Opinião do leitor e professor Santana

Em data recente, publiquei neste blog, artigo com o título Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão.

Leitor que se deu ao trabalho de ler o artigo e se identifica como Professor Santana, o que muito agradeço, observou: “Esta matéria tem cheiro de jabá”. (WhatsApp, Grupo Política Curaçaense, domingo 28/05/2023).

Não, professor. Não tem cheiro de jabá. Seu olfato não está bom. Convém cuidar dele para não sair por aí sentindo cheiro onde não existe.

Jabá, para quem não sabe – e ninguém tem obrigação de saber – é um eufemismo existente nos meios jornalísticos e de comunicação para significar recebimento de recompensa, noutras palavras, de propina, para priorizar publicação de matérias ou viabilizar o comparecimento a programas jornalísticos, de entretenimento ou de qualquer natureza do interesse de quem se dispõe a pagar.

Como se vê, é uma pratica aética, imoral, desprezível, hipócrita.     

Confesso ao conspícuo e nobilíssimo professor que, inobstante a prática que ele parece achar corriqueira, ainda sou um dinossauro ético e prezo pelo exercício diuturno da ética em qualquer profissão ou atividade humana, inclusive, por óbvio, no jornalismo.

Não tenho a pretensão de ter a “espinha inflexível do caráter”, como diria Raul Pompéia (O Ateneu), mas considero-me incapaz de receber quaisquer recompensas a troco de eventual publicação de qualquer assunto, em meu blog, que beneficie A, B, C ou Z.

Quiçá, eu seja o “avesso, do avesso, do avesso”, como diria Caetano Veloso, concernentemente à prática que o ilustre mestre Santana equivocadamente aponta em minha humilde conduta.

Para conhecimento do insigne professor, esclareço que não conheço o deputado Mário Negromonte Júnior  (PP-BA) e nunca fiz contato com sua assessoria pessoal ou parlamentar, de modo que o jabá não existiu, nem é do meu feitio receber.

Ademais, é razoável supor que o deputado não estaria disposto a pagar se, indecentemente, fosse instado a fazer. É temerário generalizar, menos ainda, quando se trata de um jornalista das caatingas de Patamuté. Lá a vergonha vem do berço.

O artigo restringe-se tão somente à história política do sertão baiano e, como tal, não tem o intuito de elogiar ou enaltecer o deputado Mário Negromonte Júnior.

No mais, sou grato ao professor Santana por ter lido meu texto e penitencio-me se não estiver à altura de seu conhecimento de mestre, mormente relativamente ao jabá.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté há 55 anos

13 de junho de 1968. Igreja de Santo Antonio, em Patamuté. Lá e naquela data, como era comum, realizaram-se casamentos, batizados, missas e procissão de encerramento dos festejos do padroeiro, à tarde, quase ao cair da noite.

Eu estava lá.

Esta foto me diz muito.

Da esquerda para direita: padre Adolfo Antunes da Silva, vigário da Paróquia de Curaçá, que presidia os festejos do padroeiro Santo Antonio; ao fundo, a professora Maria Auxiliadora de Menezes, que ainda não tinha Kawabe no nome; Theodomiro Mendes da Silva, um tanto jovem, que ainda não tinha sido prefeito de Curaçá e Euza Dias de Araújo, mãe da criança.

O menino que estava sendo batizado chama-se Alaécio Araújo Costa, que mora na Fazenda Estreito, Riacho da Várzea, na divisa com o município de Chorrochó.

Não me recordo o nome do sacristão (ajudante do padre), figura também muito importante na solenidade que segura a bacia com a água batismal.

A professora Maria Auxiliadora de Menezes, a madrinha; e Theodomiro Mendes da Silva, o padrinho.

Naquele tempo Theodomiro Mendes da Silva era executivo da Rovel Couros e Peles S/A, em Juazeiro, frequentava regularmente sua Fazenda Ouricuri, nas cercanias de Patamuté e fazia política em Curaçá. As eleições vitoriosas para prefeito, em duas ocasiões, viriam bem depois.

A professora Maria Auxiliadora de Menezes Kawabe é filha de Maria José de Souza Menezes (D. Zarica, 1924-2018) e de Manoel Pires de Menezes (Nozinho, 1920-1999), ambos exemplos de caráter e decência para todos nós de Patamuté e daquela geração.

Saudosismo? Talvez.

Um registro, uma lembrança, a fé em Santo Antonio.

araujo-costa@uol.com.br

Entre o vandalismo e a esperança

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Supremo Tribunal Federal/Imagem institucional

Símbolo do Poder Judiciário e de nossa combalida República, o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) vem passando por tenebrosos dias de caos através dos quais a Justiça claudica.

Maior democrata de nossa história, o presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira (1902-1976) sonhou em ver um Brasil grande: Executivo atuante, Legislativo forte e Judiciário moralmente gigante. Assim também sonharam o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e o urbanista Lúcio Costa (1902-1998).

Presidente Juscelino Kubitscheck/Reprodução Politize

O sonho desses grandes homens que construíram a história do Brasil e de Brasília hoje passa por sérios arranhões. Sonhos que os apequenados homens de hoje são incapazes de sonhar.

 

Arquiteto Oscar Niemeyer/Reprodução Editora Cobogó

No limiar de 2023, até vândalos se acharam no direito de agredir, destroçar, espezinhar e tentar destruir as sedes dos Poderes da República.

Vândalos. Como existem vândalos em Brasília!

Urbanista Lúcio Costa/Reprodução Revesto

O Brasil não é a arrogância de hoje, a incompreensão do agora. Brasília não é este amontoado de deslumbrados pelo poder que se sustentam em suas vaidades.

Os ocupantes dos três Poderes da República não se dão conta de que são efêmeros e que o Brasil é permanente.

O Brasil precisa de grandes homens para realizarem grandes tarefas.

Esperança, sempre.

araujo-costa@uol.com.br

Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão

Deputado Mário Negromonte Júnior/Crédito Câmara dos Deputados

“O político se faz grande quando atende aos pequenos” (José Cavalcanti, São José de Piranhas-PB)  

Jornalista às vezes ou quase sempre é bicho inconveniente.

Há alguns anos, escolhi o horário do café da manhã, que o costume do sertão reúne a família – hoje nem tanto como antigamente – e telefonei para velho e experimentado líder político sertanejo, que o ostracismo o jogou nos braços da indiferença eleitoral.

Feitos os salamaleques de praxe, perguntei se ainda tem algum líder político respeitável e de futuro no sertão. Ou, pelo menos, à moda antiga.

“Rapaz, não tem não. Só aparece por aqui, em tempo de festa, Mário Negromonte Júnior”, ponderou meu interlocutor.

A resposta reticente e pessimista, mas esclarecedora e um tanto óbvia, atestou, pelo menos naquela ocasião, a escassez de liderança política no sertão da Bahia.

Parece que agora as visitas de deputados têm sido mais frequentes em suas bases eleitorais.

Mário Sílvio Mendes Negromonte Júnior, que tem nome de nobre português, é jovem deputado federal de 43 anos, eleito pelo Partido Progressista (PP) da Bahia. Agora, salvo melhor juízo, foi conduzido à direção estadual do partido.

O deputado Mário Júnior, nascido em Paulo Afonso, tem sólidas raízes no município de Glória, que o progresso hidrelétrico mudou o traçado original, engoliu tradições e suor dos antepassados e o renomeou de Nova Glória, num claro acinte à bonita e rica história de Curral dos Bois e Santo Antonio da Glória.

Terra do lendário Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro e de seu ínclito neto Raimundo Reis de Oliveira, escritor, jornalista, político e cronista, Glória mantém intacta sua história de homens públicos respeitáveis.

O lastro biográfico do deputado Mário Júnior vem de longe. O avô Dionízio Pereira foi vereador e prefeito de Glória e seu respeitabilíssimo tio Dr. Adauto Pereira de Souza, honra e glória do sertão, foi prefeito de Paulo Afonso (1963-1966). Mais do que isto: era respeitado em todo o sertão da Bahia.

A mãe e Doutora Ena Vilma Pereira de Souza Negromonte foi prefeita de Glória e o pai Mário Negromonte tem uma trajetória política que vai de deputado estadual a deputado federal por diversos mandatos, passando pelo Ministério das Cidades. Hoje, salvo engano, é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

Ainda muito jovem Mário Júnior foi deputado estadual (2011 a 2014) e desde 2015 é deputado federal com mandato até 2027.

Advogado com extensão em Harvard (EUA), o deputado Mário Júnior parece despontar como uma esperança para a caatinga.

O sertanejo gosta de abraçar seus líderes, embora os líderes só gostem de abraçá-lo em épocas de campanhas eleitorais e ocasiões de festejos locais dos padroeiros e festas juninas.

O Dr. Adauto Pereira de Souza nunca abandonou a caatinga, onde tinha amigos leais na amizade e fiéis na política. Assim faziam os políticos daquela geração.

Mário Júnior pelo menos tem cavado algumas emendas parlamentares para a região e, sabe-se, é parlamentar razoavelmente ativo.

Terá futuro, se procurar se desviar do caminho que seguem os políticos tradicionais.

A chave para abrir as portas da liderança política permanente do sertão está na ajuda aos pequenos.

Vamos aguardar a sequência dos anos e ver no que vai dar.

araujo-costa@uol.com.br

Sobre o Prefeito de Curaçá

Prefeito Pedro Oliveira, de Curaçá-BA/reprodução google

“Apraz aos velhos dar bons conselhos como consolo por já não estarem em condição de dar maus exemplos.” (François La Rochefoucauld, moralista francês, 1613-1680).

Já se passaram alguns anos.

Leitor de Curaçá que se dava ao trabalho de ler meus textos – e certamente hoje não mais me lê – fez uma observação um tanto irônica: “Você gosta de opinar sobre assuntos de Curaçá, mas nunca lhe vi por aqui”, disse ele.

Noutras palavras, o leitor quis dizer que meto o bedelho onde não sou chamado, sem conhecimento do assunto.

Embora razoável a ponderação, tentei explicar: como não sou nenhuma celebridade, devo ter passado por lá sem ter sido notado pelo atento curaçaense, o que, aliás, não faço a menor questão.

Ademais, não preciso empunhar um archote para ser notado. Confesso que não gosto de exibicionismo, nem sou narcisista.   

Então, já que estou falando de pitacos, cuido aqui do prefeito de Curaçá, brevemente e en passant.

Em política, o gestor é visto mais pelo que não faz do que pelo que faz. Essa premissa chega a ser elementar.

Não conheço Sua Excelência Pedro Oliveira, prefeito de meu altaneiro e baiano município de Curaçá e isto não tem a menor importância para ele e tampouco lhe faz qualquer diferença.   

Até tenho algumas restrições ao alcaide-mor de Curaçá, em razão de seu conhecido e inegável desprezo pelo distrito de Patamuté – sou filho de lá – inobstante eu também nada ter feito pela terra até agora, embora compreensivelmente, porque não sou político nem tenho meios e atribuições para tal.  

Contudo, venho notando ácidas críticas à atuação do prefeito Pedro Oliveira e não sou ingênuo a ponto de não perceber que tais críticas partem de setores isolados ou, quiçá, de pessoas que pretendem entrar na vida política e fazer oposição ao prefeito.

“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se”, dizia o filósofo germânico Hegel (1770-1831).

Aí está o cerne da oposição, mas o antagonismo há de ser responsável, sério e, sobretudo, ético.  

Tentar desqualificar o prefeito, atribuindo-lhe prática reprovável, sem materializar a assertiva com provas, parece um tanto leviano e autoriza a presumir que tais acusações são inconsistentes e não têm o condão de se sustentarem.

Em democracia funciona assim: qualquer cidadão do povo pode valer-se das autoridades de controle e do Ministério Público para fazer denúncias contra agentes públicos, desde que amparado em provas irrefutáveis e não somente em indícios frágeis, em “ouvir dizer”.

Os próprios órgãos de fiscalização e controle têm forma regular de aquilatar eventual mau uso do dinheiro público e aplicar as penalidades decorrentes.

As redes sociais podem ser eficientes meios para muita coisa, menos terreno seguro para espalhar fumaça e arranhar reputações. É temerário fazê-lo e apequena quem assim procede.

É razoável presumir que o prefeito Pedro Oliveira tem cuidado de Curaçá dentro daquilo que ele vislumbra como acerto e objetivo de sua gestão. Esse entendimento o gestor público sustenta na voz das urnas.

Entretanto, é também razoável presumir que o prefeito tem capengado sobre a necessidade de implementar ações mais consistentes em benefício da população e isto parece claro. Há exemplos.

O que não concordo é com o costume ínsito na pequena política: espalhar opiniões desabonadoras contra o prefeito que, bem ou mal, está conduzindo a administração curaçaense estribado na vontade e escolha da maioria.

O prefeito pode ter caído na vala comum de um pensamento menor de fazer política, mas esta é outra história.

Daí a ser pretexto para enxovalhar e demolir a reputação do prefeito vai uma grande distância.

Não parece decência, não parece sensatez.

araujo-costa@uol.com.br

Acervo Curaçaense

Em 1980 – já se vão, por aí, mais de quatro décadas – a administração de Curaçá tinha à frente o prefeito Aristóteles de Oliveira Loureiro (Tote) e seu vice-prefeito Hélio Coelho Oliveira, honra e glória de Barro Vermelho.

A Câmara Municipal era presidida pelo ético e decente vereador Ismael Cariri dos Santos, de Riacho Seco e a vice-presidência recaía sobre o ínclito Dr. Pompílio Possídio Coelho.  

O 1º secretário da Câmara era o vereador Manoel Pires de Menezes (Nozinho), filho de tradicional família de Chorrochó e representante de Patamuté.

Aristóteles de Oliveira Loureiro fez um movimento para reviver a história de Curaçá e até criou uma equipe que se distribuiu em diversas comissões com o intuito de cuidar daquele momento histórico.

O conteúdo dessa iniciativa está num folheto/resumo que foi coordenado pelo jornalista juazeirense Ermi Ferrari Magalhães e dele faziam parte, dentre outros, Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. José Carlos da Silva Possídio, Omar Dias Torres (Babá), Edvaldo Araújo (Vavá), Durvalzito Dias Torres (Zito), Maria Alice Conduru, Antonieta Galdieri, Salvador Lopes Gonsalves e Maria Valdejane Aquino Souza.   

O Acervo Curaçaense certamente tem esse folheto em arquivo que, como se sabe, integra nossos alfarrábios históricos.

A professora Valdejane Reis Torres participou ativamente das pesquisas sobre a história do lugar e se tornou fundamental naquela empreitada.

Nomes da sociedade curaçaense da época contribuíram para sedimentar aquele momento da história, dentre esses Adair Brandão Aquino, Maria Valdelice Aquino, professora Terezinha Conduru e o respeitado político Antonio Carlos Duarte (KK), dentre muitos.

O trabalho cita pioneiros como João Francisco dos Santos, a fundadora da cidade Feliciana Maria de Santa Tereza de Jesus, Manoel Gonçalves Torres, José Jácome Bezerra de Carvalho Brandão, José dos Santos Torres, Militão Gonçalves Torres, Raul Coelho e tantos outros como Possídio Nascimento, Scipião Torres, Pedro dos Santos Torres, João Matos e José Amâncio Filho (“Meu Mano do Abaré”).

Ocupo-me desses fragmentos porque cada vez mais venho admirando o trabalho do pessoal que faz o Acervo Curaçaense e como parte dessa admiração cito os nomes que integram essa turma abnegada e essencial para nossa história: Luciano Gonçalves Ribeiro (Lugori), Elieusina Rodrigues de Almeida, Sivaldo Manoel da Silva, Elias Fonseca Martins, Deize Eustália Nunes de Carvalho, Ronie Von Barros da Cunha Júnior e até uma paulista do querido município de Santo André, Jacqueline Lopes de Araújo.  

Elias Fonseca Martins, quando à frente do Boletim Curaçá, acolheu e publicou alguns de meus pobres e confusos textos. Sou muito grato por isto.

Quanto a Lugori, intelectual de respeito, devo-lhe a consideração que sempre teve por mim.

A utopia faz parte dos sonhos. A efervescência dos sonhos se dá na juventude. Embora em idade septuagenária, ainda os mantenho. Os horizontes estão à frente de nosso caminhar e sempre será possível alcançá-los.

Se eu tivesse estruturas seguras nesse trôpego caminhar, fundaria a Academia de Letras de Curaçá e colocaria lá, para enriquecê-la, Lugori e Maurízio Bim. Esses rapazes vão longe.

araujo-costa@uol.com.br    

Os honestos ministros de Lula da Silva, a Codevasf e outras reflexões

“Nem sempre são de heróis as estátuas que nos habituamos a reverenciar em praça pública” (Italino Peruffo, in O Ditador).

Ministros deslumbrados

Ministros de Lula da Silva estão usando jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), de forma adoidada, para passear em finais de semana, por conta dos sofridos e injustos impostos que pagamos.

O ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), que se transformou em palmatória do Brasil – e se diz honesto – “passou sete finais de semana em São Luís, indo e voltando em voos da FAB e na maior parte dos casos, não teve agenda oficial” (Folha de S.Paulo, 20/05/2023).

Eu pensava, ingenuamente, que o ministro Flávio Dino tem a obrigação de zelar pelo dinheiro público. Errei, como tantas outras vezes.

Aparecem ainda na lista de perdulários do dinheiro público: os petistas Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e atual ministro do Trabalho e Fernando Haddad, ministro da Fazenda.

Faz parte também da lista de deslumbrados a ministra da Saúde, Nísia Trindade, queridinha da GloboNews.

Todos passam finais de semana em suas cidades usando aviões da FAB. Noutras palavras: passeando.

Entretanto, faz-se necessária uma observação: os ministros têm direito a usar aviões da FAB, desde que cumpram alguns requisitos. Decreto presidencial de 2020 restringe as viagens a emergência médica, segurança e a serviço, o que, como se vê, não é o caso.

Tais ministros não podem alegar que se trata de notícia falsa, as chamadas fakes news, como a esquerda exaustivamente gosta de chamar e a incorporou ridiculamente em nosso vocabulário, assim como fez com a palavra “negacionismo”.

O esbanjamento do dinheiro público para sustentar vaidades desses ministros deslumbrados está na Folha de S.Paulo, insuspeito porta voz da esquerda e, portanto, fato inquestionável.

Conseguintemente, não se trata de notícia falsa e os ministros não podem negar. Nem o PT pode negar, tampouco os aliados e puxadinhos do PT.

Codevasf

A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) continua sendo cabide de emprego e apadrinhamento de aliados do governo Lula da Silva, assim como foi no governo Bolsonaro.

Quem manda na Codevasf é o deputado baiano Elmar Nascimento (União Brasil), de Campo Formoso, que indicou o atual presidente da estatal Marcelo Moreira, mantido por Lula da Silva a troco de apoio político no Congresso Nacional.

Agora o presidente Lula, que a jornalista Eliane Cantanhêde, do Grupo Globo, chama de “gênio”, já sinalizou que vai alargar a área de atuação da Codevasf, criar outras superintendências e alojar mais aliados do governo.

Não há novidade nisto. Lula não está inovando, nem cometendo crime algum. As estatais sempre foram usadas para empregar parentes de políticos, amigos de políticos, amigos dos amigos de políticos, apoiadores de políticos, puxa sacos de políticos e outros sortudos mais.

Moralmente é deplorável e degradante, mas politicamente não é. Nunca foi.

A Codevasf já tem representação em Juazeiro (BA), mas Lula da Silva quer ampliar mais a estatal em Petrolina (PE).

As cidades são vizinhas, separadas pelo Rio São Francisco e unidas pela ponte Presidente Dutra, o que pressupõe que o objetivo não é técnico, mas tão-somente para acomodar os privilégios da poderosa família Coelho, que já tem uma fatia da Codevasf sob o comando de Aurivalter da Silva, ex-assessor de Fernando Bezerra Coelho (MDB) que de repente passou de bolsonarista a lulista desde criancinha.   

Política inescrupulosa é isto, sempre igual. Mudam-se os governos, mas não muda a prática política deletéria.

Um parêntese: minha falta de conhecimento e ignorância geográfica não me permitiam captar que o Amapá e o Mato Grosso fazem parte dos vales do São Francisco e do Parnaíba.

Entretanto, consta que a Codevasf está investindo cerca de R$ 142 milhões no Amapá, estado político do senador Randolfe Rodrigues (Rede, em mudança para o PT), líder do governo no Congresso Nacional.    

Resta-me pedir vênia e confessar a monumental ignorância.

Os deslumbrados do poder usufruem do dinheiro público e a plebe à qual me incluo pensa que sabe votar e escolher bem nas urnas.

Perguntar não ofende

Há mesmo quem acredite que alguns membros do Poder Judiciário que abandonaram a Constituição da República e estão agindo politicamente na linha do “prendo e arrebento” defendem a democracia?

araujo-costa@uol.com.br

O amor e o que resta dele, às vezes.

Há pelo menos cinco décadas leio e releio este texto do Padre Antonio Vieira (1608-1697), orador sacro e filósofo jesuíta. Tem-me servido muito de reflexão, ao longo do tempo, até para ensinar, quando fui professor.

Está nos “Sermões”. Ei-lo:

“Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.

Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera!

São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.

São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas.

Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.

De todos os instrumentos com que armou a natureza, o desarma o tempo.

Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê que não via; e faz-lhe crescer as asas com que voa e foge.

A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas.

Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?

O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar a menos.”

araujo-costa@uol.com.br

Fragmentos dispersos de Chorrochó: Walmir Prudente de Menezes

“Não apresse o rio. Ele corre sozinho.” (Barry Stevens, terapeuta americana, 1902-1985)

Walmir Prudente de Menezes/álbum de família.

A história de qualquer lugar se sustenta em fragmentos que se somam ao ideário de seus construtores e à grandeza de seus filhos, independentemente do viés político que ostentam.

Assim, Chorrochó.

Walmir Prudente de Menezes (1934-2012) descendia de tradicional família de Chorrochó, talvez o tronco mais robusto que representa a linhagem daqueles que escreveram a história do município.

Walmir nasceu em 21/01/1934. Era filho de D. Maria Argentina de Menezes e do comerciante Antonio Pacheco de Menezes (Tonho), sobrinho de Dorotheu Pacheco de Menezes, baluarte da emancipação política do município e neto de Francisco Pacheco de Menezes, primeiro intendente do município lá pelos idos de 1919.

Um parêntese: A história de Chorrochó registra uma curiosidade. Em 22/08/1919 houve sua emancipação política, de modo que foi nomeado intendente Francisco Pacheco de Menezes, mas voltou à condição de vila de Curaçá. A autonomia começou de fato em 12/09/1954 (segunda emancipação), quando, em razão de lei, foram instalados os serviços municipais na gestão do governador Luís Régis Pacheco Pereira.

Além de Walmir Prudente de Menezes, o casal Maria Argentina de Menezes e Antonio Pacheco de Menezes teve uma prole numerosa: Maria de Lourdes Menezes Araújo, Maria Nicanor de Menezes Veras, Maria Joselita de Menezes, Francisco Lamartine de Menezes, Maria Ita de Menezes, Antonio Pacheco de Menezes Filho, Maria Agripina de Menezes, José Osório de Menezes e Maria Eugênia de Menezes.

Penitencio-me quanto a eventuais omissões e grafias erradas de nomes, até em razão de vínculos matrimoniais, mas esses erros devem ser atribuídos à minha memória esburacada pela passagem do tempo.

Em 1962, salvo engano, Walmir participou da disputa para prefeito de Chorrochó, mas perdeu a eleição para José Calazans Bezerra (Josiel). Prudente no nome e no comportamento, abandonou a política partidária e se recolheu à solidão de sua estância onde se ocupou da pecuária que certamente lhe rendeu mais satisfação do que o eventual manuseio dos cofres municipais.

Aqui não se trata de um testemunho, nem tenho qualidades para fazê-lo, mas algumas achegas para lembrar a história de uma época em Chorrochó, que não queremos que pereça.

Ademais, sabe-se que pouco ou nada há sobre registros de fatos históricos do lugar, a não ser pobres fragmentos como este que escrevo e algumas louváveis iniciativas da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes que vêm tentando reconstruir a história de Chorrochó com a ajuda de alguns integrantes da família Menezes.

Generoso e de temperamento calmo, Walmir “não apressava o rio”, gostava de ouvir, não era muito chegado a discussões políticas, mas não se arredava de suas fortes convicções sempre alinhadas à família e às questões partidárias que ela defendia.

Respeitador e de bom caráter, todos reconheciam sua decência, de modo que comumente era ouvido em ocasiões politicamente difíceis. Deixou legado de honradez que se estendeu à descendência exemplar.

Walmir constituiu família numerosa. Casou-se com D. Maria Cleonice de Menezes com quem teve os filhos Wellington Luiz Pacheco de Menezes,  Rose Mary de Menezes Belfort, Edna Maria de Menezes, Marta Maria de Menezes, Walmir Prudente de Menezes Filho, João Antonio Pacheco de Menezes, José Audionor de Menezes (vi nalgum lugar que o correto é Claudionor), Antonio Pacheco de Menezes Neto e Cleonice Maria de Menezes.

Walmir exerceu o cargo de presidente local da CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), que administrava o então Colégio Normal São José.

A CNEC foi fundada em 1943 em Recife para “atender crianças e jovens que não possuíam ofertas de estudos pelo poder público ou não tinham condições financeiras para ingressar em colégios privados”. Chorrochó foi contemplado com a presença da CNEC que cuidou da educação e formou seguidas gerações. Walmir fez parte dessa abnegada história.  

Walmir Prudente de Menezes faleceu em 30/09/2012.

Walmir Prudente de Menezes/álbum de família.

Post sriptum:

As fotos que ilustram esta matéria são de álbum de família e retratam dois momentos distintos de Walmir: a juventude e o amadurecimento e foram gentilmente cedidas pela professora Maria Ita de Menezes, que também informou as datas de nascimento e falecimento .   

araujo-costa@uol.com.br

As lembranças nunca se acabam

Judivan Menezes/foto de seu perfil no facebook

Quando eu era jovem – vai longe no tempo – durante o mês de maio a pequena sociedade do sertanejo distrito de Patamuté celebrava o mês de Maria com alegria contagiante.

Era a devoção à mãe de Jesus e a preparação para a festa de Santo Antonio, excelso padroeiro do lugar, centenário acontecimento religioso que ainda acontece no período de 01 a 13 de junho.

O mês de maio representava, como ainda hoje, as mães e as flores. Assim entendíamos.

As mães e as flores nunca se acabam. Em alguns casos as mães se vão antes, mas ficam eternizadas na memória, na saudade, nas lembranças.

As flores também não se acabam. Vão-se umas, desabrocham outras, mas permanecem enfeitando a vida, o caminhar, os sonhos.

Nesse ambiente de juventude, construí algumas amizades por lá.

Na inexperiência da juventude é a melhor ocasião para a construção das amizades, que geralmente perduram.

Quando ficamos velhos, perdemos o encanto, as coisas deixam de ser interessantes e as amizades também se fragilizam. É a consequência dos tropeços, às vezes do sofrimento e quase sempre das decepções.

Alguns amigos daquela época se foram, outros permanecem e outros tantos desapareceram à procura de vida melhor que nosso Patamuté não oferecia.

Judivan Menezes é um deles que ainda estão por aí. Filho de D. Judite Menezes e do espirituoso Waldomiro Mendes (Vivi), exemplo de sujeito decente e de bom caráter. Ambos de famílias tradicionais de Patamuté.

Judivan – ou Vandinho como chamávamos na juventude – frequentava o Bar de Osmário Matos Torres, meu padrinho de batismo e onde eu trabalhava. Gostava de jogar sinuca, brincar, conversar, reunir os amigos.

Ouvíamos Roberto Carlos (LP O inimitável), Jerry Adriani, Paulo Sérgio, dentre outros. Coisas da juventude, lembranças da juventude.

Nunca mais vi Judivan, mas a amizade permanece, o que significa dizer que ele não soube escolher essa minha amizade esquisita, ausente, indecifrável.

Nada sei de sua vida. Se não mudou, Judivan é comerciante e cava a vida no Bar e Lanches Menezes, na Rua dos Ciclames, na Vila Prudente, em São Paulo.

Saudade dele.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Esta crônica foi publicada em 09/05/2023.

Não sei se Vandinho chegou a ler. É possível que não tenha lido.

Em 04/02/2024 a família comunicou o falecimento de Judivan de Souza Menezes da Silva.

O velório e o enterro aconteceram no Cemitério Curuçá, em Santo André-SP

Reproduzo a crônica, deixo pêsames a todos da família e elevo minhas preces para que Jesus Cristo lhe indique o caminho e Deus o ampare.