Curaçá se despede da professora Terezinha Conduru

Professora Terezinha Conduru/página facebook

“O mundo é o seu caderno, as páginas em que você faz suas somas” (Richard Bach)

Conheci a professora Terezinha Conduru de Almeida na primeira metade da década de 1970, quando este escrevinhador engatinhava na condição de imaturo aluno do Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Atenciosa, altiva e inteligente, a professora Terezinha dedicou grande parte de sua vida à educação de seguidas gerações, além de exercer por vezes – e simultaneamente – cargos de direção e destaque na área escolar.

Carrego a honra intraduzível de ter sido seu aluno em Curaçá no majestoso Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

A professora Terezinha tinha uma maneira peculiar à sua condição de mestra. Em sua nobre missão de ensinar direcionou os passos de algumas gerações nas estradas agrestes da vida e em busca de delineados objetivos.

No seu mister de educar, abriu caminho para o futuro, para além do seu tempo, para a distância, para o desabrochar da esperança.

Orientou pensamentos titubeantes, analisou entusiasmos e lapidou espíritos irrequietos e ainda frágeis, próprios da sede do absoluto da juventude.

Estruturou desejos, poliu ideias e alicerçou muitas construções do conhecimento que se firmaram diante de horizontes então desconhecidos.

Na condição de professora foi sustentáculo de sonhos que se agigantaram em direção à aurora, ao amanhecer, à esperança.

A professora Terezinha se firmou como coluna de brilhantismos e àquela época fazia parte da estrutura educacional do Colégio Ivo Braga ao lado de Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. Jaime Alves de Carvalho, Excelda Nascimento Santos, Noêmia de Almeida Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, Dionária Bim, Lenir da Silva Possídio e Herval Francisco Félix.

A professora Terezinha Conduru, que faleceu em 19/03/2023, fez de seu mundo um caderno e preencheu páginas de somas para iluminar o caminho do conhecimento que nós, seus alunos, ainda tentamos seguir, enquanto estamos por aqui.

Valeu, professora! Que Deus a ampare.

Deixo pêsames aos familiares.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e uma de suas tradições

A foto a seguir registra o resumo um tanto recente da estrutura familiar de Maria Menezes (Pina) e Francisco Arnóbio de Menezes.

Filhos de Pina e Arnóbio/Álbum da família

Um lado da ascendência esteia-se em Maria Argentina de Menezes e Eloy Pacheco de Menezes. O outro sustenta-se em Bernardina de Menezes Mattos (Nanzinha) e João de Mattos Cardoso.

Não necessariamente pela ordem, em razão de minha esburacada memória, veem-se: Geraldo José de Menezes, Antonio Wilson de Menezes, Tarcísio Roberto de Menezes, Rita Maria de Menezes Maia, Francisco Arnóbio de Menezes Filho, Luiz Alberto de Menezes, João Eloy de Menezes, Paulo Ernani de Menezes, Cícero Leonardo de Menezes e Rosângela Maria Menezes.

Francisco Arnóbio de Menezes/Arquivo de Rosângela Maria Menezes

Aqui o registro despretensioso, vazio, incompleto, mas interessante, para não deixar a memória esmorecer diante do tempo.

Deparei-me com uma foto de Arnóbio no perfil de Rosângela Menezes e aqui reproduzo.

Bateu uma saudade danada. 1994 foi um tanto cruel para parentes e amigos de Arnóbio.

O cantor Peninha diz, em Sonhos, que “ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio”. Assim vamos caminhando, às vezes vazios, outras repletos de saudade.

Tomo a liberdade de destacar Antonio Wilson de Menezes, amigo de primeira hora, gozador, espirituoso e mais do que isto, amigo de verdade. Este sujeito tem história!

Wilson foi um dos meus primeiros amigos de Chorrochó e, mais tarde, sofremos juntos em Santo André (SP). Esperto e inteligente, retornou para a Bahia e cresceu. Hoje vive “na boa” lá pra as bandas do simpático município de Campo Alegre de Lourdes, salvo engano.

Eu, ingênuo, continuo por aqui em São Paulo, lutando, tropeçando, sofrendo.

Prezo a família de Pina e Arnóbio e registro a saudade.

araujo-costa@uol.com.br

O arquivista ACM

Antonio Carlos Magalhães/Crédito: Arquivo Nacional

“Sua mania de se informar fez dele uma espécie de arquivista – da própria vida e, sobretudo, da alheia.” (Marcos Sá Correia, in Política é Paixão, Editora Revan, Rio de Janeiro, 1995).

Jornalistas experientes do seu tempo o chamavam “arquivista”. Era a melhor e mais confiável fonte do jornalismo político.

Tempo de jornalistas decentes e não arremedos de jornalistas. Estes estão à margem do bom jornalismo, o que mais se vê nos dias de hoje.

Tempo de jornalistas e não ativistas políticos, ridiculamente tendenciosos e vergonhosamente dispensáveis sob o ponto de vista da seriedade jornalística e contaminados pelo extremismo ideológico.

Antonio Carlos Magalhães arquivava na memória nomes, fatos, versões, circunstâncias, verdades, mentiras e, mais do que isto: a vivência política.

Arquivistas desse naipe conseguem discernir política de politicagem, afastam vivandeiros da decência e, sobretudo, não misturam ética política com desmoronamento moral.

Em décadas de vida pública, ACM foi o político mais consultado por todos os governos da República. E o mais poderoso dentre todos, mesmo em interregnos que não se sustentavam em mandados eletivos.

Controverso, visitava até inimigos na prisão.

Político sagaz, quando mantinha o poder na Bahia, visitou na prisão o ícone do comunismo baiano, Jacob Gorender, jornalista, historiador e ativista, preso na Casa de Detenção de Salvador.

Levou até presentes para os presos, embora politicamente de lado oposto.

ACM estava aliado à ditadura militar, que mandou prender Gorender e outros tantos presos políticos, mas não misturou ideologia com seriedade política, tampouco com o dever de solidariedade.

De outro turno, os militares estavam irredutíveis na disposição de cassar o mandato do deputado federal Oliveira Brito, baiano de Ribeira do Pombal, que havia sido ministro das Minas e Energia (1963-1964) do presidente deposto João Goulart.

ACM intercedeu junto ao marechal-presidente Costa e Silva para evitar a cassação. E evitou.

Curiosidade. Oliveira Brito foi cassado, mais tarde, pela Junta Militar, que substituiu Costa e Silva, em razão da enfermidade do presidente, mas o pedido inicial de ACM foi atendido.

O Brasil está precisando de arquivistas como ACM.

araujo-costa@uol.com.br

Dúvidas e curiosidades

A médica Margareth Dalcolmo, defensora intransigente do “Fique em Casa”, que adora holofotes e dia sim e outro também aparecia dando entrevista às emissoras do Grupo Globo, pegou coronavírus no auge da pandemia, o que ela mesma confirmou.

Pergunta: como ela pegou Covid-19, já que ficou em casa?

André Trigueiro, vaidoso jornalista esquerdista do Grupo Globo e professor da PUC-RJ, se acha o máximo em assuntos de bioma, meio ambiente e coisa e tal.

Pergunta: André Trigueiro conhece um pé de mandacaru, de xique-xique, de facheiro, de macambira, de quebra-facão, por exemplo?

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MST) e incentivador de invasões de propriedades urbanas, nascido e criado no glamour da classe alta da sociedade paulistana se arriscou a falar sobre cisterna e pobreza.

Pergunta: Boulos conhece mesmo uma cisterna? Sabe o que é pobreza?

Lula da Silva disse, em campanha eleitoral, que quem invade propriedade alheia é bandido. Está gravado. O PT não pode dizer que é mentira, nem seus fanáticos admiradores.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que é um braço do PT e apoia Lula da Silva desde sempre, está perpetrando uma série de invasões a fazendas em São Paulo e na Bahia, por exemplo.

Pergunta: Lula mudou de opinião ou continua achando que invasores de propriedades alheias são bandidos?

O ministro da Justiça e Segurança Pública, que andou por aí pulando carnaval em trajes inapropriados para um ministro da Justiça, disse que não deve ser cobrado quanto às armas usadas pelos traficantes, embora sejam ilegais e embora sua pasta cuide exatamente da segurança pública.

Em data recente e sem prévio aviso à imprensa, como é praxe e protocolo em visitas de autoridades, o insigne ministro Flávio Dino foi flagrado, sem escolta, circulando alegremente pelo Complexo da Maré, Rio de Janeiro, área sabidamente comandada pelo narcotráfico.

Pergunta: o que estaria fazendo lá, às escondidas, o nosso subido, culto, sério e competente ministro da Justiça?

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Lula da Silva tenta unificar o governo

Presidente Lula/Crédito UOL

O presidente Lula da Silva exigiu de seus ministros que qualquer proposta ou decisão nascida nos ministérios deve passar, necessariamente, pela Casa Civil, antes de ser anunciada.

É o todo poderoso ministro Rui Costa (PT-BA) que se fortalece e validará as decisões dos demais ministros.

“É importante que nenhum ministro ou nenhuma ministra anuncie publicamente qualquer política pública sem ter sido acordado com a Casa Civil, que é quem consegue fazer que a proposta seja do governo”, disse o presidente (UOL, 14/03/2023).

A Casa Civil passa a adquirir o status de coordenadora geral das ações de governo, embora isto não seja, propriamente, uma novidade.

Na época de alguns governos militares esse papel era desempenhado pelo então Ministério do Planejamento e Coordenação Geral.

É uma forma de unificar as políticas públicas de governo, de modo que os ministros ficam circunscritos à administração central, por orientação presidencial.

A espinha dorsal do governo federal fica adstrita ao Palácio do Planalto, como deve ser.

Assim, tolhem-se as vaidades. Há muitos ministros que são políticos de carreira e, como tais, vaidosos, com luz própria. Lula da Silva quer circunscrevê-los estritamente ao papel de cada um.

Isto evita decisões desencontradas e o esfacelamento das posições de governo.

A notícia está na imprensa de hoje.

E a orientação de Lula da Silva parece acertada.

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Lula da Silva e Jair Bolsonaro são iguais.

O governo de Lula da Silva, o PT e seus puxadinhos, inclusive a imprensa, à frente GloboNews e CNN, não falam de outro assunto a não ser o chamado escândalo das joias envolvendo o ex-presidente Bolsonaro.

O ultra esquerdista jornalista Octávio Guedes (Grupo Globo), até já lançou, ao vivo e de modo extemporâneo, a candidatura da mulher de Lula da Silva à presidência da República nas eleições de 2026, acintosa e subliminarmente.

No programa que comanda, a também jornalista lulopetista Andréia Sadi perguntou:

“O próximo candidato do PT à presidência da República está no governo hoje?”

Octávio Guedes respondeu de pronto:

“Não. A Janja não está no governo”.

Mais claro do que isto, só isto.

O objetivo do governo petista e da imprensa é afastar, mediante inelegibilidade, Bolsonaro e sua mulher Michele de uma eventual candidatura porque, como se sabe, a força da direita é considerável e pode atrapalhar os planos de Lula da Silva e de sua trupe em 2026.

Lula da Silva ganhou a eleição de 2022 com uma margem pequena de votos, não porque é melhor do que Bolsonaro, mas porque o ex-presidente passou quatro anos de seu mandato falando asneiras, idiotices, descalabros, imbecilidades. Tudo incompatível com a liturgia do cargo de presidente da República, o que ofuscou seu governo do ponto de vista administrativo e deu-lhe visibilidade quanto às idiotices propaladas por Bolsonaro diuturnamente.

Resta saber se o diligente ministro Flávio Dino, chefe da Polícia Federal, também está preocupado em esclarecer escândalos semelhantes dos governos Lula e Dilma Rousseff.

Lula da Silva e Bolsonaro são exatamente iguais no modus operandi da malandragem e da esperteza. Ambos têm rabo de palha e, portanto, não podem passar perto do fogo. E ambos são hipócritas.

A matéria abaixo é extensa. Mas é explicativa. Vale como parâmetro.

Publicação da Associação Nacional dos Servidores Públicos da Previdência e da Seguridade Social (29/01/2019):

Título: TCU constata desvio de bens da União na era PT.

“Desde 2016, por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que o Palácio do Planalto procura 718 itens registrados no acervo da Presidência da República que desapareceram durante os governos dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

No Palácio da Alvorada foi constatado o sumiço de 391 objetos. Na Granja do Torto, mais 114 bens. O TCU admitiu que houve clara negligência da Secretaria de Administração da Presidência da República na guarda dos bens patrimoniais.

Quando deixaram o Planalto e o Alvorada, ex-presidentes só podiam levar itens de natureza estritamente pessoal e não objetos entregues em função do cargo que ocuparam. A lei determina que os presentes trocados entre chefes de Estado sejam incorporados ao patrimônio da União.

As diligências de recuperação começaram pelos locais onde foram guardados os bens pessoais do ex-presidente Lula e de Dilma. Servidores do Planalto abriram caixas guardadas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo com os bens pessoais de Lula para localizar cerca de 568 objetos desaparecidos. Lá encontraram 390 peças. Entre esses itens, estão três peças — uma delas um vaso chinês — que integram o acervo do Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Em março de 2016, a Lava-Jato localizou um cofre, em nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia e no de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do casal, numa agência bancária em São Paulo no qual o ex-presidente Lula guardava presentes recebidos durante os oito anos de mandato. As peças chegaram ao local em 23 de janeiro de 2011”.

Revista IstoÉ (12/08/2016):

Título: Documentos atestam o extravio de bens da União na era PT.

“Uma das características mais perniciosas da política brasileira é a deliberada confusão dos governantes entre o público e o privado. E se tem um partido político pródigo nesta cambulhada é o PT.

Após um requerimento que partiu do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o Tribunal de Contas da União passou três meses fazendo uma auditoria para verificar o desvio e o desaparecimento de bens pertencentes à União nos Palácios do Planalto e da Alvorada durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada, Dilma Rousseff.

A apuração, realizada entre 15 de abril e 15 de julho deste ano, também averiguou como vem sendo realizada a gestão dos presentes recebidos pelos dois chefes do Estado no exercício do cargo. A situação encontrada pelo órgão de controle, nos dois casos, foi alarmante: 716 presentes recebidos oficialmente por Lula e Dilma simplesmente deixaram de ser registrados como patrimônio da União. E 4.564 itens sumiram do espólio nacional.
 
A ISTOÉ teve acesso com exclusividade ao documento sigiloso preparado pelo Tribunal de Contas, no qual são apontadas dezenas de falhas entre 2003 e 2016. No texto, o TCU detalha que dos 731 regalos registrados neste período e destinados aos presidentes petistas, apenas 15 itens foram incorporados ao patrimônio público. Desse total, 568 mimos foram endereçados ao então presidente Lula, mas apenas nove deles tiveram o acervo público como destino, ou 1,58%. Outros 163 foram encaminhados aos cuidados de Dilma, porém somente seis viraram bens da União.

Os auditores que assinam o relatório ficaram impressionados: “Esse número é irrisório frente ao total de bens recebidos pelos presidentes de janeiro de 2003 a maio de 2016, em decorrência das audiências promovidas nas visitas oficiais ou viagens de estado, no exterior ou no Brasil”.

Não fazem parte desse montante cerca de mil outros itens, que foram identificados como de natureza museológica, de cunho pessoal (como grã-colar, medalhas personalizadas) e os considerados de consumo direto do presenteado, como boné, camiseta, gravata, chinelo, perfume, etc.

A minuta do órgão de controle conclui: “Não há como garantir que os acervos presumidamente privados de 568 bens, pertencente ao ex-presidente Lula, e o acervo de 163 bens, registrados como de propriedade da presidente Dilma, tenham sido corretamente classificados”.

Em outras palavras, o acervo que deveria ser patrimônio da União pode ter sido catalogado como de propriedade pessoal dos dois governantes”.

Congresso em Foco (15/05/2018):

Título: Planalto busca acervo da Presidência dos governos Lula e Dilma desaparecidos.

“Uma investigação aberta pelo Palácio do Planalto apura o paradeiro de 712 itens registrados no acervo da Presidência da República que teriam desaparecido durante os governos dos ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff. A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que aponta que o caso já está em apuração há dez dias.

A lista de objetos desaparecidos inclui obras de arte, utensílios domésticos, peças de decoração, material de escritório e computadores, além de “documentos bibliográficos e museológicos recebidos pelos presidentes da República em cerimônias de troca de presentes com chefes de Estado”.

A operação vai começar pelos locais onde foram guardados os bens pessoais do ex-presidente Lula. O Planalto vai utilizar um avião da Força Aérea Brasileira para resgatar 144 artigos ligados a Dilma Rousseff que já foram separados pelos assessores da ex-presidente.

De acordo com o jornal, um grupo de servidores vem vasculhando centenas de caixas guardadas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde estão localizados os bens pessoais de Lula, em busca de 568 objetos desaparecidos, 390 peças foram reencontradas e serão reintegradas ao patrimônio presidencial”.

Diário do Poder (21/05/2018):

Título: TCU manda investigar sumiço de objetos nos governos Lula e Dilma.

“O Palácio do Planalto está na busca por presentes dados a Lula e Dilma que desapareceram. Há dez dias, foi aberta uma investigação para encontrar 712 itens registrados no acervo da Presidência da República. A caça aos tesouros foi determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em 2016, a partir de uma lista de presentes recebidos por Lula e Dilma durante os seus mandatos.

Do Palácio da Alvorada, sumiram 391 objetos; já da Granja do Torto, casa que fica à disposição dos presidentes, foi constatado o desaparecimento de 114 itens. Somados, o valor desses bens chegaria a R$ 5,8 milhões.

A comissão responsável por identificar onde estão esses objetos decidiu começar as buscas por locais onde foram guardados os bens pessoais do ex-presidente Lula desde sua saída do Planalto, em 2010. Do total de itens desaparecidos, 144 artigos ligados a Dilma Rousseff e já separados por seus assessores serão recolhidos por um avião da Força Aérea Brasileira.

Outras 390 peças já foram encontradas por um grupo de servidores do Planalto em caixas guardadas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. A estimativa da comitiva é de encontrar 568 objetos no local. Entre os itens desaparecidos estão três peças que compõem o acervo do Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Essas peças já foram devolvidas ao museu.

Em 2016, um cofre em uma agência bancária de São Paulo foi encontrado com presentes recebidos nos oito anos de mandato do ex-presidente Lula. O cofre estava no nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia e no de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Entre as peças que chegaram ao local em 2011 estavam moedas de ouro com símbolos do Vaticano; um camelo de ouro; uma adaga dourada com empunhadura de marfim cravejada de rubis; entre outros objetos”.

Em resumo:

Não estou afirmando que Lula da Silva e D. Dilma Rousseff afanaram bens da União, mas uma coisa é certa: o procedimento de ambos é o mesmo atribuído a Jair Bolsonaro pela esquerda diurética.

Pergunta:

Nesses supostos casos de desvio de bens da União, qual a diferença de caráter entre Lula da Silva e Bolsonaro?

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Curaçá, memória e esquecimento

O Acervo Curaçaense, iniciativa louvável e meritória, vem procurando reunir e preservar, com eficiência, traços memoráveis da história de Curaçá.

De quando em vez circunstâncias me fazem bedelhar, intrometer-me onde não sou chamado. Assim, aqui o faço.

O Acervo Curaçaense sinalizou, a título de alerta, que um insigne vereador de Curaçá ventilou a hipótese de mudança do nome do Estádio Durval Santos Torres para Estádio Edson Arantes do Nascimento.

Diz o Acervo Curaçaense: “Para o conhecimento de todos, houve uma conversa de bastidor em que um dos nossos nobres edis cogitou apresentar um projeto para mudar o nome do estádio para Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé, talvez ainda comovido pelo seu recente falecimento”.

Tenho dificuldade de entender o descalabro da ideia. E tenho dificuldade de acreditar que um vereador de nosso altaneiro Curaçá se encaminhe por tamanho desatino.

Em minha humilde e insignificante opinião – que ninguém pediu, mas me atrevo a expressar – devo ponderar que a história de Curaçá merece mais estima, quiçá maior traquejo e atenção.

Peço vênia em razão de minha monumental ignorância e confesso que não tenho conhecimento de nenhuma contribuição de Pelé à história de Curaçá.

Todavia, tenho razões de sobra para bradar – e Curaçá é pródigo em exemplos – que Durval Santos Torres foi esteio, sustentáculo, pedestal de honradez e parte indestrutível da história do município.

A gratidão de Curaçá a Durval Torres cinge-se à grandeza de suas ideias.

Arranhar a história de Curaçá com iniciativas dessa natureza pressupõe descaso injustificável. É uma afronta à memória do lugar e, sobretudo, menosprezo à luta de nossos antepassados e uma forma de privilegiar o esquecimento.

Iniciativa neste sentido deve ser rechaçada de plano.

Há outras formas de luta em benefício do engrandecimento de Curaçá.

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Livros, conversas e baboseiras

Já se vão, por aí, alguns anos. Vai longe no tempo.

Lançamento de livro numa livraria de São Paulo.

Não fui convidado pelo autor, nem por qualquer parente ou aderente dele, tampouco pela editora, mas me fiz de enxerido e fui.

Aliás, em lançamento de livro, o convite é prescindível. Não precisa convite, porque o evento em si é uma peça publicitária. Quanto mais pessoas presentes, melhor para o escritor. São potenciais compradores de livros, possíveis leitores de amanhã.

O autógrafo, quando há, nada mais é do que uma homenagem ao leitor.

Mas quando somos convidados, isto nos dá um quê de importância. A gente fica se achando e se perdendo e acaba mesmo é se perdendo nos escombros da vaidade e da ingenuidade.

Fiquei por ali, conversando amenidades com os convidados do escritor e com outras pessoas que, suponho, também não eram convidadas, mas estavam ali, talvez na mesma condição que a minha.

Conversa vai, conversa vem, notei que dois sujeitos confabulavam ao meu lado e entre eles travou-se o seguinte diálogo:

“Este aí ao lado é o Walter, não é?” – perguntou um.

“É ele sim. Escreve umas baboseiras por aí e a gente acaba lendo” – respondeu o outro. E continuou.

“O primeiro artigo dele que li foi no Jornal Acadêmico, da Faculdade de Direito. Ele sempre foi metido nesses falatórios de política”.   

Um aproximou-se do outro, falou qualquer coisa e deram gargalhadas.

Não falaram comigo. Sequer cumprimentaram, o que significa que eu nunca tive mesmo nenhuma importância.

Saíram, escafederam-se. Daí acabei concluindo que nunca fui importante. Uma descoberta e tanta que me fez descer à seara da humildade, lição que vale até hoje.

Depois dos salamaleques de praxe, também me retirei do local, que já havia se transformado num burburinho só e fui tomar um uísque num boteco da histórica Rua Maria Antonia.

Já escorregando em direção à velhice, naquele tempo eu bebia.

No caminho de volta, fui conjecturando e refletindo até chegar ao meu esconderijo e me lembrei da citação que o escritor mineiro Fernando Sabino gostava:

“O escritor é um homem que passa a vida conversando consigo mesmo. Só há uma verdadeira vantagem em envelhecer: é que, com o correr do tempo, a conversa vai ficando cada vez mais interessante”.

Lembrei-me de outra, do poeta também mineiro Carlos Drummond de Andrade:

“Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar”.

Teimoso, na parte que me toca, vou por aqui escrevendo minhas baboseiras.

araujo-costa@uol.com.br

Escuridão e incerteza

“Faz escuro, mas eu canto” (Poeta Thiago de Mello, 1926-2022)

O Brasil está num despenhadeiro em direção à escuridão.

Censura, inquéritos e prisões ilegais, estocadas no direito de expressão e manifestação do pensamento, desrespeito à Constituição Federal.

Um governo que saiu em 31/12/2022, confuso e com muita coisa ainda para explicar.

Um governo que entrou em 01/01/2023, hipócrita e moralmente capenga e um presidente beirando à senilidade, falando asneiras à semelhança do presidente que saiu.

Um ministro da Justiça e Segurança Pública que diz não ter nada a ver com as armas empunhadas pelos traficantes de drogas, mesmo que à luz do dia. Se o ministro da Segurança Pública não tem nada a ver, quem tem?

Uma Câmara dos Deputados e um Senado Federal que abrigam parlamentares vendáveis, vexaminosos, vergonhosos, indecorosos.

Um Poder Judiciário em descrédito.

Uma imprensa que substituiu o dever de informar pela militância política.

Uma sociedade que ainda acredita em lorotas de políticos embusteiros, sejam de direita ou de esquerda.

Fanáticos que se agridem em defesa do presidente que saiu e outros tantos que se engalfinham em defesa do presidente que entrou.

“Faz escuro, mas eu canto”.

Apesar da escuridão, seguimos em frente, “caminhando e cantando”, como disse Geraldo Vandré.    

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Curaçá e uma dispersa página do tempo.

Antonio Tomaz Rodrigues da Silva/Crédito: Antonio de Araujo Silva

Antonio Tomaz Rodrigues da Silva vem de uma ascendência que ajudou na construção do lastro cultural de Curaçá e o sustentou durante décadas.

A descendência segurou o bastão e mantém o esteio dessa nossa e rica cultura sanfranciscana.

É neto da lendária Sérgia Maria da Conceição (Mãe Sérgia), a parteira mais conhecida de Curaçá durante seguidas gerações e, convenhamos, a mais famosa.

Nascido em 22/05/1937, é filho de Júlia Maria da Conceição e de Júlio Tomaz Rodrigues da Silva. Aposentou-sem em 1984.

Dez entre dez curaçaenses sabem quem foi Mãe Sérgia.

Em abalizado e esclarecedor texto, o professor e jornalista Lugori, registra que Mãe Sérgia era “descendente de escravos, provavelmente, aos que pertenciam a Dona Feliciana, fundadora da cidade; seu esposo, Seu Saturnino, um dos maiores mantenedores da Marujada, foi por muitos anos o “orientador” dos marujos. Sucedeu seus pais na guarda da bandeira de São Benedito; E Mãe Sérgia, como ficou conhecida, foi a parteira responsável pelo nascimento de vários curaçaenses” (Acervo Curaçaense, 23/03/2014).

Ocupo-me aqui em rememorar essa página dispersa no tempo e, embora apoucado, me atrevo a falar de Antonio Tomaz Rodrigues da Silva, criatura das mais nobres que conheci nesse caminho de tropeços.

Convivi com Antonio Tomaz na época em que trabalhei na Prefeitura de Curaçá, primeira administração de Theodomiro Mendes da Silva. Eu morava e estudava em Chorrochó. Um dia encontrei-me com Theodomiro em Patamuté e ele me convidou, de supetão, para assessorá-lo em Curaçá. Fui.

Impressionantemente humilde, Antonio Tomaz tem uma qualidade de sábio: ouve mais do que fala. E quando, às vezes, precisava contemporizar em algumas situações o fazia com um sorriso tímido, mas encantador.

Admirava-o, como ainda hoje, pela forma respeitosa com que tratava todos ao seu redor. Sempre prestativo, educado, atencioso, afável.

Os grandes homens não precisam gritar para sustentar suas opiniões. A razão se sustenta na lhaneza, no saber argumentar.

Antonio Tomaz sempre soube construir amizades tais que, como eu, guardam boas e inesquecíveis lembranças de sua simpática convivência.

Em dissertação de mestrado na Universidade Regional do Cariri (URCA) apresentada em 2020, Eliane dos Santos Souza e Silva discorre sobre a Marujada de Curaçá, objetivo daquele alentado trabalho, o que faz com robustez de conhecimento e admirável riqueza de detalhes.

Aquele retro aludido trabalho de pós-graduação evidencia, com esmero, a cultura curaçaense e acresce em todos nós mais conhecimento de nossas raízes.

Lá se vê, com clareza, o papel que Antonio Tomaz desempenha na sustentação da tradição e da maior manifestação da cultura de Curaçá, salvo melhor juízo: a Marujada e a festa de São Benedito e Bom Jesus da Boa Morte.  

Entretanto, o que me traz aqui a este espaço é a admiração que tenho por Antonio Tomaz Rodrigues da Silva, o querido Toinho Soldado, personagem indispensável quando se fala de amizade e da história da cultura de Curaçá.

A saudade também contribuiu.

araujo-costa@uol.com.br