Patamuté – Fazenda Brejo Seco

José de Porcino e família/Foto do perfil de Aidete Paixão no facebook

A família de José de Porcino noticiou seu falecimento em 06/10/2022.

Exemplo de homem respeitoso e de caráter irrepreensível, amigo atencioso e, sobretudo, decente e honrado.

Há algum tempo, Zé de Porcino perdeu a mulher Haidê Paixão, uma criatura dócil e dedicada à família.

O enterro de Zé será no cemitério da Fazenda Brejo Seco, onde morava, segundo informou a família.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe mostre o caminho e Deus o ampare.  

Pêsames à família de José de Porcino.

Vai com Deus Zé.

araujo-costa@uol.com.br

Raízes, tempo, saudade

Casa na Fazenda Estreito, Patamuté/Curaçá-Bahia

Nasci nesta casa, na Fazenda Estreito, caatinga e barrancos do Riacho da Várzea, distrito de Patamuté, município de Curaçá (BA).

Aqui sofri, sorri, chorei, sonhei.

Aqui o tempo conserva minhas raízes.

Aqui aprendi a ter esperança e acreditar no nascer da aurora e na perspectiva de novos horizontes.

Aqui foi minha melhor escola de humildade, aqui conheci minha pequenez e minhas limitações, aqui aprendi a inutilidade da arrogância.

Aqui dei os primeiros passos em direção ao desconhecido.

Continuo andando, sorrindo, chorando, sofrendo, caindo, sonhando.

A cada momento deparo-me com o desconhecido. Às vezes tropeço, outras vezes caio, outras tantas levanto-me, mas ainda não cheguei ao destino.

Como é fácil seguir a caminhada!

Como é difícil seguir a caminhada!

Nas encruzilhadas do tempo e da vida, sempre lembro o poeta espanhol Antonio Machado (1875-1939):

“Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”.

O resto é saudade.

araujo-costa@uol.com.br

A Bahia é um feudo petista confuso

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar” (Nelson Rodrigues, jornalista, cronista e escritor pernambucano, 1912-1980)

O abalizado jornal Estado de Minas de 03/10/2022 e outros órgãos de imprensa publicaram que o município baiano de Wanderley, lá para as bandas de Tabocas do Brejo Velho, Barreiras e Formosa do Rio Preto, extremo oeste do Estado, votou em Lula da Silva (PT) quase por unanimidade: 96,61% dos eleitores votaram no ex-presidente.

Como se vê, se não fosse o “quase”, teria havido unanimidade.

O concorrente presidente Bolsonaro (PL) obteve míseros 2,82% dos votos no município. Se foram acertados, não se sabe.

Dizem as notícias, que são “dados do TSE”. Logo, presumem-se verdadeiras, até porque a Folha de S.Paulo, porta voz da esquerda, também publicou a informação e ela não publicaria fake news.

Sou baiano. Caatingueiro e bicho do mato, confesso que tive dificuldade de entender essa quase unanimidade do município de Wanderley.

Ainda bem que outros pouquíssimos votos do município não permitiram que o cronista Nelson Rodrigues tivesse razão por lá.  

A Bahia continua feudo do PT. Os baianos estão satisfeitíssimos com os governos petistas, de modo que não há nada a reclamar, nada a melhorar, nada a reivindicar. E o município de Wanderley é uma amostra dessa felicidade baiana.

Jaques Wagner e Rui Costa estão rindo à toa.

A Bahia deve ser um oásis de desenvolvimento encravado na Região Nordeste: a educação está boa, a saúde está ótima, a segurança pública idem, existem muitas estradas e não precisam de consertos, os serviços públicos são impecáveis, os servidores públicos estão satisfeitos, não há suspeita de corrupção, não há fome, não há desempregados e por aí vai.  

Convenhamos, uma sociedade que, invés de exigir e discutir propostas e programas de governo de seus candidatos, passa parte da campanha eleitoral do primeiro turno discutindo a cor da pele de um dos candidatos ao governo do Estado, certamente tem dificuldade de ajustar sua vontade às urnas eleitorais.

Que diferença faz para a Bahia ou quaisquer estados da federação se o governador do Estado é branco de olhos verdes ou é preto retinto, pardo, amarelo ou de qualquer cor?

A cor da pele não lhe suprime a inteligência, tampouco o tirocínio administrativo, a seriedade, o zelo com a coisa pública, nem a vergonha na condição de gestor.

A Bahia é um feudo petista confuso. Valha-me Gregório de Matos! Valha-me Ruy Barbosa!

Só resta, neste particular, tirar o chapéu para Lula da Silva, morubixaba de Caetés. Trata-se de um fenômeno eleitoral.

Post escriptum:

Recomendo a leitura das crônicas do conspícuo curaçaense Omar Dias Torres (Babá) que estão sendo publicadas no site http://www.curacaoficial.com.br

Tenho-me deleitado com elas e com a memória, inteligência e sabedoria do autor.

araujo-costa@uol.com.br

Eleições: Festa da democracia, apesar do falso cenário de violência

“Discrepo. E di-lo-ei por quê” (Antonio Houaiss, filólogo e dicionarista, 1915-1999)

Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews, acabou de colocar o Brasil de cócoras.

Em 01/10/2022, à tarde, a veterana jornalista de esquerda e comentarista de política, disse que diversos chefes de governo do mundo estavam de “plantão para ratificar” o resultado das eleições no Brasil.

“Ratificar” foi a palavra usada por Eliane Cantanhêde de forma inadequada, mas certamente de propósito, com o intuito de enaltecer o discurso dos candidatos apoiados por alguns órgãos da grande imprensa, mormente o Grupo Globo.

Segundo os dicionários, ratificar significa validar, o que pressupõe, segundo a jornalista, que o resultado das eleições no Brasil depende do beneplácito de chefes de governo estrangeiro.

Os editores da emissora precisam explicar para a espevitada comentarista do Grupo Globo que nenhum chefe de Estado ou de governo estrangeiro tem o poder de “ratificar” resultado de eleições no Brasil.

Quem ratifica é o Tribunal Superior Eleitoral, são as autoridades brasileiras e nossas instituições nacionais.

Dizer que presidentes estrangeiros estão de “plantão para ratificar” o resultado de nossas eleições é arranhar nossa soberania, colocar o Brasil de cócoras.

Eliane Cantanhêde deve estar tomando muitas aulas com os radicais da esquerda do Brasil. Só eles – não todos, evidentemente – são capazes de submeter nossa soberania à vontade de governantes de outras nações. 

Aliás, há espiões estrangeiros dentro do TSE, recebidos pelo excelentíssimo presidente do tribunal e pomposamente chamados de observadores, que passam informações para seus países e que, certamente, servirão de base para seus chefes de governo “validarem” o resultado de nossas eleições, como diz a comentarista do Grupo Globo.

De outro turno, alguns ministros do TSE que abdicaram da nobre missão de magistrados e assumiram ostensiva posição de militantes políticos, tanto reprovável quanto vergonhoso, fizeram de tudo para transformar as eleições de 2022 num cenário de horror.

Esses ministros censuraram matérias jornalísticas publicadas, restringiram o direito dos cidadãos quanto ao uso de meios de comunicação, decretaram restrições de direitos, ameaçaram eleitores de prisão e barbarizaram interpretações de normas legais.

Tudo contrário aos mandamentos da Constituição da República.

Dizem esses ministros e subidas Excelências que fazem isto em nome da democracia. Então, tá.

Mais: ministros do TSE criaram a expectativa do surgimento de grande onda de violência política nas ruas, gastaram fortuna de dinheiro público com segurança desnecessária, além de restringirem a circulação de pessoas nas redondezas dos palácios de Brasília. Em última análise, espancaram o direito de ir e vir dos cidadãos.

Entretanto, esses ministros militantes políticos não tiveram êxito. Eles ainda não conseguem enxergar que os brasileiros estão amadurecidos, querem votar, querem alegrar-se com seus candidatos, querem festejar democraticamente o direito de votar.

O primeiro turno das eleições transcorreu em paz, sem a violência apregoada por esses ministros militantes e o povo provou que tem dignidade para não se deixar levar por infundadas afirmações catastróficas.

Em suma: quem apostou na violência nas ruas ficou desapontado.

Este escrevinhador discrepa desse cenário de horror. Ele não há.

Viva a democracia! Viva a sabedoria do povo!

araujo-costa@uol.com.br

Em Curaçá, o dinamismo de Frei Valdevan

Frei Valdevan/Foto de seu perfil no facebook

Frei Valdevan Correia de Barros pertence à Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFMConv), da Província São Francisco de Assis, com sede em Santo André, ABC paulista.

À semelhança de todo missionário, Frei Valdevan cuida fervorosamente dos alicerces da fé, desta vez na Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito, em Curaçá.

Pernambucano de Saloá, município do Planalto da Borborema na região de Águas Belas e Iati e nascido em 19.08.1978, Frei Valdevan entrou para a vida religiosa em 2004 no Seminário Santo Antonio, em Cascavel (PR) e em 2009 fez sua profissão na Ordem dos Frades Menores Conventuais em Caçapava (SP).

Em 28.06.2014 foi ordenado sacerdote no Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André (SP), belíssimo templo do ABC.

Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também é Bacharel em Teologia.

No período de 2014 a 2017, foi Vigário Paroquial em Ubatuba (SP) e passou por Guaraniaçu (PR), onde foi Pároco também por quatro anos.

Em janeiro de 2022 Frei Valdevan foi escolhido Pároco da Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito em Curaçá (BA), em decorrência da abertura da Missão dos Franciscanos Conventuais naquele município do submédio São Francisco.

Em Curaçá, sua missão envolve os cuidados com a Gruta de Patamuté que em 2016 foi elevada à condição de Santuário Popular Sagrado Coração de Jesus por decreto de D. Carlos Alberto Breis Pereira, frei da Ordem dos Frades Menores e bispo da diocese de Juazeiro.

Já se vão, por aí, um século e mais alguns anos que a Gruta de Patamuté vem alicerçando a fé de seu povo.

A Gruta de Patamuté começou a despontar como referência religiosa em 1903, quando, segundo o escritor curaçaense João Mattos, “um erudito pregador e missionário católico, monsenhor Pedro Cavalcante Rocha, achou-a tão bela que nela terminou a Santa Missão que pregava em Patamuté”.

O cruzeiro do interior da Gruta foi colocado por esse dedicado missionário, como se ali estivesse fincando os primeiros andaimes para alicerçar a construção da fé em Patamuté.

Mais tarde, ainda segundo relato de João Mattos, “em 1905, o padre Manuel Félix de Moura, então vigário da freguesia, transferiu sua residência para a Gruta e nela implantou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus”.

Foi o padre Manuel Félix que entronizou a imagem no altar da Gruta oferecida pelos habitantes de Patamuté e, sabe-se, iniciou as romarias ao Sagrado Coração de Jesus, que perduram até nossos dias.

Mas não se pode falar sobre os festejos da Gruta de Patamuté sem associá-los ao núcleo do distrito por inteiro, base da história local e ponto de apoio para as romarias que se realizam há mais de um século, mormente em primeiro de novembro, precedidas de alvorada, cantos e de muita alegria em louvor ao Sagrado Coração de Jesus.

O coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), cujos restos mortais estão enterrados na Igreja de Patamuté, teve contribuição importante na construção da história religiosa do lugar.

Com os auspícios do coronel Galdino deram-se os primeiros passos para a construção da Igreja de Patamuté, isto por volta dos primeiros anos do Século XX, iniciando-se por lá a sincronia religiosa entre o distrito de Patamuté e a Gruta.

No distrito de Patamuté, o padroeiro Santo Antonio eleva-se altaneiro e excelso; na Gruta, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus faz-se viva a cada ano e atrai fiéis da região e de outros estados.

Peregrinos e devotos que têm a fé como sustentação do único alento da vida sertaneja acorrem anualmente à Gruta de Patamuté.

Anualmente, em 31 de outubro e 01 de novembro dá-se a romaria à Gruta de Patamuté.

A tradição católica comemora em 01 de novembro o Dia de Todos os Santos, data em que, na Gruta de Patamuté, os romeiros se reúnem, participam de missas e manifestações culturais, confessam-se diante dos sacerdotes e acendem velas para significar o pagamento de promessas ou pedido de graças.

Também já é tradição os ex-votos, objetos deixados pelos romeiros na Gruta que simbolizam agradecimento e fé.

A estrutura de Santuário, embora precária, sinaliza que a tradição religiosa da Gruta se fortalece e sedimenta a construção da fé iniciada pelos pioneiros: monsenhor Pedro Cavalcante Rocha e padre Manuel Félix de Moura.

Dinâmico, Frei Valdevan lançou um projeto de construções no Santuário que compreende um portal, igreja, estátua do Sagrado Coração de Jesus, escada com rampa e corrimão, banheiros, centro de apoio aos romeiros e iluminação interna do Santuário, dentre outras benfeitorias e construções.

Este Blog apoia o projeto e o entende valioso.

Esclarecimento:

Independentemente da atuação do Frei Valdevan e de sua valiosa contribuição à Paróquia de Curaçá e, por extensão, ao Distrito de Patamuté, este Blog esclarece aos leitores que entrou em contato com a Paróquia de Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito e com o Frei Valdevan, com o intuito de ouvi-los e enriquecer a matéria.

Frei Valdevan entrou em contato com o Blog, mas a matéria já estava publicada. A Paróquia não se manifestou.

De qualquer modo, este Blog continua admirando Curaçá, sua Paróquia e Patamuté e deseja êxito ao Frei Valdevan em sua missão de evangelizar.

Post scriptum:

Esta matéria contou com valiosas informações colhidas de Daniel Bandeira, da Assessoria de Comunicação e Imprensa, dos Franciscanos Conventuais, da Província São Francisco de Assis.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva quer mais dinheiro dos brasileiros

Lula da Silva/Reprodução Google

Conforme reportagem de Italo Nogueira e Victoria Azevedo (Folha de S.Paulo, 26/09/2022), Lula da Silva quer que a União Federal lhe pague uma indenização, que ele chamou de compensação, em razão de ter sido preso em Curitiba por um período de 580 dias.

Se a moda pega, os presídios do Brasil serão substancialmente esvaziados. Há centenas de presos cumprindo pena injustamente, outros que já cumpriram e continuam presos e outros tantos sem previsão de julgamento, et cetera. Em quadro assim e em tese, todos têm direito à indenização do Estado.

A diferença é que presidiários nessas condições são pobres, sem recursos para pagarem advogados, como Lula da Silva tem sobejamente.

Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o lulopetismo, como um todo, construíram a narrativa fajuta no sentido de que o ex-presidente foi absolvido em todos os processos.

Mesmo sabendo que não é verdade, Lula tem dito e reiterado o seguinte: “Fui absolvido em 26 processos, duas vezes na ONU e pela Suprema Corte”.

Lorota. Monumental lorota.

Os processos foram anulados, em razão de interpretação processual do Supremo Tribunal Federal (STF). Por esse entendimento, os processos seriam deslocados às jurisdições ditas competentes, donde se depreende que novamente seriam instruídos e assegurado o amplo direito de defesa ao ex-presidente, com os consectários de praxe.

Há alguns processos extintos, de fato, em razão de prescrição, o que é diferente de absolvição.

Por fim e, por óbvio, aconteceriam os julgamentos.

Significa dizer que as provas teriam de ser novamente colhidas e analisadas pelo Judiciário de primeira instância e daí, em diante, os processos seguiriam os trâmites previstos na legislação, inclusive nas fases recursais.

É verdade que isto é impraticável. Não vai acontecer, até por uma razão temporal.

Quando todos aqueles processos que não chegaram a ser extintos forem novamente instaurados, passando pela fase investigativa, oferecimento de denúncia, defesa, julgamento e recursos, Lula da Silva já terá atingido idade tal que não poderá ser punido, se condenado.

De outro turno, a ONU (Organização das Nações Unidas) não tem atribuição para absolver ninguém, como Lula apregoa. Não tem o poder de absolver Lula da Silva, nem qualquer ex-chefe de governo e de Estado, por crimes comuns.

A ONU é uma organização política intergovernamental criada para fins de cooperação entre as nações e, como tal, não pode ingerir-se em assuntos estritos e de competência do Poder Judiciário dos países membros.

É uma questão de soberania e autodeterminação dos povos.

Sabe-se, e isto basta, que uma comissão da ONU, dentre tantas que existem lá, se manifestou contrariamente à prisão e situação jurídica de Lula da Silva. Isto não é julgamento, não é absolvição. Nem pode ser.

Conseguintemente, Lula da Silva e o PT criaram essa versão para ajustá-la à propaganda eleitoral e engambelar os incautos, que são muitos e acreditam piamente no morubixaba de Caetés.

Em resumo: uma coisa é sentença absolutória definitiva; outra é, completamente diferente, a anulação pura e simples de qualquer processo em razão de alguma nulidade.

Anulação não é sinônimo de absolvição, quando não há sentença de mérito colocando fim ao processo.

Mas o fato é que Lula da Silva já sinalizou que vai processar a União Federal para que os brasileiros o indenizem com dinheiro suado dos impostos que pagam.

Vai processar e vai ganhar. Explica-se:

Como os processos de Lula tramitam com uma rapidez nunca vista no Judiciário, basta qualquer ministro petista do STF conceder-lhe uma liminar favorável, mandar o processo para julgamento no plenário virtual e a maioria do STF confirmar a liminar e mandar encher as burras de Lula da Silva de dinheiro público.

Argumentar-se-á que não é bem assim. O STF ainda precisa ouvir a manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR) e coisa e tal. É verdade, precisa sim, mas o STF não acatará necessariamente a manifestação da PGR. Tem sido assim ultimamente.

Não é demais presumir que Lula está sinalizando que vai pedir indenização, porque já sondou o caminho do procedimento e o possível desfecho junto ao STF. Ele tem amigos lá.

Há um ditado nos sertões do Nordeste segundo o qual “mais vale amigo na praça do que dinheiro no caixa”.

Lula da Silva tem muitos amigos, inclusive nos tribunais, que lhe abrem as portas largas e gulosas das benesses.

Se o Poder Judiciário decidir que a prisão de Lula da Silva foi injusta, a indenização será devida e os brasileiros pagarão a conta, se o Judiciário mandar, sem tugir nem mugir, absolutamente calados.

Isto vale para Lula da Silva e vale para todos. Se todos fossem iguais perante a lei, como diz a Constituição da República.

Simples assim.

araujo-costa@uol.com.br

Bahia: a falta de sinceridade da esquerda

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, Oração aos Moços)

Adulador contumaz do carlismo e hoje participante das fileiras da esquerda, o senador Otto Alencar (PSD) pode ser reconduzido ao Senado Federal nas eleições de outubro próximo, o que prova que a Bahia ainda não amadureceu politicamente.

Otto Alencar já foi do Partido Democrático Social (PDS), sustentáculo da feroz ditadura militar e de seus consequentes PFL e DEM, além de ter passado por PL e PP.

Para dizer o mínimo, considerar Otto Alencar de esquerda ou próximo dela é um acinte à memória de combativos esquerdistas históricos tais como Waldir Pires (Amargosa), Francisco Pinto (Feira de Santana), Haroldo Lima (Caetité), Giocondo Dias (Salvador) e tantos outros que fizeram da política uma perigosa trincheira para a luta contra as injustiças e não para alinhavar conchavos.  

Um político que pula do exacerbado conservadorismo de direita ao radicalismo de esquerda, com tanta desenvoltura e facilidade, não pode ser levado a sério, não deve ser levado a sério. Falta-lhe convicção ideológica e lhe sobra hipocrisia que beira a desfaçatez.

Maior colégio eleitoral do Nordeste, com aproximados 11,3 milhões de eleitores, a Bahia parece que tende a se ajoelhar diante da insignificância de Otto Alencar e reconduzi-lo ao Senado, segundo apontam as pesquisas.

O complô que pode assegurar a vitória de Otto Alencar nas urnas de 2022 envolve a conhecida popularidade do lulopetismo no Estado e uma costura que levará o experiente senador e ex-governador petista Jaques Wagner para o Ministério das Relações Exteriores, na condição de chanceler, num eventual governo Lula da Silva, mas mantém a Bahia politicamente de joelhos.

Otto Alencar é conhecido por seu livre trânsito nos municípios, amizades com ex-prefeitos e outras lideranças políticas do interior do Estado e, mais do que isto, sua capacidade de aliar-se a poderosos de ocasião.

Entrementes, o passado do senador baiano não é lá muito puro, nem inquestionável.

Uma filha de Otto Alencar trabalha ou trabalhou no Tribunal de Contas do Estado da Bahia, apadrinhada por Gildásio Penedo Cavalcanti de Albuquerque Filho, ex-deputado estadual pelo PFL e DEM, partidos de direita, alçado à presidência do Tribunal e que foi filiado ao PSD, partido de Otto Alencar.

Salvo engano, Gildásio Penedo é casado com Roberta Alencar de Santana Penedo, sobrinha de Otto Alencar.

Se não for nepotismo – e não deve ser, porque o Tribunal de Contas é uma instituição séria – é no mínimo imoral este apadrinhamento esdrúxulo.

No exíguo período de nove meses que foi governador da Bahia, Otto Alencar enfrentou dois episódios que lhe deixaram algumas marcas em sua vida política que ele parece ter esquecido, finge esquecer ou, adrede, zomba da memória dos baianos.

Otto Alencar foi acusado de patrocinar e/ou acobertar escutas ilegais de adversários políticos, o chamado “escândalo dos grampos”, supostamente a mando do então poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM), a maior liderança política que a Bahia já teve.

A Assembleia Legislativa criou uma CPI para investigar o caso, mas Otto Alencar safou-se dela, em razão de maioria que contava a seu favor no Legislativo baiano, lastreada no poder por influência de Antonio Carlos Magalhães a quem Otto Alencar estava pendurado à semelhança de um carrapato.

Ato contínuo, sobreveio o rumoroso caso da EBAL-Empresa Baiana de Alimentos, responsável por uma rede de supermercados públicos. Novamente criou-se uma CPI para investigar suposto rombo apontado no orçamento da empresa estatal.

Mais uma vez, a rede de apoio político de Otto Alencar impediu que ele comparecesse à CPI para depor.

Em 2018, salvo engano, a EBAL foi privatizada, vendida para um grupo espanhol com base em São Paulo e com ela foram-se as Cestas do Povo tão fundamentais para os baianos.

Em 2014, Otto Alencar foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, com base em propaganda antecipada feita em Ruy Barbosa, sua cidade natal, por ter distribuído adesivos e pintado muro noticiando sua candidatura, sem amparo na legislação eleitoral.

Trata-se, portanto, de um legislador que tem dificuldade de cumprir a lei.

Pelo que se vê, tirante o serviço voluntário que Otto Alencar prestou às Obras Sociais Irmã Dulce – mérito que, neste ponto, ele merece ser elogiado – seu passado não parece tão irrepreensível assim, a ponto de habilitá-lo como político voltado à defesa das causas do povo baiano como ele apregoa.

Todavia, diz a lenda que Otto Alencar tem uma rede de amigos prefeitos, ex-prefeitos e membros de Câmaras Municipais nos 417 municípios baianos, em razão de ter sido conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios durante seis anos. Mas esta é outra história que não vem ao caso.

Arrogante e inconveniente, Otto Alencar se acha a última bolacha do pacote, mas os eleitores baianos não o veem assim. Ao contrário, entronaram-no num pedestal como líder do Estado.

Entretanto, o retrovisor do senador Otto Alencar deve estar quebrado. Ele não consegue ver seu passado nebuloso.

Se reeleito para o Senado da República em 2022, Otto Alencar vai continuar participando da confraria do colecionador de inquéritos Renan Calheiros (MDB-AL), de Omar Aziz (PSD-AM), que declarou ser amigo pessoal de Otto e é acusado, embora ainda investigado, de desviar aproximados R$ 200 milhões de dinheiro da saúde do Amazonas, quando governador de lá e outras figuras desprezíveis que gravitam no Senado Federal. Pelo que se vê, boas companhias.

Outro membro da confraria, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pernambucano de Garanhuns, terra de Lula da Silva e especialista em discursos histéricos, tem mais quatro anos de mandato e deve desembarcar também num eventual governo Lula da Silva, em qualquer função de somenos, talvez encarregado de protocolar ações nos balcões do Supremo Tribunal Federal, único mister que ele parece ter aprendido e demonstra que faz muito bem.

Parece indubitável, hoje Otto Alencar iguala-se à esquerda baiana, o que atesta: a esquerda da Bahia não é sincera, mas eleitoralmente oportunista.

Entretanto, a suprema decisão está com o povo.

Então, viva a soberania do voto popular!

A democracia ainda é o melhor caminho.

Em tempo:

Em Curaçá, sertão do São Francisco, aprendi a admirar um esquerdista de boa cepa, convicto da ideologia que defende, sereno, conspícuo e de caráter irrepreensível: Salvador Lopes Gonsalves.

Salvador é o mandacaru ideológico de Curaçá. Pode não dar sombra, mas dá firmeza.

Salvador foi prefeito do município e certamente nunca abdicou de suas convicções e, por isto, o admiro, com Otto Alencar ou sem Otto.

Aliás, quando se fala de convicção ideológica, nenhum radar alcança Otto Alencar.  

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e a professora Maria Therezinha de Menezes

Maria Therezinha de Menezes/Álbum de família

“É não saindo de casa que a gente acaba sabendo das coisas” (Joel Silveira, 1918-2007).

Em 23 de setembro, início da primavera, completa-se mais um ano na vida de minha ilustre professora Maria Therezinha de Menezes.

A professora Maria Therezinha de Menezes, ícone da educação de Chorrochó, não saiu de casa, nunca abandonou sua aldeia, mas acabou sabendo muito das coisas. Entende de conhecimento, de vida, de experiência.

É conhecida a frase de Leon Tolstoi (1828-1910): “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

A professora Therezinha sempre pintou com tintas próprias a aldeia em que vive. E pinta muito bem até hoje, com dedicação e maestria.

Eficiente e refinada professora, lídima e notável integrante da família Menezes, é mestra conspícua de estilo próprio e sábia intérprete da sociedade chorrochoense.

Católica tradicional e respeitável educadora, a professora Therezinha ocupa ilustre destaque em Chorrochó, inclusive enriquecendo as atividades da Paróquia Senhor do Bonfim. É fervorosa defensora do centenário Apostolado da Oração e de tantas outras tradições que lá se fazem presentes.

Lembro uma frase de D. Guido Zendron, bispo de Paulo Afonso, ao se referir ao Apostolado da Oração de Chorrochó: “Na história da salvação, o que importa não são os anos, os meses ou os dias, mas as pessoas. Dentro dessa história, nós vamos encontrar pessoas que de um jeito ou de outro corresponderam ao amor de Deus com toda fragilidade humana” (Rádio Vale do Vaza Barris, 17/08/2015).

A professora Therezinha deve pensar assim, creio que pensa assim. Sempre demonstrou preocupação com a fragilidade humana. Parece entender o âmago, o sentimento das pessoas. Tanto que se esmera com absoluta dedicação e seriedade no sentido de evitar o esmorecimento da história da Igreja de Chorrochó. E a história da Igreja não pode se dissociar da fraqueza humana. Assim atestam os séculos.

Conheci a professora Maria Therezinha de Menezes em 1971. Como se vê, algumas décadas já se passaram. À época, eu era ginasiano do Colégio Normal São José, cujo prédio histórico o progresso transformou em escombros, em poeira, em nada. Ela era professora da instituição.

Fui seu aluno de Português. Confesso, apoucado e envergonhado, que não me fiz capaz de guardar seus sábios ensinamentos. Guardei poucos, negligenciei com outros tantos e fui deixando muitos pelo caminho.

Saí de Chorrochó tropeçando em minha ignorância relativamente ao norte do saber e até hoje sonho em aprender alguma coisa deixada nalgum lugar do passado. Difícil, para quem vive às voltas com os buracos da memória, porque a juventude se distanciou nos esconderijos do tempo. Ah! Como se distanciou!

Em seu mister, a professora Maria Therezinha de Menezes era didática ao extremo, criteriosa e essencialmente prática. Formal, atenciosa, admirável.

Já se disse, por aí, que não fica bem a pessoa escrever sobre suas próprias memórias e continuar vivendo. Deve ser. Mas não sofro desse mal, não corro esse risco. Conto a história dos outros, porque não construí, em meu caminhar, nenhuma história pra contar.

Assim, o faço relativamente à professora Maria Therezinha de Menezes, honra e glória de Chorrochó. Espero poder contar com sua compreensão no que concerne à pobreza do texto. De fato, não fui um bom aluno de Português.

Parabéns pelo aniversário, insigne mestra.

 araujo-costa@uol.com.br

O Poder Judiciário e a destruição da cidadania

A média dos brasileiros estava acostumada com dois princípios inquestionáveis que se sustentaram ao longo da existência humana: a onisciência de Deus e a infalibilidade do papa, que se arrasta desde o ano 90 da era cristã e se robusteceu na Idade Média.

Entretanto, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão tentando revogar esses dogmas, substituindo-os pela pequenez de suas arrogâncias.

Pelo que se vê, oniscientes são esses ministros – e não mais Deus – e falíveis são as deliberações do papa e infalíveis são as decisões que eles tomam. Não aceitam contrariedade jurídica, não acolhem opiniões contrárias conforme manda a natureza da Justiça.

Segundo esses nossos subidos e supremos ministros, as urnas eletrônicas são “infraudáveis”, de modo que não se pode discutir absolutamente nada que arranhem a suposta credibilidade que eles atribuem às urnas. Elevaram-nas ao patamar estapafúrdio de distorção da lógica.

Sequer se pode questioná-las sobre eventuais falhas técnicas sob pena de ser acusado de atentar contra as instituições democráticas, segundo o entendimento de, pelo menos, três ministros do STF/TSE, que se acham intocáveis.

E são intocáveis mesmo, por uma razão facilmente explicável: O Senado Federal que os sabatina e aprova para o STF está infestado de corruptos com processos em trâmite no STF que serão julgados por esses mesmos ministros que eles aprovaram em sabatina. Está aí a raiz da covardia dos senadores, do comodismo, da indiferença com relação à vontade da sociedade ou parte dela no sentido de, pelo menos, interpelar esses ministros “intocáveis”.

Sede do Supremo Tribunal Federal/Aqui ainda repousa a esperança dos brasileiros.

Há um episódio recente e vergonhoso para o Senado da República. Mais do que vergonhoso, humilhante. Alguns ministros do STF, convidados por senadores para discutirem assuntos de interesse nacional naquela Casa Legislativa, sequer deram resposta. Ou seja, deram de ombros ao convite dos mesmos senadores que os aprovaram em sabatina para o STF. Mais do que sinal de que se acham intocáveis, depreende-se uma declaração implícita de arrogância e desrespeito aos senadores e ao Senado da República e, por extensão, à sociedade.

O TSE elevou às urnas eletrônicas à condição de único sistema eletrônico do mundo que não é passível de fraude. Até os poderosos e sofisticados sistemas bancários mundiais são passíveis de fraudes, sujeitos à invasão de hackeres, mas as urnas não, segundo ministros do TSE.

Não se vislumbra absurdo maior do que este em nenhuma legislação do mundo moderno. Mas eles se dizem democratas.

Logo, o TSE extinguiu, por tabela, a função do advogado eleitoral, aquele profissional que cuida da defesa de candidatos que se sentem supostamente prejudicados com o resultado das eleições.

Se o resultado das urnas não pode ser questionado democraticamente, através das leis substantivas e processuais, então pra quê advogado? Qual a serventia e eficácia da atuação desse profissional junto à Justiça Eleitoral?

Sede do Tribunal Superior Eleitoral/ Monumento à arrogância

Nenhuma. Se a premissa é que está tudo certo, questionar o quê?

Entretanto, inconformar-se com resultados eleitorais adversos é exercício de cidadania, aliás amparado pelo nosso ordenamento jurídico nacional.

Pelo que se vê, doravante candidatos a governador e prefeito, por exemplo, não podem mais questionar resultados eleitorais sustentados em quaisquer fundamentos legais, mesmo que se sintam gritantemente prejudicados.


Segundo o TSE as urnas são infalíveis, invioláveis, inquestionáveis. Em quadro assim, a tecnologia substituiu o raciocínio, a inteligência, o bom senso, a lógica, a seriedade, a vergonha. Fere mortalmente a cidadania que está sendo corroída e liquidada.


Mais claro que isto, impossível.

,
O absurdo chegou a tanto, que nenhum candidato pode mais questionar o resultado das eleições sob pena de ser acusado de crime contra as instituições nacionais. Mais do que isto, endeusaram um penduricalho eletrônico.


Ainda bem que esses setores do Poder Judiciário não aboliram a soberania do voto popular, embora estejam golpeando a cidadania: censuram redes sociais, prendem jornalistas e políticos, abrem inquéritos ao arrepio da lei, desrespeitam o Ministério Público, suprimem aparelho celular no local de votação, apequenam o direito dos cidadãos.


Pior: puniram até um advogado que ousou cumprir a lei em defesa de seu cliente e, por consequência, em desfavor de apadrinhados de alguns ministros do Judiciário.


Não é exagero vislumbrar que o próximo passo desse descalabro ditatorial do Judiciário poderá ser a censura à imprensa, aos livros, aos meios de comunicação, et cetera.


Aí já seria demais, mas não é razoável duvidar. O horizonte estratégico e reprovável deles é muito amplo, amplíssimo.


O intuito deles – grande parte da sociedade sabe – em nada beneficia os brasileiros, mas setores que eles defendem para se perpetuarem no topo dos privilégios e das mordomias pagas com dinheiro suado dos impostos que os brasileiros suportam.

Há muito tempo ainda para que presenciemos outros absurdos forjados na cabeça de algumas de nossas arrogantes autoridades do Poder Judiciário.

O TSE conseguiu transformar as eleições de 2022, maior festa democrática dos brasileiros, num evento tosco, eivado de medo, desconfianças, ameaças de prisão, absolutamente incompatível com a robustez da democracia.

O Brasil está pelo avesso e precisa tomar vergonha e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para ajustar essas anomalias, mas sem esses congressistas lambe-botas que estão aí se agachando diante de decisões de ministros do Judiciário que se acham donos do Brasil.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de evitar que autoridades mudem regras a seu bel prazer e passem a se colocar no lugar de servidores da sociedade e da República e não de beneficiários de si próprios.

Só uma Assembleia Nacional Constituinte será capaz de destruir o pedestal da arrogância e da pequenez dessas autoridades do Poder Judiciário.

Dentro da lei, conforme a lei. Sempre dentro da lei. Nunca fora da lei.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, aniversário de Maria Rita da Luz Menezes

Maria Rita da Luz Menezes/Perfil Thereza Menezes no facebook

Em 15/09/2022, familiares e amigos comemoram o aniversário de Maria Rita da Luz Menezes.

Também parabenizo-a pela data.

Da Luz é filha de Maria Alventina de Menezes (D. Iaiá) e de Joviniano Cordeiro de Menezes. Casou-se com o professor Francisco Lamartine de Menezes (1931-1997) e com ele constituiu família decente e exemplar: Paulo José de Menezes, Geraldo Robério de Menezes, Humberto Antonio Pacheco de Menezes, Thereza Helena Cordeiro de Menezes e Ivana Lúcia Menezes de Menezes.

Pioneira da educação em Chorrochó, foi professora do Ginásio Municipal Oliveira Brito, embrião do hoje Colégio Estadual São José. Humilde e atenciosa, Da Luz faz parte de uma geração de seriedade, respeito e decência.

Mas hoje esse resumo histórico cinge-se ao seu aniversário.

Que Senhor do Bonfim ilumine o caminho de Maria Rita da Luz Menezes. Parabéns.

araujo-costa@uol.com.br