Livros, conversas e baboseiras

Já se vão, por aí, alguns anos. Vai longe no tempo.

Lançamento de livro numa livraria de São Paulo.

Não fui convidado pelo autor, nem por qualquer parente ou aderente dele, tampouco pela editora, mas me fiz de enxerido e fui.

Aliás, em lançamento de livro, o convite é prescindível. Não precisa convite, porque o evento em si é uma peça publicitária. Quanto mais pessoas presentes, melhor para o escritor. São potenciais compradores de livros, possíveis leitores de amanhã.

O autógrafo, quando há, nada mais é do que uma homenagem ao leitor.

Mas quando somos convidados, isto nos dá um quê de importância. A gente fica se achando e se perdendo e acaba mesmo é se perdendo nos escombros da vaidade e da ingenuidade.

Fiquei por ali, conversando amenidades com os convidados do escritor e com outras pessoas que, suponho, também não eram convidadas, mas estavam ali, talvez na mesma condição que a minha.

Conversa vai, conversa vem, notei que dois sujeitos confabulavam ao meu lado e entre eles travou-se o seguinte diálogo:

“Este aí ao lado é o Walter, não é?” – perguntou um.

“É ele sim. Escreve umas baboseiras por aí e a gente acaba lendo” – respondeu o outro. E continuou.

“O primeiro artigo dele que li foi no Jornal Acadêmico, da Faculdade de Direito. Ele sempre foi metido nesses falatórios de política”.   

Um aproximou-se do outro, falou qualquer coisa e deram gargalhadas.

Não falaram comigo. Sequer cumprimentaram, o que significa que eu nunca tive mesmo nenhuma importância.

Saíram, escafederam-se. Daí acabei concluindo que nunca fui importante. Uma descoberta e tanta que me fez descer à seara da humildade, lição que vale até hoje.

Depois dos salamaleques de praxe, também me retirei do local, que já havia se transformado num burburinho só e fui tomar um uísque num boteco da histórica Rua Maria Antonia.

Já escorregando em direção à velhice, naquele tempo eu bebia.

No caminho de volta, fui conjecturando e refletindo até chegar ao meu esconderijo e me lembrei da citação que o escritor mineiro Fernando Sabino gostava:

“O escritor é um homem que passa a vida conversando consigo mesmo. Só há uma verdadeira vantagem em envelhecer: é que, com o correr do tempo, a conversa vai ficando cada vez mais interessante”.

Lembrei-me de outra, do poeta também mineiro Carlos Drummond de Andrade:

“Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar”.

Teimoso, na parte que me toca, vou por aqui escrevendo minhas baboseiras.

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Escuridão e incerteza

“Faz escuro, mas eu canto” (Poeta Thiago de Mello, 1926-2022)

O Brasil está num despenhadeiro em direção à escuridão.

Censura, inquéritos e prisões ilegais, estocadas no direito de expressão e manifestação do pensamento, desrespeito à Constituição Federal.

Um governo que saiu em 31/12/2022, confuso e com muita coisa ainda para explicar.

Um governo que entrou em 01/01/2023, hipócrita e moralmente capenga e um presidente beirando à senilidade, falando asneiras à semelhança do presidente que saiu.

Um ministro da Justiça e Segurança Pública que diz não ter nada a ver com as armas empunhadas pelos traficantes de drogas, mesmo que à luz do dia. Se o ministro da Segurança Pública não tem nada a ver, quem tem?

Uma Câmara dos Deputados e um Senado Federal que abrigam parlamentares vendáveis, vexaminosos, vergonhosos, indecorosos.

Um Poder Judiciário em descrédito.

Uma imprensa que substituiu o dever de informar pela militância política.

Uma sociedade que ainda acredita em lorotas de políticos embusteiros, sejam de direita ou de esquerda.

Fanáticos que se agridem em defesa do presidente que saiu e outros tantos que se engalfinham em defesa do presidente que entrou.

“Faz escuro, mas eu canto”.

Apesar da escuridão, seguimos em frente, “caminhando e cantando”, como disse Geraldo Vandré.    

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Curaçá e uma dispersa página do tempo.

Antonio Tomaz Rodrigues da Silva/Crédito: Antonio de Araujo Silva

Antonio Tomaz Rodrigues da Silva vem de uma ascendência que ajudou na construção do lastro cultural de Curaçá e o sustentou durante décadas.

A descendência segurou o bastão e mantém o esteio dessa nossa e rica cultura sanfranciscana.

É neto da lendária Sérgia Maria da Conceição (Mãe Sérgia), a parteira mais conhecida de Curaçá durante seguidas gerações e, convenhamos, a mais famosa.

Nascido em 22/05/1937, é filho de Júlia Maria da Conceição e de Júlio Tomaz Rodrigues da Silva. Aposentou-sem em 1984.

Dez entre dez curaçaenses sabem quem foi Mãe Sérgia.

Em abalizado e esclarecedor texto, o professor e jornalista Lugori, registra que Mãe Sérgia era “descendente de escravos, provavelmente, aos que pertenciam a Dona Feliciana, fundadora da cidade; seu esposo, Seu Saturnino, um dos maiores mantenedores da Marujada, foi por muitos anos o “orientador” dos marujos. Sucedeu seus pais na guarda da bandeira de São Benedito; E Mãe Sérgia, como ficou conhecida, foi a parteira responsável pelo nascimento de vários curaçaenses” (Acervo Curaçaense, 23/03/2014).

Ocupo-me aqui em rememorar essa página dispersa no tempo e, embora apoucado, me atrevo a falar de Antonio Tomaz Rodrigues da Silva, criatura das mais nobres que conheci nesse caminho de tropeços.

Convivi com Antonio Tomaz na época em que trabalhei na Prefeitura de Curaçá, primeira administração de Theodomiro Mendes da Silva. Eu morava e estudava em Chorrochó. Um dia encontrei-me com Theodomiro em Patamuté e ele me convidou, de supetão, para assessorá-lo em Curaçá. Fui.

Impressionantemente humilde, Antonio Tomaz tem uma qualidade de sábio: ouve mais do que fala. E quando, às vezes, precisava contemporizar em algumas situações o fazia com um sorriso tímido, mas encantador.

Admirava-o, como ainda hoje, pela forma respeitosa com que tratava todos ao seu redor. Sempre prestativo, educado, atencioso, afável.

Os grandes homens não precisam gritar para sustentar suas opiniões. A razão se sustenta na lhaneza, no saber argumentar.

Antonio Tomaz sempre soube construir amizades tais que, como eu, guardam boas e inesquecíveis lembranças de sua simpática convivência.

Em dissertação de mestrado na Universidade Regional do Cariri (URCA) apresentada em 2020, Eliane dos Santos Souza e Silva discorre sobre a Marujada de Curaçá, objetivo daquele alentado trabalho, o que faz com robustez de conhecimento e admirável riqueza de detalhes.

Aquele retro aludido trabalho de pós-graduação evidencia, com esmero, a cultura curaçaense e acresce em todos nós mais conhecimento de nossas raízes.

Lá se vê, com clareza, o papel que Antonio Tomaz desempenha na sustentação da tradição e da maior manifestação da cultura de Curaçá, salvo melhor juízo: a Marujada e a festa de São Benedito e Bom Jesus da Boa Morte.  

Entretanto, o que me traz aqui a este espaço é a admiração que tenho por Antonio Tomaz Rodrigues da Silva, o querido Toinho Soldado, personagem indispensável quando se fala de amizade e da história da cultura de Curaçá.

A saudade também contribuiu.

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A contribuição de Etelvir Dantas

Etelvir Dantas/Crédito: Câmara dos Deputados

Cearense de Saboeiro, nascido em janeiro de 1935, Francisco Etelvir Dantas notabilizou-se como deputado estadual da Bahia, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) para a 9ª legislatura (1979-1983) e, mais tarde, elegeu-se deputado federal pelo Partido Democrático Social (PDS) para o período de 1983-1987.

Agraciado com o título de Cidadão Curaçaense, Etelvir Dantas foi aliado do líder político Theodomiro Mendes da Silva, prefeito de Curaçá por dois mandatos. Ambos empreendedores, Etelvir atuou nos ramos de agropecuária, alimentação, combustíveis e refrigeração, dentre outros.

Theodomiro Mendes cresceu na condição de executivo do grupo Rovel Couros e Peles S/A e depois da Brespel – Compahia Industrial Brasil-Espanha, baseadas em Juazeiro.

A dedicação à vida empresarial não os incompatibilizou para o exercício da atividade política. Exerceram-na simultaneamente.

Em Juazeiro, Etelvir Dantas comandou o grupo Pinguim S/A – Indústria e Comércio e criou um conglomerado de empresas que respondeu pelo desenvolvimento de toda região, a exemplo da Pinguim Veículos, Postos e Restaurantes Rancho Grande e Utilar.

Em 2017, por iniciativa do então deputado Ângelo Coronel (PSD), a Assembleia Legislativa da Bahia concedeu-lhe o título de Cidadão Baiano. À época Etelvir Dantas tinha 82 anos.

Graduado em Contabilidade, antes de escolher o caminho empresarial Etelvir Dantas trabalhou no Banco Econômico e no Banco do Brasil..

Etelvir participou de diversas entidades. Exerceu a vice-presidência da Associação Baiana e Sergipana de Supermercados e foi Diretor da Associação Brasileira de Supermercados.

A esposa Cleonaide Pedroza Torres é filha do distrito curaçaense de Patamuté e vem de família moralmente bem estruturada. É filha de Cleonice Pedroza Torres e de Adonai Matos Torres, dois esteios da construção da dignidade de Patamuté.

Etelvir Dantas contribuiu muito para o desenvolvimento da região sanfranciscana, inclusive gerando empregos, atuando politicamente e criando estrutura para  a indústria, comércio e serviços.  

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Post scriptum:

Matéria publicada em 04/03/2023 e editada para fazer constar que Etelvir Dantas faleceu em 22/08/2025, conforme amplamente noticiado.

Registro do tempo

“Nosso portão era estreito e encimado por um arco de ferro que era um enfeite usado pela arquitetura da época” (Nelson Cano, in Os Sete de Sampa)

O retrato

A cantora e atriz francesa Edith Piaf e a apresentadora Hebe Camargo. São Paulo, 1957 – Teatro Cultura Artística, Consolação, São Paulo.

Fonte/Reprodução: Valkiria Godoy – “Memórias dos Bairros Paulistanos”.

Valkiria Godoy é autora do livro Os Sete de Sampa em coautoria com Aristeu de Campos Filho, Cristóvão José Zygmunt Wieliczka, Edison Roberto Morais, Mara Beatriz Menegotto de Vasconcelos, Maurício Moura e Nelson Cano.

O livro foi lançado em 2022 pela Editora In House.

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Sua Excelência, o vereador mentecapto

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é idiota do que falar e acabar com a dúvida” (Frase atribuída a Maurice Switzer)

Em minha infância na caatinga esturricada da Bahia, os mais velhos diziam que “para encontrar o satanás não é preciso sair de casa”.

Hoje entendo que isto não acontece somente quando se trata de satanás, mas também de idiotas. Há muitos por aí. Eles pululam até em Câmaras de Vereadores.

Vamos aos fatos.

O vereador Sandro Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul (RS), em patético e repugnante discurso, espezinhou os baianos, expeliu preconceito pelas ventas e, sobretudo, igualou-se ao esgoto, às valas fétidas, às sarjetas.

Mais do que isto. O vereador transgrediu preceitos ínsitos na Constituição Federal, dentre esses o respeito à dignidade humana que, na condição de parlamentar, tem o dever precípuo de obedecê-los.

Disse Sua Excelência idiota, que os baianos não são limpos, vivem tocando tambor e vomitou outros tantos impropérios, como se vê, em resumo:

“Todos que têm argentinos trabalhando hoje só batem palmas. São limpos, trabalhadores, corretos, cumprem o horário, mantém a casa limpa e no dia de ir embora ainda agradecem o patrão. Agora com os baianos, que a única cultura que eles têm é viver na praia tocando tambor, era normal que fosse ter esse tipo de problema”.

“Deixem de lado. Que isso sirva de lição, deixem de lado aquele povo, que é acostumado com carnaval e festa, pra vocês não se incomodarem novamente”.

“A única cultura que os baianos têm é viver na praia tocando tambor”.

“Não contratem mais aquela gente lá de cima”, aconselhando empresários e referindo-se aos baianos.

Em 27/02/2023, o destemperado vereador usou a tribuna da Câmara de Caxias do Sul e, em virulento discurso, tratou os cidadãos baianos de forma preconceituosa e desrespeitosa.

Tudo isto em defesa de empresários de Bento Gonçalves (RS) que recrutavam trabalhadores na Bahia, através de uma empresa de índole duvidosa e os mantinham em suas produções, em situação análoga à escravidão.

Denunciadas, um total de 208 trabalhadores foram resgatados pela Polícia Federal e mandados de volta para a Bahia.

Segundo a imprensa, “o resgate dos trabalhadores que eram mantidos em alojamento apertado e sem higiene, tratados sob ameaças e até agredidos com choques e spray de pimenta está causando enorme repercussão desde a semana passada, pois eles eram explorados em grandes vinícolas da região” (Metrópoles, 02/03/2023).

Como se vê, ao defender a degradante situação por que passavam os trabalhadores baianos, o vereador demonstrou concordar com o trabalho escravo ou análogo, tanto que aconselhou os produtores de uva a buscarem mão de obra de argentinos, que “são limpos” e ainda agradecem aos patrões pelo salário que recebem.

A situação é esdrúxula. Não se sabe se o vereador nasceu idiota, adquiriu a idiotice ao longo da vida ou se trata de um caso isolado e pontual de idiotice, um súbito qualquer que o empurrou ao esgoto da sociedade de onde será difícil sair.

Nada impede que Sua Excelência contrate – ou aconselhe contratar – mão de obra da Argentina. Os argentinos são cidadãos respeitáveis, de boa índole e cultura gigante, et cetera e tal.

Entretanto, isto não lhe autoriza espezinhar nós baianos, que vivemos quietinhos em nosso lugar, sem ofender cidadãos de outros Estados. Ao contrário, os recebemos com ímpar hospitalidade e decência. E até, em alguns casos, ficamos amigos deles.

“Tocar tambor” é uma expressão cultural, sim, Excelência. Isto não diminui nossa capacidade de trabalhar, lutar, progredir, ser honesto, criar nossos filhos e viver decentemente em sociedade.

Não sabemos se Sua Excelência tem essas qualidades que nós, baianos, preservamos. É uma questão de berço, de cultura, de civilidade, de educação.

Está aí a pujança de São Paulo, como exemplo. A robustez econômica paulista deve muito aos nordestinos, baianos inclusive, que ofereceram sua mão de obra na construção de São Paulo, o que se dá até hoje.

Excelência:

Não cheguei a arriscar-me em andaimes, prédios, construções, nem a trabalhar na colheita de uvas. Mas há muitas formas de contribuir para o engrandecimento do Brasil. E certamente não será menosprezando brasileiros.

De qualquer modo, o vereador escancarou sua pequenez de conduta, tendência à delinquência, incivilidade, falta de educação e monumental idiotice.

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Homenagem da Ordem dos Advogados

Não se trata de ato de narcisismo, mesmo eventual, porque não me compatibilizo com nenhum tipo de vaidade, talvez em razão da origem humilde.

Entretanto, registro essa homenagem que recebi da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo, mais com o intuito de deixar perenizada minha dedicação e responsabilidade no exercício da profissão que exerço, do que envaidecer-me, propriamente.

Profissão espinhosa, difícil, mas eivada de respeito às leis e ao ordenamento jurídico nacional como um todo.

Nessa caminhada, a ampla defesa de meus clientes sempre esteve acima de quaisquer encruzilhadas que não fossem a ética, o cumprimento do dever e, sobretudo, a obediência às leis.

De qualquer modo, a homenagem significa a convicção de que, ao escolher a profissão de advogado, optei por trilhar o caminho mais apropriado na defesa do Direito e da Justiça.

Indignei-me, muitas vezes, ao constatar que aqueles que não têm voz são os mais prejudicados na luta pelo asseguramento de seus direitos e pela Justiça, mesmo que minimamente possível.

Indignei-me, outras tantas vezes, ao constatar que a sociedade é demasiadamente cruel em relação aos menos favorecidos.

Nesse caminhar cheio de pedras, desafios e tropeços, tive como inseparáveis companheiros de jornada a solidão, os livros, a persistência e as noites em claro, mas sempre à espera de um amanhecer de esperança.

Sempre fui um notívago em busca da realização de sonhos que se distanciam em horizontes talvez nunca alcançáveis, mas insistentemente perseguidos.

As circunstâncias do tempo muitas vezes me foram atrozes.

Minha família construiu o esteio para sustentar-me e alicerçou a coragem para continuar lutando.

A solenidade de entrega da láurea deu-se em 01/03/2023 em São Bernardo do Campo.

Reencontrei amigos de início de carreira e colegas de dedicação constante à advocacia, muitos ainda afoitos à luta pela sede de Justiça que quase sempre nos falta.

Post scriptum:

Dedico esta homenagem recebida às minhas filhas Thábata Aline Faria de Araújo Costa, Thamara Annelise Faria de Araújo Costa, Thássia Anneyse Faria de Araújo Costa e ao meu primeiro neto, Vicente Araujo Boscato, que hoje faz 50 dias de nascimento.

Nesse constante caminhar, nunca deixei de acreditar que, quando chega a escuridão, há sempre uma janela que nos permite divisarmos a chegada da alvorada.

Sigo em frente acreditando.

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Vergonha vitalícia: as mulheres dos ministros de Lula da Silva

“Em política, os tolos se contentam com o pouco, os sábios não se contentam nem com o muito, querem tudo” (José Cavalcanti, São José de Piranhas-Paraíba)

Ministro Rui Costa e esposa/Crédito: Folha de S.Paulo

A elite política nacional, seja de direita ou de esquerda, tem como principais características a ausência de vergonha, a hipocrisia e a capacidade ilimitada de menosprezar a inteligência dos brasileiros.

Os exemplos são claros, inequívocos, estarrecedores, vergonhosos.

Rejane Dias, mulher de Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí e atual ministro do Desenvolvimento Social de Lula da Silva foi apadrinhada no cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado com o generoso salário inicial de aproximadamente R$ 36 mil. Cargo vitalício, ou seja, até os 75 anos de idade, limite para aposentadoria do servidor público.

O ministro Wellington Dias é o responsável pela pasta que cuida do Bolsa Família e diz que quer acabar com a fome dos brasileiros. Há quem acredite.

Pelo que se vê, já está acabando com a fome, começou em casa: empregou a mulher.

Renata Calheiros, mulher de Renan Filho (MDB), ex-governador de Alagoas e atual ministro dos Transportes de Lula da Silva foi guindada ao cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado com o significativo salário inicial de aproximadamente R$ 36 mil. Cargo vitalício, ou seja, até os 75 anos de idade, limite para aposentadoria do servidor público.

Marília Góes, mulher de Waldez Góes (PDT), ex-governador do Amapá e atual ministro do Desenvolvimento Regional de Lula da Silva foi elevada ao cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado com o generoso salário inicial de aproximadamente R$ 36 mil. Cargo vitalício, ou seja, até os 75 anos de idade, limite para aposentadoria do servidor público.

Aline Peixoto, mulher de Rui Costa (PT), ex-governador da Bahia e atual todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil de Lula da Silva, embora dependa de alguns conchavos na Assembleia Legislativa – e se nada mudar – será guindada ao cargo de conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios com o generoso salário inicial de aproximadamente R$ 41 mil. Cargo vitalício, ou seja, até os 75 anos, limite para aposentadoria do servidor público.

Na esteira do “me engana que eu gosto”, o experiente senador Jaques Wagner (PT), criador e padrinho político de Rui Costa, diz que é contra. Então, tá.

Enfermeira por formação, o principal requisito da mulher de Rui Costa para assumir o honroso e importante cargo de conselheira do TCM é ser mulher de Rui Costa. Aliás, essa qualificação lhe garantiu um cargo na Secretaria de Saúde, quando o marido era governador.

Naiane Almeida Peixoto, irmã da mulher de Rui Costa e, portanto, cunhada do ministro, já está alcandorada no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM). Ela exerce a função de assessora no órgão, apadrinhada pelo conselheiro Nelson Pelegrino, ex-deputado federal petista.        

É inequívoco que a elite política cria tentáculos tais que a mantêm no poder indefinidamente e com isso passa a influir em importantes decisões. Nesses casos apontados, os conselheiros têm o poder de fiscalizar, aprovar ou rejeitar contas de correligionários ou adversários políticos paroquiais.

Critérios técnicos, talvez. Critérios políticos, sempre há.

Cargos vitalícios, mordomias, vencimentos estratosféricos, vantagens permanentes, nepotismo às vezes. Tudo isso faz parte do dia a dia da elite política.

Esquerda e direita sempre fizeram isto acintosamente. Não é privilégio ou atributo ideológico. É falta de vergonha mesmo, mau-caratismo, exploração alheia.

A República vem sendo infestada de políticos de caráter duvidoso desde sua proclamação.

Enquanto a farra rola com o dinheiro público e circunda as famílias de políticos poderosos, os necessitados que passam fome continuam acreditando e votando nesses embusteiros.

E os embusteiros prometendo acabar com a fome.

Uma vergonha vitalícia.

araujo-costa@uol.com.br   

Patamuté, Pastoura e a insistência da saudade

Pastoura e os filhos/Perfil de Herica Alcântara no facebook

Sucedem-se as notícias tristes. O tempo corrói o viver e desmorona nossa expectativa de continuar convivendo com as pessoas que nos são caras.

Em 22/02/2023 faleceu Pastoura Alcântara Leal, o que deixou triste Patamuté e todos nós, filhos e amigos de lá. Notícia dilacerante para todos nós que ficamos por aqui, por enquanto. E somente por enquanto.

Pastoura fazia parte de uma interessante geração, que construía amizades duradouras. Era daquelas pessoas que passavam horas conversando sobre tudo, menos sobre a maldade e defeitos humanos. Conversa aprumada, amena, hospitaleira, convidativa.

Quando Patamuté não tinha energia elétrica nos moldes de hoje – e isto vai longe no tempo – o distrito servia-se de um motor movido a diesel que desligava por volta das 22 h ou um pouco antes.

À noite ficávamos na calçada conversando e nos recolhíamos ao apagar da luz. Pastoura era uma boa e constante companhia nessas conversas despretensiosas, alegres, encantadoras.

Em Patamuté, Pastoura e Israel Henrique de Souza construíram família exemplar, decente, bem educada e alicerçada em caráter irrepreensível.

Família numerosa que se espalhou pelo caminhar da vida, multiplicou e lhe deu genros, noras, netos, descendência alegre e espirituosa.

Ante o indizível da morte e o indecifrável da vida, resta-nos aceitar os desígnios de Deus.

Deixo pêsames aos familiares de Pastoura.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e que Deus a ampare.

araujo-costa@uol.com.br

José Dirceu e a imprensa

José Dirceu em 2005/Reprodução Wikipédia

O texto abaixo é de José Dirceu de Oliveira e Silva (PT), ex-ministro chefe da Casa Civil de Lula da Silva e foi escrito quando ele estava sob os escombros da condenação e da prisão, em momentos de agruras:

 “Bastava o insuportável Jornal Nacional, da Rede Globo que, por dever de ofício somos obrigados a assistir. Telejornais que, hoje em dia, não informam, mas opinam sobre tudo, sem que o telespectador tenha perguntado ao repórter, ao âncora, ao entrevistador. Repetem e passam a opinião de seus patrões, dos donos do poder de informar e formar no Brasil. Assistir ao Jornal Nacional era um agravo à pena de prisão que cumpríamos” (Zé Dirceu, Memórias, Volume I, Geração Editorial, São Paulo, 2018).  

Só para lembrar:

O Grupo Globo que Lula da Silva e o PT tanto espezinhavam em tempo de Lava Jato, hoje está a favor de Lula e Zé Dirceu deve estar gostando. A Globo sempre esteve a favor de todo e qualquer governo que lhe enchesse as burras de dinheiro público em publicidade.

A TV Globo cresceu à sombra da ditadura militar, que hoje critica. Sem o beneplácito da ditadura não existiria Grupo Globo. As gerações pós-1964 merecem saber disto, conhecer a história, desanuviar o conhecimento político e afastar o entulho da hipocrisia que insiste em continuar sobre nossas cabeças.

De fato, os comentários e opiniões de alguns jornalistas da GloboNews, por exemplo, são repetidos e constrangedores escárnios à inteligência dos brasileiros.

O experiente Fernando Gabeira é a exceção nesse amontoado de pequenez jornalística. Sabe comentar, sabe opinar, sabe discernir, sabe o que é a grandeza da história.

Ainda no Gabinete de Transição desse seu terceiro governo, Lula da Silva disse que não precisa de puxa saco, mas de pessoas que cobrem ações do governo.

Então, Lula precisa afastar de seu entorno, imediatamente, esses jornalistas lambe botas que enxovalham o jornalismo sério. São bajuladores de plantão, que mudam de opinião à medida em que os ventos sopram favoravelmente em direção aos bolsos de seus patrões.

araujo-costa@uol.com.br