Patamuté está de luto.

Glorinha na Igreja de Patamuté/foto de seu perfil no Facebook.

A família de Glória do Prado Reis (Glorinha) noticiou seu falecimento.

Glorinha fez parte de uma geração que sabia construir amizades sólidas e duradouras.

Glorinha era filha de Laura Prado (D. Lalu) e Lídio Manoel dos Santos.

Esse distinto casal de Patamuté teve filhos decentes e encantadores. Atrevo-me a citá-los, embora correndo o risco de esquecer algum nome: Edelzuíta, Glorinha, Aderlinda, Carmelita, Nidinho, Edinho, Nilzanete, Elizabete, José Aílton e Jackson, alguns já falecidos.

Família tradicional, de bom caráter, sempre alegre, atenciosa, encantadora.

A história de Patamuté foi construída com a participação ativa e contínua de D. Lalu e Lídio e, por extensão, de todos os filhos.

Convivi com alguns deles em Patamuté. Tempo de juventude interessante e inesquecível. Guardo boas lembranças de todos eles.

Glorinha fez parte de uma geração decente e encantadora, que valorizou as amizades e espalhava a bondade e o sorriso.

Em fevereiro de 2011 D. Lalu se foi. Lídio, anos antes.

Deixo aqui pêsames a todos da família de Glorinha.

Coragem e força!

E que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe dê o amparo.

Vá com Deus, Glorinha.

Você foi muito importante para todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva

Responsável pela vitória de Lula da Silva na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula. E Lula é o coronel de Rui Costa.

Alzira dos Brilhantes era uma mulher que frequentava o Tabaris, maior muvuca de Salvador e, no auge da fama, arrumou um homem muito rico, coronel do cacau, que a cobriu de brilhantes e a sustentou com pompa e circunstância.

Depois, já decadente, Alzira foi viver no Politeama e o resto da história todos – ou quase todos – conhecem.

Contemporânea de Alzira dos Brilhantes foi a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, assim como Rui Costa, uma lenda urbana.

Rui Costa é soteropolitano. Nasceu na Liberdade, se formou em economia, ajudou a fundar o PT e está aí, cheio de brilhantes políticos concedidos por Lula da Silva. Será o seu chefe da Casa Civil.

Bata enorme e roxa, batom vermelho, a “Mulher de Roxo” fincou morada diuturna na Rua Chile e à noite recolhia-se na Baixa do Sapateiros.

A história é longa, mas todos da geração dos anos 1960/1970 conhecem. Sempre se portava em frente à loja Slopper, na Rua Chile, descalça, enorme crucifixo pendurado, aparência de freira, educada, solitária, misteriosa.

Na época, também na Rua Chile, em cima da loja Duas Américas funcionou por muitos anos, o mais famoso cabaré de Salvador. Cabaré e política sempre andam juntos. A diferença é que no cabaré as conversas são mais decentes.

Nunca se conheceu a história da “Mulher de Roxo”, sua vida, sua história, seus sofrimentos, seus mistérios.

Uns diziam chamar-se Florinda, outros ariscavam nomes diversos que nunca se confirmaram.

Diziam que tinha sido muito rica, morou na Ladeira da Montanha e havia perdido a fortuna e, em razão disto, teria enlouquecido. Outros conjecturavam que a loucura se deveu ao fato de ter sido abandonada pelo noivo no altar.  

Seria ela realmente louca?

Nada foi confirmado, nada foi descoberto durante décadas. O fato é que a “Mulher de Roxo” virou lenda urbana.

Assim como Alzira dos Brilhantes e a “Mulher de Roxo” da Rua Chile, Rui Costa está aí, perambulando nos gabinetes do poder e será o dono de um dos mais importantes e robustos ministérios da República, a Casa Civil.

Difícil explicar como Rui Costa e Jaques Wagner conseguiram transformar a Bahia no maior feudo do PT no Nordeste.

Rui Costa é a Alzira dos Brilhantes de Lula da Silva e carrega o enigma misterioso da “Mulher de Roxo” da Rua Chile.

Lula da Silva é o coronel de Rui Costa.

araujo-costa@uol.com.br  

Observação: Foto “Mulher de Roxo”/reprodução Google.

Em Curaçá, Rogério Bahia sustenta a tradição  

“A tradição é o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro” (Tobias Barreto, jurista e filósofo sergipano, 1839-1889).

O vereador Rogério Bahia foi eleito presidente da Câmara Municipal de Curaçá para o biênio 2023/2024.

Advogado com 46 anos e aproximadas duas décadas de exercício da profissão, Dr. Rogério Bahia se sustenta nas tradições curaçaenses amparadas em núcleo familiar de conhecida contribuição para a história do município.

Neto de Gilberto da Silveira Bahia, prefeito do município no período de 1959-1963 e filho de Gilberto Bahia Filho (Gilbertinho), que também foi prefeito no período de 1993 a 1996, o advogado Rogério Bahia tem considerável e louvável folha de serviços prestados ao município.

O homem começou cedo. Exerce a advocacia desde jovem e já foi advogado da Câmara Municipal e vice-prefeito do município.

Patrocinou causas de associações rurais e urbanas. Sempre fez um trabalho de esclarecimento à população no que concerne aos direitos previdenciários e se preocupou sobremaneira com os problemas fundiários.

Levou suas ideias ao interior do município, expandindo-as além da sede, cresceu junto à comunidade como um todo e se consolidou como político atuante e bem avaliado.

Em recente esforço na área da cultura, o vereador Rogério Bahia propôs e aprovou projeto de lei, já sancionado pelo prefeito, com vistas à proteção do patrimônio histórico do município de Curaçá, incluída aí, por óbvio, a Gruta de Patamuté, elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus e importante ponto turístico e de devoção e fé. 

Noticiou-se que a eleição para a presidência da Câmara Municipal se deu em chapa única, o que autoriza a entender que o vereador Rogério Bahia está consolidando sua liderança no município, construindo unanimidade e robustecendo a tradição política local.

Observação: A foto de Rogério Bahia é de seu perfil no facebook.

araujo-costa@uol.com.br

Thábata, um pouco do meu dizer

Hoje, dia de seu aniversário, qualquer demonstração de amor que eu possa lhe fazer não traduz sua importância em minha vida. Você é muito para encaixar-se em palavras.

Mas, nestes tempos incertos que a vida nos dá, deixo algumas reflexões:

1. Angústias

“No mundo havereis de sentir angústias, mas tende confiança: eu venci o mundo” (Mateus, 16-33).

2. Cansaço

“Se lhe der vontade de parar, olhe para quem caminha à sua frente. Ele (a) também está cansado (a)” (D. Carmine Rocco).

3. Sonhos

“Sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros” (Oscar Wilde).

4. Capacidade de amar

“Amar para viver ou morrer de amor” (Erasmo Carlos).

Estas citações são para lhe dizer:

Tenha confiança, sempre. Nunca desanime com eventuais percalços, tropeços, rasteiras que a vida dá. Muitos que caminham à nossa frente se sentem cansados, mas estão além de nós, lutando, persistindo, buscando novos horizontes.

Não há certeza de chegarmos lá. A certeza está na firmeza de nossos passos em direção à esperança.

No dia a dia encontramos mais obstáculos que ofuscam nosso caminhar do que clareza para enxergar o caminho. O segredo é aprender a passar por cima deles e seguir em frente.

Jamais perder a capacidade de amar. É o amor, em todas as suas formas, que nos indica o caminho menos espinhoso, clareia as encruzilhadas e nos leva ao destino possível.

O que lhe dizer, afinal, neste seu dia tão exclusivo e singular?

Que você é especial todos os dias.

Todos os seus dias me são especiais por você existir e fazer parte de minhas alegrias.   

Parabéns, Thábata!

Em Chorrochó, premiação destaque do ano consolida-se como tradição.

No decorrer deste último semestre de 2022, Chorrochó ocupou seguidos espaços nas redes sociais, por conta da escolha da premiação do troféu Destaque do Ano de 2022.

É notório que o colunismo social do jornalismo impresso vai-se esvaindo e, em consequência, surgem atalhos na mídia digital que substituem, com vantagem, algumas formas da prática jornalística tradicional tão comum na vida social.

Neste particular, as redes sociais têm desempenhado papel importante na demonstração do comportamento social e impõem claros reflexos na vida profissional de considerável número de pessoas, independentemente da região em que vivem e atuam.

Em Chorrochó, município encravado no sertão da Bahia, há algum tempo surgiu o site Chorrochoonline, fruto da criatividade de Edimar Carvalho, que se tornou uma espécie de condutor do colunismo social da região, ajustando-o à nova realidade do viver da sociedade.

Não é só. Com o advento do Chorrochoonline surgiram formas mais eficientes de avaliação vigilante e diuturna de profissionais de todos os setores, que redundou no Troféu Destaque do Ano, que vem agraciando pessoas de variados segmentos, de modo que isto representa o reconhecimento da sociedade a essas pessoas que se dedicam com esmero ao mister que ocupam e se dispõem a fazê-lo bem feito.

Aqui não se discute a posição que cada um ocupa no meio social, mas o talento, dedicação e responsabilidade diante do desafio profissional, das intempéries que enfrentou e, sobretudo, da disposição de seguir adiante em direção a horizontes sonhados e desconhecidos.

Segundo o criador e organizador do evento Edimar Carvalho, em 2022 as redes sociais escolheram para receber o Troféu Destaque de 2022 as seguintes personalidades:

Silaine Alves do Nascimento Ramos, secretária municipal de Chorrochó; Tairone Belfort de Almeida, enfermeiro do PSF de Chorrochó; Doutora Lucynalva Freire de Carvalho Pires, Delegada de Polícia Civil; Édipo Alcimar Nascimento Silva, atuante nas redes sociais em grupos de política; Silma Eliane Nascimento, ex-prefeita de Macururé; Rogério Silva Lima (Irmão Rogerinho), influenciador digital; Samoel José de Santana, líder político do Projeto Pedra Branca, em Abaré; Ronison Gomes da Cruz, atuante na área de saúde; Doutora Josenilda Alves, advogada; Cícero Gomes da Cruz, líder político de Rodelas; José de Assis Teles (Zezinho de Salomão), secretário municipal de Abaré; Edmo Alves Novais, diretor escolar de Chorrochó; Maria do Socorro Silva Paiva, atuante na área de solidariedade em Macururé; Dorcia Soares da Cruz (Dorcia de Rony), Técnica de Enfermagem de Abaré; Hildeth Carvalho, Técnica de Enfermagem de Chorrochó; Altemar Silva Maciel, Técnico de Enfermagem de Macururé; Jenicleia Silva Santos Cruz, primeira-dama de Macururé; João Teles dos Santos, vereador de Curaçá; Aluísio Almeida, vice-prefeito de Rodelas; Felipe César Alves Lima, vereador de Rodelas; Risonilson Celso Ramos da Cruz, vereador de Macururé; José Marciano Nascimento, vereador de Belém do São Francisco; Adriano de Jesus Araújo, pastor evangélico de Macururé, que se fez representar por Celso Ramos; José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), líder político de Chorrochó.

Jilson Cardoso, prefeito de Canudos e Humberto Gomes Ramos, prefeito de Chorrochó, também se fizeram presentes na solenidade de premiação na condição de homenageados.

A solenidade de entrega do troféu Destaque de 2022 se realizou em 03/12/2022 no plenário da Câmara Municipal de Chorrochó.

A abertura do evento foi feita pelo empresário Fábio Jericó, de Abaré. A mesa de cerimônia compôs-se de Juciara Novaes, assistente social; Ilca Dias, servidora pública municipal; Dr. Batista, vice-prefeito de Belém do São Francisco; Ronny, Secretário de Infraestrutura de Rodelas; Dr. Edevaldo Paiva, advogado de Abaré e Caio Ciro, empresário.

Por último, oportuno acrescentar que o evento Destaque do Ano deixou de ser estritamente um acontecimento do município de Chorrochó para estender-se ao universo regional, o que, de fato, engrandece a iniciativa de Edimar Carvalho e coloca os homenageados numa posição de portadores de respeitáveis méritos diante da sociedade.

Embora já tradicional em Chorrochó, há sinalização de que a próxima solenidade deverá acontecer noutra cidade da região, tendo em vista necessidade de estrutura, suporte e apoio, além de sugestões e pedidos de participantes do evento, mesmo porque a premiação afigura-se em alcance regional.

Este blog parabeniza Edimar Carvalho e todos os agraciados por este importante reconhecimento da sociedade regional.

Eventuais omissões de nomes de homenageados e falhas neste texto, o blog se dispõe a corrigir, se instado a fazê-lo, por dever de lealdade ao leitor.

Post scriptum:

Foto: À esquerda, Edimar Carvalho, organizador do evento; à direita, José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), um dos Destaques de 2022.

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Colunismo social, “jabás”, “lixões” e esquerda diurética.

Os excertos a seguir são de Danuza Leão (1933-2022), monstro do colunismo social e estão no livro Na sala com Danuza, Editora Schwarcz, São Paulo, 2007).

Danuza Leão, irmã da cantora Nara Leão, foi modelo, jornalista e escritora e casada com Samuel Wainer, jornalista e fundador do jornal Última Hora. Conhecia tudo de sociedade e de coluna social.

As fontes

“É claro que quem te passa uma boa nota um dia vai cobrar, pedindo que você publique uma péssima do interesse dele (ou dela). Para isso foi inventada aquela tripa com notinhas curtas que, na intimidade das redações, é chamada de “lixão”: é lá que são pagas essas contas”.

Os presentes

“Meu bom senso me ensinou que presentes de pouco valor podem ser apenas gentilezas, não caracterizando “jabá”, que é um suborno disfarçado”.

Ensinamento

“Aprendi uma coisa preciosa com o então dono do Jornal do Brasil, Dr. Nascimento Brito: quando se recebe um presente com segundas ou terceiras intenções, desde que não seja tão agressivo quanto uma joia (respeito é bom e eu gosto), não se devolve, mas também não se agradece”.

As famosas festas

Os organizadores se matam para ter como convidados pessoas famosas, que podem gerar notícias nas colunas e, se possível, matérias em revistas.

Para alcançar essa façanha, são contratados os divulgadores, cuja eficiência é medida pelos famosos que conseguem levar e pelo número de notas que conseguem emplacar.

É preciso sair em jornais, revistas ou na televisão para ser alguém, pois, nesse universo, quem não aparece não é ninguém”.

Quando Danuza Leão escreveu isto não existia a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, recheada de tripas, “os lixões”, tão apreciados por nossa esquerda diurética.

A julgar pela quantidade de tripas diárias, a colunista tem muitas contas para pagar.   

Qualquer semelhança entre o texto de Danuza Leão e a coluna de Mônica Bergamo terá sido mera coincidência.

araujo-costa@uol.com.br

Barra do Tarrachil e as raízes de Pascoal Almeida Lima

Pascoal Almeida Lima/Crédito Antonio Marcelo

“Porque de feitos tais, por mais que diga, mais me há de ficar ainda por dizer”. (Luís de Camões)

Em minha mocidade trabalhei no hoje desaparecido Bar Potiguar, em Chorrochó. Lá habituei-me a conviver com Pascoal Almeida Lima, que foi prefeito de Chorrochó no período de 31/01/1973 a 01/01/1977, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e amparado na estrutura político-eleitoral do líder Dorotheu Pacheco de Menezes.

Ele não frequentava o bar com regularidade. Passava por lá, de quando em vez, a caminho da Prefeitura, que ficava ao lado, geralmente para cumprimentar as pessoas, sempre ágil e apressado.

Pascoal carregou a administração de Chorrochó aos trancos e barrancos, conforme lhe permitiu a precariedade das rendas do município. Foi dele a iniciativa de construir a Biblioteca Pública Municipal na sede, que deixou de ser biblioteca e, menos ainda pública, nas gestões subsequentes, porque diluíram o descaso de tal forma que é difícil aquilatar qual delas foi mais negligente.

Pascoal abriu a janela e enxergou melhor o clarear da aurora. Outros vieram depois e ofuscaram o horizonte cultural de Chorrochó.

Tem-se notícia de que na administração de Sebastião Pereira da Silva (Baião) a pretensa biblioteca foi batizada com o nome de Adelino Alves. Estávamos no período de 1977-1983

Confesso um tanto ingênuo, utópico e sonhador. Quando em 2013, o ínclito Joaci Campos Lima, que sempre esteve em minha alta admiração, foi guinado à Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de Chorrochó, achei que a situação da biblioteca municipal tomaria rumo definitivo. Certamente o então secretário se deparou com entraves, talvez legais, talvez político, talvez de prioridade.

Não passou daí a ideia, de modo que a construção do equipamento público não aconteceu ou, pelo menos, não tenho conhecimento que tenha acontecido. Se a biblioteca foi construída, esteve ou está em funcionamento, penitencio-me em razão de minha ignorância.

Registro um episódio curioso naquela primeira metade da década de 1970. Aqui o cronista se perde e se acha e vai buscar algumas lembranças, décadas atrás, quando a memória esburacada ainda permite essa façanha.

Pascoal chegou a me nomear auxiliar de ensino na sede, função que não cheguei a exercer, porque Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho cortou o mal pela raiz. E fez muito bem. Dr. Pacheco era diligente e cauteloso adjunto de promotor na então novel comarca de Chorrochó.

Nessa quadra do tempo, a jovem comarca de Chorrochó ainda sentia os reflexos das luzes capitaneadas por seu primeiro juiz Dr. Olinto Lopes Galvão Filho que, nas horas vagas, gostava de umas talagadas de conhaque. O diligente Oficial de Justiça Carlos Bispo Damasceno (grande amigo) se encarregava de providenciá-lo. Tudo bem discreto, com muito respeito e sem inconveniências.

Dr. Pacheco pediu a revogação do ato de nomeação, vislumbrando – parece – possível irregularidade, porque editado em período eleitoral. Eu não entendia patavina de contratações de servidores públicos.   

Sou grato a ambos, in memoriam: a Pascoal, pela nomeação, que não se efetivou; e ao Dr. Pacheco, porque poupou os estudantes de Chorrochó deste reles quase-professor da rede municipal.

Político probo e experiente, Pascoal vinha de sucessivos mandatos de vereador que remontavam às primeiras legislaturas do município. Faleceu em 2011 com 85 anos de idade, salvo engano.

Pascoal era casado com D. Renilde Almeida Lima, grande figura humana, que exerceu discreto papel de primeira dama, enquanto ele, homem de temperamento irrequieto, defendia intransigentemente a causa e os valores de sua gente.

D. Renilde faleceu em junho de 2016.

As raízes de Pascoal ainda estão fincadas no município, o que é natural, tendo em vista sua longa e ininterrupta atividade política.

O neto Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), estrela que brilha com visível grandeza na constelação política de Chorrochó, em 2020, por exemplo, foi agraciado com 477 votos para vereador à Câmara Municipal.

Tercius já havia sido presidente da Edilidade, que exerceu com eficiência e dinamismo, ainda jovem, por volta de 34 anos. O pai também foi líder respeitável e vereador atuante, de sorte que Pascoal Tercius teve uma boa e eficiente escola política, o que lhe dá sustentáculo para sua carreira e lhe credencia para voos mais altos.

Mais do que a vereança, a presidência da Câmara foi um parâmetro para delinear o reconhecimento de sua liderança e percepção para prever horizontes promissores.

O fato é que Barra do Tarrachil tem se destacado como lastro de políticos que vêm construindo a história de Chorrochó e Pascoal faz parte desta história.

Post scriptum:

A foto de Pascoal Tercius, que considero herdeiro político do pai Fafá e do avô Pascoal, foi reproduzida de seu perfil no facebook.

Bandeira Nacional, maluquices e arrogância.

Adotada pelo decreto número 4, de 19 de novembro de 1889, assinado pelo marechal Deodoro da Fonseca, a Bandeira Nacional é um dos símbolos do Brasil e significa a identidade do povo, da nação, do estado brasileiro e, por consequência, da antropologia nacional.

Entretanto, alguns lunáticos que, de maneira ridícula se arvoram donos do Brasil, quiseram transformá-la em 2022 em propaganda eleitoral bolsonarista.

O esdrúxulo e ridículo entendimento desses ilógicos aluados não tem sentido. Chega a ser risível, desprezível, matéria prima para humoristas.

O disparate – creia o leitor – vem da Justiça Eleitoral, de onde nunca deveria ter partido. Por exemplo, uma juíza eleitoral de Santo Antonio das Missões, Rio Grande do Sul, certamente candidata a ser dona do Brasil e juntar-se a outros que já se consideram assim em Brasília, fez a seguinte e ridícula afirmação:

“Meu entendimento com relação à bandeira nacional, a partir do dia 16 de agosto, vai configurar, sim, propaganda eleitoral” (UOL, 15/07/2022).

Partindo de membro da magistratura, a afirmação chega a ser constrangedora e impressiona pelo desconhecimento da História do Brasil.

Magistrados desse naipe são lunáticos excêntricos, afastados da capacidade de discernimento, insensatos, confusos, arrogantes.

Magistrados, assim, são divorciados de qualquer razoabilidade do pensamento da sociedade que paga seus salários e mordomias.

A Bandeira do Brasil é um dos nossos símbolos nacionais permanentes e deve ser respeitada como tal.

De acordo com as leis da República – que alguns magistrados desconhecem – é difícil transformar a Bandeira Nacional em propaganda eleitoral.  

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, conversa de domingo e outras conversas

Em política, como no jornalismo, nenhum pormenor é supérfluo.

Em abril de 2018 este Blog solicitou uma entrevista ao ínclito e combativo vereador Luiz Alberto de Menezes (PT), de Chorrochó, mais conhecido como Beto de Arnóbio, líder querido e admirado por todos.

O contato foi feito por intermédio do brilhante advogado Luiz Alberto de Menezes Filho (Betinho), filho do vereador e também conspícuo chorrochoense, que muito prezo.

O vereador não negou formalmente a entrevista, mas não demonstrou nenhum interesse, o que dá no mesmo. E aqui entra o pormenor – que não é supérfluo – mas isto não vem ao caso, agora e por enquanto.

Dizia o jornalista, escritor, radialista e político Raimundo Reis, admirável baiano de Santo Antonio da Glória, que “a história não se escreve pela vontade dos homens. É uma conspiração das circunstâncias”.

Daí, até entendo a insignificância deste escrevinhador como advogado e jornalista, mas o excelentíssimo vereador, um dos pilares do Partido dos Trabalhadores (PT) na região, poderia pelo menos ter considerado minha modesta condição de conterrâneo e admirador do município de Chorrochó, o que não é nenhuma novidade, embora isto não me retire a insignificância.  

Na mesma ocasião, outro político de Chorrochó a negar tacitamente entrevista a este Blog foi o vice-prefeito Dilan Oliveira (PCdoB), ilustre chorrochoense filho de Antonio Bosco de Oliveira. Feito o contato, silenciou, não deu reposta, o que basta para bom entendedor.

Bosco faleceu em abril de 2020, um dos homens mais corretos que conheci em minhas trôpegas andanças.

Bosco era um senhor circunspecto, de bom caráter, cordial, observador, atento às coisas de Chorrochó, de modo que o vice-prefeito Dilan herdou boas qualidades do pai e é uma das agradáveis revelações que Chorrochó produziu politicamente. Tem lastro político e futuro previsível.

O antigo e getulista Partido Social Democrático (PSD), fundado em 1945 por ex-interventores do Estado Novo, cultivou por décadas, uma doutrina curiosa, mas verdadeira: em política, há sempre os que estão por baixo e querem subir e os que estão por cima e não querem descer.   

O PSD foi extinto em outubro de 1965 pelo Ato Institucional número 2 (AI-2), editado pelo presidente Castelo Branco e o resto da história dos partidos políticos todos conhecem.

Hoje temos um amontoado de excrescências partidárias que abrigam políticos de toda ordem, inclusive mentecaptos, hipócritas, loroteiros, enganadores, rapinantes do dinheiro público, et cetera.  Mas esta é outra história.

Presumo que esses políticos de Chorrochó que se negam ou não gostam de conversar com algum jornalista devem continuar no páreo nas próximas eleições municipais, afinal quem está embaixo quer subir e quem está em cima não quer descer.

Entretanto, precisam vislumbrar que a imprensa é um dos sustentáculos da democracia, mesmo que não gostem de eventual entrevistador ou jornalista ou não lhe deem importância.

Para o jornalista que não obteve entrevista isto não faz qualquer diferença, não tem nenhuma importância, mas para o político faz, com ou sem mandato. O político precisa explicar suas propostas, convencer a população que é a melhor opção, tornar-se cada dia mais visível diante dos munícipes.

Em Chorrochó, o político e ex-prefeito José Juvenal de Araújo deixou exemplos de notabilidade, humildade e sabedoria quanto à maneira de fazer política sem nunca se elevar em direção ao pedestal da arrogância. Esteve sempre no pé da escada.

Outro exemplo monumental de humildade e decência foi o político e ex-prefeito Dorotheu Pacheco de Menezes, honra, glória e baluarte da história de Chorrochó. Seu poder e liderança se sustentavam mais na humildade do que na sabedoria política.

“Humildade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”, diz o ditado. Tampouco arrogância é passaporte para atingir as melhores posições no cenário político, mas talvez seja a maneira mais eficiente de provocar quedas estrondosas.

Empáfia não se coaduna com política. Aliás, não se coaduna com nada.

Confesso que as perguntas cuidadosamente elaboradas para o vereador e o vice-prefeito laboravam no campo da decência jornalística, desprovidas de quaisquer maledicências ou viés que pudessem arranhar a alta importância daqueles senhores, até porque o Blog não tem essa pretensão, nem deseja alcançá-la.  

A “conspiração das circunstâncias” de que falava Raimundo Reis pode colocar esses políticos na próxima cena eleitoral de Chorrochó.

Certamente estarão mais amadurecidos e talvez enxerguem com mais sabedoria o papel democrático da imprensa, mesmo que em alguns casos para eles seja desnecessária e o jornalista não tenha lá tanta ou qualquer importância.

araujo-costa@uol.com.br

Cadê a decência, ministro?

“Perdeu, mané. Não amola.” (Luiz Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal)

Sou do tempo em que magistrado se expressava em linguagem escorreita, respeitosa, decente, compatível com a nobreza da magistratura.

A expressão “perdeu, mané” comumente usada nos semáforos e ruas das grandes cidades é a senha dita por assaltantes ocasionais, que indica a subtração imediata de bens de vítimas indefesas ou relatada em inquéritos nos distritos policiais.

É uma espécie de código da delinquência.

É constrangedor ouvi-la de um magistrado em resposta a brasileiro, fora do Brasil, num país civilizado – os Estados Unidos da América – onde seus nacionais e pessoas que moram lá têm livre direito à liberdade de expressão do pensamento e podem questionar autoridades quaisquer que sejam.

Constrangedor, mais ainda, a frase partir de ministro do Supremo Tribunal Federal e reveladora da degenerescência a que chegou parte da magistratura brasileira.   

A imprensa sinalizou que a frase “perdeu, mané” correu o mundo, beirou o topo das mais lidas e certamente escancarou a muitos países a debilitada imagem do nosso Poder Judiciário que há tempo vem em apressado despenhadeiro e visível desgaste.

Houve tempo em que o magistrado ao chegar discretamente em festas, sem estardalhaço, holofote ou dezenas de seguranças, era reverenciado, cumprimentado e respeitado pelos presentes.

A figura digna do magistrado por si só imprimia segurança e respeito ao local.

Houve tempo em que magistrado era respeitosamente acolhido ao chegar a restaurante ou qualquer outro lugar e não precisava socorrer-se de escolta policial para sair do estabelecimento, circular pela calçada ou adentrar em seu veículo.

Houve tempo em que a Justiça era a esperança dos injustiçados e o Poder Judiciário o amparo, a retaguarda, a segurança.

Houve tempo em que o magistrado não cavava hostilidades ao proferir decisões esdrúxulas e ilegais, mas se impunha com o peso admirável de sua função respeitável.

Corajosos e combatentes advogados recorriam à Justiça e impetravam Habeas Corpus para fazer valer os direitos dos cidadãos, o afastamento da censura, da ameaça, da prisão indevida, da truculência da ditadura militar ou, a qualquer tempo, coibir o abuso de poder de autoridades.

Hoje a censura parte do Poder Judiciário, vergonhosa e injustificadamente e transforma-se em espada para tolher o direito de cidadãos que ousam expressar-se amparados pelos ditames da Constituição Federal.   

Houve tempo em que a figura do magistrado trazia paz e segurança e não medo, repulsa, desprezo. O juiz era o exemplo, o espelho para a juventude, o caminho em direção à respeitabilidade.

Houve tempo em que magistrado não se transformava em militante político, nem demonstrava tendência para este ou aquele candidato, qualquer que fosse a esfera (municipal, estadual, federal).

A preferência eleitoral do magistrado dava-se no esconderijo de sua consciência sob a esteira do princípio de que o voto é secreto.

O magistrado se dava o respeito e pairava sobre todos com o manto da decência, hombridade, imparcialidade e aptidão para dizer o direito, fazer a Justiça, independentemente da fama ou classe social de quem lhe batia à porta.

Houve tempo em que ministros do Supremo Tribunal Federal não viajavam em bando, em avião pago por empresários, hotéis e mordomias custeados por magnatas da política e da economia para participarem de regabofes e, em consequência, espancar a nobreza da magistratura.  

Houve tempo em que magistrado não se reunia com parlamentares para sugerir feitura de leis e seus contornos, com o intuito não transparente e presumível de beneficiar apaniguados.

Entrementes, o que acalenta é que a magistratura nacional não está totalmente contaminada com esses senões e vícios. Sua maioria é formada de juízes sérios, decentes, impolutos, de reputação realmente ilibada.

Houve tempo em que magistrado tinha consciência de que seus estratosféricos salários e mordomias são pagos pela sociedade para servi-la e não para espezinhá-la.

Houve tempo em que magistrado recolhia-se à sua grandeza e ao significado de sua nobre função de dizer o direito.

Houve tempo em que magistrado tinha vergonha de cometer eventuais deslizes no exercício da judicatura.

Quedê a decência, ministro?

araujo-costa@uol.com.br