Patetismo jornalístico

“Vamos supor que você fosse um idiota. E vamos supor que você fosse membro do Congresso. Mas estou me repetindo.” (Stanislaw Ponte Preta, jornalista e escritor, citado em brilhante artigo de Muniz Sodré, professor emérito da UFRJ, Folha de S.Paulo, 25/06/2023)  

O texto do professor Muniz Sodré trata do recente projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que “criminaliza a malevolência verbal contra seus próprios membros, parentes e colaboradores” e ao qual já me referi em artigo neste blog em 16/06/2023 sob o título Deputados aprovam: “Sabe com quem está falando? ”   

Entretanto, cuido aqui do jornalismo capenga, insincero, moralmente deturpado.

O jornalista lulopetista radical é tão patético quanto o jornalista bolsonarista radical. Não sabe – ou não quer saber – a diferença entre a profissão que exerce e a ideologia que professa.

O messianismo de Lula da Silva produziu mentecaptos, néscios, fanáticos, parasitas, desorientados.

O extremismo de Bolsonaro também produziu mentecaptos, néscios e fanáticos, mas também desnorteados, tontos, confusos.  

Nesse tempo de falta de juízo por que passa a sociedade, coadjuvada pelo exagero imbecilizado da chamada grande imprensa, jornalistas patéticos saem das catacumbas da idiotice e deformam a isenção e seriedade da informação.

Os exemplos abundam.

Comentaristas, antes considerados sérios, se engasgam em suas próprias palavras tentando justificar erros de políticos encastelados no poder, que eles admiram e, mais do que isto, veneram.

Afiguram-se constrangedores comentários tendenciosos de apresentadores de telejornalismo, comentaristas e até, às vezes, repórteres, tropeçando nas palavras em defesa de assuntos impregnados de ideologia e não de informação propriamente.  

Perguntar-se-á: E daí?

Daí, é fácil explicar. Quem escreve tem o dever de assistir a tudo, ler tudo, ouvir tudo, ficar atento a tudo, embora isto se transforme num exercício hercúleo para evitar enfarto, tamanhas as idiotices intragáveis que partem desses jornalistas que abdicam de suas ideias para ajustar-se à vontade econômica de seus patrões (jornais, televisões, rádios,etc) e ao medo de perder seus empregos e salários.

Apequenam-se, mutilam a profissão, espremem-se entre o dever e a degenerescência moral e o resultado é a perda da credibilidade, que a cada dia se esvai.   

O filólogo e dicionarista Antonio Houaiss, também citado na Folha de S.Paulo em texto de Ruy Castro, em casos como esses, diria: “Peço vênia para discrepar”.

Eu discrepo desse tipo de jornalismo patético, que mira diuturnamente os cofres dos grandes grupos de comunicação e não tem o menor respeito a quem o lê e assiste.

Que diferença faz para o leitor se o jornalista que diz ou comenta a notícia é lulopetista ou bolsonartista?  Se votou na direita, no centro ou na esquerda?

Entretanto, há jornalistas que fazem questão de deixar claro ostensivamente, sem o menor pudor, o viés político e o lado ideológico que defendem. É como se estivessem justificando: votei em você.

Isto desnatura a notícia e a opinião do jornalista.

A frase atualíssima de Stanislaw Ponte Preta também vale para esse jornalismo patético de nossos dias.

Mas nem tudo está perdido. Ainda há bons jornalistas, sérios profissionais na imprensa.

Fernando Gabeira, esquerdista de respeito, em cinquenta anos de jornalismo, não se vergou à pequenez do jornalismo de hoje. É um camaleão que se molda de acordo com o ambiente, mas mantém intacta sua índole de bom e respeitável profissional.   

No exílio, Fernando Gabeira viveu na Argélia, “um país fortemente moralista, onde era necessário seguir as regras”, segundo ele conta no livro O crepúsculo do macho (Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1980).

Talvez lá ele tenha aprendido a seguir as regras e não misturar alhos com bugalhos, como fazem esses jornalistas ideológicos de hoje.

 araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e Carlos Bispo Damasceno

Carlos Bispo Damasceno/Perfil facebook

A caminho dos 90 anos, que se completam em novembro – quando o conheci ele tinha 37 – Carlos Bispo Damasceno faz parte das boas pessoas de Chorrochó.

Quando a comarca de Chorrochó foi instalada em outubro de 1967, o pioneirismo dos serviços judiciários contou com Regina Luíza de Menezes, João Pacheco de Menezes, José Eudes de Menezes, Virgílio Ribeiro de Andrade, José Jazon de Menezes, José Claudionor de Menezes, José Claudio de Menezes, Osvaldo Alves de Carvalho, Manoel Dias dos Santos, Fabrício Félix dos Santos e Carlos Bispo Damasceno.

O juiz de direito titular era o Dr. Olinto Lopes Galvão Filho que comandava esses serventuários. Décadas mais tarde, a história o homenageou dando seu nome ao Forum da Comarca.

Carlos Bispo Damasceno tem uma predileção pela comunidade Xique-Xique, já nos domínios de Macururé. É o seu torrão, seu xodó. Lá ele é devoto fervoroso de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e até tem uma capela fundada por iniciativa de Eliseu Bispo Damasceno. Salvo engano, os festejos aproximam-se de seis décadas ou por aí, nessa proximidade. Os anos aqui não importam muito. Importa a intensidade da fé dos devotos.

Eliseu Bispo Damasceno foi vereador em Chorrochó eleito na primeira legislatura e empossado em 07 de abril de 1955 para compor a novel Câmara Municipal.

Discreto, humilde, educado, respeitador, Carlos Bispo Damasceno enriquece a sociedade em que vive e lhe dá contornos de que o mundo ainda tem jeito, pode ser melhor.

Profissional dedicado, exerceu com dignidade, a função de Oficial de Justiça da comarca de Chorrochó. Respeitado por todos e por seus colegas serventuários, Carlos Bispo Damasceno tinha uma maneira peculiar de viver.

Às vezes, arredio, outras vezes extrovertido, mas sempre respeitador e correto. Bom caráter, boa índole, conduta irrepreensível.

Quando chegamos a uma idade que denuncia a fragilidade, expõe o desmoronamento dos equívocos e apara as arestas das arrogâncias, a saudade cutuca, maltrata, espezinha e testa nossas estruturas.

E vamos buscar lá atrás, muito além, as lembranças, as boas lembranças.

Tenho saudade de Carlos Bispo Damasceno. Mando-lhe um abraço.

araujo-costa@uol.com.br   

Lula da Silva e a leveza do Vaticano

Papa Francisco e Lula da Silva/Crédito Ricardo Stuckert, da equipe de Lula

Na década de 1980, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda estava nos cueiros e engatinhava, uma animada turma costumava se reunir no convento dos frades dominicanos, no bairro de Perdizes, em São Paulo.

Essa turma compunha-se de alguns frequentadores, à época não tanto famosos: Lula, que ainda era oficialmente somente Luiz Inácio; Djalma Bom, que foi deputado e vice-prefeito de São Bernardo do Campo; Jacó Bittar, amigo de Lula desde sempre, pai do dono formal do famoso sítio de Atibaia; Devanir Ribeiro, que tinha sido diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema na gestão de Lula; o combativo advogado de presos políticos Luiz Eduardo Greenhalgh; Paulo de Tarso Vannuchi, mais tarde ministro de Lula e o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, frei Betto.

Frei Betto coordenava o grupo e cuidava da comida, experiência adquirida na Ordem dos Dominicanos.

Propósito das reuniões: fazer autocríticas, ouvir críticas dos companheiros e confessar erros e equívocos dos presentes. Uma espécie de confessionário especial e coletivo, embora restrito à turma.

O grupo recebeu o nome de “Grupo do Mé”, porque era regado a conhaque e outras bebidas estimulantes do ego, que permitiam a descontração e a expiação dos defeitos de cada um dos participantes, a submissão às críticas, a penitência, a reflexão.

Lula da Silva aprendeu muito nesse grupo. Mais pela autocrítica – que hoje não gosta de fazer – e menos em razão do “mé”, que ele já conhecia de cátedra. As circunstâncias difíceis da ditadura militar exigiam as amizades como bálsamo para o enfrentamento das dificuldades.

Os tempos mais difíceis são aqueles de atrocidades e incompreensão.

Esta lembrança vem a propósito de mais uma visita que Lula da Silva faz ao Papa Francisco, no Vaticano, neste mês de junho.

Surgiram algumas críticas destrambelhadas sobre a visita, como se Lula da Silva fosse uma figura de somenos. Não é.

A direita, assim como a esquerda, exagera sempre. Aliás, esquerda e direita no Brasil perderam o juízo e com ele a sensatez.

Lula da Silva é líder, independentemente dos erros que eventualmente tenha cometido ao longo do caminho político que vem trilhando. E quanto a erros parece não haver dúvida que cometeu.

A visita de Lula da Silva ao Papa, também tem o condão de reflexão e pedido de compreensão e de solidariedade ao chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. A leveza do Vaticano deve lhe fazer bem. Faz bem a todo mundo.

Não há o que criticar sobre essa visita de Lula ao Papa, que é também chefe de Estado do Vaticano e tem o dever funcional de relacionar-se com líderes mundiais sejam eles políticos ou não.

As misérias e fraquezas de Lula da Silva não devem ser obstáculos à civilidade.

No mais, a Igreja Católica é mãe e mestra, mater et magistra, como dizem os latinistas.

Nessa visita ao Vaticano, Lula deve ter-se lembrado das reuniões do “Grupo do Mé”, que lhe fez refletir muito sobre a vida.

Certamente voltará mais leve do Vaticano.

araujo-costa@uol.com.

Curaçá e a liderança de Adelson Félix

Adelson Félix/Perfil facebook

Em data recente, o ex-vereador e líder político Adelson Félix concedeu entrevista ao site Curaçá Oficial.

A entrevista foi competentemente conduzida pela jornalista Alinne Suanne Torres e trouxe panorama um tanto esclarecedor quanto ao pensamento do entrevistado e, sobretudo, da situação do distrito de Poço de Fora no que tange à atenção da Prefeitura Municipal.

Embora apoucado, em razão de minhas limitações, atrevo-me a ponderar que tenho dificuldade de entender porque Poço de Fora está à margem das atenções do município, tratando-se de um distrito razoavelmente habitado e que, assim como os demais, contribui para a higidez das finanças de Curaçá.

Experiente, desenvolto, seguro e bem articulado, o que certamente não é nenhuma novidade para a população de Curaçá, Adelson Félix conhece muito bem os meandros do Poder Legislativo e o caminho para melhorar aqueles pontos mais críticos que atravancam o bem-estar da população.

As redes sociais são pródigas em apontar carências que penalizam o distrito, o que foi corroborado na entrevista do líder Adelson Félix que, sendo de lá, pressupõem-se verdadeiras e como tais passam longe de simples “intriga da oposição”.

Entretanto, esta é outra história e não devo me ocupar dela, porquanto assunto para quem entende e não sou enxerido a tal ponto. São páginas escuras e subjacentes da política que precisam ser aclaradas para não arranharem o andamento da administração municipal.

Mas quedo-me a uma ligeira referência à ascendência de Adelson Félix. Por exemplo, guardo boas lembranças de José Soares Félix (Josa), quando ele tinha estreita relação com a sede do município, em razão de sua faina de político atento e dedicado.

O tempo definiu meu caminhar, de modo que me distanciei de Curaçá e nunca mais tive dele notícia, mas continuei a admirá-lo em razão das qualidades que sempre ostentou. Deixou exemplo, deixou desenho moral de que política também se faz com objetivos sustentados na honradez.

A família Félix, de Poço de Fora, é íntegra no caráter e no procedimento e isto vem de décadas, dos troncos, das raízes.

A história curaçaense registra nomes respeitáveis da família Félix e dentre esses incluo o professor e poeta Herval Francisco Félix com quem tive a honra de conviver durante algum tempo. Foi meu dileto professor e colega de trabalho na Prefeitura de Curaçá.

Contudo, a referência aqui cinge-se sobremaneira ao líder político Adelson Félix, de Poço de Fora. Sua entrevista ao Curaçá Oficial demonstrou desenvoltura, grandeza, interesse e preocupação com vistas a assegurar benefícios à população curaçaense.

Post scriptum:

A memória me trouxe a lembrança de Jaciaurea Félix que, na condição de educadora, prestou relevantes serviços ao município de Curaçá. Conheci-a num tempo em que a educação era levada a sério e ela cuidava desse mister com esmero e dedicação.    

araujo-costa@uol.com.br

Deputados aprovam: “Sabe com quem está falando?”

Deputado Claudio Cajado (PP-BA), Agência Câmara de Notícias

O deputado federal Claudio Cajado (PP-BA), que “estava indo tão bem”, como diria Sandoval Quaresma, aluno do professor Raimundo, caiu na esparrela de relatar e defender a aprovação do vergonhoso projeto de lei que cria privilégios de políticos, parentes de políticos e apadrinhados de políticos, além de outros afortunados, os chamados “politicamente expostos”.

É constrangedor ver o deputado baiano tentando justificar, sem conseguir, em entrevista à imprensa, a tramoia que ele e seus pares, em conluio, aprovaram às pressas, em regime de urgência, à noite, sem prévia discussão nas comissões da Câmara dos Deputados e sem conhecimento da sociedade.

É a institucionalização escancarada, através de lei, do “sabe com quem está falando?”.

O deputado Claudio Cajado e seus colegas de parlamento criaram uma nova variante da elite: os intocáveis. São os diferenciados que não se misturam com a plebe, nós outros, pobres mortais.

São 10 mil beneficiados que se formarão numa casta vergonhosa.

Noutras palavras: os senhores intocáveis deputados restituíram a escravidão. Estamos de cócoras diante de todos eles e das autoridades que eles entendem como intocáveis.

Que vergonha, deputado Claudio Cajado! O senhor construiu um substitutivo para apequenar os brasileiros. O senhor envergonha a Bahia de Rui Barbosa, de Otávio Mangabeira, de Waldir Pires e de todos quanto têm decência política e moral.

Sabemos todos. Os excessos, as agressões e o desrespeito aos limites de civilidade devem ser punidos, sempre foram punidos. Há leis civis que sustentam a reparação de danos morais e leis penais que amparam a discussão no campo criminal. Já existe estrutura legal para proteção dos políticos contra eventuais ofensas, de modo que a lei que o deputado Carlos Cajado lutou pela aprovação destoa da lógica e envereda em direção a novos privilégios.

Em resumo e grosso modo:

Ninguém poderá mais criticar qualquer político (deputado, senador, vereador, prefeito, etc), mesmo sendo seu eleitor e ostentando o direito de cobrar o desempenho do eleito.

Nenhuma instituição bancária poderá negar crédito ou abertura de conta a políticos, seus parentes e assessores. “São considerados familiares os parentes, na linha direta, até o segundo grau, o cônjuge, o companheiro, a companheira, o enteado e a enteada” (Agência Câmara de Notícias, 14/06/2023).

 “A pena será de reclusão de 2 a 4 anos e multa para quem negar a abertura de conta ou sua manutenção ou mesmo a concessão de crédito ou outro serviço. Essa negativa abrange até mesmo pessoa jurídica controlada por pessoa politicamente exposta” (Agência Câmara de Notícias, 14/06/2023).

Ninguém poderá mais abordar o parlamentar em aeroportos, rodoviárias e outros lugares públicos, exceto para elogiá-lo e lhe lamber as botas.

São consideradas pessoas politicamente expostas, dentre outras, segundo a Agência Câmara de Notícias:

Detentores de mandatos eletivos dos poderes Executivo e Legislativo da União;

Ministro de Estado ou equiparado;

Ocupante de Cargo de Natureza Especial ou equivalente no Poder Executivo da União;

Presidente, vice-presidente e diretor, ou equivalentes, de entidades da administração pública indireta no Poder Executivo da União;

Ocupante de cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) de nível 6 ou equivalente no Poder Executivo da União;

Membros do Supremo Tribunal Federal, do Conselho Nacional de Justiça, dos tribunais superiores, dos tribunais regionais federais, dos tribunais regionais do Trabalho, dos tribunais regionais eleitorais, do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do Conselho da Justiça Federal;

Membros do Conselho Nacional do Ministério Público, procurador-geral da República, vice-procurador-geral da República, procurador-geral do Trabalho, procurador-geral da Justiça Militar, subprocuradores-gerais da República e procuradores-gerais de Justiça dos estados e do Distrito Federal;

Membros do Tribunal de Contas da União, procurador-geral e subprocuradores-gerais do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União;

Presidentes e tesoureiros nacionais, ou equivalentes, de partidos políticos;

Governadores, vice-governadores, secretários de estado e do Distrito Federal, deputados estaduais e distritais, presidentes, ou equivalentes, de entidades da administração pública indireta estadual e distrital e presidentes de tribunais militares, de Justiça, de Contas ou equivalentes de estado e do Distrito Federal;

Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários municipais, presidentes ou equivalentes de entidades da administração pública indireta municipal e presidentes de tribunais de contas de municípios ou equivalentes.

“Além das pessoas politicamente expostas, em geral políticos eleitos e detentores de altos cargos nos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal), o projeto abrange as pessoas que estejam respondendo a investigação preliminar, termo circunstanciado, inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, ou pessoas que figuram como rés em processo judicial em curso (sem trânsito em julgado)”, segundo a Agência Câmara de Notícias.

São ainda considerados politicamente expostos, segundo a lei e a Agência Câmara de Notícias:

Chefes de Estado ou de governo;

Políticos de escalões superiores;

Ocupantes de cargos governamentais de escalões superiores;

Oficiais generais;

Membros de escalões superiores do Poder Judiciário;

Executivos de escalões superiores de empresas públicas; e

Dirigentes de partidos políticos.

O projeto de lei, aprovado pelos deputados, vai ao Senado Federal para votação.

Aguardemos.

araujo-costa@uol.com.br

A História de Curaçá vista por um neto de Zé Borges

Zé Borges e lideranças de Patamuté/crédito Yuri Félix Araújo

O jornalista Yuri Félix Araújo, filho de Maria Perpétua Félix e neto de José Félix Filho (1917-1971) lançou a biografia do avô e político curaçaense. Grande e louvável iniciativa.

Mui acertadamente o Acervo Curaçaense destacou o fato e com exemplar presteza o incorporou aos seus registros históricos, tornando-os mais ricos e robustos. Esse pessoal do Acervo Curaçaense vai longe.

A foto histórica acima é a mesma referenciada na biografia Zé Borges – o vaqueiro prefeito de Curaçá. Antes, a foto havia sido publicada por Yuri Félix Araújo em rede social. É razoável presumir que foi tirada em Patamuté, porque aparecem alguns líderes de lá.

O jornalista Yuri Félix Araújo registra que os nomes estão anotados no verso da foto: Lídio, Lelé, João Lulu, Waldemar Torres, Macário Alves, Zé Borges, Dona Caçula Mesquita, Manú Brandão e Adonai.

Manoel Brandão Leite (Manú) era o pai do ex-prefeito de Curaçá, Carlos Luiz Brandão Leite (Carlinhos Brandão). É o penúltimo da esquerda para a direita, entre Zé Borges e Adonai Matos Torres.

Sempre tive uma dúvida, agora esclarecida pela biografia. Por que, sendo José Félix Filho, ele era conhecido como Zé Borges? Pois bem. Borges vem da mãe Maria Borges Silva, da mesma família de Herculano Borges, cujo episódio envolvendo o cangaceiro Corisco é conhecido. O jornalista Yuri explica bem isto na biografia com reluzente conhecimento.    

Como sou daquela época, puxei lembranças da memória. Desbastei o saudosismo e concluí que não tenho dificuldade de constatar que a biografia traz grande contribuição à História de Curaçá.

Patamuté deve muito a Zé Borges, inclusive o seu Mercado Municipal, hoje devastado pelo descaso de nossas autoridades municipais.

Eu estava lá. Ninguém me contou.

araujo-costa@uol.com.br

Suas Excelências, os meritíssimos delinquentes

“Expulsos da magistratura pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e punidos, alguns desde 2009, com aposentadoria compulsória, 58 juízes receberam vencimentos totais de R$ 137,4 milhões, em valores corrigidos pela inflação. Eles foram investigados pelo CNJ por denúncias de irregularidades graves, como venda de sentenças para bicheiros e narcotraficantes, desvio de recursos públicos e estelionato.

Com o que foi pago a esses magistrados seria possível pagar, no mesmo período, 1.562 aposentados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social. O valor médio do benefício pago pelo INSS é R$ 1.415,00, segundo o Ministério da Economia, enquanto a média mensal paga aos juízes punidos foi de R$ 38 mil. Em regra, um excluído da magistratura recebeu tanto quanto 27 aposentados do INSS” (Revista Piauí, 05/07/2019).

Como se vê, os dados são de 2019. De lá para cá, as notícias apontam dezenas de magistrados corruptos, em diversos estados, “punidos” com a aposentadoria compulsória. Ou seja, eles cometem crimes e são recompensados por isto.

Daí, conclui-se que o magistrado que não tem vocação para ser juiz, mas para delinquir, entra no serviço público, passa a cometer crimes e cava sua aposentadoria com polpudos salários pagos com os impostos suportados pela mesma sociedade que ele prejudicou.

Noutras palavras: a vítima (sociedade) paga ao réu (juiz) por lhe ter surrupiado e transgredido a lei que tem a obrigação de cumprir e fazer cumprir.

Em miúdos: se o criminoso é uma pessoa comum do povo é processado, condenado e, quase sempre, trancafiado na cadeia. Se juiz, é recompensado com uma polpuda aposentadoria e vai curtir a vida nababescamente à custa do dinheiro público.

Trata-se do corporativismo da magistratura legalmente aparelhado para beneficiar juízes delinquentes. É imoral, absolutamente imoral. Vergonhoso, absolutamente vergonhoso. Um escárnio.

A “punição” exemplar para esses magistrados delinquentes está prevista em lei, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Logo, a lei está errada, mas nem o Poder Judiciário e tampouco o Congresso Nacional se dispõe a revogá-la ou alterá-la. Por motivos óbvios: beneficia parte da elite do Judiciário.

Em data recente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou a “punição mais dura” a um magistrado de São Paulo que tem idade abaixo de 50 anos, aposentando-o compulsoriamente. Base para cálculo da aposentadoria de Sua Excelência, o delinquente: R$ 32 mil.

Se a grande imprensa – subserviente nalguns casos e vendável noutros – invés de ocupar o tempo falando de direita e de esquerda fizesse uma campanha nacional para alterar a Lei da Magistratura, talvez produzisse alguma utilidade em favor da sociedade.

Mesmo tendo cometido crimes, esses magistrados não perdem o pomposo título de juiz, porque se aposentam na condição de juiz. E qualquer brasileiro desavisado ainda está sujeito a levar uma carraspana de qualquer um deles se não lhe chamar de Excelência ou Meritíssimo.

Pobre que comete crime é delinquente. Juiz afastado das funções porque cometeu crime é Excelência.

A elite do Brasil está moralmente falida.  

araujo-costa@uol.com.br

Boas notícias de Chorrochó

Prefeito Humberto Gomes Ramos, de Chorrochó/Crédito A Tarde

Justiça Federal

Em 01/06/2023, o prefeito Humberto Gomes Ramos (PP), de Chorrochó, inaugurou o Posto Avançado do Juizado da Justiça Federal do município que, segundo o Dr. João Paulo de Abreu, Juiz Federal Diretor da Subseção de Paulo Afonso, “em muito contribuirá com a população, não apenas de Chorrochó, mas também de todas as cidades circunvizinhas, que a partir de agora, não mais precisarão se deslocar até Paulo Afonso para realizar suas perícias e audiências”.

Como é comum nessas ocasiões, o evento foi prestigiado por autoridades das esferas estaduais, municipais e federais.

A expectativa é alvissareira. Quiçá o embrião para novos avanços no município de Chorrochó.

Ponte sobre o Riacho Grande

Noticiou-se pedido endereçado ao governador da Bahia com vistas à construção de uma ponte sobre o Riacho Grande, ponto considerado crítico no município, principalmente em épocas de chuvas. Chorrochó tem sofrido muito com essa situação.

Salvo melhor juízo, o documento foi recepcionado e/ou oficializado no gabinete do governador em 17/01/2023 e, por óbvio, está nas mãos das autoridades. Espera-se que deem o encaminhamento necessário. Parece que o líder político José Nilson Rodrigues (Nilsinho) contribuiu de forma eficaz para essa iniciativa em favor de Chorrochó.

Troféu Destaque

O “Troféu Destaque de 2023 – Uma década“, iniciativa do comunicador Edimar Carvalho e site Chorrochoonline, homenageia as pessoas que se destacaram na região e têm papel preponderante na sociedade.

Evento que já se tornou tradição em Chorrochó, o Troféu Destaque merece boas e elogiosas referências. Sem dúvida, é uma forma de evidenciar Chorrochó e os municípios participantes do evento, além de reconhecer o mérito dos agraciados em suas respectivas áreas de atuação. 

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, tempo de contar: professora Maria Abigail de Menezes

Abigail Menezes/Imagem de seu perfil no facebook

“Somos nossa memória, somos este museu de formas inconstantes, este amontoado de espelhos partidos” (Jorge Luís Borges, 1899-1986).

Atrevo-me a trazer esses fragmentos da memória e a lembrança da professora Maria Abigail de Menezes, cuja ascendência impoluta minhas limitações não me permitem acrescentar nada além. Ela está aí admirável para atestar sua linhagem familiar de probidade e honradez.

Entretanto, de quanto em vez consulto meus alfarrábios impertinentes com o intuito de reviver fatos, ocasiões, pessoas, lembranças.

Já que não tenho exemplos meus para registrar, registro traços do caminhar e do conviver com pessoas que me foram ou são caras. Registro-os com a boa saudade, as reminiscências que me perseguem e outras tantas que ainda consigo reter na memória.  

A professora Maria Abigail de Menezes foi casada com Ernani de Amaral Menezes, respeitável nome de sua geração. Ernani simbolizava a decência, a cordialidade e, sobretudo, o exemplo de caráter irrepreensível herdado da mãe Maria Argentina de Menezes e do pai Eloy Pacheco de Menezes.

Abigail e Ernani tiveram dois filhos: Fred Hermano de Amaral Menezes e Erbene Maria de Menezes, que trouxeram moldura encantadora ao existir do casal. Penitencio-me se, eventualmente, grafei os nomes com incorreções. A memória esburacada pode permitir gafes, distorções na narrativa e, mais do que isto, deslizes históricos.

A professora Maria Abigail de Menezes se formou em 1961 pela Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio e, a partir daí, salvo engano, dedicou-se ao ensino em Chorrochó.

Mais tarde graduada em Licenciatura Plena de História, a professora Abigail é um dos esteios que sustentou o ensino de Chorrochó e participou, como tal, do engrandecimento do município, mormente tendo em vista as conhecidas dificuldades do lugar naquele tempo.

Contudo, o meu atrevimento aqui é tentar reconstruir os fragmentos da memória, para situar a professora Abigail, em Chorrochó, ainda jovem, meiga, educada, atenciosa, essencialmente segura de seu papel na sociedade local.

Tê-la na conta das pessoas nas quais me espelhei para enfrentar as atribulações da vida, conforta-me. Para indicar o caminho a outrem basta o exemplo da amizade, basta saber ouvir, basta saber lançar um olhar de compreensão e de bondade que Abigail soube fazer tão bem até hoje.

Ernani de Amaral Menezes construiu, com a professora Abigail, a fortaleza que lhes deu amparo e serviu de bálsamo para perfumar o ambiente da vida: os filhos – Fred e Erbene – e a seriedade profissional que Ernani e Abigail sempre ostentaram.

Plutarco, que andou contando a vida de figuras de Roma e da Grécia extasiou-se, numa quadra do tempo: “Que maravilhas não faz a memória na preservação e guarda do passado! ”

O argentino Jorge Luís Borges dizia que “somos nossa memória, este amontoado de espelhos partidos”.

Esses pedaços de espelhos talvez traduzam aquelas pequenas coisas que nos alentam ao caminhar, em direção a novos horizontes.

Se o caminhar foi trôpego, não importa. Importam os passos que demos em direção ao futuro, sem abdicar das amizades que construímos, dos amigos que tivemos, das lembranças que nos confortam.

Neste particular, não me omito em citar nomes de pessoas que aprendi a admirá-las.

A professora Maria Abigail de Menezes, honra e glória de Chorrochó, é uma dessas pessoas que valeu a pena conhecer.

Post scriptum:

Este texto foi inicialmente publicado em 21/04/2019

araujo-costa@uol.com.br

O gabarito poético de Laudney Mioli

Laudney Mioli/Imagem de seu perfil no facebook

Já se vão, por aí, algumas décadas. Os anos empurraram o tempo em direção à distância, mas trouxeram a saudade para mais perto.

Em 03 de janeiro de 1983 conheci Laudney Ribeiro Mioli, em São Caetano do Sul, pujante e bonita cidade do ABC Paulista.

À época este escrevinhador trabalhava na Matriz Publicidade, na Rua Manoel Coelho, empresa do Grupo 3 Irmãos e dirigida pelo publicitário Adilson Luiz, profissional responsável, meticuloso e, sobretudo, educado.

Laudney Mioli era superintendente comercial dos 3 Irmãos. Confesso carregar a honra de ter passado algum tempo sob a experiência deste ilustre poeta do simpático município paulista de Adolfo e que enriquece a história de Indaiatuba.

Neste meado de 2023, Laudney Mioli lançou o livro Memórias em Versos & Rimas, muito bem acolhido por amigos, admiradores e público em geral. Já se vislumbra a avaliação da crítica, colocando-o em posição de merecido destaque.

Uma das muitas qualidades de Laudney é a humildade. Ele é impressionantemente humilde. Modesto, diz que não é poeta, inobstante a respeitável obra lançada.

Pode não ser poeta um sujeito que compôs cerca de 3.000 estrofes em versos e rimas de tão boa qualidade?

O livro é resultado desse caminhar pelo mundo da poesia. Segundo o autor, ele garimpou parte dessa monumental produção literária e a transformou no livro Memórias em Versos & Rimas.

A poesia suaviza nossos tropeços, torna os fardos da vida mais leve.

Então, o homem é poeta, sim. E de respeitável e admirável gabarito. Mais do que isto: entrou para o universo dos bons e abalizados escritores.

Laudney estudou Administração e Marketing na Escola Superior de Administração de Negócios-ESAN, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). É grande conhecedor de marketing, área que atuou durante muitos anos. Nota-se que agora ele se utilizou dessa frondosa experiência para publicizar, com bom humor, o louvável lançamento de Memórias em Versos & Rimas.

De minha parte, congratulo-me com o momento de alegria e realização pessoal que Laudney está vivendo e lhe desejo retumbante êxito. Sempre.

araujo-costa@uol.com.br