobretudo, igualou-se ao esgoto, às valas fétidas, às sarjetas.

O vereador disse que a única cultura que os baianos têm “é viver na praia tocando tambor”.

Agora, é um desembargador do Paraná que se sente a superioridade em pessoa e nos ataca.

Envergando uma toga, símbolo da seriedade da Justiça, que certamente não sabe usá-la, o desembargador Mário Elton Jorge disse que o Paraná “é um estado que tem nível cultural superior ao Norte e Nordeste” (UOL, 16/04/2023).

O Nordeste merece respeito. A declaração do desembargador é desprezível, ainda mais partindo de um membro do Poder Judiciário.

O mínimo que se espera de um magistrado é que seja civilizado.

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Aniversário, amizades, agradecimento

“A amizade é um amor que nunca morre” (Mário Quintana, poeta gaúcho, 1906-1994)

Em 14/04/2023 completei 71 anos. Nessas décadas de tropeços, caí muitas vezes e levantei outras tantas. Continuo com a mesma disposição para levantar-me, enquanto puder, quantas vezes o mundo me imponha outras quedas difíceis ou razoavelmente difíceis.  

A construção mais segura que consegui edificar no decorrer desse tempo que se passou resume-se às amizades.

O melhor esteio que sustenta a construção da vida ainda é a amizade, que permite o tapetar do caminho em direção à compreensão sincera que muitas vezes desejamos e nem sempre alcançamos nas horas de dificuldades.

Em 1975, participei do 12º Cursilho de Cristandade da diocese de Juazeiro (BA), realizado de 10 a 13 de abril e coordenado pelo bispo D. José Rodrigues de Souza (1926-2012), da Congregação do Santíssimo Redentor.

Lá aprendi – e nunca mais esqueci – a maior lição de fé e otimismo que carrego até hoje e que me sustenta nos momentos de dificuldades extremas: “No mundo tem angústias e atribulações. Tende confiança. Eu venci o mundo” (Evangelho de S. João, 16-33).

Por isto luto, por isto, enfrento as tempestades. Em certas ocasiões, as amizades são indispensáveis para o enfrentar dessas intempéries.

Em respeito, consideração e deferência a todas essas pessoas que se permitiram mandar mensagem pela passagem de meu aniversário, agradeço as felicitações que recebi de:  

Adalice de Paula, Antonio Marcelo Almeida Lima, Eduardo Morelli, Valter Alves de Carvalho, Maria do Socorro, Jacson Prado, Reginaldo Rodrigues da Silva, Leny França, Júlia Maria Livino dos Santos, Maria da Silva Rego, Márcia Almeida Gonçalves, Tarcísio Bizerra, Angelita Viana, Leandro Ribeiro, Mailton Araújo, Jamila Bruni, William Rodrigues de Souza, Vera Lúcia Araújo, Jairon Henrique de Souza, Lázaro José, Virgílio Ribeiro de Andrade, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Jorge Jazon de Menezes, Jurandy Henrique de Souza, Maria Paixão, Guto Menezes, Maria Odete Marques, Francineide Santos, Rosana Santos, Sandro Gonçalves de Toledo, Acioli Silva, Auxiliadora Pires, Jivanda Mendes, Romildo Ferreira, Adalberto Machado Oliva, Dasdores Ribeiro, Dc Damázio Soares, Raimundo Lourenço, Marcondes Alcântara, Maria Léa Santos Souza, Murilo Bonfim, Rosângela Brandão, Carlete Alcântara, Gilka Conduru Mendes, Ivete Neves, Das Doures Dias, Sukaa Reis, Marina Paixão Dias, Maria Socorro Santos, Maria Inez Alves, Celina Nunes, Cleide Ferreira, Coninha Sena, Maria Dosanjo, Lenisse Santana, Robério Fonseca Brandão, Hérica Alcântara, Perpétua Gonçalves, Zaira Brandão, Goreth Ferreira, Anselmo Vital, Anselmo Filho, Dorinha Souza, José Carlos Reis Miranda, José Afonso Almeida, Joserval Félix Oliveira, Adalcina Moreira, Telma Sena, Ângela Roberto Diniz, Cleide Ferreira, Renato Nascimento Mota, Ângela Silva, Maria Emília Lima, Maurízio Bim, Maria da Silva Rego, Lucineide de Oliveira Dias Mota, Edite Benatti, Camila Leal, Guilhermino Fonseca, Maurício Gonçalves, Naiana Dias, Cris Ribeiro, Adilson Ferreira Santos, Nenzão Paixão Joselito, Aidete Paixão de Souza, Marcelo Vieira, Gercina Maria, Ivone Araújo, Getúlio Barbosa, Alex Reis Nascimento, Erivaldo Gomes Souza, Eurides Araújo, Ediva Santa Rosa, Maria Estela Corradi de Abreu, Creuza Miranda, Lydia Veras, Cleber Belchior, Humberto Antonio, Maria Rita da Luz Menezes, Maria da Graça Gracinha, Alessandra Reis, Jefferson Botias, Maria Auxiliadora Nery, Eva Pandorf, Zelinho Sena, Edmilson Ribeiro, Rogéria Alves, Idelfonso Silva, Eugenio Pachelli Evangelista Xavier, Edercino Tolentino, Neusa Silva Buglia, Sílvia Souza Lima, Abdu Jarouche, Vilani Rego, Omara Lopes da Silva, Cleide Rodrigues/Valdir Rodrigues, Laudney Miolli, Heliete Dantas, Vanízia Mendes, Reginaldo Vieira, Dircis de Souza Bom, Marinalva Santos, Tusa Granato, Vera Lúcia Gomes Amaral, Dorinha Souza, João Evangelista dos Santos Souza, Josemário Brandão, Margareth Gomes Pires, Antonio Wilson de Menezes, Rosana Reis, Lígia Brandão, Júnior Ramos, José Valberto Matos Leite, Ivana Silvano, Rosineide (Grupo Patamuté City), Laura Fonseca, Wagner Reis, João de Teófilo, Tony Bahia, Reinaldo Kato, Zé Rodrigues, Nelson Cano, Maurycélia (Grupo Patamuté City), Divonete Lucas, Rosineide (Grupo Patamuté City), Thereza Menezes, Fátima Barbosa Lopes, Gilberto Fonseca Betho, Hemanuela Souza, Clarice Alves Reis, Edilson Oliveira, Odilon Luiz de Oliveira Júnior, Marcos Uliana,  Cleide Rodrigues, Vânia Cunha, Ângela Roberto Diniz, Regis Lucas, Lourdes Pelúcio, David Faria, Eliel Pelúcio, Priscila Faria, Liliane Melchol, Viviane Melchol, Edilene Xavier, Rogério Souza, Maria Goretti Gomes, Márcia Martins, Genildo Melo.

Agradeço, ainda, a: Josielton Lisboa, Alessandra Silva, Patrícia Cunha, Josinaldo Santos, Irene Neves, Eduardo Santos, Tânia Freire, Jailson Cardo, Elizanete Souza, Valdimiro Nascimento, Nailde Gonçalves, Betinho Possídio, Marineide Silva, Ítala Reis e Sirlânio Santana.

Por último, agradeço à minha família que me acompanha em todos os momentos e me suporta com meus defeitos e esquisitices.

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Janja e a bolsa de Janja

A primeira dama Janja e seu marido Lula da Silva/Crédito Diário do Poder

A ilustríssima senhora Rosângela da Silva (Janja), primeira-dama do Brasil, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1983, aos 17 anos.

Antes de ser alcançada pelas luzes da fama, Janja exerceu um cargo de enésimo escalão na estatal Itaipu Binacional até desligar-se para se casar com Lula da Silva. Ambos se conheciam de longa data.

Presume-se que, sendo militante do PT, o partido que teoricamente defende os pobres, ela também os defenda e, à semelhança do marido presidente, deve lutar pela exclusão dos brasileiros miseráveis da linha da pobreza, o que todos concordamos.

Entretanto, a ilustríssima primeira-dama do Brasil anda se comportando contraditoriamente em relação ao que prega o PT.

D. Janja está deslumbrada com o poder, com a riqueza do poder, com a fama do poder, com o glamour do poder e, sobretudo, com a saída do anonimato.

Por exemplo, em viagem aos Estados Unidos, envergou elegantemente uma bolsa da grife francesa Celine, avaliada em R$ 21.400,00, segundo abalizados órgãos de imprensa. Ou seja, a petista D. Janja é burguesa que adora luxo e dinheiro.  

O valor que D. Janja pagou pela bolsa somente usada pelas madames da alta sociedade, revestida com detalhes de prata é suficiente para o INSS pagar 16 aposentadorias de um salário mínimo.

Em razão desse comportamento burguês, D. Janja anda aos trancos e barrancos com Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil, porque ele vetou a compra de uma mesa de R$ 200 mil, que a primeira-dama queria adquirir para seu deleite na residência oficial.

Todavia, apesar de Rui Costa, D. Janja acabou comprando uma cama para o casal presidencial, por R$ 42 mil (o amor é lindo!).

D. Janja comprou também um sofá por R$ 65 mil. Ambos somados – cama e sofá – são suficientes para comprar uma casa para acomodar uma família desvalida, que o PT tanto fala em ajudar.

Lembrete: o luxo de D. Janja e de seu marido loroteiro é sustentado com os impostos que os brasileiros pagam, inclusive os pobres.

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O rico sorriso de Rui Costa

Ministro e ex-governador Rui Costa/Reprodução Wikipedia

O presidente Lula da Silva está exterminando a pobreza no Brasil, conforme prometeu na campanha para este seu terceiro governo.

Começou a nomear amigos e companheiros para funções de destaque em estatais com polpudos salários e extravagantes mordomias. Muitos estão acumulando cargos e engordando seus vencimentos.

A seguir, alguns poucos exemplos.

Os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Ester Dweck (Gestão) foram nomeados para conselheiros da Itaipu Binacional com salário de R$ 27 mil, que somando ao salário de ministro vai a R$ 68 mil por mês.

Lula nomeou o ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, para presidente da estatal Engea, um penduricalho do Ministério da Fazenda. Salário: R$ 42,8 mil.

Assim, Lula vai acabando com a fome dos companheiros aos poucos. Não há fome que resista a tanto dinheiro.

O todo poderoso Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia, vai embolsar uma renda familiar de aproximadamente R$ 110 mil por mês: R$ 41 mil de ministro,  R$ 27 mil de conselheiro da Itaipu e R$ 42 de sua esposa, que os petistas baianos engendraram-na conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

Todavia, a bem da verdade, não é somente Lula da Silva que faz isto. Todos os presidentes fazem, sem nenhuma parcimônia.

Todo presidente da República apadrinha amigos e aliados com cargos, benesses, mordomias e até com falta de vergonha.

Por exemplo, o então presidente Jair Bolsonaro nomeou, dentre outros, o experiente político e seu aliado baiano José Carlos Aleluia, ex-presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), para conselheiro da Itaipu, com salário equivalente ao de agora.

Aleluia carrega uma bagagem de seis mandatos de deputado federal e grande capacidade de articulação política. É o político que todos querem na condição de aliado.

Só para lembrar: os ilustríssimos conselheiros da Itaipu Binacional participam de reunião a cada dois meses e recebem por esse grande esforço o salário de R$ 27 mil por mês.

Não importa o nome técnico: salário, vencimento ou remuneração. Dá no mesmo.

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Patamuté, tempo e saudade

Delza e o neto/Crédito Leny França

O amadurecimento não se dá somente com a soma cronológica dos anos.

Amadurecemos também – e principalmente – com a persistência da esperança, a maneira de encarar os tropeços, o calejar das decepções e com a constância do sofrimento.

Amadurecemos também com a saudade que nos persegue sempre e com a certeza do caminho percorrido.

Amadurecemos com a humildade e desprezo à arrogância.

O tempo esconde as lembranças que a memória vai buscar na distância e no inexplicável da vida.

Lembro duas pessoas de Patamuté: Antonia e sua filha Delza. Queridas de todos, amigas de todos. Boas amigas, conversa agradável, convivência difícil de esquecer.

Antonia/Crédito Leny França (por ser muito antiga a qualidade da foto está prejudicada)

Essas fotos me foram gentilmente enviadas por Leny França em 08/06/2016, a meu pedido e constam em sua página no facebook.   

O tempo virou saudade.  

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O catolicismo e desmoronamento da fé

Declarações recentes vindas da Igreja Católica Apostólica Romana podem contribuir para o desmoronamento paulatino da fé católica ou, no mínimo, fragilizá-la de forma decisiva neste mundo conturbado e cada vez mais violento e difícil de compreender.

Dispensa de madrinhas e padrinhos nos sacramentos.

“O bispo de três dioceses da província de Caserta, no sul da Itália, decidiu suspender a presença dos padrinhos e madrinhas nos batismos e crismas, experimentalmente, por três anos” (IstoÉ, 05/03/2023).

Monsenhor Giacomo Cirulli expediu um decreto em março, salvo melhor juízo, que redefine batismo, comunhão e o rito de iniciação cristã de adultos em sua área de atuação, de modo que, dentre outros pontos, os padrinhos serão declarados dispensáveis.

Diz o bispo que “no atual contexto sócio-eclesial, o ofício de padrinhos e madrinhas, em sua maioria, perdeu seu valor original”.

Segundo publicou a imprensa – não só a IstoÉ – no entendimento do bispo, a missão dos padrinhos e madrinhas “consiste em acompanhar os catecúmenos ou os candidatos à confirmação ao longo de todo o caminho de fé, e não apenas no momento da celebração do Sacramento. Esse papel perdeu quase totalmente o sentido”, reduzindo-se a uma espécie de cumprimento formal ou costume social.

Ou seja, em três dioceses do sul da Itália não serão mais necessários madrinhas e padrinhos tanto no Batismo quanto no Crisma ou Confirmação da graça do batismo.

Como se vê, Sua Reverendíssima reduziu os padrinhos a mero “cumprimento formal e costume social”. Tornou-os sem nenhuma importância perante a Igreja. Um descalabro, partindo de uma autoridade eclesiástica.

Celibato dos padres

Por outro lado, “o Papa Francisco disse que o celibato dos padres é uma medida temporária e que pode ser revista”.

Em uma entrevista a um site de notícias da Argentina, Francisco lembrou que, mesmo dentro da Igreja Católica, os sacerdotes das igrejas que seguem o rito oriental podem se casar e que o celibato na igreja ocidental é apenas uma receita temporária.

A ordenação, essa sim, é para sempre, mesmo que o padre mais tarde deixe a igreja. Por isso, segundo Francisco, não há contradição no casamento de sacerdotes” (G1/Jornal Nacional, 11/03/2023).

Oportuno lembrar que, segundo a TV Canção Nova, “na manhã da Quinta-feira Santa, o bispo consagra o óleo para ser utilizado no batismo, na confirmação, na ordenação dos sacerdotes e dos bispos e na consagração dos altares e dos sinos. O óleo representa a alegria, a força e a saúde”.

A tradição católica diz que o óleo é de oliveira e perfumado com resina balsâmica.

Entretanto, como se vê, até a tradicional Igreja Romana está mudando.

Pode aí ser a sinalização de uma possível derrubada de alguns dogmas que sustentam a Igreja Católica há séculos.

Novos ventos sopram a Santa Sé e o Vaticano. Isto pode ser o começo do desmoronamento da fé católica que, para grande parte dos fiéis, já não é tão consistente.

Bento XVI (1927-2022) já está fazendo falta.

Antes de ser Papa, ele foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e zeloso vigilante das tradições da Igreja Católica.

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Curaçá, Anselmo Vital e os andaimes de uma construção difícil

Anselmo Vital/Crédito:Página pessoal facebook

“O homem não é velho, desde que os lamentos não tomem o lugar de seus sonhos” (John Barrymore, 1882-1942)

Já se disse, por aí, que a juventude é caótica.

Embora essa afirmação tenha um quê de verdade, é razoável entender que a juventude se sustenta na capacidade de duvidar de suas próprias dúvidas. E isto a impulsiona em direção à realização de seus sonhos.

Curaçaense de boa cepa e filho de Patamuté, Anselmo Vital vem se ocupando de uma construção um tanto difícil neste nosso conhecido cenário de injustiças sociais.

Ingressou nos movimentos sindicais e comunitários e, em consequência, na luta política, ainda no período estudantil. Deu certo, está dando certo.

Construiu liderança respeitável e reconhecida ao longo de anos dedicados à causa daqueles setores sociais que sempre estiveram à margem das decisões de governo, dentro e além dos limites do município de Curaçá.

A política partidária lhe garantiu visibilidade e lastro robusto para desenvolver seu trabalho permanente voltado precipuamente ao município de Curaçá.

A luta de Anselmo Vital em defesa daqueles que não têm voz e nunca tiveram voz é valiosa, sempre será valiosa.    

É inegável que o obstáculo maior para assegurar o mínimo necessário à vida das populações rurais, por exemplo, sempre foi a sedimentação da cultura do descaso, a ausência de seriedade dos governantes e, sobretudo, a falta de informação.

As pessoas carentes, que precisam de amparo do poder público, não dispõem de meios e desconhecem os caminhos para cobrar, cutucar, exigir, denunciar. E isto é terreno fértil para o surgimento de demagogos e embusteiros de toda ordem em ocasiões eleitorais, ávidos por votos, mormente dos incautos. 

A luta em defesa dos direitos constitucionalmente assegurados há de ser permanente, vigilante, constante.

Anselmo Vital não tem se descuidado disto, de modo que seu nome é citado em toda e qualquer discussão sobre assuntos prementes do município de Curaçá, máxime no que tange a direitos negligenciados ou espezinhados.

É constrangedor que o centenário distrito curaçaense de Patamuté não tenha um vereador que se digne lutar pelas mínimas reivindicações da população do lugar, que são muitas e urgentes.

Não obstante sem mandato legislativo, Anselmo Vital vem ocupando esse espaço em Patamuté, em razão do vácuo deixado por alguns políticos pouco interessados nas demandas locais, embora as urnas lhes tenham sido generosas nas últimas eleições municipais.

Parece indubitável que a transformação do mundo se dá através dos sonhos, que estrutura as mentalidades. Isto remete este escrevinhador à conhecida frase de Sérgio Granja:

“A gente gasta a juventude na ilusão de transformar o mundo. Quando se dá conta, já não sobra tempo para se adaptar a ele”.

No caso de Anselmo Vital, felizmente, parece que ele vem se adaptando aos poucos a este mundo de injustiças à medida em que cuida tão bem dos andaimes dessa construção tão difícil, qual seja, lançar esse olhar generoso, abrangente e vigilante sobre aqueles que vivem sufocados em sua condição de desamparo e desespero.

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Corujas e crepúsculos

Coruja buraqueira/iGUi Ecologia

O filósofo germânico Hegel (1770-1831) fez uma relação clássica entre a filosofia e a coruja. Lembrava que a coruja levanta voo ao cair do crepúsculo.

A filosofia tenta explicar aquilo que não está claro para muitos. Ou porque é mesmo difícil enxergar ou porque as mentes estão ofuscadas, conturbadas, assustadas com a desfaçatez e a maldade que se aproximam cada vez mais de todos nós.

A coruja levanta voo ao anoitecer. Vai escurecer, mas é à noite que ela enxerga melhor. O escuro não lhe é obstáculo, mas clareza para seguir adiante.

O Brasil está prestes a adentrar à escuridão, ao abismo, ao despenhadeiro jurídico-político. Já estamos diante do caos.

É imperioso tentar enxergar mais adiante, divisar novos horizontes, mesmo em escuro tenebroso para desanuviar o entendimento e encontrar a saída para tantos males.

A credibilidade dos poderes da República está se esfacelando dia a dia.

O Executivo não encontra saída para governar, o Legislativo tropeça nos interesses escusos de seus membros e o Judiciário vai-se esvaindo, credibilidade ladeira abaixo.

Atualíssima a frase de Rui Barbosa: “Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje que nos falta”.

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A impaciência do escritor Paulo Coelho

Escritor mais lido em todo o mundo – circulam informações que vendeu mais de 350 milhões de livros, salvo engano – Paulo Coelho foi parceiro do baiano Raul Seixas (1945-1989) e com ele compôs, dentre outras músicas: Gîtâ, Al Capone, Medo da Chuva, Sociedade Alternativa, Tente outra vez, Eu nasci há dez mil anos atrás, A maçã e muitas mais.

Esquerdista de respeito desde a juventude, Paulo Coelho vem apoiando Lula da Silva e o defendeu em algumas ocasiões.

Em data recente, Paulo Coelho se mostrou arrependido pelo apoio que deu a Lula da Silva, classificou seu governo de “patético” e mais do que isto, demonstrou decepção. Alegou que perdeu leitores em razão disto e “tuitou” mais alguma coisa em desfavor do presidente.

Parece razoável entender que Paulo Coelho está um tanto apressado. Ou impaciente.

Lula da Silva está apenas no começo deste seu terceiro governo e ainda pode mudar muitas coisas nesses quatro anos de mandato, talvez para pior, mas é mesmo muito cedo para avaliar o governo Lula.

Não há surpresas até agora. Qualquer iniciante em observação política sabe que não se pode esperar muita coisa de Lula da Silva, além das lorotas, tais como a que extinguiu a extrema pobreza do Brasil e que o PT é o caminho mais seguro para que os brasileiros alcancem o paraíso social.

Todos conhecem a forma de governar de Lula da Silva. Muito estardalhaço, apadrinhamento de seus asseclas e espreita com a corrupção, o que, aliás, não é privilégio do governo Lula. Todos os demais governos foram corruptos, em menor ou maior grau de safadeza.

Lula já foi presidente da República duas vezes e o Brasil não acabou.

De qualquer modo, o escritor Paulo Coelho podia esperar mais um pouco antes de romper com Lula da Silva, se é que isto é sinal de rompimento.

Em política não há bons exemplos de rompimentos precoces.

O ator de filme pornô Alexandre Frota e Joice Hasselmann, que eram deputados federais e lambiam as botas do presidente Jair Bolsonaro, romperam com ele e caíram em desgraça. Retumbante desgraça. Os eleitores os empurraram para o esgoto da mediocridade.

O mesmo aconteceu com o magnata sem noção João Dória, que foi governador de São Paulo. Começou a cair quando misturou alhos com bugalhos e política com vaidade.

Entretanto, a situação de Paulo Coelho é um tanto diferente dos exemplos citados, porque ele não precisa de Lula da Silva em nenhuma circunstância, até porque não é político.

Mas politicamente o rompimento faz diferença. Mexe com a autoestima de Lula, porque Paulo Coelho é famoso e lido no mundo inteiro.

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As contradições da esquerda lulopetista

Ministro petista Paulo Pimenta/Foto de Gabriela Biló/Folhapress

Em 28/08/2022, em debate presidencial da campanha eleitoral na TV Bandeirantes, o então truculento e atrapalhado presidente Jair Bolsonaro se indispôs com Vera Magalhães (TV Cultura), tendo em vista uma nítida provocação da jornalista.

Inteligente e perspicaz, Vera Magalhães confirmou, depois, o intuito de irritar o presidente, por intermédio de uma pergunta enviesada dirigida ao candidato Ciro Gomes.

“Você é uma vergonha para o jornalismo”, disse o presidente da República.

Isto foi a gota d´água para que a esquerda gonorreica lulopetista entulhasse a imprensa e redes sociais de acusações ao então presidente Bolsonaro. Atribuíra-lhe até crimes que o presidente jamais cometeu.

Entretanto, recentemente, em entrevista à CNN, o radicalíssimo petista Paulo Pimenta, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (SECOM) do governo Lula da Silva, desqualificou ridiculamente a âncora Raquel Landim, ao ser confrontado com algumas contradições.

A irritação do ministro teve origem, dentre outras perguntas, porque a jornalista lhe perguntou a razão de o deputado e hoje ministro ter omitido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma mansão milionária que tem em Brasília há mais de uma década e nunca declarou à Justiça Eleitoral.

“Você é jornalista?” – perguntou o ministro de Lula.

A apresentadora logo rebateu:

“Sim, formada pela Universidade de São Paulo”.

Dentre outros órgãos de imprensa, está no lulista O Globo de 25/03/2023.

Não se viu ou ouviu da esquerda lulopetista – diurética ou gonorreica – nenhuma palavra de solidariedade à jornalista da CNN à semelhança do estardalhaço que fez a respeito de Vera Magalhães.

E por que o silêncio?

Exatamente porque o ministro Paulo Pimenta é petista e queridinho da esquerda que o abriga e da imprensa subserviente e militante.

O ministro escorregou no quiabo, tergiversou, expôs a cara de pau, ficou sem jeito e não conseguiu responder à pergunta da jornalista.

Convenhamos. Tal qual o deputado cearense e seu colega petista conhecido como “dólar na cueca”, é difícil explicar.

O Brasil vai precisar de muito plantio de peroba.

Nossos políticos vão precisar. Sejam da direita ou da esquerda.

araujo-costa@uol.com.br